Sábado, 1 de Março de 2008

Fornelos - Chaves - Portugal



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Ainda não é hoje que vamos até ao Peto de Lagarelhos!

 

Digo isto porque em princípio era para lá que apontava hoje o blog, mas acontece sempre o mesmo, chego ao Peto e apetece-me ir sempre mais além.

 

Pois hoje, e chegado ao Peto, em vez de descer em direcção a Loivos, resolvi continuar a subir a montanha, ou montanhas. Estrada 314 fora, aí vem logo a seguir Lagarelhos, depois France, uns quilómetros à frente aparece o Carregal e logo a seguir Fornelos. Aqui, ou optamos por parar, por entrar em terras de Valpaços como quem vai para Carrazedo e passa por Sarapicos,  ou ainda por virar em direcção a Stª Leocádia.


 

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Estamos no limite do concelho de Chaves, e Fornelos é precisamente a última aldeia da 314 em terras flavienses.

 

Paramos então em Fornelos.

 

Fornelos fica a 18 quilómetros de Chaves e pertence à freguesia de Stª Leocádia, que por sinal fica logo ali ao lado.

 

Fornelos faz parte integrante das tais terras do planalto e sobre a aldeia pouco mais tenho a dizer, ou melhor, pouco mais sei. É uma pequena aldeia, daquelas aldeias de estrada, muito movimentada por sinal, mas na qual raramente se para ou repara. A sobressair nos “reparos”, há uma belíssima capela cujo “reparo” também é incomodado por uma curva de estrada entre muros e casas.

 

Eu pouco mais sei, mas sei quem sabe de todas as estórias do planalto e que até as conta em livro. Claro que mais uma vez vamos recorrer ao Gil Santos e a mais uma estória do seu livro “Ecos do Planalto”. Habituem-se a este nome e às suas estórias, pois pela certa irá passar por este blog muitas vezes.

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Pois na estória de hoje embora o velhinho “Texas” (comboio) seja o “actor principal” apenas serve de pretexto para mais uma estória do planalto que tem origem precisamente em Fornelos, a nossa aldeia de hoje

 

O Camboio

 

A linha de caminho-de-ferro do Corgo/Tâmega ligava a cidade de Trajano - Chaves - à cidade do Peso da Régua. Em 25 de Maio de 1905 foi inaugurado o troço entre a Régua e Vila Real. Em 15 de Julho de 1907, o comboio já chegava a Pedras Salgadas. Em 20 de Março de 1910 chegou a Vidago, havendo depois um compasso de espera devido à indecisão quanto à margem do Tâmega a utilizar e ao período difícil da primeira Guerra Mundial. Em 20 de Junho de 1919 chegou ao Tâmega - Curalha - e em 21 de Agosto do 1921 o comboio chegou finalmente a Chaves.

 

Desta forma, ficava facilitada a ligação de pessoas e mercadorias à "mui nobre e invicta" cidade do Porto. Num tempo em que não havia estradas e os veículos automóveis estavam na alvorada, o comboio era um progresso extraordinário que rasgava o país de lés a lés. Trás-os-Montes parecia, desta forma, livrar-se das peias do ostracismo a que esteve votada, quer pelo isolamento a que as montanhas do Marão, Alvão, Barroso e Gerês a submetiam, quer ainda pelo desprezo dos políticos de Lisboa que, mesmo hoje, continuam a riscá-la do mapa. Por isso, a linha do comboio era motivo de grande orgulho e admiração. Ninguém das redondezas se deslocava à feira de Chaves que não fizesse uma visita à estação dos caminhos-de-ferro.

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O comboio era rapidíssimo para o tempo! Tanto assim que não chegava a gastar quatro horas para percorrer os noventa quilómetros que separam Chaves da Régua. Fumegante, galgava encostas e vales como nada! Quem viajasse em primeira classe, tinha mais conforto do que quem escolhesse a segunda. Na terceira seguia a gente pobre, misturada com os coelhos, as galinhas e as hortaliças que se vendiam nas feiras. O comboio andava sempre cheio, era uma alegria! Eu próprio cheguei a viajar muitas vezes no Texas, como se lhe chamava nos anos setenta. As viagens que recordo com mais saudade são as que fazia nas tardes de Verão para a piscina do Palace Hotel de Vidago. No regresso, quando o comboio contornava uma colina antes do apeadeiro do Tâmega, apeávamo-nos, íamos às uvas e apanhávamo-lo mais à frente. O pior destas viagens era o facto de não se poder usar roupa clara que, com a fuligem, nos transformava em autênticos caretas. O fumo do carvão de pedra da fornalha era tão espesso, que mesmo com as janelas fechadas penetrava até aos ossos. Então quando tinha que se atravessar um túnel!...

 

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Corriam os anos trinta e o Ti Morgado de Fomelos, homem de muitos teres e de grande lavoura - meu avô matermo - tinha por parte da esposa - senhora minha avó - muita família no Porto por daí ser ela natural.

 

Ora o comboio, mesmo a cerca de dezassete quilómetros da aldeia, era um regalo quer para mandar o fumeiro e as batatas quer para receber na volta os encantos da grande cidade. Além do mais, permitia encontros mais amiudados entre os membros da famí1ia. Aos criados da casa estava incumbida a tarefa de fazer a ponte entre a estação de Chaves e a casa de Fornelos. Estavam sempre aspadinhos por este trabalho pois representava uma raríssima ocasião de ir à cidade, mas sobretudo de ver o camboio.

 

O Manuel Soqueiro - nomeada resultante do facto de ser artista a talhar tamancos de pau de amieiro foi crido lá da casa. Contraiu matrimónio e passou a cuidar da sua própria lavoura. Mas, sempre que fosse preciso, estava às ordens da casa do Morgado e lá botava uma mão nos trabalhos mais pesados. Corria Setembro, mês do arranque das batatas - a riqueza daquela casa - e não havia braço disponível que não se ocupasse nesta árdua tarefa. Acabavam as férias que os velhotes do Porto haviam passado em Fornelos. Era por isso preciso levá-los à estação para regressarem ao Porto. Como não havia na casa ninguém disponível, foi pedida ajuda ao Soqueiro. Ainda a manhã vinha longe e já os bois galegos gramavam com o jugo pela cabeça. No carro montavam-se uns bancos corridos para maior comodidade, por mor dos solavancos do macadame da estrada. Partiram manhã cedo. O Sr. Manuel era pai da Maria Soqueira,  uma moçoila de quinze anos, grossa como a casca das carvalhas da touça fronteira ao pardieiro em que viviam. Não conhecia nada para lá de Santa Leocádia. sede de freguesia. onde ouvia a missa de Domingo. Era uma boa oportunidade de a levar à cidade, tanto mais que fazia companhia aos passageiros. Assim foi!

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Chegaram à estação seria meio-dia. Havia tempo, pois a partida era só lá para a uma da tarde. Comida a merenda, era hora de dar uma vista de olhos pelas novidades. O pai não perdeu a oportunidade de mostrar o camboio à sua Maria,  explicando-lhe os mais Ínfimos pormenores.

 

- Esta casa é a estação do camboio. É aqui que as pessoas embarcam e que se despacham as encomendas. Maria, estes carriles de ferro são a estrada por onde o camboio anda. Aquela casinhota que bota fumo é a mánica que puxa as gaiolinhas que são as carruaijes. As que têm jinelas são para as pessoas, as fitchadas para as encomendas e para os animais. Aqueles homes engatam umas gaiolas às outras com a mánica na frente e o chefe da estação dá a ordem de partida. O camboio apita e arrenca!...

 

A rapariguita estava pasmada! A boca abria-se de espanto e os olhos esbugalhados brilhavam de felicidade. Era tudo ainda mais fascinante do que alguma vez havia sonhado! Quando casasse, havia de andar de camboio. - Pensava ela.

 

Mas tinha uma dúvida:

 

- Ó pai e quando o camboio arrenca a estação vai atrás dele ?!...

 

 

Em Janeiro de 1990, o troço de caminho de ferro entre Vila Real e Chaves foi encerrado.

 

Infelizmente os nossos governantes não perceberam que o prejuízo de suprimir esta maravilha será muito superior ao custo da sua manutenção!

 

Estou certo de que um aproveitamento turismo sustentado haveria de o justificar.

 

Bem, são as decisões dos inteligentes políticos da nossa praça!

 

 

Gil Santos, In Ecos do Planalto, Estórias – Edições Ecopy, Porto, 2007

 

E por hoje é tudo. Amanhã cá estarei de novo com mais uma aldeia do nosso concelho de Chaves.

 

Até amanhã!

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:29
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10 comentários:
De R T a 1 de Março de 2008 às 14:24
Caro,
Fernando Ribeiro

Sou presença diária no seu blog, e antes de mais queria deixar os meus parabéns pelo belo trabalho que realiza, mas quando vi o post de hoje fiquei muito contente, porque esta é a MINHA aldeia.

Embora não tenha nascido em Fornelos , foi nesta aldeia que morei desde os meus 3 anos, digo morei porque os estudos trouxeram-me para Leiria e desde 2001 o trabalho fez com que a minha cidade agora seja Leiria.

Mas de 2 em 2 semanas lá vou eu até a MINHA aldeia, é um prazer enorme e um orgulho ver a MINHA aldeia retratada no teu blog, sei que não há muito a dizer desta humilde e pobre aldeia, mas é a MINHA.

É uma Aldeia com pouca gente, gente essa que a idade começa a pesar, mas ainda existem 3 ou 4 resistentes e alguns emigrantes que voltam para refazer a sua vida na sua aldeia, depois de anos de sacrifício lá fora.

Tenho 32 anos e o pessoal da minha idade ninguém parou por lá, pois o interior é muito bonito mas as oportunidades são nulas, por isso o pessoal dispersou, por esse mundo fora.

Gosto de lá voltar a cada 2 semanas, especialmente porque vou ver os meus pais, e a minha 1ª casa, todas as recordações possíveis e ainda ajudar nas tarefas do campo, porque faz muito bem ao espírito e ao corpo (para quem se deixou dessas coisas e vive outro stress), e para além disso se queremos conviver com as pessoas da terra e com os nossos familiares temos que os acompanhar, pois não há espaço para paragens, existe sempre alguma coisa para fazer.

Deixo aqui o convite para passarem por esta bela Aldeia e também para passarem no meu blog

http://depoisdosolposto.blogs.sapo.pt/

Rui Teixeira


De Pedro Neves a 13 de Maio de 2008 às 23:10
Pois caro Rui, esta é a nossa aldeia. Parece que de facto o mundo é bem mais pequeno do que se julga. Foi com enorme prazer que encontrei esta referência à nossa aldeia e o excelente texto do blog, com fotografias de ruas que foram percorridas vezes sem conta, anos a fio.... onde ainda hoje regresso sempre com renovado prazer de visitar a familia, na casa que está na segunda fotografia! Para além do largo onde tantas vezes jogávamos à bola no verão até já ser noite, e sabiamos que ao chegar a casa tinhamos a mãe com o jantar já frio e o raspanete do costume....
As memórias da infância e principalmente o cheiro e o sabor do verão, ainda hoje me enche de nostalgia.
Um grande abraço, e parabéns ao autor do blog.


De anonimo a 30 de Maio de 2008 às 12:55
eu adorei ver a minha aldeia, matar um pouco de saudades pela internet.
sou de fornelos, nasci em chaves mas vivi muito tempo da minha vida em fornelos, hoje vivo muitos kms de distancia da minha aldeia.
queria só emendar um pequeno erro que esta no texto sobre as pessoas de fornelos. (quem fazia os tamancos de madeira era o senhor jose ramos e não o senhor manuel ramos)



De Gilsantos a 11 de Julho de 2008 às 12:12
Meu amigo:
A estória do Camboio foi retirada do livro "Ecos do Palanalto - estórias" por isso os nomes importam pouco. Já agora o autor do livro é do Carregal e as trinta estórias desse meu livro passam-se todas por ali. Leia.
gilmorgado@oninet.pt


De Fernanda Lopes a 30 de Janeiro de 2009 às 21:16
Olá Pedro e Rui, de facto como o mundo é pequeno, apesar da distância cá estamos nós a ler os comentários uns dos outros e juntos a recordar a nossa aldeia. Fiquei muito contente ao ver as fotografias de Fornelos e assim recordar a minha aldeia onde nasci e vivi durante alguns anos e sempre que posso lá estou eu a passar uns dias.
Um Ano de 2009 cheio de coisas boas para todos e até qualquer dia.
Fernanda Carneiro


De Paulo Ramos a 7 de Maio de 2009 às 18:41
Boas,
Andava eu aqui a navegar pela internet e não é que encontro umas belas fotografias da minha aldeia FORNELOS, bem como dois grandes amigos de infância...o Rui e o Pedro...o mundo é realmente pequeno.
Um GRANDE abraço a todos e parabéns ao autor.
Paulo Ramos


De Marta Alexandra a 2 de Fevereiro de 2010 às 18:40
Ola,
amigos Rui, Pedro e Paulo e prima Nanda, adorei encontrar a nossa pequenina aldeia na internet. É muito linda. Obrigado a pessoa que fez isto. Um abraço Marta


De Simão Carvalho a 22 de Fevereiro de 2010 às 22:51
Olá Pessoal!

Fornelos é tambem a "minha" aldeia..
Na 3ª foto a casa da esquerda e da minha avo!
E la que todos os anos passo as minhas ferias..ainda tenho la familia a viver!

Nao ha coisa mais bonita no mundo do que fornelos!

Abraços a todos!


De Simão Carvalho a 22 de Fevereiro de 2010 às 23:03
Ola pessoal!

Nao sei se o meu ultimo comentario apareceu postado...eu nao o consegui ler..

Na 3ª foto a casa na esquerda e da minha avo...e la que todos os anos passo as minhas ferias de verao. tenho la familia a viver! A Ti Noémia o Ti Silvino o Ti Berto e a Ti Deolinda..sou bisneto dos Magalhães!=)

Um grande abraço a todos e que a nossa aldeia continue por muitos anos a fascinar as pessoas!


De Ramos M.Madalena a 14 de Março de 2010 às 16:59
Ola a todos
Que bon poder visionar a minha aldeia.
Não sabia que até tinha um blog, quem deria!!!!
Tantas saudades da minha infancia passada nasta linda terra( ja vão la uns aninhos).
Parabens à pessoa que o realizou e obrigada.
Madalena RAMOS


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