Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

As chaves de Chaves - Portugal



.

E hoje vamos ao pormenor das chaves do símbolo/brasão da cidade de Chaves.

 

Como todos sabemos ou me disseram que dizem os entendidos na matéria, o nome da nossa cidade de Chaves evoluiu a partir do nome que foi dado à cidade pelos romanos, ou seja, Aqaue Flaviae. Segundo consta, Aquae Flavia teria o significado de Águas de Flávio. Até aqui, tudo bem. Não vos explico a evolução de Aquae Flaviae até ao actual termo de Chaves, porque e embora já mo tivessem explicado, não sei deixar aqui a explicação. Sei que hoje a cidade é Chaves e que na altura dos romanos era Aquae Flaviae.

 

Mas hoje o que quero é mesmo abordar o facto das duas chaves (de fechadura), constarem no brasão da cidade.

 

Vamos ao que foi publicado no Diário da República, III Série de 11/11/1987 a respeito do nosso brasão oficial (que não é o da foto de hoje).

Armas - Escudo de azul, ponte de três arcos de prata, movente dos flancos, lavrada de negro, saínte de um contra-chefe ondado de prata e azul; em chefe, escudo de prata carregado de cinco escudetes de azul postos em cruz, carregado cada um de cinco besantes de prata e com uma bordadura de vermelho carregada de sete castelos de ouro, acompanhada de duas chaves de ouro, estando a da dextra volvida em cortesia. Escudo cercado pelo colar da Ordem militar de Torre e Espada do valor, lealdade e mérito. Coroa mural de prata de cinco torres.  Listel branco com  os dizeres : " CIDADE DE CHAVES ", a negro.

 

Pois lá estão as tais duas chaves de ouro. Tudo bem, ainda não consegui (até hoje) foi a explicação para essas duas chaves no nosso brasão. Se são as chaves da cidade, a sua inclusão no brasão é aceitável, tal como tudo o resto do brasão, incluindo os arcos da ponte, que esses sim, já há dois mil anos que ganham o direito de constar na nossa identidade. Agora se as duas chaves da cidade estão associadas ao nome de Chaves da cidade, aí já não compreendo muito bem. Mas não quero levantar aqui qualquer polémica sobre o assunto, antes pelo contrário, pois apenas quero demonstrar a minha ignorância por não saber qual a razão de as chaves de fechadura estarem no brasão de Chaves cidade, cujo nome segundo me ensinaram evoluiu a partir de Aquae Flaviae, e assim sendo, em vez das Chaves, deveríamos ter lá o Flávio e as águas, que já na altura eram quentes e termais. Aliás é uma das poucas falhas que encontro no nosso brasão, a de não constar uma menção às nossas águas termais.

 

Talvez alguém aí desse lado possa ajudar a compreender melhor o nosso brasão. Eu ficaria agradecido e concerteza que quem acompanha este blog também o ficará.

 

Entretanto fica uma das muitas versões (não oficiais) de brasão que conheço da cidade, onde em todas contam as tais chaves de fechadura.

 

Até amanhã, com mais discursos sobre a cidade.

´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:57
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9 comentários:
De luis a 3 de Abril de 2008 às 17:14
Por acaso gostava de saber como é que se fez essa passagem de Aquae Flavie para Chaves, é uma passagem estranha, muito mais do que Olissipo para Lisboa, Ou Bracara Augusta para Braga, etc.
Gosto mais de Águas Flávias, único?, do que o banal Chaves!
Admiro-me de não haver um estudo decente sobre essa coisa, pelo menos o ano em que se mudou o nome deve ser mais ou menos fácil de encontrar.
Ontem não retribui o abraço por que não tive tempo. Não ligues muito às minhas palhaçadas internéticas!
A ver se tomamos café, mas só lá para o Verão, estou cheio de trabalho e como não há um vôo directo de Newcastle demoro 2 dias a chegar a Boticas, porque de Londres dá perfeitamente para ir aí passar um fim de semana, como já fiz.
Bons posts, fico à espero da história da Sexta, estão a melhorar, a última estava muito fixe, é pena não haver mais gente a escrever coisas nesse estilo.
Até logo!


De qb a 3 de Abril de 2008 às 17:45
Pois caro amigo Luís.
A passagem de Aqu(ae) (Fla)vi(ae) para Chaves dá-se com a transformação(falta-me o nome literário) do FL em CH e do ae em es.
Ficando: Àguas de Flávio = Chaves.
Daí que sejamos Flavienses.
Um abraço


De blogdaruanove a 3 de Abril de 2008 às 23:59
O brigadeiro (mais tarde, major-general) Calvão Borges, na obra Tombo Heráldico do Nordeste Transmontano (Lisboa: Livraria Bizantina, 2000; obra parcialmente publicada na revista Aquae Flaviae em anos anteriores), um trabalho apresentado para admissão na Académie Internationale d'Heráldique, declara sobre este desenho, patente na creche-lactário: "O desenho desta pedra moderna não pode ser considerado muito feliz. A forma do escudo, a posição das chaves e representação do rio (que mais parece um telhado) constituem defeitos evidentes." Ora é precisamente a representação do rio um dos aspectos mais interessantes desta pedra. O seu "desenho", do final da década de 1930, princípios da década de 1940, evoca a Arte Nova na sua sinuosidade e é característico e contemporâneo da Art Déco, quebrando o habitual aspecto estático da heráldica e concedendo uma notável noção de movimento à composição.
Refira-se ainda que é precisamente na década de 1980, com a reformulação heráldica devida a Bénard Guedes, que a autarquia abandona o azul e o vermelho como representação das cores do município, passando a adoptar o azul e branco, evocativo do princípio da nacionalidade e da monarquia. Curiosa ironia para uma localidade que, ao longo da primeira metade do século XX, sempre se orgulhou do seu republicanismo...


De Tupamaro a 11 de Abril de 2008 às 00:35
“In illo tempore” era ensinado (algo aprendido, e muito, muito esquecido!) que a maioria das palavras em Português tinha a sua origem no “Acusativo Latino”.
Era o Caso Etimológico.

CHAVES - Aquae Flaviae - terá a sua origem no caso ABLATIVO de (Aquis) FLAVIIS, que daria FLAVIIS.

A transformação das palavras também leva o seu tempo.
Eram, e são, os tais Fenómenos Fonéticos - evolução e princípio do menor esforço, lembram-se.

No caso de Flaviis-Chaves, e conforme o comentador “qb” apontou, o “FL” (grupo fonético medial) «palatizou-se» - “ch”.
Por descida na escala vocálica - Chavis-ChavEs.
E cá temos C HA V E S…………Município, Cidade, «A NOSSA TERRA»!

É que, no Latim, aquela peça que se mete na fechadura para abrir as … Adegas, e outros «««quid genita»»» (quejandos) - cofres; dar corda, ó avós, aos Despertadores dos vossos avós para serdes acordados a tempo de ir p’rá’scola; etc. - também «DEU» “c h a v e s” - a tal com o Acusativo Clavem - Claves e a cujo "CL" aconteceu o mesmo que ao "FL".

Esperamos que este «opinanço» seja uma chave para uma liçãozita de Português.

Eis, (lembramo-nos) uma óptima oportunidade para o sumo sacerdote municipal, e máximo comissário político-partidário Flaviense, praticar uma Boa Acção individual, a q u i, dizendo como conhece, em essência, o chão que pisa e as muralhas que o protegem, e fazendo os “TRAJANISTAS” (e não só) mais instruídos.
Desta vez virá cá em pessoa, com certeza.
Os nossos (sinceros) antecipados agradecimentos.

Tupamaro


De AFONSO BATISTA PIMENTA a 9 de Março de 2009 às 11:06
sempre que posso estou eu abrindo as fotos e sleides da cidade de chaves, para matar a saudade,


De hermes a 2 de Junho de 2011 às 02:11
Tinha ouvido uma história que a palavra surge de uma transformação da palavra Clóvis, sofrendo depois as seguintes transformações: Clovis - Clavis - Claves - Chaves... não sei se há algum estudo que defende esta teoria ou é mais um conhecimento passado pela tradição oral. O que é certo é que faz bastante sentido mas não consigo fornecer o fundamento desta transformação


De Catarina a 21 de Outubro de 2012 às 19:04
Nasci na Freguesia de Águas Frias, mais precisamente em Assureiras e passei muitos momentos felizes na minha infância nessas terras embora tenha vinda bébé para Lisboa...adorei o Blog


De Fer.Ribeiro a 21 de Outubro de 2012 às 19:32
Olá Catarina, obrigado pela visita e volte sempre.


De acosta a 17 de Maio de 2017 às 20:50
a origem do nome chaves vem do tempo dos celtas, o vale onde se situa a cidade , era conhecido por hjavet o vale mais grande e fertil da regiao


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