Domingo, 13 de Abril de 2008

Aveleda - Chaves - Portugal


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Se de repente alguém chegar ao pé de mim e me pedir para lhe recomendar uma aldeia para visitar, pela certa que, e sem hesitar, uma das que me virá logo à cabeça será Aveleda.

 

Porque!? – É simples. É bonita, interessante em si e na envolvente com paisagens de perder de vista e sobretudo porque para se chegar até lá, terá que passar por montes de outras aldeias também interessantes, mas sobretudo pelas paisagens de toda a freguesia de S.Vicente da Raia e por Aveleda ter características quase únicas.

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Pois uma dessas características é a sua própria localização. Está aconchegada num pequeno e verde vale, isolada e rodeada por um mar de montanhas. Outra das suas características singulares é a de Aveleda ser uma das raras aldeias de xisto do concelho. Aliás só mesmo nesta freguesia e curiosamente na Fonte da Carriça (Vilar de Nantes) é que nos aparecem construções (maioritariamente) feitas em xisto, pois por todo o concelho o habitual e tradicional é o granito.

 

Outras singularidades terá, como a das suas gentes, mas para as aprofundar mais, teria que passar por lá mais uns tempitos.

 

Quanto às restantes características, segue as que são comuns a todas as aldeias de montanha, com pouca gente e envelhecida, muitos emigrantes e poucas crianças.

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A vida da aldeia, dos resistentes, faz-se à volta da agricultura de subsistência, com pequenas hortas e boa batata, que por falta de políticas de escoamento, apodrece nos armazéns para de novo ser devolvida à terra, mas como fertilizante. O curioso nesta política da batata, que é de qualidade indiscutível,  é que ela em muitos anos não chega a sair das aldeias, quando em Chaves, nas grandes superfícies se vende batata estrangeira, de qualidade duvidosa (se é que tem alguma) e cara. Penso eu que quando estas grandes e médias superfícies são autorizadas na cidade de Chaves, deveria haver um mecanismo, acordo,  protocolo (ou outra coisa qualquer) que os obrigassem a comercializar os produtos do concelho e da região que servem, como produtos certificados da região. Assim todos saberíamos que quando estávamos a comprar batata (por exemplo) era mesmo batata o que comprávamos e não uma imitação, sem sabor e até transparente, que às vezes mais parecem chuchus, e todos sabemos, que embora parecidas no aspecto após cozinhado, chuchu não é batata. Quem diz batata, diz couves, feijão, vinho, cebolas, tomates, pimentos, castanha, cereja,  … e por aí fora, passando pelas carnes e pelo fumeiro e presunto. Aliás também este já há muito que deveria estar certificado e assim evitar-se-ia que por esse Portugal fora se vendesse presunto de Chaves, que de Chaves, só tem a passagem quando vem de Espanha ou sabe-se lá de onde. Criar fama e deitar-se na cama, nem sempre traz os melhores resultados.

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Talvez com políticas acertadas para as nossas aldeias ainda se conseguisse prender os poucos jovens que por lá há ou o retorno de alguns, pelo menos os emigrantes, senão, não tarda nada e as aldeias fecham, tal como me foi sito por um dos idosos (curiosamente com “o baixo” cheio de batata a apodrecer). Claro que políticas destas seriam rentáveis para toda a gente, mas a curto prazo, talvez não rendam votos, e por isso, há outras mais urgentes e luxuosas só para encher olho. Digo eu que nada percebo destas coisas, mas é o que me parece!

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Quanto ao topónimo Aveleda, existem duas versões ou opiniões. Uns dizem que era o nome atribuído às sacerdotisas do culto endovélico, outros referem que provém de avelã, onde de facto é um local onde proliferam as avelaneiras. Só transmito aquilo que dizem, pois não vi as sacerdotisas nem as avelaneiras. Não que com isto dizer que não as haja.

 

Aveleda, embora junto a um pequeno vale no encontro de várias montanhas, situa-se a 500 metros de altitude. Pequeno vale ou veiga que sempre a conheci verde e fétil, graças  à água e à rega do Rio do Vale Madeiro, que nasce na vizinha Galiza e é (pouco mais abaixo), afluente do Mente.

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Aveleda, tem uma pequena capela devotada a São Tomé que é festejado em 2 de Dezembro. Não cheguei a apurar se a festa ainda se realiza, no entanto a verdadeira de festa da aldeia é em Agosto, quando a maioria dos seus emigrados (cá dentro ou lá fora) regressam de férias. Ainda estamos na geração de emigrantes que regressa à sua terra de férias, o verdadeiro problema das aldeias como Aveleda (infelizmente a maioria do concelho), vai ser quando já não tiverem filhos nascidos nelas, e ninguém regressar para férias.

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E sobre a Aveleda concerteza que haverá mais que dizer, mas não o sei, pois como sempre falta-me a documentação sobre ela, mas sei onde podem espreitar bonitas fotos, e mais um pouco da sua história, pois embora Aveleda fique meio perdida entre montanhas, tem página na Net em http://aveleda.paginas.sapo.pt/ de autoria de Américo Fernandes, mais um dos filhos de Aveleda que tal como os outros foi obrigado a partir, mas que levou a sua aldeia no coração. Não perca uma visita à página (não oficial) de Aveleda, pois não se vai arrepender.

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Aveleda pertence à freguesia de S.Vicente da Raia, faz fronteira com a Galiza e já recebe ares de terras de Vinhais, no entanto, ainda tem Segirei pelo meio, outro paraíso entalado entre montanhas e que em breve também terá aqui o seu post alargado, mas antes, ainda temos que ir fazer uma merenda à sua praia fluvial. Pode ser que nessa altura também se faça a recolha fotográfica para S.Vicente e Orjais.

 

Aveleda fica a 32 quilómetros de Chaves, é a segunda aldeia mais distante da cidade (só ultrapassada por Segirei a 35 quilómetros) ou seja, é uma daquelas aldeias pela qual a luta pelas urgências do Hospital de Chaves teve todo o sentido, mas atenção, se tiver um AVC ou coisa do género por terras de Aveleda, não perca tempo no Hospital de Chaves e peça logo (se puder) que o levem para Vila Real, pois só por lá lhe poderão salvar a vida e a dignidade. O mesmo conselho serve para as grávidas em vias de parir, mas o mais certo para estas é que o filho venha a ter naturalidade de Vila Pouca numa ambulância a caminho de Vila Real.

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Assim e para terminar, se souber que vai ter um AVC, um acidente grave ou está em vias de parir um filho, não lhe aconselho visitas a Aveleda. Para os restantes, mais que uma visita aconselhada, é uma visita obrigatória, pois raramente encontrará terras com tanta beleza e pena é que os incêndios lhe tivessem retirado alguma, mas pouca.

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:35
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1 comentário:
De José Miguel da Rocha a 13 de Abril de 2008 às 18:23
Quando se trata da minha Freguesia eu não posso deixar de marcar presença e ao mesmo tempo cumprimentar e agradecer ao Snr . Fernando Ribeiro o serviço que nos presta, sobretudo aos que estamos fora e assim poder matar saudades, vendo em fotografias os lugares das nossas raízes e dos quais tanto gostamos.
Apreciei imenso tudo o que escreveu sobre Aveleda, permita-me apenas acrescentar que a Festa em honra de S. Tomé, Padroeiro da aldeia, foi sempre e ainda é realizada, agora apenas a Religiosa, em 21 de Dezembro e porque a partir daí, o dia solar começa a crescer, os meus amigos de Aveleda, têm orgulho em dizer que o seu Padroeiro segurou os dias, não os deixando diminuir mais. Claro que também se realiza a Festa completa em Agosto para conviver com os Emigrantes.
A oitava fotografia é espectacular, podendo ver em 1º plano Aveleda e ao fundo, já na margem esquerda do Rio Mente, (mas este não se avista) identifico partes de 3 aldeias do concelho de Vinhais : Sandim , Ferreiros e Brito de Lomba.
Para terminar, também eu aconselho uma visita obrigatória a AVELEDA, pois sendo difícil encontrar terra com tanta beleza, mais difícil será encontrar com melhor gente.


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