Domingo, 20 de Abril de 2008

Dadim - Chaves - Portugal



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Então vamos até uma daquelas 5 grandes zonas do concelho que é a de Monforte, da Raia e também da Castanheira. Vamos até Dadim.

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Pois há dias num dos Sábados das minhas recolhas fotográficas pelas aldeias, levava em mente as Assureiras, depois Sobreira, Avelelas, Vila Nova, Oucidres, Vilar de Izeu, Bobadela e Bolideira. Já sabia que o tempo seria pouco para fazer todas as aldeias, por isso, chegado às Assureiras, resolvi primeiro ir à Bolideira, mas como passei por Águas Frias, resolvi tomar aí umas fotos, e depois lá fui à Bolideira. Depois da Bolideira, e já que ali estava, pensei que me faltavam ainda tomar umas fotos de Cimo de Vila da Castanheira. Então resolvi ir até lá. Claro que passei por Dadim. No regresso, na

 

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aproximação a Dadim, pensei para comigo: “engraçado como há mais de 20 anos que vou passando por Dadim, sem nunca lá ter tomado uma foto. O problema penso mesmo que é da estrada nova passar ligeiramente ao lado do seu núcleo antigo, e as novas construções ou mais recentes, nas despertarem muito para fotografia. Mas bem, já que ali estava, resolvi entrar em Dadim e só quando a noite se aproximava, já depois do sol posto, é que saí de Dadim.

 

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Mais uma vez o meu itinerário fotográfico tinha saído furado, aliás como acontece sempre. Estranhar seria que o seguisse com rigor e tudo porque há uma ou outra coisa que nos prende mais do que aquilo que prevíamos, tal como me aconteceu em Dadim.

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Fiquei preso a Dadim pelo seu casario antigo, o tipicamente tradicional das nossas aldeias de granito, mas mais que o casario, quem me prendeu, foram mesmo as conversas com o pessoal de Dadim, sobretudo as mulheres, que além da conversa, dos lamentos e dos recados para o Sr. Presidente, me iam mostrando a Igreja velha da qual muito se honram e as casas, que antes estavam cheias de gente e que agora caem aos bocados. “Os novos partem para fora e os velhos morrem, depois é isto, caem, porque ninguém toma conta delas” vão-me dizendo, enquanto pedem uma foto aqui ou ali.

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Mais que servirem de cicerones, as mulheres de Dadim tinham era necessidade de falar dos filhos que partiram, mas que graças a Deus estão bem, pois por lá nada tinham para ganhar o pão de cada dia, e foram para o Porto, para Lisboa, para à Guarda ou Polícia, estudaram e têm os seus empregos na cidade ou emigraram para a França, Suiça ou ode calhou melhor. Fui ouvindo também os seus lamentos, que não eram por elas,  mas por uma aldeia que as viu nascer e que vêem aos poucos, casa a casa, morrer. Falo-vos do casco de Dadim, pois tal como nas outras aldeias, é mais fácil e barato construir de novo junto à estrada do que reconstruir e recuperar as antigas casas, mesmo porque as antigas (pelas suas dimensões) não lhes oferecem o conforto que hoje se exige.


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Quanto a recados para a cidade, anseiam por um Lar e Centro de Dia, para os quais até já têm umas pequenas instalações que há anos foram executadas para o efeito, mas que estão fechadas. Penso mesmo que (embora não seja a única) é coisa que a gente mais velhota da aldeia anseia e necessita, ou seja, algum apoio e alguém que os oiça.

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Quanto os que por lá fazem novas casas junto à estrada, claro que não os critico, antes pelo contrário, pois geralmente são os (poucos) casais mais novos que as constroem, o que significa que optaram pela sua aldeia e não pela partida e, enquanto houver gente nova a construir, há vida nas aldeias e algumas crianças. Também há as construções novas dos emigrantes, que embora não estejam na aldeia, demonstram a sua vontade de um dia regressar a ela.

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Mais que desertificada, Dadim é uma aldeia envelhecida, quer nas casas do seu casco, que nas pessoas. Vimos ruas com gente, muita gente até, mas durante quase duas horas que estive por lá, não vi uma única criança na rua. Não digo que não as haja, pois deve haver, poucas como de costume, mas também as ruas já há muito que não são o palco das suas brincadeiras.

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Mas vamos aos números de Dadim.

 

Em termos de população residente (dados do Censos 2001) existam 126 pessoas residentes (59 homens e 67 mulheres), dos quais 34 tinham mais de 65 anos, 63 pessoas entre os 25 e os 64 anos, 32 jovens entre os 10 e 15 anos e 5 crianças até 9 anos. São dados de 2001 que não precisam de legendas, pois dizem tudo.

 

Dadim fica a 23 quilómetros de Chaves e pertence à freguesia de Cimo de Vila da Castanheira.

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Li algures que a capela é de devoção a Santa Bárbara. Na aldeia disseram-me que era de devoção ao Anjo da Guarda cuja festa realizam todos os anos no 2º Domingo de Agosto, pelo menos desde que a festa em honra de S. João Baptista acabou. Esta última tinha a particularidade de ser uma festa da freguesia que se realizava quase alternadamente em Cimo de Vila e em Dadim, pois durante dois anos realizava-se em Como de Vila e um ano em Dadim. Mas já há muitos anos que não a fazem, e agora cada aldeia faz a sua.

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:28
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38 comentários:
De Armando Sena a 21 de Abril de 2008 às 10:00
Excelente iniciativa este blog. Parabéns pela recolha fotográfica efectuada. Este tende a ser um ponto de convergência de transmontanos, independentemente donde vivam.
Que não lhe faltem as forças (e rolo na máquina fotográfica) para continuar a recolha.


De Jorge Machado a 9 de Maio de 2008 às 15:13
E com muito agrado e alguma tristeza que vejo a minha terra, agrado porque vejo a minha terra e tristeza porque cada vez mais o tempo passa e ela fica deserta, tal como eu muitos dos jovens da minha idade e não só escolhe-mos outras paragens para fazer a nossa vida. Mesmo estando longe as raízes não se esquecem , estão sempre dentro de nós, eu morando muito longe nunca esquecerei a minha aldeia onde cresci e como eu quase todos aqueles que lá cresceram nunca a vão esquecer.
Magnificas fotos, parabéns pelo trabalho.


De espirito a 27 de Maio de 2008 às 12:19
ola!

chamo me fatima agora estou na frança mas sou de dadim
muito obrigado pelas fotos ja tenho saudades de dadim


De sousa a 27 de Maio de 2008 às 12:20
ola!


De Roseni a 2 de Agosto de 2008 às 01:33
Fiquei feliz por conhecer a aldeia onde meu avô Affonso da Silva nasceu.
Quem sabe aida tenho parentes por lá??/


De Elisa Tomaz a 23 de Setembro de 2008 às 01:24
Olá!

Belas fotos da minha terra. Inclusive vi, numa delas, a casa dos meus pais.

Tenho um moinho de água precisamente em Dadim, muito bonito para se fotografar também. Até tenho algumas da zona, se quiser :)

Cumprimentos e parabéns


De Roseni a 22 de Outubro de 2008 às 15:40
Gostaria de entrar em contato com Elisa ,pois a Familia tb tem o sobrenome Tomaz


De celine a 21 de Janeiro de 2009 às 13:31
Hy !
Obrigado, muito e mesmo pelas fotos, são fixe!

Tenho 16 anos e também sou de Dadim , infelizmente vivo em França, gostaria tanto viver para Portugal, na minha aldeia!
:'(
Amo vos todos! E acho que vi a irmã do meu avo ^^ Esto tão feliz de ver isto!

muitos bjs !
Xau'
<3 <3


De JOSÉ MARCOLINO TOMAZ a 25 de Janeiro de 2009 às 13:48
Fico encantado com as fotos de Dadim minha Aldeia. Fazem parte da nossa cultura e identidade.Fico encantado com uma Roseni e uma Celine que não conheço mas tenho umas pistas, quando me fala em Afonso Silva. Sim Roseni, fez parte da nossa identidade, Bom HOMEM e Trabalhador. Tenho soudades dos Valores que se vão perdendo. A nossa Aldeia e família, está no nosso coração todos os dias.Em França ou em qualquer parte do Mundo a nossa identidade sempre firme. Zéca ( Filho de Imperatriz e Mário Tomaz.


De paulopatrocinio a 2 de Fevereiro de 2009 às 13:42
tambem gostei de ver a nossa aleia mas estas fotos não revelam a beleza a aldeia.paulo patrocinio(filho de maria rita reis e silvestre tomaz)


De Paula Sofia Santos a 7 de Fevereiro de 2009 às 12:34
Ola, adorei ver as fotos da minha aldeia ( Dadim ), é sempre bom para quem é emigrante conseguir ver fotos da nossa aldeia, onde nascemos. Gostei muito ver pessoas k conheco nestas fotos, espero poder ver mais fotos da minha aldeia. Eu sou filha de Antonio dos Santos natural de Dadim e de Gracinda dos Santos natural de Bobadela de Monforte, ( ambos falecidos ). Eu estou na Suica, faz dois anos. Bjs para todos e obrigado por fotografarem a minha aldeia, fico à espera de mais fotos


De JOSÉ MARCOLINO TOMAZ a 8 de Fevereiro de 2009 às 18:57
Olá Paula Sofia, o nosso cantinho nunca já mais poderá esquecer. Bom ou mau, faz parte da nossa identidade. Muitas felicidades por essas terras da Suiça, e muitos Francos.

Um dia destes envio fotos de Dadim.


De Paula Sofia Santos a 11 de Fevereiro de 2009 às 12:11
Ola, era so para acrescentar k sou neta do sr. Agostinho dos Santos (ja falecido) e da sra Albertina dos Anjos k ainda se encontra viva e a morar nessa maravilhosa aldeia. Obrigado sr. Jose Marcolino Tomaz, fico a espera de ver novas fotos da nossa aldeia, bjs para todos


De JOSÉ MARCOLINO TOMAZ a 12 de Fevereiro de 2009 às 23:19
Boa noite, Paula Sofia. Parabéns por este desabafo, é muito bom poder conversar um pouco. Fui vizinho dos avós e coléga de carteira do Pai. Crescemos praticamente juntos e de mesma idade. Enfim, a vida é madrasta, mas tudo terá que rolar e, espero que tudo vos corra bem. Quando for a Dadim , vou tirar algumas fotos e terei o prazer de vos enviar.Que tudo vos corra bem, sempre atenta e firme no tempo e no espaço. Beijinhos.


De luis carlos dos santos sa a 31 de Maio de 2009 às 22:11
ola


De luis carlos dos santos sa a 31 de Maio de 2009 às 22:17
OLA SOU DE DADIM COM MUINTO GOSTO SOU A OLIVIA FINHA DO ZE PAULOS GOSTO DA TERRA DAS PESOAS E ATE DO ARE A ALDEIA E TUDO PARA MIM ESTOU NO LUXEMBURGO E AS SOUDADES SAO MUINTAS E BOM VER ALGUMA COISA DA ALDEIA E AS FOTOS SOA LINDAS PARABEIS BOM TRABANH BJ


De Anónimo a 13 de Julho de 2009 às 00:12
Em que áreas é que a maioria das pessoas lá longe parece encontrar o sentido das suas vidas?
Só temos um guia pragmático: o sentido deve residir naquelas coisas por que as pessoas se batem, os fins que se dão a si mesmas, as suas aspirações, necessidades, desejos e vontades. Todavia, este nosso critério só será aplicável àqueles cujas vidas já são dedicadas a aspirações e ambições pertencentes aos níveis superiores da realização humana... Consideradas do ponto humano estas pessoas parecem querer, sobretudo, inteligência, e dinheiro poder, auto-expressão, liberdade, criatividade, apreciação, desfrute, de uma vida melhor. Em termos de ideais estão em busca de uma “vida boa”. Querem ter a sua própria valia; querem que as suas experiências sejam vívidas longe da nossa terra; conhecem a beleza e alegria e também a tristeza, todas estas realizações da sua personalidade sejam partilhada dentro de comunidades mais fechadas, em suma, querem aperfeiçoar-se: é este o seu objectivo primordial e realista. Mas querem também alterar a ordem social, para que se crie um novo ambiente no qual as suas aspirações se possam exprimir adequadamente. Viva a nossa terra.
VOLTEM SEMPRE COM SAUDE E BOA DISPOSIÇÃO, E MUITOS €
Paulo Patrocínio.



De marianatomas a 11 de Janeiro de 2010 às 21:42
Olá , sou a mariana.
Fiquei muito feliz por ver a minha aldeia na nete,mas triste, porque a aldeia onde cresci, era alegre cheia de crianças, de mulheres e homens nos trabalhos pesados mas cheios de alegria que faziam disso uma festa constante.
Um beijo e um abraço da mariana.


De Anónimo a 1 de Junho de 2010 às 17:02
ola chamome artur tomas sou filho de manuel tomas e da falecida maria dos prazeres batista silva estou na suica a13 anos gostei muito de ver as fotos da minha aldeia


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