Domingo, 4 de Maio de 2008

São Cornélio - Chaves - Portugal



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Então vamos até mais uma aldeia do nosso concelho – S.Cornélio.

 

De nome, é uma das aldeias que conheço há mais tempo e pela simples razão de “lá em casa” se falar de S.Cornélio desde que tenho memória, tudo graças a um familiar e meu padrinho de baptismo que por lá passou como feitor, penso que por volta dos anos 50. Pessoalmente, pensava eu que conhecia a aldeia há mais de 20 anos, pois era aldeia de passagem para as restantes aldeias do grande planalto, e sempre o foi até há uns fins-de-semana atrás.

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Já há muito tempo que aprendi a não julgar as pessoas pela aparência pois, é necessário entrar no seu interior para verdadeiramente as conhecermos. Com as aldeias, passa-se o mesmo. 20 anos a passar por S.Cornélio e nunca lá tinha parado. Pensava conhecer a aldeia, mas puro engano, pois tal como as pessoas, também foi entrando dentro dela, do seu núcleo, que fiquei a conhecer S.Cornélio, e diga-se, surpreendeu-me pela positiva, quer pelo seu casario quer pelas suas gentes.

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Vamos começar pelas pessoas, pois são elas que fazem as aldeias. As de S.Cornélio, são simpáticas, hospitaleiras, conversadoras, abertas e divertidas. É uma daquelas aldeias à qual vamos para passar por lá uns 15 ou 20 minutos e acabamos por ficar duas ou três horas, e não é tempo perdido, pois com o pessoal de mais idade, aprende-se muito e descemos ao pormenor da identidade dos sítios, das ruas, das casas, das gentes e da vida. Alguns são um enciclopédia não editada, com pormenores, nomes e datas precisas. Gente que já passou por guerras e revoluções, por africas e europas, por tempo de fome e e dias melhores, até por Reis e muitas Repúblicas e que descendo na genealogia dos conhecimentos, acaba-se uma conversa como se fossemos grandes amigos de sempre.

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Quanto ao casario do seu núcleo, tem muito do tradicional em granito das nossas aldeias. Não há casario senhorial e a aldeia também não é grande, mas tem pormenores preciosos e dignos de serem apreciados. Construções novas e novas intervenções, também há algumas, mas mais na periferia da aldeia, mantendo quase intacto o seu núcleo.

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Geralmente, quando entro nas aldeias, já levo na ideia um ou dois pontos de interesse, principalmente quando já estão referenciados. Para S.Cornélio não levei nenhuma referência, pois mais uma vez o meu destino não era esta aldeia, mas já que passava por lá resolvi entrar no seu núcleo para dar uma vista de olhos com a intenção de uma visita futura. Acabei por ficar por lá e claro que tive de ir perguntando o que havia por lá de interessante. O Carvalho, foi-me apontado por todos, e com razão, pois é um imponente carvalho, que segundo me disseram os mais velhos, já na casa dos noventa anos, já se lembram dele assim desde que são pequeninos. Ou seja, tudo indica que seja um carvalho que irá para além dos 150 ou 200 anos de idade e por isso, merece o respeito e admiração de todos. Nas aldeias, graças a Deus, ainda há respeito e admiração por aquilo que é antigo.

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Mas, e depois deste longo intróito, vamos lá “oficialmente” para S.Cornélio.


 

Fica a 18 quilómetros de Chaves, mesmo ali onde o grande planalto começa a descer para o vale de Chaves. Desde a aldeia avista-se quase todo o vale, incluído a cidade, terras de Monforte, de barroso com o Deus Larouco a espreitar ao fundo e terras da Galiza.  Aliás a riqueza das vistas compara-se à da riqueza da terra, não de muitas culturas, mas rica em batata de qualidade e centeio, culturas que se prolongam por todo o planalto.

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S. Cornélio pertence à freguesia de Travancas e o acesso pode-se fazer (a partir de Chaves) pela E.N. 103 ou pelo seu ramal E.N 103-5, ou seja, por Faiões, até a Bolideira, ou por Vila Verde da Raia, Curral de Vacas e Mairos. Pessoalmente, vou sempre por um lado e regresso pelo outro, é indiferente por onde se começa.

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É uma aldeia que não foge à regra da desertificação, com muita gente envelhecida, emigrantes, casario do núcleo também envelhecido e apenas três ou quatro crianças em idade escolar.

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Quanto à sua história, até 31 de Dezembro de 1853 pertenceu ao extinto concelho de Monforte de Rio Livre. Eclesiasticamente pertenceu à diocese de Miranda do Douro e depois a Bragança até 1922, data em que foi criada a diocese de Vila Real.


 Entre o casario rústico é de destacar a fonte e o forno comunitário do povo que ainda continua a funcionar, menos que antigamente, claro.

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A capela é da devoção a S. Cornélio. Tudo leva a crer que o seu povoamento remonte ao século IX. sob o nome e invocação deste santo que foi papa e condenado à morte em 14 de Setembro do ano 252.


Além da capelinha, possui também uma Igreja recente, curiosamente ambas pintadas de branco e na periferia da aldeia.

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E sobre S.Cornélio pouco mais há a dizer, a não ser agradecer ao pessoal de S.Cornélio a simpatia e a recepção e fica também cumprida a promessa das tais fotos para serem vistas em França e para recordar uma boa tarde passada na terrinha.

 

Até amanhã de volta à cidade.

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:52
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25 comentários:
De quim barrigas a 4 de Maio de 2008 às 12:05
Gente franca e hospitaleira, sim senhor.
Terra do meu grande amigo, colega de Liceu e de profissão, o Avelino Pires.


De José Rocha a 4 de Maio de 2008 às 13:53
Boa posta


De joão ramos a 9 de Setembro de 2008 às 18:42
Fiquei comovoido por ter visto a minha terra na net, de facto é uma aldeia que desperta curiosidade pelo nome, mas poucos conhecem o seu historial. Conta-se que foi que foi doada a um casal, aí nos anos de 1800, ainda hoje lhes chamam "quinta", que por sinal é nobre. Tem o pormenor de existirem 6 cantos tipo solares,que até há bem pouco tempo eram fechados com portas carnais e everedavam grandes lumieiras de granito inteirisso.Dizem que após o por do sol, ao tocar das trindades, as ditas portas eram fechadas e reinava o silêncio na aldeia, apenas se ouviam os cães a dar sinal do trelo do contrabando. O termo confina com Dadim, Travancas, Mairos, Paradela; Roriz, Casas e Argemil. de facto a aldeia fica situada no limiar da montanha e proporciona uma paisagem invejável, tem uma construção granitica e as ruas são castiças, nos linhares não falta água e cultiva-se de tudo um pouco, em tempos idos havia mais de 30 juntas de bois para fazer face à vida agricola. Nos anos 90, as pessoas viraram-se para a criação de vacas leiteiras já que os pastos dessa terra são muito deleitosos e férteis. hoje reina apenas um ou dois pastores de ovelhas, apesar de se verificar alguma construção recente, pelo ano fora está quase deserta. gente muito boa, unida e de duras passagens. Bom trabalho. bem haja.


De seripracso a 20 de Outubro de 2010 às 17:17
A magia, que esta aldeia emana é muito intensa, nasci aqui, conheço bem as gentes deste local são simples e acolhedoras, teem um coração do tamanho do mundo, muitas outras coisas poderia ser ditas porém as palavras são insuficientes para definir este povo. um abraço a todos.


Nota: como gosto de brincar desafio os visitantes a decifrarem o meu nome!


De José Miguel da Rocha a 4 de Maio de 2008 às 17:35
Ao tomar conhecimento que o Padroeiro de S Cornélio foi condenado à morte em l4 o9 /0252, fez-me recordar a Festa em honra do mesmo Santo, realizada em 16/09/1945, que os naturais daquela simpática aldeia, com mais de 65 anos, certamente não esqueceram mas que, talvez digam, já passou à stória ".
Eu acho que deve ser lembrada, sobretudo pela injustiça praticada, comparando com os tempos actuais.
Trata-se da "zaragata" entre as mocidades de Paradela, os mais respeitados, (isto é, temidos) da Região e a de Travancas, sem "ficha" de lutas, mas também valentes.
Do prolongado tiroteio, com armas diversas, resultaram 2 mortes da parte de Paradela, não havendo feridos, que foi considerado milagre. Creio que ainda hoje não se sabe quem acertou os dois tiros dos muitos disparados. Sabemos sim que foram condenados 4, da mocidade de Travancas, a 25 anos cada, portanto 100 anos.
Confirmo na totalidade a positiva apreciação que feita pelo Snr . Fernando à gente de S . Cornélio , onde tive e ainda tenho bons amigos, à qual nenhuma culpa pode ser atribuida , pelo que se passou há mais de 60 anos.
O assunto fez correr muita tinta nos Tribunais de Chaves, Porto e Lisboa e foi muito conhecido e apreciado na cidade de Chaves, quase tão mediático como foi passado um ano e três meses o caso do Cambedo da Raia.
Após aquela Festa, todas as futuras passaram a ter a presença duma patrulha de 2 a 5 elementos da GNR, que eram suficientes para impor a ordem, porque, felizmente havia respeito pelas autoridades.


De Marcelo a 7 de Maio de 2008 às 17:15
Já muito que ansiava por este momento,ver esta nossa bela aldeia, neste espaço que eu me habituei a ver com muito gosto!! É claro, que fiquei muito contente! Quero também felicitar o sr. Fernado Ribeiro por este espaço e espero que volte a esta aldeia


De Sabrina Morais a 28 de Maio de 2008 às 08:44
Agradeço o belo tributo que fez à pequenininha aldeia dos meus pais. É com grandes saudades que olho para as fotografias que publicou e recordo o lugar onde passei as férias da minha infância.
Todavia, São Cornélio continua a ser o meu local preferido de férias, se bem que agora já vou lá mais raramente, pois estou dividida entre a minha residência, a terra do meu marido e esta.
Nas fotos, pude reconhecer casas de 2 tios meus e 2 tios em pessoa.
Agradeço, mais uma vez este espaço que é uma óptima ideia para dar a conhecer um pouco da cultura transmontana.


De FILIPA ALVES a 29 de Maio de 2008 às 10:07
Fantasticas imagens!
Excelente projecto este, dar a conhecer ao mundo a magia e a gente destas aldeias transmontanas, especialmente s. cornelio .
A terra dos meus avos!


De Andreia Carolina Borges Martins a 29 de Maio de 2008 às 15:10
Passada parte da minha infância nesta pequena aldeia onde vivi, e onde recordo os momentos bons que lá passei.
Parabéns pela criação deste site que dá vida á gente de trás os montes assim como ao seu património.
Andreia Martins


De TATIANA CRUZ a 25 de Junho de 2008 às 12:12
É BOM QUE ALGUMAS PESSOAS AINDA SE LEMBREM DESTAS PEQUENAS ALDEIAS...

PRINCIPALMENTE S. CORNELIO E UMA PEQUENA ALDEIA MAS, TEM COISAS GRANDES... PESSOAS COM CORAÇÃO GRANDE MARAVILHAS QUE NINGUEM JULGA HAVER NESTAS ALDEIAS...

ESTOU LA QUASE TODOS OS DOMINGOS POIS TENHO LA OS MEUS AVOS NARCISO E BELMIRA...

E LA QUE AOS DOMINGOS SE ENCONTRA A FAMILIA E É TAMBEM QUANDO PARAMOS PARA OLHAR AQUELA ALDEIA QUE DEIXA MUITAS RECORDAÇÕES...

POUCO MAIS TENHO A DIZER SÓ QUERO AGRADECER AO FERNANDO POR FAZER DESTA ALDEIA UMA MARAVILHA DE PORTUGAL...


De BELMIRA DA CRUZ a 25 de Junho de 2008 às 12:18
SOU DE S. CORNELIO Á 61 ANOS E TENHO MUITO ORGULHO EM SER DE LA... POIS TEMOS COISAS MARAVILHOSAS QUE MUITA GENTE NAO JULGA HAVER...
GOSTO MUITO DA IGREJA POIS E LA QUE VOU AOS DIAS DE MISSA E UMA IGREJA QUE SECALHAR NEM EM MUITAS CIDADES HA.

QUERIA AGRADECER A TODO O PESSOAL QUE SE ENCONTRA NA ALDEIA POR ME TER AJUDADO A PASSAR O TEMPO NA TAO BONITA ALDEIA...


DEIXO TAMBEM UM GRANDE BEIJINHO AO FERNANDO POR MOSTRAR A NOSSA MARAVILHA A TODO O MUNDO...

UMK BEIJINHO TAMBEM A ALDEIA QUE ME FEZ SER FELIZ...


De Anónimo a 28 de Junho de 2008 às 01:03
que bela aldeia!!! se deus quiser vou ver em Agosto eu não sou de lá mas casei lá e passo mais tempo em sao cornelio que na minha aldeia.. temos lá uma linda igreja e podemos agradecer a sr Honorina por ainda fazer dela mais bela .. e para terminar o pessoal ........................UM ESPECTÁCULO


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