Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Jardim Público e Ponte Ldª...

 

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Primeira parte – O Jardim

 

Há quem me acuse de só ver aquilo que é mal feito na cidade e, de não ter uma palavrinha de apreço para aquilo que é bem feito. Claro que muitas vezes lêem e vêem por aqui aquilo que querem ler e ver e não aquilo que verdadeiramente se mostra e escreve, mas mesmo assim, todos os recados que recebo, registo-os para ir pensando neles, pois hipoteticamente há sempre uma hipótese de alguns desses recados até terem alguma razão de ser.

 

Pois em relação ao Jardim Público e durante o decorrer das obras, não disse uma única palavra, nem tinha que dizer, pois gosto de falar das obras depois de estarem concluídas, e por essa razão mantive o meu silêncio até hoje, mesmo porque após a sua abertura ao público e nas minhas três ou quatro visitas ao jardim, encontrei alguns aspectos positivos e,  embora tivesse anotado muitos negativos, pensei que seriam nóia minha de encontrar defeitos em tudo.

 

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Após as noticias ou opiniões publicadas nos jornais da terra neste fim-de-semana, cheguei à conclusão que a nóia não é só minha e há mais gente que pensa como eu.

 

Independentemente, depois de por na balança o positivo e o negativo, dar nota positiva à revitalização do jardim, embora baixinha, não poderei deixar de falar daquilo que mais me incomoda no actual jardim, começando por alguns perigos que por lá ficaram a espreitar, como a ausência de gradeamento em partes do canal da linha de água, em zonas que não há qualquer barreira entre as zonas pedonais e o mesmo canal. Este é um erro grave de segurança, principalmente quando já sabemos que muitos dos frequentadores do jardim são crianças. Por falar nas crianças, penso que mereciam um parque infantil com a mesma dignidade daquele que existiu nos anos 60 junto à entrada principal do Jardim e que fazia a delícia de qualquer criança, pois o suposto parque infantil que por lá está não passa de uma amostra. Nem há como perguntar às crianças o que acham do novo espaço…

 

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Quanto ao resto, nomeadamente o mobiliário urbano que por lá semearam aqui e ali e outras intervenções, são (na minha opinião) de puro mau gosto , mal localizados e mal dimensionados. Começando pelos bancos de desenho muito simples mas feios, poucos (pelo menos em zonas de sombra), altos e na “avenida principal” do jardim desenquadrados do alinhamento das árvores ao qual estávamos habituados. Quanto aos candeeiros a coisa ainda piora mais (embora haja gente que gosta). São altos em demasia, com linhas das novas tendências e modernas que não jogam muito bem com o jardim, além de estreitarem a “avenida principal” do jardim, acabando com uma das melhores vistas do antigo jardim. No meu entender o jardim merecia candeeiros do tipo clássico idênticos aos do Centro Histórico.

 

Quanto ao resto, o jardim perdeu o aspecto de frescura e sombrio que tinha e que tanto se agradecia no verão. Agora peca pelas grandes clareiras que foram criadas no seu seio, principalmente a que fica junto ao bairro da Madalena e se prolonga em toda a extensão até ao rio. Mais uma eira para actividades, dizem-me alguns… veremos!

 

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No restante, nota negativa para o azul piscina da taça, que além de não se enquadrar no ambiente do jardim, o tempo ditará o porque da minha nota. Também o atravessamento do jardim pela ciclovia não tem qualquer cabimento, pelo menos no local do seu traçado. Nota negativa também para a não replantação de muitas das árvores abatidas.

 

Em tudo o restante, a nota é positiva, mas mesmo assim não é visível o dinheiro que lá foi gasto. Com muito menos conseguia-se fazer muito melhor, pois afinal o jardim já existia.  

 

Segunda Parte – A Ponte

 

Pois quanto à ponte nada tenho em contra ao que por lá foi feito, aliás acho mesmo que o único pecado destas obras está em só agora serem feitas, mas… claro que tinha de haver um mas e, prende-se com o futuro da ponte, pois pelo que li nos jornais desta semana a ponte vai abrir novamente ao trânsito automóvel, ou seja, de nada adiantaram as obras para lhe retirarem o trânsito e pelo que oiço, politica e interesses de meia dúzia de comerciantes (sem visão), toda a cidade ansiava por uma ponte sem trânsito.

 

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Só uma nota final. O pavimento da ponte foi projectado para pedonal, pois (basta falar com qualquer pedreiro para o saber) a pedra (granito branco) lá aplicado é poroso e pouco resistente a cargas, ou seja, com carros a circular, por muito bem apoiado que esteja, não demorará muito a partir e esmigalhar além de a sua cor (branco) em poucos dias ficar suja com óleos e borracha da passagem de veículos. O último ponto negativo para a abertura de trânsito automóvel tem a ver com a abolição de passeios onde é posta em causa a segurança dos peões. Como dizia a canção “Para melhor, está bem, está bem, para pior já basta assim!”, ou seja, se era para manter trânsito na ponte, as actuais obras não têm qualquer explicação ou justificação e mais uma vez todo o dinheirinho por lá gasto era mais bem empregue num acesso digno à cidade a partir da a auto-estrada. É a minha opinião ou então, a minha mania/nóia de falar mal, como me dizia o outro!

 

Até amanhã, com um olhar diferente do meu.

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:24
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6 comentários:
De luis a 12 de Maio de 2008 às 15:03
Acho que tens bom gosto e és sensato no que dizes.
Sobre a ponte parece-me que tens toda a razão, sobre o jardim, ainda não vi, acredito que tenhas.
vamos ver o que se vai fazer nas margens do rio, já há uns tempos referiste que vão eliminar alguns caminhos antigos, etc, e se calhar vais ser mais um projecto falhado.
Aquilo que eu acho é que estes projectos que alteram zonas importantes deviam ser muito mais debatidos e que se devia ouvir a população.
Acho altamente irritante o estatuto e poder que se confere a arquitectos que não demonstram a mínima sensibilidade para com o património já existente, incluindo árvores, muitas vezes centenárias, etc.
Para mim é uma desgraça que as pessoas digam amén a qualquer projecto de qualquer arquitecto, só porque ele tem um canudo na mão.
Basta ver a estupidez que se fez nas freiras, foi dinheiro deitado ao lixo para se ter uma coisa muito pior do que aquilo que havia.
Em Boticas foram abatidas todas as árvores antigas de uma das mais bonitas avenidas da vila, a Av. do Noro, com a desculpa estúpida da remodelação dos passeios.
Eu também estou bastante farto deste fazer por fazer, e fazer mal, e das necessidades de afirmação, de deixar marca, tanto de arquitectos como de políticos.
Acho que precisamos é de mais psiquiatras, porque nós não temos que aturar estes tipos a tentarem resolver os seus problemas sexuais com estas fracas marcas que deixam no nosso património, parecem pavões feios com cio.


De Fernando Borges a 12 de Maio de 2008 às 21:12
O exercício da cidadania é, infelizmente, muito raramente praticada pelos cidadãos. Diga-se, em abono da verdade, que, de uma maneira geral, este facto interessa a quem julga que, só pelo facto de ter sido eleito, pode pôr e dispor dos bens públicos da forma que muito bem entende, sem ter em conta se causa danos ao património público ou, como muitas vezes parece acontecer, praticando-os, ao que parece, de forma deliberada para favorecer terceiros, escudando-se em pareceres de técnicos de discutível qualidade e idoneidade. Tudo isto acontece repetidamente porque quem decide, fica, invariavelmente, impune relativamente aos ilícitos que pratica, mas, fundamentalmente porque a maioria dos cidadãos não faz valer os seus direitos, não se indigna, não reclama, resumindo a sua cidadania ao simples acto de votar, facilitando, deste modo, a vida aos políticos que, pelo que se conhece um pouco por todo o lado, uma vez eleitos, só se interessam pelos interesses de alguns.
A ponte romana de Chaves só deveria ser utilizada por peões e nunca por viaturas motorizadas.
Porque continuamos a permitir que se prevarique continuamente em prejuízo de todos?
Os cidadãos têm direito a ter a palavra mais importante sobre todos os assuntos da cidade.
Não é obvio que assim seja em democracia?


De blogdaruanove a 12 de Maio de 2008 às 22:44
E não se pode iniciar um abaixo-assinado, formal e legalmente válido, para saber quantos flavienses (talvez devesse dizer eleitores...) são a favor de uma ponte romana exclusivamente pedonal?


De riolivre a 14 de Maio de 2008 às 16:56
Eu até avançaria com um instrumento de que os políticos falam quando lhes convém mas que não são capazes de aplicar quando, antecipadamente, pressupõem que vão ser vencidos. Trata-se, como é bom de ver, de ter a coragem de REFERENDAR os flavienses sobre um assunto que não poderá dizer respeito somente a uma boa meia dúzia de comerciantes que, afinal, até nem representarão grande coisa no tecido comercial da cidade.


De A.Cruz a 14 de Maio de 2008 às 18:18
Ponte Romana SEM carros ! SIM


De Acpires a 17 de Maio de 2008 às 01:10
Ponte Romana SEM CARROS ! - ÓBVIAMENTE .


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