Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

1 minuto de entradas e saídas de Chaves

 

1 minuto de acesso a Chaves

 

Desde a última semana que, às Segundas-feiras, passamos a ter por aqui um filme. Pretende ser de apenas 1 minuto de imagem em movimento, mas mais uma vez, o minuto é ultrapassado.

 

O filme de hoje foi iniciado junto ao Casino de Chaves, ou seja, junto ao nó da A24 de acesso à cidade, actualmente o principal acesso a Chaves.

 

Para já fiquem com o filme.

 

 

Há dois dias atrás recebi um mail de um visitante do blog que se referia à velha questão do encerramento da linha do Corgo, o qual me levou ao post de hoje.

 

Dizia-me esse amigo: (…)

 

“Conheço relativamente bem a região de Chaves pois tenho familiares na bela região Tras-Montana do Alto-Tamega/Barroso, mais concretamente em Canedo, Ribeira de Pena. Durante imensos verões fiz as minhas ferias naquela aldeia, e viajei no comboio da linha do Corgo, essa bela e importante linha de via-estreita tras-montana que - na minha opinião (e na de muitos tb....) - foi criminosamente desactivada em grande parte do trajecto por governos em concluio com a CP e o silencio comprometido de autarcas da região que pouco ou nada defenderam. Virando a pagina....seria de todo importantissimo que Chaves conjuntamente com outras autarquias do distrito de Vila Real se começassem a interessar activamente pela recuperação da ferrovia no distrito. É importantissimo que a ferrovia volte a esta região tras-montana, na sua vertente de pasageiros, de mercadorias (VITAL !) e até de turismo. As  estradas e auto-estradas tem surgido quase como que cogumelos por este pequeno país de 700 por 250 Km muitas vezes aparecendo incorrectamente nos lugares onde se deveria ter desenvolvido - isso sim - projectos de FERROVIA.

 

Chaves tem uma plataforma logistica, todavia caricatamente, perdeu o comboio. Para acrescentar, vivemos claramente momentos em todo o mundo em que a ferrovia está a tornar-se a aposta do presente e futuro - e as razões são claramente entendiveis. parece-me a mim por isso que os autarcas e a população de Chaves e concelhos vizinhos deveriam começar a envolver-se cada vez mais e com força na discussão da recuperação de uma ferrovia actual para o distrito. As estradas serão apenas a componente complementar e é preciso que as pessoas entendam isso de uma vez por todas. Tivemos o nosso grande "TEXAS" que parece que quase nem sequer é citado pelos responsáveis regionais e até parte do seu povo - e povo que não tem memoria, provavelmente não terá futuro. Agora é preciso olhar para o presente e futuro, sem demasiada perca em considerações e conversa fiada que tanto caracterizam o nosso Portugal..

 (…)

 

Vai em anexo um link para um projecto de recuperação turística na vizinha galiza. Parece que por aquelas bandas existe mais convicção na aposta e concretização de projectos. E eles sabem porquê.”

 

Pois aqui fica o link para o anexo referido:

 

http://www.cehfe.es/prensa/D.L.26.04.08.pdf

 

Também eu nunca entendi o encerramento da linha do Corgo e a falta de visão de quem a mandou e de quem permitiu ou deixou encerrar. Numa simples decisão e assinatura de gabinete (em Lisboa, claro!), acabou-se com décadas de árduo trabalho para a sua construção e quase um século de circulação do comboio. Poder-se-ia ter optado na altura pela sua modernização ou, pelo menos, pela preservação da linha como um museu vivo de linha estreita, com locomotivas a vapor, ou seja, como linha turística, que tantos adeptos tem por esse mundo fora. Seria uma mais valia para Chaves e para a região,  mas foi muito mais fácil ordenar o seu encerramento e deixar a linha a saque.

 

Isto leva-me ao modo como as coisas são feitas e as decisões são tomadas no nosso país, pela nossa “tão digna” e “competente” classe política.

 

No mail que me foi enviado refere a Plataforma Logística de Chaves, a mesma que foi anunciada com pompa e circunstância pelo Primeiro Ministro José Sócrates e integrada num conjunto de plataformas logísticas distribuídas pelo país, como essenciais para o desenvolvimento de Portugal,  e bla-bla-bla…. Dizia ele.  A Plataforma Logística de Chaves está concluída há mais de 1 ano e inaugurada também, com pompa e circunstância, pelo mesmo Primeiro Ministro que as lançou e aprovou a sua localização. A Plataforma lá está, novinha em folha, às moscas e à espera de começar a funcionar, pois na Auto-Estrada que lhe passa ao lado, alguém se esqueceu de deixar um nó de acesso, que serviria também o Parque Empresarial e o Mercado Abastecedor.

 

E agora pergunto eu, então numa obra que é financiada por fundos comunitários e comparticipada por todos nós, superiormente aprovada e até lançada com direito a tempo de antena nas televiões,  não se prevê um nó de acesso a partir da auto-estrada, e do qual todo o complexo está dependente?

 

Das duas, uma. Ou não se aprovava e financiava o complexo naquele local, ou, a ter sido aprovado e financiado, obrigatoriamente teria que existir um nó na auto-estrada. Claro que nestas coisas o dinheiro que está em causa não é posto do bolso particular dos políticos que as promovem e mandam construir, senão pensavam duas vezes. Perguntem à Solverde se construía um casino em Chaves se o mesmo não fosse servido (quase directamente) pela Auto-Estrada!

 

O filme de hoje mostra precisamente a entrada na cidade a partir do nó do Casino e que, desde que foi aberta a auto-estrada, passou a ser a entrada principal da cidade. Como não sou político, nada percebo de planeamento e de prioridades, mas se fosse eu o xerife da cidade, já há muito que tinha feito um acesso digno a Chaves, em vez do mesmo ser feito por uma estradeca “terceiromundista”. Como nada percebo destas coisas, pelo sim pelo não e, para não me envergonhar perante quem me pergunta qual o melhor acesso a Chaves a partir da Auto-estrada, eu digo-lhes sempre que o melhor é saírem em Vidago e assim, apreciam um bocadinho da nossa paisagem, que graças a Deus, ainda vai sendo algo de bom que temos por cá.

 

E fico-me por aqui, porque senão tinha que falar no dinheiro que vergonhosamente está a ser gasto na estrada de Chaves a Valpaços ou nos projectos megalómanos dos nossos políticos de Lisboa, como o Aeroporto que já não é da OTA ou o TGV onde todos os estudos dizem que vai dar prejuízo e que “se calha” só servirá para transportar ministros e euro-deputados com dinheiros de todos nós, e onde um quilómetro desse luxo desnecessário dava, talvez (não fiz as contas), para por toda a linha do corgo de novo em funcionamento. Prioridades que pela certa não passam por Chaves, pela região nem por Trás-os-Montes.

 

Razão, têm os que dizem que o senhores de Lisboa, que mandam ( e não são só políticos, mas também através deles) querem fazer de Trás-os-Montes uma grande coutada de caça, e aí, quem sabe, talvez metam os resistentes que teimam ficar por cá,  numa reserva como população indígena ou autóctone como fizeram com os Índios nos states.

 

E para terminar, não esqueçam a votação online aqui ao lado na barra lateral sobre o futuro da nossa Ponte Romana. Pois enquanto vamos andando entretidos com a polémica, vamos esquecendo outros males, porque nós indígenas, até nos contentamos com pouca coisa, só não gostamos é que gozem connosco.

 

Até amanhã com um outro olhar.

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:04
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2 comentários:
De Luis Goncalves a 26 de Maio de 2008 às 17:02
Na minha opinião a importancia da questão da FERROVIA na região de Chaves bem como todo o distrito de Vila Real, ultrapassa a propria utilização por via do Turismo e segundo a qual só por si justifica-se plenamente dadas as potencialidades de beleza. Ora bem, a FERROVIA nas vertentes de transporte de passageiros e de mercadorias é vital ser implementada em toda essa região, e isto apsera de recentemente ter sido contruida uma autoestrada - não queiramos assemelhar os beneficios estrategicos duma autoestrada com o obtidos com uma linha ferroviaria (desde que bem montada e actualizada). Embora a autosestrada pudesse fazer falta (ou uma boa via rapida) (....) certamente o desenvolvimento advem de uma boa linha ferrea mista (passageiros e mercadorias). Acresce o facto de se estar a assistir a um surto de desenvolvimento dos CFs em varios paises do mundo e ás directivas da Comunidade Europeia de 2007 apelando aos estados membros para centrarem os seus esforços de desenvolvimento das vias de comunicacao tererestres em Caminhos de Ferro. Não são só as muitas vantagens em termos de "capacidade de transporte" e de "custos" por demais evidentes dos CFs - trata-se tambem dos beneficios claros (e urgentes) nos tempos que correm, em termos de impacto ambiental - atenua-se fortemente a libertação de gases na atmosfera - e reduz-se a carga de perigo existente nas estradas e autoestradas - situação que em Portugal está a tornar-se escandalosa !.
Não se entente que se tenha gasto fortunas numa autoestrada quando a construção de um bom e moderno caminho de ferro convencional misto teria escalado a solução do problema, traria escoamentos mais rapidos ás terras que atravessa, e custaria MUITO menos dinheiro! Mas Portugal até nisto "é rico e perdulário". Mas se os seus governantes e autarcas assim o são, o povo tem o direito e a obrigação quase moral de estar lucido e saber olhar para os caminhos correctos do desenvolvimento. E saber envolver-se e bater-se pelas soluções. E saber levar com força as suas palavras e ideias aos seus chefes directos - neste caso os autarcas.

A verdade seja dita: quando existia a linha do Corgo, embora já antiga e de via estreita (e o conceito de VE pode não ser necessariamente um obstaculo numa rede ferroviaria) as terras que eram atravessadas tinham 'vida' e havia alguma transacção economica embora a uma escala relativamente humilde decorrente de um comboio antiguado. Mas havia. E isso acabou,.... a autoestrada (embora uma necessidade "por alguns reivindicada") passa ao lado das terras e não traz desenvolvimento. A autoestrada visa servir eficazmente "2 pontos afastados entre si"....e normalmente não pensa nas terras que existem ao meio. É uma ilusão. Por isso a autoestrada é um meio de comunicação (necessario) mas que deve ser encarado como complementar numa infraestrutura de comunicacoes e não como um eixo fundamentasl - este papel pertence á FERROVIA !
Quanto á plataforma logistica de Chaves, uma das primeiras a ser implementadas...é tudo muito bonito, mas á parte não terem sido criados os acessos á mesma (Incrivel, hem) esqueceram-se de que as plataformas foram pensadas para ser rentabilizadas com o acesso as varios tipos de transportes e nomeadamente a Ferrovia. Ora lá está, Chaves deixou perder a ferrovia e tem agora uma plataforma logistica qe vai ser operada (apenas) á custa de camiões a vomitar fumo CO2 e a enxamear as estradas da região. Ora não seria de todo logico e extremamente vantajoso ter os comboios a transportarem as mercadorias entre Chaves e os outros concelhos do mesmo distrito e adjacentes ? Mas parece que é evidente que sim. Chaes deveria ter a sua ligação de caminho de ferro, moderna, a atravessar á mesma o distrito de Vil-Real (provavelmente um traçado mais ou menos proximo do da linha do Corgo) talvez até á Regua eventualmente, e com ligações para o Minho (Braga/Guimaraes) e até Espanha. Sim, até Espanha. Pois bem, Chaves foi geminada com Verin, e Verin terá proximamente comboio a passar por perto, não seria importante Chaves ligar-se a Espanha via Verin....?
Por fim, pergunto eu, e responde quem sabe:a autarquia de Chaves já se envlveu activamente na implementação do caminho de ferro para a região ? Não há ideias para tal ? Será que ainda não se viram os beneficios?
LG


De lorenzo a 27 de Maio de 2008 às 21:39
Num país como o nosso, condenado a estruturar-se económica e socialmente no sector terciário, nomeadamente dos serviços e muito especialmente no segmento do turismo, é revelador de incompetência o não desenvolvimento deste sector por parte das autarquias e dos empresários. Os primeiros porque parece que só estão vocacionados para gerir ( e mal!) os subsídios do estado em obras que dão votos, e os segundos porque parecem entender que não têm responsabilidades sociais na criação de emprego constituem, contrariamente ao que seria de esperar, mais um entrave que um factor de desenvolvimento. Em abono da verdade, estão de acordo com o país que temos.


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