Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Orvalhadas e outras terminações, de Chaves para os senhores de Lisboa

 

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José da Silva Lopes, natural de Seiça, economista, ex-governador do Banco de Portugal, ex-ministro das finanças, ex-não sei que e não sei que mais, presidente do conselho de administração do Montepio Geral…curriculum invejável sem qualquer dúvida e também alguma idade que lhe dá mais que tempo para ter juízo e sobretudo ajuizar as suas palavras antes de as dizer, mas que pelo que vi e ouvi ontem na televisão, por mero acaso num canal qualquer enquanto despertava de uma sesta merecida no sofá, este fulano ofendeu a minha dignidade de cidadão comum da província quando de cima da sua arrogância de quem está bem na vida lá para os lados de Lisboa, se referiu em questões de saúde e cuidados médicos, aos outros, necessitados desses cuidados  “duma vilória qualquer” (são palavras deste fulano) como “fregueses” e “clientes” dos médicos que “dormem nos serviços”. Como sou educado e tinha os meus filhos ao pé de mim, mandei-o  (muito baixinho) quase em pensamentos a um sítio que cá sei, mas sinceramente a minha vontade era de o temperar e mandar juntamente com esse tempero que o bom bacalhau cozido à portuguesa quer, de forma pimba, à moda do Quim Barreiros.

 

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Eis a nossa triste realidade de quem vive na província, dos resistentes que se amanharam à terra e que aos olhos dos de Lisboa, que mandam no país e no dinheiro, somos fregueses da saúde… claro que não ouvi mais besteiras desse senhor, que é igual  a todos os outros que mandam nos destinos políticos e financeiros deste país, para quem os provincianos do interior apenas têm deveres, principalmente os fiscais, mas não têm os mesmos direitos (fundamentais)  dos restantes senhores do poder de Lisboa. Já nem falo de cultura, lazer e oportunidades e, de como o dinheiro e o poder facilmente faz esquecer o engaço.

 

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.

 

Na realidade, infelizmente, cada vez mais têm razão os que dizem que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem e, sempre que digo isto, vem-me “à lembrança” as palavras de um ex-poeta flaviense quando dizia (adaptação livre e consentida pelo autor):

 

“Nascemos aqui

Onde o orvalho é só orvalho

Somos o resto que é paisagem

Quando com coisas assim nos põem à margem

Desculpem Senhores!

Mas um caralho daqueles que por cá se usam

Não ficaria mal na boca dos que de nós abusam (…)”

 

Na realidade é mesmo disso que se trata, somos abusados e sem direito a defesa. Raio de democracia esta que não é igual para todos.

 

Pois bem, os que têm o dinheiro e o poder que fiquem lá com ele(s) e que façam bom proveito, pois eu não troco a minha terrinha, por vinte Lisboas. Sou provinciano, eu sei, mas com todo o direito, pelo menos enquanto ainda nos for permitido o direito de viver e poder fazer a nossa vidinha na terra onde nascemos, com sacrifícios, mas dignamente.

 

Não nos tirem a dignidade de viver aqui.

 

.

 

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Como diria o outro, “Tou revoltado” e quando assim estou, dou uma voltinha por aquilo que de melhor temos e como a Ponte Romana sem carros. Não esqueça a votação online aqui ao lado na barra lateral. Vote, quer seja a favor, contra ou sem opinião. Se ainda não votou, vote agora, e não é condição necessária ser flaviense, pois a Ponte Romana (a nossa bela Top Model) é património da humanidade.

 

As imagens de hoje, são algumas das que fazem de mim um orgulhoso flaviense.

 

Até amanhã, com o coleccionismo de temática flaviense.

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:21
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8 comentários:
De pedro a 28 de Maio de 2008 às 12:46
Embora não sendo transmontano,concordo totalmente com o autor deste blog,ao qual dou os parabéns.Excelentes palavras para esses senhores da capital de um Portugal cada vez mais desumano e desigual!Viva Trás-os-Montes,vivam as províncias!


De lorenzo a 28 de Maio de 2008 às 20:55
Antes e depois do 25 de Abril Lisboa é Portugal e o resto é, de facto, paisagem, com uma grande diferença: é que agora, com a desertificação que se verifica por todo o interior, de norte a sul, a província é cada vez mais paisagem.
É certo que a culpa, em primeiro lugar, é da responsabilidade de quem tem des )governado os nossos destinos. No entanto penso que não devemos mistificar mais a realidade, sob pena de nunca mais vermos alguma mudança que altere esta situação. Os principais responsáveis somos todos nós. Porque somos nós que votamos naqueles que nos governam, somos nós que não nos indignamos com os desmandos que eles cometem, somos nós que não reclamamos, somos nós que permitimos que nos vilipendiem, que nos retirem direitos, que nos tornem a vida difícil e desagradável. Somos nós que aceitamos, de forma pacífica e resignada, todas as políticas que nos prejudicam, que nos comprometem o futuro e o dos nossos filhos.
“O povo é sereno” como convém.
A defesa da Ponte sem trânsito automóvel pode ser um bom motivo para contrariar esta nossa tendência para a passividade.
Havemos de conseguir se todos derem a sua contribuição.


De accteixeira a 29 de Maio de 2008 às 01:22
se é de provincianos que precisamos... já somos 2....


De João Martinho a 29 de Maio de 2008 às 02:18
Que orgulho tenho de pertencer a vós.
Ninguem nos vai tirar a dignidade amigo Fernando, gostamos de cá estar e temos muito a mania de ser menos que os outros, mas o que é que os de Lisboa têm a mais que nós? Só mesmo o Dr. António Costa mas a coisa vai mudar.
Os cidadãos de Lisboa são mais que nós? Vivem a vida stressada, nós temos sossego!!! prefiro mil vezes a minha terra.

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Por Chaves
Com Chaves


De João Martinho a 29 de Maio de 2008 às 02:22
Ponte Romana sem transito
Já ou agora tanto faz, mas tirem o transito da ponte dos meus olhos...

Sempre presente

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De fjr a 29 de Maio de 2008 às 13:47
A unica que Lisboa tem que a nossa cidade não tem ?são aqueles que um dia tiveram de partir à procura de melhor vida e que agora, depois de uma vida de trabalho, não podem regressar por que têm que trabalhar até morrer.
Mas eu tenho a certeza que hei-de voltar e pisar de novo as Ruas da minha CIDADE LINDA se possível descalço.
Um abraço a todos


De riolivre a 29 de Maio de 2008 às 15:45
Obrigado Fernando pela forma escorreita como continuas a dar a cara por quem, como tu, sente a terra que nos pariu. Mas também por aqueles que, vivendo por cá, continuam a acreditar que "os de Lisboa" podem ser amigos.
A minha solidariedade INTEIRA e um grande abraço.
Celestino


De Claudia a 1 de Junho de 2008 às 11:18
É verdade.. somos por vezes mera paisagem...
mas com verdade o digo tembém.. Tenho orgulho em ser Flaviense e principalmente em ser transmontana.. e nao.. a dignidade ninguém nos a tirará..
Abraço
Cláudia


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