12 anos
Sábado, 7 de Junho de 2008

Cambedo da Raia - Chaves - Portugal

 

 

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Já sei que ainda há aldeias que nunca passaram por aqui, mas não tenho culpa de termos um concelho tão grande, com tantas aldeias e o tempo não esticar para podermos fazer a devida reportagem fotográfica, mas a promessa foi feita e o contrato será cumprido. Todas as aldeias que constam da relação oficial, algumas até já absorvidas pela cidade, terão aqui o seu espaço e aquelas que já passaram por aqui com apenas uma foto, terão a sua reportagem alargada. Tudo isto para justificar o post de hoje, dedicado ao Cambedo da Raia, a quem este blog até já dedicou uma grande reportagem sobre os acontecimentos de 1946 que ficaram conhecidos pela “Batalha do Cambedo” e até deu origem a um novo blog o cambedo-maquis, no entanto, não abordei o Cambedo de hoje e a história do Cambedo fora dos acontecimentos de 1946. Faço-o hoje.

 

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A primeira vez que fui ao Cambedo da Raia foi há 20 anos atrás, por motivos profissionais, e mal comecei a descer para a aldeia, depois de atravessado todo o Vale de Vilarelho, fiquei encantado com a paisagem e o jogo de montanhas que “entalavam” a aldeia. Na altura não passei do riacho da entrada, mas a aldeia ficou debaixo de olho para uma nova visita. Aconteceu passados dois anos, de novo por motivos profissionais, encantou-me de novo a entrada e fui umas dezenas de metros além do riacho. Mas trabalho é trabalho e como nessas deslocações geralmente não o fazia sozinho, a entrada no núcleo da aldeia, ficou de novo adiada. Só 16 anos depois é que regressei ao Cambedo, e de novo encantado, não com a sua entrada cujos encantos já não me surpreendiam, mas por toda a história do Cambedo e dos tais acontecimentos de 1946.

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Esta minha terceira entrada no Cambedo já não foi feita com a leviandade das duas visitas anteriores. Agora já conhecia minimamente a sua história, o seu sofrimento e as injustiças que foram cometidas com esta aldeia a quem Portugal e Espanha ainda deve um pedido oficial de desculpas pela Batalha de 1946, para não falar da justiça que nunca foi feita, em particular com alguns dos que foram envolvidos. Para quem nunca visitou o blog  cambedo-maquis  ou não acompanhou este blog no mês de Dezembro passado, recomendo uma visita para ficarem um pouco elucidados do que se passou em 1946 no Cambedo.

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Claro que nessa terceira entrada na aldeia, a admiração e respeito quase que me toldaram a vista e o corpo picava-me com a pele de galinha. Ia com a intenção de fazer a reportagem fotográfica para o cambedo-maquis, mas pouco ou nada consegui, pois todos os momentos me faziam regressar no tempo ao imaginar e associar  in loco todos os acontecimentos da Batalha do Cambedo e ao saber que a maioria da gente com quem me cruzava tinha sido testemunha, com olhar temerário de criança, de uma tão estúpida e vergonhosa batalha da qual foram as principais vítimas. Repito e não me cansarei de o repetir que nunca foi feita a devida e merecida justiça a todo o seu povo inocente.

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Mas hoje, quero mesmo, é ir até ao Cambedo da Raia, desprendido dos acontecimentos tristes do passado, porque a aldeia, superiormente, continuou com a sua vida.

 

O Cambedo da Raia fica a 18 quilómetros de Chaves e pertence à freguesia de Vilarelho da Raia. Paredes meias com a Galiza, à qual metade da aldeia pertenceu até ao ano de 1864, pois era um dos povos promíscuos que nesse anos com o Tratado de Lisboa foi trocado pelo Couto Mixto ou Misto (ver o Cambedo Maquis). Adivinha-se assim um forte ligação às aldeias vizinhas da Galiza e onde (ainda há) casamentos mistos entre galeg(a)os e português(a)es.

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Em termos de características da aldeia, não anda muito longe das restantes aldeias do concelho, como uma aldeia das mais afastadas da sede do concelho e cujas ligações até há poucos anos atrás eram deficientes. Tal como muitas das aldeias sofre do despovoamento e tem algumas das casas do seu núcleo abandonadas e em mau estado de conservação. Mas também há as novas casas da periferia e alguns restauros e mesmo sendo uma aldeia que conhece o despovoamento, nem por isso deixa de ter vida, graças aos muitos resistentes e à forte ligação que os filhos da terra têm com a sua origem e que faz com que, sempre que podem e, principalmente aos fins de semana, as ruas e os quintais retomem a normalidade de uma aldeia normal como nos velhos tempos, ou seja, com muita vida.

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Quanto ao casario, ainda há muito do tradicional casario do granito conciliado com as estruturas de madeira. Casas solarengas não há, mas nota-se que havia algumas casas ricas, ligadas à agricultura.

 

Com aldeia da raia que se preze, foi também uma aldeia do contrabando, cujas rotas e caminhos foram recentemente marcadas na aldeia. Possuiu um posto da Guarda Fiscal, numa das casas da aldeia, e com certeza muitas estórias de contrabando onde não faltariam a cumplicidade entre contrabandistas, guardas fiscais e “carabineiros” dada a ligação que também havia entre eles, com laços familiares e de amizade.

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Como dados históricos segundo alguma documentação dispersa, consegui apurar que Cambedo, significa "casa celta no alto do atonte (?)" (a interrogação é minha, pois não sei o que isto significa e talvez haja confusão com “monte”.

 

Aldeia radicada na cultura castreja, situa-se nas faldas da serra, no alto da qual resiste o maior e mais importante castro da região, o mítico Castro Vamba, do mesmo nome da serra em que se situa. Até 1864, a aldeia era atravessada pela linha de fronteira que dividia o casario em duas partes, uma que pertencia ao território português, outra que era espanhola. A unificação da aldeia e a sua total integração em Portugal ocorreu com o tratado de rectificação de fronteiras de Lisboa.

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A capela da invocação de São Gonçalo de Amarante, onde existem dois São Gonçalos, o novo e o velho ou o português e o espanhol, A capela situa-se  exactamente onde anteriormente existia o marco divisório da aldeia e da fronteira onde curiosamente a capela estava do lado português e o cruzeiro colocado em frente a esta, estava do lado espanhol.

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Segundo o Censos de 2001, o Cambedo tinha 108 habitantes, dos quais só 19 com menos de 25 anos e 45 mais de 35 anos.

 

O Cambedo é ainda conhecida pelos seus afamados pimentos, cultivados conjuntamente com outros produtos típicos das hortas e quintais que continuam cultivados e sarapintados dos mais variados produtos hortícolas.

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E quanto ao Cambedo muito mais haveria a dizer, mas como realce destaco a hospitalidade e amizade que esta aldeia tem para com os seus amigos, dotados da “perigosa” arte de bem receber e das visitas obrigatórias às adegas, onde guardam bons vinhos que rivalizam entre adegas. Numa visita de amizade à aldeia, é recomendável levar alguém abstémio para nos trazer de volta a casa e nunca ir com pressa, pois uma visita de cortesia, prolonga-se por largas horas.

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Um abraço para o pessoal amigo do Cambedo. Este era o post alargado que devia à aldeia, fora dos acontecimentos de 1946, que quer queiramos ou não, estão e estarão sempre presentes. Acontecimentos que poderá revisitar em cambedo-maquis onde em breve haverá novidades. Depois aviso por aqui.

 

Até amanhã, com mais uma aldeia.

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:11
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1 comentário:
De Tupamaro a 7 de Junho de 2008 às 22:47
Para não fugir à regra, este amiguinho brinda-nos, uma vez mais, com um retrato de «olha o passarinho!» e de «letra», que nos deixa a «verter as pitanga» com o acrescento das saudades e da vaidade por qualquer bocadinho, buraquinho da nossa Normandia Tamegana.

Não há, mas se algum atrevido houver que duvide dos encantos desse colar de pérolas que enfeita a cidade de Trajano, bastar-lhe-ia vir aqui a este Blogue para ficar mais do que convencido, derretido, seduzido, enfeitiçado por esta «Terra Linda, Terra Amada»!

Que pena andarem por aí a reinar uns estafermos!


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