Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

Discursos Sobre a Cidade - "O Pita" - por Gil Santos

 

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Texto de Gil Santos

 

o pita

 

Na taberna do Ti Horácio, ali para os lados das Caldas, paravam todos os que da Brunheiro desciam ao vale para o mercado semanal da quarta-feira. Ali bebiam uns canecos, selavam os negócios, descansavam as montadas e almoçavam a especialidade da casa: um bacalhau com erbanços e batata cozida do Planalto, que regavam com azeite de Brunhais. Entre copos de maduro tinto, aproveitavam para actualizar as novidades: o preço da batata de semente, as sementeiras, as ceifas, as malhadas, enfim o mais das vezes as trivialidades do costume.

 

Por esta altura, as principais tertúlias andavam quase sempre à volta de temas ligados às histórias sobre o malvado Pita, um gatuno das felpas do diabo, cuja acção predadora se fazia sentir na solidão dos caminhos. Tratava-se de uma versão, rafeira, do popular Zé do Telhado, com a diferença que Zés destes, houve em quase todo o norte de Portugal e Pitas só mesmo aquele cujo território de predação era preferencialmente o caminho antiquíssimo que ligava Chaves à vila de Carrazedo Motenegro. Ninguém lhe conhecia o nome próprio ou sabia onde pendurava o pote. Mas a verdade é que este bandido trazia as gentes das aldeias e até mesmo as do arrabalde da cidade verdadeiramente atromelizadas. O Pita assaltava casas, roubava igrejas, violava mulheres, não deixando sossegados aqueles que a cavalo ou a pé faziam os caminhos para a cidade. Então nos dias de feira era uma desgraça. Não se fazia um mercado que não tivesse história: ou que roubara um manhuço de notas a um infeliz que vendeu a junta de bois; ou o capote de gola de raposa a um proprietário rico que regressava à montanha; ou que matara e escochara quem resistisse ao assalto; ou que violara uma mulher que nada tinha que se roubasse; ou que…enfim! Corriam sobre o Pita as mais rocambolescas histórias. Algumas delas teriam o seu fundo de verdade, não o nego, até porque, como soi dizer-se não há fumo sem fogo. No entanto, muitas outras seriam, pela certa, inventadas pelos fantasmas da solidão dos caminhos, ou acrescentadas pela imaginação fértil dos aldeãos, à laia do adágio de que “quem ouve um conto aumenta-lhe um ponto”.

 

Cada vez que atacava fazia-o de cara tapada, à Zorro de Trás-os-Montes, o que fazia com que fervilhasse ainda mais a força imaginativa do Zé Povinho. O local de trabalho do Pita era o caminho onde hoje existe a estrada nacional 314, que conduz de Chaves a Carrazedo, com preferência para o troço entre Lagarelhos e France, ali pelas Voltas das Cabeceiras, uma curvas cerradas que actualmente já não existem. Nesse sítio isolado, os infelizes transeuntes bem podiam berrar a bandeiras despregadas que não havia quem os escuitasse e lhes pudesse valer! O monstro, como aparecia desaparecia, nascendo do nada do meio das touças de carvalho negral esfumava-se por entre as fronças das gestas como a bruma nas manhãs de Primavera. Sempre sozinho, galopava pelas encostas num alazão lustroso desferrado, para que o tropel, no macadame da estrada, não espantasse a caça. Nos alforges da montada transportava o produto mais volumoso dos roubos e a merenda, para além de dois pistolaços de pederneira que usava para pôr os desgraçados em sentido.

 

Com dois metros de altura, a pele tisnada pela agrura da vida dura, olhos esbugalhados como se quisessem libertar-se da ditadura do dono, cara seca e esquálida, barba rija de meses, mãos enormes no fundo de uns braços longos e musculados e um vozeirão de trovoada, emprestavam àquela abantesma uma figura verdadeiramente tenebrosa. Pelas aldeias da montanha, onde as portas nunca se cerraram, trancavam-se agora a sete chaves. E se numa qualquer noite algum vizinho, mais afoito, batesse à porta de outro, era recebido de trabuco aperreado. Havia que se defender a família e o fumeiro que o homem não era para modas. E foram longos os anos que debaixo deste medo viviam as gentes do Brunheiro. A Verdade é que foram raros os que de facto o conheceram e infelizes, porque do encontro quase sempre recordam histórias tristes.

 

Ora, numa bela madrugada de 31 de Outubro, véspera de Todos os Santos e dia em que tem lugar em Chaves a feira anual do gado, que faz parte, desde há séculos, da famosa Feira dos Santos, o Ti Morgado, abastado lavrador de Fornelos, mandou o seu criado, Manel Soqueiro, com uma rica junta de bois galegos para a dita feira, para serem negociados, uma vez que não emparelhavam lá muito bem nos trabalhos da lavoura. Sendo escambras e puxando cada um para seu lado não havia maneira de assucarem lavoura que se visse. O patrão juntar-se-lhes-ia, mais tarde, no toural do Tabolado, uma vez que montado andaria mais ligeiro.

 

Levantou-se e fez a barba com a navalha amaciada numa tira de couro. Partiu duas nozes, foi à caixa dos figos secos e rilhou dois. Para rematar o mata-bicho, botou um copo de cachaça da que faz rosário e que o bagaço de Água Revés fizera óptima naquele ano. Vestiu o capote de gola de raposa, selou o Russo, montou-o na pedra do adro e fez-se à estrada. Passado pouco mais de uma hora estavam vencidos os dezassete quilómetros do caminho até Chaves. Ainda não eram oito e já o Ti Morgado botava uma jeropiga e dois biscoitos na taberna do Horácio. O Cavalo, preso no estacionamento privado daquele estabelecimento, matava o bicho roendo um coleiro de centeio pendurado no seu cachaço.

 

Depois de refeito da jornada e já compostinho, o patrão dirigiu-se ao toiral que, mesmo ali ao lado, já apresentava um aspecto de grande festa. Centenas de juntas de bois e vacas, touros, vitelos e bezerros, cavalos, burros, mulas e machos, ovelhas cabras e cabrões, só faltavam os recos por a feira destes ser, na altura, no Campo da Fonte. Não foi difícil descobrir a sua junta de galegos, entre aquele mar de gente e de cornos. E que dois bois ali se apresentavam! Pareciam estrelas! O marelo, ligeiramente mais corpulento do que o preto, apresentava uns peitos de respeito. Os cornos, raspados no dia anterior por um caco de vidro de uma garrafa partida e aguçados com o serrote da poda, luziam por terem sido untados com um cibo de azeite do de Brunhais, daquele que o Ti Morgado vendia ao Horácio da tasca para que se temperasse o bacalhau. O outro, igualmente musculado era um boi de bom porte. Não tivesse sido capado e certamente teria, naquela altura, o estatuto de boi do povo, reservado para a cobrição, nalguma aldeia barrosã.

 

Junta com tal qualidade teria que chegar às trinta notas! Por menos ninguém os avesava! − Pensava o Ti Morgado fazendo contas de cabeça.

 

Sorrateiramente, como quem não quer a coisa e convém à tradição manhosa do comprador, mostrar-se desinteressado, o Ti Marcolino de Eiteiro Seco, aproximou-se e batendo com a mão na rabada do preto, para lhe apalpar as carnes, perguntou ao Soqueiro:

 

− Atão rapaz, o boi parece que está cansado, vinhesteis de longe?

− Não senhor, vinhemos lá de cima de Fornelos?

 

Os bois estavam jungidos. As sogas, apertadas ao jugo e às molidas, uniam os animais num abraço solidário. Apoiando a mão sobre a molida do marelo, fazia, disfarçadamente, força por lhe abanar a cabeça a fim de testar a força do bicho. Não demorou muito que o animal, cansado da brincadeira, espanasse energicamente os cornos passando-lhe um fininho à testa. Apesar do perigo, o Marcolino não desgostou porque isso lhe mostrava a raça que procurava.

 

− Posso ber-le os dentes? − Perguntou entusiasmado o Marcolino.

− Pode sim senhor.

 

O Homem botou as mãos de vaca aos focinhos do marelo, penetrando o polegar pela fossa esquerda e o máximo pela direita, levantou-lhe ligeiramente a cabeça, arreganhou-lhe os beiços e espreitou. O boi, dificultando a tarefa por lhe ser estranha, esterrincava os dentes de nervoso. Não lhe notando defeito, fez a mesma operação ao preto. Não precisava de mais exames, dependendo do preço concluiu em silêncio que a junta lhe servia.

 

Atão o patrão não está?

− Está, sim senhor – dizia o Manel, mortinho para que o negócio se fizesse e pudesse ir dar uma volta pela feira.

− Oh Ti Morgado, chegue aqui! − Chamou o criado.

 

O amo que conversava encostado a uma aguilhada, fingiu não ter dado por nada, como convinha às manhas do negócio. O criado insistiu agora com a voz mais forte e ele sempre lhe deu atenção.

 

− Atão, há nobidade? − Questionou o amo.

− Oh Ti Morgado, quanto é que vossemecê quer pela junta? – Perguntou Marcolino.

− Por menos de trinta e cinco notas num nos leba?

Porra, entes queria puxar eu ao carro, vossemecê deve estar maluco. Inda por cima a dentadura do preto não está boa. Se visse trinta notas!...

Quando o Ti Morgado ouviu a oferta pensou de si para si que o negócio estava feito.

− Trinta e três! − Respondeu.

Mando-le trinta e é se quer!

− Não, amigo Marcolino, por esse preço tornam para Fornelos.

− Vossemecê é que sabe! − Rematou o comprador.

 

O homem, vendo que o Ti Morgado não caía abaixo das trinta e três notas de cem, utilizou a estratégia de fazer que já não estava interessado e desviou-se.

 

Outros potencias compradores analisaram os bois e apressaram as respectivas propostas, mas nenhum outro mostrou o interesse do Marcolino e nem mandou o que ela mandara. Passado umas boas duas horas e já muito perto da hora de almoço e homem chegou-se de novo e o Ti Morgado filou-o ao longe e fez-se de mula!

 

− O Ti Morgado rapaz? − Perguntou Marcolino.

− Ele anda por aí, eu precuro-o.

Descobrindo-o, passado algum tempo lá o trouxe de novo.

Atão Ti Marcolino, viu fazenda como esta? Não viu pois não?

Bi milhor mas dou-le trinta e duas notas pelos bois!...

− Trinta e duas e meia! − Retorquiu Morgado.

− Trinta e duas, nem mais um testão! − contrapôs Marcolino.

− Está o negócio feito se vossemecê pagar uma bacalhoada ali no Horácio. − Respondeu o patrão.

− Negócio fechado. − Rematou o comprador.

 

O negócio foi selado com os valores, incontestáveis, da época: a palavra, o sinal e um aperto de mão. O Marcolino puxou do bolso um maço de notas de cem, cuspiu nos dedos e contou as dez combinadas para o sinal. As outras vinte e duas entregá-las-ia na próxima feira. Assim se fez.

 

A junta de bois foi entregue ao criado do Marcolino para que fosse levada para casa. O Soqueiro, liberto para a gandaia.

 

Os dois protagonistas do negócio dirigiram-se à tasca, encomendaram a janta e alaparam-se a fazer boquinha com umas azeitonas e umas liscas de presunto que acompanharam com o tinto da casa, enquanto os erbanços coziam.

 

Encheram as ventas!

 

Já não estavam sós quando pelas quatro da tarde rumaram cada um ao seu destino.

 

O Ti Morgado, montado no alazão, tomou a estrada do Raio X e no cruzamento para Valpaços arrouçou para as Telheiras na direcção de Izei. Daí a pouco mais de meia hora estava no Peto de Lagarelhos onde era hábito parar na baiuca do Marranico para matar a sede do caminho. Aí chegado desmontou, prendeu o solípede à argola e enquanto este ruminava umas fronças de tojo bravo que despontavam à borda do caminho, o Ti Morgado entrou. Lá dentro, um grupo de homens, alguns deles já bem aviados, tagarelavam caoticamente, entre risadas estridentes, das tropelias do célebre Pita. O Ti Morgado, que praticamente os conhecia a todos, meteu-se na conversa e bebeu com eles. Quando saía, uma das criaturas, que por acaso não conhecia, dirigiu-lhe a palavra apercebendo-se de que se preparava para abalar.

 

− Oh Ti Morgado… vai p’ra cima?

Bou, bou, quer fazer-me companhia? − respondeu o Morgado, perguntando de novo.

Pronde bai?

Bou p’ra Carrazedo e por í já bou chegar de noute. Posso ir consigo?

− Claro amigo, até fazemos companhia um ao outro e sendo dois sempre estamos mais resguardados do tal Pita. Qual é a sua graça?

− Bem, se lhe disser o meu nome todo vossemecê não acredita… Chamo-me Procópio Fina Tinta Tanissas….

Porra home, o seu padrinho devia estar com uma moca do catano quando lhe escolheu o nome!... Bamos lá Ti Tanissas!

 

Cada um na sua montada e entre conversa de circunstância, não conseguiram evitar o tema do bandido da moda. Subiram a Lagarelhos, desceram ao pontão que vencia a pequena ribeira, um pouco depois do caminho para Maços, subiram às Voltas de Cabeceiras, e chegaram a France. Ali deixaram os cavalos beber no tanque que ainda hoje se encontra à beira da estrada e seguiram para o Carregal. Mais dez minutos para subir o Cabeço e estavam em Fornelos. À mediada que a viagem se foi fazendo a confiança entre os dois desconhecidos foi crescendo ao ponto de o Ti Morgado, ingenuamente, ter contado o negócio dos bois ao companheiro.

 

Anoitecia já quando chegaram à terra natal de Morgado. Apearam-se ambos por mor do Tanissas aceitar um copo na adega do anfitrião.

 

− Oh Marquinhas! − gritou o Morgado do fundo das escaleiras de pedra. − Bota ai dois copos e uma racha de bacalhau p’ra este meu amigo. A criada não tardou com a encomenda.

 

Os copos, como se enchiam assim se escoavam. Com a conversa do costume e o medo de seguir sozinho o resto do caminho, depois de bem bebido, o Fina despediu-se agradecendo a hospitalidade. Já montado no seu cavalo, ditou com voz de sarronco a seguinte sentença:

 

− De hoje em diente, Ti Morgado, pode andar sossegado por estes caminhos. O Pita não lhe fará mal algum, garanto-lho eu!... Sabe, nestas coisas as vozes são sempre mais que as nozes e se o Pita fosse o alma do diabo que pintam, vossemecê já não avesava, no bolso do capote, as dez notas dos bois. Passe muito bem meu amigo!...

 

Não esperando pela resposta, esporeou o cavalo e fez-se apressado ao caminho, estranhamente na direcção contrária ao destino que declarara. Retornou aos lados de Lagarelhos!...

 

O Ti Morgado, com a mão sobre o bolso do capote onde jaziam as dez notas estava tralhado, caía das nuvens!...

 

Aquela noite foi passada em branco. Pudera!... Ele sempre há cada uma!... – Pensava estarrecido, enquanto o sono teimava em não ser amigo!...

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