Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

Noites adoraveis de Chaves...que saudades!

 

.

 

Noite, adorável noite…

 

Há dias em que a realidade é um fastio. Cada vez mais os políticos e as politiquices, os jornais e a televisão, simplesmente incomodam. Aliás incomodam todos os dias e o principal problema é que as conversas do dia-a-dia parecem telecomandadas e resumem-se às notícias, politiquices e novelas do dia anterior, com promessas de continuar no dia seguinte. Há dias em que apetece desligar da realidade, carregar no botão, ouvir o click, e prontos! E, estou a ser simpático com os dias.

 

Noite, adorável noite… adoráveis noites de Chaves, não as de hoje, mas daquelas em que a televisão era trocada pelos simples passeios à volta das Freiras, passo a passo, volta a volta na simples missão de desgastar a calçada, conversar, conviver, fazer amizade(s), lançar o olho ou desfrutar de coisas interessantes, mas sobretudo noites onde se sentia o calor dos passos repetidos enquanto se projectavam e desenhavam projectos prósperos para o futuro, sem notícias de TV e sem politiquices corriqueiras pelo meio. Era ainda o tempo em que nos era permitido sonhar e a cidade fechava invariavelmente à meia-noite com o fecho das portas dos cafés. Fechava a cidade, mas não a noite, pois para além da cidade também havia vida e amizades, intimas ou não.

 

Todos vimos a cidade crescer, perder a sua intimidade, fazerem dela gato-sapato e pior que isso, fazerem dela uma cidade qualquer com vidas egoístas fechadas em apartamentos. Perderam-se as salas de convívio da freiras, do comercial, do ibéria, do aurora, a esquina crítica do Lopes, a barbearia do Inácio, as freiras… e ninguém disse nada, cada um entretido com o seu umbigo, ou com as novelas da televisão, os futebóis, conformamo-nos com as decisões de um ou dois, apoiados por três ou quatro mentecaptos decisores, entretanto a nova cidade com ruas egoístas na vertical crescia e a velha esvaziava-se, e ninguém quis dar conta disso.

 

Claro que o que tenho é saudades da juventude em que tudo parecia perfeito e o sonho era possível, em que as ruas da velha cidade tinham gente e eram habitadas por vizinhos e vizinhas com muitos putos traquinas e barulhentos a provocar a paciência dos velhotes, tenho saudades das velhas Freiras e da sua vida, do velho jardim público com a suas verbenas com entradas roubadas, das tertúlias e conversas dos cafés da Rua de Stº António, das bocas da esquina do Lopes, enfim, tenho saudades das intimidades da cidade, dos festejos de vitórias no Faustino com a sua grande porta aberta, dos matraquilhos à beira-rio, do jogo do sapo no Jorge à rodada de uma caneca de traçado (ainda não havia coca-cola nem whisky, mas a cerveja era sempre acompanhada de tremoços e amendoins e havia uma coisa cor de laranja chamada laranjada Flávia), tenho saudades…e depois!?

 

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.

 

Saudosista, pois sou, principalmente da velha e antiga cidade e da sua vida intimista, no tempo em que a realidade debitada pela TV, jornais e políticos ainda não era um fastio e ainda se acreditava neles como gente séria… nestes dias assim, nem há como a adorável noite, intimista, só nossa, na nossa solidão ou partilhada com quem gostamos!

 

Há dias assim, mas como não sou aficionado de depressões e outras coisas que tais, vou curtindo e rindo com as tristes cenas dos actores principais dos dias, claro que com alguma revolta (mas saudável) e sobretudo saudades dos dias em que (apetecia-me dizer um palavrão…) esses mesmo actores eram resumidos a sua, ou minha, indiferença! Mas enfim, é esta a nossa terrinha, que amamos porque é a nossa, mas que custa vê-la maltratá-la, lá isso custa, principalmente quando se maltrata em nome de progresso que não existe ou pior ainda, em nome das politiquices caseiras rendidas a interesses partidários ou outros INTERE$$ES, sejam eles quais forem e de quem forem. Todos diferentes, mas todos iguais… e fico-me por aqui, com saudades mas a curtir a adorável noite, mesmo que tenha de ser inventada, em Chaves, claro!

 

Viva a terrinha! “bou-me” deitar!

 

Até amanhã, com coleccionismo de temática flaviense.

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:11
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2 comentários:
De joao andré a 10 de Setembro de 2008 às 09:40
Caro amigo,nao sei se o conheço,mas ésempre com prazer que leio os seus escritos.Tambem eu tenho saudades desses tempos e das moelas que se comiam no Central,mas enfim,o tempo jà nao volta para tràs,por isso teremos que viver de recordaçoes agradàveis


De fjr a 11 de Setembro de 2008 às 17:22
F...-se!!! Se eu agum dia pensei que aos 52 anos ia chorar assim!!! Obrigado Amigo Fernando!!! Isto é a realidade nua e crua!!!
Eu era um dos putos reguilas (guicho) que o amigo fala!!!


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