Domingo, 12 de Outubro de 2008

Amoinha Velha - Chaves - Portugal

 

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Por terras flavienses a Amoinha é muito conhecida e até afamada por curas e outras descobertas que transcendem os comuns. Claro que são sabedorias para quem acredita nelas, mas mesmo os que não acreditam, nos seus momentos de aflição passam a acreditar. Eu estou naquela de não acreditar em bruxas, mas tal como os nossos amigos galegos dizem, “que las ai, ai!”. Acredito no entanto na sua sabedoria e na fé de quem as consulta.

 

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Comecei assim porque quando por aqui na terrinha se fala na Amoinha, fala-se da sua afamada “Bruxa”, mas essa Amoinha, embora vizinha da nossa, não é a mesma, pois na realidade existe a Amoinha Nova pertencente ao concelho de Valpaços e a Amoinha Velha, pertencente ao nosso concelho de Chaves. É até à velha que hoje vamos, mas com bruxarias aparte. Curiosamente não conheço a Amoinha Nova nem a sua bruxa, mas conheço boé de gente que as conhece e quanto à bruxa, fazem-lhe elevados elogios.

 

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Vamos então até à Amoinha Velha, para a qual teremos de tomar a famosa Nacional 314, (nas esquecer de virar à esquerda no Peto de Lagarelhos) mas só até antes (ou depois) de France, de preferência depois, pois é mais directo e mais perto.

 

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Localizada bem lá no cimo do Serra do Brunheiro, goza no entanto de paisagem de planalto, mas mesmo assim é uma das aldeias típicas de montanha.

 

A 18 quilómetros de Chaves, é a aldeia mais distante da freguesia de Nogueira da Montanha, à qual pertence. Claro que esta distância dependerá do caminho que se apanhe para chegar até à Amoinha ou até às outras aldeias da freguesia, mas se falarmos em termos de GPS (que agora está na moda embora não o use), o caminho mais curto para a Amoinha é mais distante que qualquer outro caminho para as restantes aldeias da freguesia (GPSemente falando).

 

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Disse atrás que a Amoinha Velha era uma das aldeias típicas de montanha, mas não em tudo, principalmente no que diz respeito à população, pois é uma aldeia que é excepção à regra, uma aldeia que ainda tem vida, gente nas ruas, animais e crianças a brincar. Uma verdadeira excepção na montanha e até na freguesia onde levianamente poderei dizer que é a aldeia da freguesia que menos sofreu com o despovoamento e os números da freguesia e da população também apontam para isso mesmo.

 

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Vamos então aos números que em 2001 (Censos) nos davam 86 residentes dos quais 23 tinham menos de 20 anos de idade. São números pequenos, mas a aldeia também é pequena e comparados com a população residente da freguesia ( 693 habitantes) até se tornam grandes, embora aparentemente não pareça. Acontece que os 693 habitantes da freguesia terão de ser divididos por 11 aldeias, tantas quantas constituem a freguesia e se forem divididos equitativamente, tocará a cada aldeia 63 habitantes. Em números pequenos, a diferença de 23 habitantes, faz mesmo a diferença. Mas claro que isto é ser muito optimista, pois a Amoinha Velha também sofre dos males do despovoamento e a a Amoinha de hoje está longe de ser a Amoinha de outrora, quando as suas casas eram todas habitadas.

 

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Com gente ou sem muita gente, mais despovoada ou não, é aldeia onde ainda há vida e crianças nas ruas e só por isso, também faz a diferença das aldeias mais despovoadas, onde se entra e sai, sem encontrar uma única alma viva. Gente que também é simpática e hospitaleira, mas que também pode ser o contrário se sentir a sua dignidade ameaçada. É povo do nosso verdadeiro e genuíno povo transmontano onde não se conhece o meio-termo. Amigo até ao fim de um amigo, mas também inimigo do seu inimigo. Coisas do rigor dos frios de inverno, daqueles que curam o bom presunto, que com a mesma intensidade cura as gentes. Sentimentos que não são exclusivos desta aldeia, mas de todas as aldeias de montanha, que neste caso até é da Serra do Brunheiro, aquela que tanto marca a nosso ser flaviense, nem que seja e só pela imponência das suas vistas sobre e desde o grande vale de Chaves.

 

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Quanto à história e escritos sobre esta aldeia, poucos há e os que encontrei apenas referem quase em exclusivo a devoção que há para com o padroeiro da aldeia, o S. Bernardino. Em jeito das desculpas que costumam dar na imprensa televisiva e escrita, e para dar também um ar sério ao blogue (palavra aportuguesada de blog), digamos que até ao fecho da edição deste post, não pude confirmar se na aldeia ainda se realiza a festa anual que tem data marcada para dia 20 de Maio, festa que dada a devoção ao São Bernardino reunia e chamava a si elevado número de romeiros, vindos de todos os lados, que segundo consta, alguns até vinham de Espanha. Como disse não pude confirmar (ou esqueci) de saber se esta tradição religiosa ainda se mantém.

 

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De facto a devoção ao Santo é tanta que o mesmo ocupa o lugar de honra na tribuna da pequena e simples capela, mas bonita e simpática, com um campanário galaico português, também simples e bonito. A grande devoção ao São Bernardino, ao que apurei, tem a ver com a crença popular de este santo ser provido de virtudes que permitem esconjurar os maus espíritos e todos os possessos do demónio e maldições alheias. Para a cura do paciente ser eficaz, encosta-se ao seu corpo uma correia benzida e a maldição desaparece. Ao que consta, após acolhimento dos favores de S.Bernardino, os peregrinos rezam ainda ao Senhor da Ajuda que se eleva no cimo de um cruzeiro.

 

Claro que, e isto já sou eu a supor, alguns dos peregrinos depois dos favores pedidos a São Bernardino e as rezas feitas a senhor da Ajuda, dada a proximidade, faziam ainda uma passagem por Amoinha Nova para reforço das suas preces.

 

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E para terminar, falta referir qual a ocupação dos resistentes, que como é habitual nas nossas aldeias está ligada às lides do campo. Agricultura, onde a batata e o centeio são as principais culturas, alguma castanha de castanheiros centenários, pelo menos a julgar pela a aparência e também um pouco de gado. Suponho que ainda haverá também quem se dedique à pastorícia, embora em pequena escala e bem longe dos rebanhos de antigamente, mas pela certa que ainda haverá por lá bons cordeiros e recos na corte que virão a dar bons presuntos, mas para os queixos de alguns poucos eleitos, ou amigos e compadres do peito. E quanto a presuntos, um destes dias falaremos por aqui deles, ou da sua fama e como os xerifes cá do sítio, distraídos e alheios ao que de bom as aldeias tinham em abundância e agora apenas têm para consumo próprio e amigos dos bôs, ou para pagar um favor ou uma cunha. Entretanto os concelhos vizinhos lá vão certificando aquilo que têm, incluindo o presunto do qual temos a fama e que todos sabemos que continua a ser servido nos bons restaurantes de Lisboa, mesmo que parta directamente de Feces de Abajo. Para os senhores de Lisboa até lhes é bem feito, pagam-no como sendo de Chaves e apenas saboreiam sal espanhol. Mas eles é que são os especialistas, eles lá sabem, mas Chaves e o seu afamado presunto, não ficam nada bem na fotografia com o risco de quem não gosta de comer gato por lebre, por de parte a fama e “botar-se” ao presunto certificado do barroso, e aí, sem o saberem, saboreiam o verdadeiro presunto de Chaves, mas com nome do barroso… e nós, os da cidade, é que somos os guichos! Eheheheh!

 

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Até amanhã, com estreia de uma nova rubrica aqui no blog. Mais logo, deixo alguns pormenores.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:04
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