Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

Flavienses Ilustres - General Ribeiro de Carvalho

Já sabem que desde a última segunda-feira, o post deste dia é dedicado a Ilustres Flavienses. Se o Mestre Nadir Afonso foi escolha fácil para a abertura desta rubrica, a escolha dos restantes ilustres já não é assim tão fácil. Mas há que dar continuidade a esta empreitada e assim, sem qualquer critério na ordem e importância, passarão por aqui durante alguns meses, os Ilustres Flavienses dos quais eu consiga juntar alguma documentação, principalmente alguns dos ilustres que fazem parte da nossa toponímia que dão nome a ruas e avenidas e dos quais a maioria dos flavienses, principalmente gerações mais jovens, nada sabe. Também eu penso aprender mais um bocadinho sobre os nossos ilustres flavienses, a maioria de nascença, mas também os flavienses adoptivos que dedicaram parte das suas vidas e saber à actual cidade de Chaves ou à antiga vila de Chaves.

 

Pela certa que algumas das vezes ficarão surpreendidos por alguns nomes que vou aqui trazer e, por outros, que embora se considerem ilustres, não vou trazer aqui, principalmente porque são ilustres pela negativa, a maioria ainda no reino dos vivos. Digamos que por aqui desfilarão os verdadeiros ilustres flavienses vistos pelo meu olhar.

 

Nadir Afonso aparte, um dos maiores ilustres flavienses de sempre, hoje recomeço com o General Ribeiro de Carvalho, um dos meus ilustres, nem que fosse e só pelo «Chaves Antiga», livro onde ainda hoje se vai beber muito do passado de Chaves.

 

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AUGUSTO CESAR RIBEIRO DE CARVALHO (1856-1940)

 

Descendente de uma família de militares ilustres iniciou uma carreira notável como voluntário do Regimento de Infantaria 13 em 29-09-1876, na altura aquartelado em Chaves. Foi promovido a Alferes em 9-1-1884, a capitão em 19-11-1897, a major em 19-05-1909,.

 

Foi um dos chefes militares no combate de 8 de Julho de 1912 contra as incursões de Paiva Couceiro que surpreendeu a então Vila de Chaves, pois as tropas republicanas de Chaves, supuseram erradamente que o itinerário dos monárquicos passava, vindo de Montalegre, por Sapiãos e para ali se deslocaram. Entretanto Paiva Couceiro entrava sem resistência e até com recepção afectuosa da população, por Soutelinho da Raia e Vila Verde da Raia, com artilharia, metralhadoras e cerca de 500 homens. Às 8 horas da manhã do dia 8 de Julho de 1912, Paiva Couceiro estava às portas da Vila de Chaves, tendo tomado o espaldão da carreira de tiro. Com o grosso das tropas republicanas em Sapiãos, Ribeiro de Carvalho teria ficado em Chaves com pouco mais de 200 homens distribuídos pela Cavalaria 6, infantaria 19 e Guarda Fiscal e seria com eles e com o apoio civil organizado pelo Dr. António Granjo, na altura deputado da Vila de Chaves, que conseguiram aguentar a tomada da Vila de Chaves até à chegada da artilharia e cavalaria vinda de Sapiãos. Dizem os vários escritos existentes que o “pequeno exército” improvisado dos defensores locais da então Vila de Chaves, se bateram com valentia e heroicidade. Foram estes os acontecimentos que ditam hoje o nosso feriado municipal de 8 de Julho. Disse Carlos Malheiro Dias, nos escritos de «O Estado Actual da Causa Monarchica» P.33, que Paiva Couceiro reconhecia a derrota dizendo “éramos o exército de Lilliput na palma da mão do Gulliver republicano”.

 

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Copia do juramento de fidelidade à República datado de 16 de Outubro de 1912

 

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Mais tarde, em 1918 e 1919, já como Coronel e comandante da  6ª Divisão do Exército também intervém novamente contra a revolta monárquica que ficou conhecida como a Traulitânia do Norte, com lutas em Chaves e Vila Real,   em que Ribeiro de Carvalho manteve sempre afastados da vila os monárquicos da Traulitânia.  Lutas que se vieram a travar até 13 de Fevereiro de 1919, em que oficialmente os republicanos e as suas forças acabam de vez com a revolta monárquica da  Traulitânia do Norte.

 

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cópia da Ordem do Exército (do Arquivo Histórico Militar; A.H.M., cx. 2620) da nomeação a General de Ribeiro de Carvalho

 

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Augusto César Ribeiro de Carvalho foi promovido a General em Janeiro de 1920

E todos os escritos que se lhes referem dizem que se distingui sempre pelo seu valor e coragem.

 

Foi condecorado com a Comenda da Ordem de Torre e Espada e distinguido com outras honras e condecorações nacionais e estrangeiras.

 

Mas este ilustre flaviense não se viria a destacar apenas como militar. Aliás a sua promoção a General acontece já, quando Ribeiro de Carvalho estava na situação de reserva como coronel e desempenha o cargo de Presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Chaves para o qual tinha sido nomeado pelo Governador Civil de Vila Real em 2 de Julho de 1919, cargo que desempenhou até 27 de Dezembro de 1922.

 

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Cópia da última acta em que o General Ribeiro de Carvalho presidiu à Câmara Municipal  em 27-12-1922

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Foi-lhe reconhecido por todos o papel importante que teve na obra notável de promoção da vila no decorrer destes anos.

 

Foi também o grande impulsionador dos festejos do Centenário da Tomada de Chaves aos Franceses (1909) e mais tarde um prestimoso colaborador na organização do lº Congresso Transmontano.

 

Embora de férrea convicção politica salientou sempre a sua independência partidária, afirmando-se um cidadão pronto a lutar pela República e pela sua Terra.

 

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Rua Direita nºs 149 a 151 - Casa onde viveu o general quase durante 50 anos

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Um apaixonado também pelo estudo da História, principalmente da História de Chaves, escreveu um livro que ainda hoje é exemplar - «Chaves Antiga» onde ainda se vai beber muito da história de Chaves. Colaborou também durante vários anos e vários jornais locais e nacionais uma extensa e fecunda obra histórica e literária, onde fez também o retrato de alguns dos nossos ilustres debaixo do pseudónimo de Augustus Flavius.

 

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Foi ainda um inspirado autor de numerosas operetas, dramas e comédias que foram estreadas em Chaves e depois repetidas em vários palcos do país, sempre com o maior êxito.

 

A toponímia flaviense dedicou-lhe uma avenida e uma travessa com o seu nome, ou seja a avenida paralela à Avenida Nun’Álvares e uma travessa que liga ambas as avenidas.

 

Também em 1 de Julho de 1957 um grupo de admiradores fez colocar uma placa na casa onde viveu quase durante 50 anos, na Rua Direita, nºs 149 e 151 onde consta a seguinte inscrição:

 

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“Nesta casa, sua propriedade, residiu cerca de 50 anos e faleceu em 26 de Julho de 1940 o general Augusto César Ribeiro de Carvalho, valoroso chefe militar, liberal indefectível, distinto homem de letras, autor da história antiga, e devotadíssimo flaviense, que por seus feitos e obras, deixou o seu nome prestigioso, indissoluvelmente vinculado à história de Chaves moderna.

 

Homenagem dos seus admiradores em 1 de Julho de 1957, data do 1º Centenário do seu nascimento.”

 

Por toda a sua vida, carreira militar e civil penso não haver qualquer dúvida  e ser digno de um reconhecimento de todos os flavienses como um Ilustre Flaviense.

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:09
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9 comentários:
De fjr - barreiro a 20 de Outubro de 2008 às 09:12
Mais um grande trabalho.
Parabéns e um abraço


De Salvador Silva a 20 de Outubro de 2008 às 16:27
Estou sempre a intrometer-me mas desta vez não posso deixar de dizer:
1º- os meus parabéns pelo trabalho apresentado;
2º- nos três anos que vivi em Chaves, morei na AVª Nuno Álvares Pereira à excepção dos 3, 4 últimos meses em que morei nesta casa, no 3º andar. Era minha senhoria a Srª.D.Olinda, que tinha um estabelecimento de artigos de decoração no R/ch. Há três anos, na minha habitual visita a Chaves, encontrei uma filha que me deu a grata notícia de ela ainda ser viva, embora muito debilitada. Hoje, não sei. Para complementar, quero dizer que sempre me chamou a atenção a placa sobre a porta, mas nunca me interessei em aprofundar o assunto (inconsciências da juventude). Foi necessário passarem 40 anos, para ter melhor informação. Obrigado, Fernando Ribeiro.
Um abraço amigo. Salvador Silva


De pedro a 21 de Outubro de 2008 às 23:16
Meu caro Fernando,grande trabalho de um flaviense para os flavienses!
Parabéns...grande abraço da Invicta Cidade do Porto...


De francisco Teixeira Homem a 12 de Janeiro de 2012 às 23:20
Boa noite

A propósito de um parágrafo onde refere que ACRibeiro de Carvalho ..."escreveu um livro que ainda hoje é exemplar - «Chaves Antiga» onde ainda se vai beber muito da história de Chaves."

Gostaria de lhe recordar que no jornal Era Nova, a partir de 19.01.1930 e até, pelo menos 11.01.1931 há mais de XXXII artigos escritos pelo meu avô Francisco de Barros Ferreira Cabral Teixeira Homem, da Casa de Samaiões, que desmentem literalmente, ponto por ponto, grande parte dos dados indicados por CARC no referido livro "Chaves Antiga".

Trata-se de um livro amplamente corrigido, pejado de gafes.
Nas primeiras Notas Críticas de 13.01.1930 pode ler-se que se trata de uma obra "desconexa, incompleta, com lacunas imperdoáveis eivada de erros e crivada de afirmações históricas menos verdadeiras, apesar de, em grande parte, copiada dos trabalhos de Argote, Santiago, Guerra, Leite de Vasconcelos, Viterbo, Fernão Lopes, Souza, Conde de Ericeira, Pinheiro Chagas e Cohen (...) a bibliografia falta quase em absoluto, obrigando-nos a crer (...)" ... e por aí em diante.

Leia para crer e verá que TODAS as inúmeras correcções ao longo de dezenas de meses foram e estão sustentadas.
É apenas um apontamento de correcção à referida obra para não induzir em erro eventuais futuros investigadores que poderão correr o risco de incluir argumentos que não são verdadeiros nem estão sustentados nesse livro.

Creio, sinceramente, que deverá procurar ler os diferentes artigos de meu avô, também ele um Flaviense Ilustre, e perceberá, bem melhor o que lhe estou a dizer.

Cumprimentos e um BOM ANO de 2012

Francisco Teixeira Homem (Aveiro)


De Fer.Ribeiro a 13 de Janeiro de 2012 às 00:12
Meu Caro Francisco Teixeira Homem

Obrigado pelo seu comentário e pelo seu alerta. Já tinha ouvido uns rumores sobre o livro “Chaves Antiga” mas desconhecia totalmente a desmontagem do seu avô. Pode crer que logo que tenha oportunidade vou mergulhar na Biblioteca Municipal para a leitura do “Era Nova”, se ainda estiverem por lá, pois outros números também inconvenientes para a história de Chaves, pura e simplesmente ganharam asas. Este seu testemunho é mais uma prova daquilo que já há algum tempo defendo de a história ter vindo a ser feita de muitas mentiras pelas castas que detêm a sua feitura. Penso que nada se poderá repor à verdade e após a minha leitura/investigação desses e outros documentos que possam surgir, terei todo o gosto em vir aqui ao blog repor a verdade ou pelo menos dar a conhecer o outro lado da história e dos acontecimentos. É mais uma investigação que tomarei com gosto e empenho tal como mantenho e continuo a do Silveira/Pizarro a propósito dos acontecimentos da II Invasão Francesa.
Mais uma vez obrigado pelo seu comentário, pois a não ter acontecido tudo continuaria como até aqui.


De timan a 27 de Março de 2012 às 22:21
Aqui está mais um ilustre flaviense:
http://exlibris-ex-libris.blogspot.pt/2012/03/um-ilustre-flaviense-francisco-de.html


De maria elisa madureira de carvalho a 8 de Julho de 2012 às 02:23
Hoje navegando pela net e vendo fotos que me eram familiares, descobri, para surpresa minha, que o meu avô, na época Tenente Artur de Almeida Carvalho, fez parte dos oficiais comandados pelo Tenente-Coronel Ribeiro de Carvalho combateram o Paiva Couceiro de que muito me orgulho. Ironia do destino...sou Presidente da Freguesia em Lisboa onde se encontra a Praça Paiva Couceiro. O meu avô de quem vos estou a falar era pai do Dr.Artur de Almeida Carvalho Júnior, que foi Presidente da Câmara de Chaves e Reitor do LIceu.
Visito várias vezes este blog. Parabens


De Fer.Ribeiro a 8 de Julho de 2012 às 03:41
Obrigado pelas visitas e volte sempre. Cumprimentos desde Chaves


De Anónimo a 28 de Julho de 2017 às 17:49
Tenho em meu poder o Livro "Chaves Antiga" do General Ribeiro de Carvalho. Era pertença de meu pai também ele oriundo de uma família ilustre dessa cidade. No livro é citado um dos meus antepassados, João de Sousa Pinto de Barros.

José Barros


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