Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

Flavienses Ilustres - Monsenhor Alves da Cunha

 

Foto de Pedro Verdelho in "Chaves - Património Arquitectónico e Urbano"

 

.

 

Hoje é dia de flavienses ilustres. Quem tem seguido esta rubrica, ainda recente no blog, sabe que o primeiro ilustre que passou por aqui foi Nadir Afonso, pintor, arquitecto e pensador. O Segundo foi o General Ribeiro de Carvalho, militar e político, o terceiro foi António Granjo, político republicano e poeta. À excepção de Nadir Afonso, com o qual eu quis inaugurar esta rubrica, por ser um dos maiores ilustres de sempre da nossa cidade, ainda vivo, os restantes ilustres que por aqui passaram e passarão, não seguirão qualquer ordem de importância no seu ser ilustre, mesmo porque não há qualquer unidade ou medida que sirva para quantificar a importância de um ilustre. Assim passarão por aqui aleatoriamente os nossos ilustres, sem qualquer ordem cronológica ou de importância, mas sempre com a importância que têm para serem um ilustre flaviense.

 

Alguns dos ilustres que a partir de hoje passarão por aqui, são mesmo ilustres desconhecidos da maioria dos flavienses, ou melhor, talvez se lhe conheça o nome porque é topónimo de uma rua ou praça, mas apenas isso, pois pouco mais se sabe do ilustre. Foi essa uma das razões que me levou a criar este espaço, ou seja, o de dar a conhecer um pouco daqueles ilustres flavienses que até se lhes conhece o nome, mas nada se sabe deles.

 

O nosso ilustre de hoje é o Monsenhor Alves da Cunha, que dá nome à principal praceta no Cino-Chaves. Topónimo à parte,  é um velho conhecido nosso, principalmente dos amantes do antigo e saudoso Jardim das Freiras, pois era o seu busto o que estava erguido no pedestal colocado ao fundo do jardim e, que nos momentos áureos e mais nobres das Freiras, contornávamos repetidamente noite adentro. Noites gloriosas que deixaram muitas saudades.

 

Concerteza que ninguém da minha geração esqueceu a presença do busto do monsenhor Alves da Cunha nas Freiras, no entanto, já estamos é meio esquecidos da sua forma, pois desde que se iniciaram as obras de transformação do jardim em largo (para ser simpático), o busto do Monsenhor desapareceu dos nossos olhares. É caso para perguntar – Onde está o busto do Monsenhor Alves da Cunha!? – Esta mesma pergunta foi-me posta por um descendente do Monsenhor (sobrinho-neto, se não me engano), que há coisa de dois anos atrás me enviava um mail interrogando-me se sabia do seu paradeiro, pois queria vir de visita a Chaves com os filhos e tinha ilusões de lhes mostrar o busto do seu antepassado ilustre flaviense.  Na altura fui para o terreno e descobri o busto num dos armazéns da Câmara, guardado, mas esquecido. Lembro-me de ter sugerido a alguém, a colocação do busto do Monsenhor na praceta do Cino-Chaves que tem o seu nome, ideia que até foi bem aceite, mas suponho que outras prioridades mais importantes, terão deixado este acto simples (mas nobre) para um segundo plano. Pela minha parte, continuo a pensar que o Busto do monsenhor fica melhor na praceta de seu nome, que esquecida num armazém.

 

Mas vamos conhecer um pouco do Monsenhor Alves da Cunha, o possível, que está vertido em escrita na Toponímia Flaviense de Firmino Aires cujos dados foram retirados da  Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultural.

 

.

 

 

Foto de autor desconhecido

.

 

Monsenhor Manuel Alves da Cunha – Missionário

 

Nasceu em Chaves em 8 de Junho de 1872 , morreu em Luanda, 4 de Junho de 1947.

 

Fez bacharelato em Teologia na Universidade de Coimbra (1894). Professor de Ensino Particular, em Chaves (1897). Ordenado sacerdote em 22-9-1900.  Professor em Vila Real (1901). Passou a Cónego de Luanda (31-10-1901), provisor e vigário geral (1906), deão de Sé (1906), vice-reitor do Seminário-Liceu (1907), vigário capitular (1908), prelado doméstico (1911), governador do bispado (1914), vigário capitular (20-1-1916), vigário geral (1932), protonotário apostólico (1933) e director das missões católicas (1939).

 

Foi um patriota impoluto, um intelectual de fina tempera e, sobretudo, um amigo entranhável de Angola, pela qual viveu e morreu.

 

Em 1-11-1941 embarca compulsivamente no Cubango e desembarca em Lisboa em 27-11-1941. Durante este tempo publica e anota o III Volume da História das Guerras Angolanas de Cadornega (1942), regressando ao seu posta em 2-1-1943. Em 1926, fora chamado a Metrópole por João Belo para colaborar no estatuto missionário e demais legislação ultramarina.

 

Foi vogal do Conselho de Instrução Publica, vereador do Município Luandense, e 1º Reitor do Liceu de Luanda (1919-1926), comendador da Ordem do Império (1933).

 

O município de Chaves (1947) deu o seu nome ao Largo do Arrabalde, onde nascera, e a Câmara de Luanda a designação de Rua do Doutor M. Alves da Cunha a uma nova artéria da cidade (1947).

 

Brásio, António - Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultural.

 

E por hoje é tudo, amanhã cá estarei de novo com mais um olhar diferente sobre a cidade.

 

Até amanhã!

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:39
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1 comentário:
De Anónimo a 5 de Novembro de 2008 às 00:27
Que saudades do jardim das freiras!!!


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