Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

Ilustres Flavienses - Inácio Pizarro - 2ª Parte

 

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Inácio Pizarro de Morais Sarmento nasceu a 22 de Novembro de 1807, em Bóbeda, na Casa do Cruzeiro, residência de seus pais, o Marechal de Campo Francisco Homem de Magalhães Quevedo Pizarro, de Bóbeda, e D. Antónia Adelaide de Morais Sarmento Vaz Pereira Pinto Guedes, de Vila Real.

Na capela da Casa do Cruzeiro recebeu o baptismo no dia 8 de Dezembro seguinte.

É Camilo quem nos informa da data da morte de Inácio Pizarro, referindo-se a uma carta dele recebida e que o autor considerou o seu testamento religioso, fazendo de Camilo o seu testamenteiro: "A 8 de Maio de 1865 me enviava estas ingénuas palavras o bom e leal coração que deixou de pulsar no dia 17 de Maio de 1870."

Será altura de tentarmos, hoje, lançar um pouco de luz sobre a vida deste homem que, nascido em Bóbeda, morreu em Chaves, na sua casa da Rua Direita, rua esta que, em tempos, teve o seu nome.

Sendo lnácio Pizarro o único filho varão, e pretendendo-se assegurar-lhe uma educação esmerada, foi, aos quatro anos, levado de Bóbeda, da casa que o viu crescer e da companhia de sua mãe e irmãs, para casa da sua tia paterna D. Luísa Pizarro, casada e residente em Burgães e Vila do Conde.

Aí foi orientado nos primeiros estudos por Philippe Joseph Bellardant, sacerdote francês ali refugiado das perseguições desencadeadas pela Revolução Francesa de 1789.


É o próprio Inácio Pizarro que, na carta dirigida a Camilo e acima referida, nos fornece esta indicação, afirmando ainda: "aprendi a ler pela bíblia portuguesa e pela francesa o francês.
A bíblia francesa era ilustrada por magníficas gravuras, que ele me explicava ao passo que eu lia a página correspondente, e não me deixava ver as gravuras seguintes sem primeiro ter lido o texto. Com que ansiosa curiosidade eu desejava ver as gravuras todas! E era tanta a paciência daquele santo confessor, que quando me levava a passear às praias do oceano, com a ponta da bengala desenhava na areia o esboço da gravura que eu tinha visto na última lição.
 

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Brasão da família pintado no tecto do Solar de Bóbeda

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Ainda me lembro com as lágrimas nos olhos de um desses desenhos na areia: a morte de Saul.

Este sacerdote não completou a minha educação, porque me mandaram aos oito anos para o Colégio dos Nobres, de Lisboa, porque me destinavam à  universidade e ele pronunciava o latim à francesa."

Por esta razão, cremos nós, ou também porque a admissão ao Real Colégio dos Nobres constituísse a garantia de uma educação privilegiada para os trinta colegiais que, de entre todos os candidatos, obtivessem o efectivo acesso a essa instituição; na verdade, o Real Colégio dos Nobres funcionava, de certo modo, como uma ante-câmara da corte ...

Ináciocio Pizarro apresentou em, 10 de Setembro de 1815, o seu processo documental de candidatura, através de seu pai, na qualidade de procurador.

Assim, com oito anos que completaria duas semanas depois, a criança retirada aos quatro anos do convívio materno e do meio bucólico de Bóbeda, volta a ver-se levada de um ambiente familiar, para dar entrada no Colégio dos Nobres.

Todas as referências ao Real Colégio de Nobres (como múltiplas vezes era chamado), se justificam, em nosso entender, pela profunda influência que teria a vida na instituição, em regime de clausura, durante vários anos e numa idade decisiva para a formação da personalidade e dos comportamentos.

Na verdade, nos primeiros anos de vida não pudera Inácio Pizarro receber o carinho nem o acompanhamento de seu pai, já que este estivera envolvido, desde a primeira hora, nos acontecimentos da primeira invasão francesa e até ao final da Guerra Peninsular.

Mas foi seu pai que em 1815 levou o novo aluno do Real Colégio dos Nobres ser

ali levado por seu pai, de cuja convivência não deverá ter voltado a gozar, dado que em 1816 Francisco Pizarro seguiu para o Rio de Janeiro, integrado, ao que supomos, na expedição de 5000 homens que iriam bater-se na Guerra do Rio de Prata. Desta região onde se notabilizou e onde recebeu a promoção a Marechal de Campo (1817) é Francisco Pizarro mandado conduzir, em 1818, na corveta Voador, para a Corte do Rio de Janeiro, acompanhado dos ajudantes de campo, ao que tudo leva a crer, em virtude do seu grave estado de saúde.

É durante a sua permanência no Rio de Janeiro que recebe sucessivas honrarias, sendo também nomeado Governador do Maranhão; em 27 de Agosto de 1818 recebe a autorizarão de EI-Rei para deslocar-se a Portugal e demorar-se aí por tempo de um mês e meio.

Regressando a Portugal no Outono desse ano chega a Bóbeda, depois de uma tormentosa viagem pelas Alturas de Barroso; não voltará ao Brasil para o exercício do novo cargo, porque morre na sua casa, em Bóbeda, a 6 de Janeiro de 1819, vitimado pela tuberculose.

Resulta, assim, que foi mais do que breve o convívio de lnácio com seu pai.

Portanto, depois de cinco anos quase completos vividos no Colégio dos Nobres, quando ia completar treze anos saiu para continuar os seus estudos na universidade.

Visto que nessa altura já morrera seu pai, com quarenta e dois anos de idade, e muitos de incessantes combates, seria o padrinho e tio paterno, Gaspar de Souza Quevedo Pizarro que, por vontade expressa no testamento de Francisco Pizarro deveria tomar-se o encarregado da educação do órfão.

Dando realização ao projecto de entrar na universidade segue, em Julho de 1821 para Coimbra onde, em virtude dos seus treze anos, será confiado aos cuidados de um sacerdote da sua família e de quem o próprio lnácio Pizarro diz ser o modelo dos padres.

Da época passada em Coimbra são muito escassas as informações de que dispomos. Os registos da universidade provam que se matriculou na Faculdade de Matemática e na de Filosofia em Novembro de 1821. Matricular-se-á em Direito no Outubro seguinte.

Faltando quaisquer outras informações na sua ficha, concluímos que os seus estudos não terão sido prosseguidos com empenhamento.

No entanto, a existência de recibos de dinheiro enviado para Coimbra prova que se manteve nesta cidade até cerca de 1826.

Os interesses do poeta que já viveria nele não se poderiam esgotar nos limites de um qualquer curso, nem este significaria para Inácio Pizarro a busca de um título académico de que esperasse, como tantos, um modo de ganhar a vida e/ou a promoção social.

Fim da 2ª Parte
(continua)
 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 17:40
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