Terça-feira, 29 de Agosto de 2006

Chaves - Madalena

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Parte 1

Hoje em conversa de café com amigos, recordávamos tempos passados, do que nós éramos como filhos a ouvir os nossos pais e de como somos como pais a contar (hoje) aos nossos filhos. Somos a mesmíssima coisa, os mesmos argumentos, o mesmo “paleio”, só muda é o tempo e as coisas que com ele mudaram. Quando o meu pai me falava de uma infância com socos, candeias de petróleo ou azeite, o custo das coisas em tostões ou em mil reis… eu agora, aos meus filhos, falo-lhes em escudos ou contos, em bicicletas, máquinas de escrever, no ir a pé e sozinho para a escola, e nos jogos de infância do espeto, do peão, do “trinca sebada”, dos carrinhos de arame… etc. coisa e tal, em suma, sigo religiosamente os mesmos passos que o meu pai seguiu, claro que, com a devida diferença temporal.

Uma das coisas que aprendi e segui também dos meus pais foi o ser cliente de. Porque desde miúdo, nas compras, tinha de ir aos sítios que os meus pais eram clientes, com o passar dos anos, os meus pais passaram-me o estatuto do cliente, e hoje o cliente sou eu. Na papelaria, no talho, no banco, no pronto-a-vestir, na farmácia… Sítios onde hoje ainda vou e sou tratado como o cliente de há 50 ou 60 anos atrás, por herança de estatuto, onde me conhecem a mim e à minha família e onde, se quiser, até posso ficar a dever, como se do tempo das cadernetas de tratasse.

Parte 2

Foi precisamente quando em compras na farmácia da família, há uns meses atrás, assisti a um caso de polícia. Estava o pintor a pintar as chapas de zinco da imagem de hoje, quando 3 ou 4 putos que iam a passar comentaram em voz alta e bom som – “porra, que cor tão feia”. O pintor que pela atitude penso que também era o proprietário do imóvel, não gostou, penso mesmo que se sentiu insultado com as “bocas” dos putos. Vai daí, desce os andaimes, e com insultos, bofetadas e empurrões tenta fechar os putos no rés-do-chão do imóvel. Muitas palavras de insulto, empurrões e confusão que só terminou com a chegada da polícia e a identificação dos intervenientes. A partir de aí, nada mais sei. Agora, isso sim sei, é que a “cena” ficou registada na minha memória e também me deixou a pensar na razão de cada um. Na razão dos putos em considerarem a cor feia e na razão do proprietário em se considerar insultado na escolha da cor, que pela atitude – gostava.

Moral do acontecimento: Aquilo que para uns é feio para outros pode ser bonito.

E agora falo eu. O colorido é ousado. Quanto a sua beleza, não me pronuncio, porque eu próprio não sei se reparo e paro a olhar para todo o colorido pela beleza ou pela ousadia, agora onde não tenho dúvidas, é no colorido que chama a atenção e que até proporciona uns bons momentos fotográficos.

Parte 3

Até amanhã, com ou sem cor num qualquer lugar da cidade.
´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:32
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3 comentários:
De humberto serra a 1 de Setembro de 2006 às 09:37
Como já aqui afirmei mais do uma vez, não gosto de cores folquelóricas, mas antes isso que edifícios degradados, e no bairro da Madalena infelizmente há muitos.


De Jose Goncalves a 29 de Agosto de 2006 às 14:08
Os putos ate tinham razao a cor eh mesmo feia. :-)


De cb a 29 de Agosto de 2006 às 04:42
“porra, que cor tão feia” ... e porra que atitude mais feia ainda. Visto deste modo bate tudo certo e o pintor consegue transmitir o que lhe vai na alma. É um quadro feio de um pintor mais feio ainda! E há tantos meu Deus...!


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