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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009
Reis de S.Sebastião em Valdanta e novas páginas e blogs de Chaves

Hoje deveria ser dia de um Ilustre Flaviense, mas tinha prometido que quando acontecessem o cantar dos Reis de S.Sebastião na Freguesia de Valdanta, era para lá que este blog ia, e foi. Pois entre outros assuntos, vamos desde já até à freguesia de Valdanta.

 

 

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Já há dias, quando por aqui passou a aldeia e freguesia de Valdanta, eu abordava o tema e a tradição do cantar dos Reis de S.Sebastião, que se realizam todos os anos em Janeiro, nas aldeias da freguesia de Valdanta (Abobeleira, Cando, Granjinha e Valdanta).

 

Diz a lenda ou pelo menos tem passado de geração em geração que este cantar dos reis se deve a uma promessa colectiva feita a S.Sebastião para que a peste cessasse de dizimar a população. Os mais velhos da freguesia ainda ontem me diziam o mesmo e garantiam-me que já os avós deles se referiam a esta tradição sem saberem quando tinha começado. Pois vamos recorrer à História onde podemos tentar deduzir a origem deste cantar dos Reis a S.Sebastião, partido da promessa feita para que a peste cessasse.

 

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Reis de S.Sebastião em Valdanta e imagem do Padroeiro da Freguesia - São Domingos

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Segundo reza a história, o grande surto de peste em Portugal e que dizimou entre um terço a metade da população, iniciou-se em 1348  e que ficou conhecida como a peste negra. No entanto existem dados de que Portugal teria sido acometido por pestes epidémicas em outras ocasiões onde se salienta a data de 1599 e que, se viu livre desse mal, após actos públicos suplicando a intervenção de S.Sebastião. Actos públicos esses que seriam copiados ou inspirados em Itália, pois anos antes tinha sido acometida também por pestes epidémicas onde as súplicas ao S.Sebastião teriam tido bons resultados. Sendo S.Sebastião um Santo Mártir nascido no final do século III, tudo encaixa em questões de datas. Poder-se-á no entanto estranhar que tais súplicas tenham sido feitas a S.Sebastião e não a S.Roque, que é o Santo que se evoca contra a Peste e as doenças em geral, mas mais uma vez a história poderá ter resposta para a intervenção de S.Sebastião, pois já no grande livro medieval da vida dos santos a «Legenda Aurea» (em Latim) ou «Legenda Dourada» (tradução para português) de Jacobus de Voragine, nascido no Séc. XIII se mencionam as súplicas (bem sucedidas) da população italiana a S.Sebastião, culminando com a construção de um altar em Pavia em devoção a S.Sebastião.

 

Uma vez que não há documentação escrita quanto a esta tradição dos Reis de S.Sebastião na freguesia de Valdanta, todos estes dados são preciosos e levam-me a deduzir, que tal promessa teria acontecido com a peste de 1599 em que estes actos públicos de súplica a S.Sebastião se reproduziram um pouco por todo Portugal e que, a ser assim, esta tradição terá mais de 400 anos de existência.

 

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E como se vai cumprindo essa tradição!?

 

Todos os anos a Padre da paróquia nomeia os mordomos para o ano seguinte, que são geralmente um ou dois casais, casados numa das aldeias da freguesia há mais de 20 anos, sendo esta nomeação dos mordomos rotativa pelas aldeias da freguesia. Cabe aos mordomos organizar o grupo de cantadores de reis, que casa-a-casa, percorrem todas as casas das quatro aldeias da freguesia, recolhendo as oferendas para mais tarde entregar à igreja. São também os mordomos encarregues de nesse dia alimentar não só os cantadores, mas também todos os comensais ou população que se apresente para o “banquete”. Dizem que para os mordomos funciona como uma segunda festa de casamento. Teoricamente é assim que se cumpre a tradição, mas nem sempre assim acontece, pois a tradição tem elevados custos para os mordomos e nem todos a conseguem suportar e outros não aceitam a incumbência e, quando assim acontece, (como foi o caso de este ano cujos mordomos seriam do Cando), a Junta de Freguesia e a Comissão da igreja substitui-se aos mordomos e os Reis de S.Sebastião lá se vão cantando e a tradição lá se vai cumprindo e continuando.

 

Bem de manhãzinha começam os cantares numa das aldeias da freguesia e só à noite é que terminam, formando-se às vezes mais que um grupo de cantadores para poderem percorrer todas as casas. Algumas queixas dos cantadores e da freguesia para os novos moradores sem origens na freguesia, pois por desconhecerem a tradição, a maior parte das vezes “não estão em casa”.

 

E também a minha promessa de trazer aqui os Reis de S.Sebastião da freguesia de Valdanta foi cumprida. Faltamos à parte da manhã, acompanhamos um dos grupos de cantadores durante a tarde e faltamos ao banquete da noite, que as mulheres no forno público do povo, em Valdanta, se foram encarregando durante a tarde, de assar os leitões, os cabritos, as aves e outras carnes, que pelo menos o grupo de cantadores pela certa agradeceram por tanto trabalho e tantos cantares num só dia.

 

Em tempo (7-01-09) – Em comentário a este post o Blog da Rua Nove chama a atenção para a imagem do Santo que aparece na primeira fotografia deste post não ser o S.Sebastião. De facto assim é, ou seja, a imagem que aparece na foto é de São Domingos, Padroeiro da freguesia de Valdanta. Embora o Blog da Rua Nove (no comentário) já nos descreva a imagem do santo (representado atado a um poste, ou tronco de árvore, com o peito nu crivado de setas), nem há como uma imagem da iconografia de S.Sebastião, neste caso duas imagens, a primeira de autoria de Gregório Lopes (c.1490-1550) pintor português, pintada em 1536 para o Convento de Cristo em Tomar e actualmente no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa. A segunda imagem cujo autor desconheço, faz parte da colecção de arte antiga do Museu Grão Vasco em Viseu.

 

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Desde já as minhas desculpas por vos induzir em erro com a introdução despropositada da imagem do padroeiro de Valdanta na primeira foto e por não o mencionar na mesma. As correcções já estão feitas.

 

E por Valdanta e Reis de S.Sebastião é tudo, mas hoje ainda há tempo para anunciar aqui páginas e blogs que dizem respeito a Chaves e ao concelho e/ou com autores de Chaves, começando pela página dos Tamagani:

 

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Os Tamagani ou a Associação Tamagani, é uma associação de artistas plásticos de Chaves e Vale de Monterrei, que conta já com dezenas de associados e que tem galeria com exposições permanentes e abertas ao público no antigo foyer do Cine-Teatro de Chaves, na Ruas de Stº António:

 

Aqui fica o respectivo link para uma visita aos Tamagani e também o respectivo link na barra lateral na secção dos artistas.

 

http://www.tamagani.pt/

 

E de Chaves para Vidago, pois há algum tempo atrás apareceu um blog intitulado “Meu Vidago”, de autoria de Júlio Silva onde podermos encontrar interessantíssimas fotos de Vidago de outros tempos, bem como calendários, rótulos e outros objectos de interessante coleccionismo, todos dedicados a Vidago e com os quais o autor vai fazendo também um pouco da história da Vila.

 

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Um blog a não perder e que merece a nossa visita pela sua qualidade. Um bem haja para o seu autor e as devidas desculpas por só agora o linckar e anunciar.

 

Poderá ser visto aqui e fica também com linck na barra lateral na secção Vidago:

 

http://vidagoimagens.blogspot.com/

 

E por último mais uma companheira de viagem na arte de blogar e da fotografia com o seu blog “Espelho Mágico”, de autoria da flaviense Ana Maria Borges. Um blog a ter debaixo de olho e que poderá espreitar aqui:

 

http://imaginacao-ana.blogspot.com/

 

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E por hoje é tudo. Amanhã cá estarei de novo com outros olhares sobre a cidade de Chaves

 

 



publicado por fernando ribeiro às 01:40
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8 comentários:
De Anónimo a 5 de Janeiro de 2009 às 11:11
Caro Fernando,

Mais uma vez muito obrigado pela divulgação e elogios do meu Blog (Meu vidago).

As nossas vilas, aldeias e cidade do nosso concelho precisam destas iniciativas!

Um abraço e até breve,

Júlio Silva





De J. Pereira a 5 de Janeiro de 2009 às 12:18
Bom trabalho sobre os Reis de S. Sebastião em Valdanta. Lamento imenso não poder estar presente, mas não foi de todo possível.
Ainda sobre a lenda ou tradição da promessa colectiva da freguesia.
O dinheiro recolhido destina-se a comprar o azeite que alumia o Altíssimo durante todo o ano na Igreja Paroquial. Consta-se que um ano não houve mordomos e que os Reis não foram cantados no seu devido tempo, então uma peste começou a dizimar todos os porcos da freguesia, tendo se juntado a população e, quase no verão, cantado os Reis como manda a tradição.
São tadições que se não podem perder.
Parabéns pelo trabalho e obrigado pelo empenho.


De A.Cruz a 5 de Janeiro de 2009 às 14:06
A freguesia de Vale de Anta, agradece ao F.Ribeiro o trabalho, disponibilidade, empenho e carinho com que trata a nossa freguesia na divulgação dos nossos usos, costumes e tradições.
Vale de Anta já o considera seu filho adoptivo!!!

Obrigado


De A.Cruz a 7 de Janeiro de 2009 às 13:57
Embora a correcção tenha sido feita, quero pedir desculpa ao autor do Blog pelo facto de o ter induzido em erro, em relação à imagem apresentada como sendo a de S.Sebastião e que realmente é a de S.Domingos. Esta encontra-se num nicho à entrada da povoação de Vale de Anta.
A imagem de S.Sebastião encontra-se no interior da Igreja de Vale de Anta.
As minhas desculpas pelo transtorno entretanto causado.


De fjr - Barreiro a 5 de Janeiro de 2009 às 14:46
Já lá vão mais de 40 anos e das coisas que eu tenho saudades era quando, com um amigo meu, iamos de porta em porta cantar os reis. No fim tinhamos dinheiro, guloseimas, amizade etc..
Tenho fé que um dia ainda os vou cantar na minha cidade LINDA.
Já agora, há cerca de 40a 50 anos, o grupo mais famoso, que juntava nesta altuira, era o da D. Maria Landainas.
Um bom ano para todos


De Anónimo a 5 de Janeiro de 2009 às 17:38



"Quem diremos nós que viva

Na copinha do chapéu.

Viva lá o menino Nando

que é um anjinho do céu!"


Um Valtolménico agradecido


De Lai Cruz a 5 de Janeiro de 2009 às 21:41
As os Reis em Valdanta é uma tradição que me está na memória, pois ela consiste na reunião de um grande grupo de homens que se passeiam pelas ruas da freguesia, cantando e tocando de porta em porta… e é uma enorme alegria vê-los cantar…
É uma velha tradição que o povo admira e de modo algum se pode perder, pois ela contribui para a alegria de todos: homens e mulheres.
Foi com muita pena não poder estar presente em Valdanta nesta data.
Agradeço a divulgação desta linda tradição da minha aldeia.
Um abraço


De blogdaruanove a 7 de Janeiro de 2009 às 13:38
Convém notar que a imagem reproduzida e apresentada nesta festa não corresponde à iconografia de S. Sebastião, como o pároco da freguesia e muitos fiéis sabem. Tradicionalmente, S. Sebastião (liturgicamente celebrado a 20 de Janeiro) é representado atado a um poste, ou tronco de árvore, com o peito nu crivado de setas.

Este sincretismo da tradição cristã alterada por via popular ocorre também na famosa Mesinha de S. Sebastião, que se celebra em Couto de Dornelas, Boticas. Até à década de 1920, a festa era realizada em honra de Santo Antão (liturgicamente celebrado a 17 de Janeiro; protector das crias e animais domésticos, a iconografia representa-o acompanhado de um porco) como se pode comprovar nos jornais regionais da época.

Hoje, a maioria dos habitantes de Couto de Dornelas jurará que S. Sebastião tem vindo a ser honrado na Mesinha desde tempos imemoriais...


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