Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

Requiem pelas autópsias do Hospital de Chaves

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Hoje, na maqueta de notícias enviadas por Paulo Reis, há uma que desperta a atenção e merece realce pela sua importância, pois trata-se de mais uma perda relevante que a cidade de Chaves perdeu para Vila Real, ou seja, o Gabinete do Medicina Legal de Chaves onde se faziam as autópsias.

 

Trata-se de uma perda considerável para a cidade, para o concelho, mas também para os concelhos vizinhos de Boticas, Montalegre e Valpaços, pois era em Chaves que as autópsias dos nossos mortos eram feitas. Pois desde 1 de Janeiro tal já não acontece e os nossos mortos para autópsia são transferidos para Vila Real, o que levará para além do aumento de despesas com o funeral (pela notícia, de pelo mais de 500 Euros), o transtorno e aumento do pesar das famílias na espera para o funeral do corpo, espera essa que se prolongará pelo menos por 4 ou 5 dias, dependendo da hora e dia em que se morra e da lista de espera de Vila Real, podendo mesmo estes dias serem alargados se a morte coincidir com festas ou fins de semana alargados por pontes.

 

Mais uma vez os senhores de Lisboa roubam Chaves pela calada da noite e sem aviso prévio à população. Não sei se o fizeram às entidades locais, mas até pouco interessa, porque o interesse deste encerramento é de todos nós, da população em geral.

 

Se os senhores de Lisboa para inaugurar serviços e edifícios, luxos e outros investimentos na região, às vezes até de carácter privado e de lazer, se amontoam aos magotes para virem à província mostrar os seus belos fatos e carros topo de gama, fazendo-se acompanhar por ministros, secretários de estado, assessores (principalmente os de imprensa), governadores, fotógrafos, jornalistas e televisões e para os actos ainda convidam as entidades civis, militares e religiosas da região, para encerrar e roubar aquilo que é nosso e fundamental para a região, fazem-no na calada da noite, a coincidir com festas religiosas e tradicionais, como o Natal e Fim-de-Ano, para que ninguém se aperceba.

 

Tal como vêm  às inaugurações para marcar pontos políticos e eleitoralistas, também deveriam vir cá para estes encerramentos, e convidar a população para assistir ao acto. Isso não fazem eles…faltam-lhes!. Será uma boa questão para pôr ao Socrates,  quando cá vier inaugurar as obras do Polis.

 

Primeiro as cirurgias, depois uma série de serviços, depois a maternidade, agora as autópsias. Está na hora de se repensar este pseudo hospital, esta mentira de Hospital que de tal só quase já lhe resta o nome. Chaves desde sempre (Séculos) que teve tradição hospitalar, tendo existido até mais que um hospital em funcionamento. Militares e civis. Está na hora de dizer basta. Com politicas erradas temos as nossas aldeias despovoadas e com estas políticas de centralismo (que a história se encarregara de julgar também erradas), estão a fazer de Chaves uma cidade onde se torna cada vez mais difícil viver com dignidade e o convite ao abandono é constante, porque assim, cada vez é menos bom viver em Chaves, e agora, até morrer em Chaves é mais penoso e mais caro.

 

Pode ser que agora com a Eurocidade Chaves-Verin os horizontes dos políticos da Eurocidade se alarguem e dispensem de vez esta amostra ou este hospital a fazer de conta, e nas suas instalações nasça um grande hospital da Eurocidade com médicos e enfermeiros de ambos os lados da fronteira, com todas as especialidades e com um serviço exemplar ao dispor da região do Alto-Tâmega e Província de Ourense.

 

Às vezes, as penas e lamentações dão-me para sonhar e acreditar que há por aí políticos que pensam em nós e na população. Sonhos, estes ainda nos são permitidos.

 

Até amanhã, com mais um discurso sobre a cidade, mais pobre que há uns dias atrás.

 

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publicado por fernando ribeiro às 03:40
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5 comentários:
De fjr - Barreiro a 8 de Janeiro de 2009 às 08:39
E que fazem contra isto as dignas representantes do povo FLAVIENSE que estão na AR?


De Márcio Santos a 8 de Janeiro de 2009 às 14:40
Vieram-me as lágrimas aos olhos ao ler isto, tal é a revolta! A autarquia nada pode fazer?

Vamos manifestar mais uma vez, só assim os media se apercebem que nós existimos, nem com quase -7ºC esta noite Chaves é notícia!

Entreguem nos à Galiza, mas é já!


De Márcio Santos a 8 de Janeiro de 2009 às 15:06
Para mais informação sobre a vaga de frio, consultar o Blog Fidalgos!

A meteorologia é uma grande paixão para mim!


De J. Pereira a 9 de Janeiro de 2009 às 21:11
Então não têm a Auto-estrada para substituir o Hospital e demais serviços que foram e serão extintos para bem dos flavienses?
Então agora não têm Auto-estrada para poder ir morrer sossegados a alta velocidade a Vila Real?
Não escolher o dia de hoje porque nevou e a Auto-estrada está cortada. Escolham outro dia qualquer.
Até podem morrer na Auto-estrada porque podem ir a escorregar até Vila Real e indo apreciando a paisagem e os lobos da Padrela, para isso é passa lá por cima.
Peço imensa desculpa por este desabafo, mas nunca vi um presente tão envenenado como o desta Auto-estrada, pois como eu disse em certa altura que não serviria para nos servir, mas simplesmente para nos tirar o pouco que temos, está tudo a confirmar-se.
Para quando a eurocidade Chaverin? É poderemos passar a ser multinacionais e então vamos para o lado de lá.
Metem-me nojo os governantes e todos os políticos que temos. Recuso-me a considerá-los gente.


De Tupamaro a 9 de Janeiro de 2009 às 22:25
Na verdade, está a ser demasiado o despudor e a provocadora maldade com que a ALTA-TAMEGÃNIA está a ser tratada.

A nós, o que mais nos custa, é haver tantos Transmontanos Renegados.

Qualquer lugarejo de qualquer outra Região do País mal dá duas «roncadelas» logo assusta os «quadrilheiros» políticos de Lisboa.

Trás-os-Montes é o bombo da festa das maldades, vingançazinhas e rapinanços em contribuições, impostos, tributos e sacrifícios dessa «trupe».

TRANSMONTANOS, somos um Povo - gosto mais de nos chamar TRIBO - com traidores a mais.

Depois, não cuidamos de eleger os nossos melhores.

Ingénua e estupidamente, deixamo-nos levar pelas lengas-lengas das Partidarites e, quando damos conta, nas Câmaras e nas Juntas, na maior parte, aparecem a dirigir os destinos, e os interesses reais e justos, os mais espertalhotes, os menos competentes, os mais desleixados, e muitos gosmistas.

J. Pereira, oportuna e acertadamente (já em comentário anterior ao de hoje), diagnosticou, o «fito» da auto-estrada.

A AE foi a linguagem codificada de pôr o Concelho de Chaves (e não só) ainda mais ao jeito dos interesses centralistas “lisboéticos”, disfarçados com alguns convenientes interesses centralistas de uns pindéricos politiqueiros de Vila Real.

Assim, perante a pusilanimidade dos edis municipais e a sua insuficiência de qualidades verdadeiramente políticas não admira que os FLAVIENSES caminhem para uma situação de economia de auto-suficiência e, cedo ou tarde, sobrevivam do REBUSCO em terras Galegas.

Quando da Invasão Mourisca, o reino de Leão optou por desertificar o Vale do Douro e territórios vizinhos a norte.

Se a estratégia militar dessa época se entende, já as «habilidades» que hoje estão em curso para, de novo, desertificar a Região não têm nem justificação económica, nem desculpa bélico-estratégica.

Constitui apenas num abusivo exercício de exibição de poder e de colaborar nas «ganâncias» de Grupos, mais ou menos secretos, ou discretos.

Pouco falta para que a Normandia Tamegana passe à condição politico-administrativa de RESERVA de «índios raiano-transmontanos»

A Pátria, não tem de ser madrasta para filhos dedicados e honrados.

Que esconjure os Renegados, os que a roubam, e a delapidam.

Vila Real, resultado de um acampamento real, tem oito séculos de existência.

Chaves, reconhecida pela sua excelente situação estratégica e úbere riqueza agrícola foi humanizada desde tempos pré-históricos, erigida como «civitas» pelos romanos, já lá vão mais de 2.ooo anos.
Envergonhamo-nos de tantos comprovincianos sedeados em “LisVoa”, com o cu pousado nas cadeiras do Poder e colaborarem tão cínica e covardemente no empobrecimento e na «arruinação» da NOSSA TERRRA.

Teremos de dizer a Jared Diamond que, mais do que as catástrofes ambientais provocadas pela exploração excessiva dos recursos naturais, foram comportamentos, p. ex., como o dos Ingleses na Norte América e na Austrália (e o do revº Augustus Robinson na Tasmânia) que levaram à (quase) extinção (colapso) de Povos.

Está-nos a parecer que, destes, macacos de imitação querem fazer os «LisVoetas» frente a um mundo com significado – o mundo transmontano.


Tupamaro


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