Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

Vilarandelo 3 – Chaves 0


 

Mais uma vez trago aqui o “caso” das obras na Estrada Nacional 213 que liga Chaves a Valpaços e faço-o, porque obras destas não podem ser ignoradas ou silenciadas e têm que ser denunciadas por se desfazer para refazer igual esbanjando dinheiros públicos, que afinal é dinheiro de todos nós. Uma obra em que se estão a gastar milhares de contos com o pretexto de se beneficiar uma ligação, quando em nada beneficia.

 

Todos os flavienses e valpacenses se congratularam com o anúncio desta obra que se dizia de “beneficiação” entre as duas cidades e, até nem duvido que tenha havido benefícios, mas será difícil encontrá-los na estrada.

 

Logo no inicio das obras, no troço entre Chaves e Nantes,  ia assistindo incrédulo e diariamente a estupidez sobre estupidez e a um esbanjar de dinheiro puro e simples. Pois neste troço, retirou-se todo o asfalto, lancis e passeios (que até estavam em bom estado de conservação) para executar outra vez o mesmo, sem qualquer alteração mas com novos materiais, pois não houve qualquer beneficiação, antes pelo contrário, pois tivemos  o transtorno de (para já) mais de um ano de obras, com trânsito constantemente interrompido ou condicionado. E era precisamente neste troço que se exigiam obras urgentes e mais apuradas, nomeadamente na construção de uma rotunda na ligação à EN 314, a tal dos acidentes e das filas de trânsito constantes (para não falar do inferno das horas de ponta) para quem entra na cidade vindos da 314. Um ponto negro, mas mais à frente voltamos às rotundas.

 

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Neste lanço inicial da estrada executou-se um pequeno troço de passeio, mais precisamente entre as bombas de gasolina e o cruzamento do Restaurante Cruzeiro que, se por um lado veio a dotar aquele troço de passeios, dando mais segurança aos peões, por outro lado veio criar um problema que já se adivinhava, agravando o perigo para os peões que se queriam seguros, e para os automobilistas, pois nesse troço (no qual circulo diariamente há mais de 25 anos) sempre existiram umas dezenas de carros estacionados na berma da estrada, não só dos moradores como também das oficinas e seus clientes. Com os passeios deixou de haver espaço para estacionar, mas os moradores, oficinas e clientes continuam por lá e, tal como se adivinhava porque é natural, continuam a estacionar nos mesmos locais de sempre (porque não há outros), mas agora com os carros metade no passeio, metade na estrada. Erro de projecto, ainda para mais quando aqui até havia solução, pois ao longo de todo este troço, de um dos lados da estrada existe um terreno ainda não urbanizado e sem construções onde seria fácil expropriar umas centenas de metros para executar estacionamento ao longo da estrada, mais que justificado, pois desde Chaves até à entrada de Nantes não existe um único espaço de estacionamento e se for necessário apenas parar (por qualquer motivo) terá que parar no meio da estrada. Melhor teria sido não executarem qualquer obra ao nível do pavimento da estrada e nos passeios que já existiam, e com esse dinheiro terem feito outras obras (como este estacionamento), e ainda sobrava dinheiro.

 

 

Mas isto passa-se apenas nos 3 primeiros quilómetros dos 26 quilómetros de estrada em obras, e se até S.Lourenço já há muito tempo que sabia que nada tinham feito em termos de beneficiação, ou seja, foi mais do mesmo, tirar o que estava feito para fazer outra vez na mesma (excepção para um tímido alargamento do tabuleiro da ponte da Ribeira e de S.Lourenço).

 

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Até hoje sempre que me referi a este assunto das obras na estrada, mantive alguma reserva, pois apenas conhecia as obras do troço entre Chaves e S.Lourenço. Neste fim-de-semana passado resolvi dar um pequeno passeio até Valpaços e ver as restantes obras. Para lá fui em silêncio de apreciar (apreciar de ver e não apreciar de consentir), pois pra cá, roguei pragas a todos quantos são responsáveis por esta obra e ao vergonhoso esbanjar de dinheiros públicos, que sem contar com as obras a mais, foram apenas 8.155.338 de euros, que em moeda antiga dá a módica quantia de 1.634.998.517$00.

 

Nem há como ver para crer, pois tirando o aliviar de meia dúzia de curvas em S.Julião e as 3 rotundas e passagem desnivelada em Vilarandelo, mais nada há a salientar nesta obra de milhões, pois tudo continua como dantes, ou seja uma má, defeituosa e perigosa ligação entre duas cidade que apenas distam 26 quilómetros e que têm esta como única ligação entre elas, e aqui pergunto:

 

- Os autarcas de Chaves e Valpaços, que afinal de contas são os representantes de ambas as populações, não teriam uma palavra a dizer nestas obras e nesta ligação entre as duas cidades!? 

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um ponto negro por resolver

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E a resposta é:

 

- bla,bla,bla,bla… a obra não é da sua competência… Também em Vilarandelo não era da competência da junta de Freguesia e ao que sei, por tanto chatear a EP, o Presidente da Junta conseguiu três (3) rotundas e uma passagem desnivelada, e, saliente-se que estas rotundas além de Vilarandelo, apenas servem “caminhos rurais” ou pequenos bairros onde as casas se contam pelos dedos das mãos e tudo se desenvolve num espaço inferior a 1 Km. Também na minha freguesia queria um Presidente de Junta assim, e ficava contente só com uma rotunda, a tal da 314 que apenas serve (vindos desta estrada) 45 aldeias do concelho de Chaves, além de servir grande parte do Concelho de Valpaços (incluindo Carrazedo de Montenegro), e Murça,  deixando já de parte o acesso às telheiras, ao aeródromo, e umas dezenas largas de oficinas, serviços, restaurantes e outros. Aliás ainda digo mais, trocava tudo que está feito nesta obra entre Chaves e Valpaços, pela execução desta rotunda no início da 314, mas como isto seria pedir quase nada, apenas lhe juntava a ligação desta à adega cooperativa e todos ficaríamos mais bem servidos do que com a obra de não beneficiação que estão a fazer na N213.

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aqui falta uma rotunda a sério

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Compreendem porque é que o nosso país está em pantanas e teso como um carapau. Claro que não são obras destas que servem de alavanca à economia, ou melhor, até será, mas para as economias de alguns, os mesmos de sempre.

 

Há muitas coisas que não compreendo e uma delas, que essa não compreendo mesmo, são os nossos autarcas e as suas actuações (sejam de que partido forem), por muitas boas vontades que eles tenham. Sempre ouvi dizer que a união faz a força, é até lema de revoluções, mas por cá (e por cá não é Chaves, mas todo este Norte e Nordeste de Trás-os-Montes e em particular o Alto Tâmega) os autarcas em vez de unirem forças, reivindicarem e lutarem pela mesma causa, que é causa de todos, entretêm-se a fazer o “bonito” nas suas terrinhas, quase como numa disputa de putos  para ver quem fica à frente entre terrinhas. Tomemos como exemplo as feiras, num ambiente de ficção (para não haver melindres) . Lembrou-se uma vez, uma autarquia, de fazer a feira da chouriça e do pé de porco. Ai é, diz a autarquia vizinha, então eu faço a feira do reco e dos grelos. Tá bem, diz a outra, então eu faço a da pedra e dos alhos. Sim, sim, tomai lá a do linho e da seda, que ainda ninguém se lembrou, diz outra. Vamos nós avançar com as castanhas e a do pão milho, diz outra ainda. Eheheh! Ri-se a autarquia mais esperta de todas, pois nós vamos fazer a feira das gostosa,  a feira das feiras… E, concluído, no relatório final das brincadeiras,  todas elas são sucesso nos jornais, principalmente naqueles que estão dependentes da publicidade das autarquias, mas no fundo, todas elas não passam de pobres feiras que se resumem quando muito a um dia de sucesso entre os paroquianos do sítio e iludem-se com as luzes dos focos da feira. Mas claro que tudo isto é ficção ou invenções minhas, sendo pura coincidência qualquer semelhança à realidade. Vá lá que, cá pela terrinha, temos a Feira dos Santos, que por mais maltratada que seja, continua a ser a grande feira da região, só falta mesmo ser entendida assim, por quem deveria.

 

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Uma rotunda em Vilarandelo

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Chaves pela importância comercial que sempre teve a nível da região, também pela sua localização geográfica e proximidade de Espanha, mas sobretudo pela sua localização, desde sempre tem sido o centro desta pequena região do Alto Tâmega. Penso que seria prioritário e do interesse de todos os concelhos vizinhos ter boas ligações (generalizadas) mas sobretudo rodoviárias entre as suas sedes, partindo tudo por uma boa ligação a Chaves. Traçados com características de IC são urgentes para a região, principalmente entre Montalegre e Chaves, Entre Valpaços e Chaves, entre Boticas e Chaves e até entre Vinhais e Chaves, pois  com Vila Pouca e Ribeira de Pena já o problema de acessos está resolvido, sendo estes até os que menos virados estão para Chaves. Só tendo boas ligações entre eles é que conseguem também vir a ser uma pequena mas grande região, que poderá ser atractiva para muitos e, é por aí que passará o futuro de cada um dos concelhos. Unidos nos mesmos princípios e fins e não cada um a fazer o bonito para seu lado e de costas voltadas. Chaves, só com a sua boa localização, proximidade de Espanha e tradição comercial, não é nada. Os concelhos vizinhos são muito menos. Mas se todos pensassem em conjunto, todos poderíamos ser alguma coisa. Seria um princípio.

 

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Outra rotunda em Vilarandelo

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Assim e voltando à Nacional 213 não compreendo como é que sendo esta ligação tão importante entre Chaves e Valpaços as duas cidades nada tenham feito por ter uma ligação digna, com traçado no mínimo com características de IC. Não compreendo e muito menos compreendo que deixassem fazer a obra que se está a fazer, para tudo continuar como dantes. Para fazer o que foi feito, mais valia nada fazerem, sempre se poupava algum dinheirinho, nem que fosse para um pavimento novo na remendada e esburacada Avenida da Galiza.

 

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Em menos de 1km, três rotundas e uma passagem desnivelada ($$?) – Vilarandelo

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E para os que em tudo vêm politica e partidarices, às vezes convinha deixa-las de parte, e pensar mais um bocadinho no bem de todos e da população em geral. Sigam o exemplo de Vilarandelo, pois graças à sua persistência, tanto chateou que lá ganhou o jogo, pelo menos em termos de rotundas, neste momento (e ainda o jogo não acabou) o resultado está em:

 

Vilarandelo 3  - Chaves 0

 

Mesmo com rotundas de luxo, pois se aquelas se justificam, que direi eu da que é mais que necessária no ponto negro da 314.

 

 

Em repetição, fica o vídeo que já aqui passou em Julho do ano passado, entre Nantes e o Miradouro de S.Lourenço.

 

 

 

 

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publicado por fernando ribeiro às 03:27
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1 comentário:
De J. Pereira a 14 de Janeiro de 2009 às 11:20
Quando vi o anúncio desta obra sempre pensei que demoraria menos tempo entre o local onde resido, Torre de Moncorvo, e a minha terra, Valdanta - Chaves. Enganei-me, e de que maneira. Pensei que, pelo menos, teria uma obra idêntica à que foi feita entre Valpaços e Mirandela, mas que grande desilusão. É a mesma coisa que comparar vinho com água barrenta.
Não me digam que os autarcas não têm influência. Têm sim senhor, veja-se aqui o que se disse sobre Vilarandelo. O presidente da Câmara de Valpaços vive em Mirandela, por isso o serviço foi feito com competência dentro do mínimo exigido para bem de todos.
Porque não se fez uma estrada idêntica a ligar Valpaços a Chaves? Não sei.
Também pergunto. Porquê uns têm mais influência que outros? Isso eu sei e aqui há dias ao passar por Valpaços reparei no sinificado dos símbolos implantados nalgumas das suas rotundas e fiquei esclarecido.
Às vezes o povo diz que não entende os mamarrachos que colocam em determinadas decorações públicas, mas essas decorações querem sempre transmitir-nos qualquer coisa ou dar-nos qualquer recado.
É o caso das rotundas de Valpaços.


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