Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

Ribeira do Pinheiro - Chaves - Portugal

 

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E de fim-de-semana em fim-de-semana o nosso concelho rural vai passando aqui pelo blog. Desde a aldeia mais distante da cidade (Segirei), à primeira aldeia completamente despovoada do concelho (Vila Rel), às Três Vilas (de baixo, do meio e de cima) sobranceiras ao Castelo também abandonado e esquecido até às aldeias barrosãs do concelho ou as três Ribeiras, já tivemos por aqui um pouco do todo do nosso concelho.

 

Das três Ribeiras, faltava passar uma por aqui, não por falta de tentativas, mas porque os acessos até à sua intimidade se tem tornado impossível dentro do tempo que vou tendo disponível, pois já cheguei à conclusão que para chegar lá baixo, tem de ser mesmo a pé.

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Deixo-vos hoje por aqui a Ribeira do Pinheiro, que fica logo abaixo da Ribeira de Sampaio e mesmo acima da Ribeira das Avelãs num troço de Ribeira que até dá pelo nome de Ribeira de Palheiros, que mais acima a conhecem por Ribeira de S.lourenço  e que chega a Chaves com o nome de Ribeira do Caneiro. Uma autêntica confusão de Ribeiras de água ou Ribeiras com casas e gente.

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Curiosamente estas três aldeias, bem juntinhas por sinal e que adoptando todas o topónimo de Ribeira, pertencem também a  freguesias diferentes, pertencendo a Ribeira de Sampaio e a do Pinheiro à freguesia da Cela e, a Ribeira das Avelãs, à freguesia da Madalena, mas por pouco, pois sempre estiveram debaixo do olho das Eiras, bem miradinhas pelo Miradouro de S.Lourenço, ou seja, mesma encostadas e no limite das freguesias.

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Este não é o post que eu tinha reservado para a Ribeira do Pinheiro, pois sempre tive a esperança de conseguir descer até à Ribeira (agora a de Palheiros), bem junto onde ainda parecem existir alguns moinhos, penso que abandonados, mas tive que me contentar com as vistas cá de cima, desde a tal Estrada Nacional 213, que por sinal, de entre todos os disparates de obras e esbanjar de dinheiros públicos, também acabaram com muitos dos locais onde ainda se poderia parar o carro na berma e deitar um olho sobre a Ribeira. Escaparam dois “paradouros” de onde ainda nos podemos deliciar com as vistas lançadas sobre a Ribeira de Sampaio.

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Claro que este post fica incompleto sem as fotos lá de baixo, mas um dia hão-de chegar aqui ao blog, fica a promessa, que é também um pretexto para a pé, dedicar uma caminhada a subir a Ribeira (agora de Palheiros a de água).

 

Ribeira do Pinheiro que está na recordação de todo o pessoal da minha geração. Recordações essas que estão associadas aos bons tempos do Restaurante Arado, onde aí sim, através dele e da sua área envolvente, se descia até à Ribeira (de água) e se apreciavam as cascatas de água que por baixo da ponte corriam apressadas para chegar à calmaria da veiga ou para finalmente desaguar num rio. A perda deste restaurante, foi também uma perda para um restaurante que gozava de uma localização paradisíaca com olhares lançados sobre o mais íntimo da Ribeira, mas também, por entre montanhas, um olhar lançado para uma nesga do grande vale da veiga de Chaves e da própria cidade. São recordações que nunca esquecem, porque além da beleza com que encheram a memória, estão também associadas a beleza da idade dos primeiros anos de adulto.

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Quanto ao casario, não existe um núcleo bem definido como acontece na vizinha Ribeira das Avelas. O acidentado do terreno nunca o permitiu, também nas novas construções, estas já bem mais próximas da estrada do que da Ribeira de Palheiros, foi acontecendo o mesmo.

 

Em termos de população, também ao longo dos tempos foi mudando e variando. Pois se até pouco mais de meados do Século passado era terra de moleiros, hoje, dos moleiros também apenas resta a memória de terem existido que nem sequer é perpetuada na preservação funcional de um moinho que seja para com ele se poder fazer também um pouco de história e mostrar às gerações mais novas como no tempo dos avós se fazia a farinha e se moíam os cereais. É por essas e por outras que há crianças que acreditam que a água nasce nas torneiras.

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Não conheço de perto o traçado da Ribeira de Palheiros ou de S.Lourenço, pois apenas conheço (esse bem) o troço que dá pelo nome de Ribeira do Caneiro, mas há referencias que junto às duas denominações superiores, onde a ribeira corre apressada entre as encostas do Brunheiro, que existiram em tempos cerca de 50 moinhos e azenhas, que a juntar aos moinhos do Tâmega, tínhamos panos para mangas e sobrava, para se fazer por cá um roteiro turístico dos moinhos do concelho. Mas claro que para isso era preciso existir visão turística e de interesse pelo concelho, que sempre foi desviado para destruir veigas e para o betão…

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E vamos até à população da Ribeira do Pinheiro que em 2001 contava com 35 residentes dos quais 3 tinham menos de 10 anos, 8 tinham entre 10 e 20 anos e 7 mais de 65 anos, mas hoje em dia, suponho, que tudo gente ligada ao trabalho na cidade, pois por lá, tirando a Oliveira, pouco mais há para cultivar ou mesmo terreno de cultivo e o pouco que há, foi arrancado a custo às encostas bem acentuadas do Brunheiro.  

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publicado por fernando ribeiro às 04:28
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