Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

Em Chaves é tempo de matar o reco

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Lembram-se de há dias eu dizer aqui que a Serra do Brunheiro (o Guardião do Vale) era o meu barómetro. Pois hoje quando acordei a serra estava assim, e sem sair de casa pude facilmente adivinhar que a temperatura no vale (de Chaves – claro), por debaixo de um sol enganador, andava à volta dos 1 ou 2ºC e que lá em cima, em terras da freguesia de Nogueira da Montanha, a temperatura andava pela certa nos negativos dos centígrados, aquele frio de fazer um nariz vermelho e faces rosadas.

Este tempo não engana. É tempo de Natal mas ainda mais importante que isso, é tempo de matar o reco ou se preferirem a ceva, pois o frio recomenda tratar das carnes do porco para o Inverno que se aproxima. Tempo de uma riqueza gastronómica em que o porco é rei. Cozidos, linguiças, alheiras, sarrabulhos, buchos cozidos e por aí fora, em que o porco é comido desde o focinho até à ponta do rabo, onde até as tripas a bexiga ou os ossos se aproveitam e são rilhados até ao último naco de carne, e não sei qual dos bocados ou das partes do porco é mais preciosa, claro que sempre acompanhados do melhor que a terra dá e que as terras, cá da terra, produzem. Bom feijão, boa batata (também da montanha), bom azeite, boa couve e bons grelos, porque não há como um bom grelo cá da terrinha, só se recomenda que o vinho tinto que acompanha estas preciosas iguarias, seja bem encorpado e aqui não me ofende nada que o vão buscar lá fora, à região de Valpaços ou até podem ir ao Alentejo ou se preferirem ao Douro, o que interessa é que seja tinto, bem encorpado e bom, desde que o copo esteja sempre cheio para abafar azias, gorduras e outras maleitas.

O frio abre-me o apetite a este “venenos” – dizem os médicos, mas a sabedoria popular é bem mais forte, e “perdoa-se o mal que faz pelo bem que sabe”.

Também sabe bem, estar e passar por aqui todos os dias, em Chaves, como sabe bem levar Chaves até si.

Até amanhã, de novo em Chaves!
´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:45
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10 comentários:
De Tupamaro a 19 de Dezembro de 2006 às 20:29
Com que então!...
O “Calhordus” clama por justiça. E tem razão. Numa altura destas, crescer-lhe «água na boca»! Se, ao menos, lhe “crescesse vinho”!...
O Coelho «mete-nos Raiva» por “TER ALGUÉM QUE LHE MANDA, lá para França, tão longe, UMAS ALHEIRAS, UMAS LINGUIÇAS, UNS SALPICÕES”! Vejam só!
O KIM , coitado, tem o coração e a «Barriga» cheiinhos de saudades e acresce-lhe um ataque de «apendicite» com a lembrança do SARRABULHO naquele momento especial.
O «Glorioso», de maroto, (só se) lembra do “”rIjão da palha””!
O - b – provoca-nos, e nós refilamos com: «O QUE NÃO MATA…CONSOLA!»
O Afonso “””deve estar a pagar”””, nas “masmorras dos mouros”, «o Resgate do Infante D. Fernando».
O – cb - , em terras de “””rama..Dão””” está mortinho por apanhar uma «RAMADA»! … no “Faustino”…ou num “Constantino”, ou “Albertino”, ou…desde que seja no Reino das Caldas do Bispo Idácio (leia-se, a nossa santa terrinha!).
O Joaquim, dia 26, vai matar recos, saudades, a sede….., e manda a vesícula para um/o «Carvalho» e o fígado para um Castanheiro.
O Fernando, d’ao pé do rio, como conhece a dedo (tic-tac) as Aldeias e “Capelas” (S.Estêvão,S.Vicente,S.PAgostém,SAnforte,S.Julião,S.Leocádia e outras), depressa atalha do sarrabulho p’rás febras, da chouriça p’rá linguiça, do salpicão para a morcela, do Campo de Cima p’r’ó Cimo de Vila, e acaba AZUL …na Taberna da Capela das Casas-dos-Montes! (Não foi por acaso que ele «filmou» esta e a ramada, não acham?!).
E eu comento os vossos Comentários com uma inspiração que pretende traduzir a satisfação que me dá vê-los a todos bem - dispostos, a praticarem uma boa e sã camaradagem com o autor do Blog e com quem nele participa.
Ougadinho ando eu, que nem o baraço das chouriças, das alheiras, ou dos salpicões aqui apanho; tão pouco umas simples Batatitas com uma Garfada de Grelos DE LÁ, da Nossa Terra --- as dos outros sítios NÃO ME SABEM!
Se vos apanho a jeito, ai faço-vos descobrir onde são essas adegas, essas lareiras, para lá ir «CANTAR AS JANEIRAS».
E, já agora, “para vos ganhar”: ##BOAS – FESTAS, M’HÁS-DE DA R OS RÉIS!##.
Bom proveito!
Com amizade,
Tupamaro


De Joaquim Carvalho a 19 de Dezembro de 2006 às 14:32
Já há cerca de 20 anos que não vou a uma matança, mas, este ano vou matar as saudades.... dia 26 lá estarei a segurar na pata do reco.


De cb a 15 de Dezembro de 2006 às 17:40
E depois de mais um dia, em que por aqui terras da mouraria, não se almoçou, trago agora este recado, com promessa e desejo de cometer tal pecado.

...juro que nao queria prosar


De cb a 15 de Dezembro de 2006 às 17:40
E depois de mais um dia, em que por aqui terras da mouraria, não se almoçou, trago agora este recado, com promessa e desejo de cometer tal pecado.

...juro que nao queria prosar


De Afonso Cunha a 15 de Dezembro de 2006 às 16:19
O Post e os comentários de hoje, são uma tortura para aqueles a quem foi dedicado o Post de ontem. Um abraço


De b a 15 de Dezembro de 2006 às 15:35
Depois de o ler... disse cá para mim, vou comentar paro o meu Amigo F. Ribeiro: Já reparou que o que é bom, ou faz mal, ou é pecado?!!!!!
Um abraço e não abuse e, se o fizer, não se esqueça de ir às Caldas!!!


De glorioso a 15 de Dezembro de 2006 às 14:16
E o rojão da palha era para quem?


De quim barrigas a 15 de Dezembro de 2006 às 12:29
Fernando, que saudades desses pitéus comidos sentado no escano da lareira e saudades dessa paisagem bonita e fria.
A propósito da matança do reco, na quinta de meus avós, em pleno Brunheiro, havia uma tradição interessante:
Morto o reco, colhido o sangue do mesmo, enquanto se chamuscava e lavava, antes de aberto para retirar as tripas, estava cozido o sangue que, era comido em sarrabulho temperado, em cima do animal, por todos os presentes na matança, não sem que antes minha avó colocasse em cima do animal, uma toalha de linho.....


De coelho a 15 de Dezembro de 2006 às 10:09
E que saudade da matança eu tenho , hoje em dia ja nao se mata ou pouco , seja por a desertificaçao das aldeias ou por causas sanitarias.Eu ainda tenho essa sorte de tere alguem que me envi para França umas alheiras umas lenguiças e uns salpicoes , justamente dai de nogueira da montanha.ah ! e os grélos !!!
uma batata,grélos e uma alheira, nao palavras para diser o que eu sinto quando como este prato.
um abraço a todos.


De calhordus a 15 de Dezembro de 2006 às 07:48
É injusto,eu a milhares de kilometros fazer cresçer agua na boca! É um lindo,e saudoso blog.Parabens. Manu


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