Sábado, 29 de Julho de 2006

Os Fidalgos de Paradela de Monforte

paradela-m.jpg

E porque hoje é Sábado vamos até mais uma freguesia – Paradela de Monforte, a terra dos Fidalgos.

Paradela de Monforte, aldeia que constitui ela própria uma freguesia, tem a área de 8,53 km2, uma população de 319 habitantes e 346 eleitores. Situa se a uma altitude de cerca de 650 metros e até 31 de Dezembro de 1853, pertenceu ao concelho de Monforte de Rio Livre.

Eclesiasticamente, esteve incluída na diocese de Miranda do Douro, depois na de Bragança e só em 1922 passou a pertencer à então criada diocese de Vila Real.

O topónimo pode referir-se a um tributo ou um foro, a que se dava o nome de Parada, foro esse que o povo pagava aos senhores da terra, quando nela apareciam e que consistia em certa quantidade de mantimentos ou dinheiro, para mantença ou aposentadoria deles e da comitiva. Era um dos foros pagos entre os séculos XII a XV, pelo que a aldeia terá no mínimo essa antiguidade.

É banhada pelo ribeiro do Torneiro que é atravessado pela Ponte de S. Martinho.

Na parte antiga da aldeia está situada a interessante capela da Senhora do Rosário dotada de uma galilé. Tem como remate uma artística cruz latina e na sua base está inscrita a data de 1730.

No centro da aldeia ergue-se a Igreja Paroquial, em estilo barroco, bem simples, com uma bela pia baptismal manuelina; tem por padroeira a Senhora das Neves cuja festividade se celebra em 5 de Agosto e é conhecida pela festa dos casados. É tradição, cada casal cuidar um ano da manutenção da Igreja, o homem servindo de sacristão e a mulher zelando a limpeza e asseio das instalações. Decorrido o ano, o casal organiza uma festa que inclui a elaboração de um ramo enfeitado com variados produtos da região, entre eles um frango, uma cabaça de vinho, um cacho de uvas, uma melancia e as chaves da Igreja. Realizam se algumas cerimónias religiosas, e este ramo é entregue ao casal destinado a desempenhar as funções de mordomo no ano seguinte. A festa termina com um baile, à porta do novo casal.

Junto à Igreja existe uma grande e boa casa senhorial agrícola que pertence à distinta família Morais Sarmento. Na citada casa nasceu o ilustre transmontano, Professor Doutor António Luís Morais Sarmento, Reitor da Universidade de Coimbra e médico insigne da medicina portuguesa e durante anos director clínico das águas de Vidago. Nasceu em 23 de Dezembro de 1885, vindo a falecer em Vidago, em 11.8.1941. Em 1907 matriculou-se na Universidade de Coimbra, concluindo a formatura em Medicina, em 1913. Em 3 de Agosto de 1917 é nomeado professor ordinário daquela Faculdade, mas de 1924 a 1926 afasta-se do ensino. Em 1928 empreende uma viagem de estudo a Londres, em representação da Universidade de Coimbra. Em 1936 ocupa a cadeira de Clínica Médica. Em 1932 assume a Direcção do Sanatório de Celas. Em 8 de Junho de 1939 assume a Reitoria da Universidade de Coimbra. Maximino Correia que lhe sucedeu na Reitoria escreveu que Morais Sarmento foi um dos maiores servidores da Universidade de Coimbra, quer como reitor, quer como docente, pelo que com a sua morte perdeu a Nação um dos elementos de maior relevo do escol moral, social e científico. Foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública. .Foi autor de várias obras de carácter científico na área da medicina. Em suma, um verdadeiro Fidalgo de Paradela.

Quanto à origem do topónimo Paradela, algumas opiniões têm surgido, a mais popular é a de " Dois irmãos cavaleiros à maneira de exploradores ou fugitivos da sociedade, toparam um alto donde se lhe deparou o vale de Paradela:

- Que linda e ampla veiga aqui se encontra!

- Pára nela, disse-lhe o outro num gesto de desdém...

- Pois hei-de parar.... e como disseste Pára nela, há-de ser o nome do nosso acampamento.

E daqui veio - dizem os naturais - por mudança do N em D, o nome de Paradela." E daí também os naturais de Paradela se auto-intitularem, Fidalgos de Paradela. Fidalgos esses cujos rostos se acredita serem os que estão esculpidos em pedra na sacristia da igreja.

E muito mais haveria para contar de Paradela, como estórias, muitas estórias como as de rixas antigas com a aldeia vizinha de Mairos, aliás rixas que eram bem comuns entre aldeias vizinhas um pouco por todo o concelho.

E restam os agradecimentos, que desta vez vão inteirinhos para um Fidalgo de Paradela - o Márcio Santos, que nos guiou pelas ruas e história de Paradela e nos forneceu toda a informação para a feitura deste post. Obrigado Márcio!

Até amanhã, com mais um post e mais uma freguesia do nosso concelho.
´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:35
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3 comentários:
De Mrcio Santos a 20 de Agosto de 2006 às 15:20
Boas... Mto ficou por ver e dizer, desde já fica convidado a vir a Paradela ao nosso carnaval que tem tanto de belo como de desconhecido, são daquelas tradições condenadas a acabar visto que já poucos cavalos restam na freguesia para gentilmente serem roubados, mas ano após ano tem-se continuado a poder ver o Homem e a Mulher passar em Paradela na manha do dia de Carnaval no seu carro puxado por cavalos acompanhados pelos jovens da aldeia a galope nos cavalos e burros roubados, as crianças vêm por fim o Homem e a Mulher pelos quais se grita na aldeia semanas antes: " Homem, deixas-te morrer a mulher à fome, mata uma pita a ver se ainda a come" e nessa manha todos se levantam bem cedo para ve-los passar na sua longa viagem... Mais tarde saem à rua os caretos de Paradela, únicos na região com a sua vestimenta tradicional diferente de quaisquer outros no nordeste transmontano, pela noite saem as madamas ou madoixas à rua que bem disfarçados percorrem as ruas da aldeia de porta em porta desafiando os anfitriões a descobrir quem se esconde por detras dos disfarces, no final bebe-se um copo de geropiga para aquecer da gélida noite transmontana e segue-se para a família e casa seguinte até ás 23:30 pois logo estamos na quaresma e embora nas cidades se tenha perdido o respeito por estes dogmas religiosos, nas aldeias o respeito é fervoroso e o carnaval morre aí...
Se não for incomodo pedia-lhe que me enviasse por mail as fotos que tirou na minha aldeia, fico grato.
Saudações desde Paradela de Monforte...


De Fer.Ribeiro a 29 de Julho de 2006 às 14:34
Obrigado Mauricio e as minhas desculpas. Ainda bem que os comentários existem para nós podermos corrigir os nossos erros. A imagem já foi corrigida. Mais uma vez as minhas desculpas e obrigado.


De mauricio santos a 29 de Julho de 2006 às 14:07
a descrição da aldeia está correcta... excepto a fotografia da capela, essa é de casas de monforte.
quanto á aldeia é fantastica...


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