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Algures por entre a névoa
Talvez exista um vale
no meio do vale
um rio
talvez uma ponte
com uma cidade
onde os passos se repetem
e olhares que se cruzam
talvez exista isso tudo…
e
existe mesmo
porque eu nasci nesse vale
banhei-me nesse rio
atravessei sem conta essa ponte
e na cidade
repeti repetidamente
passos e mais passos
sempre com um trocar de olhares
mas
visto cá de cima
nada disso interessa
apenas a névoa
algum mistério
e no infinito
onde
as montanhas se diluem
num céu sempre azul
escrevem-se sonhos
de criança
.
.
Lá em cima
do outro lado
Para além da névoa
Há outras névoas
E
de novo
Há montanhas
Azuis infinitos
Diluídos nos olhares
E
também
Os sonhos
São sonhados por crianças
.
.
No meio das montanhas
Por entre a névoa
Há sempre uma casa
Com estórias
Com sonhos de crianças
Juras
de fidelidades felinas
que se perdem
nas névoas
dos sonhos das crianças