Terça-feira, 5 de Dezembro de 2006

Chaves, de regresso aos bairros...

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Quando vi esta imagem veio-me à recordação o meu tempo de infância, o tempo dos bairros de Chaves, o tempo das tabernas – mercearias, o tempo das cadernetas de taberna e de vinho vendido ao quartilho, o tempo do trigo de quatro cantos, o tempo da venda a granel e sobretudo o tempo de brincar na rua, porque a rua ia sendo um, e às vezes único, brinquedo permito a todos os putos.

Com esta imagem regressei ao meu bairro, ao bairro onde nasci, ao tempo dos bairros e das tabernas. Bairros como a Casa Azul (o meu tinha de ser o primeiro), Campo da Fonte, Campo da Roda, Caneiro, S.Roque, Telhado, Casas dos Montes (da foto de hoje), Stº Amaro, entre outros. Eram pequenas aldeias dentro da cidade, onde toda a gente conhecia toda a gente e havia rapaziada, muita, com a rapaziada mais adulta em campeonatos de matraquilhos na taberna e/ou a rivalizar com outros bairros, em jogos de futebol ou até à porrada, enquanto os mais putos iam jogando na rua ao espeto, ao pião, ao vira (jogadores de cromos), às caricas com meninas mesmo ao lado a jogar à macaca, e à corda, ou então brincadeiras conjuntas das escondidinhas, do jás-tás, do lencinho, e por aí fora, brincadeiras que curiosamente (à excepção do pião) eram feitas sem brinquedos, ou melhor, onde qualquer coisa servia de brinquedo, até uma casca de árvore se transformava logo num barco e numa renhida corrida num rego de água, mas era no verão que todas as brincadeiras atingiam o seu auge, principalmente as peladinhas junto às nossas zonas balneares que até eram bem diversificadas entre o rigueiro e o canal, ou entre a galinheira e o canhoto e às vezes até com direito ao açude com o devido pulo aos chocolates ou caramelos galegos… e até nesta quadra natalícia as brincadeiras, já dentro de portas, eram improvisadas com autênticas “batalhas navais” que invariavelmente terminavam à mesa a jogar ao rapa num tira-rapa-deixa e põe de pinhões…

Recordações. Boas recordações de bairro e de infância, de amizades e cumplicidades, mas não pensem que era só brincadeira, pois ao contrário dos putos da cidade (que eram todos reguilas e provocadores, mas betinhos), nós (os dos bairros) tinha-mos os nossos deveres e obrigações na lide da casa e a quota parte de trabalho de campo, de onde saíam os ovos, os frangos, galos, galinhas, recos e coelhos … as batatas, as couves, as alfaces, os feijões, a fruta e os melões, o milho, os pimentos e os tomates e até aprendia-mos a separar o trigo do joio, a ceifar e malhar, aprendizagem que em muito ajuda nas nossas vivências diárias de adulto. Uma autêntica escola de vida que hoje em dia se vai resumindo a mais ou menos megabytes e a produtos embalados onde é sempre apenso um ininteligível código de barras…

É engraçado como com a idade cada vez nos parecemos mais aos nossos pais…e uma simples imagem nos transporta até ao passado…

Só para situar, todas estas recordações são dos anos 60, e, como alguém dizia há dias num comentário, os bons anos 60 ou como eu costumo dizer, os anos das boas colheitas (e que me desculpem as outras, mas eu tenho que defender as minhas).

Até amanhã por aí, como sempre em Chaves, mais ou menos rural!
´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:29
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6 comentários:
De Carlos Tomaz a 13 de Dezembro de 2006 às 22:48
Sim é certo que há muita boa gente nas Casas dos Montes... mas tb é verdade que desde há uns anos para cá passou a uma "Faixa de Gaza"...


De Fer. Ribeiro a 5 de Dezembro de 2006 às 21:12
Caro Tupamaro, penso haver aqui uma confusão de Fernandos. O Fernando a que se refere o amigo J.Pereira é o, infelizmente falecido, Fernando que foi craque do Desportivo e que tive o prazer de conhecer em vida. O Fernando deste blog nunca foi craque do desportivo e muito menos da bola e quanto ao bairro deste Fernando (bairro de nascença e infância), não é o de Casas dos Montes, mas de um que por sinal lhe fica bem distante – a Casa Azul. Calhou assim, mas ainda bem que calhou em Chaves. Mas a confusão serviu pelo menos para trazer ao blog o e recordar o Fernando, craque do desportivo, que tanto quanto sei era estimado por todos os flavienses que o conheciam. Quanto às histórias ou estórias de Casas dos Montes que o J.Pereira sabe, venham elas, que serão sempre bem vindas neste blog. Um abraço para ambos.


De tupamaro a 5 de Dezembro de 2006 às 14:32
Então o Mr. F.Ribeiro "É" das Casas-dos-Montes!
Essa «faixa de Gaza» flaviense não era, nesse «seu» tempo que tão bem descreve, uma fronteira entra «A Cidade» e «As Aldeias»?!
«Nesse tempo»e, talvez ainda hoje, as Casas-dos-Montes não tinham também «bairros»?
Vá lá! Junte-se ao Mr. J.Pereira e «CONTEM» aquelas lindas histórias que bem conhecem desse lado poente onde nasceram, e nascem, das mais generosas almas; dos mais corajosos jovens, dos mais «marotos» rapazes, dos mais probos homens; das mais lindas raparigas, das mais trabalhadoras e sacrificadas mulheres; dos mais dilectos amigos/as; das melhores AVÓS do Mundo!!!
Ai de mim, que eu só sei contar… as contas… dos rosários….das minhas saudades!!!...
Tupamaro


De J. Pereira a 5 de Dezembro de 2006 às 14:20
Pois é, tem razão, esta é a taberna junto à Capela. Ali por cima morava o Fernando, antigo craque do Despotivo e do Valdanta também. Quem jogava bem a bola aqui nas Casas dos Montes fazia sempre parte da equipa de Valdanta. Quanto às capelas e capelinhas em Valdanta, eu não tenho, mas garanto-lhe que ainda as há por e das "de certo". Um dia temos que nos conhecer. Um abraço para o amigo Tupamaro.


De tupamaro a 5 de Dezembro de 2006 às 13:52
A «capela» do "PáraKéto" talvez fosse mais acima, a caminho da «sua Valdanta». Esta talvez seja a "Taberna da Capela"... do maduro do Verdinho, do...e do...você é que sabe!
E, quando for à «sua Valdanta», nesta e nas que encontrar , ou entrar, até à CApele(Igreja, claro!) de S.Domingos, beba um copito por mim.
Se for na sua adega, a petiscar um naquito de presunto ou um cibito de linguiça....
Olhe, estou cheio de inveja de si!....
Saudações "tupamaras".


De J. Pereira a 5 de Dezembro de 2006 às 10:01
Suponho que aqui era a taberna do "Para-Queto".
Vou contar uma estória: - Havia uma mulher de Soutelo que quando ia à cidade ia, sempre, fazer compras ao sr. TóTó, na rua Direita e então pedia sempre "Ó sinhor TóTó desconte-me ao menos duas croas pra eu e o meu Murmelho bubermos um copo no Para Queto". O marido da senhora era conhecido pelo Vermelho de Soutelo, daí o "Meu Murmelho".
Quando aos Bairros eram de facto, uns mais que outros, a ligação aldeia - cidade ou agricultura - comércio. Este das Casas dos Montes era como que mais um lugar da freguesia de Valdanta, onde tínhamos grandes amigos.


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