Quarta-feira, 9 de Agosto de 2017

Ocasionais

ocasionais

 

“O «tyranetezinho do Mont’Agudo»”

 

 

Já nos idos anos 50, tive a sorte de ler as “Selecções do Reader's Digest”.

 

Um dos temas sempre presente intitulava-se “Meu tipo inesquecível”: concisa história de pessoas, famosas ou simples, que, por qualquer feito, nos serviam de bom exemplo.

 

Também há quem fique na História, ou de quem se contem historietas, pelos piores motivos, como mau exemplo.

 

Mais do que desperdiçar cera com tão ruim defunto, quando refiro um qualquer moinante da minorca política portuguesa, pretendo despertar a atenção de «ingénuos úteis», de bem-intencionados, de indefesos e «simples» para a hipocrisia, para as armadilhas e rasteiras, para a incompetência e a mediocridade de um impostor a fingir-se paladino das GENTES da NOSSA TERRA!

 

Conhecido popularmente por «pavão de Castelões», o padrinho que assim o baptizou leva-me a crer, por tão certeira definição de personalidade que os flavienses, por castigo, têm vindo a aturar, leva-me a crer ter sido primo direito de Freud e primo esquerdo de Jung!:  deram-lhe, ao «Tótó de Castelões», um sobrenome que «diz perfeitamente a letra com a careta»!

 

Os pios propósitos pipilados do «pavão de Castelões» não têm passado por mais do que esganiçados cantos de sereia da sua avidez narcisista.

 

O comportamento do clã partidário dos «lalões» e «pavões», administrador do Município Flaviense,  tem sido escandalosamente descarado e faccioso na manifestação do seu ressentimento para com os flavienses que não apoiam a sua incompetência, a sua cretinice, a sua mediocridade. E mesmo até para aqueles que o olham com indiferença!

 

Aos autarcas eleitos cabe, acima de tudo, construir laços sociais, tornar o conjunto de munícipes um grupo coerente e coeso na busca de um projecro comum.

 

Para os negócios da política, esse «pavão» e os seus correlegionários são moeda falsa!

 

A sua criatividade intelectual atinge apenas o patamar de umas ridículas pantominas folclóricas, pretensamente engraçadas e de pobrete entretenimento do povoléu!

 

Decora os guiões que lhe preparam, e finge pensar as ideias que afirma.

 

Ao ouvir falar, ou discursar, esse «Tonho», a sua erudição é tal que, comparados com ele, os apóstolos teriam de receber outro Espírito Santo para se pronunciarem sobre esses assuntos!

 

Do bico do «pavão»   -   e vendo-a pelo preço que a comprei   -    saiu um grasnido soberbo, arrogante:

 

 “A populaça flaviense é uma boa vaca leiteira que se deixa mugir facilmente   -   nas eleições enche , VAI ENCHER, as urnas com votos a nosso favor mais bem cheias que os cântaros de leite mugidos de vacas turinas!” (o negrito é meu).

 

As honras nem sempre alteram os costumes.

 

Dizem, quem o conheceu em garoto, que a sua pusilaminidade, o seu mal de inveja, a sua mesquinhez se revelavam assiduamente nas maledicências, intrigas e deslealdades com que atacava e, ou, se vingava dos colegas.

 

Para obter o cartãozinho partidário, jurou aos sobas e sobetas, do único partido que o deixou entrar,  uma cega «obediência às orientações partidárias». Assim, por fas e por nefas, lá começou a trepar «o pau ensebado da ambição»: aprendeu a tempo que, na política rasteira, «os princípios (uf! Se uso ética ou valores!...) são um estorvo e a hipocrisia uma virtude».

 

É tempo deOS de CHAVESdeixarem de estar contra si próprios!

E podem e devem, começar por não dar poleiro a esse «pavão» e gaiolas douradas aos seus «pavõezinhos», «lalões» e «lalõezinhos»!

 

“La branche, n’ayant plus de suc ni d’aliment à sa racine, devient sèche et morte”.

 

É tempo deOS de CHAVESlevantarem a cabeça e de recuperarem o que lhes tem sido sonegado e o que merecem   -  Hospital, Universidade, Delegação do Turismo, Serviços Públicos, etc-, etc., e gente competente e empenhada na sua administração autárquica e na sua representação nacional!

 

OS de CHAVEScontinuam a preferir servir um patrão em vez de obedecerem à razão!

 

Até parece «não terem projecto nem missão, antes pelo contrário, entram na vida para ver se as dos outros enchem um pouco a sua».

 

Não admira que lhes aconteçam tantas desgraças!

 

OS de CHAVEStêm elevado ao poder autárquico gente velhaca: padre falso, «pavão», «pavõezinhos», «lalões», «lalõezinhos» comportaram-se, e comportam-se, como se tivessem triunfado sobre todos OS de CHAVESe promoveram-se e sobem de amanuenses a tiranos!

 

Claro que um «pavão» não tem a grandeza de um rei dos Persas, muito menos a de Ciro!

 

Porém, a arte de engrampar permite-lhe arquitectar engodos para assolapar os flavienses lorpas  -  cria programas de passatempos e oferece-lhes agendas lúdicas!

 

É espantoso como OS de CHAVESse deixam levar pelas cócegas feitas com «penas de pavão»!!!

 

Desgosta-me ver, aí por CHAVES, flavienses que se afirmavam rebeldes, uns; descontentes, outros, perante a degradação institucional, social, cultural, patrimonial e democrática, e que, tal como “quando Júpiter puxava a corda todos os deuses iam atrás”, esses flavienses, então «Defensores de CHAVES”, tenham deitado a mão à corda  que o «tyranetezinho de Castelões» lhes estendeu, e passassem a dar-lhe o seu apoio!

 

E, assim o «Tótó» lá vai conseguindo aumentar a sua protecção com tantos e tantos que, se valessem realmente alguma coisa, antes deveria recear.

 

Esses flavienses perderam o gosto: passaram a viver preocupados com o que o seu «chefezinho» pensa e deseja!

 

Ganharam a posição de «favorito»!

 

Cedo ou tarde, darão conta que gente do calibre desse «Tonho de Castelões» não merece confiança.

 

Sinto pena desses flavienses engodados.

 

A amizade é uma palavra sagrada, é uma coisa santa e só pode existir entre pessoas de bem, só se mantém quando há estima mútua: conserva-se não tanto pelos benefícios quanto por uma vida de bondade”, escreveu, em 1549, Étienne de La Boétie.

 

A seita do «Tonho de Castelões» ajunta-se não para cultivar uma verdadeira amizade, reúne-se para conspirar.

 

A seita do «pavão de Castelões» não é formada por amigos, mas por cúmplices!

 

 “É muito próprio do vulgo, mormente o que pulula nas cidades, desconfiar de quem o estima e ser ingénuo para com aqueles que o engrampam!

 

CHAVES não pode contar com gentinha desse calibre!

 

Deixo-lhe,

ao «tyranetezinho Tonho de Castelões »,

o meu recado:

 

- “Todo o homem que combate por um ideal qualquer,

ainda que pareça do Passado,

impele o mundo para o Futuro, e

sei ainda que os únicos reaccionários

são aqueles

que se encontram bem no Presente”.

  1. D. Miguel de UNAMUNO

 

 

M., vinte e cinco de Julho de 2017

Luís Henrique Fernandes, defensor de CHAVES

 

 

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Terça-feira, 8 de Agosto de 2017

Festival Identidades - Jardim Público - Chaves - III

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Luiz Caracol

 

Luiz Caracol é um músico, cantor e autor português que tem na génese do seu trabalho uma mestiçagem muito própria, fruto da forte influência urbana entre a cidade de Lisboa, onde vive, e África, de onde sempre se sentiu parte. Quem ouve Luiz Caracol pela primeira vez não esquece e reconhece a sua unicidade para sempre. 

 

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Luiz nasceu em Portugal mas cresceu num ambiente multicultural, resultante do longo período em que sua família viveu em Angola. Este facto reflete-se continuamente na sua música.

 

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Ao longo dos últimos anos, participou em projectos e partilhou palco com artistas como Sara Tavares, Jorge Palma, Aline Frazão, Susana Travassos, Manecas Costa, Fernanda Abreu, Uxia e Tito Paris, entre outros. Em 2011 participou no documentário “MPB - Música Portuguesa Brasileira”, da autoria de Pierre Aderne, emitido pela RTP e pelo Canal Brasil.

 

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Enraizarte

 

Bem conhecidos do público flaviense, Enraizarte formou-se em 2008, estendendo as suas raízes transmontanas até aos dias de hoje, com uma sonoridade original, complexa e assente na música tradicional.

 

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Apresentam-se ao vivo numa formação marcada por Marcelo Almeida nas gaitas de fole e voz, Frederico Almeida no saxofone e gaita transmontana, João Dias no baixo, Marcelo Fernandes no piano, guitarra e braguesa, David Pinto na guitarra, Marco Pereira na bateria e Margarida Carvalho e Diogo Martins nas vozes.

 

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Terrakota

 

Considerados os embaixadores da multiculturalidade de Lisboa, TERRAKOTA são já uma referência da música mestiça e de fusão no cenário nacional e internacional.

 

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A semente plantada no Burkina Faso, em 1999, germinou em território português e tem dado frutos pelo mundo fora, entre viagens de pesquisa musical e concertos nos palcos mais importantes do roteiro da world music.

 

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Detentores de uma identidade musical sólida construída a partir de uma inspiração global em elementos tradicionais e contemporâneos.

 

DJ Marcelo & 

 

Não estava no programa mas aconteceu

 

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E no final, no meu, ainda um olhar sobre a Madalena nas paz dos anjos da Igreja da Madalena.

 

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Créditos: Os Cartazes dos concertos e historial dos grupos são do Festival Identidades.

 

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Chaves D'Aurora

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  1. FOLAR DA FESTA.

João Reis levou toda a família aos festejos, com fitas ver­des e encarnadas nos chapéus dos putos e no seu próprio, assim que tal nos xailes de Flor, das meninas e das criadas. Todos estavam a empunhar bandeirinhas pátrias. Os miúdos logo pediram que o Papá lhes pagasse uma bebida fresca, mais precisamente a “Gazoza Transmontana” que, segundo os reclamos em um jornal (no qual era ela apresentada assim mesmo, com essa grafia de dois zês) era “de facto a melhor”.

 

Mercê de uma pequena distração, Aurora acabou por se perder dos seus. Talvez a célebre e folhetinesca Mão do Destino já estivesse a traçar suas linhas em prol do ciga­no, pois logo uma luva de couro, cor de morcela, tocou no ombro direito da rapariga. Esta, ao se virar, tremeu dos pés à cabeça. Diante dela, mais guapo do que nunca, Hernan­do entreabria os lábios com os dentes ainda não manchados pelo vício do fumo, a lhe oferecer um sorriso que combinava muito bem com o seu maroto olhar. O de sempre.

 

O sorriso de Aurita não tardou a se esboçar, em agradável permuta. Ainda mais que o moço tomou-lhe um lenço que ornava os ombros e, a um zás trás, transformou-o em uma bela flor. Quando ela teve de volta o seu pequeno xaile, ad­mirou-se em ver o flóreo botão se abrir e lhe revelar uma fatia de folar bem flaviense. A menina, então, achou-se até ousada para iniciar alguns momentos de cavaqueio – Como sabeis fazer isso, senhor Camacho? – e ele sorriu de novo, desta vez com malícia – Sei fazer muito mais – mas logo res­pondeu à pergunta de Aurora – Ora, brasilita, é fácil, muito fácil. É apenas um passe de mágica que aprendi por aí, pelo mundo.

 

Foram os dois então para os lados da Torre e, sentados em uma das amuradas em volta, Hernando se pôs a expli­car como tudo era feito. Daí passaram a falar sobre vários assuntos triviais, mas que os faziam tão alegres como par­dais ao milho. Chegaram depois aos relatos das poucas, mas bem vividas aventuras do jovem cigano, algumas com certo exagero por parte do narrador, durante suas viagens por es­panhas, franças e itálias.

 

Dessas vivências de andarilho, que lhe serviam para não esquecer as nómadas origens, havia certas passagens, as mais picantes e mulherengas, que ele certamente omitia. Ou então, como sói acontecer aos contumazes contadores de lérias, como ele, Hernando sempre dizia, a fim de preser­var sua identidade, que tais e mais teriam ocorrido a algum moço da aldeia xis ou ípsilon.

 

Envoltos nesse início de namorico, mal perceberam quando o pai de Aurora chegou, segurou-a firme pelo bra­ço, cumprimentou secamente o rapaz com um – Boa tarde, senhor Camacho, esteja a passar bem; com licença – e mui de pronto afastou-se com a filha, a ralhar entre os dentes – Vamos, menina, andemos de volta a casa, onde lá é que me­lhor estás, pois “quem à boa árvore se abriga, boa sombra o cobre”. E lá também é que te vou explicar porque o povo diz “O lume ao pé da estopa, vem o diabo e assopra.”

 

Logo se juntaram ao resto da família e, com os protestos de Aldenora e a chorosa revolta dos menores, tomaram o caminho de volta à Quinta. O que mais pesava aos miúdos era deixarem de provar, conforme o Papá tinha prometido, as castanhas assadas, os gelados, as tortas de Viana ou os especiais pastéis de Chaves, que se ofereciam em uma con­feitaria recém-inaugurada ao Largo das Freiras.

 

  1. ANOS 20.

 

Então se passaram alguns anos, marcados apenas pelas notícias dos jornais locais ou dos que vinham de Lisboa ou do Porto, sempre lidas por Papá em voz alta ao pequeno-al­moço. Entre as novidades, os costumes dos anos 20, “inde­centes, obscenos, pornográficos”, como a eles se referiam os comentários de João Reis – Ai, Menina Flor, essas coisas que estamos a conhecer... esses países que se perderam nas teias da depravação, tudo isso me deixa preocupado.

 

Sussurrava à esposa – A Lisboa, já andam por lá algumas dessas raparigas do tipo maria-vai-com-as-outras, a se exi­birem com esses vestidos que lhe sobem às pernas, quase a mostrar os joelhos... percebes o decoro, Menina Flor? Pior ainda é o corte de cabelos, mais curto que o dos rapazes, esse tal de “à la garçonne”. Só espero que essa vergonheira toda não nos chegue por cá! – ao que Mamã concordava – Pois estou a pressentir que isso há de ser, como nos alertou a Virgem de Fátima... o fim do mundo!

 

É que aos olhos de muitos flavienses, Paris tornara-se um imenso bordel, onde artistas, intelectuais e outros cidadãos marginais, nativos ou imigrados, exibiam em público sua libertinagem explícita, desde o Louvre aos cabarés de Pigalle, desde Montmartre aos cafés de Sain-Germain-des- Prés. Ao Porto e Lisboa, no entanto, já lá se podiam ver passar pelas ruas algumas raras pessoas de grande ousadia, veementemente execradas por todos aqueles que se abriga­vam sob o manto da grande mãe eclesial, católica, apostólica e romana. As melindrosas, os charletons e os cabelos “à la garçonne” eram ecos de um universo distante, nessa peque­na vila trasmontana, onde as jovens solteiras e as senhoras de bem (pois que, de mal, só as marafonas...) cobriam-se da cabeça aos pés. Certamente que haveriam de existir, toda­via, algumas raparigas que ficassem a suspirar por Lisboa, à moda de “As Três Irmãs”, de Checov, finas e sensíveis mo­ças da Rússia campesina que sonhavam, algum dia, partir para Moscovo.

 

De Moscovo, aliás, quem sempre trazia notícias era o pri­mo Rodrigo, malgrado algumas carrancas de Papá quando o via penetrar na sala de estar da Quinta, agora a medo de que ele, com suas ideias estapafúrdias, acabasse por corromper as cabecinhas de seus miúdos e nelas introduzisse os novos costumes dos anos 20. O rapaz abraçara de corpo e alma as ideias bolchevistas da Revolução Russa de 17 e era conheci­do por suas polémicas nos cafés do Largo das Freiras. Vivia agora a falar de um futuro em que os operários seriam donos das fábricas e dos seus instrumentos de trabalho, não have­ria mais patrões e empregados, todos seriam iguais de facto e com todos os seus direitos perante a Lei.

 

Rodrigo era denunciado várias vezes ao senhor Chefe de Polícia, pelos seus inadequados comportamentos políticos e sociais. Como ele fosse, no entanto, muito querido na cidade e o poder ainda estivesse com os republicanos, anticlericais, bem como o rapaz limitasse as suas ações apenas a palavras e, o melhor atenuante, qualquer deslize seu pudesse atribuir­-se a excessos com a ginja ou com o bom vinho, acabavam por não lhe dar qualquer seriedade.

 

Já esquecidas do incidente sobre as aparições de Nossa Senhora em Fátima, Aldenora e Florinda atiçavam o facho discursista do jovem e, de ambas as partes, as contendas ver­bais se animavam. Ele, a louvar os princípios coletivistas e as igualdades sociais. Elas, a defenderem a Santa Madre Igreja das “ideologias esdrúxulas” e ateias do rapaz. A se valerem da pronta acolhida nas mentes simples como a de Flor, os capitalistas se uniam aos curas das aldeias, para espalhar os boatos de que doutrinas como essas, que do­minavam a cabeça do jovem primo, foram implantadas por “comunistas perversos, que matam os padres, fazem mal às freiras e comem criancinhas”.

 

Às meninas Aurita e Aldenora, no entanto, encantava o facto de, algum dia, as mulheres no mundo inteiro poderem ser mais livres, independentes, trabalhar fora de casa como os homens e, até mesmo – ai que esperança, ainda, àquela altura! – eleger os governantes da pátria. Quando atiçado, porém, em suas posições anticlericais, o rapaz, que também gostava de cometer alguns versos e escrever contos, a partir das lendas colhidas na região, saía-se sempre com algumas histórias de padres e freiras. Não tão picantes, por certo, quanto as que Adelaide fazia Florinda corar de pejo, mas igualmente interessantes, como a Lenda das Almas dos Fra­des Santos.

 

fim-de-post

 

 

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Segunda-feira, 7 de Agosto de 2017

Festival Identidades - Jardim Público - Chaves - II

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Hoje vamos deixar por aqui um pouco do que se passou no segundo dia (sexta-feira – 4 de agosto) no Festival Identidades, com um pouco da história de cada grupo. Iniciando pelos String Fling

 

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String Fling

 

Na improvável, mas cúmplice, junção de duas guitarras e um ocasional ukulele, surge String Flïng, composto por Pedro Prata e David Rodrigues.


Caracterizado por uma sonoridade muito própria e inovadora - note-se o único repasseado só com guitarras de que há memória -, este duo transmite a sua paixão pela música de inspiração tradicional em cada acorde de cada xotiça, círculo circassiano, chapelloise ou mazurka que toca.


Um projeto que promete espalhar sorrisos, boa energia e alegria de dançar.

 

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Oquestrada

 

OQUESTRADA iniciou em 2001 um poderoso movimento acústico dando cartas à criação de um novo paradigma na estética musical portuguesa. 

 

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A fama de “milagre musical sem precedentes”, conquistaram-na na estrada, com centenas de atuações nos melhores festivais e salas de renome internacional, com a sua sonoridade única a destacar-se no circuito de referência de novos projetos entre o pop acústico e o erudito, agitando as ondas sonoras carimbadas de world music.

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Seiva

 

Depois de 15 anos à frente dos Dazkarieh, uma das mais influentes e internacionais bandas do panorama folk em Portugal, Vasco Ribeiro Casais e Joana Negrão apresentam-nos a sua nova banda. Seiva mistura a oralidade rural com a urbanidade. 

 

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SEIVA é folk de identidade portuguesa a mostrar a sua força vital. A misturar a oralidade rural e a urbanidade.

 

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Nos ritmos que o tempo ainda não perdeu mas quase foi esquecendo, Seiva faz-nos sentir a essência na viola braguesa, no cavaquinho, nas gaitas de fole mas também, no olhar em frente e no desbravar de novos caminhos, misturando electrónica e electricidade sem pudores nem purismos.

 

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Fanfarra Kaustika

 

Fanfarra Káustika, definida pela vontade constante de recriar e inovar, consiste num coletivo de músicos que se conhecem pessoal e musicalmente, por estarem ligados desde novos à música filarmónica e às bandas. Formação composta por músicos de várias áreas e influências musicais, desde do clássico, ao jazz, passando pela música tradicional portuguesa, numa fusão de estilos que caracteriza a sonoridade da banda.

 

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Formada em 2007, o nome da banda deriva da sensação que a sua música traz ao público, através de ritmos e melodias que mexem com as emoções. 

 

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A identidade original, genuína e diferenciadora de Fanfarra Káustika apresentou-se no Festival Identidades no dia 4 de agosto.

 

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E claro, há sempre um momento para mais um olhar e um clique à nossa Top Model.

 

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Créditos: Os Cartazes dos concertos e historial dos grupos são do Festival Identidades.

 

 

 

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Quem conta um ponto...

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Como se escreve um haiku

 

Tenho uma vida tão ocupada, mas gosto tanto de poesia, que a leio em voz alta enfiado no carro enquanto as escovas cilíndricas da lavagem automática fazem o seu serviço. Leio Herberto Helder, Al Berto, António Ramos Rosa, Fernando Echevarría, Fernando Pessoa, etc., tendo como música de fundo os sons mecânicos da estrutura metálica que vai e vem fazendo chuva e depois insiste novamente soprando forte ventania na chapa metálica do meu bólide. Pode não parecer logo à primeira vista, mas um carro a brilhar também tem a sua poesia.

 

Mas não é de lavagens automáticas que vos quero falar hoje. A bem dizer hoje não sei bem do que vos quero falar. E seguramente também não é do meu carro. Podia falar-vos de política, mas não tenho vontade. O que por aí abunda mais são comentaristas políticos, chorões e aldrabões. As televisões estão cheias deles. Há muito quem comente e pouco quem faça. E nas lavagens automáticas também se comenta muita coisa, mas faz-se pouco. São as máquinas quem faz o trabalho árduo. E essas possuem a rara virtude de nada comentarem. Limitam-se a fazer o seu serviço com qualidade. Nas estações de serviço comenta-se o futebol, o preço da gasolina e o tempo. Podemos mesmo dizer que Portugal é um país de comentaristas e pessoas que lavam os seus carros nas lavagens automáticas.

 

As pessoas que vão às estações de serviço gostam muito de comer bolos e beber café. Gostam especialmente de natas, mas também se deleitam com queijadas, croissants, madalenas ou bolas de berlim. As pessoas quando comem, sobretudo bolos, ou bolachas, ou torradas sem manteiga, também têm muita poesia. Especialmente as que comem muito e não engordam. Essas são pessoas afortunadas. Por isso podem ler poesia à vontade pois não lhes provoca efeitos secundários. Não sei se sabem, mas a poesia provoca muitos efeitos secundários. Sobretudo a boa. A outra dá ressaca ou provoca azia.

 

Quando vou a uma lavagem automática, por vezes ponho a música alto para experimentar o som da aparelhagem do meu bólide. E ela tem um som que inebria. Eu comprei o meu bólide, que é um carro sport cheio de genica, por causa, sobretudo, da aparelhagem. Aquela aparelhagem tem muita poesia, é a modos que um poema do Al Berto repleto de vitalidade e sublimação. Depois também gosto de contemplar as gotas de água a deslizar pelo vidro traseiro do meu bólide. Muitas vezes pego na minha Nikon de bolso e fotografo o vidro pejado de linhas sinuosas desenhadas pelas gotas de água sopradas pela maquineta.

 

A minha Nikon de bolso também tem muita poesia. Comparo-a aos poemas haiku. E aqui vos deixo um de minha autoria: No carro sujo / a água / escreve. E é disto que hoje vos vou falar, da poesia haiku e da nobre arte de a escrever.

 

À primeira vista o poema de apenas três versos parece pequeno. E é pequeno. Todos os poemas haiku são pequenos. Têm todos apenas três versos. Mas isso não quer dizer que não dêem muito trabalho a escrever. A poesia é um trabalho árduo. O seu resultado pode parecer singelo, mas não é. Chamo no entanto a vossa atenção para o facto de que o que a seguir se dá conta pode ser o resultado (e foi) de muito mais trabalho do que aquilo que parece. Posso dizer-vos, sem comprometer a minha discrição, que fiz dezasseis cortes, dois acrescentos e cinco revisões.

 

Agora, se estão dispostos à explicação, façam o favor de me seguir. Para escrever o meu haiku comecei por: O meu carro preto e sujo / quando está na lavagem automática a apanhar com a água / fica como se tivesse sido escrito. Convenhamos que assim não fica lá grande coisa. É muito extenso. Há palavras a mais em todos os versos. Então temos de o trabalhar.

 

Desfazemo-nos logo no primeiro verso do pronome possessivo e do primeiro adjectivo, pois os  dados relativos ao proprietário da viatura e à sua cor (não a cor da proprietário, bien sur, mas sim a do bólide) não interessam ao leitor, nem importam à qualidade do poema, nem aproveitam à excelência da linguagem poética, por isso vão fora. O primeiro verso fica então: O carro sujo

 

No segundo verso decido-me por um corte radical (ou melhor será dizer, uma barrela) e fica apenas o nome final que é o elemento fundamental. Então ficamos apenas, e só, com o artigo definido e o nome: a água… Mais um pouco e era harakiri (腹切り) puro, ou Seppuku (切腹). Mas a arte está em saber o que cortar e quando parar.

 

Relativamente ao terceiro verso decido-me mesmo pelo Seppuku (切腹), ou harakiri (腹切り), por isso vai todo à vida e substituo-o pela forma verbal escreve. Sendo assim temos: O carro sujo / a água / escreve.

 

Ficando deste modo, o artigo definido “o” do primeiro verso tem de ser combinado com a preposição “em” para dar lugar ao locativo “no”.

 

Sendo assim, a versão final fica desta forma: No carro sujo / a água / escreve.

 

Podem os amigos leitores comentar que o único adjectivo também podia ir à vida. E até podia, sim senhor. Mas para a água escrever algo que se veja, o carro, na minha perspectiva, tem de estar sujo. E essa foi a razão porque deixei na terceira posição o adjectivo a adjectivar o que tinha de ser devidamente adjectivado.

 

E por hoje é tudo. 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Domingo, 6 de Agosto de 2017

Festival Identidades 2017 - Chaves - Portugal

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Neste fim-de-semana não vamos ter aqui “O Barroso aqui tão perto”, tudo porque o Festival Identidades dos últimos 4 dias ocupou todo o meu tempo livre, e vai ser um pouco do que por lá se passou que vou deixar por aqui, sem muitas palavras, apenas as necessárias para identificar os grupos que atuaram.

 

CELINA DA PIEDADE

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Muita imagem para deixar aqui de uma vez. Assim, até quarta-feira iremos ter por aqui um post extra para que todos os grupos possam passar por aqui. Iniciamos hoje com o concerto de quinta-feira à noite, com Celina da Piedade, Omiri e Trad.Attack.

 

OMIRI

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TRAD.ATTACK

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Ainda com tempo de uma foto “dos bastidores”

 

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Sem esquecer um olhar sobre a nossa Top Model, uma noturna ao som da música.

 

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Até amanhã com "Chaves D'Aurora" e o segundo dia do concerto,  com Orquestrada, String Fling, Seiva e FK.

 

 

 

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Casas Novas - Chaves - Portugal

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Os nossos pais e os mais velhos têm, ou acabam por ter sempre razão. A minha mãe sempre me disse que “quem dá a noite não pode dar o dia”, e é bem verdade, principalmente a partir de ser idade, e mesmo que a vontade queira  responder a certos apelos, o corpo não o permite, e não há como contrariar a natureza. Isto para dizer que ontem o corpo não me deixou marcar presença com mais uma das nossas aldeias flavienses, mas promessas são promessas e desde que não sejam de políticos, são sempre para cumprir. Não cumpri ontem, cumpro hoje, com a aldeia de Casas Novas.

 

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Casas Novas, uma aldeia à beirinha da Nacional 103, também uma estrada mítica que liga o litoral a Bragança, passando por Chaves, uma nova versão de uma das principais vias romanas (a  via XVII), só que construída quase mil anos depois. Mais ia eu dizendo que Casas Novas é a nossa aldeia de hoje, uma aldeia singular em termos arquitetónicos, onde o melhor do nosso casario solarengo ou abastado convive com o mais típico e rural.

 

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Casario solarengo, como o solar de estilo barroco que após muitos anos de abandono virou a Hotel Rural (conto a história deste solar aqui: http://chaves.blogs.sapo.pt/286402.html ) seguido de meia dúzia de casas rurais mais simples para logo de seguida darmos com o Solar do Vilhenas, um lindíssimo solar com capela virada para a rua principal da aldeia, e ainda outras casas que embora sem a riqueza arquitetónica dos solares são também belíssimos exemplares de uma arquitetura mais nobre, quer pela grandeza quer pela qualidade dos pormenores construtivos.

 

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Em caminhos paralelos a parte solarenga da aldeia convive com  toda uma aldeia típica transmontana, com o seu casario transmontano também típico onde o granito é rei  senhor, de uma aldeia virada para a agricultura e usufruindo da proximidade da cidade de Chaves, a 10 km, mas também da vitalidade que a Nacional 103 iam dando à aldeia, principalmente há umas dezenas de anos atrás em que era a principal via de acesso ao Barroso, a Braga e ao litoral.

 

 

 

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Sexta-feira, 4 de Agosto de 2017

Discursos sobre a cidade - Por António de Souza e Silva

SOUZA

 

 

POLÍTICA, AUTENTICIDADE E AMIZADE

 

No final dos anos noventa do século passado, o nosso saudoso amigo genebrino oferecia-nos um livro que, na altura, e numa leitura um pouco diagonal entretanto feita, achámos verdadeiramente importante, digno de uma leitura mais atenta. Entretanto, como acontece a muitos livros que compramos, muitas vezes acabam por ficar esquecidos num canto das prateleiras dos livros da casa.

 

Foi o que aconteceu com «Geopolítica do caos», de Ignacio Ramonet, editor do Le Monde Diplomatique, a principal publicação de política internacional dos finais dos anos 90, que catalisou, na opinião de Emir Sader “as visões críticas e alternativas à nova Ordem (…)” desde o derrube do Muro de Berlim e à instauração daquilo a que se passou a chamar a Pax Americana.

 

Em tempo de férias, procura-se, nos cantos esquecidos das estantes, os livros que um dia decidimos que haveríamos de ler com mais atenção. Com a sua leitura, e através deles, tentamos compreender melhor os tempos que passamos.

 

Desta vez, não hesitámos em trazer connosco e ler atentamente a «Geopolítica do caos», de Ramonet.

 

Para além das muitas realidades e diagnósticos que nos apresenta (que hoje, mais que nunca, estão certeiros), perante um mundo e uma sociedade cheia de perplexidades, propõe-nos desafios que, urje, devemos enfrentar.

 

Ramonet, a determinada altura, diz: “Neste contexto de deceções e incertezas em que hoje vivemos, dois novos paradigmas estruturam a nossa maneira de pensar: o primeiro é – comunicação. Esta tendência está a substituir, pouco a pouco, a função de um dos principais paradigmas dos dois últimos séculos: o progresso. Da escola à empresa, da família à justiça e ao governo, em todos os campos e para todas as instituições, eis, daqui em diante, a única palavra de ordem: é necessário comunicar. O outro paradigma é o mercado. Que substitui o da máquina, do relógio, da organização, cujos mecanismos e funcionamento garantiam a evolução de um sistema. À metáfora mecânica, herdada do século XVIII (uma sociedade é um «relógio social» e cada indivíduo exerce uma função útil para o bom funcionamento do conjunto) sucede a metáfora económica e financeira. Daqui em diante tudo deve ser regulado segundo os critérios de «Sua Majestade» o mercado, panaceia última”.

E continua Ramonet: “ na primeira fila dos novos valores: os lucros, os benefícios, a rentabilidade, a concorrência, a competitividade”.

 

As “leis” do mercado tomam o lugar das leis da mecânica (que rege a vida dos astros, do cosmos e da natureza) como explicação geral de movimentos das sociedades.

 

Com efeito, estes dois paradigmas – comunicação e mercado – constituem os pilares sobre os quais repousa o sistema do mundo contemporâneo no seio do qual se desenvolvem, com grande intensidade, as atividades que, como explica Ramonet, possuem quatro atributos principais: planetário, permanente, imediato e imaterial.

 

O modelo central é constituído pelos mercados financeiros que impõem como ciência de referência já não as ciências naturais, a mecânica newtoniana ou a química orgânica, “mas o cálculo de probabilidades, a teoria dos jogos, a teoria do caos, a lógica imprecisa e as ciências do vivente”.

 

Os melhores, ditos especialistas, estimavam que, graças à desregulação, à abolição do controlo do câmbio, à globalização financeira e à mundialização do comércio, a expansão seria perpétua.

 

O enriquecimento fácil foi encorajado e aparecem os novos-ricos aventureiros, alguns deles detentores de mega empresas. A especulação financeira foi encorajada e assistiu-se à apoteose dos golden boys. Ou seja, no âmago do sistema: o dinheiro. E com ele o fenómeno da corrupção, a todos os níveis.

 

Entretanto, incertezas e desordem tornam-se parâmetros fortes para medir a nova harmonia de um mundo em que a pobreza, o analfabetismo, a violência e as doenças não cessam de progredir. Um mundo em que menos de 1/5 dos mais ricos da população dispõem de mais de 80% dos recursos, enquanto mais de 1/5 dos mais pobre dispõe apenas de 0,5%... Um mundo, enfim, em que o montante das transações nos mercados monetários e financeiros representa cerca de cinquenta vezes mais o valor das trocas comerciais internacionais… Um mundo em que, dizendo-se viver, na sua imensa maioria, em regime democrático, se travam intermináveis batalhas eleitorais para conquistar democraticamente o poder, sem muitos destes atores se aperceber que o poder mudou de lugar!... E, mostrando, nessas batalhas, o espetáculo de uma total impotência para mudar seja o que for!...

 

Seres constrangidos a negarem-se constantemente, pois o verdadeiro poder está fora do seu real alcance: está em alhures. Por isso não espanta que surjam expressões, que a muitos escandaliza, mas que exprimem efetivamente a verdadeira realidade – figuras de palhaços na senda política quotidiana… Sem deixarmos de por de fora a hipótese de, infelizmente, alguns desses atores, serem cúmplices de uma farsa da qual só eles são os únicos beneficiários! Exemplos? Para quê? Todos os dias eles nos entram pelos olhos e ouvidos através da toda poderosa comunicação social que, na ânsia do lucro, nos conta, e explora, somente a parte que é útil à sua sobrevivência, em termos de concorrência e mercado, controlado pelos grandes magnates do poder económico e financeiro, cujo paradeiro e nomes mal sabemos onde estão!...

 

Enfim, estamos perante o avanço e a vitória do pensamento único, da pretensão universal dos interesses de um conjunto de forças económicas, em particular, as do capital financeiro internacional. Princípio de tal forma contundente que um marxista distraído não chegaria a nega-lo: o económico leva a melhor sobre o político.

 

A Europa inventou o Estado Providência. Como em nenhuma outra parte do mundo, os cidadãos dos países que constituem a União Europeia beneficiam de uma pensão de velhice, de um seguro-doença, de ajudas à família, de um fundo de desemprego, assim como de prerrogativas de direito do trabalho. Este arsenal de garantias socioeconómicas, conquistadas pelo movimento operário, constitui o âmago da civilização europeia moderna. No fundo, é isso que distingue a União Europeia de outras áreas geopolíticas e, principalmente, de seus concorrentes económicos americanos e japoneses.

 

A lógica da globalização/mundialização e do livre comércio planetário impele a alinhar os salários e a proteção social pelos valores, muito inferiores, praticados nos países concorrentes da região Ásia-Pacífico. E é, na nossa ótica, em nome da eficácia económica, e correndo o risco de quebrar a coesão nacional, que os governos europeus, neste início de século, estão fazendo, ou seja, desconstruindo o edifício social que tanto custou a construir. Porque, afinal, se o dinheiro dos contribuintes não fosse retirado pelos detentores do poder do Estado para ostentarem as suas estranhas, irracionais e megalómanas ambições de permanência do poder e das suas cliques partidárias; se soubessem, com competência, eficácia e eficiência, gerir tal como o faz um «bonus pater famílias», não chegaríamos a este ponto!

 

A performance económica entra em contradição com a cultura e a democracia que, segundo parece, esqueceu a advertência feita, já em 1938, pelo escritor Raymond Queneau: “o objetivo de qualquer transformação social é a felicidade dos indivíduos e não a realização de leis económicas inelutáveis” (negrito nosso).

 

Com a crise económica sobrevém também a cultural, assistindo-se à sua própria agonia. Ao ponto de Edgar Morin afirmar que “estamos entrando numa época em que as certezas se desmoronam. O mundo encontra-se numa fase particularmente incerta porque as grandes bifurcações históricas não foram identificadas, não se sabe para onde se vai!”. O futuro apresenta-se-nos bastante incerto, por que tudo está alterado. Por que estamos na hora de questionar certezas, rever práticas, compreender os novos parâmetros dos tempos presentes.

 

Já, na altura em que Ramonet escreveu «Geopolítica do caos» se dizia: “as sociedades europeias continuam a navegar na modernidade, sem objetivo bem definido e sem uma nítida representação do seu devir”.

Urje, pois, - porque não se pode dispensar – uma reflexão a longo prazo e em profundidade. Será uma loucura, diz aquele autor, se não se fizer. Porque saímos de um universo de determinismo simples e entrámos num mundo que, dia a dia, mais se complexifica e no qual a incerteza, a estratégia e a inovação aparecem fortemente associados. Porque, compreender, é o desafio fundamental. Porque a crise por que passamos é também a nossa incapacidade mental, intelectual, conceitual para, inclusive, medirmos a sua própria dimensão.

 

A sociedade europeia encontra-se não só sem crescimento mas, mais ainda, sem projeto! E, assim, despojados dos indispensáveis pontos de referência culturais e desidentificados, os cidadãos enfrentam a crise atual na pior das condições mentais. E chegamos a tal ponto – porque sem horizontes de referência – que são raros os intelectuais que percebem e concebem o nascimento de novos horizontes coletivos. George Steiner disse: “os meus alunos de outrora tinham todas as janelas abertas para a esperança: era Mao, Allende ou Dubcek, ou o sionismo. Existia sempre um espaço onde alguém lutava para que o mundo viesse a modificar-se. Presentemente, não existe nada disso”.

 

Em contrapartida, a promessa da felicidade na escola, na família, na empresa ou do Estado é formulada pela comunicação toda poderosa. Daí a proliferação, sem limites, dos instrumentos de comunicação, dos quais a internet é o coroamento total, global e triunfal. Quanto mais comunicamos, dizem-nos, mais harmoniosa será a nossa sociedade e maior será a nossa felicidade. A nova ideologia do tudo-comunicação, este imperialismo comunicacional, exerce sobre os cidadãos, desde algum tempo, uma autêntica opressão, subliminar, mas profunda. Durante muito tempo a comunicação foi libertadora porque significava, desde a invenção da escrita e da imprensa, a difusão do saber, das leis e das luzes da razão contra as superstições e os obscurantismos de toda a espécie. Hoje em dia, impondo-se como obrigação absoluta, inundando todos os aspetos da vida social, política, económica e cultural, não passa de uma tirania, que, segundo ainda Ramonet, virá a tornar-se, provavelmente, “a grande superstição do nosso tempo”. Para além disso, a sociedade cede as rédeas ao mercado. Este, tal qual um líquido ou um gás, infiltra-se, penetra em todos os interstícios da atividade humana, convertendo-as à sua lógica. Inclusive, determinados campos que, durante muito tempo, estiveram à margem do mercado, como a cultura, o desporto, a religião, a morte, o amor, etc., estão sendo inteiramente invadidos pela lógica da mercantilização generalizada, da oferta e da procura.

 

Todas as mudanças que estes dois paradigmas – comunicação e mercado – provocaram, desestabilizaram fortemente, de uma forma rápida e formidável, os dirigentes políticos. Estes, na sua grande maioria, sentem-se superados por uma cascata de reviravoltas que modificam as regras do jogo e os deixam, no mínimo, parcialmente, impotentes. E não é por isso que deixam de reclamar, alto e em bom som, uma «modernização» e uma «adaptação» aos novos tempos.

 

Por sua vez, inúmeros cidadãos têm a impressão de que os verdadeiros senhores do mundo não são aqueles que têm as aparências do poder político e de que, praticamente, a totalidade dos Chefes de Estado está superada pelos acontecimentos e não parece estar à altura de enfrentar uma crise – aliás, muitos não chegam sequer a identificar os contornos da mesma.

 

***

 

Perante este quadro que acabámos de pintar, com a ajuda de Ignacio Ramonet, ficámos a refletir, por uns minutos, sobre tudo isto, interrogando-nos: e os presuntivos dirigentes políticos que estão na calha para, no próximo dia 1 de outubro, se apresentarem a sufrágio para conduzirem os destinos do nosso município, estarão eles (as) à altura do desafio que os momentos por que passamos exigem?

 

Há muito que vimos criticando este modelo autárquico, defendendo quais os requisitos que reputamos essenciais para que tal desiderato tenha um mínimo de sucesso.

 

Mas, no essencial, no nosso país, muito pouco muda!

 

***

 

Falemos agora dos nossos “problemas” mais caseiros.

 

Surgiu, há 4 (quatro) anos, em Chaves, um Movimento – MAI (Movimento Autárquico Independente). Confessávamos, na altura, que não gostávamos do nome. E explicávamos que quando se cria um movimento é porque, na sua génese, há algo que o impulsiona para um objetivo bem preciso. Questionando e confrontando princípios e valores que nos levam a conviver e viver na sociedade atual.

 

Reproduzamos parte do texto que, naquela altura, escrevemos:

 

Impõe-se que se questionem certas questões que consideramos pertinentes:

 

MAI, como designação, não será uma pura tautologia? Está à margem dos partidos do arco do poder autárquico que nos tem dirigido, ou é contra eles, ou, ainda, não passa de uma dissidência em relação àqueles? Sinceramente, não encontro justificação para tal nome!

É contra corrente aos partidos do arco do poder em Chaves?

É contra corrente ao pensamento autárquico dominante ou apenas se trata de uma briga, de uma dissidência?

É contra corrente às estratégias dos partidos do arco do poder flaviense, quanto aos seus processos e táticas eleitorais?

Movimenta-se contra quê ou contra quem?

Movimenta-se porquê? E em que sentido?

São mulheres e homens de ação ou reação?

Onde reside, essencialmente, a sua diferença em termos não só éticos e morais, mas também políticos?

Constituem uma nova classe emergente de políticos, diferentes, preparados e aptos para fazer face aos desafios complexos que a sociedade do futuro exige?

Importa-nos mais saber sobre estas questões do que avaliar uma despropositada e incongruente promessa eleitoral: restituir o Largo das Freiras ao seu estado «virginal»” (...).

 

No mesmo texto, logo a seguir, dizíamos:

Somos amigo de alguns membros que integram este movimento. E, obviamente, continuaremos a sê-lo. Porque, apesar de, nesta hora, não estarmos inteiramente com eles, consideramos que aquilo que os move é, apesar de tudo, a ética da autenticidade. Autenticidade entendida na ótica de Charles Taylor quando afirma que «ser verdadeiro comigo mesmo significa ser fiel à minha própria originalidade» (…) e que dá sentido à ideia de «viver a minha vida» ou de «alcançar a minha própria realização»”.

 

No respeito integral pelo outro, sem qualquer recriminação ou preconceito… Porque, como diz ainda Charles Taylor, no seu escrito «A ética da autenticidade»: “num mundo plano, em que se esbatem horizontes de sentido, o ideal da liberdade de autodeterminação passa a exercer uma atração cada vez mais forte. Parece que o fato de escolher pode conferir sentido, fazendo da vida um exercício de liberdade, mesmo quando falham todas as outras fontes de sentido.

 

A liberdade de autodeterminação é, em parte, a «solução por defeito» da cultura da autenticidade, mas é, ao mesmo tempo, a sua maldição, porque reforça o antropocentrismo [nós diríamos mais, o narcisismo, tão característico da sociedade em que hoje vivemos]. Este fato cria um círculo vicioso que nos conduz ao ponto em que o valor mais importante que nos resta é a própria escolha (…) Estas são as tensões e as fraquezas presentes na cultura da autenticidade que, juntamente com as pressões de uma sociedade atomizada, a precipitam para a derrapagem”.

 

Mais adiante Charles Taylor, na esteira de Ramonet, ataca a questão essencial dos nossos dias quando afirma: “o reenquadramento eficaz da tecnologia exige uma ação política comum para reverter o movimento gerado pelo mercado e pelo Estado democrático em direção a um atomismo e um instrumentalismo crescentes. Esta ação comum exige que ultrapassemos a fragmentação e a impotência – isto é, que enfrentemos a preocupação, que Tocqueville foi o primeiro a definir, do perigo do desvio da democracia para o poder tutelar. Ao mesmo tempo, as posições atomistas e instrumentalistas são fatores primordiais para a geração das formas de autenticidade mais degradadas e superficiais; e, deste modo, uma vida democrática vigorosa, empenhada num projeto de redefinição, também teria, neste domínio, um impacto positivo (…) Mas para participar eficazmente neste debate multiforme é preciso compreender o que há de grande na cultura da modernidade, assim como de superficial ou perigoso. Como diz Pascal acerca dos seres humanos, a modernidade é caracterizada pela grandeur assim como pela misère”.

 

Sabemos que vivemos num mundo cada vez mais complexo. Questionando-se e oscilando entre certeza e incerteza, constantemente. Num mundo com seres humanos sempre preocupados em encontrar um sentido para as suas vidas. Tendo sempre presente que nos realizamos, num território concreto, cada vez menos isolados dos demais, como pessoas, juntamente com o outro, tão diferente de nós, mas, simultaneamente, tão igual. É nesta inquietação que o ser humano se realiza dia-a-dia.

 

Sinceramente, nada tínhamos, e sequer hoje temos, contra quem enfileirou, no exercício da sua pura liberdade, por outros caminhos.

 

Contudo, cremos que a maioria desses nossos amigos se deslumbraram pelo paradigma da comunicação, fazendo dela o seu conteúdo e não um meio para veicular princípios e valores pelos quais se deveriam bater.

 

Mais - e perdoem-nos a dureza das palavras -, “venderam-se”, positivamente, ao “mercado político” que, nas suas óticas, mais parecia lhes darem proventos pessoais. Fizeram escolhas verdadeiramente narcisísticas, “traindo”, no essencial, os seus ideais e valores de vida. Não lhes interessa tanto para onde vamos como pessoas e território concreto que somos neste cantinho do Alto Tâmega e Barroso. No fundo, traíram não só os verdadeiros propósitos políticos de como sociedade nos devemos reger como os amigos com quem, embora por vias diferentes, partilhavam e comungavam valores e ideais com vista a um novo porvir.

 

E, como isso não bastasse, pior ainda, convivem agora, alegremente, com aqueles - políticos, acólitos e seus afins - que antigamente estavam do outro lado da barricada e a quem tanto diabolizavam.

 

Enfatizemos que, em democracia, e em liberdade, as escolhas são pessoais e legítimas. Mas, naturalmente, não isentas, numa sociedade democrática e aberta, do escrutínio do contraditório e da crítica.

 

Por isso, esta postura deixa-nos a liberdade de também, numa ética de autenticidade, tão fugidia como a que hoje vivemos, questionarmos o conceito de amizade e das escolhas feitas.

 

Porque há limites!

 

Será que, como acima dizíamos, na esteira de Charles Taylor, o «ser verdadeiro comigo mesmo significa ser fiel à minha própria originalidade» (…) e que dá sentido à ideia de «viver a minha vida» ou de «alcançar a minha própria realização»” é seguindo este “trilho”? Não haveria outros caminhos, que mostrassem uma outra e verdadeira originalidade, em ordem à realização pessoal?...

 

Estamos, desta feita com o que Pascal dizia quando, a propósito dos seres humanos, na modernidade por que passamos, há tanto de grandeza como de miséria!

 

O nosso conceito de amizade não vai na ótica “facebookiana”, tal como Zygmunt Bauman nos falava, de “ligar” e “desligar” quando nos dá na real gana. Falamos de verdadeiro convívio, de partilha, de preocupações comuns como seres humanos e com o nosso terrunho, de um relacionamento verdadeiramente humano, de cara a cara...

 

Pela nossa parte seremos sempre fiéis aos ideários que sempre nos nortearam, à procura constante de um melhor porvir, mesmo que, conjunturalmente, não estejamos de acordo com certos princípios e estratégias seguidas.

 

Sem o deslumbramento e o fascínio que a sociedade da comunicação e do mercado nos procuram “impingir” e que certos políticos e intelectuais da nossa praça tão facilmente ficaram seduzidos e aderiram.

 

António de Souza e Silva

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:45
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Quinta-feira, 3 de Agosto de 2017

Festival Identidades - Jardim Público, Chaves, a partir de hoje...

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A edição 2017 do Festival Identidades começa hoje, no Jardim Público em Chaves, com entrada gratuita.

 

Para o dia de hoje, quinta-feira, 3 de agosto, a partir das 21H30 estão previstas as atuações de Celina Piedade, Omiri e Trad.Attack.

 

Às 21H30 – CELINA DA PIEDADE

 

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Celina da Piedade

 

Quem já a viu em concerto, pisando palcos ao lado de Rodrigo Leão, Mayra Andrade ou Ludovico Einaudi, reconhece-lhe o imenso carisma.

CELINA DA PIEDADE tem levado o seu acordeão até aos mais diferentes contextos e agora estreia-se a solo, com um disco recheado de surpresas.

Algures entre as formas e cores tradicionais, com viagens pelas memórias das danças portuguesas e um sentir mais moderno e universalista, Celina desenha uma música cheia de alma e de personalidade, que, a 3 de agosto, vai invadir o recinto do Festival Identidades.

 

 

22h30 – OMIRI

 

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Omiri

 

Para reinventar a tradição, nada melhor que trazer para o próprio espetáculo os verdadeiros intervenientes da nossa cultura; músicos e sons de todo o país a tocar e a cantar como se fizessem parte de um mesmo universo. Não em carne e osso mas em som e imagem, com recolhas transformadas e manipuladas em tempo real, servindo de base para a composição e improvisação musical de Vasco Ribeiro Casais.

OMIRI é, acima de tudo, remix, a cultura do século XXI, ao misturar num só espectáculo práticas musicais já esquecidas, tornando-as permeáveis e acessíveis à cultura dos nossos dias, isto é, sincronizando formas e músicas da nossa tradição rural com a linguagem da cultura urbana.

O projeto de Vasco Ribeiro Casais atua hoje no Festival Identidades.

 

23h30 TRAD.ATTACK

 

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Trad Attack

 

Trad.Attack revolucionou o panorama musical da Estónia com uma nova abordagem aos sons tradicionais do país.


Os três elementos cresceram inseridos num meio musical e com uma larga experiência em música com mais de 15 anos, antes de formarem Trad.Attack!, em 2014. A banda ganhou rapidamente o reconhecimento nacional e internacional após o lançamento do seu primeiro álbum.

 

Para amanhã, também a partir das 21H30 teremos String Fling, Oquestrada, Seiva e Fanfarra Káustica.

 

 

 

Dados: Festival Identidades

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 18:07
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Madalena - Chaves - Portugal

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“Uma imagem vale mais que mil palavras”,  mas sobretudo,  esta expressão dá jeito quando o vazio nos invade e nada temos para dizer. Há dias assim. Até amanhã!

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:30
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Quarta-feira, 2 de Agosto de 2017

3ª Global Print 2017, em Chaves

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Abriram ontem ao público as exposições de gravura da 3ª Global Print, com cerca de 500 artistas de mais de 60 países de todos os continentes, apenas nesta 3ª edição, o Global Print, que é um dos maiores eventos de gravura do mundo e o 2º maior em Portugal, superado apenas pela Bienal do Douro, esta já na sua 9ª edição.

 

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A Global Print realiza-se de dois em dois anos foi e criada para alternar com a Bienal do Douro e divide-se por seis exposições, em seis localidades: Alijó, Chaves, Favaios, Foz Côa e Régua e conta com a curadoria de Nuno Canelas.

 

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A 3ª Global Print acontece durante os meses de agosto e setembro e em Chaves está , desde ontem, patente ao público no Salão Polivalente do Centro Cultural de Chaves, junto à antiga Estação da CP.

 

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Mais informações sobre a 3ª Global Print  poderão ser encontradas aqui: http://www.globalprintdouro.com/

 

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Ficam algumas imagens da exposição em Chaves.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:05
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Ocasionais

ocasionais

 

*Então, isso y aquilo diz-se?!*

 

*LÍDER DA FEDERAÇÃO DISTRITAL

do PARTIDO SOCIALISTA de VILA REAL "

ASSUME DERROTA AUTÁRQUICA"

NO CONCELHO DE CHAVES*

 

O Partido Socialista, de CHAVES, deve estar morto de vergonha!

 

Como se não bastasse a flacidez da táctica polítca local; a magricela figura dos perfis políticos dos principais candidatos à Autarquia flaviense; a enjoativa lenga-lenga de argumentação comicieira; ainda lhes calha, a esses fracassados políticos flavínios, terem nos seus dirigentes distritais autênticos «poneyzinhos-de-Tróia»!

 

Perante a deselegância (ou terá sido uma traiçoeira rasteira de um «inBejoso»?!) do traste a fazer de líder da Distrital do PS de Vila Real, os «sialistas» de CHAVES ficam mudos e calados!

 

Então, aquilo diz-se?!

 

Que falta de coragem!

 

Que gente é essa para garantir «LUTAR» por CHAVES?!

 

O grupelho «sialista» de CHAVES continua a desaproveitar oportunidades para limpar a capoeira do «pavão». E para se auto-determinar dos colonialistas da «Bila»!

 

É um grupelho tão enfezado que, como se não lhe bastasse já essa lingrinhice, tem no Rochinha da Distrital um «poneyzinho-de-Tróia»: o berdamerdas, dominado pelo complexo de habitante da «Bila», em vez de manifestar esperança, e de transmitir confiança aos militantes, simpatizantes e eleitores socialistas de CHAVES, na conquista da administração da Câmara, até o nome da cidade omite nas suas palestras eleiçoeiras!

 

E “OS de CHAVES” consentem essa canalhice!

 

E o coitado do Nuno Vaz, convencido que lá por ser um bom rapaz até pode ganhar as Eleições para a Câmara, vai sofrer uma amargura mais que azeda com a derrota de Outubro!

 

Não deixa de lhe ser bem-feita, pois tem obrigação de já saber como se deve ir para, e entrar, nessa guerra de eleições!

 

Mas, claro, como o grupelho «sialista» flavião não tem vergonha, quem vai continuar a pagá-las é o «pagode» flavínio, no geral, enquanto o «pavão», os «lalões» e «lalõezinhos» vão continuar a pipilar e a rir a bandeiras despregadas, a fazer merda por toda a «cidade» e a gozar à grande e à francesa com os tristes «sialistas», que, porque nunca mais aprendem, vão levar com o tratamento de «burros como uma porta»!

 

O PS de CHAVES está nas mãos de um grupo de tansos; de um montão de lingrinhas politiconeiros, todos convencidos que percebem de Política só por transportarem um cartãozito partidário com o seu nome chapado lá!

 

Não passam de insignificantes miniaturas na vida político-social da «cidade».

 

Convencem-se que por aparecerem duas ou três vezes «em conferência de imprensa» nos «órgãos de informação» do maior arrabalde da «Bila», de Vila Real, já impressionam e convencem os eleitores flavienses de que são bem melhores do que os medíocres que «mandam» na Câmara!

 

O núcleo central dos «sialistas» (PS) de CHAVES é constituído por um melaço de pedantes, arrumadinhos na vida, com a mentalidade do «sapateiro de Apeles», convencidos que o cartão de militante «sialista» chega e sobra para lhes iluminar «o caco» e conseguir empurrões (votos) até ao lugarzinho que lhes faz crescer água na beiça!

 

Andam por aí todos derretidos com os «vivas!», aplausos e palmadinhas nas costas muito próprias de um início de campanha eleitoral, como se essa vaidadezinha de ver o nome numa lista eleitoral e subir a um «palque» correspondesse às honras do cargo que não vão ocupar!

 

Vir, «à ultima da hora», apresentar uma pequena mancheia de gente boa, séria, ilustrada para o desempenho fácil de Presidente de Junta não chega para convencer o eleitorado a pôr a cruzinha no mesmo símbolo para a Câmara!

 

A pedantice não consente a esse grupelho entender que o nome de ofício ou de profissão   --   que pode merecer à sua figura algum brilhozinho social   -   não é de forma alguma uma garantia de vocação ou competência, quer para esse ofício ou profissão, quer para o desempenho de um cargo político!

 

Numa das suas tiradas, Nuno Vaz dizia: - “Chaves precisa urgentemente de uma nova visão de desenvolvimento que esteja centrada nas pessoas, que veja em cada um dos flavienses um ativo que pode contribuir para o desenvolvimento da nossa terra e afirmação dos nossos recursos.

 

Juntos vamos acordar Chaves e mobilizar vontades no sentido do desenvolvimento e afirmação do que somos.

 

-Centrada nas pessoas!

 

Mas que disparate!

 

Tal como outro chavão: «Mudança»!

 

Em todas as campanhas eleitorais, os painéis de propaganda e de publicidade politiqueiras, espalhados por rotundas , cantos e esquinas, e entre passadeiras  e lombas de ruas e estradas, a sublinhar a «tromba» de candidatos, aparece ad nauseam «centrada nas pessoas»!

 

Até o “TóTó de Castelões” anda por aí proclamar que  o seu «projecto assenta nas pessoas»!

 

Que rebaldaria eleiçoeira!

 

Que incapacidade e, ou, que preguiça mental!

 

Nojenta demagogia!

 

Enjoativo choradinho politiqueiro!

 

Pobreza de imaginação de argumentos!

 

Sinal da hipocrisia e do descaramento para a mentira, de gente medíocre a «fazer-se ao piso» de um bom tacho!

 

Esperava mais e melhor de um candidato não «lalão» à Câmara de CHAVES!

 

E, em outros parágrafos dircursivos, enche a boca a falar na «criação de emprego»: ‘stá-se mesmo a ver que é prometer arranjar «jobs», nos Serviços da Câmara Municipal, para os «boys» da sua «boyada»!

 

Vir salientar o candidato a presidente da Junta da Freguesia de Stª Maria Maior é mais um sintoma da pequenez política do Nuno Vaz!

 

Até parece que a cidade só tem uma Freguesia!

 

Até parece que é só com os eleitores dessa que se ganham as eleições municipais!

 

Até parece que Moreiras, Nantes, Paradela ou Lamadarcos não contam para nada!

 

As candidatas cachopas são bonitas e alindam a lista.

 

Mas as Eleições Autárquicas não são um concurso de beleza!

 

O casulo volta a ser fraco para resistir ao torneio com o galinheiro dos «pavões».

 

Tenho pena!

 

CHAVES vai continuar em plano inclinado para a sua desvalorização.

 

Mas, vendo bem, nem tenho por que me admirar: os grupelhos dos comissários concelhios flavienses, dos (vamos lá fazer-lhes inchar o papo!) dois maiores partidos de CHAVES (eh! eh! eh!) são farinha do mesmo saco   -  têm os mesmos tiques pseudo-políticos, move-os os mesmos secretos, estranhos e alheios, e íntimos interesses, e equivalem-se na qualidade.

 

O serrim de pinheiro é de melhor gabarito!

 

A polpa do Partido Socialista, de CHAVES é boa!

 

O caroço é que não presta! Está podre!

 

Oxalá que a vergonha da humilhante derrota nas Eleições Autárquicas de 2017 lhes sirva, de uma vez por todas, de emenda!

 

Para se manterem nessa triste figura é bem melhor desaparecerem:

 

 

- aproveitem a próxima cheia do Tâmega, que é para os peixes não ficarem ... com hidropisia!

 

 

M., vinte e dois de Julho de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Terça-feira, 1 de Agosto de 2017

Um olhar sobre a cidade, com algumas memórias

1600-(47214)

 

Os velhos edifícios e lugares da cidade carregam com eles muitas das nossas memórias, principalmente estes que estavam no coração da cidade, desde as Freiras no tempo em que era jardim, ponto de encontro e sala de estar. Era aí que todos nos encontrávamos sem ser necessário marcar encontro, pois era ponto obrigatório de estar, de esperas ou nem que fosse, e só, de passagem ou dizer presente. Com os velhos edifícios era o mesmo. A esquina do Lopes era um ponto estratégico, o problema era ter lá lugar, ao lado a loja de peças de automóvel e depois era o Aurora, o antigo Aurora, primeiro sala de professores do liceu e de gente queque, para passar, depois de democratizado, a ser de toda a gente, ou quase, pois houve sempre quem continuasse fiel ao seu sport, comercial ou ibéria, mas era o Aurora, de toalha nas mesas e sala de estar para longas conversas, sempre com mesas ocupadas mas onde se iam revezando os seus ocupantes sem nunca a deixar vaga. Memórias de vivências que hoje são impossíveis de serem repetidas.

 

 

 

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Chaves D'Aurora

1600-chavesdaurora

 

  1. RESSURRETO.

Sempre que sabia algo de novo, Zefa corria a contar à menina os boatos que chegavam sobre o cigano. O rapaz já não se amancebava mais com a zíngara de Valpaços. Anda­va agora a oferecer rosas de pano a todas as raparigas de sua gente. Cada dia um lenço diferente, que ele em rosa transfor­mava. Cada dia uma nova ciganinha que, se agora dançava de alegria pelos amores do cínico aldrabão, logo acabaria por lhe prantear o desamor.

 

A isso tudo, porém, Aurora fingia dar de ombros, em um gracioso nem te ligo – amores poucos, ouvidos moucos! – e pedia que não lhe falassem mais sobre aquele tipo, já bem pra lá de esquecido. Se o visse passar pelo Raio X, quando ela fosse à janela, havia de se portar como se o gajo tivesse abraçado a Maldita e estivesse agora a usar o fato de domin­gueira, aquele com que são enterrados os que foram ungi­dos in extremis. Ainda que o encontrasse pertinho de si, era como se Hernando fosse uma caveira assombrada, algum fruto de alucinação nos cochilos após o almoço, que a ela sobreviesse por ter sabido bem (bem além da conta) uma caçarola de feijoada trasmontana ou uma generosa chanfana de porco.

 

Era como se ele fosse, enfim, alguém a quem pudessem resistir, de Aurita, as vozes da mente e os olhos do coração.

 

 

  1. PAZ EM FESTA.

Em novembro de 1919, Chaves estava em festa. Aquilo que a Pneumónica não deixara os flavienses comemorar ao seu devido tempo, agora estava a se cumprir. Festejava-se o primeiro aniversário do término da chamada Grande Guerra.

 

Como por ocasião do bendito armistício, todos estavam a correr às ruas. No Forte de São Francisco, os soldados abri­ram as portas ao povoléu e já lá estavam os vendedores de vinho com suas pipas, enquanto outros acendiam fogueiras para assar castanhas. Estavam também a chegar uns ranchos de aldeias do Barrosão, com suas gaitas, harmónios e guitar­ras. Lojas anunciavam a venda de balões do tipo veneziano ou à moda do Minho, laços de fitas com as cores da bandeira portuguesa, bandeirolas e que tais.

 

A uma das paredes da Torre de Menagem, permanece até hoje uma lápide com os nomes dos flavienses mortos em combate n’ África ou em solo francês. Àquele dia festivo, no espaço em volta da Torre, entre os canhões e as mura­lhas que a cercam e onde, hoje, há belos e bem cuidados jardins, alguns integrantes da Infantaria 19, juntamente com familiares e amigos dos mortos, punham-se a homenagear os heróis.

 

 

castelo-raim-alberto.JPG

 

Torre de Menagem. Chaves (PT). Foto de Raimundo Alberto (2010).

 

Seus nomes, caprichosamente desenhados sobre uma fo­lha de pergaminho, com tinta dourada e caligrafia cursiva, eram lidos em alta e comovida voz. A cada nome pronuncia­do, os presentes oravam: – Primeiro Cabo José Gomes – Os anjos levem sua alma até à glória nos céus! Na santa paz do Senhor! Amém! – Segundo Cabo José Pereira – Os anjos levem sua alma até à glória nos céus… – Soldados José e António Exposto – Os Anjos levem sua alma…

 

No Jardim Público, na Madalena, no Arrabalde, no Tabo­lado, para já se viam as vendedeiras a improvisar barracas, onde ofereciam rissóis, milho cozido, bolos de bacalhau e do que mais houvesse para o bem comer. Outras vendiam sumos de laranja, feitos de pronto. Outras mais, ofereciam bebidas novas, industrializadas.

 

Anunciava-se no jornal que a Banda da Infantaria 19 iria tocar no Jardim Público, ao entardecer, um repertório espe­cial: “Marcha Portuguesa”, de Soller; “Os Murmúrios do Mondego”, de A. Souvinet; “Un jour de fête”, Ouverture, de Scweinsberg; “Un ballo in maschera”, de Verdi; “La Divina Comedia – Il Inferno”, de S.Fiorenzo; “Las Bribo­nas”, zarzuela de R. Callega; “Danse des Bachantes”, de Gounod; “Peer Gynt – Suite 1”, de Grieg; e mais algumas marchas e valsas.

 

Na Praça Camões, parentes e aderentes, amigos e conhe­cidos, davam-se abraços e se punham a comentar a terrível crise económica que se abatera sobre Portugal e quase toda a Europa, após findar a terrível guerra.

 

fim-de-post

 

 

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Segunda-feira, 31 de Julho de 2017

Quem conta um ponto...

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353 - Pérolas e diamantes: O fuso da Branca de Neve

 

Não é fácil crescer pobre, pois é-se impregnado de uma característica aguda que os homens letrados denominam como prudência. Aprende-se que o altruísmo não passa de um ramo de flores ornamentais. O que importa é lavrar o terreno que sobra para criar os alimentos. É como se a sensatez fosse uma desordem excecional.

 

A pobreza moderna é como um pai inflexível: castiga com os olhos.

 

Por vezes encontra-se um trevo de quatro folhas e pensamos que nos foi enviado para dar sorte. O meu perdi-o antes de chegar a casa.

 

Os passeios pelo campo e os amanhãs que cantam (cantavam?) são boas imagens para a escrita.

 

As coisas imaginárias são belas, mas têm um problema: dissipam-se porque são sonhos.

 

Por vezes confundimos tudo. Podemos até confundir as ideias, mas nunca devemos confundir os ideais. 

 

Winston Churchill bem nos avisou que há pessoas que mudam de ideias para não mudarem de partido e há pessoas, como foi o seu caso, que mudaram de partido para não mudarem de ideias.

 

Por isso se costuma confundir experiência social e política com o que afinal não passa de passes de prestidigitação.

 

Claro que os homens que nunca mudam de partido, e mudam frequentemente de ideias, afirmam, sem pestanejar, que são gente de verdade, gente responsável, de bom senso e coerente.

 

Um meu amigo, sempre que lhe lembram que vivemos num sistema democrático, responde sem vacilar: “Em política, só é preciso mentir com convicção.”

 

Desde pequeno que me quiseram fazer acreditar em anjos. E mesmo amá-los. Estou em crer que desiludi quem tanto persistiu na fantasia. A mim, o que me fascina, são os homens e as mulheres que são capazes de levantar voo.

 

Pensa-se que o mérito é um mistério. As grandes novidades da humanidade aparecem sempre sugeridas pelas falhas do que se denomina por progresso. Mas as palavras não conseguem amortecer as quedas. Por incrível que pareça, a humanidade continua envolta num jogo de extermínio.

 

Eu sofro da doença da dúvida. Outros preferem forçar o real para que se ajuste às suas conceções. Feitios. A cada um a sua mania.

 

Afinal, a salvação é o estado mais alto da poesia. Alguns, no entanto, confundem impotência com amor e escrevem poemas de adultos como se fossem crianças. A cobardia afasta-nos (afasta-os?) da dimensão da verdade. A mediocridade é uma erva daninha que se disseminou como os cravos vermelhos na alvorada tosca de Abril.

 

A minha mãe ensinou-me que não devemos fazer aos outros o que não queremos que nos façam a nós. Isto também é válido para os outros. Esses outros que se pensam uns. Esses outros que são presas fáceis do ciúme, da inveja e da má-língua. Foram ensinados ao som da sinfonia da desordem, do caos e da conspiração. E da hipocrisia.

 

Deixaram-se apanhar pela doença da intimidação. Pensam que nela adquirem o grande poder da linguagem. Mas são apenas gagos falando num comício de surdos.

 

De facto, as suas antevisões de um futuro risonho, do qual se dizem profetas e obreiros, apenas correspondem a um imaginário de criança.

 

Conspiraram para impossibilitarem o triunfo do líder dos seus porque eram os segundos na fila da sucessão. Giram estonteados em volta de si mesmos. São como os cães que perseguem a própria cauda.

 

Costumam interpretar, porque lhes interessa, o trabalho persistente e a independência de espírito como arrogância. Pensam sempre em frente do espelho. Espelho meu, espelho meu, haverá líder mais bonito do que eu?

 

Parecem a Alice no país da intriga. Vivem o fenómeno político e social como sonâmbulos das boas causas e dos melhores efeitos. O diploma que exibem como válido corresponde apenas ao curso partidário das universidades de verão que angariaram tendo em vista iludirem os incautos.

 

Sofrem da síndrome da Branca de Neve, dormem durante quatro anos decididos a acordarem ao fim desse período de tempo, e até dispostos a acordarem o povo, sem se darem conta de que quem dorme são eles mesmos. O povo já lá vai à frente. O povo levanta-se sempre cedo para ir trabalhar. Além disso, ninguém consegue ser ao mesmo tempo a bela dormente e o príncipe encantando. Nem nas histórias infantis.

 

Nesta história de sonâmbulos o beijo é mesmo o do Judas.

 

Gosto de os ver andar nos carrocéis do poder. Sempre às voltas, sentados no cavalinho de pau, imaginando-se os napoleões das suas tribos.

 

Sim, acho que merecem alguma coisa, que o povo lhes ofereça um pauzinho com algodão doce e os presenteie com uma nova ficha para poderem continuar a rodopiar em vão, agora montados na girafinha de plástico ou num pónei amarrado a um poste. 

 

A hipocrisia deve ser recompensada.

 

João Madureira

 

 

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