Sexta-feira, 8 de Dezembro de 2017

Vivências

vivenvias

 

Quando é que estamos connosco?

 

Há uns 3 ou 4 anos, numa ação de formação na área do coaching, em Lisboa, a formadora dizia-nos que era importantíssimo encontrarmos no meio da agitação do dia-a-dia um tempo para estarmos connosco próprios. Mais ainda, ela afirmava que devíamos mesmo marcar esse tempo na nossa agenda, tal como fazemos para qualquer outro compromisso da nossa vida social ou profissional…

 

A vida agitada que a sociedade moderna nos impõe obriga-nos constantemente a estar com determinadas pessoas, em determinado local e a uma determinada hora. Às 8h15 temos de estar no infantário para deixar o nosso filho mais novo; às 8h30 temos de estar na escola a tempo do início das aulas do nosso filho mais velho; às 9h00 temos de estar no trabalho… e assim por diante, até ao final do dia, sempre orientados por horas, locais e pessoas que preenchem todo o nosso tempo. E este ritmo repete-se, com algumas (poucas) variações, dia após dia… Então, surge realmente a questão: “Quando é que estamos connosco?”.

 

Como seres sociais que somos, a nossa vida organiza-se, inevitavelmente, em função da vida de outras pessoas, em função de horários e de regras. Mas precisamos também de um tempo só para nós. Precisamos de estar apenas connosco, com os nossos pensamentos, com os nossos silêncios. Precisamos de tempo para parar, para olhar para dentro, para avaliar serenamente o passado e projetar entusiasticamente o futuro. Precisamos de tempo para recuperar forças para continuar a nossa luta. Mas, como encontrar esse tempo quando tudo à nossa volta parece chamar-nos constantemente para alguma coisa: as pessoas, o telemóvel, o e-mail, o Facebook… Sendo extremamente difícil, admito que, no limite, a única forma de conseguir esse tempo é mesmo marcá-lo na nossa agenda, seja ela em papel, no smartphone ou apenas mental. E, assim, quando alguém nos perguntar se no próximo sábado à tarde temos algum compromisso, diremos: “Por acaso não tenho nada marcado, mas preciso de estar comigo…”

 

Luís dos Anjos

 

 

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Quinta-feira, 7 de Dezembro de 2017

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

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Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2017

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:15
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Nós, os homens

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XI

 

O ser humano é versátil e inverosímil, se calhar quanto mais a primeira, tanto mais a segunda! Se esta história se tivesse passado com um amigo meu, mesmo de infância e íntimo, eu achava que ele me estava a contar isso mesmo: uma história, mas passou-se comigo. Só a posso escrever porque se a contar a alguém, as pessoas vão pensar que eu estou a contar uma história e não é disso que se trata.

 

A gaja não batia com o baralho todo, embora eu nunca percebesse qual era a carta que lhe faltava, decididamente o Ás de copas não estava lá, mas havia muitas outras.

Na primeira noite que passámos juntos avisou-me, antes de adormecer, que no dia seguinte tínhamos de acordar cedo, 8h30, porque tinha um jogo de badminton. Concordei, achando que aquilo era uma brincadeira porque a menina era divertida que chegasse para dizer coisas deste tipo.

 

No dia seguinte acordo com o despertador, por estúpida coincidência, à hora exacta que ela me tinha avisado. A menina salta da cama para a banheira sem hesitação e eu percebo então que, afinal, era a sério. Tentando não fazer um drama e aproveitar o bom das coisas más, comecei a pensar que roupinha ela iria vestir! Se uns calções brancos ou aquelas sainhas às pregas, lisas à frente e de trespasse, muito curtas em que se vêem as cuecas quando apanham as penas. Depois pensei se vestiria collants transparentes ou meias até aos joelhos e excluí rapidamente as duas hipóteses pensando que o estilo dela se encaixava muito mais nos soquetes com uma ou duas riscas cor-de-rosa. Depois pensei no cabelo. Será que leva totós ou vai meter uma faixa de feltro elástica na testa como os jogadores profissionais?

 

- Ainda aí estás? Despacha-te, não posso chegar atrasada, o meu parceiro não joga sem eu chegar!

Que cabeça a minha! Nisto dos desportos a dois, não se pode nem faltar nem chegar atrasado porque a prática de um depende da presença do outro. Havia de me explicar isto um dia, muito mais tarde, quando eu tive o atrevimento de lhe dizer que, uma vez por outra, se calhar, podia faltar para estar mais tempo comigo. Como é que eu lhe podia pedir uma coisa destas! Eram práticas muito antigas, faziam parte da sua vida!

 

Ela tinha uma capacidade inédita de me dizer de mil e uma formas que eu não fazia parte da sua vida, que a nossa relação não era uma prática a dois e por isso podia-se faltar e chegar atrasado, sempre.

Por exemplo, um café depois do almoço era com frequência sinónimo de tomado às 6h da tarde e eu tinha de a receber com um sorriso nos lábios, não pude vir antes ou atrasei-me um bocado, era só o que dizia. Claro que pedia desculpa baixinho, num timbre quase imperceptível.

Eu aguentava aquilo tudo num exercício de testar os meus limites ou o quanto gostava dela, ou as duas coisas.

Quando se chega a este ponto, está-se completamente perdido! Eu estava assim, sabia e não mudava nada para ser diferente. Sabia que se mudasse uma vírgula, a perdia para sempre e eu isso não suportava sequer pensar quanto mais arriscar.

Acabei por me levantar da cama e não assistir ao ritual de a ver vestir porque não havia tempo, era domingo de manhã e ela não se queria atrasar

Dirigiu-se então à cozinha para tomar o pequeno-almoço, leve por causa do jogo, chá e torradinhas com pouca manteiga ou bolachas, não me lembro bem. Sentou-se calmamente, como se tivesse acordado de uma noite perfeitamente normal e fosse para o trabalho, um dever a que não podia faltar. É claro que educadamente me perguntou o que é que eu queria tomar: nada, obrigado.

 

Aquela negação funcionou para mim como a defesa da honra, nunca saberei explicar isto, mas naquele momento se me tivesse sentado à mesa com ela a tomar o pequeno-almoço era o mesmo que ter aceitado uma nota pelos serviços prestados. Fiquei ali sentado a olhar para ela, surpreendido com a agilidade daquela rotina. Nenhuma referência à noite que tínhamos acabado de passar juntos e que, pelo menos comigo, era a primeira vez que ela tinha dormido.

 

Enquanto ela se alimentava com aqueles vulgares nutrientes, a mim só me vinha à cabeça o exacto momento em que o meu corpo foi projectado para fora do sistema solar, em que senti visceralmente o perder da gravidade, o sair da órbita, no preciso instante em que o meu corpo deslizou no dela e a palavra fi-nal-men-te, entrecortada, era deglutida e saboreada e deixei completamente de sentir o meu corpo para só sentir o dela, numa comunhão de corpo, o dela, e alma, a minha.

E quando instantes depois não resisti e quis partilhar com ela este momento, a meio do êxtase com que estava na descrição, ainda no recobro das forças, ela interrompeu-me dizendo, com um ar condescendente:

- Pronto, está bem.

Como quem diz, poupa-me os detalhes! E eu calei-me e fiquei a sentir sozinho o que podia ter sido a dois, mas se ela não queria saber, que direito era o meu de lho impor?

 

As pessoas têm sempre uma razão oculta para fazerem o que fazem e era este o princípio que me regia para eu ultrapassar tudo e não lhe levar nada a mal, pelo menos enquanto isso me fosse suportável.

Quando se gosta muito, adia-se isso ao limite, embora ele chegue inevitavelmente. Fica por saber se quanto mais tarde melhor ou pior. Isso, nunca havemos de o saber, não temos termo de comparação ou referência para isso, é simplesmente a nossa vida.

 

Depois do pequeno-almoço ofereceu-se para me dar boleia, uma vez que a minha casa ficava a caminho do complexo desportivo para onde ela se ia dirigir. Aceitei. Quando cheguei a casa enfiei-me na cama e dormi aquilo a que se chama o sono dos justos. Nunca percebi muito bem este conceito, mas acho que é aquilo a que se chama quando um gajo depois de uma noite mal dormida se enfia na cama enquanto a namorada vai jogar badminton!

Namorada é uma forma de dizer! Eu pertenço àquela cambada de otários que quando andam com uma gaja com quem têm uma relação mais íntima pensam que a podem chamar assim.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        

Cristina Pizarro

 

 

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Terça-feira, 5 de Dezembro de 2017

Chaves D'Aurora

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  1. PRETENSORA.

 

Aldenora valeu-se do pretexto de ir até ao irmão, a perguntar de que riam tanto e nem ao menos se deu conta de sua tamanha ousadia. Estava a sair do grupo de raparigas e a se fazer intrusa no restrito e tradicional espaço masculino. Tal ato, certamente, poderia causar maledicências às suas costas ou, até mesmo, redundar-lhe em um baixo conceito social. O estratagema deu certo, no entanto. Afonso apresentou a irmã a António Sidónio e os pombinhos logo se viram a sós. Após um pequeno iceberg de titânico silêncio, os barcos de cada um singraram as águas aquecidas pelo mútuo encanto e, de imediato, puseram-se os jovens a palestrar, com as bocas e as palavras soltas, a deixarem fluir o que, antes, a timidez dos olhos apenas esboçara.

 

Enquanto alguns miúdos, como inoportunas osgas ou lagartixas, passavam aos corre-corres por entre o jovem e a bela rapariga, antes que seus papás respetivos lhes aplicassem uns generosos cascudos para se aquietarem, Nonô punha-se a trocar com Sidónio algumas ideias de interesse mútuo. Os breves instantes (assim diria o rapaz a Afonso, mais tarde) foram suficientes para lhe revelar que a menina era dotada de um admirável lustre intelectual. Esse era um dote incomensurável, mais raro do que a simples beleza, pois, ao contrário desta, não era fácil encontrar amiúde, entre as arcas de enxoval das jovens flavienses, um mínimo de erudição.

 

Ao contrário de Aurora, com sua paixão e sensibilidade à flor da pele ou, conforme já mencionamos, a sentir pela cabeça e a pensar com o coração; diversa de Aurélia, que não queria crescer nunca, feito um Peter Pan de saias; e posto que Arminda ainda estivesse a se pôr, para que dela já se pudesse analisar o jeito de ser; Aldenora era de uma personalidade forte e determinada, especialmente nos modos de controlar suas ações e emoções e de conciliar pejos com desejos. Quando percebeu que já estava a conversar mais tempo do que devia com o jovem Sidónio, pediu licença e voltou ao sítio das meninas. Não tivesse o rapaz um mau juízo dela, menos ainda se ele a comparasse a essas estrangeiras do novo século, a que tanto o Papá costumava aludir, após a ceia.

 

Era sobre isso, a uma outra roda formada por respeitáveis cidadãos de Chaves, que João Reis estava a comentar, naquele exato momento, com base no que estivera a folhear em um jornal do Porto. Exaltava-se – O que estão a querer, por certo, essas raparigas libertinas a fumarem, beberem e de tudo falarem às escâncaras, como os homens? Alcançar que elas venham a ser iguais a nós, ou, o que seria uma tontice bem pior... superiores?! – ao que outro convidado concordava – Uma imoralidade!!! – e outro mais suspirava – É, desses modos e feitios, para onde vai este mundo?! – uma vez que se fazia questão, ora pois, de se preservarem na Vila as boas tradições e os bons costumes.

 

Eram, certamente, posições avessas aos ares de liberação desses anos 20, quando se iniciavam tantos avanços femininos que, por algumas mulheres carismáticas, em suas reflexões sobre a vida e o modus vivendis, seriam defendidos em várias partes da Terra. Com o seu livre pensar e agir liberto, algumas se tornariam famosas nessa década, como Dorothy Parker, Anaïs Nin, Zelda Fitzgerald, as brasileiras Pagu e Chiquinha Gonzaga, a mexicana Frida Kahlo e, entre as portuguesas, a alentejana Florbela Espanca. Decerto que, a seguirem os passos de tais pioneiras, tais ventos libertários estariam ainda muito longe de arejar por aquelas paragens trasmontanas.

 

Ao resto da noite, não deixaram Aldenora e Sidónio de se entrecruzarem as pupilas e, com elas, exibirem um brilho especial de encantamento. Recíproco, pois. Quando, à hora de se fazer um brinde ao aniversariante, os dois ficaram lado a lado, por alguns instantes, com suas mãos a se roçarem levemente, ele murmurou – A que missa vais, aos domingos? – Sem lhe ver a face, ela sussurrou – À do meio-dia, na Santa Maria Maior.

 

 

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Igreja de Santa Maria Maior. Postal público. Autor desconhecido.

 

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Sábado, 2 de Dezembro de 2017

Fernandinho - Chaves - Portugal

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Nem que fosse e só pelas vistas que se alcançam desde Fernandinho, a nossa aldeia de hoje, já valia de pretexto para uma visita, mas Fernandinho não são só vistas, pois outros interesses detém na sua intimidade.

 

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Com um curioso topónimo, é uma aldeia pequena, mas que tem tudo para ser uma das nossas aldeias tipicamente transmontana.

 

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Curiosamente só pela terceira vez que fomos por lá é que a conseguimos descobrir em toda a sua essência, pois nas anteriores visitas, faltou-nos sempre o fator humano, fator sem o qual uma aldeia nunca fica completa, pois elas são feitas à imagem dos seus filhos. Pena, tal como a grande maioria das nossas aldeias, sofrer dessa maleita chamada despovoamento e envelhecimento da população.

 

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Mas ainda há resistentes e quem lhes dê corda aos seus relógios, onde a terrinha (a nossa terrinha) é um  prolongamento do nosso lar, é lá onde estão as nossas ruas, as portas onde se bate para dar ou receber tudo que é necessário quando há necessidade de… nem que seja só a necessidade de ouvir ou ter de dar uma palavra amiga, como quem diz presente.

 

 

 

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Festival Galego Outono Fotográfico em Chaves

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Inaugura hoje a terceira exposição, na cidade de Chaves, do Festival Galego de Fotografia -  Outono Fotográfico. A Edição deste ano em Chaves contou com os fotógrafos flavienses Humberto Ferreira no mês de outubro, António de Souza e Silva no mês de novembro e inaugura hoje a de Fernando DC Ribeiro, que estará patente ao público todo o mês de dezembro e extra Outono Fotográfico durante o mês de janeiro de 2018, na Galeria da Adega do Faustino, uma das galerias que nos últimos anos tem estado associada a este festival galego.

 

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A temática do Outono Fotográfico deste ano é: descrenza/disbelief /descrença – e é dentro deste temática que Fernando DC Ribeiro apresenta a exposição intitulada “Resistentes”, abordando em geral a ruralidade, envelhecimento e despovoamento da nossa região.

 

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Resistentes

Perdem-se na névoa dos dias, a mesma que lhes humedece o olhos e turva o olhar. Sabem que são os resistentes, os últimos. Saudades já não têm, perderam-nas em esperas inúteis, vestem de escuro, de preto, é nele que conjugam as juras eternas, nunca cantaram o fado, o triste fado,  mas de terem andado abraçados a ele toda uma vida, conhecem-no tão bem como a palma das suas mãos e há muito sabem que quem se perde no nevoeiro, jamais regressará. Restam-lhes as horas de um relógio com ponteiros que teimam após cada volta dar outra volta, mas sabem que um dia, quando não tiverem quem lhes dê corda, os ponteiros pararão.

 

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O OUTONO FOTOGRÁFICO é um festival galego de fotografia, o decano da península ibérica, que atinge este ano de 2017 a sua 35ª edição e celebra-se nos meses de outubro, novembro e dezembro, em várias cidades galegas e portuguesas do Norte de Portugal, entre as quais a cidade de Chaves, na galeria da Adega do Faustino. Este ano o festival é subordinado ao tema descrenza/disbelief /descrença. «Entre o val e a crista da vaga vivimos: dende a crista avistamos apenas horizontes ou «aforas» imprecisas, e de volta ao val, coa memoria e os sentimentos armamos «adentros» e identidades cos que afrontar de novo o ascenso á crista. O documentar e inventar sobre o «fóra» e o «dentro», sucédense na história da fotografía de vaga en vagas nun entramado fecundo autointerferido proteico. Documentar e inventar: entre a acción de Francesc Boix, fotógrafo que cos negativos expropiados en Mauthausen e a súa testemuña en Nürnberg combateu o terror nazi, e as docufábulas de Jeff Wall ou Cindy Sherman cohabitan multitude de formalizacións fotográficas comprometidas coa contemporaneidade humanista, mais o terreo no que operar é infindo: para alterar o método, aventurarse na refutación do evidente e descrer a evidencia; dilucidar e raer os camiños da reflexión que nos reconecten co medio natural e o ser humano, que conduzan neste a respectar a complexidade magnífica da sua «diversidade» identitaria e naquel a rescatar o seu carácter radical de «ser vivo» e descrer así os modelos decretados, descrer para avanzar. Característica esencial da evolución, da ética e do coñecemento: a descrenza. Eis o tema da XXXV edición do OF.»

 

P.S.

Só me resta mesmo agradecer ao Humberto Ferreira a montagem desta exposição, sem a ajuda do qual, a mesma, não seria possível.

 

 

 

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Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2017

Discursos Sobre a Cidade

SOUZA

 

NOVAS POSTURAS E MENTALIDADES AUTÁRQUICAS PRECISAM-SE!

 

No nosso último Discurso, nesta rubrica, falando a propósito das ideias e princípios básicos que devem presidir aos processos políticos, a certa altura, dizíamos que uma das ideias prendia-se com o facto de que a “era” dos políticos e líderes providenciais tinha acabado e que a política e o desenvolvimento das sociedades, e seus respetivos territórios, não se fazia unicamente com personalidades individuais, por muito sábias ou carismáticas que fossem. Assenta nas instituições que se têm e na sua renovação.

 

Num outro Discurso, publicado o ano passado, também nesta rubrica, sob o título «Desenvolvimento do Alto Tâmega – As nossas Interrogações», a propósito dos pilares onde assenta o desenvolvimento local (territorial), apresentávamos o esquema que aqui, mais uma vez, recolocamos:

 

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Fonte: Bramanti; (Retirado de Cerqueira)

Os processos de desenvolvimento territorial - Da base ao ponto de chegada

 

Não vamos falar dos quatro pilares em que assenta o desenvolvimento territorial; nem tão pouco nos dois eixos em que os mesmos se devem articular, aliás de importância fundamental para qualquer processo de desenvolvimento e, consequentemente, para a consecução e sucesso dos territórios e regiões ganhadoras, no plano do desenvolvimento.

 

Concentremo-nos hoje essencialmente naquilo que o autor do esquema chama de Densidade Institucional, a base essencial em que os quatro pilares assentam, falando particularmente na sua articulação com o conceito de governância (ou governança).

 

O conceito de governança surgiu a partir das reflexões conduzidas principalmente pelo Banco Mundial. “tendo em vista aprofundar o conhecimento das condições que garantem um Estado eficiente”.  A capacidade governativa não seria avaliada apenas pelos resultados das políticas, mas também pela forma como o poder é exercido.

 

Com base neste conceito de governança, duas questões merecem aqui destaque. A primeira, é a ideia de que uma boa governança é um requisito fundamental para um desenvolvimento sustentado, que incorpora não só crescimento económico como também equidade social e direitos humanos; a segunda, tem a ver com a questão dos procedimentos e práticas de «governo» na prossecução das suas metas, adquirindo aqui relevância aspetos como o formato institucional do processo decisório, a articulação público-privado na formulação de políticas ou, ainda, a abertura maior ou menor para a participação de todos os setores da sociedade.

 

O município de Chaves está integrado nas NUTS III – Alto Tâmega – um acrónimo de “Nomenclatura das Unidades Territoriais para fins estatísticos, sistema hierárquico de divisão do território em regiões”.

 

Com base nesta divisão estatística, e neste sistema hierárquico de divisão do território, para efeitos de desenvolvimento do Alto Tâmega (e Barroso), apesar de até já haver uma Associação de Municípios do Alto Tâmega (AMAT), canalizando melhor os diferentes fundos, particularmente os Comunitários, como alias por todo o país aconteceu, até se criou uma outra estrutura – no caso vertente para o Alto Tâmega – a Comunidade Intermunicipal (CIM).

 

A CIM do Alto Tâmega até mandou elaborar uma «Estratégia Integrada de Desenvolvimento Territorial – Alto Tâmega».

 

Consultámos o website da CIM – Alto Tâmega.

 

Dos seus órgãos, constam:

  • Assembleia Intermunicipal. De 2013 a 2017, apenas existe uma ata – a da Eleição da Mesa;
  • Conselho Intermunicipal, a mesma coisa;
  • Secretariado Executivo, liderado por um ex-Presidente de Câmara, começou a sua atividade em 2014. Desde 2014 até à presente data, este Secretariado Executivo efetuou 93 reuniões. Numa visão muito sumária destas 93 reuniões, outra coisa não se fala senão em “Pontos da situação”; “Criação de Website”; “Logotipo”; “Preparação de Informações a prestar”; “Assuntos de Interesse”; “Planos de Atividade e Orçamento”…

Conselho Estratégico para o Desenvolvimento Intermunicipal do Alto Tâmega. Tratando-se de um órgão consultivo, eis o conjunto das entidades que o compõem:

  • ACISAT
  • ADRAT
  • AECORGO
  • AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE RIBEIRA DE PENA
  • AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE VALPAÇOS
  • AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE VILA POUCA DE AGUIAR
  • AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. ANTÓNIO GRANJO
  • AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. BENTO DA CRUZ
  • AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. JÚLIO MARTINS
  • AGRUPAMENTO DE ESCOLAS FERNÃO DE MAGALHÃES
  • AGRUPAMENTO DE ESCOLAS GOMES MONTEIRO
  • AGRUPAMENTOS DE CENTROS DE SAÚDE DO ALTO TÂMEGA E BARROSO
  • ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE BOTICAS
  • ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE CHAVES
  • ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE MONTALEGRE
  • ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE RIBEIRA DE PENA
  • ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE VALPAÇOS
  • ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE VILA POUCA DE AGUIAR
  • AUTORIDADE NACIONAL DE PROTEÇÃO CIVIL- CDOS – VILA REAL
  • CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS
  • CÂMARA MUNICIPAL DE CHAVES
  • CAMARA MUNICIPAL DE MONTALEGRE
  • CÂMARA MUNICIPAL DE RIBEIRA DE PENA
  • CÂMARA MUNICIPAL DE VALPAÇOS
  • CÂMARA MUNICIPAL DE VILA POUCA DE AGUIAR
  • CAPOLIB
  • CENTRO DE EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO ALTO TÂMEGA
  • CENTRO DISTRITAL DE SOLIDARIEDADE E SEGURANÇA SOCIAL DE VILA REAL
  • COMISSÃO DE COORDENAÇÃO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO NORTE
  • COOPBARROSO
  • COOPERATIVA AGRICOLA DE VILA POUCA DE AGUIAR
  • DESTACAMENTO TERRITORIAL DE CHAVES DA GNR
  • DIREÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA E PESCAS DO NORTE
  • DIREÇÃO REGIONAL DE CULTURA DO NORTE
  • ESCOLA PROFISSIONAL DE CHAVES
  • ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DR. JOSÉ TIMÓTEO MONTALVÃO
  • GRUPO UNICER
  • INSTITUTO POLITÉCNICO DE BRAGANÇA
  • IPSS -SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE VILA POUCA DE AGUIAR
  • MAIS BOTICAS- ASSOCIAÇÃO EMPRESARIAL BOTIQUENSE
  • PSP DIVISÃO POLICIAL DE CHAVES
  • REGIMENTO DE INFANTARIA Nº 19
  • REPRESENTANTE DO SECTOR ECONÓMICO DO MUNICÍPIO DE CHAVES
  • REPRESENTANTE DO SECTOR ECONÓMICO DO MUNICÍPIO DE MONTALEGRE
  • REPRESENTANTE DO SECTOR ECONÓMICO DO MUNICÍPIO DE RIBEIRA DE PENA
  • REPRESENTANTE DO SECTOR ECONÓMICO DO MUNICÍPIO DE VALPAÇOS
  • REPRESENTANTE DO SECTOR SOCIAL DO MUNICÍPIO DE CHAVES
  • REPRESENTANTE DO SECTOR SOCIAL DO MUNICÍPIO DE MONTALEGRE
  • REPRESENTANTE DO SECTOR SOCIAL DO MUNICÍPIO DE RIBEIRA DE PENA
  • REPRESENTANTE DO SECTOR SOCIAL DO MUNICÍPIO DE VALPAÇOS
  • SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE BOTICAS
  • SOLVERDE
  • TURISMO DO PORTO E NORTE DE PORTUGAL
  • UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO.

Este Conselho nunca reuniu, que se saiba.

 

Se a «Estratégia Integrada de Desenvolvimento Territorial – Alto Tâmega» era um Documento fundamental sobre o qual os diferentes órgãos da CIM - AT se deveriam preocupar e debruçar, consultando o seu website, e analisando as atas dos diferentes órgãos, como demos conta, só nos apetece exclamar: Uma Vergonha!

 

O que foi feito das diferentes propostas e ações do dito Documento «Estratégia Integrada»?

 

Que estratégia de comunicação a CIM – AT tem para com todas as instituições e munícipes do Alto Tâmega (e Barroso)?

 

Não brinquem connosco!!!

 

Onde é que pára um dos “slogans” da ACISAT, consubstanciado numa das suas ações/palestras - «Pouca gente, muita terra, grandes projetos»?

 

Como se pode atrair investimentos se o maior recurso/investimento, que são as gentes do Alto Tâmega e Barroso, estão arredadas não apenas do processo decisório como fundamentalmente daquilo que se passa (e do que se pretende) para e no Alto Tâmega e Barroso?

 

Num outro Discurso nosso, sob a designação «Onde pára a Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega (e Barroso)», observávamos que o Documento «Estratégia Integrada» apontava para a abordagem de uma estratégia integrada de desenvolvimento que privilegiava um processo abrangente e participado, envolvendo ativamente os atores do território, procurando um impacto positivo na região.

 

Tudo não passou de palavras. Que ficaram mortas nas folhas do Documento «Estratégia Integrada».

 

Por estas paragens, a “estratégia” parece-nos ser outra.

 

Para que aquelas palavras fossem arrancadas aquele Documento e tivessem vida, era necessária uma nova postura, de profundo e profícuo diálogo entre as diferentes instituições que atuam no território do Alto Tâmega (e Barroso). Batendo muita “pedra”, concitando o diálogo, chegando a acordos.

 

Que é o mesmo que dizer que a estratégia de desenvolvimento para o Alto Tâmega e Barroso não só depende da capacidade dos atores, mas fundamentalmente das instituições das quais eles são simples representantes, em ordem a uma efetiva participação nas tarefas do desenvolvimento territorial. A isto se chama Densidade Institucional.

 

O que no Alto Tâmega e Barroso presenciamos no passado, fundamentalmente dos seus atores principais na estratégia de desenvolvimento integrado, tendo em conta cada município, não é outra coisa senão comportamentos autocentrados, como se hoje em dia fosse possível viver numa verdadeira autarcia, que, infelizmente, o nosso sistema político-eleitoral propicia!

 

Senhores repetentes Alberto Machado, Amílcar Almeida, Fernando Queiroga, Orlando Alves, e recém-chegados, Nuno Vaz e João Noronha, respetivamente Presidentes de Câmara dos Municípios de Vila Pouca de Aguiar, Valpaços, Boticas, Montalegre, Chaves e Ribeira de Pena, - principais responsáveis pelo motor do desenvolvimento local, que são as vossas instituições -, se continuarmos com esta postura institucional, o Alto Tâmega e Barroso, e concretamente o nosso Município de Chaves, não vai a lado nenhum!

 

Não é só de novas caras que o Alto Tâmega e Barroso precisa é, essencialmente, de outras e novas mentalidades.

 

Se não as renovarmos não chegaremos a lado nenhum!...

António de Souza e Silva

 

 

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Quarta-feira, 29 de Novembro de 2017

Nós, os homens

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X

 

As melhoras da morte, traiçoeira, já todos ouvimos falar!

Era uma no cravo e outra na ferradura! A menina continuou no mesmo registo e eu continuei a aguentar aquilo até ao dia em que me passei completamente da cabeça! Era previsível, aquilo era uma bomba-relógio desde o início, um aneurisma, podia rebentar a qualquer momento e quando rebentasse era fatal.

Um homem não é de pau! Fartei-me de ser o segundo plano, o brinquedo nas mãos da menina, o boneco, a marioneta, o palhaço de serviço.

Disse-lho, em bom português, para que não houvesse dúvidas! E a menina reagiu da pior maneira: não reagindo, dizendo que o silêncio era uma resposta!

 

Como?! Eu não tinha nada contra a senhora sua mãe, que ela nunca me tinha apresentado porque isso fazia parte da sua intimidade a que eu nunca tive direito a ter acesso, e por isso não a pude mandar para a dita que a pariu. Também não a pude mandar pecar, não fosse ela, geniosa como era, pôr-me logo nessa noite o par dos tais que fazem comichão na testa de qualquer homem!

A única palavra que me saiu a seco, pois que tinha engolido toda a minha saliva, foi: Não!

Pouco mais do que isso acrescentou. Dejá vue, a cena repetiu-se. Reagiu como se eu a tivesse ofendido, exactamente como da outra vez e o motivo era o mesmo. Eu pedia-lhe mais tempo para estar com ela e ela entendia aquilo como se eu a estivesse a insultar. Mas que cena era esta?

Burro como sou, ou não tão inteligente como ela, só percebi à segunda: arrogância, pura e simples!

 

A menina achava-se perfeita e não aceitava que ninguém fizesse o menor reparo ao seu comportamento pois que ela era intocável. Pior do que isso, eu tê-lo feito levantando ligeiramente a voz foi considerado pelo seu ego como uma afronta. Quem é que eu pensava que era? Não se atreveu a perguntar, mas lia-se perfeitamente nos seus olhos. A reacção foi tão desajustada, tão desproporcionada, que rondou os contornos do ridículo! Não fosse eu o visado e tinha-me rido à gargalhada!

Quando percebi, depois de várias tentativas falhadas, que o seu orgulho ferido nunca iria perceber o que eu lhe tentei dizer, decidi pedir-lhe desculpa. Fi-lo várias vezes e ela nunca me respondeu.

Como o silêncio para mim não é uma resposta, obriguei-a, ou implorei-lhe não sei muito bem, a dizer-me: acabou, para que eu finalmente percebesse como é que era o meu dia seguinte, porque nem esse respeito eu lhe mereci, de ela o dizer voluntariamente!

Se não fosse assim, parvo como sou, ainda hoje estava à espera que o telefone tocasse!

 

Nesta fase da vida em que me encontro, já posso afirmar que consigo perdoar tudo, umas coisas são mais fáceis do que outras. A crueldade, coloco-a na lista das mais difíceis.

Mas foi pena, eu gostava da garota que me fartava e tratava-a assim por graça porque embora ela fosse mais nova do que eu, tinha mais dezassete anos do que eu!

Mas isto, nós, os homens, nunca havemos de perceber, porque tem a ver com uma sensibilidade que só nós, as mulheres, é que temos! E daí, talvez não, porque nestas coisas da alma, nós, as mulheres, enganamo-nos tanto ou mais do que nós, os homens!

 

 Cristina Pizarro

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Terça-feira, 28 de Novembro de 2017

Chaves D'Aurora

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83.PRETENDIDO.

 

Eis que, então, a uma festa familiar, Nonô conheceu um dos melhores pretendentes ao altar em Chaves, o jovem António Sidónio Cordeiro Filho, rebento de uma das mais proeminentes famílias flavienses, pois seu pai, apesar de rústica postura e aparência de um pobre aldeão, era dono de uma instituição de ensino local. Era um atraente rapagão que, embora um pouco flácido, tinha um belo porte. Seu rosto era emoldurado por belas suíças, ornado por bem aparadas sobrancelhas, apurado com densos e bem cuidados bigodes e uma cativante mosca, abaixo dos lábios, queixo liso, sem pera.

 

Seu pai e dona Joaquina, sua mãe, eram compadres e amigos da tia Francisquinha que, nessa noite, abria os salões de sua casa à Rua da Pedisqueira, para festejar os 21 anos de seu filho morgado e, portanto, primo de Nonô. Tão logo a viu, o Cordeirinho retesou a sua flecha de lã, em seu arco de conquista, na direção da rapariga. Tão logo viu o rapaz, também o miocárdio de Aldenora acelerou-se com uma forte, aguda e repentina paixoneta.

 

Aurora, ao perceber os arroubos da irmã, sorriu – Ai-jesus, pobre Nonô! Estás a ser flechada pelo anjinho do Amor! – ao que esta contestou, indicando seu alvo com o olhar – Mas não está a parecer-te, também, que alguém mais já está envenenado pelo curare de Cupido?

 

Sidónio, a participar de um desses grupos só de homens que, até há algumas décadas, sempre ficavam à parte, em ocasiões festivas, também ficara, com indisfarçável frequência, a mover seus olhos pelas trilhas do enlevo até aos de Aldenora. A rapariga decidiu, então, aproveitar-se de algum instante oportuno para acercar-se dele. Tal hora chegou, por sorte, quando ela viu Afonso juntar-se ao grupo, atraído que este fora por alguns motejos que, na ocasião, os circunstantes trocavam entre si.

 

Falava-se, no momento, que a Câmara deveria proibir o tráfego das carroças que carregavam estrume pelas ruas da cidade. Eis que, na véspera, certo jovem flaviense, (na verdade, um dos circunstantes, indicado com explícita malícia pelos outros moços, por meio de olhares marotos e de viés) havia-se perfumado todo para ir à casa de sua noiva, com a qual já tinha alguma intimidade, ainda que, certamente, apenas verbal.

 

Ao chegar lá o moço, todo pimpão, a rapariga murmurou, de chofre – Que cheiro! – e ele – Gostas? – A noiva respondeu, cheirando-lhe o pescoço – Do cheiro de cima, sim, mas o de baixo... Por onde andaste? O que fizeste, para estar assim, desse jeito? – E, diante do olhar surpreso do rapaz – Porque estás, afinal, a feder tanto?! – o que deixara o dito cujo bastante constrangido, encarnado como um pimento, até compreender que ela – Mas o que deu em ti? Estou a me referir aos teus sapatos, ora pois! Não vês que hão de estar assim, tão borradinhos, sujinhos de bosta de vaca?!

 

Os circunstantes riram com bastante gosto, inclusive o protagonista, a tentar negar, de todo modo, que o facto ocorrera com ele próprio.

 

 

fim-de-post

 

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Segunda-feira, 27 de Novembro de 2017

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

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Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017

Discursos Sobre a Cidade - Por Gil Santos

GIL

 

Pior a emenda que o soneto

 

No Planalto do Brunheiro, monte sobranceiro à veiga de Chaves, nada medra que não seja centeio e batata. Terra verdadeiramente fria, é varrida pelos ventos gelados que se entalam entre o Larouco e a Padrela. Mesmo o pinheiro bravo tem dificuldade em crescer naquelas terras onde Deus parece nunca ter passado. De arvoredo, só o carvalho negral e o castanheiro encontram guarida, emprestando um verde triste à paisagem.

 

Pelos Santos semeava-se o centeio que havia de se ceifar no estio. Por março, a batata que se arrancava em setembro. A atividade agrícola resumia-se quase exclusivamente a isto, não sei se por falta absoluta de condições para outras riquezas se por inflexibilidade cultural para outras oportunidades. Sei é que quase toda a vida se organizava em função do ritmo destes parcos haveres. Um tempo confrangedor mais próximo da Idade Média do que do Porto!

 

À volta do Carregal, na pujança da primavera, a paisagem desenhava-se no verde viçoso das searas centeias e na cor térrea do solo lavrado, onde irrompiam as primeiras folhitas das canibeques. Mesmo a passarada, por estas paragens, adiava quanto podia o impulso da procriação, aguardando que os carvalhos se vestissem da folhagem necessária para rebuçar os ninhos, o que só acontecia por finais de abril. Andar aos ninhos, por esse tempo, ou aos níscaros por outubro, eram os passatempos preferidos da rapaziada.

 

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A ganapada, que frequentava a escola de Adães, a cerca de três quilómetros que se venciam a pé, no regresso das lições do Mestre Matos, não perdia a oportunidade de procurar uns ninhos de gaio, de melro ou de rola. O Nano, o Gripino, o Taleta, o Marcelino, o Adérito, o Tone Fisgas e eu próprio, competíamos na busca daquelas preciosidades, guardando o segredo o mais que podíamos.

 

Em Adães morava o Ti Temporão, padrinho do Tone. Este visitava-o uma única vez no ano, nas vésperas do seu aniversário. Fazia-o porque sabia que, invariavelmente, lhe cairia uma moedita de cinco paus. Não falhava! Neste ano, vá-se lá saber porquê, em vez dos cinco marréis da praxe, choveram sete e quinhentos. Uma fortuna para o tempo. Porém, o Zé Paranhos, pai do Tone, sabendo da franqueza do compadre, extorquia o metal ao miúdo para torrar em vinho na taberna do Antero.

 

Naquela ocasião, no regresso da escola e na confusão da brincadeira, o Tone nunca mais se lembrou do tesouro que transportava na algibeira. Pelo caminho, passando no Belão, havia uma enorme leira de centeio do Ti Moreiras. Numa borda da seara, um enorme castanheiro dava guarida, todos os anos, a um casal de gaios que aí plantava um repimpado ninho. Quase sempre os gaios desaninhavam sem que a rapaziada lhes chegasse. Isso andava a fazer uma confusão danada ao brio passareiro dos mais afoitos.

 

Ora, nessa manhã, o Nano afirmou a pés juntos que vira o gaio com o cibo no bico a ir para o castanheiro. Por isso determinou que tinham de topar o ninho!

 

O castanheiro era frondoso, imenso, e para encontrar o dito cujo, foi preciso pisar todo o centeio à sua volta. Foi até necessário que alguns se rebolassem pelo chão para verem melhor por entre a folhagem densa. Deu-se com o ninho, mas o pior foi o que aconteceu depois

 

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O centeio, à volta do castanheiro, ficou assobalhado de forma irrecuperável e os sete e quinhentos sumiram do bolso do Tone. Procurámos, voltámos a procurar, e das moedas de caravela nem o rasto!

 

A solução foi cortar o centeio para ver se apareciam. Ceifou-se, mas nada!

 

Em frente da leira morava a Tia Maria Simoa que, fazendo jus ao seu estatuto de cusca, apreciou toda a obra.

 

Quando o Ti Moreiras deu com o estrago e se pôs em campo, logo a Tia Maria lhe segredou o nome dos autores. O Ti Moreiras foi ter com o pai do Tone Fisgas e, confrontando-o com a realidade exigiu o pagamento dos estragos. Foi acordada a importância de quinze escudos e com desconto, uma vez que o neto do Ti Moreiras também estava envolvido!

 

Coitado do Zé Paranhos! Nesse ano não só perdeu o direito ao presente de aniversário do rebento, como ainda teve de desembolsar o que não tinha para pagar as traquinices do pimpolho!

 

Em vez de matar a sede na tasca do Antero afagou-a num estadulho da acarreta que estendeu pelo lombo do Tone.

 

Claro que não lhe daria o mesmo gozo do tintol da tasca do Antero! ao Tone muito menos, pois passou uma semana de molho!

 

Coisas da vida!

Gil Santos

 

 

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Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

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Uma brincadeira de outono com fotos de telemóvel.

 

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Flavienses por outras terras

Banner Flavienses por outras terras

 

Sofia Trino

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até à Suíça, mais concretamente até ao Cantão de Turgóvia, onde a língua oficial é o Alemão. Na capital deste cantão – Frauenfeld – vamos encontrar a Sofia Trino.

 

Cabe+ºalho Sofia Trino.png

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci em Chaves, na Rua dos Passadouros, no Bairro de Santa Cruz.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a Escola Primária de Santa Cruz, a Escola Nadir Afonso, a Escola Técnica e a Escola Secundária Fernão de Magalhães.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí em 1994, à procura de novas oportunidades e visto que os meus pais nessa altura já se encontravam a viver no estrangeiro.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Vivi sempre em Chaves, mais propriamente em Santa Cruz, até à minha partida para a Suíça.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Os melhores anos passados foram na minha idade escolar e ainda hoje mantenho amigos desse tempo, amizades que ficaram para uma vida. Recordo as idas às Caldas de Chaves, a Feira dos Santos, da qual ainda hoje sinto saudades visto que me é impossível nessa data ter férias para ir a Chaves.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Visitar as Termas de Chaves, as paisagens lindas das nossas terras transmontanas, a zona histórica de Chaves, Vidago, e claro, apreciar a boa comida transmontana.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Sinto saudades de alguns amigos e familiares que foram partindo, das conversas que se tinham no antigo Jardim das Freiras, que infelizmente já não existe… eram momentos bem passados com as colegas de escola…

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Sempre que posso, mas pelo menos uma vez no ano.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

De diferente nada, mas que mantivessem os belos jardins que nós tínhamos, como o Jardim das Freiras.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Neste momento, não. Sinto-me feliz no meu país de acolhimento, pois aqui formei a minha família e me tornei na pessoa que hoje sou. Embora goste muito da cidade que me viu nascer, como eu costumo dizer não troco a minha Suíça pelo meu Portugal, isso sem sombra de dúvidas….

 

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

 

Rostos at├® Sofia Trino.png

 

 

 

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Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:15
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