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Terça-feira, 16 de Maio de 2017

Cidade de Chaves, um olhar

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:30
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Chaves D'Aurora

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  1. SANT’ANINHA DE MONFORTE.

 

Chovia bastante, quando chegaram a Sant’Aninha de Monforte. Com suas ruas estreitas e íngremes, as casas de pedra com varandas de madeiras coloridas, todas as vias conduziam ao Largo da Igreja, ponto de convergência de todos os aldeães, ao centro do qual havia um templo muito simples e antigo, feito de grandes blocos de granito calcário. Nessa pracinha, situava-se também um pequeno mercado, misto de talho e venda de queijos & enchidos, além de uma tendinha para os mantimentos em geral.

 

Por trás da igreja, aglomeravam-se fregueses a uma ta­verna, oculta à visão dos forasteiros, mas sob os olhos se­micerrados e cúmplices do senhor Cura. Ora, pois, que este atacava os ébrios aldeães no sermão, mas ia com frequência a essa tasca, acompanhado da mãe de seus cinco “afilha­dos”, ante os olhos, também semicerrados e cúmplices, dos fiéis borrachos que, certamente, jamais iriam dar queixa ao Bispo. Menos ainda ao Papa. Sem batina, disfarçado, com um chapéu braguês a lhe cair sobre a testa e a se fingir de surdo e mudo, sua “comadre” servia-lhe de intérprete – Que queres, meu bom senhor? Ai, jesus, o pobre mudinho está a dizer que quer uma bagaceira das boas e uns nacos de pre­sunto – e lá comparecia o aldeão “incógnito” ao balcão do taverneiro, ávido de molhar a garganta com uma aguardente das boas.

 

Acomodados na quinta, logo Zefa, ao feitio dos lares da região, que, habitualmente, assim o faziam para que o Dianho não passasse pelas portas e gritasse, visando algum morador, ainda viçoso ou moribundo – Ó de casa, junta as pernas e os socos, que eu vim te buscar – pintou todas as janelas de cruzes encarnadas e “sinos-saimão” pretos. Sua esperança era de que, ao seu modo e jeito, conseguisse en­ganar os diabinhos da Gripe. Escorava-se na fé de que todo cristão, com o Signo de Salomão em volta, jamais correria perigo. Enquanto isso, os mais com seus rosários de credos, ave-marias, padres-nossos e salve-rainhas, rezavam ao bom Deus e à Virgem Santíssima para que a terrível dama, alcu­nhada de Espanhola, com seus funestos leques, olés e sala­maleques, não lhes levasse a Lilinha para bater matracas, ao invés de castanholas. Rogavam também que, por aquelas serras e cercanias, se por acaso a maldita viesse cortar ca­minho pela aldeia, não lhe agradasse o cheiro das rosas e bogaris dos jardins e andasse para longe de Sant’Aninha, sem lhes bater à porta.

 

Essa outra quinta dos Bernardes, aonde eles iam algu­mas vezes para aproveitar o ameno verão da serra, ficava um pouco antes do casario da aldeia. Era quase toda de pedra, muito rústica, poucos cómodos, mas sua fachada frontal, com balcões de madeira cheios de desenhos geometrica­mente esculpidos, até que havia de ter lá os seus encantos. Também era mui encantador o jardim, sempre bem cuidado e onde, a essa altura, só floriam amores-perfeitos, como nos canteiros da Grão Pará. Na estação primaveril, todavia, era um ror de cravos, rosas e quantas flores mais se pusessem a abrir. Aos fundos, estendia-se um quinteiro com alguns bovinos, caprinos e ovinos, além das aves e cães domésticos. Lá estavam também a indispensável horta e, ainda mais atraente de se ver, o pomar com as pereiras, macieiras, cerejeiras, figueiras e o que mais houvesse de frutíferas árvores.

 

As condições de conforto, porém, não eram as mesmas do Raio X. Não havia luz elétrica na aldeia e a iluminação noturna provinha dos lampiões de zinco e dos candeeiros a petróleo. Embora aquecido pelo braseiro, o interior era muito frio, mesmo na primavera. A latrina era um bloco monolítico, onde se fizera um buraco, a dar direto para a fossa. As abluções eram feitas em bacias de louça, dispostas em artefactos de ferro, com um cabide ao lado para pendurar as toalhas e, em baixo, um cântaro, de material esmaltado, o mesmo de que eram feitos os recipientes usados para os asseios gerais e a higiene íntima. A água para tais necessidades era aquecida ao lume do fogão ou da lareira. Para os banhos completos, poucas vezes tomados nas estações frias, ou seja, na maior parte do ano, Papá mandara fazer uma tubulação especial, que levava para o chuveiro a água proveniente de uma espécie de reservatório de pedra, junto ao braseiro, o que deixava o líquido devidamente amornado.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:53
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Segunda-feira, 15 de Maio de 2017

Quem conta um ponto...

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342 - Pérolas e diamantes: O admirável mundo liberal… e outras tretas

 

 

É num sistema económico admiravelmente liberal que uns quantos acumulam fortunas consideráveis enquanto outros, muitos outros, apodrecem no desemprego e na miséria.

 

Esse liberalismo económico, acompanhado por um sistema sexual perfeitamente liberal, é a extensão do campo da luta a todas as idades da vida e a todas as classes da sociedade.

 

Perplexos? Pois não devem ficar já que é essa a “Extensão do domínio da luta” de Michel Houellebecq, no seu primeiro romance, agora editado em Portugal.

 

Essa é a odisseia de um informático de meia-idade que observa os movimentos humanos e as banalidades que se desenrolam nos cafés bares ou em desinteressantes reuniões de trabalho. É aí que ele elabora uma teoria completa sobre o liberalismo, seja ele económico ou sexual.

 

No fundo, é um romance de falhados e abandonados responsáveis por elevarem a rotina a modo de vida.

 

Logo no início, o seu herói luta contra a ideia de ser paspalho por ter de admitir que perdeu o carro. Ele sabe que, a partir desse momento, passará a ser considerado anormal, ou fantoche. O que redundaria em nítida imprudência. O seu software não está preparado para isso.

 

Entretém-se então a escrever diálogos entre animais, onde se aprende muita coisa, nomeadamente sobre vacas bretãs.

 

A vaca bretã, por exemplo, ao longo do ano não pensa senão em pastar. O seu focinho brilhante sobe e desce com uma regularidade impressionante… “e nem um tremer de angústia lhe vem perturbar a expressão patética dos seus olhos castanhos-claros”.

 

No entanto, em determinados períodos não especificados, uma espantosa revolução ocorre no seu ser. “Os seus mugidos intensificam-se, prolongam-se, a sua própria textura harmónica modifica-se até relembrar, por vezes, de maneira espantosa, algumas queixas que escapam aos filhos do homem. Os seus movimentos são mais rápidos, mais nervosos, por vezes assume um trote curto.”

 

E o que pretendem as vacas bretãs? Pois, “encher-se”. E os criadores enchem-nas, “mais ou menos diretamente; a seringa da inseminação artificial pode, de facto, se bem que às custas de algumas complicações emocionais, substituir, nesta função, o pénis de um touro”.

 

Depois o animal acalma-se, regressa ao seu estado anterior de “meditação atenta, pois, após este feito, alguns meses mais tarde, dará à luz um esplendoroso pequeno vitelo. O que é, diga-se de passagem, benéfico apenas para o criador”.

 

Houellebecq tem razão: “A escrita não alivia nada. Traz à memória, delimita. Introduz uma suspeita de coerência, a ideia do realismo.” É como quando nadamos, que a cada movimento que exercemos nos deixa mais perto do afogamento.

 

De facto, mais vale observar sapateiras a trepar umas por cima das outras dentro de um aquário de uma marisqueira, prontas a ser consumidas.

 

E o mundo lá se vai uniformizando. “Os meios de telecomunicação progridem; o interior dos apartamentos enriquece-se com os novos equipamentos. As relações humanas tornam-se progressivamente impossíveis (…) O terceiro milénio promete.”

 

Esta mediocridade é penosa. Boa vida e repleta de qualidade e interesse é a dos quadros superiores. Uns gostam de ténis, outros apreciam a equitação e muitos são praticantes de golfe. No entanto, enquanto uns “são doidos por filetes de arenque; outros detestam-nos”. Apreciam ter “os pés enraizados” em “espessas alcatifas cinzento pérola”. E os escolhidos anunciam-nos, através de um graffiti: “Deus quis desigualdades, não injustiças”.

 

De facto, o terceiro milénio promete.

 

João Madureira

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade, via Rua Direita acima

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Domingo, 14 de Maio de 2017

O Barroso aqui tão perto...

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Depois de um dia tão intenso como o de ontem em que a nossa atenção se repartiu por vários e importantes acontecimentos, tal como previa, não houve tempo para preparar mais uma aldeia do Barroso para trazer aqui, pois além da escolha e tratamento de imagens, há as habituais pesquisas de procura de informação para podermos deixar mais alguma coisa sobre a identidade e particularidades dessas mesmas aldeias, e isso demora algum tempo, tempo que não sobrou para tal.

 

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Mas promessas são promessas e o blog gosta de as cumprir. Não temos uma aldeia barrosã mas temos algumas paisagens do Barroso, e alguma flora e fauna selvagem barrosa. Motivos que nos despertam o clique por locais onde vamos passando, geralmente nos itinerários entre aldeias, em terras de “ninguém” e algumas que às vezes nem nós que as obtivemos as conseguimos localizar, pois quando partimos à caça de imagens, os momentos captados são tantos, tal como as nossas voltas, que algumas delas não conseguimos localizá-las com exatidão. Sabemos  mais ou menos por onde foi, mas não exatamente. São as tais que guardo religiosamente numa pasta chamada “algures no Barroso”.

 

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Tal acontece com pelo menos três imagens de hoje que não sei bem de onde são. As restantes são localizáveis, mas para o post de hoje a localização até nem interessa, pois interessa mais mostrar a beleza da paisagem menos humanizada, alguma dela mesmo selvagem e singular, única embora variada. Pode parecer uma contradição, mas não é.

 

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Sendo o Barroso composto maioritariamente por terras altas, todas a rondar os 1000 metros de altitude, é natural que se tenha dele uma ideia errada de terra fria e agreste, e se de facto isto é verdade, o contrário também o é, com os seus micro climas das terras mais baixas e do Baixo Barroso, com paisagens cobertas de verde, hoje em dia mais verde que nunca com as terras de cultivo a dar lugar a pastagens.

 

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Já o disse aqui e repito, porque nunca é demais repeti-lo, o Barroso é uma pérola dentro do Reino Maravilhoso e realmente o que surpreende é a variedade que vai desde o mais agreste do Alto Barroso e que rodeia e sobe ao mais alto da Serra do Larouco, da Serra do Barroso e da Serra do Gerês, território do penedio,  da urze, da carqueja e até da trufa.

 

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Por outro lado, ao descermos ao Baixo Barroso o verde é rei e senhor, não só nos prados mas também na floresta e no cultivo de subsistência ao redor das aldeias onde é possível cultivar de tudo, imaginem que nesta última passagem pelo Barroso até bananeiras e orquídeas ao ar livre vi. Claro que as bananeiras embora cheguem a dar fruto não chegam a vingar para amadurar, mas vingam para enfeitar e marcar presença no Barroso.

 

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Podemos afirmar que as singularidades do Barroso se complementam para termos um só Barroso no seu todo e no seu melhor. Se o verde surpreende e é agradável conviver com ele, o agreste não se fica atrás, na sua simplicidade complexa, na resistência das espécies que por lá resistem e o modo como convivem e se protegem umas às outras, mas sobretudo sãos as sensações de se poder pisar estas terras e as paisagens que desde lá se deslumbram.

 

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Continuando no surpreendente Barroso o que mais surpreende é a variedade e proximidade dos matizes, principalmente nesta época de primavera em que as serras se enchem de colorido amarelo da carqueja ou o também amarelo e branco das giestas a contrastar com o púrpura da urze e um pouco por todo o lado minúsculas flores de plantas também minúsculas que chegam a formar autênticos tapetes com os mais belos bordados.

 

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Mas tudo isto esta ali à mão de semear, pois se agora estamos no meio dos matizes das terras mais agrestes, descemos um pouco e logo entramos nos mantos verdes rodeados da floresta igualmente verde para logo a seguir esbarrarmos com o azul de uma albufeira ou o aconchego de uma aldeia, tudo isto é o inconfundível Barroso

 

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Por último a água, a sua transparência e abundância, não as que está nas albufeiras mas a que brota por todo o lado, cristalina, a atravessar caminhos, a correr nos lameiros ou a cair em cascatas, então quando chove com abundância, como foi nesta sexta-feira passada, é surpreendente como onde menos se espera nascem pequenas cascatas.

 

Só queria mesmo  que as imagens fizessem justiça às palavras que hoje vos deixo, mas isso é impossível, pois por muito que me esforce faltam-lhe os aromas e as melodias dos cantares das aves ou mesmo que seja e só do sussurrar do vento à sua passagem.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 22:53
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Sábado, 13 de Maio de 2017

Aveleda, o mito dos três efes, o Papa, o Benfica e Salvador Sobral

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Não podia deixar de cumprir a promessa de trazer aqui mais uma das nossas aldeias, como acontece todos os sábados, e só o faço agora, no final da noite, por fortes razões que tem a ver com o ego, não o meu em particular, mas o meu ego de ser português HOJE, sem qualquer necessidade de fazer renascer o passado de há 500 anos, sem necessidade de recorrer ao Camões, sem necessidade de fantasmas e esperanças sebastianistas. Valemos apenas por aquilo que somos hoje e valemos muito, começa a ser tempo de acreditarmos em nós, na nossa língua, naquilo que é nosso e, que ninguém duvide que temos daquilo que é melhor, e hoje, Portugal em várias frentes, demonstrou-o, tanto, que se fosse eu quem mandasse, fazia deste dia, o 13 de maio, um dia de feriado nacional.

 

Sim, este dia 13 de maio já faz parte da história de Portugal, escrita com a pena do orgulho português em que faz renascer o mito dos três efes – Fátima, Futebol e Fado – mas ao contrário de areia para os olhos, como antigamente acontecia, hoje foi, é, por justa causa, com três efes merecidos porque conquistados por nós, com a grandeza da nossa humildade.

 

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Hoje o Papa Francisco esteve em Fátima para canonizar os seus dois pastorinhos Francisco e Jacinta, tornando cada vez mais oficial aquilo que já era oficial na fé de muitos, as aparições de Fátima, e mesmo que não se acredite, ninguém pode duvidar da fé de quem acredita, e este triplo efe de Francisco,  Fátima e Fé, cada vez mais reforçam o Santuário de Fátima como um Santuário de peregrinação mundial.

 

O segundo F, o do Futebol também se consagrou hoje com a vitória do campeonato pelo Benfica, reforçando assim o nome que o Benfica tem a nível nacional e internacional. Mas o segundo F do Futebol, hoje em dia marca ponto em todo o mundo e se outrora houve um Eusébio que se escrevia internacionalmente, hoje em dia temos um montão de jogadores de craveira internacional entre os melhores do mundo, além de termos mesmo o melhor do mundo que dá pelo nome de Cristiano Ronaldo, mas também nos treinadores que exportamos, Portugal está nos melhores do mundo, ou a julgar pelo número de portugueses com essa função, somos mesmo os melhores do mundo. Pelo menos, o F do Futebol cumpre-se aos sermos os atuais Campeões da Europa

 

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O terceiro F de Fado já recebeu a sua consagração como património imaterial da humanidade, porque é único, porque é nosso, porque se canta em português, mas no dia de hoje também ficou para a história com outro “fado”, o da música portuguesa, cantada em português por Salvador Sobral ao ficar em primeiro lugar no Festival da Eurovisão, sem qualquer margem de dúvidas, com a maioria destacada dos votos do Júri e do Público europeu. Portugal venceu o Festival da Eurovisão porque acreditou naquilo que era nosso, nas nossas palavras e poesia, nas nossas melodias e música e na nossa língua portuguesa.

 

Sem acreditar no destino, quis o destino que isto tudo acontecesse num único só dia e no mesmo dia 13 de maio, mas isto é apenas um pequeno exemplo da nossa grandeza, só há que acreditar e tal como acontece em Fátima, termos fé que conseguimos, que somos grandes e que em muita coisa temos aquilo que é melhor no mundo, principalmente naquilo que faz parte da nossa cultura e do sermos portugueses. O único problema, o nosso problema, é não acreditarmos naquilo que temos e pior que isso, desprezarmos aquilo que temos de melhor, de genuíno, aquilo que faz de nós portugueses e Portugal, que mais depressa embarca na fácil sedução dos interesses da globalização e da aculturação que nos interesses daquilo que é nosso e que faz de nós grandes com aquilo que nós somos, com a nossa cultura.

 

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Todo este discurso pode parecer desapropriado nesta rubrica dedicada às nossas aldeias, mas não o é, antes pelo contrário, pois as nossas aldeias, a vida das nossas aldeias, o espirito comunitário, saberes e sabores rurais, fazem parte da nossa cultura, da cultura rural portuguesa que está a morrer lentamente sem ninguém que lhe deite uma mão. A tudo continuar assim, com este desprezo pelo mundo rural, Portugal num futuro próximo vai arrepender-se, vai perder parte da sua cultura mais genuína, vai tornar-se igual a tantos iguais, vai tornar-se desinteressante, vamos deixar de sermos nós.

 

Ainda ontem fizemos mais uma incursão no Barroso, mais propriamente no Baixo Barroso para recolher imagens de mais algumas aldeias e abordámos uma que nos tinha dito estar completamente despovoada, e assim nos pareceu quando nela entrámos, mas no entretanto vimos uma figura humana que desde logo abordámos com  um  “ e pensávamos nós que já não havia aqui ninguém” e a resposta foi num “mau” português de quem não é de cá, como de facto assim era, um casal de holandeses com um filho ainda criança, há quatro anos encantou-se pela aldeia e por lá ficou a criar cavalos e a receber pequenos grupos de holandeses para passarem lá uns dias, tendo como mais valia uma paisagem incrível, um clima generoso e uma albufeira por perto. Talvez esta seja uma solução para as nossas aldeias mais típicas, uma má solução por sinal. Certo que talvez contribuam para o não despovoamento dessa aldeia, inclusive até são respeitadores pela tipicidade da aldeia, adaptando-se e valorizando as condições existentes sem as alterarem e até lhes temos de estar reconhecidos e agradecidos por fazerem daquela aldeia a sua nova terra, nova casa, novo lar, mas é a cultura deles que trazem com eles e a nossa, morreu, com o último habitante que lá nasceu e a abandonou.

 

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Hoje fala-se muito em empreendedorismo como uma solução do nosso Portugal. Claro que este empreendedorismo também se aponta como solução para o interior de Portugal e para as nossas aldeias, e verdade se diga, pessoalmente também concordo, mas empreendedorismo sim, com respeito por aquilo que existe, respeito pela cultural dos lugares, respeito pelos saberes, sabores e tradições desses lugares,  e não o dito empreendedorismo que se está a tentar fomentar e a implementar por aí, falseando a nossa cultura dando-lhe um rótulo de origem genuína por ser feito por gente da terra – Pura mentira e falseamento daquilo que era genuíno. Tomemos como exemplo a maioria do fumeiro que hoje se faz por aí,  em cozinhas certificadas,  e inunda as nossas feiras do fumeiro, com fumeiro certificado, onde até se vão cumprindo as formas artesanais de o fazer, já nem tanto o de o curar, com as ditas cozinhas a funcionar nas nossas aldeias e gente da aldeia a fazer o fumeiro. Tudo igual ao de antigamente à exceção do reco que é feito em “estufa” à base de ração e outras coisas mais que se calha nem sequer imaginamos, sem as coisinhas boas da horta e o carinho dos tratadores. No produto final, lá temos a chouriça igualmente fumada e até o presunto que igualmente passou pela salgadeira e foi curado pelos processos tradicionais, com bom aspeto e o mesmo cheiro a fumo, mas que não enganam que andou muitos anos a comer fumeiro e presuntos genuínos de recos mesmo recos criados na corte lá de casa.

 

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Se respeitarmos os nossos saberes, sabores, tradições e cultura, seremos grandes e vencedores como o fomos hoje em três frentes nos três efes, caso contrário não passaremos de medíocres e aldrabões que mais não fazemos que contribuir para a nossa aniquilação e a aniquilação daquilo que é bom e faz a nossa grandeza. Por vezes vale a pena acreditar em impossíveis, tal como aconteceu hoje com o Salvador Sobral, pois toda a gente dizia por aí que a nossa canção era linda mas não era festivaleira  para um festival como o da Eurovisão, e ganhou-o.

 

E termino com a última quadra do poema infante de Fernando Pessoa:

 

Quem te sagrou criou-te português,
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal.

 

Pois cumpra-se Portugal com aquilo que temos, com aquilo que é verdadeiramente nosso!

 

E viva o 13 de maio de 2017 e viva PORTUGAL!

 

E com esta me vou, se calha sem tempo para amanhã trazer aqui uma aldeia do Barroso, mas veremos aquilo que se pode arranjar.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:59
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Sexta-feira, 12 de Maio de 2017

Vivências

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Recordando o “Força Construtora”

 

O título desta crónica remete-nos para o final da década de 80 e início da década de 90 e para o movimento de grupos de jovens ligados à Igreja que naqueles anos existia na cidade de Chaves.

 

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O grupo “Força Construtora”, ao qual pertenci desde a sua criação até ao último momento, era um desses grupos e reunia essencialmente jovens da zona de Santa Cruz e do Bairro da Trindade, mas também de outros pontos mais distantes, como a estrada de Outeiro Seco ou a Fonte do Leite. O grupo surgiu no final de 1988 por iniciativa do Padre José Banha, que chegou para assumir a criação da nova paróquia naquela zona da cidade. Para além das habituais reuniões semanais onde se debatiam os mais variados temas, o grupo desenvolveu muitas outras atividades, tais como, encenações, encontros de oração, animações da Eucaristia (umas vezes na Igreja da Trindade, outras na Igreja de Santa Cruz, pois a Igreja Paroquial ainda não era mais do que um projeto), encontros com outros grupos da cidade e da região, caminhadas ao São Caetano… Foram tempos vividos com uma grande energia e uma entrega total, como é próprio nos jovens que acreditam naquilo que fazem.

 

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Foto gentimente cedida por Firmino Vital

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 Foto gentimente cedida por Hélia Silva

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Foto gentimente cedida por Norberto Costa

 

Em janeiro de 1992, o grupo deu por terminadas as suas atividades e recordo-me que, contrariamente ao que era hábito, foi na Igreja de Santa Cruz que decorreu a última reunião (já não sei qual terá sido o motivo). Dos cerca de 40 jovens que chegaram a integrar o grupo restava apenas uma meia dúzia com disponibilidade para continuar, pois com o passar dos anos as circunstâncias e as responsabilidades de cada um foram mudando: a ida para a Universidade, a tropa, o trabalho, o casamento…

 

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Em 1993, por iniciativa de um pequeno grupo dos seus antigos elementos (eu, incluído), foram registados em livro os três anos de vida do “Força Construtora”. Dos vários testemunhos recolhidos na altura recordo perfeitamente um que dizia, textualmente: “Força Construtora é mais do que uma recordação... é algo que vive”.

 

É verdade! E já lá vão 25 anos!

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:42
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Quinta-feira, 11 de Maio de 2017

Ocasionais

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ocasionais

 

“Os bearnesbaques do Arrabalde”

 

 

Ali no Arrabalde, um grupo de bearnesbaques que falavam entre si ao mesmo tempo que olhavam para todos os lados, como que atingido por um raio, que não parte, antes, une, quando eu, em passeio pela cidade, chegava ao fundo da rua Direita, atravessou-se-me na frente.

 

Dos figurões do grupo salientou-se o que me pareceu o mais aperaltado. Dirigiu-me a palavra ao mesmo tempo que esticava o braço direito e levantava a mão, em sinal de «alto!»:

 

- Se os meus olhos não me enganam e a memória não me falha, o «amigo» é o tal que faz «Discursos sobre a cidade» a desancar nos da «cambra» e escreve umas «Crónicas Ocasionais» a dar fisgadas num «pavão», umas sapatadas em «lalões» e «lalõezinhos», e umas chibatadas nuns tais «poneyzinhos-de-Tróia»!

 

Senti-me um D’Artagnan apanhado numa cilada dos beatos-falsos de Richelieu.

 

Mas logo, loguinho, apanhei a satisfação de compor um multicolorido ramo com as caras  e os modos do grupo.

 

Ditas e ouvidas aquelas palavras do «capitão do Arrabalde», e absorvida a atenção que lhes dispensei, aquela meia dúzia de «fediolas» juntou-se bem juntinha no passeio, fazendo uma parede dupla à minha frente: na primeira, ao centro, o aperaltado «capitão do Arrabalde»; atrás, espreitando por cima dos ombros dos primeiros, os restantes três.

 

A surpresa e a piada que se me pintaram na cara, e que o ar de riso certificou, fez-lhes arregalar um bocado os olhos e suspender a respiração.

 

- Muito me apraz que alguém me reconheça pelo que escrevo!

 

- E se é acerca dos meus escritos e da cidade que os «amigos» querem conversar, então convido-os a molhar a palavra! – atirei-lhes, com alguma solenidade e muita franqueza.

 

O olhar de “espadachins” de língua foi pelos ares.

 

O «capitão do Arrabalde» virou-se para a esquerda, virou-se para a direita e revirou-se para trás.

 

Voltou-se para mim, e disse:

 

- Ora aqui está a melhor notícia e as «mais boas» palaβras que hoje ouβi!

 

Ali ao lado, por baixo da antiga Casa de Saúde do Dr. Alcino, além de umas boas cadeiras de barbeiro também há outras com boas mesas.

 

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Em formação de combate, o «capitão do Arrabalde» colocou-se ao meu lado. Cuidou de não vir nenhum carro para subir a Rua Direita. Deu um toque no chapéu, e pronunciou:

 

- Por aqui!

 

Com três passadas atravessámos a rua. Seguimos garbosamente pelo passeio do Postigo das Manas e, quase em linha com a esquina do “Sotto Mayor”, o «capitão do Arrabalde» fez «direita volver». Abriu a porta da entrada de uma bodega, de boa fama antiga, e, atenciosa, venerada e respeitosamente, voltando-se para mim, proferiu:

 

- Fa-ça faβor!

 

O taberneiro saiu apressado detrás do balcão. Juntou duas mesas à que estava encostada à parede e mais próxima da caixa registadora.

 

Pensei para comigo:

 

- Que diabo! Será que nos estão a confunfir com “Os 7 Magníficos”?!

 

Ou será com “Os Sete anões”?!

 

O taverneiro voltou com um copo para cada um de nós os «Sete» e duas canecas com uma canada de «tinto», cada uma.

A hora andava pelas onze da manhã.

 

- Ora, meus senhores, o que βai mais ser?  - pergunta, alegremente, o taberneiro.

 

Passando a língua pela beiça, os «arqueiros do Arrabalde» (ou “espadachins”?!), disseram ao «capitão» aperaltado que estavam ali «às ordes»!

 

Demorei uns segundos a perscrutar  as «arqueiras» e «capitãs» expressões.

 

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E, quando o aperaltado «capitão do Arrabalde» ia abrir a boca para mais uma «voz de comando», agarrei-lhe o pulso para lhe abafar a voz.

 

Virei-me para o taverneiro, e ordenei:

 

- “Fachaβor” (tal e qual), traga azeitonas, pão centeio, «trigo de 4 cantos», uma travessa com presunto e queijo. Prepare umas moelas com piri-piri e duas codornizes para cada um de nós. “Se o senhor for servido”, junte-se a nós   -  é meu convidado!

 

Ajeitei-me na cadeira.

 

Soltei o pulso do «capitão do Arrabalde».

 

Eu ia para pegar na caneca, mas um dos «arqueiras» (ou «espadachins»?) adiantou-se-me, e disse:

 

- Se me dá licença, eu boto o βinho!

 

Percebi esta uma boa oportunidade para que o grupo  soltasse a língua.

 

Probou-se o centeio, o trigo, as azeitonas e o presunto, tudo bem benzido com o primeiro e segundo gole de vinho, com que se esvaziaram os copos.

 

- Não os deixem ganhar bafio! – avisei eu, mal engoli a última gota do meu copo.

 

Outro dos «espadachins» (ou «arqueiras»?), não querendo ficar-se atrás, botou a mão a outra caneca e, começando pelo meu (sinal de respeito?), encheu os copos.

 

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Da cozinha já chegava o cheirinho das moelas e o cantar das codornizes nas sertãs!

 

Clientes, que pelo andar e pelo olhar me pareceram habituais, iam entrando e ocupando as outras mesas.

 

Uns saudavam-nos só com um «bom-dia»!

 

Outros acrescentavam um «olá» ao nomearem alguém da minha “Companhia de «lanceiros»” ... ou de «armas dentadas».

 

Depois da primeira rodada das duas canecas e da segunda dentada nos aperitivos, claro está, consumada só depois das três primeiras provas a certificar a qualidade dos produtos, os «arqueiras» (ou «espadachins»?) já falavam uns com os outros, mas com os olhos postos no que estava posto na mesa, gabando as azeitonas e o queijo; garantindo que o «trigo de 4 cantos» era mesmo de FAIÕES; o pão centeio fora cozido no forno a lenha do João Padeiro.

 

Chegaram os pratinhos das moelas e mais duas canecas de canada.

 

Dirigi-me ao «espadachim» (ou «arqueiro»?) mais parecido com “Porthos”, pois, embora com ar vaidoso, era o menos falador, e perguntei-lhe:

 

- Ouça, amigo, que tal acha o molho das moelas?

 

Se o «trigo de 4 cantos« não calhar tão bem, mando vir «sêmea da Engrácia»!

 

O “Porthos” entendeu a ordem. Deitou a mão a um dos «4 cantos», corou-o, partiu-o ao meio, molhou-o bem molhado no molho das moelas, e meteu-o na bainha, quer-se dizer, à boca.

 

Ainda com a beiça colorida pelo piri-piri oleado, olhou para mim, e opinou:

 

- “Trás-d’orelha”, amigo!

 

Coradinhas, as codornizes foram servidas.

 

- Que linda cor! – exclamou o «fediola- arqueira» (ou «espadachim»?), parecido com “Errol Flyn”.

 

- Tem pimentos do vinagre? – perguntei ao taberneiro.

 

Ao sinal de assentimento, fiz sinal de quantidade, levantando dois dedos para o tecto e mexendo os lábios a soletrar:

- dois pratinhos!

 

Esta flaviense guarnição flaviense, legítima herdeira dos “Dragões de CHAVES” (séc. XVIII) e hoje consagrada Ala dos “Defensores de CHAVES”,  aquartelada no forte do Postigo das Manas, estava mesmo bem guarnecida de material de combate contra a falta de apetite.

 

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Vendo-nos entretidos na emboscada às codornizes, no golpe de mão aos «4 cantos», no ataque bucal ao «tinto», o taverneiro cuidou de começar a distribuir fumegantes pratos de caldo pelos outros clientes.

 

Foi assim que dei contar de se estar na hora do Jantar.

 

Porra! Almoço!

 

Antigamente (e eu já sou antigo) é que era «Jantar»!

 

Agora, a moda é «almoço»!

 

Desculpem!

 

Levantei a mão:

 

- PssssT!

 

-Imaginei-me o General Custer e o seu “7º de Cavalaria”, erguendo, tão garbosamente o braço a ordenar «Alto!», ao chegar a «Washita river».

 

- Meus senhores, acho que a hora dos aperitivos acabou.

 

Espero que se lhes tenha aberto o apetite.

 

Vamos almoçar?

 

Depois, querendo meter graça, acrescentei:

- Se algum tiver medo d’ao chegar a casa levar uma trepa da mulher, com o rolo da massa ou com os atilhos do avental, pode desertar!

 

Todos se riram a bandeiras despregadas.

 

Até os outros clientes!

 

Fiz sinal ao taberneiro (ele estava sempre muito atento à nossa mesa) para se aproximar. Ele aproveitou para trazer mais duas dionisíacas canadas.

 

Pareceu-me ter ouvido «entrecosto» e «bifana».

 

Como não estávamos numa 4ª feira, não estranhei a ausência de «feijoada».

 

Disse para o taverneiro:

 

- Para mim, e para começar, uma malga de caldo quentinha. Bem quentinha!

 

Reparei que, pelo silêncio, o caldo «furava a barriga» ao «capitão» e «espadachins» (ou «arqueiras»?) do Arrabalde!

Insisti:

 

Bem, uma malga de caldo para mim. E “fachabor” de trazer «bifanas» e, depois, «entrecosto» para todos.

 

“Os Santos, de CHAVES” [-na βerdade, não há outra Feira que se lhe compare, assegurou o «arqueiro» (ou «espadachim»?) muito parecido com o “Verdinho” das Casas-dos-Montes], o S. Caetano, a Srª da Saúde e a da Azinheira, o S. Pedro de Agosto (d’Águas Frias); as Verbenas; “Os Pardais”, “Os Canários” e o “Calypso”; os «bailes nos Bombeiros»; “os “Lázaros”; o «comboio batateiro»; o chincalhão, «as copas», o «sapo»; o contrabando ... do “Tabu”, dos caramelos e ... do resto; as cheias do rio; os «pic-nics» no Açude; as «tripas», no “Central», as almôndegas, no Mondariz, depois do cinema; e a Senhora das BROTAS quantos elogios e arroubos de eloquência mereceram naquela mesa!

 

1600-(35664)

 

Ao vir levantar os pratos e as travessas, o taberneiro, reparando nos copos vazios, sopesou as canecas.

 

- “Atão” este fica pra cerimónia?!- falou, referindo-se ao vinho que restava nas vasilhas de canada.

 

- Bem, disse o «espadachim» (ou «arqueiro»?) muito parecido com “Guevara” (usava boina galega, bigode à “Cantinflas e barbicha por aparar!), a mim quer-me parecer que parece mal esse restito ir para trás. É melhor aliβiar as canecas!

 

Pegou nelas, e escorropichou-as pelos copos dos cinco «arqueiros» (ou «espadachins»?)   -   eu e o «capitão aperaltado» havíamos tapado os nossos copos com a palma da mão.

 

- Bagaço!  – reclamou o «capitão do Arrabalde».

 

O taverneiro lá voltou, «rápido e depressa», à nossa mesa com duas garrafas e sete copinhos bagaceiros.

 

Apresentou as garrafas, uma em cada mão, e com elogios:

 

- Esta é uma «marelinha» das EIRAS; e esta é uma com ervas aromáticas!

 

- Deixe as duas, «fachaβor»!   -  ordenei.

 

Apanhei o meu copo bagaceiro, e falei para o taberneiro:

 

- Para mim, um copo dos grandes.

 

Tem Geropiga?

 

- O senhor está com sorte! Ontem mesmo, o meu compadre da Ribeira de Oura veio à cidade e trouxe-me uma garrafinha dela.

 

Um momento!

 

Lépido, o tavernerio correu a buscar a doirada bebida de OURA.

 

- Como vê, ‘inda não foi «incertada».

 

«Fachaβor» de se servir.

 

Peguei na garrafa. Levantei-a contra a luz e a contra-luz.

 

O saca-rolhas mostrou-se afinado.

 

Meei bem meado, que é como quem diz: quase enchi o copo, avaliei, na ponta da língua, a doçura; no meio, a acidez; e atrás, o amargo.

 

Ficou aprovada.

 

Com distinção!

 

Voltei a encher o copo (desta vez mais cheiinho) e bebi um gole a escorregar bem pela garganta abaixo.

 

Que bem me assentou no estômago!

 

O taberneiro mantinha-se ao meu lado, com enorme curiosidade pelos meus gestos, trejeitos e olhares.

 

Reparei no seu ar vaidoso, por ter um «rico» compadre!

 

E, para se certificar da satisfação que sentia com a oportunidade de exibir aquela preciosidade perante um «entendido», pergutou-me:

 

- “Atão”, que acha deste «achado»?

 

- Oh! Amigo! Isto é diamante puro!

 

E, se me dá licença. Agora que já a provei, vou beber um copo dela!

 

Meu dito, meu feito!

 

O «capitão do Arrabalde» e os «espadachins» (ou «arqueiras»?) iam alternando a «marelinha» com a «aromática»!

Quando eu ia para botar, após a «proβa», claro está, o segundo copo, reparei que as garrafas do bagaço já estavam vazias.

 

“Diligis, cadis cum faece sicutis, amici”!

 

Merenda comida, sociedade desfeita!  -  dizia-se no “intigamente”.

 

Seguindo o meu olhar, o taverneiro topou o mesmo que eu.

 

- “Tá tudo”?!  -  perguntou e exclamou o taberneiro.

 

Levantámo-nos da mesa.

 

O «capitão do Arrabalde» mais os «arqueiras» (ou espadachins»?) quase se engaliavam a ver qual deles era o primeiro a puxar da carteira, teimosa e casmurra a não sair do bolso, e a refilarem o «pago eu!».

 

Pisquei o olho ao taberneiro, homem fino que nem um alho!

 

Imperioso, imperativo e com aprumo de imperador (não fosse ele, taverneiro, descendente de Trajano!), berrou:

 

- Não adianta discutirdes!

 

A despesa já ‘stá paga!

 

Discretamente, passei para as mãos do taberneiro um rolo de notas a arredondar bem redondinha a «conta».

 

Eu ainda não tinha chegado à porta de saída e já o taverneiro estava a tentar meter-me no bolso do casaco uma garrafa.

Sussurou:

 

- O meu compadre da Ribeira de Oura traz-me sempre DUAS.

 

Tome. Esta é especial para o senhor.

 

E quando voltar a CHAVES «fachaβor» de me «βisitar»!

 

Agradeci, todo contente.

 

No LARGO do ARRABALDE despedi-me dos «garibaldis» flavínios.

 

As declarações, as «receitas», as opiniões, as queixas, as revelações, as «noβidades», as intenções e os testemunhos do aperaltado «capitão do Arrabalde» e dos «espadachins» (ou «arqueiras»?) guardei-os bem guardados na minha “Pasta de Documentos”, para «memórias futuras»!

 

Fui dizer adeus às “Freiras”.

 

Do Brunheiro, na aragem fresca que dele descia, um queixume de saudade espalhou-se pela cidade.

 

Mozelos, dezassete de Fevereiro de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

 

 

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Quarta-feira, 10 de Maio de 2017

Cidade de Chaves, uma imagem, um pormenor

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:42
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Cartas a Madame de Bovery

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Minha cara Madame de Bovery (1)

 

Conhecemo-nos há demasiado tempo e bem para que seja necessário eu fazer-lhe qualquer nota introdutória ou dar-lhe alguma satisfação deste meu propósito. Sei que nunca me questionaria sobre essa ausência, mas não posso deixar de o fazer.

 

Ambas somos reféns de uma educação que sempre colocou em segundo plano a liberdade individual e autónoma do pensamento, a decisão do livre arbítrio ou o simples manifestar de sentimentos, ainda que estando eles cobertos de razão. Sempre nos foi dito o contrário disso, que importa mais a razão e que só secundariamente e em casos muito específicos lhe podemos colocar o véu das emoções.

 

Começo então. Há muito tempo que sentia em mim esta vontade de lhe escrever e o facto de só agora o fazer e de ter coincidido com o post mortem do Comendador não é, ao menos de forma consciente, conto consigo para mo fazer ver à sua maneira e questionar a minha, como um substituto da alma ou uma pretensa forma de sublimar a minha solidão. Aceito bem que possa estar enganada, porque a recente partida do Comendador me não deixou indiferente e o que neste momento me surpreende, repare, mais do que preocupa, é o estado de alma ou de espírito em que me encontro.

 

Era fácil, talvez simples, chamar-lhe vazio, um sentimento de ausência, um inconformismo pelo já não estar! Tudo isto se adequava, do meu ponto de vista, a este presente que hoje vivo, mas não sinto nada disso e o que sinto não lho sei transmitir pela linguagem escassa e precária das palavras. Apesar disso, vou tentar.

 

É uma paz muito grande! É como se tivesse partido também com ele o meu desassossego. Ora isto é incompreensível! Então agora que me falhou o interlocutor para o meu agitado debate de ideias, pontos de vista e raciocínios ou diferentes ângulos de visão e perspectiva, é que me veio a quietude, a tranquilidade, o sossego?! E isto leva-me, literalmente transporta-me, para um pensamento estranho: simbolizaria o Comendador, em si mesmo, o meu próprio problema?! Uma sombra que só existe porque há simultaneamente um corpo?!

 

Tem toda a razão, já me ocorreu isso mesmo, se não será antes ou em vez disso aquele sentimento de que falávamos no outro dia: o desapego! Como se houvesse coisas cuja existência só é real quando estão relacionadas com outras e que quando as partes que de alguma forma as constituem se desintegram, morresse também com elas a intenção, o propósito, a razão de ser, a sua própria existência! Poderemos chamar a estas coisas reais ou elas são unicamente o produto, o resultado, a consequência de tudo o que ficticiamente as rodeia, a que apenas o nosso imaginário apela!? O ninho da águia sem a águia, que significado tem?

 

Sim, pergunto-lho a si porque a sei disponível para este tipo de coisas a quem, mais do que as questões intimamente relacionadas com o ser humano, lhe é grato o tema das relações humanas. É também verdade, não lhe colocaria a questão se eu mesma tivesse resposta para ela, ou colocar-lha-ia de outra forma!

 

Digo, quando a identidade do ser humano se molda pelas circunstâncias em que ele próprio vive e das quais significativamente depende, tem sinónimo em personalidade mais frágil?! Ou estamos, em sentido oposto, não contraditório, a falar de inteligência adaptativa, elasticidade mental, maturidade cerebral, sabedoria de vida, flexibilidade neuronal, sinapses conversíveis, emoções de substituição, compensações subversivas, raciocínios de alternância comportamental, etc. ou estamos tão-somente a falar de novos neurotransmissores, cuja actuação nos receptores está ainda por definir!? É por aqui?

 

Recuemos um pouco. Quando sentimos a falta do que deixámos de ter é porque isso era importante para nós ou simplesmente porque estávamos habituados a isso e é da mudança que temos receio e à qual nos não conseguimos adaptar?! Não, não fui completamente honesta quando falei no “simplesmente” habituados, porque é de facto muito custoso deixar hábitos, criar outros ou perdê-los sem ter novos! Acha verdadeiramente que os hábitos se podem substituir? Somos capazes disso? Com que intenção o fazemos? É sempre a de preencher um vazio? Será mesmo necessário este processo? Como caracterizaria este mecanismo: é primário, instinto de sobrevivência ou é um processo mais elaborado, com pressupostos estratégicos bem definidos? Há consciência nisto?

 

Recuemos mais um pouco. Antes de ter, temos necessidade disso? É no conhecimento das coisas que está a necessidade delas? Há quem diga o contrário, que as coisas surgem depois da sua necessidade: o fogo, a roda, a luz... a economia!

 

Sim, o processo é dinâmico! Dizemos sempre isto quando não sabemos responder às questões e achamos que elas não podem ficar sem resposta. Seria fácil se não soubéssemos isto ou se fossemos capazes de o ignorar, ainda que o soubéssemos! Nenhuma de nós é capaz disto, de fingir. Claro que sim, mas não chega, fica-nos a consciência disso por resolver!

 

Hoje, enquanto caminhava junto ao rio, veio-me à memória aquela sua frase que sempre me faz sorrir e instintivamente procurei uma pedra que, à semelhança das pessoas que vêm pelo rio abaixo aos trambolhões sem encontrarem uma pedra que as detenha, pudesse deter os meus pensamentos! Mas nada, a corrente era forte, o rio transbordava do leito pelas recentes cheias e arrastava tudo com ele, sem dó nem piedade. As águas eram turvas, pastosas, térreas, lamacentas e o meu pensamento espelhado nelas era de uma clareza aflitiva: o Comendador tinha partido e eu não sentia absolutamente nada, nem sequer culpa por causa disso!

 

Mais do que paz, subiu-me nesse momento pelas veias até à cabeça uma sensação de liberdade a ponto de ter falado: queres ver que eu estava presa?! Era por isso, minha cara Madame de Bovery, que de vez em quando me mandava entregar flores e doces, como se existissem grades nas minhas janelas, através das quais eu contemplava este nosso mundo?!

 

A senhora sabia e tentou dizer-mo de uma forma tão discreta e sublime que eu nunca percebi! Hoje, deixo-a aqui, não com os seus, mas com os meus pensamentos! Vê egoísmo nisto? De quem?

 

Com um abraço desta sua amiga

Maria Francisca

 

 

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Terça-feira, 9 de Maio de 2017

Devaneios com alguma lucidez à mistura...

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Agora chegado ao meu momento de estar a sós comigo próprio, apenas eu, vou tendo tempo  para alguma introspeção na tentativa de descobrir o porquê de às vezes chegar a esta fase do dia assim como agora estou e entre  devaneios, alguns rasgos de lucidez e outros de estouvadez, consigo chegar a algumas conclusões, mesmo que para isso tenha de recuar um pouco ao passado para melhor me compreender , e num de repente lembro-me de uma vez ter comentado um texto num blog amigo,  de autoria de um amigo, do qual reproduzo aqui um pouco:  

“ (…) poongzungting, pang-pong, pfind, tong, poongzungting, poongzungting, peng, pung, poongzungting, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, pung, poongzungting, poongzungting, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, pling, pang, pong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, pung, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, poongzungting, pang, pong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, poongzungting, pang, pong, pung, poongzungting, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plang, plong, plang, plong, pling, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, pling, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, pling, pling, plong, pang, poongzungting, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, pling, plang, plang, plong, plang, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, pling plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong, plong, plong, plong, plong, plong, plong-poongzungting-poongzungting, pang-pong, pfind, tong…”

 

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Eram textos deliciosos do tempo em que compreendia e percebia na perfeição esse meu amigo, a sua poesia e musicalidade quase de arpas celestiais (cuja música não conheço mas imagino). Infelizmente hoje já não escreve assim, tornou-se mais erudito, mais chato de ler, mais certinho e arrumadinho atingindo a banalidade do que é politicamente correto em termos de escrita, um verdadeiro intelectual, quase como aqueles poetas que escrevem um poema e vivem dentro dele sem dele conseguirem sair e compreender a realidade que vai à sua volta.

 

Há dias estive num congresso de Animação Sociocultural, quarenta e tal especialistas, quase todos professores doutores de universidades portuguesas e estrangeiras. Aprende-se muito nestes e noutros congressos, mas nele aconteceram dois momentos marcantes que para mim valeram todo o congresso, um por parte do Padre Lourenço Fontes quando à pergunta de se era verdade que as estrelas do céu em Vilar de Perdizes eram mais brilhantes?, ele respondeu: Não, falta lá uma… O segundo momento foi a entrada de um careto de Podence que também em resposta a uma pergunta, abeirou-se do parlatório e respondeu: “ Blá-blá-blá, blá-blá,  blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá. Blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá! Blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá,  blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá, blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá, blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá- blá-blá…. Claro que não vos vou deixar aqui a resposta completa, sobretudo porque foi longa, mas esclarecedora, assertiva e conclusiva, tanto que deixou todos os conferencistas e congressistas esvaziados de outra qualquer questão.

 

 

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 Como esta prosa já vai longa, passemos, tal como os advogados o fazem,  às conclusões onde está a essência de tudo, ou à moral da história se preferirem ou ainda à realidade das coisas ou do porquê chegar assim ao fim do dia e a resposta é simples – MEDIOCRIDADE, a dos homens, sobretudo a daqueles que têm como única ambição a ambição. É por isso que gosto de gente simples e estouvada. E com esta me vou à procura daquela estrela que falta no céu.

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:25
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Chaves D'Aurora

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  1. GRIPE PORTUGUESA.

 

Em Portugal, também verificou-se uma taxa elevadís­sima de mortalidade, com duas ondas epidémicas, sendo a mais letal entre os meses de agosto de 1918 e fevereiro de 1919. Atingia, sobretudo, as pessoas entre os 20 e os 40 anos, tendo causado cerca de 120.000 mortos no território continental. Sem saberem ao certo que medidas terapêuticas tomar, para evitar o contágio ou curar os doentes, os médi­cos aconselhavam apenas que se evitassem aglomerações. O pior é que o terrível mal fazia também adoecer (e falecer), por todo o território português, numerosos esculápios e pro­fissionais de enfermagem.

 

Em quase toda a região de Trás-os-Montes, as milícias do germe causaram muitas mortes. As vilas e aldeias da re­gião, mesmo isoladas, não podiam evitar que transitassem por elas os vetores humanos vindos da Espanha e de outras regiões da Europa. Uma Vila de Chaves diferente, portanto, era a que tentava, agora, sobreviver. Estima-se que a vila tenha sido vitimada em cerca de 40% da população.

 

Aos primeiros rumores da influenza global, alguns abas­tados como João Reis providenciaram todos os mantimen­tos necessários, para que se refugiassem por um bom tempo com suas famílias em aldeias serranas, plenos da esperança de que, nessa forma de quarentena, o mal por ali não os al­cançasse. A maldita, no entanto, em sua lotaria, já escolhera a menina Aurélia, deixando a todos na mais profunda cons­ternação. Logo tiveram que a isolar, mas felizmente foram acudidos pela bondosa comadre Hortênsia, que já levara por esses tempos ao Campo Santo o marido e uma das filhas. Porque olhasse “mais ao Céu do que a este chão de penitên­cia”, como aquela boa senhora se referia a “este mundo vão”, não tinha medo algum de cair nas garras da funesta dama da Grande Foice.

 

João Reis, confiante de que a boa comadre cuidaria bem da Lilinha, certificou-se de que todos os outros da casa estivessem perfeitamente sãos e pediu a Manuel de Fiães que preparasse bem os cavalos e o velho landó. De pronto já estava a levar Florinda e os outros filhos até à quinta de Sant’Aninha de Monforte, na Serra de Maios. No caminho, cruzaram com Adelaide, que também se evadia da vila, jun­to com o seu belo e fiel “afilhado”. Naqueles dias, porém, nem mesmo o gajo mais estúpido se punha a rir, à passagem da Carochinha. Até o mais simples sorriso de escárnio ou de alegria se ausentara dos lábios flavienses.

 

Ao subir à serra, Florinda esteve, em boa parte do trajeto, a pedir aos filhos que tapassem os olhos. Em vão. Ninguém conseguia deixar de os dirigir, horrorizados, para os tantos mortos que eram levados em rústicos caixões, os miúdos em caixotes, todos de confeção ordinária, ou até mesmo em simples macas improvisadas, feitas com lençóis e cobertores remendados. Os mesmos panos em que os moribundos ha­viam acabado de se entregar ao sono derradeiro.

 

 

fim-de-post

 

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Segunda-feira, 8 de Maio de 2017

Quem conta um ponto...

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341 - Pérolas e diamantes: O desfasamento

 

Foi a divina Atena, a filha de Zeus, quem, se não me engano, colocou no espírito de cada um o contrário do que está no espírito do outro. Por isso é que a vida é bela e as discussões e dissidências fazem parte da existência em sociedade.

 

Devemos sempre lembrar-nos de que a opinião que temos uns dos outros, as relações de amizade, os laços familiares, etc., nada têm de fixo, antes são, como dizia Marcel Proust, eternamente móveis como o mar.

 

Por isso é que casais aparentemente muito unidos se separam e amigos que julgávamos inseparáveis dizem infâmias acerca um do outro. Mesmo as grandes alianças entre os povos se desfazem em pouco tempo.

 

Uma coisa no entanto sei: para as pessoas puras tudo é puro. Mas elas são tão poucas.

 

Depois vêm os aborrecimentos. Como dizia o senhor de Charlus, nada é mais agradável do que sofrer aborrecimentos por uma pessoa que valha a pena.

 

O lamento do aristocrata continua válido. “São as pessoas do meu mundo que não leem nada e têm uma ignorância de lacaios. Dantes, os criados de quarto do rei eram recrutados entre os grandes senhores, e agora os grandes senhores pouco mais são do que criados de quarto.”

 

Como válida continua a ser a história daquele homem que julgava ter numa garrafa a princesa da China. Era perseguido por essa loucura. Curaram-no dela. Logo que deixou de estar louco, ficou estúpido.

 

Existem maleitas de que se não deve querer curar ninguém, pois são as únicas que nos protegem de infortúnios ainda mais graves.

 

Por vezes chove e venta e depois instala-se uma neblina fria que só se levanta lá para o meio-dia. Mas quando o sol chega, nós renascemos e a existência permanece intacta dentro de nós. Essa mudança de tempo basta para recriar o mundo e nos recriar a nós.

 

Que podemos então dizer se aquilo que jugávamos inicialmente provável se veio a revelar falso e num terceiro momento tornou a ser verdadeiro?

 

A necessidade de falar impede-nos não só de ouvir, como de ver.

 

Por isso nos rimos. Rimo-nos quando percebemos que existe um desfasamento entre aquilo que esperamos que as coisas sejam e aquilo que descobrimos que elas verdadeiramente são.

 

Com a ajuda de Ricardo Araújo Pereira, transcrevo agora um excerto de The Importance of Being Earnest.

 

“Jack: Gwendolen, é terrível para um homem descobrir subitamente que, ao longo de toda a sua vida, não disse outra coisa a não ser a verdade. Serás capaz de me perdoar?”

 

“Gwendolen: Serei. Porque sinto que és capaz de mudar.”

 

Aristóteles disse que o riso é exclusivo dos homens. Nisso distinguimo-nos dos outros animais. E igualmente de Deus.

 

RAP tem uma hipótese. Ei-la, por junto e atacado: “O homem é o único que ri porque também é o único que tem consciência da sua própria extinção. Os animais desconhecem que vão morrer, e Deus sabe que é eterno.”

 

Afinal, o artista é um homem mediano. A obra de arte mais não é do que o resultado do esforço de uma mente específica.

 

O escritor é, segundo Gonzalo Torrente Ballester, um homem capaz de produzir imagens coerentes e de as expressar por palavras.

 

Escrever é um ofício, por mais que os defensores do êxtase místico e da musa desaforada pretendam negá-lo, ou reduzir ao mínimo a sua importância.

 

“Devemos ter sempre presente que Miguel Ângelo, além de genial escultor, era um perfeito canteiro.”

 

O filósofo espanhol Arauguren avisou-nos que apesar de vivermos demasiado longe de onde as coisas se decidem para podermos participar diretamente na sua elaboração, vivemos demasiado perto para as ignorarmos e deixarmos que a nossa realidade segregue as suas próprias superestruturas. 

 

João Madureira

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Domingo, 7 de Maio de 2017

O Barroso aqui tão perto... Gralhós

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montalegre (549)

 

GRALHÓS 

 

Hoje em dia, apetece-nos ir até Montalegre, pegamos no popó e ala, viramos em direção ao S.Caetano, subimos a Soutelinho e depois é seguir a estrada pelo planalto do Alto Barroso que logo a seguir estamos em Montalegre. E se dúvidas houvessem, bastava chegar ao Planalto ou a Soutelinho da Raia, que é a mesma coisa, e seguirmos em direção à Serra da Larouco que a certo ponto as torres do Castelo de Montalegre indicam-nos onde é a vila.

 

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Mas nem sempre foi assim e no meu tempo de criança, ter popó ainda era um luxo e as idas a Montalegre faziam-se nas camionetas de Braga ou carreiras do “tio” Magalhães, que também é a mesma coisa, com escala no Barracão para mudar para a segunda camioneta que nos levaria até Montalegre pois a outra seguia para Braga.

 

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Essa segunda camioneta, logo a seguir ao Barracão abandonava a EN 103 para entrar na estrada Municipal 308 e logo, logo a seguir fazer a primeira paragem em Gralhós, a nossa aldeia de hoje.

 

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Lembro-me dessas paragens e pouco mais, pois a memória neste tempo que passou deu prioridade a outros registos mas também porque a partir de certa altura, aí por meados ou finais dos anos setenta, a escala das carreiras de Braga passou a fazer-se em S.Vicente da Chã e Gralhós foi ficando ao lado, ou bem ao lado, pois a partir dos finais dos anos setenta as nossas idas à Vila de Montalegre passaram-se a fazer via Soutelinho da Raia.

 

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Sinceramente penso que desde criança que já não passava por Gralhós e se passei, penso que o fiz ao lado, pois parece-me que entretanto foi construída uma variante que teria retirado a passagem da estrada pelo centro da aldeia, pois o que retenho na memória não é nada daquilo que se vê da atual estrada, aliás um vista que pouca justiça faz a beleza que esta aldeia tem na sua intimidade.

 

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Sim, de facto fiquei surpreendido com a aldeia pois vista a atual estrada ela engana. Já na sua intimidade somos surpreendidos pelo conjunto do casario aquele que é típico no Alto Barroso e que ainda chega a Gralhós, já terras da chã barrosã e já na transição para o Baixo Barroso.

 

1600-gralhos (52)

 

Alto e Baixo Barroso que para quem não é do Barroso pode gerar alguma confusão. Para quem conhece o Barroso, a fronteira entre os dois Barrosos é fácil de detetar, pois em termos paisagísticos são bem diferentes, isto para não estarmos a complicar mais, como eu costumo fazer, pois para mim há mais que dois Barrosos, tal como as suas fronteiras que comummente ficam limitadas aos concelhos de Boticas e Montalegre, para mim vão mais além, mas hoje não quero ser eu a divagar sobre o assunto e vou passar ao que existem em documentos escritos, tal como acontece na Etnografia Transmontana – I Crenças e Tradições de Barroso, de António Lourenço Fontes.

 

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Pois na atrás mencionada Etnografia sobre o Barroso diz-se o seguinte:

“ BARROSO – Território de montanhas que compreende todo o concelho de Montalegre, quase todo o de Boticas, diminuta parte do de Chaves (Soutelinho), parte de Cabeceiras de Basto (Magusteiro, Formigueiro, Toninha, Moscoso da freguesia de Rio de Ouro) e de Vieira (Lamalonga, Campos e Ruivães). « Etnografia Portuguesa V 3.º Leite de Vasconcelos. Divide-se esta região em duas partes: “

 

1600-gralhos (48)

 

E continua:

“ O Baixo e Alto Barroso. As terras mais altas e frias são o alto Barroso e as mais baixas e férteis são o baixo Barroso. Há quem não queira chamar-se Barrosão. Mas também se diz: são Barrosões os habitantes, da margem direita do Tâmega, desta zona.

Apesar de serem Barrosões dizem os do Baixo Barroso, quando se referem aos do Alto Barroso: lá p’ra Barroso.”

 

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Só há dias li esta descrição sobre o Barroso e foi para mim novidade o Barroso entrar em terras de Cabeceiras de Basto e de Vieira, já a dos Barrosões da margem direita do Tâmega não me surpreendeu, pois os flavienses mais antigos das montanhas da margem esquerda do Rio Tâmega dizem isso mesmo ou parecido, tal como já ouvi algumas vezes: “Para lá do Tâmega é tudo Barrosão”

 

1600-gralhos (43)

 

Curiosa esta descrição do Barroso além Tâmega (margem direita), pois a ser aí o limite do Barroso, a cidade de Chaves também é Barrosã. Quem conhecer bem a nossa região sabe que esta divisão do Rio Tâmega, que eu alargaria a toda a Veiga de Chaves, faz sentido, pois se desde a Veiga de Chaves subirmos as montanha em direção a Poente temos a Terra Fria, se as subirmos na direção contrária, para Nascente, subimos para a Terra Quente. Pessoalmente, embora a minha nascença até tivesse sido na margem esquerda do Tâmega, aceito os limites do Rio, e sem qualquer influência da minha costela materna barrosã.

 

1600-gralhos (35)

 

Passemos a Gralhós, mas antes ainda mais um dos meus devaneios e mais um regresso ao passado. Quase todos os topónimos das localidades de Montalegre me são familiares desde criança ou desde adolescente, ora por ouvir falar deles aos meus pais ou por mais tarde tomar contacto com eles em leituras, principalmente do Bento da Cruz. Acontece porem que embora conhecendo os topónimos e mesmo as localidades, por ter passado por elas, houve sempre quatro localidades que eu confundia, duas a duas, e só passando por elas é que eu verdadeiramente as localizava. Eram elas Meixide e Meixedo e Gralhas e Gralhós. Hoje já me são familiares e inconfundíveis, isto por tanto passar por elas, exceção para Gralhós, mas que, mesmo que fosse por exclusão de partes, hoje chegaria até à sua localização.

 

1600-gralhos (49)

 

Passemos então à sua localização, da qual já fomos deixando aqui alguns apontamentos, pois é mais uma aldeia das proximidades da Estrada Nacional 103, a apenas 600 metros, isto até às primeiras casas, pois até ao núcleo são cerca de 1000m. Quanto às suas coordenadas são as seguintes: 41º  47´ 14.35”N e  7º  44’ 16.39”. Já quanto a altitude, estando no planalto de terras da Chã, varia entre os 900 e os 1000m, sempre acima do primeiro e abaixo do  segundo valor. A 6Km de Montalegre (linha reta) e a 2.6 Km da Barragem dos Pisões (linha reta). Mas como sempre, para melhor localização, fica o nosso mapa.

 

mapa-gralhos.jpg

 

Quanto a outras referências para a aldeia há a assinalar a antiga via romana e também teria sido por Gralhós que passava uma importante via medieval. Em terras da Chã e redondezas existem ainda alguns marcos miliários e pontes romanas, o que é natural, pois por aqui passava  uma das mais importantes vias romanas as Vias Augustas, neste caso a Via XVII que ligava as então cidades de Bracara (Braga) – Aquae Flaviae (Chaves) e Asturica (Astorga), esta já em Espanha.

 

1600-gralhos (28)

 

Como nas nossas habituais pesquisas pouco ou nada encontrámos, restam-nos aquilo que por lá nós vimos e apreciámos. Logo na entrada da aldeia aquilo a que se pode chamar um conjunto de traços da nossa cultura portuguesas, mas também da cultura comunitária barrosã e transmontana. Umas alminhas, tendo a um lado de uma fonte/bebedouro e no outro um tanque comunitário. Também como traço da nossa cultura, pelo menos de outros tempos, as cores utilizadas nas portas de madeira com a cor vermelha sangue de boi que como rival só tinha o verde garrafa e às vezes o castanho escuro.

 

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Já na intimidade da aldeia, um cruzeiro, alguns tanques/bebedoros, fontes públicas com ou sem tanques  e umas ruinas da antiga capela onde mantem quase intacto o vão de entrada da porta principal em arco.

 

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No núcleo da aldeia, ou seja na aldeia antiga mantem-se a integridade do seu casario, embora quase todo abandonado e muitos em ruinas ou em mau estado de conservação. Exceção para algumas recuperações que foram mantendo a traça original. As novas construções aparecem na periferia da aldeia junto aos acessos à aldeia antiga. Pelo que se disse já se percebe que a aldeia esta fortemente despovoada, apenas alguns resistentes com alguma habitações de ocupação temporária. Aliás na nossa passagem pela aldeia antiga vimos apenas uma pessoa.

 

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Em redor da aldeia, terras da Chã, ou seja do planalto, o verde vai-se impondo, sobretudo em pastagens e alguma, pouca, floresta autóctone. Culturas, só as próprias das terras altas,  embora, como um pouco por todo o Barroso, água não falta.

 

1600-gralhos (8)

 

Como conclusão, foi uma das aldeias que, como já atrás dissemos, nos surpreendeu pelo conjunto da aldeia antiga. Gostámos do casario típico barroso (Alto Barroso) e embora lamentando o despovoamento e o abandono das casas, é uma aldeia interessante à qual recomendamos uma visita para quem gosta da ruralidade genuína barrosã.

 

1600-gralhos (15)

 

E para terminar as habituais referências e links para anteriores abordagens a localidades e temas do Barroso.

 

Bibliografia

Fontes, António Lourenço – “Etnografia Transmontana – I Crenças e Tradições de Barroso”, Montalegre, 1977 – Edição de Autor.

 

Sítios na WEB

http://www.cm-montalegre.pt/

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

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Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

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Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

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Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

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Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

 

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Sábado, 6 de Maio de 2017

Assureiras de Cima - Chaves - Portugal

1600-art-(3)

 

Estamos na altura das caminhadas e esta, a caminhada pelas Três Vilas flavienses (Assureiras de Baixo, Assureiras do Meio e Assureiras de Cima), começou há três semanas. Aparentemente uma longa caminhada pela demora no tempo, mas na realidade, entre a Vila de Baixo e a Vila de Cima apenas distam pouco mais de dois quilómetros, ficando a Vila do Meio, tal como o topónimo indica, a meio das outras vilas.

 

1600-assureiras-m (16)

 

Também a caminhada dentro das vilas se faz com a brevidade que a dimensão de cada uma recomenda, mas sendo as três vilas de pequena dimensão, poderíamos partir do princípio que nos demorámos por lá pouco tempo, e em parte assim foi, pelo menos na Vila de Cima, a mais pequena das três e na Vila do Meio, maior que a de cima, mas nem por isso muito grande, Já na Vila de Baixo acabámos por passar lá um bom pedaço de tarde, isto porque há dimensões e dimensões, ou seja, as vilas na sua dimensão não contam apenas as ruas, as casas e os largos, pois há também a dimensão humana a ter em conta, afinal esta é mesmo a razão pela qual as vilas existem. Se nas vilas do Meio e de Cima não houve oportunidade de tomar contacto com a dimensão humana, já na Vila de Baixo a dimensão humana estava na rua e como tal, sempre que tal acontece, gostamos de tirar as medidas e essa dimensão, não por bisbilhotice, longe disso, mas por querermos saber como vai o pulsar e saúde dessa dimensão, por podermos ouvir os seus lamentos e sonhos, por podermos medir a força da sua resistência, mas também, porque na descoberta desta dimensão humana aprendemos sempre alguma coisa.

 

1600-assureiras-m (17)

 

Mas hoje estamos na Vila de Cima, a mais bucólica das três, uma autêntica vila, só lhe falta a velha casa na encosta que quando existia ainda em pé, mesmo que abandonada, despertava em nós sonhos como se fossem possíveis projetos dentro dela, mas isso foi antes dela ser as tristes ruínas com que hoje se apresenta. As pessoas lá vão tendo a força de resistirem à partida dos seus, as casas não!

 

 

 

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