12 anos
Segunda-feira, 20 de Março de 2017

Quem conta um ponto...

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333 - Pérolas e diamantes: O carinho enternecedor da burguesia

 

A propósito do seu último livro “Os Pobres”, a socióloga Maria Filomena Mónica deu uma interessante entrevista ao jornal de Negócios onde defende que em Portugal existe uma espécie de “apartheid” social, pois a composição da sociedade portuguesa é de tal forma desigual, e essa desigualdade é já tão antiga, que surge aos nossos olhos como uma coisa normal e banal.

 

Esta sua preocupação com a pobreza teve início logo na sua adolescência, quando, na companhia de freiras, foi levada a um bairro de lata em Lisboa para poder ver os pobres no seu meio e dessa forma iniciar o seu treino para exercer a caridade. Disseram-lhe que exercendo a caridade rapidamente iria para o céu. MFN não considerou que a sua viagem para o céu justificasse aquilo que viu.

 

Na sua perspetiva, “a caridosa burguesia tradicional cultivou a pobreza dos outros com um carinho enternecedor. Nunca lhe passou pela cabeça que talvez fosse possível acabar com ela ou, pelo menos, tratar muito seriamente disso”.

 

No seu livro pode ler-se este belo naco de prosa: “Cultivavam-se os pobrezinhos, regavam-se com bocadinhos de pão com conduto, com pequenas moedas e cultivava-se sobretudo a sua pobreza. Havia a comida dos pobres, as visitas dos pobres e a sexta-feira que era dia dos pobres.”

 

Esta crítica ao antigamente, também se estende até aos dias de hoje. Reconhece que as redes de solidariedade social, muitas delas com presença de pessoas católicas, até realizam um bom trabalho. Mas a ideia que lhe está por trás é que os ricos estão por cima dos pobres.

 

De facto, estas redes apoiam mas não estimulam as pessoas a sair da pobreza. Habituam-nas a pensar que a pobreza é uma coisa normal. Sim, existem pobres e qual é o problema? O problema é que não devia haver. Ou pelo menos não deviam existir tantos. Propaga-se então a ideia de que não são iguais a nós, de que não têm as mesmas necessidades, de que se satisfazem com menos. Esse é o carimbo da desigualdade. E a desigualdade ali fica como uma espécie de barreira intransponível.

 

De um lado os ricos, que necessitam das melhores coisas. Do outro lado, eles, que são pobres, só necessitam do básico e servido em pequenas doses para não oparem.

 

Desde cedo que MFN abandonou a religião. Ou melhor, foi expulsa da Igreja por um padre. Foi um drama para a sua mãe, que era dirigente da Ação Católica Portuguesa.

 

Revoltava-a a visão da pobreza por parte da Igreja, onde os pobres estavam sempre a mendigar a ajuda dos ricos, e onde estes, sob o olhar majestático de Deus, se viam obrigados a exercer a caridade.

 

Para ela, isto era um sinal de que a Igreja não tinha compaixão por aqueles que mais sofriam e dava boa consciência aos ricos, que tricotavam três casacos de bebé para dar no Natal e iam para casa. “Eu não conseguia fazer isso.”

 

Não se resignava à glorificação do sofrimento. Os pobres eram resignados e aceitavam a doutrina de Cristo, pensando que “estavam ali para serem pobres e não havia nada a fazer. Pessoalmente, eu não quero ser resignada, não queria e não quero sê-lo no futuro”.

 

Na sua infância, a socióloga conviveu com pessoas das boas e católicas famílias portuguesas. Até das mais antigas. Considera no entanto que, apesar da sua bondade, não lhes passava pela cabeça que a desigualdade social é um crime. Já os seus colegas universitários, que eram todos do MES (Movimento de Esquerda Socialista), achavam que os pobres iriam desaparecer de um dia para o outro. Ela também achava, mas depois verificou que não era assim.

 

Eles aí permanecem com todo o seu esplendor. Apesar disso, pensa que com todas as críticas que se possam fazer à sociedade portuguesa, “não há comparação entre aquilo que se vive hoje e o que se vivia há 50 anos. Portugal melhorou bastante e as pessoas, às vezes, esquecem-se. A tendência é para glorificar o passado. O passado, para algumas pessoas, tornou-se um mito. Dantes é que era bom. Dantes, mas quando?! Só se for no século XII”.

 

Apesar de pertencer à secção dos portugueses ricos, Maria Filomena Mónica não se deixa apanhar na teia do ceticismo. É que os ricos são todos iguais, mas há os que são mais iguais do que outros.

 

Oiçamos a sua opinião sobre a União Europeia: “Não posso dar-me ao luxo de ser uma eurocética. Porque não pertenço a um país rico. Se pertencesse à Escandinávia, seria eurocética.”

 

João Madureira

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Um elogio à Primavera com flores de cerejeira

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Hoje regresso à cidade com um elogia à Primavera que hoje se instala entre nós. Um elogio com este punhado de flores que espero a Primavera ajude a transformar num punhado de frutos, redondinhos e vermelhinhos para poder saborear.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:13
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Domingo, 19 de Março de 2017

O Barroso aqui tão perto... Negrões

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Vamos lá então mais uma vez até ao Barroso que fica aqui tão perto. Hoje toca a vez a Negrões que embora só hoje chegue aqui o seu post, já passou por aqui noutras ocasiões e a respeito de outros assuntos, como por exemplo com o assunto Miguel Torga, que visitou esta aldeia pelo menos duas vezes, isto a julgar pelos registos nos seus diários, mas lá iremos.

 

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Transmontano de gema, nascido aqui, bem entalado entre os seus montes, desde criança que tinha a curiosidade de saber como era viver fora de tanto monte, como seria viver à beira mar, à beira de um lago, numa ilha. Esse viver, embora não fosse um sonho meu, deveria ter um certo fascínio e uma dose de encanto. Foi assim até que vi o mar e em breves períodos de verão por lá vivi um pouco, tal como foi assim quando durante um ano vivi numa ilha, ou seja, não se quebrou o encanto nem se perdeu o fascínio, mas viver lá ou cá, tanto faz, ao fim de um ou dois dias, passam a interessar mais a casa que nos serve de abrigo, as ruas e caminhos que têm de receber os nossos passos e as pessoas, principalmente aquelas que também nos servem de abrigo e se cruzam ou caminham ao nosso lado nas ruas e caminhos.

 

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Toda esta prosa do viver ao pé da imensidão da água vem a respeito de Negrões, pois vista ao longe parece viver intimamente ligada à albufeira do Alto Rabagão e à água que quase parece entrar-lhes pelas casas adentro, mas depois de se entrar na intimidade da aldeia, depressa se esquece a água e passa a ser uma aldeia como outra qualquer isolada no meio de qualquer montanha sem água por perto. As casas abrigo, as ruas, os largos, as pessoas e os animais é que fazem a vida da aldeia, a água ali mesmo ao lado, é como se estivesse lá por estar, quando muito, limita-lhes a liberdade de por ali não poderem caminhar ou cultivar os campos.

 

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Contudo, e sem que isto seja uma contradição ou desdizer aquilo que foi dito, torna-se fascinante e a aldeia tem o seu encanto vê-la assim arrumadinha ao lado do grande lago, entalada entre a água e a montanha, com as suas cores de amarelos, verdes, laranjas e vermelhos e contrastar com o azul do céu que a água também reflete ou o azul escuro das montanhas mais distantes, quase parece, ou melhor, é um dos versos desse poema que Torga intitulou de Reino Maravilhoso.

 

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E já que falamos de Torga vamos então ao que ele registou no seu diário, suponho que na primeira vez que visitou Negrões, em 28 de maio de 1955.  

 

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Negrões, Barroso, 28 de Maio de 1955

Por mais que tente, não consigo reduzir estas vidas de planalto a uma escala de valores comuns. Foge-me das duas mãos não sei que força incomensurável que, exactamente por ser assim, se alcandora nos olimpos possíveis do mundo. Nada existe aqui de notável a testemunhar uma actividade humana superior ou singular. Seres esquemáticos , num ambiente esquematizado. E, contudo, cada indivíduo parece trazer à sua volta um halo de intangibilidade divina.

Talvez seja a própria pobreza do meio que, despindo-os de todo o acessório, lhe evidencie a essência. E a nossa perturbação diante deles seria a perplexidade de pobres Adões cobertos de folhas diante de irmãos que permanecem nus.

Miguel Torga, In Diário VII

 

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Entremos então em Negrões, que vista ao longe é uma coisa e na sua intimidade é outra, e não muito diferente das restantes aldeias do Barroso, principalmente das aldeias do Alto Barroso, das aldeias da Chã que estão do outro lado da albufeira ou das aldeias da proximidade do Larouco. Serra do Larouco que desde Negrões mostra a sua imponência, lá ao fundo, a Norte, já a confundir-se com o azul do horizonte que não é mais que céu galego. Na realidade, hoje Negrões está nas faldas da  Serra do Barroso, ao nível do grande planalto que aí começa e só termina, precisamente, na Serra do Larouco. E disse que hoje Negrões está nas faldas da Serra do Barroso, pois penso que nem sempre foi assim, pelo menos antes de 1964, ano da construção da Barragem, a Serra descia até aquilo que hoje é o fundo da barragem.

 

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Voltemos a Negrões e a Miguel Torga, com mais um registo do seu diário, ao qual suponho ter tido a influência da sua companhia de então e talvez as obras da própria barragem não seja alheias ao desabafo, mas isto sou apenas eu a supor, mas seja como for, as palavras de Torga continuam atuais e eu assino por baixo…

 

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Negrões, Barroso, 24 de Setembro de 1960

Tanto monta ser aqui, como no Terreiro do Paço. Ouvir um político, é ouvir um papagaio insincero.

Miguel Torga, in Diário IX

 

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Vamos à localização, que tal como já dissemos atrás, Negrões, situa-se junto à barragem dos Pisões ou Alto Rabagão, bem juntinha a ela, mais precisamente nestas coordenadas: 41º 24’ 27,55” N e 7º 47’ 02,26” O. Como sabem, e se não sabem ficam a saber, a E.N. 103 passa junto à barragem, mais ou menos a fazer as curvas das curvas da sua margem. Pois Negrões fica na outra margem, precisamente na margem oposta à estrada nacional, mas é a partir desta que se pode chegar até à nossa aldeia de hoje. Se for desde Chaves em direção a Braga, logo a seguir ao Barracão, no cruzamento da Aldeia Nova do Barroso, em vez de entrar para esta, vira para o lado oposto, ou seja, vira à esquerda, deixando a estrada Nacional, depois passa Criande, depois ao lado de Morgade e continua em frente que a próxima aldeia é Negrões, mais ou menos a meio da Barragem. Se vier de Braga, entra logo no paredão da barragem e quase logo a seguir ao paredão, vira à esquerda e logo a seguir a Vilarinho de Negrões, vem Negrões. Quanto à altitude, como é hábito em terras barrosas, são terras altas, Negrões está próxima dos 900 m de altitude. Para melhor localização, fica o nosso habitual mapa.

 

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Ainda antes de passarmos àquilo que encontrámos nas nossas pesquisas, vamos às nossas impressões pessoais sobre Negrões. Como já atrás dissemos, a sua localização em relação à barragem, uma península, dá-lhe um encanto singular, quase tanto como o da aldeia vizinha de Vilarinho de Negrões, mas infelizmente Negrões não está tão bem localizada para posar e brilhar tanto em fotografia. Já dentro da aldeia, para além do casario típico barrosão, que ainda vai existindo com alguma integridade, temos a realçar duas construções, o forno do povo, este muito bem localizado para a fotografia e em bom estado de conservação, para além de ser um dos fornos típicos do Alto Barroso, com cobertura em lajes de granito. A outra construção é a Igreja, com torre sineira separada da restante construção, e digna de ser apreciada, pelo menos no exterior, pois quanto ao interior nada sabemos, mas pela certa será igualmente interessante.

 

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Ainda dentro das impressões pessoais, atraiu-nos uma ave-chaminé em particular, pelo seu design, que quisemos ver repetida numa imagem real de um passarinho, suponho que uma arvéolas (motacillae) no caso a arvéola branca ( motacilla alba). Quem acompanha o blog ficará admirado por eu reconhecer a ave e conhecer a espécie, principalmente depois de há dois ou três dia atrás não ter reconhecido um tentilhão, mas nem há como consultar quem sabe da coisa para termos certezas. Já quanto à espécie de aves que ficam a seguir, essas conheço-a bem, e no prato ainda melhor, principalmente se forem como estas, ou este (o galo), caseirinhos como mandam as regras das boas iguarias da nossa região, hoje um privilégio que poucos avezam.

 

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Agora mais alguns dados sobre a aldeia resultantes das nossas pesquisas, por exemplo no Arquivo Distrital de Vila Real encontrámos o seguinte:

“Negrões foi curato anexo à freguesia de São Vicente da Chã, no termo de Montalegre. 

Formou uma comenda com São Vicente da Chã que inicialmente pertenceu aos templários e depois ao convento de Santa Clara de Vila do Conde. 

Em 1839 aparece na comarca de Chaves e, em 1852, na de Montalegre. 

Freguesia do concelho de Montalegre composta pelos lugares de Lamachã,. Negrões e Vilarinho. 

A paróquia de Negrões pertence ao arciprestado de Montalegre e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922. O seu orago é Santa Maria Madalena.”

 

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 Vistas desde Negrões com a Serra do Larouco ao fundo

 

Num outro documento cuja autoria penso ser do Padre Lourenço Fontes, intitulado “Alguns Roteiros Turísticos a partir de Mourilhe Hotel Rural”, encontrámos o seguinte:

“Negrões, (S. Maria Madalena) terra que mereceu de fotógrafos franceses dois belos livros a preto e branco, junto com Vilarinho bebem e espelham-se com suas casas negras de granito nas águas límpidas e mansas do Rabagão em presa. Muitos canastros esguios, alguns sem cobertura adornam as eiras de pedra, e os milharais. Toda a margem do lago une as aldeias desde Pisões, com paisagens relaxantes, convidando a parar para saborear. O forno do povo de Negrões, inactivo como todos, coberto em granito é um monumento a contrastar com poucas casas brancas, que prendem fotógrafos do branco e negro, devoradores de cenários raros que a terra negra lhes oferece. A igreja paroquial, torre e adro valem pela estatuária bem conservada. Zona de caça turística e a situação encantadora destas aldeias são no Verão e Inverno motivos fortes para estas aldeias não morrerem, mas terem um crescimento ordenado a um turismo aberto, e de qualidade. Lamachã mais na serra , nos limites do concelho, mas no centro de Barroso Montalegrense e de Boticas, concentra numa rua algumas famílias a viver da pecuária e agricultura, tem um castro ainda com ruinas bem à vista.”

 

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No livro Montalegre, de José Dias Baptista, sobre Negrões e freguesia, encontrámos o seguinte:

 

“Também esta freguesia integrou a Comenda da Chã às Clarissas de Vila do Conde, pelo rei de D. Dinis.

Em 1862, nasceu em Vilarinho de Negrões, Domingos Pereira. Ordenado padre e já abade de Refojos (Cabeceiras) contra vontade de seu tio, o também padre João Albino Carreira, filiado no Partido Regenerador, filiou-se no Partido Progressista. Fiel ao seu credo partidário, tornou-se amigo íntimo de Paiva Couceiro e recusou aderir à República em 1910. Perseguido, como os outros chefes monárquicos, após a estrondosa derrota, no espaldão da carreira de tiro, em Chaves, foi condenado a 20 anos de penitenciária. Conseguiu colocar no Brasil os seus “soldados, na ordem de alguns milhares” e regressou a Espanha e à sua actividade conspiratória. Conspirou a vida inteira. Depois da amnistia de Sidónio Pais, teve acções preponderantes na proclamação da “Monarquia do Norte”, em 1919, participando nos combates de Cabeceiras, Mirandela e Vila Real.”

 

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E continua:

“Restaurada a República exilou-se em Espanha e foi condenado à revelia a 20 anos de prisão maior. Excluído, como Paiva Couceiro, da amnistia concedida aos monárquicos, regressou em segredo, em 1926, a Cabeceiras, onde viveu até 1942. Por falar em condenações, é de lembrar a condenação de José Pereira, de Lamachã, em 1947, a 29 anos e meio de cadeia “acusado de ser o autor moral” dum crime que de certeza não cometeu. Eram assim os tribunais e juízes fascistas. Esta freguesia (e a maior parte de Barroso) ganhou direito à imortalidade através da documentação fotográfica “La Mémoire Blanche” de autores estrangeiros.”

 

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Como filhos da terra temos  António Carneiro Chaves que nasceu na aldeia de Negrões,  em 1943. Licenciou-se em Economia, no Instituto Superior de Economia de Lisboa, e obteve o grau de mestre em Economia Europeia no Instituto de Estudos Europeus da Universidade Livre de Bruxelas.

Foi correspondente da RTP e do semanário O Jornal, e colaborador de outros órgãos, durante a sua permanência na Bélgica.


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António Carneiro Chaves foi bolseiro do Instituto para a Alta Cultura e bolseiro do governo belga e da Gulbenkian para a especialização em Economia Europeia.

Enquanto Quadro Superior do Instituto do Comércio Externo de Portugal, foi responsável pelo acompanhamento da conjuntura económica nacional e internacional e do sistema monetário internacional, tendo publicado vários estudos na imprensa especializada.

Foi docente do ensino superior na área de Gestão e Marketing Internacional durante mais de duas décadas e trabalhou como consultor com as mais destacadas empresas de serviços na área de gestão e formação de gestores, diretores e quadros superiores de empresas.

 

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E por hoje com a aldeia de Negrões, vai sendo tudo. No próximo domingo cá traremos mais uma aldeia do Barroso de Montalegre.

 

Por hoje só nos restam mesmo as referências à feitura deste post, bem como os habituais links para posts anteriores com aldeias e temas do Barroso.

 

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Bibliografia

“Montalegre” de José Dias Baptista, edição do Município de Montalegre, 2006

 

Sitíos na WEB

http://digitarq.advrl.arquivos.pt/details?id=1066306

http://ultramar.terraweb.biz/06livros_AntonioCarneiroChaves.htm

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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Sábado, 18 de Março de 2017

Almorfe - Chaves - Portugal

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Toma-se a Nacional 314 em direção à Serra do Brunheiro, passa-se o Peto e Lagarelhos, e lá em cima, já no planalto a caminho das Terras de Montenegro, um pouco antes de France e um pouco depois do posto de abastecimento de combustível há uma placa de estrada que aponta para a direita onde diz “Almorfe”. É essa a nossa aldeia de hoje.

 

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Na minha tarefa de percorrer todas as aldeias do concelho de Chaves, Almorfe foi a última a ser visitada. Não por qualquer razão em especial, mas foi ficando para o fim e acabou por ser a última, isto há 10 anos atrás e, confesso, que foi a única vez que lá fui.

 

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E se as nossas aldeias estão cada vez mais esquecidas, despovoadas e envelhecidas no que toca à sua população, mas também às próprias aldeias, pois também elas envelhecem, estas, como Almorfe, que não calham junto a estradas principais ou no caminho de outras terras, são muito mais esquecidas.

 

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Poderão ser aldeias pequenas e esquecidas por muitos, mas aqui o blog não se esquece delas e quando toca a fazer uma ronda por elas, vamos a todas, nem que seja com recurso às nossas imagens de arquivo, como é o caso de hoje.

 

No próximo sábado toca a vez à Amoinha Velha, curiosamente bem perto de Almorfe, lá em cima, no Planalto do Brunheiro.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:41
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Sexta-feira, 17 de Março de 2017

O Factor Humano

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10 contos de reis, sem notas - 3

 

A vida é de cada um

 

Era o meu doente mais idoso e, de alguma forma, o mais distinto. Idade para ser o meu avô, gosto pela conversa pausada. Educação extrema, só se sentava depois de eu o fazer. Chapéu por vaidade ou hábito, bengala por necessidade, embora mantivesse um andar digno, subtil e graciosamente equilibrado por aquele bastão elegante.

 

Algumas tragédias na sua vida, a morte acidental de um neto, o falecimento de um filho com cancro, a morte da mulher, após demência precoce prolongada.

 

Mantendo sempre a cabeça levantada, gostando de conversar sobre tudo e nunca procurando promover a pena ou a compaixão por ele.

 

O senhor A. vinha sempre à consulta acompanhado por uma senhora, bastante mais nova, na casa dos cinquenta anos, roupa humilde, quase sempre silenciosa. Não se comportava como familiar, tratava-o com uma consideração expectável na relação com os mais velhos.

 

Escassas palavras comigo, o estritamente necessário para esclarecer o circuito da consulta e das análises e para clarificar a toma dos remédios. O senhor A. tinha uma doença crónica que inspirava alguma preocupação, mas não limitava a sua autonomia, nem a sua capacidade física.

 

Apesar das referidas agruras da vida, na sua conversa pausada havia alegria e firmeza, temperadas por quase 90 anos de experiências.

 

Um dia apresentou-se sozinho na consulta. Não comentou porquê e eu respeitei a reserva. Pareceu-me mais triste, mais calado, mas na altura não valorizei.

 

Na vez seguinte, de novo veio só, ainda mais cabisbaixo, menos falador. Confrontei-o com a sua tristeza e a ausência da senhora. Com um suspiro prolongado tentou ser reservado e arrumar o assunto. Mas eu insisti. Pareceu-me então ficar aliviado para poder falar e explicar-se: " sabe doutor, a senhora que costumava vir comigo, a Dona G., era quem tomava conta de mim e me fazia companhia", e prosseguiu de forma subtil, que a senhora não era apenas uma simples governanta, mas desempenhava um papel mais profundo na sua vida. A tristeza era que, filhos e netos, o tinham alertado para os interesses da tal senhora. Que ela teria segundas intenções, subentendendo-se avidez pelo seu dinheiro...

 

Ele tinha decidido aceitar e por isso tinha-a afastado. Contrariado, daí a sua tristeza.

 

Não resistir em interferir: " Mas alguns dos seus filhos ou netos tem problemas económicos?". " Felizmente não doutor, estão todos muito bem na vida. Bons empregos, boas casas, dinheiro...".

 

Fiz então a pergunta inevitável. " E o senhor gosta da tal senhora? Sente-se bem com ela?". "Sinto, é com ela que estou feliz, com a sua companhia", respondeu-me de forma sentida.

 

Fiz-lhe então um desafio, que muitos considerariam desadequado. "E porque não os manda dar uma volta e chama outra vez a senhora G. para ao pé de si?", expressando-lhe que o dinheiro e a riqueza eram dele e essas decisões só a ele diziam respeito. A sua vida era uma escolha só dele.

 

Abriu-se num sorriso e despediu-se mais animado.

 

Na consulta seguinte, veio de novo acompanhado. Algo de subtil se tinha dado entre os dois, parecendo agora mais libertos.

 

Pouco depois mudei de hospital para uma cidade distante, deixando de ser seu médico. Durante 3 anos, não me faltou um telefonema natalício dos dois, simpático e agradecido.

 

Sempre achei que eu é que devia agradecer a oportunidade de me ajudarem na minha maturação como médico.

 

 

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Quinta-feira, 16 de Março de 2017

O passarinho!

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Já o disse aqui mais de uma vez que de aves pouco percebo, lá vou conhecendo as mais comuns e que já andam por cá há muito tempo e pouco mais. E a minha ignorância tem aumentado nos últimos anos com o aparecimento por cá de novas espécies, como foi a cegonha e ultimamente as garças e outras de porte maior que também desconheço, no entanto vou vendo e ouvido e gosto do que vejo e oiço, só lamento não me ter dado para aprofundar o estudo da aves.

 

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Ontem por exemplo este passareco que hoje vos deixo em imagem fez o favor de posar para mim. Ele bem se mostrou de frente, de lado, de costas, além de várias posições mais complicadas.  Embora do tamanho do pardal, que esses conheço-os bem, vi logo que não era da família. Como lhe vi o dorso esverdeado, disse cá pra mim que deveria ser um verdilhão, mas em pesquisas na NET, os que vi, não são parecidos. Penso que este artista é um ao qual lhe tenho ouvido um canto de encantar, parecido com o rouxinol, mas não tenho a certeza, pois enquanto posou não cantou.

 

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Como gosto de saber aquilo que me entra na objetiva, também gostava de saber quem é este artista. Assim deixo o apelo para alguém que dai desse lado me possa dizer que ave é esta.

 

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Para ajudar na identificação, para o caso de interessar, vi-o ontem ao fim da tarde próximo do rio Tâmega, mas não muito próximo, pelo que penso que seja mais ave de terra do que de rio.

 

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Se alguém conhecer, agradecia mesmo que usassem a caixa de comentários para deixarem por lá o nome desta espécie de ave, ou então enviem para o mail do blog : blogchavesolhares@gmail.com

 

 

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Quarta-feira, 15 de Março de 2017

Cartas ao Comendador

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Meu caro Comendador (16)

 

 

Falo consigo como falo comigo. Já uma vez lho disse e o facto de o senhor não o ter comentado até hoje, esse e outros aspectos, não traz para mim qualquer impedimento ao nosso entendimento. Sei interpretar os seus silêncios como o senhor sabe interpretar a minha ausência deles, mas o que hoje se me apresentou clarividente é que ambos podemos estar iludidos!

 

Repare o senhor que o facto de supostamente haver duas cabeças com um único cérebro, levanta-me a questão se cada uma delas terá uma parte do seu cérebro que complementa a outra?! Sendo optimista, se nas duas cabeças haverá uma parte omissa, como que apagada, que sem capacidade de decisão deixa que a outra se imponha! Usando alguma imaginação, se manifestando-se só uma é um sinal de que a outra concorda, se uma parte delas ou nelas se está perfeitamente nas tintas para a expressão de ideias e pensamentos da outra, se ainda que em silêncio poderá discordar na íntegra de tudo o que a outra exprime e que apenas, por um sinal evolutivo, ultrapassou já essa necessidade de se explicar por existir nela, arrisco dizer, um pensamento livre e sereno, sinónimo de: estou numa fase da vida em que nada me incomoda. Ou se na dualidade existe, em vez de sobreposição, uma absoluta divergência sendo que uma se manifesta e a outra não! Quem cala não consente, ou então diria: eu também penso assim! Faz parte da natureza humana, porque é fácil, assumir ideias partilhadas, há um reforço de opinião pela mesma, as pessoas sentem-se mais seguras quando há um apoio de retaguarda. Já é contrário à mesma natureza humana dizer-se: eu, penso exatamente o contrário. A cobardia no exprimir de ideias é muito mais frequente e por isso é talvez mais provável que quem cala não consente! Esta é apenas uma das razões porque o silêncio me é penoso: não sei o que esconde, não sei o que encerra, não sei o que pretende, não sei o que raio pensa quem se cala! Sei que esta é uma divergência nossa!

 

O raciocínio não tem necessariamente, para fazer sentido gastar tempo nele, um determinado objectivo. Só por si, o exercício dele, pode ser útil e levar-nos a um outro propósito que pode até ser superior ao primeiro. É isto que eu nunca lhe conseguirei explicar e lamento por si! Quantas vezes tenho chegado a conclusões interessantes por insistir num raciocínio aparentemente sem lógica, raiz, sustentação razoável ou base estrutural? Quantas coisas surgem do nada, da catarse de ideias aparentemente infundadas ou sem sentido?

 

Há o acaso, também, sim, seja o que for que esteja na sua origem, ele surge-nos no dia a dia. Ter a noção disso é já um grande passo: se estivéssemos a dormir nunca o reconheceríamos! Fechar os olhos depois disto é a atitude de quem não quer saber! Pode fazer sentido se tivermos tomado a decisão conscientes de que foi uma escolha! Já é mais difícil para mim aceitar isso como um acaso sem intervenção minha! Que as coisas que nada me dizem respeito aconteçam, é pacífico, mas se elas têm consequências em mim, aí eu já questiono: fui ouvido? Se não, há que apagar o giz do quadro, não vá alguém copiar mal!

 

Mas isto resulta de uma estrutura construída em cima de uma base que considera o homem com direitos e obrigações e este conceito não está muito difundido! As pessoas acham-se com direitos e isentas de obrigações! Sim, claro que sim, falo das morais. A maior parte das pessoas exige dos outros o que não exige de si! Está tudo estragado: como é que eu posso ter respeito por pessoas que dão uma coisa como exemplo e praticam o contrário dela? E, sim é primário, perdendo o respeito pelo outro nada de bom se pode construir à sua volta. Se nos mereceram alguma estima podemos fazer algum luto, caso contrário, a vala comum poupa-nos tempo. É apenas uma imagem, embora saiba que entende as ideias de per si, prescindindo da sua representação!

 

As imagens são uma necessidade minha, uma descrença de que se possa apreender completamente uma ideia sem uma imagem que a sustente porque a imagem se memoriza em segundos! Sim, estou consciente, o senhor memoriza raciocínios à mesma velocidade, mas eu sou mais humano!

 

Um grande abraço do seu

José Francisco

 

 

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Indiferentes

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“Olha este! Cá está outra bez. Não me bastava o blá-blá-blá da carraça do gajo do telemóvel, que não me desampara a loja e está práqui a tapar-me as bistas, nem me deixa ber as coisinhas que passam, e bem-me este agora armado em repórter! Bahhhh! Mas que remédio, lá terá de ser, deixa-me ficar paradinho pra ber se o gajo se despacha e desanda duma bez! Mas só pró chatear bou birar o focinho…”

 

- Tareco!? Tareco!?

 

“ Bem, bou-me que a patroa está a chamar. Adeus ó lombudo!”

 

 

 

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Crónicas Estrambólicas

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O Melhor Do Mundo (Interior) São As Crianças

 

Já disse por aqui que a desertificação do interior não me perturba. Provavelmente havia gente a mais nas aldeias durante os anos sessenta, o que a terra dava não chegava para tanta gente, tinham mesmo que sair muitos. No entanto, parece-me que a este ritmo iremos ficar exageradamente desertificados nas próximas décadas. Leio as postas do Fernando e percebo o que o preocupa a falta de crianças nas aldeias, uma preocupação de quase todos nós. Não parecem haver muitas soluções à vista para este problema, tirando o criar-se mais empregos para jovens ou o estimular do nascimento de mais bebés, como faz a câmara de Boticas com incentivos em dinheiro. Contudo, a promoção do nascimento de bebés não surtirá efeito sem a criação de empregos, sem ganha-pão a malta continuará a sair. Apesar disso, o esforço posto na criação de empregos e bebés não parece estar a resultar. Sendo assim, se os bebés continuam a nascer cada vez menos e os empregos não aparecem, eu sugiro uma solução que mata dois coelhinhos com a mesma cajadada: vamos importar bebés. No meu concelho, Boticas, nascem pouco mais de 30 bebés por ano, o que brevemente porá em risco alguns empregos. É fácil de ver que sem alunos será insustentável manter o agrupamento de escolas do ensino básico. O fechar da escola, num concelho tão pobre como Boticas, levará a que imediatamente feche a única livraria/papelaria do concelho, 2 ou 3 cafés vão atrás, mais alguma mercearia, etc. Mas se aos 3 ou 4 lares de idosos que existem se acrescentasse um lar para acolher crianças abandonadas (sírias ou portuguesas, não interessa), esse poderia ser um remédio para a falta de bebés e ajudaria a criar empregos. Bastaria acolher 30 crianças por ano para dobrar o número de crianças no concelho, até umas 10 bastariam para fazer bastante diferença. Porque não pensar nisto? Parece-me uma ideia que facilmente se podia pôr em prática e que poderia ajudar um bocadinho a travar a desertificação do interior. Quem diz em Boticas, diz em Chaves, Montalegre, etc. Fica mais barato ao estado construir lares para crianças no interior e as crianças também beneficiariam, teriam uma alimentação melhor (boas batatas, boa vitela, boas couves e bom presunto) e os nossos ares puros da montanha, bem melhores do que aqueles lá para as bandas do Parque Eduardo VII.

 

[Estava a ver que ia acabar a crónica sem mandar nenhuma caralhada, sem dizer nenhuma estupidez ou meter-me com os lesvoetas. Ah, isto é um PS mas eu não uso PS’s, e não é por antipatias políticas, tem a ver com o nojo que me mete essa coisa de usar erudições finas para mostrar cultura, foda-se! Eu não estudei latim por isso não tenho nada que andar por aí a pôr PS’s e outros que tais. A César o que é de César (perdão!). Ninguém me apanha a fazer as figuras daqueles parolos que passam 50 anos nas américas e que conseguem vir de lá sem saber dizer um “What’s your name?”!, mas estão sempre com um “Yes” e um “Camone” na boca só para disfarçar! Levais com um itálico e um parêntesis reto que bem vos chega. E não andais para aí a ler este PS e a comentar para o lado em tom de voz enjoada “Ah, afinal isto é um PS, que chatice, que coisa chata, ele podia ter posto um PS logo no início, assim não se percebe nada, mas pronto, isto é o blogue de chaves e este rapazote é de Boticas, que se há de fazer...”. Fica-vos mal tanta burrice!]

 

Luís de Boticas

 

 

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Terça-feira, 14 de Março de 2017

Com um pé na terra e outro em Júpiter

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Nem de propósito, ou melhor, a imagem de hoje,  aparentemente escolhida ao acaso , não é mais que uma escolha fruto da inspiração numa pequena estória que um amigo me fez chegar às mãos e que acabei de ler. É assim a vida, as coisas parecem acontecer por acaso,  mas não acontecem, no entanto não quero levar isto para a Lei da causa e efeito do espiritismo  ou para o “cosmos ininterrupto de retribuição ética”  do qual Max Weber nos fala em Economia e Sociedade. Nada disso, são apenas coisas do acaso que não acontecem por acaso, apenas isso. Senão vejamos, tendo em conta a imagem de hoje, como por acaso nada acontece por acaso. Estamos no Largo do Arrabalde em Chaves, ao qual, por acaso, também chama “Largo dos Pasmados”. Até aqui tudo bem, e se há um que pasma na esquina da farmácia, do outro lado da rua há outro a pasmar, mas disfarça a fazer de conta que está a olhar para a rua. Coisas normais de quem pasma. No entanto, logo em primeiro plano há um pasmado que não pasma por acaso. Como disse estamos no “Largo dos Pasmados”, que mais não são que aluados, no sentido de andarem na lua, estarem ali por estar, andarem em órbita. Ora era aqui que eu queria chegar, pois este “pasmado”,  não está  “aluado” , ele está muito mais além, embora ainda com um pé na terra, ele já está além da Lua e além de Marte. Ele já está com um pé na órbita de Júpiter e ninguém dá por isso porque estão todos pasmados na sua pasmaceira, ou quase, pois se virem aquém deste quase (por acaso) astronauta que está em primeiro plano com um pé na terra e outro em Júpiter, há um outro pasmado do qual só se vê a sombra e que reparou que,  mais um pouco e esse pasmado  do primeiro plano estacionava em Júpiter. Agora reparando melhor na sombra, e pelo ângulo em que a imagem foi tomada,  e agora já estamos no campo da geometria descritiva e das projeções das sombras, o pasmado da sombra parece ser o autor da foto, que por acaso sou eu. Assim sendo, ficamos por aqui pois em não quero entrar nesta história.

 

Até amanhã, mas antes, um recado a outros pasmados, o tal pasmado com um pé na terra e outro em Júpiter, está mesmo quase na órbita desse planeta, pois aquela placa de inox no chão não é mais que a representação de Júpiter do Sistema Solar que está representado ao longo da cidade e que a grande maioria dos flaviense desconhece. E com esta me vou.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:47
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Chaves D'Aurora

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  1. DEFESA DA FÉ.

 

Florinda a tudo escutou, com o sangue a lhe subir à fronte, em uma crescente indignação. Quando Aurita interpelou o primo, timidamente – Mas os pastorinhos viram Nosso Senhor no Calvário, viram Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora de...– o rapaz riu e exclamou – Pois me dizei, afinal: quantas mães tem o Filho de Deus? Pai, a gente pode ter vários, mas mãe, de facto, só nos há de ter uma, não achais todos vós?

 

Foi então que uma ardorosa defensora da Fé, a deixar assombrado o próprio marido, ergueu-se da cadeira e disse ao sobrinho, em tom normal, porém firme – Senhor Rodrigo, isso não são coisas que se digam na casa de pessoas que têm suas crenças e devoções! Aqueles devotos que lá estavam e que eram, de facto, gente de fé, por certo que seus olhos VIRAM tudo aquilo, porque tais coisas, rapaz, estão acima de nós, pobres seres humanos. Aquelas coisas, ainda que fossem só para aquela gente ver, eram milagres. Milagres da Virgem Santíssima!

 

A seguir, ameaçou-o – Se é para vires até cá com essas ideias de jerico e ficares a blasfemar e zombar de nossa religião, melhor será que penses bem antes de ultrapassar aquela porta! – chamou, até si, as meninas da casa – Aurita, Nonô, Lilinha, Mindinha, venham comigo! – recolheu-se com as filhas ao quarto do casal e todas ajoelharam-se diante do oratório, a rezar à Virgem de Fátima, em voz tão alta quanto pudessem ser ouvidas na sala de estar, pela reconversão do primo à fé católica e pelo perdão “aos pecados de todos nós.”

 

Discreta e educadamente, Rodrigo logo se dispôs à retirada de campo, antes que essa mini batalha doméstica viesse a crescer e se espalhar pelo mundo, como tantas guerras por Religião que se travaram ao longo da História. João Reis, todavia, apesar de devoto por tradição, instou ao sobrinho que ficasse e, com bastante e vivaz interesse, continuou a provocar as argumentações do jovem iconoclasta.

 

Como chegassem até ao quarto algumas risadas dos rapazes e até de João Reis (isto, por si só, um facto inusitado), já entretidos então com outros assuntos, mais amenos, Mamã e as quatro filhas puseram-se a cantar, em alto e bom som, de modo a que os da sala lhes percebessem a indignação, algumas preces musicadas em louvor à Santa Senhora, tais como essa que, até hoje, ainda é conhecida – “A treze de maio, na Cova da Iria / no céu aparece a Virgem Maria / Ave, Ave, Ave Maria...”

 

 

Alguns dias depois, sob o pretexto de devolver um livro à estante de João Reis, o primo Rodrigo tocou a sineta da entrada e pediu a Zefa que transmitisse à senhora sua tia e aos mais as suas maiores recomendações. Já se dispunha a partir, quando se viu chamado pela própria Florinda, como se, há tão pouco tempo, nada de inconveniente houvesse acontecido. – Ora me entres cá, Rodriguito, vem nos dar de novo o prazer de uma boa palestra! Só não me fales de certas coisas, bem sabes! – e, desse dia em diante, por muitos outros mais, entre broas, bolinhos e bolachas, lá estava o rapaz, de novo, a encantar a todos da casa, com os seus ditos espirituosos e as histórias engraçadas, embora algumas, por vezes, terrificantes.

 

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Segunda-feira, 13 de Março de 2017

Quem conta um ponto...

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332 - Pérolas e diamantes: A essência do engano

 

 

A História e a vida ensinaram-me a acreditar que é perigoso acreditar muito no que quer que seja.

 

Uma outra coisa aprendi por mim próprio: a verdadeira decadência implica não levar nada demasiado a sério. Sobretudo a arte decadente. Mas também as ideologias. E ainda a religião.

 

Philip Kerr, no seu livro “O Projeto Janus”, põe o padre Bandolini a atribuir a culpa de toda a Reforma à cerveja forte.

 

Para ele, o vinho é uma bebida perfeitamente católica, porque torna as pessoas ensonadas e cúmplices. Já a cerveja torna-as agressivas. Por isso, os países que consomem muita cerveja forte são sobretudo protestantes. E os países onde se bebe muito vinho são católicos romanos.

 

Já os russos emborcam vodka que é uma bebida que ajuda a atingir o perdão, pois não tem nada a ver com Deus. Por isso é que agora os comunistas andam a bater com o punho direito no lugar onde lhes fica o coração.

 

Em verdade vos digo: a essência do engano, pelo menos na opinião de Bernie Gunther, um ex-agente dos serviços secretos, e personagem principal do livro de Kerr, não é a mentira que se diz, mas as verdades que se contam para a apoiar.

 

Desconfio sempre das ditas qualidades pessoais dos designados como políticos mediáticos. Desconfio da sua oratória demasiado assertiva e folclórica, do seu enorme ativismo, dos seus dotes invulgares de atores, porque, dessa forma, pretendem encobrir a sua falta de convicções políticas sérias.

 

O seu objetivo principal é apenas aparecerem na fotografia, satisfazendo assim a sua “mediopatia”, a sua necessidade de serem queridos e admirados, o seu desejo de protagonismo.

 

Por isso é que é frequente ouvi-los dizer uma coisa num dia e no seguinte afirmar exatamente o contrário e, sobretudo, dizer a uns e a outros o que cada um deles quer escutar.

 

Raramente participam nas discussões de ideias. Esperam que as partes em conflito, por convicção ou por esgotamento, decidam a seu favor e cheguem a um acordo. Nessa altura, armados da sua oratória e autoridade de líderes, limitam-se a reafirmar a posição vencedora e a ratificar o acordo.

 

Não têm posição séria sobre nada, ou quase nada, a não ser seguir o seu inefável desejo de continuar no cargo que ocupam ou em conseguir outro melhor.

 

São pessoas de ação porque a sua vida depende disso. Vão a toda a parte, assistem a todas as reuniões, festas e homenagens, batizados, bodas e funerais.

 

Em vez de resolverem os problemas, adiam-nos ou transformam-nos em problemas diferentes. Adiam tudo para a última hora.

 

Nietzche apercebeu-se que os seres humanos não conseguem suportar demasiada realidade. Defendia que a verdade é nociva para a vida. Por isso abominava a nossa diminuta moral pequeno-burguesa.

 

O pior é deixarmo-nos acreditar que temos razão por já a termos tido.

 

Não há nada que mais nos agrade do que ver um tipo a dar cabo de outro.

 

Uma coisa aprendi ao longo destes anos: os mentirosos nunca mentem, apenas alteram a verdade. Até porque a ser mentira, a sua mentira, é apenas boa, é somente uma mentira nobre, uma mentira oficiosa, uma mentira salvadora.

 

Afinal, a quem interessa a verdade?

 

Górgias, que viveu quatro séculos antes de Cristo, disse que a poesia (naquele tempo a ficção ou o romance) é um engano em que quem engana é mais honesto do que quem não engana, e que quem se deixa enganar mais sábio do que quem não se deixa enganar.

 

Após estes anos todos, continuo a fazer a mesma prece que Reinhold Niebuhr: Senhor, concede-nos a graça para aceitarmos com serenidade as coisas que não podem ser mudadas, coragem para mudar as que devem ser mudadas e sabedoria para distinguir umas das outras.

 

 João Madureira

 

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De regresso à cidade

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:45
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Domingo, 12 de Março de 2017

O Barroso aqui tão perto... Vilarinho de Arcos

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Ainda antes de irmos aos Arcos, vamos até Vilarinho de Arcos, é a nossa aldeia barrosã de hoje, mais uma do Alto Barroso e daquelas que nos fica mais próxima (de Chaves), mas sem nos calhar a caminho de… mas quase.

 

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Tratemos já da sua localização, que já atrás adiantámos ser do Alto Barroso. Assim, com a nossa partida sempre da cidade de Chaves, para visitarmos Vilarinho de Arcos, o melhor itinerário é pela Estrada Nacional 103, ou estrada de Braga como popularmente é conhecida, pois Vilarinho de Arcos fica a apenas 900m desta Estrada Nacional, imediatamente antes de chegarmos ao Barracão (a 900m), no entanto até Chaves, é mais um pouco, pois fica a uma distância de 30 km, de 00H30m e de 3.63€, isto segundo a via Michelin e se formos em viatura própria. Curiosidades para quem gosta de números.

 

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Dizer que fica em terras altas, isso já não é novidade, pois quase todas as localidades do Barroso andam a rondar os mil metros de altitude, neste caso fica-se pelos 866 metros de altitude, e com as seguintes coordenadas: 41º 25’ 26,59” N e 7º 41’ 21,47” O. Mas como sempre fica o nosso mapa para poder visualizar as palavras que vamos deixando.

 

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Vamos então até Vilarinho de Arcos. Partindo do topónimo Vilarinho tão usual no Norte de Portugal e também na Galiza, não é mais que um diminutivo de Vilar, que no português arcaico era parte de uma villa cedida para usos agrícolas. Tanto vilar como vilarinho estão assim associados a uma outra localidade, ou propriedade ou senhor. Daí tanto Vilar como Vilarinho estarem sempre associados a outro topónimo, neste caso de Vilarinho de Arcos está associado a Arcos, topónimo que é atribuído à aldeia vizinha e mais próxima de Vilarinho de Arcos. Aliás no concelho de Montalegre e bem próximo destas duas localidades, há outras duas onde se passa o mesmo, refiro-me a Vilarinho de Negrões e Negrões. Mas casos destes abundam no norte de Portugal e Galiza. Então e resumindo, Vilarinho de Arcos teria sido uma parte da villa de Arcos que teria sido cedida para a alguém para usos agrícolas.

 

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Vilarinho de Arcos vista desde a aldeia de Arcos

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E bem queríamos saber mais sobre Vilarinho de Arcos e partilhá-lo aqui. Fizemos as nossas habituais pesquisas e pouco ou nada encontrámos, na aldeia também não deu para conversar com ninguém, aliás se bem recordo na nossa breve estadia no local, apenas encontrámos uma pessoa, que embora trocássemos com ela algumas palavras não quisemos incomodar no seu trabalho, assim, ficam as nossas impressões recolhidas no local.

 

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Trata-se de uma pequena aldeia com um núcleo consolidado que se vai desenvolvendo ao longo da estrada de acesso, mas apenas de um dos lados da estrada, precisamente do lado mais próximo da montanha, não muito distante, ficando o restante para cultivo, no entanto existe um pequeno núcleo de casas, este do lado oposto da estrada, também antigo e que poderemos considerar como um pequeno bairro da aldeia, se não me engano ate dá pelo nome ou topónimo de Bairro da Fonte.

 

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Mais ou menos ao centro da aldeia, que por sinal não é muito grande, está a capela e a fonte, ocupando o largo principal da aldeia por onde passa também a Rua Central que não é mais que a estrada (CM 1001) que nos liga à Nacional 103 por um lado, e pelo ouro à aldeia de Arcos, onde continua para o Antigo de Arcos (ou de Sarraquinhos) e Sarraquinhos. Esta do Antigo de Arcos ou Antigo de Sarraquinhos é uma questão que tentaremos esclarecer quando lá chegarmos, pois já vimos essa aldeia grafada de ambas as formas.

 

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Mar continuemos em Vilarinho de Arcos que é rodeada de terrenos agrícolas maioritariamente cultivados, com pequenas manchas de arvoredo entre os quais o castanheiro que também parece dar-se bem por esta paragens, tal como nas aldeias vizinhas.

 

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Quanto ao casario a integridade do núcleo mantém-se com o seu casario barrosão típico, algum ainda com a estrutura de pedra nos telhados de amparo à cama do antigo colmo e que hoje é um pequeno murete de pedra que sobre acima da telha. Pena que nas aldeias do Barroso não se tivesse preservado, nem que fosse só uma, dessas coberturas em  colmo, pois assim aumentavam o interesse turístico que todas estas antigas aldeias têm.

 

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E bem queríamos deixar por aqui mais um pouco da aldeia, mas como de costume não queremos inventar e assim somos obrigado a fica por aqui, passando já aos habituais links para anteriores abordagens ao Barroso.

 

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Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

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Pecados e Picardias

pecados e picardias copy

 

Mulheres por ordem De Crescente

 

Mãe, nas memórias coletivas e idiossincráticas do meu coração és tu que marcas o passo e todas as batidas por segundo de primeiro amor, és tu a voz sopro de sol das minhas luzes e chamas que acendem  os meus sorrisos e a minha vontade de viver. Nunca esmoreceu a tua abnegação nem a renúncia a ti por nós. Quem me dera que o meu corpo piegas fosse homem para poder trazer-te ao colo e  aliviar com o meu abraço, o teu corpo desistente onde a tua alma já transborda de grandeza pelos feitos de amor sem interesses escondidos.

 

Queridas  Avós e Tias ,e Primas tias, lembro-me do ar trocista e das cumplicidades pelos caminhos de um não sereno quase a parecer  sim, pelas almofadas bordadas num ponto cheio de compreensão e mantas ou xailes do aconchego a boas venturas, sustento do bom autoconceito, tantos obrigada que vos estendo em passadeiras vermelhas de mar ou céu de respeitos.

 

Primas e irmãs  e amigas e colegas tão difíceis às vezes de dissociar os apegos e as artes do desenho de pertenças e vínculos  sangue ou cola que jamais descola? Sei lá? A Zé a Nélia,a Guida, a Locas, a Kika, a Nininha,a Bébé ,a Mila, a Cândida,  a Maria, a Adelina,a Judite, a Natércia, a João,a Luisinha, e tantas  outras, tantas ,como as subidas e descidas das escadas e dos acessos à escola  pelo valee de quem eram os dias de levar a braseira de brasas logo pela manhã de  inverno má como a fome que nos reduzia a feridas temíveis como boubas e frieiras que só curavam com o pó de maio e aliviavam com carinhos de atenção e penas.

 

Lembro-me Delas da Sra. Albertina em Bornes,  a mulher mais rica que eu conheci, sem dinheiro ou brasões que nos cobria do ouro  preciso nas infâncias, com a força de uma vida inteira que a idade aglutina em o que é realmente importante, sem ser efémero, são eles a platina e o ouro  que só quem é bom tem acesso, Os Afetos. Mostrava-nos que tinha já adquirido o direito a todo o tempo do mundo e dava-nos aquele sorriso incondicional maior que o horizonte em cada colher de sopa impulsionada a canções de embalar que nos tirava o custo de engolir o faz bem sem saber…Lembro-me da Bertinha da Prazeres e da Sra. Bia.

 

A dona Dorinhas  e a menina Lurdinhas  ,sempre idosas pra mim mesmo novas, idosas de sabedoria incontestável exemplos de virtudes de respeito, sempre a baixarem-se à terra e aos canteiros pra tirar as ervas daninhas a mais ninguém , bem a menina Lurdinhas nem sei bem talvez ao padre domingos de resto era a sra mais cheia de boas vontades que eu conheci, a d. dorinhas não de porte austero o porte mais austero que eu consegui admirar…

 

Já todas professavam e sem saber à sua maneira o poema do Ary dos Santos

 

Ary dos Santos

 

MULHER

A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher-cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama

 

E é preciso dizer
dessa antiga condição
a mulher soube trazer
a cabeça e o coração

,

Lembro-me das  festas das comadres e  das mulheres que escondias mãe, com bons modos e boas maneiras, dos estadulhos desses homens que eram ao mesmo tempo  bons amigos do pai,  bons filhos e de boas famílias , bons chefes de família, e secretamente predadores , pedófilos e carrascos de seres humanos que cuidavam deles como as esposas e as filhas até…a quem se lhes dedicava um deserto por desistido e resignado deixa lá é assim a vida, mas olha que não deixa de ser boa pessoa e é temente a deus;… muitas vezes é por não ser capaz e pela miséria; E lembro-me do chinelo que nos educava às espanadelas, da resignação do deixar bater das professoras como inevitável pedagogia para nos abrir a cabeça  rápido, ou a revolta merda, ( filhas da mãe que batessem nos delas), ó mãe a tia Laurinha que bata nos filhos dela quando os tiver, bate-nos porque não tem filhos, não sabe o que dói e a mãe e o pai não deviam deixar… -Ai só se perdem as que caem no chão?!… Que linda resposta… deixem-me crescer que vão ver…. -Ó rapariga vais sofrer muito… Bou, bou, isso é o que vamos ver…ó tia Laurinha não nos bata mais que nós amanhã estudamos… Mas como estudar o que ainda não se sabe o que é para aprender?...  Oh que pena, vocês é que eram obrigadas por esse miserável do tudo pra nós  sal azar  e que vos transformava sem serem, vitimas da sua versão suas Suas socas, a fazerem-nos boubas na alma, porra, havia necessidade?!...

 

Continua…

Isabel seixas in Quem me limpou os moncos, quem me ensinou a assoar

 

 

 

Trouxe a fábrica ao seu lar
e ordenado à cozinha
e impôs a trabalhar
a razão que sempre tinha

Trabalho não só de parto
mas também de construção
para um filho crescer farto
para um filho crescer são

A posse vai-se acabar
no tempo da liberdade
o que importa é saber estar
juntos em pé de igualdade

Desde que as coisas se tornem
naquilo que a gente quer
é igual dizer meu homem
ou dizer minha mulher

ARY DOS SANTOS

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:47
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