Quinta-feira, 12 de Outubro de 2017

Feira dos Santos - Um pequeno regresso no tempo III

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O regresso de hoje é até alguns momentos da feira dos santos de 2007, de há 10 anos atrás, não muito diferente de hoje, mas com algumas diferenças.

 

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A diferença em relação aos anos anteriores, no ano de 2007, foi a localização dos divertimentos, os eternos saltitantes, sem poiso certo, mas nesse ano fizeram um regresso quase ao mesmo local que foi ocupando até aos anos 60, então sempre concentrados na rotunda do Monumento e terrenos anexos, ainda sem o edifício Nova York construído.

 

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Pois em 2017 fizeram um regresso quase às origens, ao ocuparem o terreno entre o Monumento e o Forte de S.Francisco, mas também foi sol de pouca dura, alguns anos apenas.

 

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Quando ao resto, já vai sendo o habitual, com algumas variantes, mas quase tudo na mesma, e não está mal de todo. Alguns pormenores que poderiam melhorar a feira, exigem-se, pois a Feira dos Santos de Chaves não é apenas uma feira, mas tem sido também a única “festa” que Chaves tem, e também a única que, para além do Natal,  traz até si os flavienses ausentes.

 

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Quarta-feira, 11 de Outubro de 2017

Feira dos Santos - Um pequeno regresso no tempo II

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Hoje a Feira dos Santos, aqui no blog, regressa ao ano de 2006, com a feira do gado onde habitualmente era a feira do gado, com o “pulpo” a cumprir a tradição de estar por cá e junto à feira do gado e os divertimentos, também a cumprir a tradição de, de vez em quando, mudar de poiso. No ano de 2006 poisavam junto ao forte de S.Neutel.

 

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Quanto ao tempo meteorológico, pelo testemunho das fotos, estava convidativo, sem chuva e sem frio, pelo menos a julgar pelas mangas curtas.

 

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Hoje ficam três imagens de 2006, amanhã cá estaremos de novo com três olhares sobre os Santos de 2007.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:24
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Nós, os homens

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III

  

Na realidade, e esta conclusão só a tirei muito mais tarde, a diferença de sexos não é assim tão grande!

 

O que se passava é que ela era muito mais nova do que eu. E não falo propriamente em anos, mas em experiência de vida. Aquelas coisas por que passamos, boas ou más, e que nos vão amadurecendo, ela ainda não tinha passado por elas. Ainda não tinha sido mãe, nunca tinha passado por um casamento que tinha fatalmente terminado, etc., etc.

 

De forma que aquilo que eu considerava uma sorte, como ter tropeçado nela num dos dias da minha vida, para ela não passava de um acaso. Tinha sido eu, mas podia ter sido outro qualquer.

 

A menina tinha uma agenda semanal preenchidíssima. Entre trabalho e lazer, tudo era importante e não abdicava de nada para estar comigo. E eu respeitava aquele horário rígido como se aquilo fosse uma organização militar e obedecia como um cordeirinho, embora nunca tivesse fundado o MEEH, a conselho do meu grande amigo.

 

Sempre que ela precisava de tempo extra, retirava-o dos nossos encontros. Olhava para o relógio em alturas que me deixavam desconfortável, mas acabava sempre por compreender. É claro que não se podia chegar atrasado a um jantar com hora marcada, fosse com quem fosse, ou a uma partida de badminton num domingo de manhã!

 

Não podemos ser egoístas nos relacionamentos, sob pena de perdermos as pessoas que amamos. Eu, ao contrário dela, já sabia disto por experiência própria pois tinha perdido a mãe das minhas filhas exactamente porque não tinha achado aceitável que ela fizesse o que lhe apetecia e desse cabo da minha vida e da das minhas filhas em simultâneo. Não soube partilhar o egoísmo da pessoa com quem vivia e por isso fiquei sem ela. Agora não ia cometer o mesmo erro, a menina fazia o que lhe apetecia e eu ficava à espera dela!

 

Havia de chegar um dia em que ela pensaria como um homem ou tivesse a minha idade ou as duas coisas e talvez aí compreendesse o que era realmente importante. Estas coisas, não adianta muito insistirmos nelas ou tentar precipitá-las, têm de vir de dentro para que depois se possam instalar de uma forma mais confortável.

 

 

Na realidade, e esta conclusão só a tirei ainda mais tarde, a diferença de sexos e de idade não era assim tão grande!

 

O que se passava é que eu gostava muito mais dela do que ela de mim. Era por isso que ela não sentia aquela necessidade premente de estar comigo, aquela urgência do que não se pode adiar, aquele querer agora porque depois pode ser tarde!

 

Estas coisas não se explicam, ou se sentem ou não! Nem sequer adianta muito dizer que nós as sentimos assim porque há sempre o argumento contrário de que há muitas formas de dizer as coisas ou que as pessoas sentem de maneira diferente. Como é que ainda há gente neste século que se atreve a dizer coisas destas! Como se nós fossemos alguns otários e não soubéssemos que a forma mais simples de dizer as coisas, é dizê-las e a forma mais simples de as sentir, é senti-las, independentemente de haver 1001 formas de umas e outras!

 

E é exactamente aqui que eu perco a paciência, com os homens e com as mulheres, que neste aspecto eu não distingo sexo nem idade, nem sequer experiência de vida, é quando me fazem de estúpido.

 

Mas até para isto há solução. Se a coisa para nós for séria, denunciamo-la, se não for fazemo-nos de estúpidos também, até a coisa ser séria e nessa altura denunciamo-la.

 

É talvez aqui que percebemos, em função de como a coisa corre a partir daqui, se andámos a perder ou a ganhar tempo. Seja em que caso for, é pacífico. Nunca vos conseguirei descrever a sensação que me provocou a cor daquela sangria com champanhe e morangos, naquela noite no bar!

 

Divinal, talvez seja a palavra que mais se aproxima!

 

E a inteligência talvez consista nisto: em determinar a altura certa, o momento exacto em que decidimos deixar de fazer de estúpidos! Digo-vos já que deve ser das coisas mais difíceis de determinar. É relativamente fácil fazer de conta, fingir que não se passa nada, que está tudo bem, então não? Um sorriso nos lábios, a anedota certa no momento crucial! Quem é que não é capaz de uma coisa destas?

 

O problema surge quando a gente começa a exigir que nos levem a sério, quando começamos a achar que merecemos dos outros o mesmo respeito que temos por eles, quando reclamamos para nós os direitos da “Declaração Universal dos Direitos Humanos”.

 

Eh pá, mas o que é que te deu, perdeste o sentido de humor ou quê? Assim não tem graça!

 

Cai-se em desgraça! Um gajo passa de estúpido a inteligente e perde a graça!

 

Ralações humanas, aqui sem gralha nenhuma no português!

 

Cristina Pizarro

 

 

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Terça-feira, 10 de Outubro de 2017

Feira dos Santos - Um pequeno regresso no tempo

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Como estamos na contagem decrescente para a Feira dos Santos, vão ficando algumas imagens dos anos anteriores, com um regresso à feira do ano de 2005.

 

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Santos com chuva que nem por isso incomodava as crianças de então nos seus divertimentos preferidos, que diga-se a verdade, eram quase todos.  Hoje pela certa que já preferem carros a sério.

 

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Mas olhando para as imagens,  pouca coisa mudou, exceção talvez para a feira do gado que agora tem poiso próprio debaixo de telha,  mas que perdeu o encanto de então.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:48
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Segunda-feira, 9 de Outubro de 2017

Chaves D'Aurora

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  1. BELÉM DO PARÁ.

 

Muitas cidades brasileiras foram feitas à imagem e semelhança de Lisboa, do Porto e de outras urbes de Portugal. Uma das mais aportuguesadas era Belém do Pará, situada perto da foz do caudaloso rio Amazonas e porto de entrada para a região amazónica. As ruas da Cidade Velha, onde ficam as igrejas da Sé e de Santo Alexandre, o Forte do Castelo (edificado onde e quando, em 1616, a cidade foi fundada), o Arcebispado e o Convento do Carmo, a formar o complexo histórico Feliz Lusitânia (antigo epíteto da cidade), foram abertas há muito tempo antes que Dom Pedro, Primeiro no Brasil e Quarto em Portugal, tentasse conciliar suas traquinadas mulherengas, na Corte do Rio de Janeiro, com as graves decisões políticas do país.

 

A forte presença de imigrados, uns dos Açores e da Madeira, outros beirões e trasmontanos, fazia aumentar ainda mais a expressiva influência lusa nos modos de falar e nos hábitos do dia a dia. Influenciavam até mesmo na culinária, em que o caldo verde e o cozido com legumes conviviam com a paca ao tucupi (ou pato, depois, mas sempre nesse caldo amarelo, extraído da mandioca); a maniçoba (com carnes típicas de feijoada, antigamente, também, com produtos da caça local, mas cozinhadas em uma pasta feita de folhas de maniva, após estas serem cozidas durante cinco dia para perderem a venenosa e mortal toxicidade); o tacacá (tipo de sopa com a goma de tapioca, tucupi, camarão e jambu, uma espécie de agrião do Pará, que deixa nos lábios uma sensação deliciosa); o sumo bem denso e cremoso do açaí, com farinha de mandioca; e outras iguarias primitivas, da culinária indígena.

 

As casas antigas exibiam suas paredes revestidas com azulejos da antiga Mãe Colonial e, apesar de suas ruas estarem situadas em terrenos planos, os sobrados com janelões pareciam recordar, e muito, os sítios da Alfama ou da Ribeira. Podia-se mesmo dizer que as casas da outrora Santa Maria de Belém do Grão Pará, ainda que marcadas por algum exotismo local, eram com certeza, como nos diz uma antiga canção, uma casa portuguesa. Nas residências mais abastadas, certamente ficavam bem, além do São José de azulejo, da sardinha e do bacalhau (às vezes trocado pelo seu primo de água doce, o pirarucu), o pão e vinho sobre a mesa (embora este último também desse lugar, no mor das vezes, ao sumo de cupuaçu, bacuri, taperebá ou outras frutas regionais).

 

Nos prósperos tempos da extração e comércio da borracha na Amazónia, que em nada melhorou a vida dos seringueiros, mas fez enriquecer os donos de seringais, atravessadores, transportadores e comerciantes de Manaus e Belém, a capital do Pará era uma das mais importantes e mais populosas do país. Conta-se, mesmo, que os novos-ricos da terra mandavam lavar, em Paris ou Lisboa, os seus fatos de puro linho.

 

Àqueles fins do século XIX, graças à riqueza que o áureo ciclo da borracha viera trazer à região, eram os tempos de embelezamento e reformas urbanas em Belém. Erguiam-se belos palacetes, tais como o Pinho, o Bolonha e até vistosos palácios, como os que serviram por muitos anos para a sede do Governo da Província e a da Municipalidade. Construíam-se prédios de ferro em Art Nouveau, como os mercados de carne e de peixe, no sítio portuário do Ver-o-Peso. Com seges e vitórias ainda a passear pelas ruas, os coletivos puxados a cavalo logo passariam a dar lugar aos bondes, como passaram a ser chamados, no Brasil, os elétricos ingleses (trainways).

 

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Ancoradouro do Ver-o-Peso, Belém do Pará (BR). Postal público. Autor desconhecido.

 

Essas obras grandiosas eram comandadas pelo célebre Senador Antônio Lemos, tais como a abertura de largas avenidas e praças ajardinadas. Estas fariam Euclydes da Cunha, o escritor de “Os Sertões”, declarar em 1904: “(...) Nunca esquecerei a surpresa que me causou aquela cidade. Nunca São Paulo e o Rio terão as suas avenidas monumentais, largas de 40 metros e sombreadas de filas sucessivas de árvores enormes. Não se imagina no resto do Brasil o que é a cidade de Belém, com seus edifícios desmesurados, as suas praças incomparáveis e com a sua gente de hábitos europeus, cavalheira e generosa. Foi a maior surpresa de toda a viagem”. (Quanto aos hábitos europeus, leia-se: os de portugueses, franceses e, com menor influência, ingleses).

 

Somavam-se a isso as belas alamedas do Bosque Municipal, um enorme quadrado onde até hoje se concentra, com espécimes da flora e da fauna, uma síntese da floresta amazónica; e o Museu Paraense, recém-fundado no então bairro da Rocinha, onde pesquisadores de várias procedências dedicavam-se aos estudos da natureza e do homem na Amazónia, sob a direção do cientista suíço Augusto Emílio Goeldi.

 

No Theatro da Paz, cujo interior é similar, em luxo e arte decorativa, a muitos espaços cénicos da Europa, apresentavam-se companhias inteiras de ópera, francesas e italianas, que seguiam depois para o teatro de igual porte e beleza em Manaus, o outro grande centro comercial da borracha. Tais elencos vinham em paquetes ingleses e alemães a cruzar o Atlântico, em linha direta ao Norte do país, até ao movimentado porto de importações e exportações da Baía de Guajará, sem ao menos passarem pelos de Salvador ou Rio de Janeiro, a então Capital Federal.

 

 

  1. MENINA FLOR.

 

Foi antes de começar uma soirée no monumental teatro, inaugurado há alguns anos no Largo da Pólvora, que João Reis, recém-enriquecido com o comércio da Hevea Brasiliensis, ao dar um breve passar d’olhos pelo interior daquele verdadeiro templo cénico, avistou, no camarote onde se alojava a família de Jacob Benzecri, um dos mais respeitáveis capitalistas da província e com o qual João mantinha transações comerciais, uma linda e elegante rapariga.

 

A menina estava a conversar com a Estherzinha, outra bela jovem, filha de Jacob. Reis perguntou ao Raimundo Peixoto, o Dico, um amigo caboclo que ora o acompanhava, quem era aquela moça que tanto lhe chamara a atenção. Dico falou que seu nome era Florinda de Morais Dias, à qual muitos rapazes chamavam de Flor Linda e era filha de Joaquim Lourenço Dias, um compatriota de Reis, natural de Aveiro, de mãe alemã e pai português. Este era dono da Loja da Lua, armazém de tecidos à Rua XV de Novembro, mas…

 

– Mas, mas… mas o quê, ó raios, ora me diz de uma vez!

 

O amigo aconselhou – Pisa de mansinho no terreiro, que o galo velho alemão cisca bravo no quintal! É um cão de guarda com as filhas! A mãe delas já se foi na epidemia de varíola e o Lourenção tem que se fazer em dois. As filhas só vão às festas com o pai do lado. E tome a bengala! – Bengala?! Mas o que é que essa bengala tem a ver com as meninas? – Raimundo riu e continuou – É que o velho ameaça ou chega mesmo a dar umas bengaladas em qualquer rapaz que venha falar com as filhas… Quanto ao que mais importa, o Lourenção está muito bem de vida; e a educação primorosa que a pequena recebeu, também se deve aos bens deixados por sua mãe e por seu avô materno.

 

Ainda que, para João, essas questões patrimoniais não fossem, àquela altura, o mais importante, soube então que o avô da “Linda Flor” tinha sido proprietário de uma fazenda enorme, que ia desde os fundos da Basílica de Nazaré até à Estrada de São Jerônimo (uma enormidade de terras), mas os Estêvão de Morais quase ficaram sem nada, porque o único filho homem, tio dessa atraente donzela, deu cabo à metade da fortuna do pai, solapando-a com mulheres e jogos.

 

As perspetivas não eram muito animadoras, mas João Reis, embora não fosse dado aos jogos de azar nas casas da Rua da Trindade, onde a roleta corria solta, gostava de arriscar no carteado da vida. Quando olhou novamente para o alto, percebeu que fora visto por Jacob e o cumprimentou. Acenou também à Esther e à bela filha do bravo bicho brabo. A jovenzinha, após um breve aceno, olhou para ele e, pondo o leque de patchouli a lhe tapar a boca, cochichou algo com a amiga. Ambas riram, sem tirar os olhos do rapaz, o que o deixou constrangido.

 

Estava decerto curioso em saber do que andavam a falar e do que lhe havia de ruim, se os bigodes, as suíças, o nariz… Ou talvez algo bom, mas o Dico, ao seu lado, deixou-o ainda menos à vontade – É a tua aparência, João Reis, como te cuidas mal! – e a troçar – Acho que devias ler o “Compêndio de Civilidade” do bispo Dom Macedo Costa.

 

 

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Theatro da Paz, Belém do Pará, 1878. Postal público antigo. Autor desconhecido.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:46
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O Barroso aqui tão perto - As Três Penedas

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Aquando iniciei esta peregrinação pelas aldeias do Barroso, muni-me de alguma informação. Primeiro de um mapa que eu tinha do Alto-Tâmega, que em tempos fui fazendo no meu tempo livre a partir dos mapas dos vários concelhos do agrupamento. Mapas que o então GATAT tinha para orientação e trabalhos dos técnicos dessa entidade. Parti do principio que estaria correto, mas cedo fui dando conta que nele havia algumas omissões e erros que fui corrigindo.

 

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Quando parti para o terreno era esse o mapa que tinha como referência, mas no entretanto consegui no EcoMuseu do Barroso um mapa turístico, edição da Câmara Municipal de Montalegre, onde além das localidades são assinados 105 pontos de interesse. Claro que em relação ao meu mapa é muito mais útil, principalmente pelo alerta para os pontos de interesse de cada localidade.

 

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Mas só a cartografia para partir à descoberta do Barroso, embora muito útil, é pouco. Consegui depois uma listagem dos CENSOS 2011 - INE com todas as localidades do Concelho de Montalegre e respetivas freguesias (ainda sem a união de algumas). Entre outra informação escrita e gráfica, antes de partir para o terreno, faço um itinerário prévio, e aí estudo exaustivamente a fotografia aérea do Google Earth. Depois é só cruzar a informação e arrancar para o terreno.

 

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Vista desde Peneda de Cima para a Serra do Gerês e aldeia de Lapela


Para o itinerário onde obtive a informação de hoje, após cruzar a informação disponível, incluí a aldeia de Peneda, que não estava no meu mapa, nem no mapa turístico que obtive no EcoMuseu do Barroso, mas que constava nas localidades do CENSOS como pertencente à freguesia de Covelo do Gerês e que também aparecia no Google Earth.

 

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No itinerário desse dia tinha programado iniciar por Ponteira, seguindo para São Bento de Sexta Freita e a seguir incluí a aldeia de Peneda. E assim foi para as duas primeiras aldeias. No entanto ao chegar à Peneda, a placa de estrada da entrada da aldeia indicava Peneda de Cima. Ora se havia Peneda de Cima, também deveria existir a Peneda de Baixo. Por sorte tínhamos lá um habitante da aldeia a quem perguntar, e, além de confirmar a nossa suspeita, acrescentou-lhe ainda outra Peneda, a Peneda do Meio, que ficava alí logo a seguir...

 

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Pensávamos nós que íamos para a Peneda e acabámos por ir a três Penedas. Habitualmente fazemos um post por aldeia, mas hoje, o post, será também dedicado às três Penedas, com fotografias repartidas, mas no restante, o texto, será para as três aldeias, não só por partilharem o mesmo topónimo, mas também por partilharem as suas características, à exceção das coordenadas, que aí cada uma terá as suas, e um ou outro pormenor que no decorrer desta escrita e da informação disponível, seja sugerido.

 

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Dado que partimos de São Bento de Sexta Freita para as Penedas, a abordagem às mesmas foi feita pela ordem que nos aparecia na estrada, ou seja, primeiro entrámos e Peneda de Cima, depois passámos para a Peneda do Meio e a seguir a Peneda de Baixo. As fotografias também vão aparecer por esta ordem. Na passagem de uma para outra Pededa avisaremos, ou melhor, avisamos já, pois as primeras sete fotos que deixámos para trás são todas da Peneda de Cima. A seguir temos o nosso mapa e após este as imagens passarão a ser da Peneda do Meio.

 

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E fica o mapa porque vamos passar já à Localização das Penedas e ao itinerário proposto para chegar até lá, como sempre a partir da cidade de Chaves. Sempre que vamos até ao Barroso de Montalegre, há três itinerários possíveis, ou sejam o da Estrada do S.Caetano/Soutelinho da Raia, o da Estrada Nacional 103 (Estrada de Braga) e o da EN 103 até Sapiãos e a partir de aí, via Boticas e Salto, pela R311. Desta vez, como o itinerário tinha início em Ponteira, decidimo-nos pela Estrada do S.Caetano até Montalegre e a partir de aí pela Estrada Nacional interior que se vai desenvolvendo junto ao Rio Cávado, a Nacional 308. A referência para esta estrada pode ser a Barragem de Paradela e a partir desta (sem atravessar o paredão da barragem) basta seguir as placas.

 

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Para chegarmos às Penedas, após Ponteira, temos São Bento de Sexta Freita. Aqui temos de abandonar a R311 e entrar nesta aldeia, sem voltar atrás, pois para as Penedas o caminho é para a frente, basta seguir a única estrada que sai da aldeia.

 

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Ficam as coordenadas de cada Peneda bem como a altitude, esta para compreender o porquê dos seus apelidos de Cima, do Meio e de Baixo.


Coordenadas da Peneda de Cima:
41º 44' 08.75"N e 7º 59' 14.57"O - Altitude 609m


Coordenadas da Peneda do Meio:
41º 44' 18.87"N e 7º 59' 18.34"O - Altitude 534m


Coordenadas da Peneda de Baixo:
41º 43' 58.95"N e 7º 59' 44.10"O - Altitude 465m

 

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Pelas altitudes e coordenadas, facilmente percebemos que já estamos no Baixo Barroso, a descer para terras do Alto Minho, aliás isso é bem notório na paisagem onde as Penedas estão, embora as vistas que se lançam a partir delas sejam para a aspereza da Serra do Gerês.

 

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Passemos ao topónimo. Ao sabermos que as nossas aldeias de hoje estão integradas no Parque Nacional da Peneda-Gerês, quase somos tentados a dizer que são estas que contribuem para o nome do parque. Bem poderia ser, mas não é, pois quem dá o nome ao parque são as serras onde o parque começa e acaba, ou seja o parque começa na Serra da Peneda e depois de passar pela Serra do Soajo e a Serra Amarela, termina na Serra do Gerês.

 

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Pois quanto ao topónimo, o melhor é mesmo irmos até à "Toponímia de Barroso" onde consta:

"Penedas
Terá surgido do plural neutro singularizado Pinheta < de pinha equivalente a Penna, que significa "pedra", rocha. O local é mesmo um monte penhascoso, dir-se-á, uma ribanceira rochosa sobre o Cávado que levou à disposição das moradias em três grupos a que hoje se chama já Peneda de Cima, do Meio e de Baixo. Não consta das inquirições mas é provável que houvesse por ali algumas das casas referenciadas na freguesia de Covelo do Gerês."

 

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As fotos anteriores já são da Peneda de Baixo.


Voltando àquilo que se diz na toponímia de Barroso a respeito das Penedas. Ora nem sempre temos de concordar com aquilo que se escreve, e neste caso das Penedas não concordo mesmo com aquilo que é dito. Aliás as fotografias que deixo dão para ver que nem penhascos, nem ribanceiras rochosas. Da outra margem do Cávado, em frente às Penedas, isso já é verdade.

 

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Pois quanto às minha pesquisas, para além do que consta na "Toponímia de Barroso" e uma referência apenas ao topónimo de Penedas da freguesia de Covelo do Gerês no livro "Montalegre", de resto mais nada, e tal como atrás disse, no mapa turístico que a Câmara Municipal distribui no EcoMuseu, as Penedas nem sequer existem, e é pena, pois as Penedas, qualquer uma delas, mas o conjunto muito mais, mereciam estar nos roteiros turísticos do Barroso.

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Existe no entanto, no facebook, um perfil sobre as Penedas, intitulado "Aldeia da Peneda ou três Peneda, Concelho de Montalegre", cujo link é fica aqui:


https://www.facebook.com/Penedas/


Onde se podem encontrar muitas fotos e coisas do dia-a-dia das Penedas. Assim se quiser saber mais alguma coisa sobre as Penedas, nem há como passar por lá.

 

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Já deram conta que algumas fotos são apresentadas duas a duas. Isto porque pensávamos encontrar alguns escritos sobre as Penedas, mas não encontrámos. Assim, mais uma vez ficam as nossas habituais impressões sobre estas aldeias.

 

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Pois, talvez ainda antes de entrarem nas três Penedas, eu recomendava vê-las desde o outro lado do Rio Cávado, desde a aldeia de Azevedo ou de Lapela, aldeias vizinhas para as quais as Penedas lançam vistas. Nas imagens que ficam atrás, as panorâmicas sobre as Penedas são tomadas desde a aldeia de Azevedo. Há no entanto uma foto que é tomada desde a Peneda de Cima que lança vista sobre a Serra do Gerês e sobre a aldeia de Lapela.

 

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Pelo que atrás disse, as vistas desde as Penedas são vistas a não perder, e o contrário também é verdade, as vistas sobre as Penedas. Depois de vistas lançadas para e desde mais longe, aí sim, há que entrar nas Penedas e apreciar os pormenores. Os espigueiros, os verdes dos campos e da floresta, o casario tradicional. Não conseguimos descer ao Cávado, onde existe uma ponte e pela certa a habitual água cristalina a que os rios do Barroso já nos habituaram, e quem sabe, quase pela certa, alguns rápidos e pequenas cascatas. Fica para uma próxima oportunidade. Para finalizar, se como nós gosta de descobertas, não deixe de descobrir as Penedas, pois não se vai arrepender. Espero que as fotos convidem a isso mesmo, mas como sempre, uma coisa são imagens de fotografia e outra é viver estes locais. Estar lá, respira o seu ar, conversar um pouco com os seus habitantes.

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E agora só restam as habituais referências e links para as anteriores abordagens ao Barroso.

 

Bibliografia
BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

 

Um Sítio para consultar
https://www.facebook.com/Penedas/

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:


A
A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257
Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459
Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516
Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724
Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701
Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B
Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670
Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048
Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C
Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875
Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496
Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943
Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991
Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958
Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573
Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196
Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192
Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249
Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D
Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F
Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294
Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619
Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833
Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

 

G
Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100
Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L
Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004
Lapela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209
Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M
Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262
Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229
Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N
Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302
Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O
O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557
Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886
Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P
Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152
Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428
Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464
Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308
Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192
Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799
Paredes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901
Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344
Penedones - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130
Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473
Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405
Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R
Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026
Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214
Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590
Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061
Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355
Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S
São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677
São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974
Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167
Sendim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765
Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325
Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548
Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977
Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T
Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376
Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979
Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V
Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900
Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489
Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489
Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643
Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232
Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900
Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489
Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X
Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z
Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

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Quem conta um ponto...

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362 - Pérolas e diamantes: A pose da naturalidade


O romance de cavalaria medieval, que foi o alvo predileto de Cervantes, desenvolveu-se na França do século XII e espalhou-se depois por toda a Europa. Além de altamente convencional, também era escrito em versos fáceis de recitar e só depois em prosa.

“Romance” significou de início uma obra em francês, derivada do latim, a língua de Roma.

Os romances medievais, ao contrário do que muita gente pensa, não eram crónicas de batalhas campais, como as travadas entre Gregos e Troianos, mas histórias de cavaleiros lendários dedicados a Jesus Cristo e às suas amadas, de torneios e de castelos encantados, com um suplemento de dragões e monstros, todos sob o feitiço de grandes magos. E eram coisas pouco divulgadas. A edição dos livros exigia trabalho muito elaborado e moroso.

Apenas com o progresso tecnológico da tipografia no século XIX é que o livro se transformou em veículo popular para um novo público leitor, tão sequioso de uma história imaginária de boatos picantes e últimas novidades.

Os autores, com a cumplicidade dos seus editores, adquiriram rápida aceitação. Finalmente podiam saber daquilo que os leitores gostavam, sentindo-se cada vez mais tentados a dar-lhes o que eles queriam. Como diz Daniel J. Boorstin: “O autor-criador tornou-se, pois, o público do seu público.”

No seu livro Os Criadores, o autor refere que Dickens, entusiasta e compassivo, era, ao contrário de Balzac, um homem de paixões. Pomposamente democrata, permaneceu um vitoriano populista. “A minha fé nos governadores”, escreveu em 1869, “é, no seu todo, infinitesimal; a minha fé no povo governado é, no seu todo, ilimitada.”

Nem a sua experiência como jornalista no Parlamento aumentou a sua confiança nas assembleias representativas. O autor dos hilariantes Cadernos de Pickwick passou pela Câmara dos Comuns “como um homem” e na Câmara dos Lordes “não cedeu a nenhuma fraqueza, exceto ao sono”.

Confessou que viu muitas eleições “sem nunca ter tido vontade (qualquer que fosse o partido a ganhar) de estragar o chapéu atirando-o ao ar”. Nem o que observou no Congresso de Washington alterou as suas opiniões. Dickens nunca “lamentou nem se orgulhou de qualquer corpo legislativo”.

O génio é sempre obra do acaso. E quase sempre as pessoas que o possuem são torturadas e perseguidas por obsessões contínuas. O sublime Leonardo da Vinci, enquanto jovem, comprava pássaros no mercado a fim de os libertar. E caminhava pelo seu próprio pé, pois, como Miguel Ângelo escreveu: “Aquele que segue outro nunca o alcançará”.

Dostoyevsky dizia que “as ideias voam pelos ares, mas são condicionadas por leis que não compreendemos. As ideias são contagiantes, e uma ideia que se poderia crer prerrogativa de alguém possuidor de grande cultura pode entrar no espírito de um ser simples e descuidado e apoderar-se dele.

Oscar Wilde gostava de brincar com o seu paradoxo afirmando bem alto que “ser natural é apenas um pose”.

O pai de Montaigne tinha como objetivo educativo para o seu filho aliá-lo com “o povo e aquela classe de homens que precisa da nossa ajuda”. Ensinou-lhe que “o dever manda primeiro olhar para o homem que nos estende os braços e só depois para aquele que nos volta as costas”.

Talvez tudo não passe de uma questão de fé.

Montaigne divide os filósofos em três categorias: os que afirmam terem encontrado a verdade, os que negam poder a verdade ser encontrada e os que, como Sócrates, confessam a sua ignorância e continuam a procurar. Apenas os últimos são sensatos.

Mas a fé pode ser como a de Montaigne: “uma corda que sustenta o enforcado”.

Quando jovem, Benjamim Franklin não se interessava francamente pelas belezas da natureza, ou da literatura, nem tão pouco o emocionavam a poesia, a arquitetura ou o romance histórico. “Muitas pessoas gostam de narrativas sobre edifícios e monumentos antigos, mas por mim confesso que, se conseguisse encontrar nas minhas viagens uma receita para fazer queijo parmesão, isso me daria mais prazer do que uma cópia da inscrição de uma qualquer pedra-de-não-sei-quê.”

Franklin chegou a ser um dos líderes da Revolução Americana, conhecido por suas citações e experiências com a eletricidade. Além disso foi jornalista, editor, autor, filantropo, político, abolicionista, funcionário público, cientista, diplomata, inventor e xadrezista estadunidense.

Escrevia como recomendava, de forma “simples, clara e concisa”, e persuadia os seus leitores a apadrinharem um objetivo prático e quase sempre valoroso. Tinha como intenção “promover um saber que seja útil”.

O seu Conselho a Um Amigo Para a Escolha de Uma Amante era o reflexo disso mesmo: “Prefira mulheres velhas a jovens”. As suas razões terminavam desta forma: “Oitava e última: elas ficam tão gratas!”

 

João Madureira

 

 

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Sábado, 7 de Outubro de 2017

Curalha - Chaves - Portugal

1600-CURALHA (746)

 

As nossas aldeias, vilas e cidades não ocuparam o seu território por mero acaso, houve uma série de razões que levou os nossos antepassados a construir, não só os seus abrigos, mas também construções de defesa, de comunicação etc. Em suma, construiram onde tinham melhores condições de vida e de sobreviver a ela.

 

1600-curalha (566)


Daí os rios, os vales mas também as elevações terem sido locais que atraíram população e os convidou a fixarem-se, mas como em tudo também houve algumas exceções que levou população a locais de vida improvável.

 

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As nossas aldeias, vilas e cidades têm inúmeros testemunhos do seu povoamento ao longo do tempo, testemunhos que a História nos ajuda a compreender, tetemunhos que hoje em dia fazem a identidade dos locais e lhes dão uma ou mais imagens de marca.

 

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Curalha, a nossa aldeia de hoje, é uma aldeia cheia de testemunhos, mais recentes ou mais distantes, testemunhos separados por dois mil ou mais anos, desde o seu Castro pré-romano, o testemunho mais antigo, a alguns vestígios romanos até aos mais recentes de há apenas 100, 200 ou 300 anos, nos quais se incluem os seus moínhos, o pontão sobre o rio Tâmega, uma estação, uma ponte e alguns vetígios da existência, passagem e paragem do comboio, onde existem uma composição com máquina a vapor e carruagens de passageiros e mercadorias.

 

1600-CURALHA (749)

 

É disto que as aldeias também são feitas, além de outras imagens de marca que as marcam, às vezes até sem importância histórica, como é o caso do pinheiro manso que se mostrava aos olharares de alguns quilómetros de distância dada a sua localização, mesmo na croa de uma pequena elevação e mesmo no centro do Castro de Curalha. Uma referência feita com apenas um pinheiro manso, que segundo conta, está à beira da sua morte. Pela certa não fará parte da história do local mas da qual já não se livra. tudo por estar registado em muitos documentos que fazem a história, mais propriamente em fotografia.

 

1600-CURALHA (734)


O rio, o castro, os moinhos, o pontão e a ponte, o comboio, a antiga via romana, a mais recente Nacional 103 e ainda o mais recente nó da autoestrada, mas também a terra fértil, o amor ao berço e a proximidade da cidade, fazem com que Curalha continue a sua caminhada pela história.

 

1600-curalha (575)

 

Ficam algumas imagens para ilustrar algumas das palavras de hoje, mas não só, pois estes testemunhos não fazem só parte da história e identidade de Curalha, mas também da beleza desta aldeia.

 

 

 

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Sexta-feira, 6 de Outubro de 2017

Feira dos Santos - Os primeiros pavilhões

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O tempo passa, o verão ainda foi ontem e o outono já cá está com os Santos (feira) estão à porta, e prova disso mesmo são os pavilhões dos divertimentos que já estão a ser montados, este ano com novidades, pelo menos uma, vamos ter montanha russa, eia!

 

1600-santos 16 (656)

 

Por aqui, no blog, como todos os anos vamos fazendo a contagem decrescente com algumas imagens da Feira dos Santos dos anos anteriores. As de hoje, são do ano passado de 2016.

 

 

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Discursos sobre a cidade - Por António de Souza e Silva

SOUZA

 


O PRIMADO DA POLÍTICA

- DO DESPERTAR AOS “NOVOS” ACORDAR -


 
No rescaldo das Eleições Autárquicas 2017, em especial para os novos protagonistas que no espaço do Município de Chaves vão desempenhar funções autárquicas, e tendo como pano de fundo a “crise” que se vive no estado espanhol, ao nosso lado, concretamente na Catalunha, gostaríamos de deixar aqui algumas palavras, fruto de uma reflexão já feita, em 12 de outubro de 2012, num Congresso Internacional de Animação Sociocultural.

 

O mundo em que vivemos está a pedir que o reinterpretemos.

 

Exige-nos que contemplemos a política de uma forma não convencional. Que abramos os olhos para uma realidade muito mais complexa.


 
Neste mundo, que parece mais complexo e incompreensível que os anteriores, compreender é um bem escasso.

 

Noutras épocas, interpretar a realidade era uma perda de tempo, uma distração das exigências da praxis. Agora é um modo de atuar sobre a realidade, uma verdadeira e ingente atividade humana.


 
A sociedade multicultural, como é aquela em que vivemos, facilitada pelos novos media que o Homem criou, não sobressai pela sua unidade, outrossim pela sua dispersão.
 
Encontramo-nos hoje precisamente perante um esgotamento da hierarquia como princípio ordenador das sociedades. Em que política deve passar da hierarquia para a heterarquia; da autoridade direta para a conexão comunicativa; da posição central para a composição policêntrica; da heteronomia para a autonomia, da regulação unilateral para a implicação policontextual.
 
Sociedade esta que terá de estar em condições de gerar o saber necessário – de ideias, instrumentos, procedimentos – para moderar a sociedade do conhecimento que opera de maneira reticular e transnacional.
 
A tarefa fundamental da política e do estado na sociedade do conhecimento pós-capitalista e pós-territorial é a coordenação e mediação dos sistemas sociais tão complexos, experientes e dinâmicos que excluem um comando estatal autoritário.
 
As tarefas do estado modificaram-se decisivamente numa sociedade que não permite um governo direto, centralizado, hierárquico e autoritário, mas contextual, heterárquico e discursivo.
 
Temos, pois, de modificar em profundidade o nosso modo de conceber a política.

 

Se a teoria clássica da política se preocupou com a ordem, a estabilidade, a integração e a planificação, hoje é mais necessário e urgente interessar-se pelo inverosímil, pelas diferenças e pelos processos dinâmicos. A política deve aprender a dar-se bem com um futuro que já não é objeto de adivinhação nem algo planificável, mas uma coisa fundamentalmente incerta que, apesar disso, temos de antecipar.
 
Vivemos num mundo sem épica ou, pelo menos, no qual as narrativas épicas perderam plausibilidade e capacidade de mobilizar.

 

A política agora situou-se no espaço humano, demasiado humano, sem sublimidade, sem verticalidade, no qual nada está absolutamente protegido da crítica, da erosão do tempo ou da crescente complexidade social.
 
Não estamos perante a necessidade de reideologizar a política, mas de configurar projetos e decisões com base no reconhecimento de que dispomos de um saber limitado e falível.

Se as ideologias fechadas pretendiam certezas absolutas, o nosso desafio hoje consiste em estabelecer programas pós-ideológicos que sejam, ao mesmo tempo, normativos e conscientes da sua própria contingência.
 
“O único consenso que tem alguma possibilidade de êxito é o reconhecimento da heterogeneidade dos desacordos”, dizia-nos o falecido Z. Bauman, o teorizador da sociedade líquida.
A pretensão de transformar a política em responsável pela obtenção de um consenso geral que supere as distinções ideológicas e sistémicas já não é sustentável em sociedades policontextuais, que não se articulam de maneira centralista ou hierárquica.
 
Da política não se deve esperar nem a solução definitiva de todos os problemas nem a salvação das nossas almas, mas algo de muito mais modesto, mas não menos decisivo do que o que proporcionam outras profissões muito honradas.
 
Na transição de uma sociedade heroica para uma que já o não é, torna-se necessário elaborar uma nova cultura política que ensine tanto a apreciar a política como a não lhe pedir o que ela não pode garantir.
 
Contudo, apesar de nunca ter estado tão limitada na sua margem de atuação, a política também nunca foi tão decisiva como hoje.
  
As sociedades modernas, que já não adquirem o seu conhecimento do futuro por meio de interpretação dos sonhos nem atuam vicariamente na figura de uma pessoa em que confluem visão e poder, têm de adquirir o conhecimento e atuarem coletivamente por meios dos correspondentes processos de investigação e deliberação coletiva. Como sociedades abertas, estão condenadas à aprendizagem coletiva. Não podem confiar que as coisas sejam resolvidas por outros ou aconteçam sem que se fazer nada.
 
Entre as coisas que já não são o que eram salienta-se a ideia de um progresso linear, necessário, irreversível e contínuo, baseado na certeza de que nada é insuperável nem nada há que possa resistir à vontade de transformação.

O esgotamento desta ideia moderna de progresso é uma característica fundamental do nosso tempo.
 
Uma vez que se deu este esvaziamento da ideia de progresso, que tipo de futuro produzimos na nossa sociedade? Quais são as consequências políticas da crise da ideia de progresso?

A política não é atualmente movida por projetos que suscitem a esperança coletiva nem por antevisões do futuro especialmente prometedoras. Não é por acaso que o desencanto em relação à política coincide com o momento em que o futuro se converteu numa categoria problemática.
 
Há atualmente um profundo pessimismo a respeito da capacidade humana de configurar seja o que for, e muito menos por meio da política. O novo fatalismo reflete o desvanecimento da esperança política despertada pelas utopias liberais e socialistas, herdeiras de grandes narrativas progressistas, que vêm das Luzes.
 
Esta perda de energia antecipatória manifesta-se no facto de que as nossas democracias carecem de projetos utópicos, de missões ou conceções de justiça, de horizontes globais. Os grandes visionários foram substituídos por políticos que gerem as inevitáveis constrições do presente. E onde melhor se revela esta redução de esperança é no facto de a política se mobilizar mais pela rejeição do que pelo projeto, mais pela desconfiança do que pela adesão.

 

E foi nisto que a Europas se tornou, levando à prolongada crise pela qual passamos, persistindo em viver e gerir as diferentes sociedades que a integram com fórmulas do passado, de todo ultrapassadas, não atendendo efetivamente à nova sociedade, global e da informação, em que vivemos. Apesar dos grandes ”crânios” que nos governam. “Crânios” que outra coisas não são, e como muito bem se diz, tecnocratas, que pouco têm de políticos!
 
Todavia, a crise de uma determinada conceção do progresso não deveria implicar a crise do progresso como tal.
 
 
O que hoje faz falta são projetos elaborados com base numa imaginação do futuro desejável, embora esse futuro não possa já ser projetado com uma necessidade mecânica e tenha de ser mais imprevisível e controverso.
 
Em vez de se proclamar que «outro mundo é possível», mais vale imaginar outras maneiras de conceber e atuar sobre este mundo. Devemos, pois, ser mais modestos.
 
Temos, pois, de mudar este estado de coisas. Com visão e paixão. Porque a política sem visão perde-se na azáfama quotidiana e acabamos por chegar onde realmente não queríamos.

 

Mas, se lhe faltar paixão, a política mostra-se incapaz de fazer frente à fatal resistência aos factos, fatalmente acomodando-se, sem chegar aonde se tinha proposto.

 

O que hoje está a acontecer na Catalunha é, manifestamente, a falta de visão e paixão do futuro que a Europa e a Espanha, como Estado fortemente centralizador, tiveram e têm.

 

Por manifesta falta de diálogo. Por verdadeira incapacidade de saberem gerar acordos numa sociedade em mudança profunda, respeitando as diferenças e as diversas identidades.
 
Atendendo à magnitude dos problemas com que somos confrontados e que exigem uma ação coletiva, nunca o primado da política foi tão necessário. Se não pudermos resolver esses problemas por meio da política, não poderemos resolvê-los de nenhuma maneira.
 
O futuro já não é construído lutando contra os que defendem o passado, mas sim também contra os que parecem ser pelo futuro mas que o defendem mal.
 
Devemos pugnar por uma política de otimismo e de esperança num tempo em que a confiança na configurabilidade do futuro se encontra debilitada.

 

Na esteira de Daniel Innerarity, “do que necessitamos é de uma política que faça do futuro a sua tarefa fundamental, uma política empenhada em impedir que a ação se transforme em reação sem significado e que o projeto se degrade no idealismo utópico”.
 
É a ausência de projeto que nos submete à tirania do presente. O movimento contemporâneo, a incessante adaptação à mudança que nos é exigida, é vivido segundo uma lógica da sobrevivência, não da esperança. À força de se explicar que «as grandes narrativas» morreram, o lugar delas foi ocupado pela defesa dos «direitos adquiridos».

 

O vazio deixado pela imaginação do futuro foi preenchido pela preocupação do instante. E onde não se prepara o futuro a política limita-se a gerir o presente.

 

E o resultado, pelos acontecimentos que nos entram pela porta dentro através do media, estão bem à vista!

 

É na prevenção de choques e dissabores futuros que deixo aqui aos novos detentores do poder autárquico e responsáveis pelas decisões quanto ao futuro do nosso Município as palavras com que acabávamos o nosso discurso do mês passado, em período eleitoral:

 

“Qualquer sonho político só é realizável em colaboração com os outros que também querem [e devem] participar na sua definição. Os pactos e as alianças põem em evidência a necessidade mútua de uns e de outros. O poder deve ser sempre uma realidade partilhada. E a convivência democrática deve proporcionar muitas possibilidades, embora imponha também muitas limitações.

 

A ação política implica, assim, sempre transigir, acordar. Desta feita, quem abordar todos os problemas como uma questão de princípio. Quem utilizar constantemente a linguagem dos princípios, do irrenunciável e do combate está condenado à frustração e ao autoritarismo.

 

Aqueles que forem incapazes de entender a plausibilidade dos argumentos da outra parte não conseguirão pensar, e muito menos atuar, politicamente.

 

É esta a postura, de diálogo, pactos, consensos e acordos sobre o futuro de Chaves, numa sociedade tão complexa e de rumo tão incerto e de fortes constrangimentos [a que a autarquia está sujeita], que se espera desta candidatura do PS (…)”

 

Que, com esta vitória, as nossas esperanças não sejam desfraldadas!


António de Souza e Silva

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:22
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Quinta-feira, 5 de Outubro de 2017

Cidade de Chaves - Um olhar

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:11
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Quarta-feira, 4 de Outubro de 2017

Outono Fotográfico em Chaves - Adega do Faustino

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Embora o Outono já tivesse iniciado a 22 de setembro, para a fotografia só se inicia em outubro, com o Outono Fotográfico, o Festival Galego de Fotografia, o decano da Península Ibérica, que atinge este ano de 2017 a sua 35ª edição e acontece nos meses de outubro, novembro e dezembro, em várias cidades galegas e portuguesas do Norte de Portugal. Em Chaves também acontece, com três exposições, a primeira neste mês, de autoria de Humberto Ferreira, na Adega do Faustino.

 

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O tema deste ano do Outono Fotográfico é Descrenza/Descrença/Disbelief,  em que Humberto Ferreira participa com a sua exposição “Acredite… são umas cabras!” e são mesmo.

 

Fica a sinopse da exposição:

 

“Quando decidimos vaguear pelos montes e vales das aldeias que nos rodeiam, assalta-nos um sentimento de descrença da sua recuperação, de vermos respeitadas as suas características mais intrínsecas, de voltar a vê-las com vida, de experimentarmos o seu pulsar e de nos sentirmos envoltos na magia da sua existência. De fora ou de dentro, quer sejamos simples visitantes ou partilhemos do seu espírito, notamos a completa ausência de estratégias que promovam a sua sustentabilidade a longo prazo. Um dos indicadores que ainda nos dá algumas esperanças no seu renascimento é a existência de animais – a criação de gado – e o cultivo dos campos a ela associada. Neste caso de gado caprino. E ainda que a descrença nos invada, acredite… são umas cabras!”

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:33
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Nós, os homens

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II

 

As mulheres são como um vírus, depois de nos infectarem, integram o nosso ADN celular e subvertem a maquinaria sintética a seu favor. Tudo o que vem depois, é determinado por elas. Aqueles conceitos de liberdade, respeito pelo outro, espaço e tempo próprios de cada um, enquanto pessoa, passam para segundo plano, sendo completamente manipulados e tendo como argumento base e irrefutável a do bem-estar do casal, enquanto relação a dois. Deixa de haver espaço para amigos, mesmo de infância, família, filhos, se os houver, e ex-mulher então é melhor nem citar, por mais que a gente lhes tente explicar que, apesar de tudo, continua a ser a mãe dos nossos filhos. Isso só seria aplicável se elas tivessem algum tipo de sentimentos em relação às crias que não são delas! Qual o quê?! Adversários, é a única palavra que entra naquelas cabecinhas.

 

Convencido de que não era o único a ter de lidar com este problema, convidei um grande amigo meu para jantar e para lhe falar da ideia peregrina de fundar o Movimento Europeu de Emancipação do Homem.

 

Não pretendia, de facto e apesar destes problemas ou incompatibilidades, se assim lhes podemos chamar, afastar-me das mulheres, mas achava que estava na altura de nos associarmos e fazermos qualquer coisa, por nós homens, no sentido de definir limites, que uma coisa era nós gostarmos delas, outra, completamente diferente, era nós dependermos delas, ainda que fosse só do ponto de vista emocional ou sentimental.

 

E não é que o meu amigo se partiu a rir com a minha proposta!

 

- Oh pá, isso parece um cordeirinho a chamar pela mãe! Então tu já te apercebeste da sigla, MEEH!

 

E eu, sinceramente, caiu-me tudo ao chão!

 

Vi que não tinha ali um aliado, que a minha guerra tinha de ser travada no meu campo de batalha pois que o meu amigo em vez de me levar a sério e perceber o meu desespero estava era numa de se divertir à minha custa! Claro que não lhe levei a mal porque nós, os homens, sabemos perfeitamente que quando um amigo faz destas coisas o que nos quer dizer é para não sermos parvos e não perdermos o controlo da nossa vida só porque estamos emocionalmente instáveis.

 

Passamos o resto do jantar numa conversa intimista em que abordamos todos os temas menos aquele para o qual eu o tinha convocado. Durante algumas horas a minha vida pareceu-me saudável!

 

Nessa noite dormi como um cordeirinho, sem chamar pela mãe.

 

Cristina Pizarro

 

 

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Terça-feira, 3 de Outubro de 2017

Cidade de Chaves - Dois olhares

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Dois olhares sobre a cidade, um a p&b, outro a cores, dois momentos e dois ícones, ambos obras de arte com o nosso granito como elemento estrutural e duradoiro, um já com alguns séculos outro a caminho do seu primeiro século, mas os dois de vital importância para a cidade de Chaves.

 

1600-(47982)

 

As referências são da nossa Torre de Menagem, que embora obsoleta para os fins que foi construída, ganhou a sua importância turística e um museu militar. A outra referência é para a Ponte Nova, que ficou assim conhecida por ser uma fedelha comparada com os dois mil anos da nossa preciosa Ponte Romana, durante anos a única alternativa a esta, mas que hoje tem concorrente com uma nova ponte para o trânsito automóvel, e que adotou o nome de Ponte de S.Roque.

 

 

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Segunda-feira, 2 de Outubro de 2017

Quem conta um ponto...

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361 - Pérolas e diamantes: A verdade e os tolos

 

Não vale a pena dar-lhe muitas voltas, bem vistas as coisas tudo depende do coração. Afinal, toda a gente acredita naquilo que quer acreditar. Todos sabemos muito bem que sabemos muito bem que sabemos muito bem.

 

As notícias de última hora que inspiram os jovens repórteres inexperientes, mas com muito bom aspeto, são as da pobreza. Até o senhor presidente da República não se cansa de abraçar e beijar os sem-abrigo.

 

As histórias dos desgraçadinhos de Lisboa e arredores espalham-se pelo país como uma doença sentimental. E as perguntas são sempre prementes e ocas: Como é ter fome? Como é não ter casa?

 

Os canais de televisão patrocinam-se dessa forma, transmitindo o desespero em direto. Os ricos deliciam-se sentimentalmente com a pobreza.

 

Mas os restaurantes estão cheios de pessoas, as sapatarias repletas de sapatos e sapatilhas e donzelas e pseudo-atletas.

 

E as lojas de roupa rejubilam de atestadas por pseudo-manequins ambulantes. A felicidade cabe-lhes toda na exclamação: “Agora já não precisamos de ir às compras ao estrangeiro!”

 

Para terminar o triângulo virtuoso, os especialistas emitem as suas opiniões especializadas… a valor de saldo: “Alguém vai ter de pagar o preço do Progresso”.

 

E, ó ironia das ironias, não acreditam em quem lhes diz a verdade porque sabem que na cabeça dos tolos só a verdade é que aproveita. Afinal, a quem é que interessa a verdade?

 

Aos tolos.

 

 A quem?

 

Aos tolos.

 

O mundo agora é só vídeos. Estou em crer que até o primeiro-ministro e o presidente da República tomam as decisões importantes baseados nos vídeos que visualizam no iphone.

 

Também eles fazem parte da realidade… dos filmes.

 

Nos restaurantes apinhados, todos, mas mesmo todos, suspendem as refeições e imobilizam os sorrisos para tirarem uma selfie

 

com a ementa…

 

com o empregado de mesa…

 

com o papá e a mamã…

 

e a avó…

 

e o namorado…

 

ou namorada…

 

uns com os outros e outros com os uns…

 

e o pobre do cão a ladrar lá longe no canil…

 

e o gato a miar sozinho, ou mal acompanhado, no gatil…

 

E depois passam as selfies de uns telemóveis para os outros e dos outros para os uns para os uns e os outros as contemplarem. Nada mais interessa, nem sequer a comida, sobretudo a boa, porque fica mal na fotografia.

 

Disfarça-se a obesidade com os sorrisos.

 

O fotoshop é bué de mentiroso, mas as pessoas são ainda muito mais.

 

As infraestruturas tomam conta de nós, sobretudo as ligadas à impunidade.

 

Os centros comerciais reluzem, as metrópoles rebentam de turistas, os vales transformam-se em lindos lameiros de golfe. As novas personagens de tudo aquilo que é velho tornam-se inesquecíveis. Todos somos apanhados pelas novíssimas marés da gargalhada.

 

Estamos superlotados de vacuidade.

 

Só respondemos às perguntas indiretas.

 

Destroçaram-nos as histórias.

 

Quem são os heróis?

 

Os tempos estão a mudar…

 

Tretas…

 

Afinal qual é a moral desta história?

 

João Madureira

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:18
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