Quarta-feira, 22 de Março de 2017

Ocasionais

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“De uma vez por todas!”

 

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e,

de peito feito, diz que detesta a política.

Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política

 é que nasce a prostituta, a criança abandonada

 e o pior de todos os bandidos,

que é o político vigarista, desonesto,

o corrupto e lacaio dos exploradores do povo”

– Bertolt Brecht

 

 

Vêm aí as Eleições Autárquicas de 2017.

 

OS de CHAVES, que saltitam, batem palmas, seguem em procissão e louvaminham esse «pavão de Castelões» e o seu galinheiro real, com os olhos mais tapados do que uma coluna de cimento armado, teimam em não dar conta de que em vez de honras colhem, daí, vergonhas!

 

Os Flavienses, não podem deitar fora a oportunidade de defenestrar, de correr, De uma vez por todas, com a cambada de incompetentes, medíocres e malfeitores que só têm contribuído para o atraso civilizacional, para o apoucamento e para o definhar dessa Cidade, desse Município!

 

CHAVES tem, De uma vez por todas, de deixar de ser o «Bairro Raiano» de VILA REAL, o «Ilhéu das Rolas» dos milhafres da capital do Trancão.

 

Por aí, ainda há «defensores de Chaves», gente que chegue para «levantar a cidade», recuperar o brilho e o prestígio de um território com um Passado, distante e recente, glorioso, nobre!

 

Aquilo que os Flavienses têm feito até hoje é votarem e elegerem um vilão e seus vilões que estavam em luta (eleiçoeira) com outro vilão e seus vilões!

 

Se os FLAVIENSES querem ter Futuro, corram com esses falsários moinantes da política, e elejam os melhores que, por aí, ainda restam!

 

Por aí, esses «pavões» e «lalões», e os seus coreutas, se bem (bem mal!) imitados por outros «poneyzinhos-de-Tróia» incapazes, por incompetentes e medíocres, de serem apóstolos das doutrinas que professam (ou dizem professar) têm-se prestado, prestam-se, sim, para serem autênticos «algozes dos seus conterrâneos»: a política tem-lhes servido como frondosa árvore à sombra da qual conseguem «fartar os seus odiozinhos pessoais».

 

Esse «pavão-mor», embora com alguma instrução, não tem grandeza de ideias nem de reflexão para o lugar a que trepou!

 

Não conhece o Passado da «Província», nem tem a capacidade para compreender o Presente.

 

As suas “ideias” assemelham-se às daquele «Imperador Feminino Chinês» que decretou que as flores brotassem no Inverno !

 

Já ouvi a alguém dizer que esse «pavão» acredita ser um “Buda Maitreya” encarnado!

 

Aqueles que o elegeram apenas lhe têm servido de adorno.

 

Antístenes dizia não se poder fazer de um mesmo ser mais que uma única definição.

 

Antístenes não imaginava que, qual cisne negro da Nova Zelândia, vinte e cinco séculos depois, na NORMANDIA TAMEGANA, «rebentasse» um «pavão de Castelões» a quem cabem tantas e tão vis definições!

 

O meu amigo de Roterdão, ao ler as minhas “Conversas com ZEUS” e dar com os olhos nos Post(ai)s de alguns Blogues de CHAVES, numa das suas cartas mostrava o seu espanto: - «Que estranho haver tantos “De CHAVES” a prestarem-se ao papel de bobos mercenários ou de parasitas ridículos”!   

 

Às vezes, chego a crer que os Flavienses, submetidos à estagnação e atormentados com os castigos, os dislates e malfeitorias; o desleixo, a deslealdade, a má-fé; a incompetência e a mediocridade da maior parte dos seus edis, atingiram um tal grau de apatia que não se atrevem a mexer uma palha para mudar a situação, com o medo de ficarem ainda mais prejudicados e «atrasados»! 

 

Podeis crer que, nem com o espelho nem com a varinha mágica, Circe conseguiria transforma esse «pavão» e os seus «lalões» em bons flavienses. 

 

Ó de CHAVES, «lembrende-βos» que esse cafajeste e os seus correligionários são flavienses nas campanhas eleitorais!

 

Chegados aos pedestaizinhos onde vêem multiplicados os salários e as mordomias, e aumentada a untuosidade da sua ridícula quão miserável vaidade, imediatamente consideram inconveniente permanecer no credo da juventude e de toda a conveniência renegarem as juras dos comícios e faltarem às promessas da campanha!

 

Após o 25 A/74, a política tem sido um lindo refúgio de medíocres e infames, de hipócritas e incompetentes, de desleais e de traidores, onde chocam e cultivam a sua mesquinhez moral, as suas vinganças covardes, os seus caprichos doentios, as suas patológicas fantasias.

 

As campanhas, os comícios, os discursos servem mais, muito mais, para ocultar os verdadeiros interesses em jogo do que para esclarecer os eleitores.

 

A preocupação dos candidatos, para agradarem aos seus verdadeiros senhores, consiste mais em inventar argumentos que desviem a atenção pública dos verdadeiros problemas nacionais, sociais e individuais.

 

As campanhas eleitorais são, na realidade, a instalação de uma fraude, concluída e aplaudida no acto eleitoral.

 

Na verdade, o voto democrático corresponde àquilo que Chesterton disse: -“um voto torna-se de tanto valor como um bilhete de viagem de comboio numa linha impedida”.

 

A Assembleia da República, o Parlamento, a “Casa da Democracia”, enche-se de gente cujo maior mérito reside na sua habilidade para ter sido nomeado candidato graças ao seu carácter servil, submisso aos caprichos e disciplina dos seus chefezinhos, e à sua elasticidade de consciência.

 

A (esta) Democracia trouxe à luz do dia a verdadeira qualidade de gente ambiciosa e medíocre, suficientemente esperta e manhosa para se meter em lugares elegíveis em Lista eleitorais   -  foi revelado que apenas possuem um cérebro réptil!

 

E quanto mais medíocres maior a possibilidade de se sentarem em lugar mais à frente no anfiteatro do “Parlatório Nacional”!

 

Mal sabem ler e escrever. E votam de acordo com a «disciplina partidária»!

 

No presente, que valor tem o voto quando é «Bruxelas» a aprovar ou a reprovar o que as nossas Assembleias deliberam?!

 

Que certeiro esteve quem disse: - “A Democracia é o governo dos que não sabem”!

 

CHAVES está empestada com o bodum de falsos políticos.

 

 Os monumentos religiosos do Município de CHAVES são, HOJE, tão esquecidos e abandonados que nem para celebrações religiosas e, nem muito menos, para turismo servem!

 

Aos fins-de-semana, CHAVES é uma cidade tão vazia como a Igreja da Madalena quando nela não se celebra missa!

 

A esse «pavão», persistente no assentimento do lixo espalhado pela cidade e das lixeiras espalhadas pelo Município, a sordidez e a imundície parecem-lhe «luxuoso fedor aromático»!

 

Como gostaria de contrariar, De uma vez por todas, o Gustavo Le Bon ao ver que em CHAVES, nas Eleições Autárquicas de 2017, o «Talento e o Génio» desmentiram que «o exagero das multidões incide unicamente nos sentimentos e de modo algum na inteligência».

 

E como na sua eterna «luta contra a razão o sentimento nunca foi vencido», os espertos-espertalhões, que chamam à ocupação do Poder Governo, adubam bem a imaginação popular e logo as multidões aparecem principalmente constituídas por aqueles que, dentro delas, acreditam conseguir subir muito alto.

 

O adormecimento e a distracção da maioria dos flavienses, junto com a sua falta de coragem para a mudança, faz-me lembrar aquele dito latino-lusitano:

 

-“primo est bibere, deinde philosopfari”.

 

Para os que sabem, mas não se lembram, ou «estão esquecidos», direi:

 

-“Que (lhes) importa (aos flavienses) que a liberdade de pensamento se perca (ou fique arrumada numa choça), se a liberdade de beber continua garantida?!”.

 

Piores que as calamidades do «relâmpago», as cheias furiosas do Tâmega, as trovoadas vindas de Vidago, o calor infernal de um Verão (sempre) «como nunca se viu»; pior que essas calamidades, para os Flavienses são bem mais catastróficas as calamidades dos que os têm governado, quer a partir de Lisboa, quer da Praça do Duque!

 

Um dos erros mais graves no comportamento dos (nossos) políticos caseirotes (autárquicos) consiste no seu enfeudamento, no seu vínculo, não à terra natal (ou adoptiva) na qual exercem uma função administrativa, mas, sim, nesse seu enfeudamento, vínculo e engajamento cegos à comunidade partidária, e com covarde, quão estúpida, submissão ao líder ou ao directório partidários.

 

Os administradores autárquicos «abrileiros», dessa CIDADE, da NOSSA TERRA, não descansaram enquanto não puseram essse Território na miséria civilizacional e política! Julgaram-se triunfantes, pois isso! Porém, o momento, a hora da vergonha lhes chegará!

 

O grande e trágico problema dos flavienses é que têm caído na esparrela de eleger lacaios de cabecilhas políticos «de Lisboa», e de outros políticos «interesseiros, e não Flavienses homens-bons!

 

Mais do que a penúria material de grande parte dos Portugueses, assusta-me e lamento a penúria moral de quem (n)os governa   -   desde «lá de cima», da capital, até «cá em baixo», nas autarquias!

 

Os flavienses (e os Portugueses) preferem viver num mundo de fantasia e num esquecimento cinzento, ameaçado por um Passado e Presente que os magoa e angustia.

 

Quando se tenta ocultar uma grande verdade, semeia-se a dúvida no coração daqueles que anseiam descobrir o que há por detrás das palavras, das aparências.

 

Teimam em negar o que existe, o que lhes tem estado, e está, a acontecer.

 

Mas ainda há por aí, e por aqui, alguns, poucos, que se recusam a esquecer, a fazer há-de conta de que vai tudo bem no reino flavínio; alguns que não temem lutar contra crenças falsas, nem desistem da luta pela verdade.

 

É difícil lutar contra a mentira de muitos”.

 

É difícil sonhar com um amanhã melhor quando a obscuridade parece imperar em todas as direcções.

 

«Querer esquecer uma verdade inegável é viver sobre uma mentira que nos vai sumindo, é convertermo-nos em nossos próprios verdugos, fazendo com que a nossa consciência apodreça».

 

Sabemos da importância que grupos e instituições não-governamentais têm na Sociedade e, especialmente, na Sociedade democrática.

 

E do grau da sua autonomia muito depende a realização dos seus próprios objectivos e satisfação de necessidades da Sociedade.

 

Estes grupos e instituições não-governamentais muito contribuem para a resistência a Governos prepotentes e injustos.

 

Daí, a preocupação e o esforço de governantes medíocres, tirânicos (mesmo que disfarçados) em suprimir a autonomia e a liberdade de tais grupos e instituições, tentando impor, ou mesmo imponde-lhes, um mal disfarçado controle ditatorial.

 

Infelizmente, aí por CHAVES (ai, se fosse só por CHAVES!...) muitas instituições não-governamentais passaram à condição de organizações «recomendadas»!

 

Por aí, os «faroleiros» e candidatos a candidatos dos Partidos e Movimentos da Oposição mexem-se, remexem-se e coçam a comichão pelo Arrabalde e pelas cadeiras dos Cafés, criam células de fanfarrões e de oportunistas e atiram com flores ao peito uns dos outros, contando sempre com o ovo no cu da pita, acabando sempre por ficarem a chupar no dedo!

 

A preparação das Eleições Autárquicas confundem-na com um perliminar olímpico da prova de estafermo, bajulador, «poneyzinho-de-Troya», de «saber fazer pela vida» e vencer a guerrinha entre os seus,  com o qual pensam conquistar a medalha de ouro de integrante na Lista de candidatos aprovada pelo «chefezinho»!

 

Entretanto, a oportunidade de construir a melhor planificação estratégica para derrubar a capoeira de medíocres e infecciosos «pavões» e apresentar projecto sólido, eficiente e exitoso da recuperação do prestígio da CIDADE e do Município, e do Progresso que se lhe ajuste, vai pelo Caneiro abaixo!

 

A modorra, o narcisismo e a falta de sinceridade num ideal político-administrativo para a CIDADE (polis) tem feito com que CHAVES vá de mal a pior! E a perpetuação de gentalha reles e medíocre, no Palácio do Duque, fica garantida!

 

Que notória gente essa da Oposição, que não se cansa de tristes e humilhantes derrotas eleitorais!

 

Pobrezita!

 

Fica de papo cheio e com o ego bezuntado de vaidade balofa só por   -   de eleição em eleição  -   misturar umas bazófias de pretensa sabiciche política, em autênticos pelágios reciclados de si própria, com interpretações tão indigentes quão inifensivas, de ridículos actos ou omissões do «pavão», dos «pavões», dos «lalões», e regadas com uns copecos ou umas «bejecas» nos «Sport’s” ou nos “Faustinos” trajano-chavinos!

 

Fatalmente, sem imaginação nem credibilidade!

 

Porra!

 

Numa terra onde abundam arquitectos, não aparece   -   na Oposição   -   um Plano Estratégico com que se vencer esse bando de aves de rapina e de mau agoiro, que tem destruído o Passado, o Presente e o Futuro dessa CIDADE?!

 

Terão os Flavienses de gritar “aqui d’el rei” quando se virem obrigados a imitar Luís XVI , fazendo dos Jardins da cidade; da Veiga, da Groiva e da Ribeira; das vinhas, dos soutos, das carvalheiras ; das hortas, das cortinhas; dos batatais, das searas, dos pinhais, e dos olivais pomares de laranjeiras?!

 

CHAVES, cidade e Município, está num perigoso plano inclinado de degradação.

 

O Governo Central (de ontem, de hoje, de sempre), com a vergonhosa e indecente colaboração da maior parte dos autarcas e deputados Normando – Tameganos, parece ter um ódio de morte aos que trabalham, vivem, e aos que amam essa Região.

 

A malvadez, a ruindade, a estupidez, a imbecilidade, a ignorância, a mediocridade e a covardia de alguns flavienses, de nascimento ou por adopção, anda mal disfarçada pelos verdes véus de espuma da inveja e pelos amarelo-pálidos véus da ingratidão.

 

Aí por CHAVES, não quero que a tragédia político-administrativa vivida nos últimos decénios não cumpra a profecia «karlista-marxista» de voltar a ocorrer, como uma farsa!

 

Os flavienses (muitos, tantos, demasiados) continuam a descobrir boas qualidades no «salteador de estrada», na esperança de que ele lhes poupe nas algibeiras”:

 

- O “Pita” já morreu há muito!.......

 

Cumpre lembrar o meu amigo, e de Michel Eyquem,  Éthiene de la Boétie:

 

- “É muito próprio do vulgo desconfiar de quem o estima e confiar nos que o enganam”.  

 

Meus conterrâneos, FLAVIENSES, arrumai De uma vez por todas com essas almas pequeninas, com esses manobristas politíticos, que até mesmo nisso são reles e medíocres!

 

M., dezassete de Março de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

Ocasionais

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“Precisa de ajuda?!”

 

Antigamente havia lojas, comércios, tabernas, pensões, sapateiros, latoeiros e talhos.

 

Com um salto pelos “Cafés” e «Bares», apareceram os “Shoppings”.

 

Logo a seguir, os “Super” e os «mini» Mercados.

 

Copiando os “shoppings», os novos do «empreendedorismo» deram o nome de “CENTRO COMERCIAL” com ares de diferença arco-irisada ao corredor de lojecas   -   salas-buraco   -   no rés-do-chão de um armário de cimento armado, cheio de gavetões a que chamamos apartamentos.

 

A mania das grandezas, sublimação das fraquezas - ‘pequenezas’ -, levou à construção de “Shoppings” grandalhões e a Hiper-mercados, para diferenciação dos “Super” e «mini-mercados».

 

Entra-se numa dessas lojas  -   seja de roupa ou de calçado; seja de produtos de higiene ou tratamento de belezas; de florista ou de telemóveis; de bijuteria ou de ourivesaria; de serviços municipais ou municipalizados; de papelaria ou de sapateiro-rápido; e, logo, uma serigaita se aproxima de nós e atira, como um petardo: «precisa de ajuda»?

 

Quem diria!

 

O “Café”, o “Salão de Chá”, a “Pastelaria e Pão-Quente” não dão para se fazer uma pausa sossegada ou ter uma conversa amena: a «cultura» indígena, o «empreendedorismo» exigem que, com gente ou vazia, a «CASA» tem de ter a Televisão ligada e com o som, de vozes ou de música, bem alto.

 

Para o empresário/a do “Café”, do “Salão de Chá”, da “Pastelaria e Pão-Quente”, a pedra de toque da sua classe empresarial não está no asseio das mesas, das cadeiras ou do chão; não está na simpatia e solicitude dos «colaboradores» (cuidado, porque agora não há «empregados»; nem sopeiras; nem «empregados –de –mesa ou de balcão)!

 

E «colaboradores» até já vai havendo muito poucos: estão a ser substituídos por «assistentes de …»; «gestores de …»; «agentes técnicos da actividade de ….»!

 

Cuidado! Muito cuidadinho!

 

Agora, nos tempos que correm «os ocupantes dos postos de trabalho» estão aí para tratarem dos «clientes» com duquesa caridade (mal se entra a porta da Loja, disparam-nos a pergunta: «Precisa de ajuda»?). Ou, então, aproximam-se com ares imperiais de imperadores, ou de imperatrizes, como que a exigir o «pedido», trazerem para a mesa o café, o bolo, a cerveja ou o sumo com o aprumo de quem apresenta armas na parada, e com a vontade de saltar «à cronhada» ou aos tiros!

 

Em alguns “Cafés” e “Pastelarias e Pão-Quente”, fica-se com a impressão de que os/as «assistentes-técnicos/as da actividade de Restauração e Similares» quase se engaleiam para ver qual deles/as realiza a operação de “Caixa”, esticando a mão para receberem a «massa», criar a técnica mais lambisgoiada de combinar as moedas para o troco, e tirar o narcisista proveito de ver um, ou outro, e outro pagante à espera de que lhe seja feito o favor de ver aceite o seu pagamento!

 

Não! Que a ocupação de um «posto de trabalho» confere direitos e mais direitos, e uma superior importância, de tal ordem que os «clientes» são seres hierarquicamente inferiores!

 

A toque de caixa, e ao som do Programa favorito da «Gerência» é que os «clientes» modernos têm de andar, ora essa!

 

Saímos para ir às compras e entramos em «centros de caridade»!

 

Os “Shopppings”, os “Centro-Comerciais”; as sapatarias, as parafarmácias; as lojas dos «tèlélés» e as de brinquedos; as livrarias, as perfumarias; as «chocolaterias» e as gelatarias deixaram de ser «estabelecimentos comerciais»: passaram a «Centros de Ajuda ou de Perpétuo Socorro»!

 

É tanta a Caridade que até tresanda!

 

E mesmo nas Repartições Públicas, ou Câmaras Municipais, quando o cidadão expõe o seu assunto e revela alguma hesitação ou incompreensão na resposta que lhe estão a dar, o funcionário, ou funcionária, apressa-se aflitivamente, mas com tom solene e poderoso, a declarar:

 

- “Eu estou aqui para ajudar”!

 

Omessa porra!

 

Isto é uma pândega!

 

Sumiu-se o «O que deseja?»!

 

Agora ninguém está num posto de trabalho para «atender», para «vender», para «receber», para «pagar», para «ser útil», para SERVIR!

 

Toda a gente, no seu posto de trabalho, ali está para «AJUDAR» … a tornar mais leve o nosso porta-moedas ou a emagrecer a nossa Conta bancária!

 

Ou a dar cabo da nossa paciência!

 

 

M., vinte e quatro de Fevereiro de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

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Sábado, 28 de Janeiro de 2017

Ocasionais

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=Em nome d’…….

 

- A batata, a couve, os grelos;

 o cabrito, o cordeiro, a vitela;

a alheira, o salpicão, a linguiça;

o presunto, a pá, o pernil e a orelheira;

o polbo;

a castanha, o merogo, o melão e a melancia;

 os figos, os pimentos, a sêmea;

o calondro, os chícharros,

a raba,o cabaçote e a azeitona;

os pastéis, o folar;

 as águas minerais e a «pinga»;

 os monumentos e os vestígios históricos;

os artistas e os artesãos;

os Lázaros, “os SANTOS”, o S. Caetano;

a Srª da Livração, as da Saúde;

o Sr. do Monte, a Srª da Guia;

a Srª das Brotas!

 E a franqueza e a hospitalidade dessa gente!

                                                                   =

 

Meus amigos, sempre que por aqui e por mais além dou a «proβar» uma alheira, das ALTURAS; um salpicão, de SEGIREI; uma chouriça, de S. VICENTE; uma fatia de presunto, de CASTELÕES; uma linguiça, de LAMACHÃ; um paloio, de VALDANTA; uma costeleta de vitela, VILARINHO SECO; uma chouriça d’abóbora, do CAMBEDO; uma de sangue, de OUTEIRO SECO; uns «rijões do pingue», de PADORNELOS, umas nozes, de VIDAGO; um gole de Geropiga, da GRANGINHA … ou do “Faustino”; um copo de «branco», de SONIM ou d’ARCOSSÓ; dois de «tinto», de Stª VALHA ou de ÁGUAS FRIAS; um molho de grelos, de SOUTELO; uns espigos, das hortas de VILAR DE PERDIZES; uma fatia de pudim feito com ovos de pita pedrês, de SOUTELINHO da RAIA; um pimento, do CAMBEDO ou de LEBUÇÃO   -   a melhorar uma «sardinhada»; uma garrafa dos «Mortos», de BOTICAS; um magusto, de castanhas de CARRAZEDO de MONTENEGRO; duas lágrimas de azeite de RIO TORTO; um pedacito de um «Trigo de 4 cantos», de FAIÕES; uma fatia de «BÔLA DE LAZA»; uma colherinha de caldo de calondro ou do de chícharros, feitos num pote, numa lareira do CANDO; ou deixo meter o garfo e «proβar» um «Cozido à transmontana», de MORGADE; um “Pastel de Chaves”; ou uma fatia de FOLAR, de PITÕES das JÚNIAS, trazido à Feira do Fumeiro de MONTALEGRE,   -   quer do “João Padeiro”, no POSTIGO, CHAVES; uma folha de couve, da CASTANHEIRA; um pedacito de raba, de Stº ESTÊVÃO, ou um niquito de cabaçote, do CAMPO de CIMA, na Ceia de Natal; uma malga de merogos, colhidos no BRUNHEIRO; uma fatia de melancia, de CURALHA; uma pavia, de VILELA do TÂMEGA; uma fatia de pão centeio, acabadinho de cozer no Forno de TOURÉM ou de MEIXIDE; duas metades de batata, de TRAVANCAS; umas nozes de VIDAGO, uma cebola de PARADA d’AGUIAR; uma truta do COVAS ou do Louredo; uns «milhos» de CERVA ou um cabrito de MACIEIRA; esses meus compinchas, por cada uma destas razões, e por todas e mais algumas, dizem sempre:

 

- CHAVES, a TUA NORMANDIA TAMEGANA é mesmo uma Região «5 estrelas»; e se os teus conterrâneos ainda não deram conta que esse Território foi abençoado pela Natureza então é porque continuam «ceguetas»!

 

Realmente, os flavienses (os Portugueses) preferem viver num mundo de fantasia e num esquecimento cinzento, ameaçado por um passado e presente que os magoa e angustia.

 

Quando se tenta ocultar uma grande verdade, semeia-se a dúvida no coração daqueles que anseiam descobrir o que há por detrás das palavras, das aparências.

 

Teimam em negar o que existe, o que lhes tem estado, e está, a acontecer.

 

Mas ainda há por aí, e por aqui, alguns, poucos, que se recusam a esquecer, a fazer há-de conta de que vai tudo bem no reino flavínio; alguns que não temem lutar contra crenças falsas, nem desistem da luta pela verdade.

 

É difícil lutar contra a mentira de muitos”.

 

É difícil sonhar com um amanhã melhor quando a obscuridade parece imperar em todas as direcções.

 

«Querer esquecer uma verdade inegável é viver sobre uma mentira que nos vai sumindo, é convertermo-nos em nossos próprios verdugos, fazendo com que a nossa consciência apodreça».

 

CHAVES, cidade e Município, daquilo que mais precisa é mostrar-se digna de consideração.

 

E não é com gente desse calibre de «pavão» e «lalões», a administrar o Concelho que o vai conseguir!

 

CHAVES precisa de Investimentos «sérios» e a sério. Tem de saber competir por eles!

 

Os méritos da «Cidade»  -  da Região  -  têm de ser exponenciados, não somados!

 

Estamos entre aqueles que definem a unidade geográfica económica da Economia Global com as REGIÕES.

 

O Estado não tem de ser, necessária e definitivamente, o árbitro de todos os problemas Regionais!

 

CHAVES       ---    e a NORMANDIA TAMEGANA  -   tem de deixar, de vez, de ser uma paróquia da diocese politicastra de VILA REAL, ou do cardinalato político-centrista de Lisboa!

 

A «ligação» a VERIN ainda está muito longe das vantagens e benefícios que pode, e deve, proporcionar a toda REGIÃO.

 

Não é só o mercado doméstico a ter em conta para esse «salto de qualidade e de quantidade» de vida e de investimentos.

 

O «aeroporto do Campo da Roda»… ou o da «Seara» não podem ser pensados como … um bom atractivo-suporte?!

 

CHAVES   -   a REGIÃO  -   não pode ser apenas um bom lugar para negócios: também o deve ser uma CIDADE   -   REGIÃO  -  para trabalhar … e para criar filhos!

 

É tempo, mais que tempo, de CHAVES dar início a um novo ciclo positivo!

 

Prosperidade atrai prosperidade (abyssus abyssum)!

 

Não basta reduzir a pobreza: há que criar Riqueza!

 

Aos homens e as mulheres que aí param ou aportam há que os manter e para essa prosperidade.

 

CHAVES precisa de um governador-administrador  -   de um Presidente de Câmara   -   que tenha a lucidez, a sabedoria, a coragem e a força para promover as suas potencialidades.

 

Os Produtos de CHAVES não podem ser rótulos: têm de ser «MARCAS»!

 

(Os “Pastéis de Chaves” só serão «Pastéis de Chaves” se AÍ em CHAVES forem feitos!

 

… E vós bem sabeis por quê!).

 

Não há que temer nem ter vergonha do orgulho nativo!

 

CHAVES -   a NORMANDIA TAMEGA   -   têm mesmo de encontrar o caminho para o sucesso!

 

As «inbeijas» dos poderes centrais   -   da «Bila» ou de Lisboa  -   que se «lixem»!

 

CHAVES faz parte de TRÁS-OS-MONTES, ou da NUT e de Portugal, sim, senhor!

 

CHAVES -   a NORMANDIA TAMEGA   -   não quer, nem deve, virar as costas às duas capitaizinhas!

 

Os Flavienses, os Normando-Tameganos, também são «especialistas»  -   também são especiais e sabem «especializar-se»!

 

Ó Flavienses! Ó Normando-Tameganos!

 

Ó “OS de Barroso”! Ó “OS da VEIGA” [desde Talariño a Curalha]! Ó “OS da Montanha”! Ó “OS da Ribeira”!

 

Vós sois especialistas em muitas, muitas coisas, catano!

 

Sacudi de vez esses lingrinhas que se vos dizem políticos!

 

CHAVES -   a NORMANDIA TAMEGA   -   é uma REGIÃO singular e atraente!

 

Metei isso na cabeça, amigos!

 

O que vos falta para estardes motivados para o sucesso, pessoal e da NOSSA TERRA?!

 

M., vinte e quatro de Janeiro de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Domingo, 18 de Dezembro de 2016

Ocasionais - "Tenho de Ir"

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“TENHO DE IR!”

 

 

Ó vós, videntes, bruxos, curandeiros, astrólogos, feiticeiros, xamãs e mães-de santo!

 

Ó vós, Senhora de toda a Saúde e de todos os Remédios, das Ajudas e da Livração, do Engaranho, do Ó e do Viso!

 

Ó vós, Senhora das Brotas!

 

Ó vós, psicólogos e psiquiatras; neurologistas; existencialistas e vitalistas; cínicos, epicuros; materialistas e racionalistas; aventureiros, «saídos da casca» ou pingentes, «coninhas» e «mosca-morta»; vendedores de «banha-de-cobra» e peritos no «conto do vigário»; soberbos intérpretes, de esplanada «à la Sport» ou de “Pão-Quente”; de técnico-tácticas e arbitragens nas «quatro linhas» dos «tapetes verdes», «que-lara-mente» compostos por uma «moldura humana»!

 

Ó vós, sábios cheios de certezas absolutas, que certificais a mentira como verdade!

 

Ó vós, continentes de tanta informação «de cabeleireiro»!

 

Ó VÓS!

 

Dizei-me, explicai-me por que, nascido em CHAVES, na NORMANDIA TAMEGANA, em TRÁS-OS-MONTES experimento, no corpo e na alma, (cínicos, nos sentidos e na mente) as saudades dos consolos da era sem luz eléctrica, sem estradas ou caminhos pavimentados; sem caldos «Knorr», nem «hamburgers», nem «pizzas», nem «portagens», nem parcómetros!

 

 Mas da da luz da candeia, da lareira, do luar e do fachuco de palha; do caldo de chícharros, da bica de manteiga, das segadas e das malhadas; da matança do reco; da «chega de bois», do «jogo do pau» e do «jogo da choca»; da pesca no rigueiro de Sangunhedo ou no fio d’água do Rabagão, antes da Barragem da Venda Nova, no Noro, no Tâmega, no Covas; dos bailaricos em «Feces» e das «rubicanadas» travessias «à Júlio César», do Tamenguelos; das cartas, dos telegramas … e da “Caixa Postal”!

 

Do «Domingo dos compadres», do «Domingo das Comadres» e do “Domingo de Ramos»!

 

Das Verbenas e dos Bailes nos Bombeiros!

 

Dos “Lázaros”, de Verin!

 

Do Toque das Trindades!

 

Dos apitos do comboio, desde a Ribeira da GRANGINHA até à Estação, ou desde a Estação até à Ribeira da Granginha!

 

Dos «pontapés-na-bola» no “ROLO”, no Toural, no adrozito da Misericórdia ou no «relvado» do Castelo, lá, em MONTALEGRE; no «maracanã» da Srª da Livração, nas BOTICAS; no «Wembley» da LAPA, na «cidade»; ou num lameiro de Soutelo ou numa eira da Granginha!

 

Das caminhadas sobre a neve, desde a “Ponte da Pulga” até à CASTANHEIRA, só para poder comer um caldo ao pé da minha «apaixonada»!

 

Das maroteiras em fazer desaparecer os pentes, lá no cimo ou no fundo das escadas do Mercado, ao Geninho, ou uma maçã (das mais pequeninas) a uma «Regateira», partir dois ou três ovos e deles caírem clara, gema e… «uma coroa» ou «dez tostões» … e, depois, pagar meia dúzia, pela «brincadeira», não sem antes, primeiro, «sumir» as moedas!

 

Dos bancos e dos canteiros floridos, das «FREIRAS!

 

Das «conspirações», académicas ou românticas, no “IBÉRIA”!

 

Ó VÓS!

 

Dizei-me por que ao chegar a Vila Nova, mal batia com os olhos nos montes da «Fenda de Eva», na «Aberta da Ti’Aurora», na Quinta da Maria Rita, no Alto da Forca, ficava banhado em lágrimas e voltava para sul!

 

Ou, quando os amigos Blogueadores me convidaram para um JANTAR-Convívio, num Janeiro mais que frio, lá, no “Aprígio”, e só fui capaz de lhes deixar lá uma lembrança; e, ido pela ABOBELEIRA e VALDANTA, chegado ao CANDO, as lágrimas fizeram-me deslizar para a saída da cidade e rumar a sul, novamente!

 

E por que, mal faço a curva do “Matadouro”, logo me cresce a água na boca e sou obrigado a ir direitinho à procura, faça chuva ou faça sol, de uma quentinho “Pastel de Chaves”!

 

Ah! Tenho mesmo de ir aí para me indemnizar dos ruídos, das abstinências e das saudades a que por aqui estou condenado!

 

M., Um de Novembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Sábado, 10 de Dezembro de 2016

Ocasionais - Abandono

1600-arcos (179)

ocasionais

 

Abandono

 

O autor do Post(al), de Domingo, 4 de Dezembro de 2016, *O Barroso aqui tão perto – Fírvidas*, escreve: “….maleitas que afetam as aldeias do interior, principalmente o  transmontano. Refiro-me, claro, ao despovoamento e envelhecimento da população. Cada vez mais estas aldeias fazem parte de um mundo que se acaba no qual apenas os últimos resistentes resistem”.

 

No Post(al) de três de Maio de 2015, *As nossas aldeias* (Stª Ovaia),  o autor escrevia  - Dá pena, chega mesmo a doer ver as nossas aldeias a morrer lentamente, tal como vão morrendo os seus resistentes, os mais idosos que não abandonam o seu torrão, até ao último para se poder fechar definitivamente as suas portas de entrada para receberem o letreiro de FECHADA   -    e, outrossim, no de  sete de Maio de 2016, *Santiago do Monte e companhia*: “As aldeias vivem agora rodeadas da palavra abandono”.

 

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As aldeias vivem agora rodeadas da palavra Abandono”!

 

A tristeza e a mágoa com que alguns de nós lêem, dizem e gritam estas palavras até nos faz crer que a vida mudou de sentido e passou a ter outro significado.

 

As ALDEIAS foram as geradoras das vilas e das cidades.

 

Os vilãos abandonaram-nas.

 

Os cidadãos-citadinos esqueceram-nas.

 

Não há burguês que se preze que não fique derretido de importância, ridícula e balofa, na verdade, por viver numa «vila» ou «cidade».

 

Na mais importante praça da República, os deputados andaram à porra e à massa para ver qual aquele que conseguia a mais rápida promoção de uma terreola com significativo peso eleitoral a «vila» ou a «cidade».

 

E as ALDEIAS passaram a ser refúgios envergonhados.

 

Os aldeãos cultivavam a terra e o espírito.

 

Falavam e conviviam com a Natureza.

 

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A Vila e a Cidade eram lugares onde se ia pagar a «décima»; fazer queixa à Guarda ou ser julgado no Tribunal; onde se ia ao Civil «iniciar o processo de casamento», o qual só depois de «lidos os banhos» é que a Igreja tornava «válido»; ao «sr. doutor» e à Famácia»; encomendar o adubo e o «sulfate»; tirar a «licença de isqueiro» ou a do carro de bois; aos Correios «meter uma carta» ou mandar um telegrama, ou à Feira d’Ano!

 

Nas ALDEIAS praticava-se o culto da Amizade.

 

Na Adega ou à Lareira diziam-se os salmos a Deméter e tombava-se o cálice de Dionisos.

 

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A palavra era de honra.

 

Ser compadre ou comadre, uma distinção.

 

O amor tinha a bênção do arco-íris e do luar.

 

Na ida ou na vinda da missa; na hora das Avé-Marias ou no Toque das Trindades; nas segadas ou nas vindimas; na hora do nascimento e na hora da morte, os ALDEÃOS comungavam da mesma alegria ou da mesma dor.

 

Nas Vilas e nas Cidades ajuntam-se mais pessoas para ver uma casa a arder do que para admirar uma casa a construir!

 

E, das ALDEIAS, delas se faz a “eleição dos montes” para passar neles os anos que (a tantos de vós, de nós e de mim) ficam da vida, qual magnífico “acerto de quem colhe esse fruto maduro entre desenganos.

 

M., sete de Dezembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Sábado, 3 de Dezembro de 2016

Ocasionais

ocasionais

 

 

Falsídia

 

 

Chegou, às portas da aldeia, cheio de sede.

Vinda da missa, uma beata cruzou-se com ele.

Olhou-o com pena.

Perguntou-lhe se precisava de alguma coisa.

- Água! – respondeu o viajor.

Ela mandou-o entrar em casa.

Pegou numa caneca meada de água e pô-la na mesa, dizendo:

- Aqui tem água. A caneca já está meio vazia. Veja lá a que bebe!

Morto de sede, o viageiro queria era matar a sede.

Levou a caneca à boca.

Molhou os lábios.

Agradeceu.

E saiu.

A caridade cristã falseia o amor.

 

M., Quatro de Novembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2016

Ocasionais

ocasionais

 

“Natalices”

 

Por aqui, neste Novembro já a meio, menos fresco que o costume, vendedores, feirantes e comerciantes, videirinhos e tratantes, simplórios, gabarolas e «ingénuos úteis», passado o «S. Martinho», e com uma castanha ainda a rilharem numa boca vazia de palavras sérias e decentes, apressam-se desalmadamente a anunciar o «Natal».

 

O Novembro ainda tem pra durar, e já flamejam luzes e luzinhas em janelas e vidraças, desde o rés-do-chão até ao último andar das gaiolas urbanas, pintaroladas com nevadas figuras e figurinhas a representar os motivos de vaidade dos habitantes-figurões destes casulos; nas varandas estão pendurados uns farrapos avermelhados nos quais se percebe um cabeçudo sisudo, com barbas à «pai-do-céu» antigo; e as caixas-do-correio estão entupidas com folhetos dos «Hiper», dos «Super», dos «Mini» Mercados; das Lojas de pneus e de electrodomésticos; dos agentes de Seguros e dos «Institutos» ópticos e de beleza garantindo que «este ano, o Natal chegou mais cedo».

 

E todos falam, e prometem, «preços baixos», produtos milagrosos, serviços «personalizados», prazeres exuberantes, gostos sublimes, consolações «derretidas», alegrias transbordantes, saúde «até dar c’um pau», felicidades supremas!

 

Nas Rotundas, nos Cruzamentos, e nas pontas das pontes, bandos de «voluntários» esforçam-se heroicamente para que os condutores de automóveis, de carrinhas, de camionetas e de camiões, e transeuntes, a pé ou a cavalo, aceitem os seus «certificados de generosidade de bondade, de solidariedade» com a correspondente … côngrua, oblata, dízimo, contribuição, retribuição, oferta retirada da carteira do assarapantado «cruzado»!

 

Nas Ruas, bandos de «legionários» tocam às campainhas de todos os cubículos, de todos os apartamentos, de todas as moradias e de todas as vivendas, e entram pelos “Cafés”, Pastelarias e “Pão-Quente”; Lavandarias, Talhos e Lojas de «pronto-a-vestir»; Drogarias, Papelarias e Mercearias; Sapateiros - Rápidos e Cabeleireiros-de-homens a lembrar a importância dos Bombeiros Voluntários, nos incêndios; a lembrar a importância da PSP e, ou, da GNR e da Brigada de Trânsito, na passagem de multas; a do Rancho Folclórico, a da Tuna, a do Clube de Futebol, a dos Tocadores de Bombo, para a nomeada da Freguesia!

 

Só não tocam nem entram (Credo! Cruzes! Canhoto!) nas «Dependências Bancárias»!

 

Nas Rotundas, nos Cruzamentos, nas pontas das pontes; nas Ruas; nas Caixas-do-correio e nas Caixas-de-mensagens dos telemóveis; e, a toda a hora, a fazerem tocar o telefone fixo pelotões, companhias, batalhões regimentos, exércitos; frotas, comboios, e esquadrões, esquadrilhas e quadrilhas de figurões, impostores, aldrabões, trampolineiros emboscam, cercam, atacam, intimidam, intimam os cidadãos de boa-fé, bondosos, piedosos, solidários a conceder às instituições, que essa cambada tão interesseiramente serve ou diz servir, um imensamente mais ruidoso que glorioso pretexto para aliviarem a sua consciência com tão publicitadas, quão insignificantes e inautênticas, obras beneficentes!

 

O descaramento é tanto que, todos os anos, os publicitários usam sempre a mesma paragangona-chavão: - «Este ano o Natal chegou mais cedo»!

 

E, em nome das boas acções, de benevolências e, ou, favores feitos ou a fazer; em nome das «criancinhas», dos «doentes», dos «velhinhos»,  -   que durante o ano foram esquecidos, ou explorados, ou maltratados, ou abandonados à sua sorte   -    o Natal aparece como o milagre dos milagres, a dar saúde, consolo, fartura, prazer, bem-estar, alegria aos tristes, aos desgraçados, aos oprimidos, aos injustiçados, aos excluídos! Aos infelizes!

 

E isso, graças aos «Preços Baixos», aos Saldos, às Promoções dos Comerciantes; e, mais ainda, graças à dádiva imensa de inúmeros «voluntários» e «legionários» que, de manhã à noite, (e até pela noite dentro!) abordam, de todas as maneiras e feitios, todos quantos, no seu entender, nunca, durante o ano, se lembraram do «Próximo» e não o amaram «como a si mesmos»!

 

Kant espantava-se que no mundo houvesse tanta bondade e tão pouca justiça!...

 

Natal!

 

Estação do ano em que a hipocrisia, a burla, a vigarice, a mentira, a chantagem saem à rua, com vistosas (e ronhosas, também!) roupagens; coloridos (e aberrantes) discursos de bondade e de «bondadeza»; e artísticos (e insultuosos) arremedos de visitas de arcanjos celestiais!

 

Natalices!

 

M., vinte e três de Novembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2016

Quente e Frio!

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(...)

Na 6ª fª, à tarde, os pais das “Lindas” chegariam à cidade com o «carocha».

 

XX

O “TINO da TERRA QUENTE” partiu para Coimbra.

 

Encontrou-se algumas vezes com as estudantes de “Românicase de “Germânicas”.

 

Desta última vez, o «doutor», a «latina» e a «alemã» lanchavam, com boa disposição, na «Briosa».

 

A dada altura, a Adília disse:

 

- Sabes TINO, hoje vou revelar-te um grande segredo.

 

Pausa táctica da Adília.

 

Enrugar da testa e franzir do sobrolho do ”Rapaz da Terra Quente”, e riso maroto da Adília.

 

- Desembucha! – ordenou, já impaciente com a pausa, o Celestino.

 

A Adília olhou para a Adélia e, inclinando-se para o colega, segredou-lhe:

 

- A Adélia ficou caidinha pelo Clementino logo no primeiro dia de aulas de Psicologia!

 

O «songa» nunca deu conta.

 

Depois, a carta para a Ermelinda desanimou-a.

 

- -  Muito me contas, Adília! É mesmo verdade, Adélia?!  - pergunta o  TINO.

 

A Adélia pôs-lhe uma mão no braço, puxou-o um cibinho para si, e disse:

 

- - - Então agora vou eu fazer uma revelação!

 

E vais prestar muita atenção às minhas palavras, meu «pamonha»!

 

Nem queiram saber a cara de caso, de intrigado, com que ficou o «doutor»!

 

A Adélia olhou para a Adília e, inclinando-se para o colega, segredou-lhe:

 

- - - A Adília ficou apaixonada por ti, logo na primeira aula de Psicologia!

 

A RAPARIGA de Vilarinho de Freires baixou a cabeça, mas espreitou a expressão dos olhos e da cara do TINO.

 

Gelou-se-lhe o sangue nas veias, ao “Rapaz da Terra Quente”.

 

 O espanto deixou-o como à «estátua de sal»!

 

A Adília refez-se.

 

E falou:

 

- Olha, Tino, eu e a Adélia combinámos falar-te destes segredos hoje.

 

Um segredo era dela. O outro era meu.

 

Mas nós as duas temos um segredo comum que queremos que o conheças.

 

A Adília fez uma pausa.

 

Olhou opara a Adélia, que fez um sinal de assentimento.

 

Continuou:

- Tu e o Clementino pediram-nos para entregarmos as vossas «declarações de amor» às “Lindas”.

E entregámo-las.

 

Mas, aconteceu que, eu e a Adélia já éramos os dois segredos que acabaste de saber.

 

Os vossos envelopes iam abertos.

 

À nossa amargura juntou-se a curiosidade de ler as vossas cartas.

 

Não te admires.

 

Compreende-nos e desculpa-nos: -  Nós trocámo-las!

 

Foi fácil, pois no papel de carta vós só escrevestes «Linda”. No rosto de cada envelope é que ia o nome inteiro de cada uma: Carmelinda e Ermelinda, e que vós escrevestes na Pastelaria, quando vos dissemos o nome de cada uma delas!

 

Sede felizes!

 

O Celestino, ouviu tudo em silêncio e na mesma postura estática em que o espanto o prostrara.

 

As RAPARIGAS «latina» e «alemã» levantaram-se da mesa, e sumiram-se.

 

O TINO despertou.

 

Pagou a conta.

 

Seguiu caminho para a “Ay-Ó-Linda”, enquanto repetia:

 

- razão tinha o meu padrinho quando, uns dias antes de eu ir para VILA REAL, ao meter-me uma «nota de cem» no bolso, me aconselhava:

 

- “nunca se diz a uma mulher que se gosta de outra”!

 

E eu que só agora me lembro disto!

 

Quase deitava tudo a perder, eu que sem a «LINDA» não sou nada nem ninguém!

 

O “TINO da TERRA FRIA” partiu para Lisboa

Na Academia, o Clementino fez amizade com um cadete mais adiantado, natural da Beira Baixa e que de adiantado namoro andava com uma universitária do Alto Alentejo.

 

- Hoje vens comigo!  - disse-lhe o cadete da Beira Baixa.

 

-Vou ter com a Beatriz à «Suíça». Vou apresentar-te a um grupo de amigas e colegas da BIA.

 

Assim foi.

 

Os dois académicos militares, quando chegaram à «Suíça» tinham a esperá-los um grupinho de quatro graciosas cachopas.

 

A Beatriz levantou-se, cheia de alegria, cumprimentou o cadete Romeu com um beijinho e estendeu a mão ao TINO, ao mesmo temo que o amigo a apresentava:

 

- Esta é a minha Julieta, a BIA, cujo nome em Latim   -   Beatrix   -   significa «aquela que traz felicidade»!

 

Sorridente, a BIA completou a cerimónia das apresentações: estas são as minhas colegas e amigas Aida, Dulce e Deolinda   -  Linda, para os amigos.

 

Ao TINO pareceu-lhe fugir o tino.

 

Apreciou a conversa, a graça e a companhia do grupo.

 

Os encontros na «Suíça» foram - se repetindo, com a presença mais assídua da Deolinda.

 

Próximo das «FÉRIAS GRANDES» o TINO e a Deolinda já passeavam sozinhos, iam juntinhos ao cinema.

 

Deram conta gostarem um do outro.

 

Abraçaram-se.

 

- TINO! – suspirou ela

 

- linda! – gemeu ele.

 

Cobriram-se de beijos.

 

Descobriram o amor.

 

Naquelas «FÉRIAS GRANDES» o “TINO da TERRA FRIA” já não viajou pela Linha do Norte.

 

Com a linda do Baixo Alentejo, apanhou a Linha do Sul e, depois, seguiram para leste, para Santa Maria da Feira, Beja.

 

O “TINO da TERRA FRIA” tinha tropeçado com a linda e caiu-lhe em cima.

 

Iam encomendar-se a “Nossa Senhora ao pé da Cruz”, pedir-lhe que lhes deitasse a mão e abençoasse o «néné» que vinha a caminho.

 

Cumpridas as formalidades e obtida a autorização académica, lidos os banhos, foi uma cerimónia bonita, muito bem apadrinhada pela BIA e pelo Romeu.

 

O final do Curso de um e de outro ia - se aproximando.

 

Os TINOS estavam no último ano das Academias.

 

À “CASA da RAIA” e à Escola perto de casa só chegavam cartas de Coimbra.

 

A Rádio começou a ouvir-se «Angola é Nossa»!

 

CHAVES ia-se enchendo de soldados.

 

O TINO «doutor» foi chamado à Tropa. Deram-lhe uns dias para «ir à terra» e guia de marcha para embarcar no “Vera Cruz”, com destino a Angola.

 

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A Carmelinda falou com a mãe, a mãe falou com o pai, e o “TINO da TERRA QUENTE” foi visitar o pai e a mãe da Carmelinda e prometer à «sua» linda que o casamento seria logo após o regresso do Ultramar.

 

O “TINO da TERRA FRIA” ingressou na Força Aérea.

 

Chegada a altura, foi mobilizado para Moçambique.

 

Militar de carreira, cumpriu várias «comissões de serviço». A subida de patentes ia acontecendo.

 

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 Fotografia propriedade de Humberto Ferreira (http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/) 

 

Num Janeiro gelado, regressado do «Ultramar», feito o espólio no Quartel da Amadora, o Celestino apanhou a Linha do Norte, em Santa Apolónia, seguiu pela Linha do Douro até à RÉGUA. Atravessou o cais e entrou no comboio da LINHA do CORGO, que o levaria até CHAVES.

 

Na paragem na Estação de Vila Real, tornaram-se vivas as recordações de umas partidas para Férias.

 

Ao atravessar a Ponte de Curalha, abanou a cabeça e disse para si mesmo: -“Caramba! A viagem nunca mais chega ao fim!”

 

Na paragem da FONTE NOVA, olhou pelas “Avenidas”, apanhou a Ponte e adivinhou a “buvette” das Caldas.

 

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Fotografia propriedade de Humberto Ferreira (http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/)

 

Mal o trem desfez a curva da Raposeira, pareceu-lhe ver, lá ao fundo, na Gare, alguém conhecido.

O comboio ia cada vez mais devagarinho.

 

O TINO sobressaltou-se quando o maquinista puxou o gatilho do apito do comboio e o assobio ecoou estridente.

 

Com um saco ao ombro e uma mala na mão, saltou do varandim, pôs a tralha no chão e correu a abraçar a «sua» linda.

 

Já estavam casados pelo Civil, pois atempadamente tratara, desde África, deste adiantamento.

 

Mas os costumes daquele tempo não consentiam mais que um xi-coração, demorado e apertadinho.

 

Os pais da Carmelinda e os pais do Celestino ficaram uns passos mais atrás. 

 

Uns e outros não cabiam em si de contentes.

 

Até o Ministério da Educação tinha dado autorização para a boda: não que o Decreto-Lei nº 27.279, de 24 de Novembro de 1936, tinha de ser respeitado!

 

No «VW carocha» seguiu a linda com os pais; no «Renault Gordini», com os pais, o TINO.

 

O destino era o mesmo: a “CASA da RAIA”, onde os esperava uma rica Ceia.

 

¥¥¥¥¥¥¥

 

De lustro em lustro, século XX chegou ao fim.

 

O século XXI já vai com 15 anos.

 

Dizem que os profetas entendiam o nº 15 como o propiciador de visões e revelações.

 

Naquela 3ª fª de 2 de Junho último, o “TINO da Terra Fria” resolveu ir ao CCB, assistir ao espectáculo do compositor belga Wim Mertens.

 

Passou pelo BAR Terraço, para espreitar, mais uma vez, o Rio, a Ponte, o Cristo-Rei e o Padrão dos DESCOBRIMENTOS.

 

De uma mesa acabava de se levantar um casal.

 

Aqueles traços daquela cara, aquele modo de andar, aquele «lencinho de azul mais claro»

provocaram-lhe um pequenino e tão forte estremecimento.

 

Seguiu-os com olhar discreto.

 

Sentiu um baque no coração.

 

As fontes latejaram.

 

Saiu.

 

Do automóvel que passou por si, um olhar partiu sereno ao encontro do seu.

 

Teve uma certeza.

 

Meteu-se no carro e foi para casa.

 

Abriu a porta com menos cuidado, algo precipitado.

 

Entrou na Sala-de-estar, onde se situava a sua Biblioteca e o «seu» BAR. Com gesto decidido, pegou num copo, com a mão esquerda, numa garrafa de whisky, com a direita.

 

Afundou-se no sofá.

 

Bebeu pela garrafa.

 

Guiou os olhos para o seu grande retrato colorido com as condecorações que lhe cobriam o peito.

 

A chaga do seu coração estava assim ainda mais encoberta.

 

Aquele olhar que do automóvel partiu sereno ao encontro do seu e o brilho daquele «lencinho de azul mais claro» tocaram-lhe na ferida.

 

Doeu-lhe até à alma.

 

Jamais conseguiu defender-se daquela própria verdade.

 

A esposa, solícita e discreta chegou à porta da Sala.

 

Olhou.

 

Encheu-se de pena.

 

- Maldita guerra!  - disse para dentro de si.

 

- Os traumas parecem surgir com mais força à medida que a idade avança! – falou consigo mesma.

 

Ia para se voltar quando ouviu um grito.

 

- - Não!   -  gritou o major-general da Força Aérea,

 

A infeliz companheira do general suspendeu o passo.

 

Parou.

 

Ficou sem respiração.

 

O copo continuava vazio, na mão esquerda.

 

O TINO «militar» emborcou mais uma boa golada de whisky.

 

- - Não foi a guerra que me pôs assim!  - berrou o “Rapaz da Terra Fria”.

 

Foi um estilhaço do tempo de paz!

 

Um rio de lágrimas correu pela cara da linda alentejana.

 

Fugiu para o seu quarto, com as mãos sobre o peito como que a querer agarrar o cabo de um punhal que acabasse de lhe ser espetado no coração.

 

No ano «15» do século XXI a profecia do número cumpriu-se!

 

 

Mozelos, 06 de Outubro de 2015

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2016

Quente e Frio!

quente-frio-cabec

 

(...)

Chegadas ao fim da leitura, deram um saltito, ficaram viradas uma para a outra. Cada qual apertava contra o coração a carta carregadinha de amor e de saudades.

 

XIX

 

A Carmelinda ficou colocada numa Escola perto de casa.

 

A Ermelinda, numa escola longe de casa.

 

Quanto mais depressa passassem a «EFECTIVAS», com mais segurança poderiam planear as suas vidas.

Nas “Férias de Natal”, a Ermelinda e Carmelinda conversaram uma vez com o TINO «militar» e o TINO «doutor» no “JARDIM das FREIRAS” e lancharam no “BAR AURORA”.

 

Nas “Férias da Páscoa”, a Carmelinda e a Ermelinda conversaram outra vez com o TINO «doutor» e o TINO «militar» no JARDIM das FREIRAS” e lancharam no “IBÉRIA”.

 

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Nas «FÉRIAS GRANDES”, as “Lindas” e os «TINOS» passaram uns dias na cidade.

 

Elas e o “TINO da TERRA QUENTE”, em casa de família de cada um.

 

O “TINO da TERRA FRIA” ficou hospedado na “Pensão do Senhor Modesto”.

 

O “TINO da TERRA QUENTE” ofereceu um almoço na moderna “Estalagem Santiago”

 

De tarde passearam pela cidade.

 

Chegarem ao Tabulado, um verdadeiro jardim, o TINO e a Ermelinda viraram para o rio. Admiraram as «Poldras» e os barcos do «Redes» em que uns parzinhos se deliciavam, ela a sorrir, ele a remar, com a curiosidade dos peixitos.

 

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O TINO e a Carmelinda foram para até ao caramanchão da “buvette” das Caldas. Deram a volta por fora. E, ao passarem por onde as trepadeiras mais crescem, deram a mão.

 

E aconteceu o primeiro beijo!

 

No dia seguinte, o “TINO da TERRA FRIA” ofereceu um imperial almoço na “Pensão Império”.

 

De tarde passearam pela cidade.

 

Lancharam na “SISSI””.

 

Desceram para o Arrabalde.

 

Olharam a montra do “Sarmento” e a dos “Machados”.

 

Atravessaram a PONTE ROMANA.

 

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Entraram no JARDIM PÚBLICO.

 

O «doutor» apalpou o pulso da Carmelinda.

 

O «militar» apanhou a mão da Ermelinda.

 

A Carmelinda preferiu o «chorão» à beira do rio.

 

A Ermelinda, o banco do canto junto ao Coreto.

 

1-coreto.jpg

 

O TINO «doutor» abraçou a linda.

 

Os beijinhos trocados, de fugazes, passaram a mais demorados.

 

Ele tinha os olhos húmidos.

 

Os dela choravam.

 

Serenaram.

 

Compuseram-se.

 

E começaram a passear, de mãozinha dada, pela alameda da parte sul do Jardim.

 

No banco perto do Coreto, O TINO «militar» falou da disciplina na Academia e nas saudades da linda.

 

Pegou-lhe na mão e entrelaçou-lhe os dedos.

 

Suspirando, inclinou-se para lhe dar um beijo.

 

A linda fez um ligeiro gesto de afastamento e o beijo do académico militar caiu no pescoço da linda.

 

Faziam-se horas de regresso a casa da família.

 

Atravessaram a Ponte ROMANA, subiram o ARRABALDE, caminharam pela Rua do Olival e despediram-se nas FREIRAS.

 

1-arrabalde.jpg

 

Na 5ª fª, dia seguinte, houve Verbena no Jardim Público.

 

O “CALYPSO” competia com «Os PARDAIS» e «Os CANÁRIOS» nas preferências dos «dançarinos».

 

As “Lindas” e os «TINOS» foram à Verbena.

 

Ouviram música, conversaram, sentados num dos bancos, dançaram duas ou três vezes e foram para casa a horas decentes, acreditados em que aquela noite seria de lindos sonhos.

 

Na 6ª fª, à tarde, os pais das “Lindas” chegariam à cidade com o «carocha».

 

XX

O “TINO da TERRA QUENTE” partiu para Coimbra.

Encontrou-se algumas vezes com as estudantes de ...

 

(continua)

 

 

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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2016

Quente e Frio!

quente-frio-cabec

 

(...)

Um bando de passarada soltou-se dos plátanos do Largo da Igreja de S. Pedro, e, num chilreio troante, esvoaçou para os quintais pendurados nas margens escarpadas do Corgo!***

 

XVIII

*****.                 

 

O Celestino foi para Coimbra.

 

O Clementino, para Lisboa.

 

A «Linda» Carmelinda foi colocada numa Escola perto de casa.

 

A «Linda» Ermelinda, numa Escola longe de casa.

 

A primeira carta do “TINO da TERRA QUENTE”, com o carimbo de Coimbra, foi entregue na morada da “RAIA”.

 

A primeira carta do “TINO da TERRA FRIA” com carimbo de Lisboa, na morada da “RAIA” foi entregue.

 

Quando carteiro chegou, veio à porta a mãe.

 

Sorriu ao receber as cartas.

 

Quando entendeu oportuno, chamou as filhas e, sem dizer palavra, entregou-lhas.

 

Coradinhas como romãs, foram para o quarto. Sentaram-se numa cama de costas voltadas, mas encostadas.

 

Chegadas ao fim da leitura, deram um saltito, ficaram viradas uma para a outra. Cada qual apertava contra o coração a carta carregadinha de amor e de saudades.

 

XIX

A Carmelinda ficou colocada numa Escola ...

 

(continua)

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:54
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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016

Quente e Frio!

quente-frio-cabec

 

(...)

Mas aquela “SRª DA SAÚDE” tinha-lhe deixado muita consolação e maior ilusão.

 

XVII

Chegou o tempo de a «Bila» voltar a encher-se de estudantes.

 

Cumpriu-se o “Regadinho”.

 

A avaliação escolar, no Liceu, era trimestral; na ESCOLA NORMAL, semestral.

 

E a viagem de “Férias de Natal”, quer para a “TERRA QUENTE”, quer para a “RAIA”, quer para a “TERRA FRIA” foi igualzinha à do ano passado, à das “Férias de Páscoa» e à das “Férias Grandes”.

 

Os «TINOS» foram de férias contentes com as notas.

 

As “Lindas”, preocupadas com o “EXAME DE SAÍDA” a fazer lá para fins de Fevereiro.

 

Nos meses de Inverno, Marão estava cobertinho de neve. Caíam flocos na Avenida Carvalho Araújo.

 

Nem por isso arrefeceu o ardor apaixonado que consumia o coração do “Rapaz da Terra Quente” e do “Rapaz da Terra Fria”.

 

Com o «EXAME DE SAÍDA» feito, as “Lindas” entraram em estágio nas “ANEXAS”  - conjunto de Escolas Primárias frente ao Seminário.

 

Para conclusão do CURSO, em finais de Junho, havia o “EXAME DE ESTADO”.

 

***E a viagem de “Férias de Páscoa”, quer para a “TERRA QUENTE”, quer para a “RAIA”, quer para a “TERRA FRIA” foi igualzinha à do ano passado, à das “Férias de Natal» e à das “Férias Grandes.

 

Os «TINOS» foram de férias contentes com as notas.

 

As “Lindas”, preocupadas com o “EXAME DE ESTADO” a fazer lá para fins de Junho.

 

Nos meses de Verão, o Marão está verdejante. Os canteiros da Avenida Carvalho Araújo cobrem-se de flores e recebem mil cuidados de jardineiros dedicados.

 

As “Lindas” passaram com «nota alta», o que lhes deixava boas perspectivas para fiarem colocadas perto de casa.

 

Os «TINOS» tiveram «média alta», o que lhes garantiu a entrada nas respectivas Academias: o “TINO da TERRA QUENTE”, para Coimbra; o “TINO da TERRA FRIA”, para Lisboa.

 

Aflito com os novos destinos das suas vidas, o “Rapaz da Terra Quente” encheu-se de coragem e «guardou» uma saída de casa da Carmelinda.

 

Da porta do mistério saiu um grupo de cinco «NORMALISTAS»: a Natália, a Fernanda, a Céu e as duas “Lindas”.

 

Já todas sabiam que o Celestino era um «apaixonado» da Carmelinda. Por isso, mal o viram aproximar-se até se juntaram mais as outras quatro, dando espaço e distância para que o “TINO da TERRA QUENTE” pudesse chegar à fala com a «Linda».

 

Ele saudou-as e, dirigindo-se à (sua) «linda», perguntou-lhe se podia acompanhá-la e ter uma pequena conversa com ela.

 

A «linda» assentiu com um aceno de cabeça e um tímido «’stá bem!».

 

Com a colaboração das amigas, a distância do grupo aumentou três ou quatro passos.

 

- «linda», o CURSO da Linda está terminado, o meu, do Liceu, igual. Eu sigo para Coimbra, para frequentar Medicina; e a «linda» será colocada numa Escola algures.

 

Perdem-se cada vez mais as oportunidades de nos vermos.

 

Isto aflige-me e preocupa-me. Queria saber se a «linda» quer ou não ficar comprometida comigo. Esteja eu onde estiver, escrever-lhe-ei com assiduidade e visitá-la-ei sempre que possível.

 

O silêncio respeitou a comoção do par.

 

Para o «doutor», os segundos contavam-se por eternidades.

 

Sem se dar conta, a «linda» tocou com a sua mão na mão do “TINO”.

 

Sem se dar conta, a mão do “TINO” abraçou a mão da «linda».

 

E a «linda» assentiu com um aceno de cabeça e um tímido «’stá bem!».

 

Um bando de passarada soltou-se dos plátanos do Largo da Igreja de S. Pedro, e, num chilreio troante, esvoaçou para os quintais pendurados nas margens escarpadas do Corgo!

 

Encorajado pelo sucesso do colega, ***o “TINO da TERRA FRIA” encheu-se de coragem e «guardou» uma saída de casa da Ermelinda.

 

Da porta do mistério saiu um grupo de cinco «NORMALISTAS»: a Natália, a Fernanda, a Céu e as duas “Lindas”.

 

Já todas sabiam que o Clementino era um «apaixonado» da Ermelinda. Por isso, mal o viram aproximar-se até se juntaram mais as outras quatro, dando espaço e distância para que o “TINO da TERRA FRIA” pudesse chegar à fala com a «Linda».

 

Ele saudou-as e, dirigindo-se à (sua) «linda», perguntou-lhe se podia acompanhá-la e ter uma pequena conversa com ela.

 

A «linda» assentiu com um aceno de cabeça e um tímido «’stá bem!».

 

Com a colaboração das amigas, a distância do grupo aumentou três ou quatro passos***.

 

- - - «LINDA», acabei o Liceu e agora sigo os estudos em Lisboa. Vou para a Academia Militar. A LINDA vai dar aulas ainda não sabe para onde. Sabe da afeição que lhe dedico. Agora com o Curso terminado, penso que não terá inconvenientes em namorar comigo, se assim o desejar. Será um namoro sacrificado pela distância. Mas eu escrever-lhe-ei muitas vezes e espero vê-la nos períodos de Férias».

 

Se estiver de acordo em ser minha namorada, eu ficaria muito feliz.

 

O silêncio respeitou a comoção do par.

 

Para o «militar», os segundos contavam-se por eternidades.

 

Sem se dar conta, a «linda» tocou com a sua mão na mão do “TINO”.

 

Sem se dar conta, a mão do “TINO” abraçou a mão da «linda».

 

E a «linda» assentiu com um aceno de cabeça e um tímido «’stá bem!».

 

Um bando de passarada soltou-se dos plátanos do Largo da Igreja de S. Pedro, e, num chilreio troante, esvoaçou para os quintais pendurados nas margens escarpadas do Corgo!***

 

XVIII

*****.                 

O Celestino foi para

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:25
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2016

Quente e Frio!

quente-frio-cabec

 

(...)

Cheio de alegria, o pai pegou na mala da “Linda” do «lencinho de azul mais escuro», com uma mão, e, dando a outra à filha, juntou a sua pressa à dela para logo ele ir abraçar a “Linda” do «lencinho de azul mais claro», e ela a mãe***!

 

XV

E na viagem para as «Férias de Verão», na chegada à ESTAÇÃO, a CHAVES,***O “Rapaz da Terra Quente” foi para o varandim do sul do vagão onde viajava a fada do «lencinho de azul mais escuro», a Carmelinda.

 

O “Rapaz da Terra Fria”, para o do norte do vagão onde viajava a feiticeira do «lencinho de azul mais claro», a Ermelinda.

 

No varandim do norte, o Clementino aproveitou para oferecer a sua ajuda e desejar “BOAS FÉRIAS” à Ermelinda.

 

No varandim do sul, o Celestino aproveitou para oferecer a sua ajuda e desejar “BOAS FÉRIAS” à Carmelinda”***.

 

x-cp0107.jpg

( fotografia propriedade de Humberto Ferreira, Blog http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/ )

 

 

 

XVI

 

No cimo da “Terra Quente”, quando o Verão vai mais alto, e o fresco da noite fica mais frio, realiza-se uma famosa Romaria em honra da N. S. da SAÚDE.

 

A procissão é solene e grandiosa, como o são todas as procissões religiosas.

 

O Celestino nunca gostou de «ir na procissão», mas deliciava-se em apreciar o desfile dos estandartes, a solenidade de alguns estafermos, bem conhecidos dele, a transportar os andores, as preocupações militarizadas de catequistas e madrinhas para manter na ordem os anjinhos, o ar pungente de beatas falsas, com véu na cabeça e terço na mão a contar pelas contas do rosário as vezes que mexiam os lábios a fazer que rezavam; os homens tementes a Deus, mas amigos da onça e do Diabo   -   com chapéu na mão os mais castigados pela sorte madrasta; de chapéu na cabeça, gravata pendurada num colarinho branco de uma camisa branca, e papo levantado, os homens bafejados pela sorte madrinha.

 

Nestas Férias, que desejou «Boas» à Carmelinda, o “Rapaz da Terra Quente”, colocou-se, a tempo e horas, num lugar conveniente que lhe permitia abarcar toda a solene multidão da grandiosa procissão.

 

O sol batia no dourado das cruzes, no dourado dos bordados dos estandartes, das fitas dos bonés, dos botões de punho e no instrumental dos músicos, nas coroas e nos berloques dos anjinhos, e fazia luzir com mais brilho as cores das blusas, dos véus, dos brincos, dos cordões das Raparigas e Mulheres, dando assim um maior esplendor àquela procissão.

 

Num repente, o “TINO da TERRA QUENTE” pareceu-lhe ver luzir uma pestaninha de um «lencinho de azul mais escuro».

 

O coração do “Rapaz da Terra Quente” deu um salto!

 

Nem conta deu de ter soltado: “linda”!

 

- Linda?! – exclamou um velhote avantajado, apoiado numa bengala.

 

- Fantástica! Grandiosa! Espectacular! Quererá «vocência» dizer!

 

--Bem reparado, compadre! - acrescentou de imediato outro velhote, rechonchudo e encanecido, amparado numa bengala e com o chapéu na mão.

 

- É isso tudo, meus senhores!   -   assentiu “TINO da TERRA QUENTE”.

 

A multidão de crentes, rezadores e impostores ia-se aproximando do lugar onde estava, de olhar empoleirado, o Celestino.

 

Vá lá saber-se porquê, os olhos da “linda” ergueram-se para os olhos do “TINO”.

 

Um ligeiro tropeço fez com que a mãe lhe segurasse o braço, com um carinhoso «cuidado

 

O “TINO da TERRA QUENTE” sentiu suor na testa e o peito a encher-se de esperança.

 

Com a garganta tão seca, saiu dali apressado. Foi beber uma «laranjada» e, cheio de fé e de esperança, foi direitinho à igreja. Aproximou-se do altar onde devia estar a “Srª da Saúde”. Agradecendo-lhe a caridade que hoje teve para com ele, ladainhou:

 

- Ó “Srª da Saúde”, se fizeres com que a “linda” seja a minha namorada, prometo-te um «Padre-Nosso», duas «Avé-Marias» e três «Salvé-Rainhas», ainda que muito me custe voltar a decorá-las de princípio ao fim!

 

sra-gracas-12 (98).jpg

 

A meio da tarde, as Bandas começaram a tocar.

 

Depois da ceia, o arraial seria tão «importante» como o «fogo-d’artifício».

 

Nem nas «pistas de dança», nem à volta dos Coretos, nem na hora do «fogo» pôs os olhos na “linda”.

 

Mas aquela “SRª DA SAÚDE” tinha-lhe deixado muita consolação e maior ilusão.

 

XVII

Chegou o tempo de a «Bila» voltar a encher-se ...

 

(continua)

 

 

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Quarta-feira, 12 de Outubro de 2016

Quente e Frio!

quente-frio-cabec

 

(...)

 

Na hora «da deita», eles nem conta deram de adormecer!

 

XIV

 

***Chegaram as «Férias da Páscoa”.

 

Na Estação era um alvoroço de gente a comprar o bilhete de comboio.

 

Malas, seiras, cestas, cestos e sacos estavam espalhados pela «Sala de Espera», os dos mais atrasados, e pelo «cais de embarque», os dos mais apressados.

 

A viagem até CHAVES foi semelhante à da ida de «Férias de Natal»

 

À espera dos Passageiros estava sempre uma pequena multidão.

 

O “Rapaz da Terra Quente” foi para o varandim do sul do vagão onde viajava a fada do «lencinho de azul mais escuro», a Carmelinda.

 

O “Rapaz da Terra Fria”, para o do norte do vagão onde viajava a feiticeira do «lencinho de azul mais claro», a Ermelinda.

 

Mal o comboio parou de vez, as duas gémeas encostaram a cara à janela e começaram a acenar com muito contentamento.

 

Deixaram que os homens e mulheres, rapazes e raparigas, mais apressados saíssem, e cada uma escolheu a sua saída.

 

No varandim do norte, o Clementino aproveitou para oferecer a sua ajuda e desejar “Boas Férias e Feliz Páscoa” à Ermelinda.

 

No varandim do sul, o Celestino aproveitou para oferecer a sua ajuda e desejar “Boas Férias e Feliz Páscoa” à Carmelinda.

 

Cheio de alegria, o pai pegou na mala da “Linda” do «lencinho de azul mais escuro», com uma mão, e, dando a outra à filha, juntou a sua pressa à dela para logo ele ir abraçar a “Linda” do «lencinho de azul mais claro», e ela a mãe***!

 

XV

 

E na viagem para as «Férias de Verão», na chegada à ESTAÇÃO, a CHAVES,***O “Rapaz da Terra Quente” foi...

 

(continua)

 

 

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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2016

Quente e Frio!

quente-frio-cabec

 

(...)

O Celestino, como tinha família na cidade, passaria por lá o resto do dia e a noite. No dia seguinte, logo se veria, disse ao amigo.

 

XIII

 

Em Fevereiro chegou o 1º Semestre para as «NORMALISTAS». Com sucesso para as «irmãs gémeas», da «RAIA»!

 

E na partida para as «Férias de Verão», a Adília e a Adélia, a Carmelinda e a Ermelinda, o Celestino e o Clementino apanharam o comboio para a RÉGUA, as duas primeiras, e para CHAVES os quatro últimos, levando o rico presente de boas NOTAS para a Família.

 

Quando os dias começaram a ficar mais quentes, o Jardim Público, da «Bila», oferecia música e o fresco da noite.

 

A «central de som» repetia o «Only you», o «The Great Pretender», o «Smoke Gets In Your Eyes», o «My Prayer» e o «Twilight Time»; intercalava o “Tristão da Silva”, o “Carlos Ramos” e a “Amália”; Luís Piçarra com «Alentejo da minh’alma» e Francisco José, com «Olhos Castanhos»; bem, e Alberto Ribeiro, mais a sua «canção do cigano»; deixava-nos ouvir o Rancho de “BARQUEIROS”, da MEADELA e o de “SANTA MARTA de PORTUZELO”; deliciava-nos com o “Duo Guarajá” e o seu “Encosta a tua cabecinha no meu ombro e chora); Agostinho dos Santos, o cantor da «voz derrapante», e a sua «Balada triste»; Dolores Duran e «a Noite do Meu Bem»; Xiomara Alfaro, com o seu extraordinário “Siboney”, Joselito e a «Campanera», entre alguns outros e a publicidade aos «Vinhos Pureza».

 

Numa dessas noites de Jardim, o Celestino e o Clementino, sentados num dos bancos, à direita, próximo da entrada no Jardim, sobressaltaram-se ao verem aas duas feiticeiras das suas vidas, a entrarem e seguirem pela alameda central.

 

Dissimularam-se com os arbustos dos canteiros e foram à «cabine som».

 

Cada um pagou «cinco croas», moeda de prata que equivalia a «dois escudos e meio», e «dedicada à fada mais bonita que anda neste Jardim», os Platters cantaram o «Only you». Logo a seguir, «dedicada à feiticeira mais linda, que anda neste Jardim», soou a voz de Alberto Ribeiro e “Feiticeira”!

 

Quando elas dera a volta e passavam junto ao lago central, os «TINOS» atravessaram à sua frente, fazendo distraídos com a conversa.

 

As “Lindas” sorriram de marotas, e olharam-se com a cumplicidade de quem entendeu bem que o «Only You» e «Feiticeira» foram dedicados por aqueles dois «maluquinhos sem juízo».

 

Na hora «da deita» elas adormeceram serenamente.

 

Na hora «da deita», eles nem conta deram de adormecer!

 

XIV

 

***Chegaram as «Férias da Páscoa”.

Na Estação era um alvoroço de...

 

(continua)

 

 

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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2016

Quente e Frio!

quente-frio-cabec

 

(...)

A RAPARIGA de Vilarinho de Freires e a RAPARIGA de Vilarinho do Tanha, embora não o deixassem parecer, saíram bastante preocupadas.

 

XI

E no Domingo seguinte lá estavam os dois amigos na esquina da “Brasileira”.

 

E no Domingo seguinte lá vinham a sair da Missa da Sé as quatro amigas.

 

O olhar das “Lindas”, da «RAIA», levantou-se, e demorou-se no olhar dos RAPAZES da “TERRA QUENTE“ e da “TERRA FRIA”!

 

Na Estação era um alvoroço de gente a comprar o bilhete de comboio.

 

CP0105.jpg

 

Malas, seiras, cestas, cestos e sacos estavam espalhados pela «Sala de Espera», os dos mais atrasados, e pelo «cais de embarque», os dos mais apressados.

 

Era o dia de partida para as «Férias de Natal», junto da Família.

 

Na Samardã saía uma «Normalista» e um «Seminarista».

 

Para Tourencinho, Zimão e Parada de Aguiar seguiam alguns homens e mulheres, depois dos assuntos tratados na «Bila», e um estudante da Escola Comercial e Industrial.

 

Para Vila Pouca tiraram bilhete muita gente da Padrela e do Alvão, estudantes de Ribeira de Pena e de Carrazedo de Montenegro. O estudante da “TERRA QUENTE” podia ter saído aqui. Mas como era de uma família «com posses», tinha tirado bilhete até ao fim da Linha!...

 

As «Carreiras» não se importavam em cumprir o horário de Partida: a chegada do comboio é que punha os motores a roncar!

 

1600_D800368.jpg

 

Nas Pedras Salgadas saíram o Regedor de Bornes, à conversa com dois “GNR’s”, homens de chapéu e samarra, e mulheres carregadas com seiras e cestas, e um estudante do Liceu, de Parada de Monteiros. Entrou um padre e dois homens com ar de feirantes.

 

No “Apeadeiro” de LOIVOS desceram duas graciosas meninas (talvez a frequentarem o 1º e o 3º Ano, no COLÉGIO das MENINAS), saudadas com muito entusiasmo por um homem e três mulheres de meia-idade.

 

Em VIDAGO confundiram-se a meia dúzia de homens e mulheres que saíram com a meia dúzia de mulheres e homens que entraram numa carruagem. De Chegada e de Partida, todos transportavam cestos e sacos. Para os braços do pai e da mãe saltou uma cachopa que andava no 4º ano do “COLÉGIO S. JOSÉ”, o tal “das MENINAS”, depois de se despedir das “Lindas”, da «RAIA», suas amigas e ex-colegas.

 

No “Apeadeiro” de Vilarinho das Paranheiras desceram duas mulheres, que carregaram à cabeça uma seira e um cabaz em cada mão.

 

Ao chegar-se à Ponte de CURALHA, quase toda a gente se juntou às janelas e nos varandins para olhar o Rio TÂMEGA, o açude e o moinho, e apontarem para o pinheiro manso a sobressair do CASTRO.

 

1600-CURALHA (9).jpg

 

Na ESTAÇÃO de CURALHA saíram dois compadres da PASTORIA, entrados em VIDAGO.

 

Na FONTE NOVA, o «Apeadeiro da Saudade», o comboio parou para que o maquinista e o revisor deixassem recados e encomendas à D. LUCINDINHA, «guarda» da Linha; e para saída de um estudante da Escola Comercial e Industrial, de Vila Real, natural das CASAS-DOS-MONTES.

 

Entusiasmado com a aproximação do final da Linha, o maquinista apitava e badalava demoradamente a sirene do comboio.

 

Ao atravessar a Ponte de Santo AMARO, a «tripulação de cabina» espreitava pelos janelucos, e o revisor aprumava-se todo no varandim do último vagão, todos a darem-se ares de muito importantes perante as pessoas que iam e vinham da Quinta da Fraga e as que vinham e iam para a «cidade», pois os apitos eram tão «puxados» e ritmados que toda a gente voltava a cabeça para o comboio.

 

A Paragem na ESTAÇÃO era feita com muita cerimónia: o maquinista porfiava para deixar o comboio em harmonia com o Gabinete do «Chefe de Estação», a “Sala de Espera”, e a dos “Despachos”.

 

À espera dos Passageiros estava sempre uma pequena multidão.

 

x-cp0010.jpg

 

O “Rapaz da Terra Quente” foi para o varandim do sul do vagão onde viajava a fada do «lencinho de azul mais escuro», a Carmelinda.

 

O “Rapaz da Terra Fria”, para o do norte do vagão onde viajava a feiticeira do «lencinho de azul mais claro», a Ermelinda.

 

Tinham apostado entre si que lhes caberia a sorte de darem uma mão à feiticeira e à fada de cada um na descida da mala que cada uma trazia consigo.

 

Mal o comboio parou de vez, as duas gémeas encostaram a cara à janela e começaram a acenar com muito contentamento.

 

Deixaram que os homens e mulheres, rapazes e raparigas, mais apressados saíssem, e cada uma escolheu a sua saída.

 

No varandim do norte, o Clementino aproveitou para oferecer a sua ajuda e desejar “BOAS FÉRIAS E FELIZ NATAL” à Ermelinda.

 

No varandim do sul, o Celestino aproveitou para oferecer a sua ajuda e desejar “BOAS FÉRIAS E FELIZ NATAL” à Carmelinda.

 

Cheio de alegria, o pai pegou na mala da “Linda” do «lencinho de azul mais escuro», com uma mão, e, dando a outra à filha, juntou a sua pressa à dela para logo ele ir abraçar a “Linda” do «lencinho de azul mais claro», e ela a mãe!

 

XII

Os pais das “Lindas” eram abastados. Colhiam...

 

(continua)

 

Nota: A fotografias das estações de Chaves e Vila Real são propriedade de Humberto Ferreira, blog http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:31
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