Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

Ocasionais

ocasionais

 

“Precisa de ajuda?!”

 

Antigamente havia lojas, comércios, tabernas, pensões, sapateiros, latoeiros e talhos.

 

Com um salto pelos “Cafés” e «Bares», apareceram os “Shoppings”.

 

Logo a seguir, os “Super” e os «mini» Mercados.

 

Copiando os “shoppings», os novos do «empreendedorismo» deram o nome de “CENTRO COMERCIAL” com ares de diferença arco-irisada ao corredor de lojecas   -   salas-buraco   -   no rés-do-chão de um armário de cimento armado, cheio de gavetões a que chamamos apartamentos.

 

A mania das grandezas, sublimação das fraquezas - ‘pequenezas’ -, levou à construção de “Shoppings” grandalhões e a Hiper-mercados, para diferenciação dos “Super” e «mini-mercados».

 

Entra-se numa dessas lojas  -   seja de roupa ou de calçado; seja de produtos de higiene ou tratamento de belezas; de florista ou de telemóveis; de bijuteria ou de ourivesaria; de serviços municipais ou municipalizados; de papelaria ou de sapateiro-rápido; e, logo, uma serigaita se aproxima de nós e atira, como um petardo: «precisa de ajuda»?

 

Quem diria!

 

O “Café”, o “Salão de Chá”, a “Pastelaria e Pão-Quente” não dão para se fazer uma pausa sossegada ou ter uma conversa amena: a «cultura» indígena, o «empreendedorismo» exigem que, com gente ou vazia, a «CASA» tem de ter a Televisão ligada e com o som, de vozes ou de música, bem alto.

 

Para o empresário/a do “Café”, do “Salão de Chá”, da “Pastelaria e Pão-Quente”, a pedra de toque da sua classe empresarial não está no asseio das mesas, das cadeiras ou do chão; não está na simpatia e solicitude dos «colaboradores» (cuidado, porque agora não há «empregados»; nem sopeiras; nem «empregados –de –mesa ou de balcão)!

 

E «colaboradores» até já vai havendo muito poucos: estão a ser substituídos por «assistentes de …»; «gestores de …»; «agentes técnicos da actividade de ….»!

 

Cuidado! Muito cuidadinho!

 

Agora, nos tempos que correm «os ocupantes dos postos de trabalho» estão aí para tratarem dos «clientes» com duquesa caridade (mal se entra a porta da Loja, disparam-nos a pergunta: «Precisa de ajuda»?). Ou, então, aproximam-se com ares imperiais de imperadores, ou de imperatrizes, como que a exigir o «pedido», trazerem para a mesa o café, o bolo, a cerveja ou o sumo com o aprumo de quem apresenta armas na parada, e com a vontade de saltar «à cronhada» ou aos tiros!

 

Em alguns “Cafés” e “Pastelarias e Pão-Quente”, fica-se com a impressão de que os/as «assistentes-técnicos/as da actividade de Restauração e Similares» quase se engaleiam para ver qual deles/as realiza a operação de “Caixa”, esticando a mão para receberem a «massa», criar a técnica mais lambisgoiada de combinar as moedas para o troco, e tirar o narcisista proveito de ver um, ou outro, e outro pagante à espera de que lhe seja feito o favor de ver aceite o seu pagamento!

 

Não! Que a ocupação de um «posto de trabalho» confere direitos e mais direitos, e uma superior importância, de tal ordem que os «clientes» são seres hierarquicamente inferiores!

 

A toque de caixa, e ao som do Programa favorito da «Gerência» é que os «clientes» modernos têm de andar, ora essa!

 

Saímos para ir às compras e entramos em «centros de caridade»!

 

Os “Shopppings”, os “Centro-Comerciais”; as sapatarias, as parafarmácias; as lojas dos «tèlélés» e as de brinquedos; as livrarias, as perfumarias; as «chocolaterias» e as gelatarias deixaram de ser «estabelecimentos comerciais»: passaram a «Centros de Ajuda ou de Perpétuo Socorro»!

 

É tanta a Caridade que até tresanda!

 

E mesmo nas Repartições Públicas, ou Câmaras Municipais, quando o cidadão expõe o seu assunto e revela alguma hesitação ou incompreensão na resposta que lhe estão a dar, o funcionário, ou funcionária, apressa-se aflitivamente, mas com tom solene e poderoso, a declarar:

 

- “Eu estou aqui para ajudar”!

 

Omessa porra!

 

Isto é uma pândega!

 

Sumiu-se o «O que deseja?»!

 

Agora ninguém está num posto de trabalho para «atender», para «vender», para «receber», para «pagar», para «ser útil», para SERVIR!

 

Toda a gente, no seu posto de trabalho, ali está para «AJUDAR» … a tornar mais leve o nosso porta-moedas ou a emagrecer a nossa Conta bancária!

 

Ou a dar cabo da nossa paciência!

 

 

M., vinte e quatro de Fevereiro de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 18:00
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 28 de Janeiro de 2017

Ocasionais

ocasionais

 

=Em nome d’…….

 

- A batata, a couve, os grelos;

 o cabrito, o cordeiro, a vitela;

a alheira, o salpicão, a linguiça;

o presunto, a pá, o pernil e a orelheira;

o polbo;

a castanha, o merogo, o melão e a melancia;

 os figos, os pimentos, a sêmea;

o calondro, os chícharros,

a raba,o cabaçote e a azeitona;

os pastéis, o folar;

 as águas minerais e a «pinga»;

 os monumentos e os vestígios históricos;

os artistas e os artesãos;

os Lázaros, “os SANTOS”, o S. Caetano;

a Srª da Livração, as da Saúde;

o Sr. do Monte, a Srª da Guia;

a Srª das Brotas!

 E a franqueza e a hospitalidade dessa gente!

                                                                   =

 

Meus amigos, sempre que por aqui e por mais além dou a «proβar» uma alheira, das ALTURAS; um salpicão, de SEGIREI; uma chouriça, de S. VICENTE; uma fatia de presunto, de CASTELÕES; uma linguiça, de LAMACHÃ; um paloio, de VALDANTA; uma costeleta de vitela, VILARINHO SECO; uma chouriça d’abóbora, do CAMBEDO; uma de sangue, de OUTEIRO SECO; uns «rijões do pingue», de PADORNELOS, umas nozes, de VIDAGO; um gole de Geropiga, da GRANGINHA … ou do “Faustino”; um copo de «branco», de SONIM ou d’ARCOSSÓ; dois de «tinto», de Stª VALHA ou de ÁGUAS FRIAS; um molho de grelos, de SOUTELO; uns espigos, das hortas de VILAR DE PERDIZES; uma fatia de pudim feito com ovos de pita pedrês, de SOUTELINHO da RAIA; um pimento, do CAMBEDO ou de LEBUÇÃO   -   a melhorar uma «sardinhada»; uma garrafa dos «Mortos», de BOTICAS; um magusto, de castanhas de CARRAZEDO de MONTENEGRO; duas lágrimas de azeite de RIO TORTO; um pedacito de um «Trigo de 4 cantos», de FAIÕES; uma fatia de «BÔLA DE LAZA»; uma colherinha de caldo de calondro ou do de chícharros, feitos num pote, numa lareira do CANDO; ou deixo meter o garfo e «proβar» um «Cozido à transmontana», de MORGADE; um “Pastel de Chaves”; ou uma fatia de FOLAR, de PITÕES das JÚNIAS, trazido à Feira do Fumeiro de MONTALEGRE,   -   quer do “João Padeiro”, no POSTIGO, CHAVES; uma folha de couve, da CASTANHEIRA; um pedacito de raba, de Stº ESTÊVÃO, ou um niquito de cabaçote, do CAMPO de CIMA, na Ceia de Natal; uma malga de merogos, colhidos no BRUNHEIRO; uma fatia de melancia, de CURALHA; uma pavia, de VILELA do TÂMEGA; uma fatia de pão centeio, acabadinho de cozer no Forno de TOURÉM ou de MEIXIDE; duas metades de batata, de TRAVANCAS; umas nozes de VIDAGO, uma cebola de PARADA d’AGUIAR; uma truta do COVAS ou do Louredo; uns «milhos» de CERVA ou um cabrito de MACIEIRA; esses meus compinchas, por cada uma destas razões, e por todas e mais algumas, dizem sempre:

 

- CHAVES, a TUA NORMANDIA TAMEGANA é mesmo uma Região «5 estrelas»; e se os teus conterrâneos ainda não deram conta que esse Território foi abençoado pela Natureza então é porque continuam «ceguetas»!

 

Realmente, os flavienses (os Portugueses) preferem viver num mundo de fantasia e num esquecimento cinzento, ameaçado por um passado e presente que os magoa e angustia.

 

Quando se tenta ocultar uma grande verdade, semeia-se a dúvida no coração daqueles que anseiam descobrir o que há por detrás das palavras, das aparências.

 

Teimam em negar o que existe, o que lhes tem estado, e está, a acontecer.

 

Mas ainda há por aí, e por aqui, alguns, poucos, que se recusam a esquecer, a fazer há-de conta de que vai tudo bem no reino flavínio; alguns que não temem lutar contra crenças falsas, nem desistem da luta pela verdade.

 

É difícil lutar contra a mentira de muitos”.

 

É difícil sonhar com um amanhã melhor quando a obscuridade parece imperar em todas as direcções.

 

«Querer esquecer uma verdade inegável é viver sobre uma mentira que nos vai sumindo, é convertermo-nos em nossos próprios verdugos, fazendo com que a nossa consciência apodreça».

 

CHAVES, cidade e Município, daquilo que mais precisa é mostrar-se digna de consideração.

 

E não é com gente desse calibre de «pavão» e «lalões», a administrar o Concelho que o vai conseguir!

 

CHAVES precisa de Investimentos «sérios» e a sério. Tem de saber competir por eles!

 

Os méritos da «Cidade»  -  da Região  -  têm de ser exponenciados, não somados!

 

Estamos entre aqueles que definem a unidade geográfica económica da Economia Global com as REGIÕES.

 

O Estado não tem de ser, necessária e definitivamente, o árbitro de todos os problemas Regionais!

 

CHAVES       ---    e a NORMANDIA TAMEGANA  -   tem de deixar, de vez, de ser uma paróquia da diocese politicastra de VILA REAL, ou do cardinalato político-centrista de Lisboa!

 

A «ligação» a VERIN ainda está muito longe das vantagens e benefícios que pode, e deve, proporcionar a toda REGIÃO.

 

Não é só o mercado doméstico a ter em conta para esse «salto de qualidade e de quantidade» de vida e de investimentos.

 

O «aeroporto do Campo da Roda»… ou o da «Seara» não podem ser pensados como … um bom atractivo-suporte?!

 

CHAVES   -   a REGIÃO  -   não pode ser apenas um bom lugar para negócios: também o deve ser uma CIDADE   -   REGIÃO  -  para trabalhar … e para criar filhos!

 

É tempo, mais que tempo, de CHAVES dar início a um novo ciclo positivo!

 

Prosperidade atrai prosperidade (abyssus abyssum)!

 

Não basta reduzir a pobreza: há que criar Riqueza!

 

Aos homens e as mulheres que aí param ou aportam há que os manter e para essa prosperidade.

 

CHAVES precisa de um governador-administrador  -   de um Presidente de Câmara   -   que tenha a lucidez, a sabedoria, a coragem e a força para promover as suas potencialidades.

 

Os Produtos de CHAVES não podem ser rótulos: têm de ser «MARCAS»!

 

(Os “Pastéis de Chaves” só serão «Pastéis de Chaves” se AÍ em CHAVES forem feitos!

 

… E vós bem sabeis por quê!).

 

Não há que temer nem ter vergonha do orgulho nativo!

 

CHAVES -   a NORMANDIA TAMEGA   -   têm mesmo de encontrar o caminho para o sucesso!

 

As «inbeijas» dos poderes centrais   -   da «Bila» ou de Lisboa  -   que se «lixem»!

 

CHAVES faz parte de TRÁS-OS-MONTES, ou da NUT e de Portugal, sim, senhor!

 

CHAVES -   a NORMANDIA TAMEGA   -   não quer, nem deve, virar as costas às duas capitaizinhas!

 

Os Flavienses, os Normando-Tameganos, também são «especialistas»  -   também são especiais e sabem «especializar-se»!

 

Ó Flavienses! Ó Normando-Tameganos!

 

Ó “OS de Barroso”! Ó “OS da VEIGA” [desde Talariño a Curalha]! Ó “OS da Montanha”! Ó “OS da Ribeira”!

 

Vós sois especialistas em muitas, muitas coisas, catano!

 

Sacudi de vez esses lingrinhas que se vos dizem políticos!

 

CHAVES -   a NORMANDIA TAMEGA   -   é uma REGIÃO singular e atraente!

 

Metei isso na cabeça, amigos!

 

O que vos falta para estardes motivados para o sucesso, pessoal e da NOSSA TERRA?!

 

M., vinte e quatro de Janeiro de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 31 de Dezembro de 2016

Ocasionais

ocasionais

 

UMA IDEIA «BRILHANTE» NUM «CHÃO» PEJADO DE INCONGRUÊNCIAS

 

Não pensem as leitoras e os leitores que estamos sempre no «contra» ou somos movidos por qualquer ideia persecutória seja para quem for ou de qualquer outra cor que seja. Muito pelo contrário. O que nos move é o desejarmos um concelho e uma cidade à altura dos pergaminhos da sua história. Porque é nossa. Porque a escolhemos para nela vivermos. Porque verdadeiramente a amamos.

 

Foi, por isso, com verdadeiro espanto, que vimos uma série de imagens da nossa cidade, engalanada de colorido, em época natalícia, nas redes sociais.

 

Sentimos que, quer nas imagens, quer nos escritos postados, havia renascido, finalmente, o verdadeiro orgulho de ser transmontano e flaviense. Afinal de contas - que diabo! -, não é só o futebol que levanta a nossa moral e o nosso «ego».

 

Foi, positivamente, uma ideia brilhante e inovadora, nesta quadra natalícia, decorar e iluminar os nossos monumentos e edifícios públicos.

 

Por isso, também como tantos flavienses, apesar do frio à noite, em dias de inverno soalheiro, saímos do conforto do nosso sofá e, máquina em punho, ao acaso, deambulámos pela cidade à cata do que nesta época em Chaves brilhava.

 

Começámos pela Torre de Menagem.

 

01.- NOC9264.jpg

 

E gostámos da sua iluminação simples e minimalista.

 

Torneámos as traseiras do Museu da Região Flaviense e, de caras para a «Casa do Povo», sede do poder de todos nós, o que vimos também nos encheu a vista.

 

02.- NOC9266.jpg

 

Aqui ficámos apenas com um uma pequenina areia no sapato e um pouco pensativos, olhando para a estátua fronteiriça ao edifício, sede do Poder Municipal. Parece-nos que o «nosso» conde aparentava certa tristeza. Porventura gostaria de partilhar tanto brilho, não ficando tanto na sombra...

 

Mais em baixo, o conjunto das duas igreja, quer a da Matriz,

 

03.- NOC9273.jpg

 

quer a da Santa Casa da Misericórdia, em ano de Comemoração dos 500 anos de existência da sua instituição, ajudam a criar um excelente conjunto, numa das praças mais emblemáticas da nossa cidade.

 

04.- NOC9276.jpg

 

Mas, caras leitoras e leitores, se da iluminação deste conjunto da Praça de Camões (vulgo, do Município) gostamos da novidade com que este ano nos presentearam, em boa verdade, não podemos calar o choque que sentimos com a total incongruência no tratamento final de todo este espaço.

 

Expliquemo-nos.

 

Uma iluminação natalícia é, por natureza, feita para encanto e contemplação dos espaços públicos, monumentos e edifícios de uma cidade. Contemplação e encanto que atraem, não só os seus residentes como quem nos visita e aqui vem fazer estadia ou fazer compras. Se, repete-se, por natureza assim é, como é que se explica aquela monstruosa estrutura «gelada» ali postada, ocupando praticamente toda a Praça? Que prazer e contemplação aqui se pode usufruir do conjunto com aquele mastodonte ali colocado? Não estaria melhor situado em cima da estrutura do Balneário Romano, no Largo do Arrabalde? Ao menos, ali, as crianças, e os seus paizinhos, podiam-se divertir também, usufruindo de animados banhos turcos, nesta época fria, com os vapores das águas termais, a custo zero...

 

Ao dobrar a Praça de Camões, lágrimas de tristeza, vindas da Torre de Menagem do antigo Castelo, caem sobre as antigas dependências do Paço dos Duques de Bragança - o atual Museu da Região Flaviense - chorando por ninguém se lembrar dele. É pena, pois bem o merecia!...

 

05.- NOC9278.jpg

 

Quanto ao resto, ficou tudo às escuras. A Capela da Santa Cabeça, parece, já deixou de ter cabeça para pensar que existe e o típico casario, que emoldura a Praça, a julgar pela «iniciativa», pensamos encontrar-se já despovoado, porquanto não entrou nesta «partilha», nesta «festa».

 

Entrámos na Praça da República. E vimos tudo quase às escuras, negro. Também não admira. Preside-a o Pelourinho que a «engalana» e, entre outras coisas, o mesmo simboliza a morte. E o Dia de Fiéis Defuntos já faz tempo que passou.

 

Descemos a rua da Trindade. De fronte aparece-nos, graciosamente iluminada, a Biblioteca Municipal.

 

06.- NOC9294.jpg

 

À sua frente, o espaço do histórico e emblemático Jardim das Freiras - um dos maiores centros de convívio dos flavienses -, por artes mágicas, nesta época do ano, desapareceu.

 

Não admira, pois, que o antigo Liceu Fernão de Magalhães, os edifícios dos Correios e a agência da Caixa Geral de Depósitos, bem como o comércio confinante, não quisesse partilhar nas «despesas» desta encenação inútil, sem sentido e sem o mínimo de encanto.

 

Descemos, tristes, sob a simples e intensa, mas equilibrada iluminação da rua de Santo António até ao Largo do Arrabalde.

 

07.- NOC9305.jpg

 

É aqui que reside também um verdadeiro coração de Chaves. Não podia, assim, faltar iluminação natalícia.

 

Antes, impunha-se, neste conjunto, o edifício do Palácio da Justiça - obra do Estado Novo, dirigido por mentalidades velhas, ditatoriais, governando-nos com punhos de ferro, pondo a vida de muitos portugueses a ferro e fogo. Mas lá se ia impondo... Hoje o representante da Justiça apresenta-se envergonhado, mal se mostra já, ofuscado pelo poder imperial da Praça de Camões que, a todo o custo, e a qualquer preço, nos querem impor o «poder romano». Não fora a iluminação natalícia, à noite, pouco se impõe o símbolo da Justiça em Chaves.

 

Mas, da estilização da Árvore de Natal, gostamos.

 

08.- NOC9299.jpg

 

Bem podia estar noutro sítio, que nós bem cá sabemos! Mas, não querendo sermos bota-abaixo, nem tão pouco má-língua, vá lá, ali até nem fica mal.

 

Do Presépio, aqui colocado, independentemente do gosto de cada um, uma coisa foi acertada: não consta a vaquinha e o burrinho, que todos nós sabemos que até são incómodos quanto a cheiros. E esteve bem avisado quem assim decidiu tirar estas imagens míticas deste Presépio. É que o Bom Menino Jesus aqui não precisa destes úteis animais, nem tão pouco das palhinhas, para nada: os simples vapores das águas das termas romanas, que Lhe estão por debaixo, são por si suficientes para O manterem sempre quentinho!...

 

09.- NOC9365.jpg

 

Não percebemos é por que não entraram nesta «festa», e neste conjunto, o célebre edifício das «Escadas do Largo dos Pasmados», antiga e outrora prestigiada instituição bancária da nossa praça e os edifícios que lhe estão confinantes, ou nas proximidades, como a antiga Casa de Saúde do Dr. Alcino, bem assim o Café Geraldes. Falta de lembrança ou de sensibilidade dos seus atuais proprietários? Talvez seja a crise. Que não toca a todos da mesma maneira!...

 

Entrámos na Ponte Romana, o nosso ex-libris ou, como alguns escrevinhadores do nosso sítio gostam de lhe chamar - «a nossa top model».

 

10.- NOC9332.jpg

 

Não apresenta uma iluminação de autêntica «passerelle». Mas a que tem fica-lhe bem. Pena que as suas zonas adjacentes não participem com brio para lhe dar mais brilho! Quanto a este assunto já repisámos o suficiente noutra ocasião e, em dias de festa, não devemos ser mais chatos. Festa é festa!

 

Atravessamos a Ponte e entrámos na Madalena.

 

A única rua da Madalena que entra verdadeira e dignamente nesta «festa» tem uma cor que me agrada. Para um antigo residente desta zona, a cor não lhe fica mal, pese embora saber que nem todos estão de acordo connosco. Compreendemos e aceitamos, pois é a vida...

 

11.- NOC9341.jpg

 

Sabemos que a Igreja Matriz da Madalena, embora uma excelente obra de arte, está muito confinada, com uma posição muito acanhada, que lhe tira toda a visão do seu esplendor. Torna-se difícil dar-lhe mais visibilidade e brilho. Paciência. Em boa hora se lembraram dela e muito bem.

 

12.- NOC9345.jpg

 

Cremos que a nossa conversa já vai longa.

 

Nosso desejo, para o ano que vem, é que haja mais novas e inovadoras ideias para abrilhantar esta tão linda e histórica cidade. Com novas mentalidades. Que saibam dar valor ao «chão» que pisamos. Sabendo bem planear e cuidar do espaço público, que é de todos nós. Com verdadeiro espírito democrático. E no uso de uma gestão verdadeiramente culta e participada.

 

São estes os nossos Votos, nesta Quadra, para todos os flavienses.

 

Feliz Ano 2017

 

António Tâmara Júnior

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:15
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?
Domingo, 18 de Dezembro de 2016

Ocasionais - "Tenho de Ir"

ocasionais

 

“TENHO DE IR!”

 

 

Ó vós, videntes, bruxos, curandeiros, astrólogos, feiticeiros, xamãs e mães-de santo!

 

Ó vós, Senhora de toda a Saúde e de todos os Remédios, das Ajudas e da Livração, do Engaranho, do Ó e do Viso!

 

Ó vós, Senhora das Brotas!

 

Ó vós, psicólogos e psiquiatras; neurologistas; existencialistas e vitalistas; cínicos, epicuros; materialistas e racionalistas; aventureiros, «saídos da casca» ou pingentes, «coninhas» e «mosca-morta»; vendedores de «banha-de-cobra» e peritos no «conto do vigário»; soberbos intérpretes, de esplanada «à la Sport» ou de “Pão-Quente”; de técnico-tácticas e arbitragens nas «quatro linhas» dos «tapetes verdes», «que-lara-mente» compostos por uma «moldura humana»!

 

Ó vós, sábios cheios de certezas absolutas, que certificais a mentira como verdade!

 

Ó vós, continentes de tanta informação «de cabeleireiro»!

 

Ó VÓS!

 

Dizei-me, explicai-me por que, nascido em CHAVES, na NORMANDIA TAMEGANA, em TRÁS-OS-MONTES experimento, no corpo e na alma, (cínicos, nos sentidos e na mente) as saudades dos consolos da era sem luz eléctrica, sem estradas ou caminhos pavimentados; sem caldos «Knorr», nem «hamburgers», nem «pizzas», nem «portagens», nem parcómetros!

 

 Mas da da luz da candeia, da lareira, do luar e do fachuco de palha; do caldo de chícharros, da bica de manteiga, das segadas e das malhadas; da matança do reco; da «chega de bois», do «jogo do pau» e do «jogo da choca»; da pesca no rigueiro de Sangunhedo ou no fio d’água do Rabagão, antes da Barragem da Venda Nova, no Noro, no Tâmega, no Covas; dos bailaricos em «Feces» e das «rubicanadas» travessias «à Júlio César», do Tamenguelos; das cartas, dos telegramas … e da “Caixa Postal”!

 

Do «Domingo dos compadres», do «Domingo das Comadres» e do “Domingo de Ramos»!

 

Das Verbenas e dos Bailes nos Bombeiros!

 

Dos “Lázaros”, de Verin!

 

Do Toque das Trindades!

 

Dos apitos do comboio, desde a Ribeira da GRANGINHA até à Estação, ou desde a Estação até à Ribeira da Granginha!

 

Dos «pontapés-na-bola» no “ROLO”, no Toural, no adrozito da Misericórdia ou no «relvado» do Castelo, lá, em MONTALEGRE; no «maracanã» da Srª da Livração, nas BOTICAS; no «Wembley» da LAPA, na «cidade»; ou num lameiro de Soutelo ou numa eira da Granginha!

 

Das caminhadas sobre a neve, desde a “Ponte da Pulga” até à CASTANHEIRA, só para poder comer um caldo ao pé da minha «apaixonada»!

 

Das maroteiras em fazer desaparecer os pentes, lá no cimo ou no fundo das escadas do Mercado, ao Geninho, ou uma maçã (das mais pequeninas) a uma «Regateira», partir dois ou três ovos e deles caírem clara, gema e… «uma coroa» ou «dez tostões» … e, depois, pagar meia dúzia, pela «brincadeira», não sem antes, primeiro, «sumir» as moedas!

 

Dos bancos e dos canteiros floridos, das «FREIRAS!

 

Das «conspirações», académicas ou românticas, no “IBÉRIA”!

 

Ó VÓS!

 

Dizei-me por que ao chegar a Vila Nova, mal batia com os olhos nos montes da «Fenda de Eva», na «Aberta da Ti’Aurora», na Quinta da Maria Rita, no Alto da Forca, ficava banhado em lágrimas e voltava para sul!

 

Ou, quando os amigos Blogueadores me convidaram para um JANTAR-Convívio, num Janeiro mais que frio, lá, no “Aprígio”, e só fui capaz de lhes deixar lá uma lembrança; e, ido pela ABOBELEIRA e VALDANTA, chegado ao CANDO, as lágrimas fizeram-me deslizar para a saída da cidade e rumar a sul, novamente!

 

E por que, mal faço a curva do “Matadouro”, logo me cresce a água na boca e sou obrigado a ir direitinho à procura, faça chuva ou faça sol, de uma quentinho “Pastel de Chaves”!

 

Ah! Tenho mesmo de ir aí para me indemnizar dos ruídos, das abstinências e das saudades a que por aqui estou condenado!

 

M., Um de Novembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 10 de Dezembro de 2016

Ocasionais - Abandono

1600-arcos (179)

ocasionais

 

Abandono

 

O autor do Post(al), de Domingo, 4 de Dezembro de 2016, *O Barroso aqui tão perto – Fírvidas*, escreve: “….maleitas que afetam as aldeias do interior, principalmente o  transmontano. Refiro-me, claro, ao despovoamento e envelhecimento da população. Cada vez mais estas aldeias fazem parte de um mundo que se acaba no qual apenas os últimos resistentes resistem”.

 

No Post(al) de três de Maio de 2015, *As nossas aldeias* (Stª Ovaia),  o autor escrevia  - Dá pena, chega mesmo a doer ver as nossas aldeias a morrer lentamente, tal como vão morrendo os seus resistentes, os mais idosos que não abandonam o seu torrão, até ao último para se poder fechar definitivamente as suas portas de entrada para receberem o letreiro de FECHADA   -    e, outrossim, no de  sete de Maio de 2016, *Santiago do Monte e companhia*: “As aldeias vivem agora rodeadas da palavra abandono”.

 

1600-sta-ovaia (109)

 

As aldeias vivem agora rodeadas da palavra Abandono”!

 

A tristeza e a mágoa com que alguns de nós lêem, dizem e gritam estas palavras até nos faz crer que a vida mudou de sentido e passou a ter outro significado.

 

As ALDEIAS foram as geradoras das vilas e das cidades.

 

Os vilãos abandonaram-nas.

 

Os cidadãos-citadinos esqueceram-nas.

 

Não há burguês que se preze que não fique derretido de importância, ridícula e balofa, na verdade, por viver numa «vila» ou «cidade».

 

Na mais importante praça da República, os deputados andaram à porra e à massa para ver qual aquele que conseguia a mais rápida promoção de uma terreola com significativo peso eleitoral a «vila» ou a «cidade».

 

E as ALDEIAS passaram a ser refúgios envergonhados.

 

Os aldeãos cultivavam a terra e o espírito.

 

Falavam e conviviam com a Natureza.

 

1600-montalegre (1254)

 

A Vila e a Cidade eram lugares onde se ia pagar a «décima»; fazer queixa à Guarda ou ser julgado no Tribunal; onde se ia ao Civil «iniciar o processo de casamento», o qual só depois de «lidos os banhos» é que a Igreja tornava «válido»; ao «sr. doutor» e à Famácia»; encomendar o adubo e o «sulfate»; tirar a «licença de isqueiro» ou a do carro de bois; aos Correios «meter uma carta» ou mandar um telegrama, ou à Feira d’Ano!

 

Nas ALDEIAS praticava-se o culto da Amizade.

 

Na Adega ou à Lareira diziam-se os salmos a Deméter e tombava-se o cálice de Dionisos.

 

1600-frades (53)

 

A palavra era de honra.

 

Ser compadre ou comadre, uma distinção.

 

O amor tinha a bênção do arco-íris e do luar.

 

Na ida ou na vinda da missa; na hora das Avé-Marias ou no Toque das Trindades; nas segadas ou nas vindimas; na hora do nascimento e na hora da morte, os ALDEÃOS comungavam da mesma alegria ou da mesma dor.

 

Nas Vilas e nas Cidades ajuntam-se mais pessoas para ver uma casa a arder do que para admirar uma casa a construir!

 

E, das ALDEIAS, delas se faz a “eleição dos montes” para passar neles os anos que (a tantos de vós, de nós e de mim) ficam da vida, qual magnífico “acerto de quem colhe esse fruto maduro entre desenganos.

 

M., sete de Dezembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:09
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 3 de Dezembro de 2016

Ocasionais

ocasionais

 

 

Falsídia

 

 

Chegou, às portas da aldeia, cheio de sede.

Vinda da missa, uma beata cruzou-se com ele.

Olhou-o com pena.

Perguntou-lhe se precisava de alguma coisa.

- Água! – respondeu o viajor.

Ela mandou-o entrar em casa.

Pegou numa caneca meada de água e pô-la na mesa, dizendo:

- Aqui tem água. A caneca já está meio vazia. Veja lá a que bebe!

Morto de sede, o viageiro queria era matar a sede.

Levou a caneca à boca.

Molhou os lábios.

Agradeceu.

E saiu.

A caridade cristã falseia o amor.

 

M., Quatro de Novembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Quinta-feira, 24 de Novembro de 2016

Ocasionais

ocasionais

 

“Natalices”

 

Por aqui, neste Novembro já a meio, menos fresco que o costume, vendedores, feirantes e comerciantes, videirinhos e tratantes, simplórios, gabarolas e «ingénuos úteis», passado o «S. Martinho», e com uma castanha ainda a rilharem numa boca vazia de palavras sérias e decentes, apressam-se desalmadamente a anunciar o «Natal».

 

O Novembro ainda tem pra durar, e já flamejam luzes e luzinhas em janelas e vidraças, desde o rés-do-chão até ao último andar das gaiolas urbanas, pintaroladas com nevadas figuras e figurinhas a representar os motivos de vaidade dos habitantes-figurões destes casulos; nas varandas estão pendurados uns farrapos avermelhados nos quais se percebe um cabeçudo sisudo, com barbas à «pai-do-céu» antigo; e as caixas-do-correio estão entupidas com folhetos dos «Hiper», dos «Super», dos «Mini» Mercados; das Lojas de pneus e de electrodomésticos; dos agentes de Seguros e dos «Institutos» ópticos e de beleza garantindo que «este ano, o Natal chegou mais cedo».

 

E todos falam, e prometem, «preços baixos», produtos milagrosos, serviços «personalizados», prazeres exuberantes, gostos sublimes, consolações «derretidas», alegrias transbordantes, saúde «até dar c’um pau», felicidades supremas!

 

Nas Rotundas, nos Cruzamentos, e nas pontas das pontes, bandos de «voluntários» esforçam-se heroicamente para que os condutores de automóveis, de carrinhas, de camionetas e de camiões, e transeuntes, a pé ou a cavalo, aceitem os seus «certificados de generosidade de bondade, de solidariedade» com a correspondente … côngrua, oblata, dízimo, contribuição, retribuição, oferta retirada da carteira do assarapantado «cruzado»!

 

Nas Ruas, bandos de «legionários» tocam às campainhas de todos os cubículos, de todos os apartamentos, de todas as moradias e de todas as vivendas, e entram pelos “Cafés”, Pastelarias e “Pão-Quente”; Lavandarias, Talhos e Lojas de «pronto-a-vestir»; Drogarias, Papelarias e Mercearias; Sapateiros - Rápidos e Cabeleireiros-de-homens a lembrar a importância dos Bombeiros Voluntários, nos incêndios; a lembrar a importância da PSP e, ou, da GNR e da Brigada de Trânsito, na passagem de multas; a do Rancho Folclórico, a da Tuna, a do Clube de Futebol, a dos Tocadores de Bombo, para a nomeada da Freguesia!

 

Só não tocam nem entram (Credo! Cruzes! Canhoto!) nas «Dependências Bancárias»!

 

Nas Rotundas, nos Cruzamentos, nas pontas das pontes; nas Ruas; nas Caixas-do-correio e nas Caixas-de-mensagens dos telemóveis; e, a toda a hora, a fazerem tocar o telefone fixo pelotões, companhias, batalhões regimentos, exércitos; frotas, comboios, e esquadrões, esquadrilhas e quadrilhas de figurões, impostores, aldrabões, trampolineiros emboscam, cercam, atacam, intimidam, intimam os cidadãos de boa-fé, bondosos, piedosos, solidários a conceder às instituições, que essa cambada tão interesseiramente serve ou diz servir, um imensamente mais ruidoso que glorioso pretexto para aliviarem a sua consciência com tão publicitadas, quão insignificantes e inautênticas, obras beneficentes!

 

O descaramento é tanto que, todos os anos, os publicitários usam sempre a mesma paragangona-chavão: - «Este ano o Natal chegou mais cedo»!

 

E, em nome das boas acções, de benevolências e, ou, favores feitos ou a fazer; em nome das «criancinhas», dos «doentes», dos «velhinhos»,  -   que durante o ano foram esquecidos, ou explorados, ou maltratados, ou abandonados à sua sorte   -    o Natal aparece como o milagre dos milagres, a dar saúde, consolo, fartura, prazer, bem-estar, alegria aos tristes, aos desgraçados, aos oprimidos, aos injustiçados, aos excluídos! Aos infelizes!

 

E isso, graças aos «Preços Baixos», aos Saldos, às Promoções dos Comerciantes; e, mais ainda, graças à dádiva imensa de inúmeros «voluntários» e «legionários» que, de manhã à noite, (e até pela noite dentro!) abordam, de todas as maneiras e feitios, todos quantos, no seu entender, nunca, durante o ano, se lembraram do «Próximo» e não o amaram «como a si mesmos»!

 

Kant espantava-se que no mundo houvesse tanta bondade e tão pouca justiça!...

 

Natal!

 

Estação do ano em que a hipocrisia, a burla, a vigarice, a mentira, a chantagem saem à rua, com vistosas (e ronhosas, também!) roupagens; coloridos (e aberrantes) discursos de bondade e de «bondadeza»; e artísticos (e insultuosos) arremedos de visitas de arcanjos celestiais!

 

Natalices!

 

M., vinte e três de Novembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

´
publicado por Fer.Ribeiro às 17:15
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Quarta-feira, 15 de Junho de 2016

Ocasionais - Conversas com Zeus

 

ocasionais

 

 

 

“Conversas com Zeus”

-XXIII-

-Hermenências-

 

"Um dos segredos mais profundos

que existem,

é que tudo o que realmente

 vale a pena

é o que fazemos

pelos outros".

(Lewis Carroll)

 

 

Zeus tem andado, distraído ou entretido com o carnaval brasileiro fora d’horas, o cultivo de bananas no deserto de Gobi, o novo corte de cabelo de Kim Jong-un, o aparecimento de pinguins na ilha Spitsbergen e no Alasca, e de ursos polares no Território do “País da Edite Ronne, na Antártica”.

 

Tanto assim que faz já muito tempo que não me liga.

 

Encontrei o Marconi, no Café, na hora do meu «pingo da manhã», e falei-lhe do silêncio de Zeus.

 

Rapou do bolso de uma antena do tamanho de uma esferográfica e deu-ma.

 

- Toma! – disse.  Na hora do «pingo da tarde» clicas neste pontinho. O campo magnético da glândula pineal de Zeus será perturbado, e o teu amigo, sacudido por essas vibrações magnéticas logo vai exclamar para Pan:

 

- “Estou com uma comichão e um ardejar aqui na orelha. Não me digas que é aquele «cara de carai» que ficou de me mandar um «salpicão da língua e uma chouriça de cabaça» que está preocupado, mas mesmo muito preocupado comigo”!

 

- Ó Marconi, «atão» tu «agôra» já sabes d’antemão o que Zeus pensa e diz no que respeita comigo?

 

- Aos bocados e aos pedaços, vou apanhando as vossas técnico-tácticas de comunicação.

Ora experimenta lá, e depois diz-me se não vai acontecer como te digo.

 

- Hoje, sexta-feira 13, inda por cima, de Maio, não me digas que queres fazer um milagre ou um bruxedo, Marconi   -  exclamei!

 

Não perdi tempo

 

Liguei para Vilar de Perdizes. Tive a sorte de apanhar juntos o Padre Fontes e o Bruxo Queiman.

 

 - António, chegou a hora de te incomodar: precisava que tu mais essa multidão de bruxos e bruxas, aí reunidos (qual é o Substantivo colectivo para «muitas bruxas e muitos bruxos juntos?!- Bem, como nem Lindley Cintra nem o Bessa Monteiro, nem Fernando Campos mo ensinaram, vou propor «Fontesão»… não, para evitar pecados, «Fontesia»   -    multidão de Bruxas e Bruxos inventada e realizada pelo Padre Fontes, num dos famosos «Lameiros de Barroso»!) concentrásseis , logo à tarde, na «hora do pingo» (explica-lhes que é assim como «à moda do chá das 5») todas as vossa energias, as direcionásseis para a croa do deus Larouco, durante apenas aquele segundo que dê para se contar: um, dois, três!

 

E podes dizer a esse teu amigo tão chegado, o deus Larouco, que só por esse momento mágico, eu aí irei, no Mês das Segadas, sacrificar três cordeiros no altar (Penedo) de Caparinho e assadinhos «à maneira» no FORNO de MEIXIDE.

 

Como isto é uma das minhas «maroscas» ao meu amigo Zeus, espero que, desde já, de dês a tua católica absolvição e a tua «larouquense» bênção.

 

 

É escusado dizer aqui que «foi feita a minha vontade»!

 

Vai então, na hora do «pingo da tarde» peguei na bússola e coordenei-me com o FORNO de MEIXIDE e o Penedo de Caparinho.

 

Pimba!

 

Cliquei no tal pontinho, elevei o meu pensamento a Zeus, e… catrapumba!

 

Não demorou um piscar d’olhos para o meu telemóvel começar a retinir.

 

Fiz-me caro. Deixei tocar e tocar.

 

Lá para a quinta ou sétima vez, atendi:

 

Era HERMES.

 

- “Inselência”, daqui é da parte de Zeus. Sou o Hermes!

 

- Que dianho! Andas aqui por perto?

 

- Não. Estou por aqui na sala piramidal de Zeus, a pôr em ordem alguns (alguns?! Uma montanha!) papéis para ele despachar, logo que regresse de uma saída que nem eu sei bem com destino.

 

Acaba de me contactar para eu lhe ligar imediatamente a saber se foi coisa sua as estranhas tonturas que acabou de ter.

 

- Porra! Catano, Hermes!

 

O «DEPOR» sobe à «PRIMEIRA», “OS de CHAVES” fizeram uma festa do car…..v….alho, e Zeus nem um copo veio botar com eles!

 

E, repara lá tu, que não contentes por subirem «de escalão», “Os de CHAVES” ainda serviram de palco e de plateia para uma segunda festa “Fogaceira” deste ano: o “FEIRENSE” foi ao Campo da Srª das Brotas conquistar, com um empate, o direito de jogar «entre os grandes»!

 

Pois Zeus vai «lerpar» daquelas batatas lourinhas que acompanham o cordeiro depois do pousar das seitouras, numa daquelas segadas tradicionais que se vão fazer ali pela NORMANDIA TAMEGANA. O cheirinho vai-lhe chegar, mais tentador do que Métis ou Témis, Leda ou Dánae.

 

-“Inselência”, antes de partir, Zeus teve uma reunião aqui connosco. Mostrou-se preocupado consigo.

 

Há já que tempos que nada sabe de si, lamentou-se-me ele há dias.

 

Olhe, já se lhe acabaram os «pimentos do Cambedo», o «branco» da Granginha; o «tinto» d’Águas Frias, a Geropiga de Outeiro Seco, as «nozes de Vidago», os «figos de Valpaços»…

 

-Alto lá, ó Hermes.

 

Pede o guloso para o desejoso, é?!

 

Bem, ougadinho, ougadinnho destes ando eu, realmente!

 

- Zeus deixou um apontamento que, segundo me disse, iria ultimar, logo que regressasse.

 

Como demora, adianto-lhe o «discurso», se assim entender.

 

E dizia Zeus:

 

- Grande Mestre tem a «tua» cidade.

 

Tu és um simples praticante de pesca recreativa, e sabes bem quão difícil é apanhar um peixe, mesmo com um bom isco no anzol.

 

O Grande Mestre tem a tarefa mais facilitada. Ao “Zé Povinho” passa-lhe pela boca ou pelos olhos um engodo rafeiro e já o tem no papo.

 

Umas cocegazitas feitas com uns joguitos, uns espectáculos, umas bugigangas e festas medievais são mais que suficientes para tornar servis os pategos que o olham.

 

Não dá conta, o Zé Pagode, que pagará com língua de palmo o quartilho de tinto e a malga de tripas com que deu prazer à boca e à barriga!

 

A humanidade, essa humanidade do Grande Mestre, não passa, afinal, de crueldade.

 

Tal como Nero, a sua «peçonhenta doçura» só serve apenas para adoçar a servidão, a amargura dos Flavienses.

 

Os teus conterrâneos, consciente, uns, inconscientemente, a maioria, continuam imprudente e teimosamente a ser negligentes quanto à postura de mentira, falsidade e charlatanice desse grupo de medíocres e oportunistas, videirinhos e xico’spertos que ambiciona, contra a corrente da Verdade, da Justiça, do Progresso, fazer a Conta-Corrente do Município.

 

Os Flavienses, uns e outros, todos, têm de se lembrar que a Verdade também é útil, também ela, a Verdade, corresponde a realidades objectivas.

 

Medíocres quanto baste, cretinos até mais não, refinados impostores e consumados charlatães, «pavão», «pavões», «lalões» e «poneyzinhos-de-Tróia», aí de CHAVES, desempenham a primor o papel de profissionais de bondade, trazendo assim os Flavienses bem engrampados!

 

-Hermes,   -  interrompi   -   sabemos que foste tu o «grande» descobridor da linguagem e da escrita, graças às quais nós, cavaleiros do céu e do inferno, podemos tornar inteligíveis, compreender e comunicar o significado das coisas.

 

Por isso mesmo, Zeus te incumbe como seu privilegiado mensageiro, e eu te trato com aquela consideração transmontana que tanto te agrada (e consola, di-lo!).

 

Eu, de ti, também, nota bem, também, espero ajuda para que a minha escrita, as minhas palavras escritas, tenha a maior aproximação à expressividade da palavra, das minhas palavras, falada!

 

- “Inselência”,  Zeus tem aquele modo de ser especial de reparar e de se preocupar com as grandes GRANDEZAS e com as pequenaspequenezas”!

 

Bem lhe zucrino os ouvidos para não se ralar tanto com as «pavonices» e as «lalices» que alagam mais «CHAVES” que as cheias do Tâmega.

 

Ainda há días lhe lembrei aquele «franciú», G. Le Bon, que considerava os filósofos uns «ingénuos» e que «as multidões nunca tiveram sede de verdade. Diante de evidências que lhes desagradam, viram as costas e preferem divinizar o erro, se ele as seduzir. Quem as souber iludir, facilmente será seu senhor; quem as tentar desiludir, será sempre a sua vítima».

 

Por isso, “Inselência”, deite pra trás das costas ao sua afeição pela «herdade romana» de Trajano, e deixe os “Aquiflavienses” e os “Tameganos” a serem mentes superficiais que não conseguem ver para além do que alcançam de momento.

 

Chegará o tempo em que aprenderão, mas já sem proveito, a lição de “Aristócles”, também conhecido como Platão: «O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por quem é inferior".

 

- Hermes, sei da tua estima por mim e da pronta disponibilidade para atenderes as minhas solicitações, pressas ou caprichos.

 

Espero que dês boa nota desta nossa conversa a Zeus. Lembra-lhe para ele ir semeando umas grainhas de inspiração no deserto neuronal dos flavienses, a ver se para o ano, têm a coragem e o acerto de arrasar a capoeira do «pavão de Castelões» e fazerem com que essa raça seja declarada extinta.

 

Como sabes, não sou de promessas. Mas podes anotar na tua agenda que dos primeiros figos «do cedo», de VALPASSOS, irás receber uma abada deles! E porque te portas bem, junto irá um pão centeio, fresquinho, ainda quentinho, cozido no Forno de Castelões.

 

-“Inselência”, contente com o que acabo de ouvir, deixe-me despedir-me com D. Miguel …Unamuno:

 

- “Todo o homem que combate por um ideal qualquer, ainda que pareça do passado, impele o mundo para o Futuro e sei ainda que os únicos reaccionários são aqueles que se encontram bem no Presente

 

Mozelos, Treze de Maio de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:06
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sexta-feira, 10 de Junho de 2016

Ocasionais - "Lumbudínios"

ocasionais

 

Lumbudínios

 

 

Estes fotógrafos da “LUMBUDUS” são mesmo levados do dianho!

 

Catancho!

 

Venha o diabo e escolha!...

 

Encantam com as cores, seduzem com as flores!

E eu que fique a ver estrelinhas mirabolantes, como aquelas do fogo-de-artifício, na Srª da Saúde ou no S. Caetano, ou da Srª da Livração (antigamente!) ou do Sr. do Monte (noutros tempos!)

 

Estes fantásticos fantasistas “lumbudínios” vêem, e apanham, pétalas, caules, raminhos, sombrinhas, segredinhos e, depois, eu que fique pràqui a ver historinhas d’amor,  paixonetas, súplicas de miminhos, promessas de consolinhos, e mistérios e misteriozinhos a desafiarem a minha imaginação , a intrigarem a minha lógica difusa e a torná-la mais confusa.

 

Qualquer dia, quando menos esperardes, ponho no meio dos vossos painéis de fotografias uma das minhas «historinhas» e, depois, quero ver como ficais quando fordes fazer trabalhinhos como este: apanhar flores com esse olhar de cristal!

 

Para nós, ocidentais, tudo (quase) o que brilha é ouro.

Para alguns povos orientais, o que resplandece horroriza-os.

 

Por cá, nós preferimos o brilho.

Por lá, eles, os reflexos.

 

Para nós, a luz é o maior aliado da beleza.

Para outros, a beleza «perde a sua existência se suprimem os efeitos da sombra».

 

Os “lumbudínios” são brilhantes fotógrafos.

 

Não sei nem consigo imitar-vos, embora vos siga e acompanhe.

Fico-me pelos enigmas das sombras, dos pensamentos que escondeis de mim, das mensagens codificadas que deixais em cada imagem.

 

Encantam-me a vossas fotografias: mais pelo que me sugerem do que pelo que (me) evidenciam.

Das suas sombras cato sensações, emoções, sentimentos e imaginação sem conta.

Quando a sombra é recolhimento…

Na sombra, nessa sombra, expressa-se a reserva de quem recebe, a elegância de quem se dá, o deleite de quem desfruta, o retiro de quem se assombra e medita.

Da outra sombra, da sombra-placenta dos medíocres, dessa nem me quero lembrar!

Olho para a sombra para, a partir dela, ver e apreciar a luminosidade da vida, seja ela reflectida na, ou pela, alegria ou tristeza, artes ou letras, filosofias ou ciências, distâncias ou proximidades, cânticos ou murmúrios   -   “pungir delicioso” ou “espinho acerbo” que os “seios da minh’alma” dilaceram, e a alma de “inconsolável amante” me transportam à de “amada ausente”!

 

Na Fotografia apanho sempre um bocadinho mais de vida que na Pintura.

No Real da Fotografia também encontro o Simbólico e o Imaginário.

Defeito meu.

 

M., vinte e oito de Maio de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:51
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Terça-feira, 7 de Junho de 2016

Ocasionais - Duas ou três colheres de "Chá de Urze com flores de Torga"

ocasionais

 

₮ Duas ou três colheres de “Chá de Urze com flores de Torga” ₮

 

LETREIRO

 

Porque não sei mentir,

Não vos engano:

Nasci subversivo.

A começar por mim

(Meu principal motivo

De insatisfação),

Diante de qualquer adoração,

Ajuízo.

Não me sei conformar.

E saio, antes de entrar,

De cada paraíso.

 

(Miguel Torga)

 

 

 

TORGA foi um português, um Transmontano estranho, esquisito.

Como tantos outros.

Apenas mais famoso.

Deixou uma obra literária enorme.

Para muitos dos seus pares da escrita foi enorme.

Para alguns seus pares da poesia, uma incómoda insignificância.

Tenho lido algumas (bastantes) considerações acerca de TORGA.

Se o seu feitio desagrada, a sua escrita encanta.

 

Perante este aparente paradoxo, tenho contido o meu entusiasmo de deixar duas ou três palavras na Caixa de Comentários do meu BLOGUE Favorito: “CHAVES – olhares sobre a cidade”, da autoria de um Flaviense distinto, Fernando Ribeiro.

 

O fim de “Chá de Urze com flores de Torga”, tomado sempre com tanto paladar, leva-me ao atrevimento, respeitoso e humilde, de deixar aqui, num cantinho de uma casa que me tem acolhido, uns alinhavos paradoxais (que pretendo levemente redundantes e suavemente contraditórios) acerca de MIGUEL TORGA.

 

ǂ

 

MIGUEL TORGAandava sempre com a telha”.

Entendeu que a vida foi desde sempre demasiado dura e madrasta com ele.

Tinha veneração pela Natureza. Mas não «gramava» as pessoas.

 

A amizade era um sentimento que detinha enquanto lhe durasse a conveniência do amigo. E essa conveniência resumia-a ao essencial, ao imediato.

 

Tinha medo de alimentar esse sentimento, pois considerava-o um sentimento nivelador, igualizador, e ele, TORGA, prezava profundamente a diferença, e, até, a originalidade.

 

Aborrecia-o a proximidade das pessoas.

Só aceitava a presença delas se estivessem de passagem apressada.

Todavia, a distância entre ele e a gente contraditava o sentimento de aspereza e de desdém da proximidade.

 

À distância, TORGA via as pessoas como entes que a Natureza criou para com a sua dor e sofrimento, o seu trabalho e canseira, o seu suor e as suas lágrimas, o seu canto e sorriso, a sua veneração e humilhação, o seu sacrifício e poesia, se sentisse glorificada.

 

TORGA era um fingidor.

 

Julgou-se a realização da profecia bíblica dum tal Isaías: ser semente saída de Jacob (Jacó) e o herdeiro dos montes, vindo de Judá!

 

Jorge de Sena, em correspondência com Eduardo Lourenço, escreveu, 1955, «olhe que o Torga é, para mim, a imagem do que a poesia não deve ser!».

 

MIGUEL TORGA «desviava-se», quanto a mim, da moda literária «em moda».

 

ǂ

 

 “Só os homens livres são

muito gratos uns para os outros”

 

Poucos lêem TORGA; menos, os que reflectem no que ele escreve; quase ninguém quer aprender com ele.

 

Custa-me a indiferença com que os Flavienses tratam vizinhos ou visitantes que tanta e tão prestimosa afeição demonstram pela «cidade», pela Região, pela NOSSA TERRA.

 

MIGUEL TORGA ainda não foi celebrado em CHAVES como tanto merece.

 

Para os «ignorantes», para os distraídos, para os «esquecidos» e para os ingratos, neste Blogue tem o seu autor vindo a lembrar uma «obrigação» mais do que justa e digna.

 

Mas, com gente-gentalha, medíocre, inculta, mal-agradecida, e que faz da impostura e da cretinice o seu modo de vida, a dirigir os destinos do Município, não admira a inconsequência da verdade.

 

Se, aí por CHAVES, pela NORMANDIA TAMEGANA, há corações reconhecidos a MIGUEL TORGA, também abundam, aí por CHAVES, pela NORMANDIA TAMEGANA (e um ou dois, já seria uma «abundante abundância»!) algumas mentes obscenas, iconoclastas, videirinhas, para quem TORGA só merece lembrança e surdo aplauso quando lhes convém, para adorno da sua biliosa e estéril vaidade e disfarce da sua tremenda hipocrisia e imposturice.

 

TORGA, Pessoa e Saramago estão na moda de muita, demasiada, gentinha e gentalha medíocre, mas tão lesta em fingir de super-sumo da intelectualidade, da cultura, das Artes e das Letras, usando e abusando de chavões e «adverbialices» como se tivessem descoberto a equação definitiva da “Teoria de Tudo”, como se fossem alguns dos raros a compreender o último Teorema de Fermat.

 

Então, a um peralvilho altamente conceituado, nómada por todos os territórios que lhe cheirem a unto ou a margarina, perito na insinuação, afinal um dos «cromos» mais exemplares deste «jardim à ….», que, daí ou de qualquer lugar, faz estação ou cais de embarque para as suas surtidas tão narcisistas quão impostoras,  só lhe falta mesmo proclamar, com paráfrase: "Tenho uma demonstração maravilhosa da magnificência, da imortalidade e da importância de Miguel Torga, para a Região (não escreve NORMANDIA TAMEGANA porque não vai a tempo de atribuir-se o neologismo, como tanto se tem aproveitado em fazer com outros) que esta margem é demasiado estreita para conter."

 

Há por aí um pivete baboso, espertalhão   -   não fosse ele o exemplar perfeito do «gosmista», do impostor, do falso amigo, do «amigo da onça», e do hipócrita    -    que, por ter dado boleia a TORGA até Monterrey, já se considera «o maior» conhecedor de TORGA!

 

Este e outros que tais, bem que se mordem sempre que neste Blogue aparece, habitualmente, às 4ªs feiras, “Chá de Urze com flores de Torga”: é que eles não são capazes, não sabem mostrar, ou demonstrar, um sentimento de gratidão, de reconhecimento, de admiração por quem lhe sé superior.

 

A soberba fá-los ter por si próprios uma opinião «mais vantajosa que o que seria justo acerca de si mesmos», e, consequentemente, a inveja, que transportam jung(u)ida à soberba, entristece-os com a felicidade e o prestígio de TORGA, e de Outros!

 

Em TORGA, como em Camões e em Pessoa, encontramos nos seus poemas a força sobrenatural que justifica o orgulho de «ser Português»!

 

Na poesia e na prosa de TORGA encontramos toda a profundidade da alma e do coração dos Portugueses!

 

Bastar-nos-ão as carinhosas e eloquentes palavras escritas no seu Diário, e que no Blogue “CHAVESOlhares sobre a Cidade” têm vindo a ser reproduzidas, para que, na “Cidade de Trajano”, uma justa homenagem lhe fosse feita a MIGUEL TORGA.

 

 

ǂ

 

E com este «sim e não», ou aparente «não e sim», um e outro aparentes do que é aparente, pequenino esforço meu para espreitar o que toda a gente sabe sobre TORGA, e de quase toda (essa) gente se esquece, e eu, timidamente, ando a aprender, deixo o meu agradecimento a quem comunga da minha gratidão a quem honra e prestigiou, e prestigia e honra, a NOSSA TERRA, a NORMANDIA TAMEGANA, TRÁS-OS-MONTES e PORTUGAL.

 

 

Liberdade

Liberdade, que estais no céu...

 Rezava o padre-nosso que sabia,

 A pedir-te, humildemente,

 O pio de cada dia.

 Mas a tua bondade omnipotente

 Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra...

 E a minha voz crescia

 De emoção.

 Mas um silêncio triste sepultava

 A fé que ressumava

 Da oração.

 Até que um dia, corajosamente,

 Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,

 Saborear, enfim,

 O pão da minha fome.

— Liberdade, que estais em mim,

 Santificado seja o vosso nome.

{Miguel Torga]

 

 

M., Um de Junho de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:59
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Quarta-feira, 25 de Maio de 2016

Ocasionais - A condessa de S.Julião da Várzea

ocasionais

 

A condessa de S. Julião da Várzea

 

 

Andava descalça.

 

Não por penitência. Mas porque lhe faltava a sandália nazarena onde lhe coubesse o pé.

 

Desde garota que aprendeu a meter a mão … e o bedelho.

 

E a bordar insinuações.

 

Tinha jeito para a mentira.

 

Mais jeito para a falsidade.

 

Aprimorou-o para a imposturice.

 

Tanto andou por varas (de porcos), por cáfilas (de camelos), por ninhadas (de pavões); com corja (de velhacos), com choldra (de malfeitores), com cambada (de malandros), com farândola (de vadios), com horda (de moinantes) que se especializou na falta de vergonha, no descaramento, na desfaçatez!

 

Com tanto traquejo, até soube aproveitar para entrar na roda (de pessoas) e aproximar-se de uma plêiade (de poetas e de artistas).

 

Foi junto do padre, prometeu-lhe beatas.

 

Do banqueiro, depósitos.

 

Do empreiteiro, obras.

 

Do comerciante, encomendas.

 

Do contribuinte, isenção de impostos.

 

Do taberneiro, borrachos.

 

Do moleiro, maquias.

 

Do polícia, a cova dos ladrões.

 

Do político, votos.

 

O Clube de Futebol, da sua Freguesia, subiu do escalão Regional para o Distrital. Nunca assistiu a um jogo, nunca pagou Quota. No dia da vitória, ei-la, a “condessa de S. Julião da Várzea”, radiosa e contente, a gritar, no meio da multidão, mas estrategicamente ora ao lado do presidente do Clube, ora do da Junta, ora do treinador:

 

- “Vitória! Vitória!” – “Ganhámos!”.

 

E fica toda derretida porque cem olhos caíram sobre si.

 

Haja procissão.

 

Ei-la bem enfeitada, e com o ar mais solene e beatífico, junto ao pálio.

 

Haja um Jantar de celebração ou uma Ceia de beneficência: a arte e o engenho sobram-lhe para se fazer convidada. Depois de se certificar, pelo canto do olho, de que a conta está paga, levanta-se da mesa, caminha com cerimónia, para na Caixa, e pergunta pomposamente:

 

- “Quanto se deve”?

 

A “condessa de S. Julião da Várzea” desce a Rua pela esquerda; sobe na vida pela Direita!

 

Não tardará a hora em que a “condessa de S. Julião da Várzea” se dará conta de caminhar na lama com pés descalços!

 

Convenceu-se ter sido, em «vidas passadas», uma prima afastada, mas muito chegada, de Madame Pompadour.

 

Soube do apoio que esta deu a Diderot para elaborar a “Enciclopédia”, e a outros artistas.

 

Bem tenta imitá-la.

 

Como não é capaz de criatividade pictórica para o «barro de Nantes», candidatou-se à peregrinação para os «escritos da Ponte», confundindo-os com hieróglifos de «ogham goidélico».

 

Diz, para quem tem pachorra de a ouvir, que depois dela, depois de um dia se despedir de S. Julião da Várzea, acontecerá o Dilúvio!

 

E o «pavão de Castelões», ou algum dos seus «lalões» herdeiro, nesse dia de sol ou de névoa, de chuva ou de neve acenar-lhe-á, e dirá cinicamente:

 

- A “condessa de S. Julião da Várzea” não terá bom tempo para a sua viagem ao Tártaro”!

 

M., quinze de Maio de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:47
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sexta-feira, 13 de Maio de 2016

Ocasionais - A Fava de Stº Inácio

ocasionais

 

A fava de Stº Inácio

 

"Se queres conhecer um vilão,

põe num poleiro político um «pavão»!

Luís Henrique Fernandes

 

I

 

O capitalismo selvagem dos neo-cons atingiu uma tal «densidade crítica» que entrou em fase de «crise de sobrevivência».

 

Esses neo-cons sem respeitos humanos aproveitaram a oportunidade de mudanças políticas e sociais, particularmente no Velho Continente, para se comportarem como o caranguejo aranha, do Mar do Norte.

 

A estúpida cupidez financial desses neo-estafadores contaminando gente medíocre, como os oportunistas que se «enfiam» nas casotas e nos casebres políticos com a esperança de lhes ser atribuído um apartamento de sete assoalhadas num dos «bairros políticos do Partido», e daí mudarem-se para um qualquer «anexo» do Palácio de S. Bento (quem sabe se até para a “manjedoura de Belém”!), essa estúpida cupidez financial veio pôr em perigo a Nossa Democracia, a Nossa Soberania, a Nossa Independência Nacional   -   a nossa condição de Povo Português!

 

O principal produto de exportação de Portugal parece ser   -  ai, Descobrimentos,  Descobrimentos!     ---    pessoas!

 

Desertificadas, “CHAVES” e a NORMANDIA TAMEGANA, agora, pobres brochuras de maravilhosas paisagens que, mesmo assim, poucos turistas atraem (não é, Reino Maravilhoso?!) podem ter, e merecem ter, sucesso separadamente do resto do Estado.

 

Na realidade, a «bandalheira», a irresponsabilidade, a cretinice e a mediocridade, piores que os “Quatro cavaleiros do Apocalipse”, tomaram conta da “PRAÇA de CHAVES”!

 

A «terrinha» vai de mal a pior!

 

Esse «pavão de Castelões», tão carregadinho com o vírus Influenza, anda há demasiado tempo (não fosse esse um vírus em constante evolução) a infectar os Flavienses e a dar-lhes cabo da vida!

 

««Na Assembleia Municipal realizada no dia 24 de junho de 2015, o senhor presidente da CMC, António Cabeleira, afirmou quese durante o ano de 2015 não for feita a inspeção que está prevista pela Inspeção Geral de Finanças, NO FINAL DO ANO comprometemo-nos a realizar a mencionada auditoria.”»», conforme a transcrição editada no Blogue “CHAVES”, em 13 de Julho de 2015.

 

Já estamos em  Maio de 2016 e NIGUÉM   D A Í  «pia» sobre este assunto!

 

Esse “Cabeleira” é mesmo um «tonho», um coitadito: anda há tanto tempo na babugem da politiquice e nunca mais aprende o «bê-à-bá» da Política   -  a ruindade não o deixa ser gente!

 

A receita para o seu «modus vivendi» como presidente de Câmara é «com papas e bolos se engrampam (enganam/«enrolam») os tolos».

 

E a maioria dos flavienses derrete-se toda em ser levada por lorpa   -  vá-se lá entendê-los!

 

A atitude do Tonho Cabeleira e de seus «sequazes camarários» é de uma intolerável quão criminosa insolência.

 

A impunidade é-lhes garantida ora pela ignorância de uns, ora pelo medo de outros.

 

Os políticos, na sua maioria, agem movidos por razões inconfessáveis.

 

Fazendo eco de Umberto, direi eu: - a indulgência para com esses «pavões» é mais escandalosa do que os próprios delitos que cometeram, e continuam a cometer, contra a «Cidade»!

 

Até parece que um dos meus amigos de além-mar veio a CHAVES descobrir que «vivemos num país em que a política está quase identificada à delinquência».

 

Lentamente, paulatinamente, cegamente, adormecidos pelo pipilar impostor do «pavão de Castelões», os flavienses estão a ser, a ficar, sedadamente, idioticamente, «pavonizados»!

 

Os flavienses sempre que acreditam nesses demagogos e petimetres do aviário do «pavão de Castelões», convencidos de que encontraram o remédio para as suas maleitas, caem cada vez mais na intoxicação, envenenados nas relações sociais.

 

Os flavienses desconfiam da competência e dos competentes. Por isso, elegem incompetentes e medíocres.

OS de CHAVES”, os flavienses, cegos e ceguetas, continuam a honrar a impostura e a ofender o verdadeiro zelo.

 

CHAVES, hoje, é uma cidade «entregue aos maus», deixando-os tornar-se fortes e “fazendo perecer os homens mais estimáveis”.

 

CHAVES está transformada num «gonfalonato» pavonino!

 

II

 

O «trânsito de Vénus» acontece em intermitentes períodos de oito anos.

 

Quer-me parecer que quando «varia» nessa irregularidade, Vénus, incomodado (o Planeta, não a deusa!) por não ver o Sol de frente, escolhe, para sacrifício da sua ira, uns lugarejos à face da Terra. Recentemente, elegeu uma romanizada região da Normandia Tamegana, e «selecionou» (sei lá se por via telefónica, se por certificado de correspondência!) uns legionários rascas, pindéricos, com vocação para «poneyzinhos-de-Tróia», e que, para consolo de Vénus, escurecem o luar de esperança dos Flavienses, cobrem de sombras o seu Presente e enchem de dúvidas o seu Futuro!

 

No próximo ano, 2017, nas “Autárquicas” há que dar a esses petimetres uma guia de marcha até ao próximo «trânsito» em 2117!

 

Valer-nos-á Júpiter (Zeus, o «tal» meu amigo, vai dizer-lhe para mandar sobre esses «pavões» armados pindericamente em centuriões, um raio que os parta)!

 

O «trânsito» pelos Blogues da NOSSA TERRA, muito especialmente pelo Blogue “CHAVES”, é bem uma garantia de outra luminosidade, de outras certezas, de Boas Esperanças: - pelo Blogue “CHAVES”, Fernando Ribeiro, Sousa e Silva, Francisco C. Melo, particularmente, têm colocado brilhantes sinais de trânsito a orientar os melhores caminhos e atalhos para um «amanhã» e um futuro imediato diferente, não trágico e, sim, feliz, dos Flavienses, e, por extensão, dos Normando - Tameganos.

 

A Autarquia flaviense tem funcionado mais como estorvo, impedimento e travão ao progresso e bem – estar de toda a REGIÃO da NORMANDIA TAMEGANA do que contributo ou atributo de qualidade positiva.

 

Esses autarcas residentes no Paço do Duque, cobertos, da cabeça até aos pés, de ridículo, não se enxergam, não têm pingo de vergonha com a sua idiota incompetência administrativa, da sua mediocridade política.

 

Esses pinguins anões da política, «poneyzinhos-de-Tróia» sediciosos, perjuros e atrevidos, usam de todas as habilidades para trair os juramentos sem poderem ser inculpados de perjúrio.

 

O «pavão de Castelões» mais a sua seita redondinha não passam de borbotos políticoneiros!

 

Essa trupe constitui o primeiro monómio do polinómio de problemas que enredam os Flavienses e os Normando-Tameganos.

 

Esse bando de oportunistas e incompetentes que tem administrado o Município pouco ou nada se ralam com os destinos, com o futuro, da «CIDADE».

 

A ganância da sua vaidade e de interesses pessoais, e a sua mediocridade política condenam o futuro dos Flavienses a uma catástrofe.

 

Sendo um problema, e bicudo, são também parte, e o princípio, da solução desse polinómio: «um pontapé no fundo do…u, atirando-os pelo desfiladeiro normando de “Etretat” ou lá do Alto do Monte Tarpeio!

 

Onde estão as infra-estruturas e as instalações industriais, universitárias, e o Programa de Benefícios e Isenções de Impostos suficientemente convidativos aos Investimentos, nacionais e estrangeiros?

 

Fiquei espantado! Mas já nem sei se é de me espantar: O Serviço de ORTOPEDIA, em CHAVES, partiu, «transitou» para Vila Real! Apareceu-me a notícia há dias. Parece (-me) mentira!

 

A ser verdade, dá-me mesmo vontade de tomar de assalto a “Rádio Larouco” (e a “RDP”) e mandar para o ar o «parlapié» de uma Assembleia Municipal, de CHAVES, de 2014!

 

Um presidenteZECO de Câmara (de CHAVES) fraquitolas faz, fatalmente, fraquitolas a fortalhaça gente Flaviense!

 

Pudera!

 

Sendo, além de «fraquitolas», um «atraso de vida», um «poneyzinho-de-Tróia», que mais se pode esperar de tão fraca criatura?!

 

Estou mesmo a ver que, dentro em pouco, aquilo que foi o ”HOSPITAL de CHAVES” vai passar a ser uma Pousada da «7ª felicidade”, em «Condomínio Fechado» para «pavões», «lalões», bem, e para outros “Brunellos ou Favellos” do «Nome» (Família) “da” “Rosa»!

 

É tempo de fazer de CHAVES, da NORMANDIA TAMEGANA, uma REGIÃO de oportunidades e de prosperidade.

 

CHAVES e a NORMANDIA TAMEGANA já têm marcas – o FUMEIRO, o PRESUNTO, os PASTÉIS, o FOLAR, o “CORREDOIRO”, as “SEXTAS-FEIRAS – 13”, as “ÁGUAS” (por todo o canto e esquina)    -   capazes de sucesso   -   de importante e atraente sucesso!   -   e de oferecer algo diferente a outras REGIÕES!

 

Para além disso, tem argumentos mais que suficientes para capitalizar a imagem de um óptimo local para «DESCANSO», para desfrute da Natureza, e para consolar o paladar e satisfazer o apetite!

 

E até riqueza de actividades culturais e de recreio!

 

Que diabo! Será preciso atirar-vos com algumas para exemplo?!

 

Bem tem que ser: os flavienses, tal como os Arginos, hão-de rapar o cabelo e decretar não deixá-lo crescer enquanto não recuperarem a CIDADE, tomada de assalto, pelos taimados, pelos trêfegos, empaidores, capadócios, sacripantas,     -   esses pravos «pavões», «lalões» , e «poneyzinhos-de-Tróia» que transformaram CHAVES numa “Feira da treta”, numa “Praça da pêta”!

 

Preciso, preciso é pegar na fava que, com a subida ao poleiro de «lalões», «pavões» e do «pavão de Castelões», calhou aos Flavienses, pedir a Stº Inácio que a benza e dá-la a comer a essa gentalha.

 

É que esse «pavão» e o bando de «pavões» e de «lalões» que o rodeiam têm para com os Flavienses a fidelidade e a lealdade do chacal.

 

A fava de Stº Inácio é o que esses politicastras, esses autarcas «rascas», esses flavienses medíocres estão a pedir e merecem.

 

Mozelos, três de Maio de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:30
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Terça-feira, 3 de Maio de 2016

Ocasionais - Larapiógrafo

ocasionais

 

“LARAPIÓGRAFO”

 

A minha fama de fotógrafo é demasiado «abrangente», «transversal», «seguramente» «de resto» «também» e «então» «incontornável», a merecer os «acÓrdos» entre os mais rigorosos e severos críticos da arte de manobrar «minoltas», maxi-«canons», «sonny-moritas» e outras fabulosas maquinetas que nos fazem ver que, pela Natureza, andamos de olhos tapados!

 

Mas, mais que essa afamada fama famosa, eu tenho o excepcional, raro e raríssimo privilégio, uma enorme vantagem e um imenso gosto de pertencer (ser associado) à ASSOCIAÇÃO de FOTOGRAFIA e GRAVURA «LUMBUDUS».

 

Sabem-me bem melhor as fotografias destes «lumbudógrafos» que um manjar no restaurante “Gaggan” (na Tailândia), no “Mamma Leone” (NYcity)!

 

Bem, bem, bem!

 

Não me «bindes» «agÔra» para aqui falar do «pernil fumado», do Leonel; da «massa com tortulhos», do Aprígio (antigo); ou da costeleta (qual «posta», qual car[v]alho!-Isso pertence (e bem!) à mirandesa!---“deixende-βos” de macaquices!) de vitela «BARROSû, da Cristina (Foz do Rabagão!- ai que tempos!) ou da Albergaria ( agora passou a Hotel) da Carreira da Lebre; ou do cozido da D. Ana, Morgade!

 

Bem, bem, bem!

 

Até mesmo uma malga de caldo (ou um “Pastel de CHAVES”!), na companhia dos «Blogueadores flavínios) me sabe pela vida!

 

Mas, como vos estava a dizer, aquele «pelotão» de «lumbudógrafos», agora já constituído por um «batalhão», com as fotografias que anda a espalhar por aí (quer seja pelas «vias rápidas» da internet; quer pelos Salões de Arte e Cultura, quer por “Adegas” “faustosas” e «Faustinas») ataca a imaginação e a inspiração do «mais  pintado» …quando não nos deixa com os «olhos em bico»!

 

Assim, quero deixar aqui, muito bem registado, anunciado, declarado e confessado que ando a cair constantemente na tentação de «larapiar» fotografias dos «lumbudógrafos», quer eles as ponham nos Blogues, quer nos painéis das «rotundas» e «avenidas» do Facebook!

 

‘Inda hoje, a «mimosa», de Águas Frias (profValbom); e “Vilarinho de Negrões”, do “Barroso Aqui tão perto”- do F. Ribeiro, me levaram a fazer um «golpe de mão».

 

Ai de vós, se eu soubesse fazer contas de «ó-fechores», seus «lumbudógrafos»!

 

“Larapiograficamente!

 

M., onze de Abril de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:15
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Quarta-feira, 27 de Abril de 2016

Ocasionais - Levado dos diabos!

ocasionais

 

“Levado dos diabos!”

 

“A livre eleição de amos não suprime

 nem os amos nem os escravos”.

-Marcuse

 

 

Qualquer pequenina ou grande coisa boa da NOSSA TERRA, lembrada, divulgada, aplaudida, premiada me toca, me enternece, me envaidece e me deixa reconhecido.

 

Um caravelho, uma cancela; um olmo, uma mimosa; um rego de batatas ou de couves; uma fonte ou um rigueiro; uma «cegonha», um «baldão»; um ninho de andorinha ou a «cama» de um coelho; a sineta de uma Capela ou Igreja ou o Cruzeiro, de qualquer Aldeia; um retrato do arruinado “Jardim das Freiras” ou o de uma desprezada Srª das Brotas; uma ameia do Castelo de Monforte de Rio Livre ou um ramo do pinheiro manso do Castro de Curalha; um Conto, um Romance ou um Poema, seja lá o que for, que traga consigo um cheirinho, um paladar, uma memória de CHAVES  -   “do BARROSO, da VEIGA ou da MONTANHA”   -   da (MINHA) NORMANDIA TAMEGANA (para os distraídos, lembro que o «condado» de Monterrey também é «meu»!) toca-me o coração, faz-me chorar de saudade e dita-me o agradecimento por ter nascido e crescido numa terra de encanto, de aconchego e de sonho.

 

Não. Ela não é madrasta!

 

Os estupores que a tomaram, graças a mentiras e traições, é que a têm arruinado.

 

 Como tem estado bem à vista, ao longo destes últimos anos «democráticos», o Bem Privado de oligarcas e movimentos políticos impera sobre o Bem Comum.

 

Mesmo sem perceberem patavina da doutrina do neo – liberalismo, os pindéricos oportunistas, infectados pelos vírus dessa «malária política», prestam-se, imbecil e ignominiosamente, a propagar essa peste, tirando proveito dessa oportunidade de moinantes.

 

Sim, o «Solar dos Montalvões»; os regatos de Outeiro Seco, as Ribeiras do Concelho, o Jardim das Freiras e o Jardim Público; o desprezo votado aos “Castros”, aos Castelos, às Capelas e a outros Monumentos de inquestionável valor histórico e cultural, a renúncia a Serviços Públicos, e a despromoção do Hospital, a falta de um Pólo Universitário são derrotas e desistências que a população Flaviense não merece, nem nunca mereceu!

 

Estas, e outras, tragédias atingem-na, subordinam-na, inferiorizam-na porque continua a temer a Deus e a adorar o Diabo … em figura de gente!

 

O «fado», o destino, a que outra distinta colaboradora do Blogue “CHAVES” referiu, não é, nem pode ser, não pode corresponder ao «fado», ao destino, que os Flavienses têm estado a viver.

 

É pena, e eu lamento imenso, que este Blogue «de CHAVES», e outros Blogues Flavienses, não cheguem diariamente aos olhos dos meus conterrâneos.

 

Estou certo de que se esses Blogues fossem lidos e comentados em casa, nas Tabernas, nos Cafés, nas Tertúlias… e até na «missa de domingo» (dispenso a do “7º dia”), as consciência dos Flavienses não andariam tão adormecidas, e esses petimetres administradores do Município, travestidos de políticos, empoleirados em galhos mais altos do que a altura dos seus méritos, piariam mais fino e mostrariam menos desrespeito pelos flavienses, pelo seu património histórico e cultural, pela riqueza das suas tradições e «questumes», pela beleza das suas paisagens naturais e pela sua vida!

 

Para tristeza da vida, bastar-me-ia o desgosto que carrego por ver a MINHA (a NOSSA) TERRA desprezada, abusada, maltratada, escarnecida, abandonada e injuriada e «gozada» “franciscanamente” por gente do piorio, sumamente incompetente na direcção dos destinos Municipais, insolentemente desrespeitosa com o seu Património, morbidamente safada nas incontáveis trafulhices com que prejudica o desenvolvimento e a qualidade de vida dos Flavienses.

 

E quando, em qualquer órgão de informação «clássico», em Blogues, em «redes sociais» ou em conversas me falam e mostram as «chagas», cada vez em maior número, com que cobrem A NOSSA TERRA, fico mesmo «levado dos diabos»!

 

A mediocracia que administra e empesta “CHAVES” ultrapassou, desde há muito, a tolerância democrática, a condescendência moral, ou o direito à esmola caridosa de benevolência!

 

Antes morrer com honra que viver com opróbrio!

 

Hoje, nem parece que CHAVES foi trono e púlpito do “Bispo Idácio”!

 

Hoje, até (me) parece que os Flavienses já nem sabem de que terra são!

 

Hoje, até (me) parece que os Flavienses já nem sabem a que terra pertencem!

 

Qualquer labrego politiconeiro lampeiro os «come de cebolada»!

 

Hoje, os Flavienses (a maioria) aí «residentes» até (me) parece que perderam o brio … e o pio!

 

Louvados sejam os, ainda, AÍ «resistentes»!

 

E eu não queria vê-los convertidos no «último mohicano»!

 

A Torre de Menagem, as Muralhas da cidade, a Torre de Santo Estêvão, os Fortes da cidade, o Castro de Curalha e o Castelo de Monforte de Rio Livre dão um corajoso e nobre exemplo do que foi a valentia dos Flavienses, do que pode valer, e vale, a resistência dos «resistentes»!

 

Louvado seja!

 

M., Vinte e cinco de Abril de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:06
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sexta-feira, 8 de Abril de 2016

Ocasionais - Srª Das Brotas

ocasionais

 

“Srª. Das BROTAS”

 

Oh!

Que m’adianta recordar?!

 

Felicidades perdidas, mesmo pequeninas, tão pequeninas como as gotas de orvalho que me encantavam, lá na GRANGINHA, na “Aberta da Ti’Aurora”, coberta de carqueja e chamiça, e para onde eu madrugava na Primavera, levando comigo os livros de preparo para os “pontos” e os exames!

 

Felicidades perdidas semelhantes a «gosto amargo de infelizes» e «delicioso pungir de acerbo espinho» que me toma conta do «íntimo peito».

 

O amor tolheu-me.

 

A ausência tornou-me perdido!

 

Mal amparado por um e por outra, cá vou caminhando ao deus-dará, carregadinho com a Saudade.

 

Quase me igualo ao desditoso fidalgo luso – castelhano, exilado e prisioneiro no Brasil, ao sentir a Saudade como «ŭa mimosa paixão da alma», não fosse ela «um mal de quem se gosta, e um bem que se padece».

 

Hoje, estamos menos distantes das “Srª’s” da NOSSA TERRA  - A da SAÚDE, A das BROTAS, A da LIVRAÇÃO e A da LAPA. Todavia, esta Saudade não necessita de larga ausência: «qualquer desvio lhe basta» para que eu a conheça.

 

Que fado o meu! A MINHA “CIDADE” ser “fonte das minhas lágrimas”: - «…ela é lágrimas toda, eu todo pranto/ eu de amor fonte, fonte de amor(es) ela»!

 

1600-brotas-16 (56)

 

E, hoje, por uma das ameias do Castelo, espreitou-me uma recordação da “Srª. Das BROTAS”:

 

- No arraial, “Os Pardais” tocavam que nem rouxinóis.

 

Era uma multidão dançar. Era outra multidão a ver dançar.

 

Pelos quadradinhos das grades, os presos faziam descer baraços e subir cestitas carregadinhas de cigarros, mimos e lembranças variadas.

 

Só eles não podiam dançar o tango ou o pasodoble.

 

Àquele gabirum elegante e bom dançarino, uma catraia bem-parecida, conduzindo o par de dança para as proximidades, finoriamente aproveitou o lanço da volta para fazer contra-volta e ficar frente a frente com o «artista».

 

Ele, o gabirum de bom pé dançante, já tinha apanhado a firmeza do olhar daquela catraia.

 

Deu a volta.

 

Sente um toque no ombro.

 

Olhou de esguelha.

 

Ela atirou-lhe: - Quero dançar contigo!

 

“Os Pardais” tocavam.

 

Ele, um lindo pé de dança; ela, levezinha como uma pena.

 

James Dean e Liz Taylor ali estavam disfarçados de Nureyev e Margot Fonteyn.

 

Até ao fim do arraial não houve par mais inseparável e chegadinho.

 

Milagres da “Srª. Das BROTAS”!

 

M., 9 de Agosto de 2015

Luís Henrique Fernandes

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:47
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

.Fotos Fer.Ribeiro - Flickr

frproart's most interesting photos on Flickriver

.meu mail: blogchavesolhares@gmail.com

.Dezembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9


19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


.pesquisar

 
ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

 

 

El Tiempo en Chaves

.Facebook

Fernando Ribeiro

Cria o teu cartão de visita Instagram

.subscrever feeds

.favorito

. Solar da família Montalvã...

.posts recentes

. Ocasionais

. Ocasionais

. Ocasionais

. Ocasionais

. Ocasionais

. Ocasionais

. Ocasionais - “O quark e ...

. Ocasionais - Tugaquistão

. Ocasionais

. Ocasionais

. Ocasionais

. Ocasionais

. Ocasionais

. Ocasionais

. Ocasionais

blogs SAPO

.Blog Chaves no Facebook

.Veja aqui o:

capa-livro-p-blog blog-logo

.Olhares de sempre

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

Add to Technorati Favorites