Quinta-feira, 8 de Setembro de 2016

Vivências

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Da vontade de mudar o mundo…

à resistência para que o mundo não nos mude…

 

Ao princípio é simples. O mundo parece-nos perfeito. Acreditamos nas fadas e nas princesas (as raparigas) e nos super-heróis (os rapazes). Acreditamos também no velhinho de barbas brancas que numa só noite consegue a proeza de visitar todas as casas onde há crianças para deixar prendas àquelas que se portaram bem durante o ano. Depois crescemos e a magia começa a perder-se. Afinal o mundo não é assim tão perfeito. Pensamos, então, que somos nós que o vamos mudar e ai de quem nos diga o contrário! Estamos no turbilhão de emoções e sonhos que é a juventude, a fase da vida em que tudo nos parece possível. E a nossa luta continua, mas, de repente, damo-nos conta que já tudo mudou à nossa volta. Já não temos vinte anos. Crescemos, tornamo-nos homens, mulheres, pais, trilhamos o nosso caminho e a vida foi adquirindo outro sentido. Há muito que deixámos de acreditar nas fadas ou super-heróis para nos salvar. Eles existem sim, mas são, afinal, humanos como nós e chamam-se simplesmente “amigos”. Continuamos a acreditar em tudo o que sempre acreditámos, mas já não temos as mesmas ilusões de querer mudar o mundo sozinhos. Agora, mais do que agir, pensamos sobretudo em resistir para que o mundo, ou a sociedade como lhe queiram chamar, não nos mude a nós. Queremos continuar fiéis aos valores que um dia nos incutiram e que queremos agora transmitir aos nossos. Por isso, ficamos felizes quando o nosso filho faz algo errado e nos diz a verdade, quando poderia mentir-nos, ou quando encontra na escola algo que não lhe pertence e procura o legítimo dono para o devolver.

 

 Acreditamos agora que, mais do que grandes ações, são estes pequenos gestos praticados no dia-a-dia que nos fazem sentir que estamos a fazer a nossa parte para um mundo melhor para nós e para os nossos filhos.

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:34
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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2016

Vivências - É tão pouco o que sabemos...

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É tão pouco o que sabemos…

 

Julho de 2013. Estou na Ericeira, na Região do Oeste, a poucos quilómetros de Lisboa, e tenho de ocupar a manhã enquanto aguardo pela minha esposa que está a participar numa ação de formação. Tenho comigo um livro para ler, um bloco de folhas para o caso de me apetecer escrever algumas linhas, e uns quantos “sudoku’s” que também poderão ser úteis. Estaciono o carro e percorro a pé algumas ruas até chegar à zona mais turística da vila. No café onde páro para tomar um café ouço falar francês e inglês, e enquanto recebo o troco pergunto onde fica a Biblioteca Municipal. Sei que não estou longe, pois no dia anterior fui ao Google Maps e fiquei com uma ideia da zona. O empregado indica-me que é numa rua paralela àquela onde me encontro e, efetivamente, chego lá sem qualquer dificuldade. Para o acesso não é necessário qualquer formalismo especial, apenas um pequeno impresso para assinalar os livros, jornais ou revistas que consultar. Diz-me a senhora da receção que é para fins estatísticos. No interior da biblioteca deparo-me com vários corredores de estantes e, ao fundo, uma pequena sala com computadores com acesso à Internet. Após consulta ao meu e-mail, e a mais um ou dois sites para ver as notícias do dia, regresso à zona dos livros. São certamente alguns milhares, deduzo eu, todos eles devidamente catalogados, agrupados em categorias e alinhados nas estantes, simplesmente à espera que alguém os venha resgatar daquela imobilidade e lhes dedique alguns minutos, ou quiçá horas de atenção, mas não me é difícil imaginar que muitos deles já não serão consultados há anos…

 

Sento-me e penso que ali, naquela sala relativamente pequena, está reunido mais conhecimento do que aquele que alguma vez conseguirei assimilar e mais histórias do que aquelas que alguma vez conseguirei ler em toda a minha vida… É assim mesmo, tão simples quanto isto… basta um pequeno momento para nos recordar que é tão pouco aquilo que sabemos e tanto aquilo que temos para aprender…

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:04
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Quinta-feira, 14 de Julho de 2016

Vivências - A idade das escolhas

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A idade das escolhas

 

A vida é feita de escolhas constantes. A começar pela roupa que vestimos de manhã, antes de sair de casa, e a acabar no programa de televisão que vemos à noite, depois do jantar, passando pela música que ouvimos no carro a caminho do trabalho ou pelo prato que escolhemos para o almoço.

 

A verdade, no entanto, é que durante os primeiros anos da nossa vida não tivemos necessidade de fazer qualquer escolha. Não escolhemos se queríamos ou não nascer, nem o momento, não escolhemos os nossos pais, não escolhemos as nossas primeiras roupas nem a nossa primeira escola... Os nossos pais tudo escolheram por nós... E sentimo-nos bem.

 

Um dia, porém, quando menos esperamos, chegamos à idade das escolhas. Reparamos, então, que ter de escolher nem sempre é agradável. Primeiro, porque nos vemos obrigados a abdicar de muitas coisas para poder escolher outra, ou outras. Depois, porque, na realidade, escolher nem sempre é uma tarefa fácil; umas vezes porque não temos grandes opções, outras vezes porque temos opções a mais. Mas é uma inevitabilidade; se assim não fosse nunca chegaríamos a lado nenhum porque ficaríamos eternamente a analisar as alternativas sem nos decidirmos por nenhuma delas. E à medida que vamos crescendo vamos tendo cada vez maior necessidade de fazer escolhas e escolhas mais marcantes para a nossa vida; um curso, uma namorada, um emprego, um carro, uma casa... e por aí adiante.

 

É, pois, importante saber escolher e ter a noção de que uma escolha não é uma simples renúncia a uma coisa em favor de outra; uma escolha deve ser sempre uma opção consciente e ponderada por aquilo que julgamos ser melhor para nós, naquele momento e para o futuro.

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:12
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Quinta-feira, 9 de Junho de 2016

Vivências - Uma viagem de comboio

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Uma viagem de comboio

 

Agosto de 2009. Fornos de Algodres. Distrito da Guarda. Domingo. 17h07. Lentamente, o comboio que me vai levar até Leiria inicia a sua marcha. Passaram-se já vários anos desde a minha última viagem de comboio. E, verdade seja dita, também nunca fui um grande viajante neste meio de transporte, não pelo facto de não gostar, mas simplesmente porque as oportunidades não surgiram.

 

Na década de 1980 fui até às Pedras Salgadas, numa agradável viagem na Linha do Corgo. Anos mais tarde, nos tempos da faculdade, aventurei-me por duas vezes numa viagem Porto-Vila Real, primeiro acompanhando a belíssima paisagem do Rio Douro, até à Régua, e depois, já na via estreita, subindo em curvas intermináveis por entre socalcos de vinhas até Vila Real. E como nessa altura o troço até Chaves há muito que já havia encerrado, ainda me restou mais uma hora de autocarro. Depois dessa época talvez tenha feito mais uma ou outra viagem sem particular significado.

 

18h20. Estação de Santa Comba Dão. A paisagem agreste de fragas e giestas do início da viagem foi mudando e deu lugar ao verde da floresta e aos campos cultivados. Também o povoamento é agora menos disperso; vêem-se mais casas, mais vida… Sentimos que deixamos a pouco e pouco o interior e caminhamos para o litoral. A viagem segue. Passamos pelo Buçaco, Pampilhosa e chegamos a Coimbra-B. É altura de mudar de comboio. Cruzamos o rio em direção a Oeste e novamente a paisagem se altera. À nossa volta estendem-se vastos arrozais irrigados pelas águas do Mondego que se prolongam por toda esta veiga até à Figueira da Foz. Vamos fletindo para Sul e começam a surgir extensas áreas de pinhal.

 

20h22. Estação de Leiria. Viajar de comboio é uma experiência diferente de viajar de carro, ou até mesmo de autocarro. Passei por lugares e apeadeiros cujos nomes nem sabia que existiam, longe das principais estradas que aparecem nos mapas, reparei em pormenores diferentes e apreciei esta viagem de outra forma. E como não tive de vir atento à estrada ainda tive tempo para escrever…

 

Luís dos Anjos

 

 

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Quinta-feira, 14 de Abril de 2016

Vivências - Adamastor

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Recordando os “Adamastor”

 

Estamos em Chaves, nos finais dos anos 80. O mundo é muito diferente – não existe Internet, leitores de MP3 ou Youtube, nem sequer existem telemóveis – e a forma como ouvimos e partilhamos a música não é em nada comparável aos dias de hoje. Ouve-se música portuguesa, música inglesa e alguma música espanhola, consequência da proximidade com Espanha. Para aqueles que, como eu, integraram grupos de jovens ligados à Igreja as músicas de mensagem (muitas delas inspiradas nos movimentos Gen Verde e Gen Rosso) são também uma referência.

 

Frente LP.jpg

 É neste contexto que, em 1988, surge o grupo musical “Adamastor”, inicialmente sob a forma de trio, sendo a sua formação posteriormente alargada até seis elementos. O grupo atua numa sonoridade rock conservadora e as suas músicas chegam ao conhecimento da editora Espacial, que lhes propõe a gravação de um disco (um LP, abreviatura do Inglês “Long Play”) que viria a ser lançado em 1992. Os anos seguintes confirmam os “Adamastor” como uma referência na música flaviense.

 

Verso LP.jpg

Em 2010, numa fase em que o grupo já tinha deixado de atuar, o seu guitarrista Alberto Paulo (mais conhecido por Beto) faleceu com apenas 39 anos, vítima de doença oncológica. Dois anos depois, em 2012, foi constituída a Associação Alberto Paulo – Adamastor, que tem como principal objetivo a angariação de fundos para apoiar doentes oncológicos no concelho de Chaves. Entre outras atividades, esta associação promove todos os anos, no verão, um espetáculo com a presença do grupo “Adamastor” e de outros grupos de música rock, cuja receita reverte para a Liga Portuguesa Contra o Cancro - uma iniciativa louvável que demonstra que a música também pode (e deve) servir para mobilizar pessoas e apoiar causas.

 

Muitos anos se passaram já, mas para aqueles que viveram a sua juventude em Chaves nos anos 80 e 90, o nome “Adamastor” será sempre relembrado como uma das melhores bandas flavienses.

 

Luís dos Anjos

 

 

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Terça-feira, 15 de Março de 2016

Vivências - Um dia, quando os meus filhos crescerem...

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Um dia, quando os meus filhos crescerem...

 

 

Se eu lhes conseguir explicar e eles quiserem entender…

 

Quero que saibam que noutros tempos, na infância dos seus pais, o mundo era um lugar muito diferente…

 

Quero que saibam que não ficávamos horas a fio em frente à televisão (ainda a preto e branco e só com 2 canais) ou agarrados a um viciante jogo de computador...

 

Quero que saibam que não tínhamos Playstation, nem MP3, nem Internet…

 

Quero que saibam que as palavras sms, e-mail, download, entre tantas outras, não faziam parte do nosso vocabulário porque não existiam, pura e simplesmente…

 

Quero que saibam que não havia telemóveis e que a maioria das casas nem sequer tinha telefone…

 

Quero que saibam que mesmo assim conseguíamos ser felizes, brincar e fazer as nossas tropelias…

 

Quero que saibam que tínhamos amigos com quem partilhávamos todos os momentos que podíamos e que íamos a casa deles, a pé ou de bicicleta, para ver se eles lá estavam…

 

Quero também que saibam viver cada momento presente, que saibam preparar o futuro e, acima de tudo, aprendam a lutar por ele...

 

Quero que saibam alegrar-se com os sucessos, mas sobretudo levantar-se e recomeçar após uma desilusão...

 

Quero que saibam entender e amar a vida com tudo o que ela tem de simples, de belo, mas também de cinzento e de luta…

 

Um dia, quando os meus filhos crescerem, se eu lhes conseguir explicar e eles quiserem entender, quero que saibam tudo isto e muito mais para mais tarde também eles o ensinarem aos seus filhos...

 

Luís dos Anjos

 

 

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Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2016

Vivências - O Tempo

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O tempo

“O tempo é aquilo que fica quando nada acontece”

 

Já não me recordo onde li esta citação, mas isso também não é relevante, pois o que interessa mesmo é a citação em si, e nada mais.

 

Os dias sempre tiveram vinte e quatro horas, mas nesta sociedade moderna em que vivemos elas parecem não chegar para tudo o que temos de fazer, pois andamos sempre a correr de um lado para o outro e sempre a queixar-nos que não temos tempo para nada. Mas, pensando de outra forma, bem vistas as coisas, o que muitas vezes nos sobra é precisamente tempo. Apesar de toda a agitação das nossas vidas, apesar de nos vermos envolvidos em variadíssimas atividades, quantas e quantas vezes chegamos a uma dada altura, olhamos para trás e parece-nos que não fizemos nada, que não construímos nada, que não temos nada para contar. Apenas temos o tempo que passou. Depois, olhamos para a frente, para o futuro, e também não vemos nada, nem sonhos, nem projetos, nem esperanças... Numa palavra, não vemos nada a não ser o tempo, atrás de nós e à nossa frente. Se temos esta sensação, então, é urgente mudar algo ou mudar tudo, porque na realidade não estamos a viver, apenas existimos, o que é bem diferente.

 

Porto, Estação de São Bento.JPG

 Fotografia de Luís dos Anjos

 

O tempo é um vazio que tem de ser preenchido! Para isso precisamos de um olhar atento e criador, precisamos de ser capazes de preencher cada minuto com sessenta segundos intensamente vividos, tornando cada dia que passa num dia especial, único e feliz. Só assim poderemos um dia olhar para trás e falar daquilo que fizemos - e não do tempo que passou.

 

Não vamos deixar que o tempo seja a única coisa que fica das nossas vidas!

 

Luís dos Anjos

 

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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2016

Vivências - Do telefax ao Skype

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Do telefax ao Skype

 

Chaves. Finais da década de 80. Estou numa visita de estudo às instalações dos CTT, no Largo das Freiras e, conjuntamente com os meus colegas de turma, assistimos entusiasmadíssimos a uma demonstração de funcionamento de um meio de comunicação revolucionário na época: o telefax, abreviadamente designado por fax, ou também chamado telecópia. O funcionário dos CTT pega numa folha branca e numa caneta e escreve uma pequena mensagem. De seguida, insere a folha num aparelho semelhante a um scanner, digita um número de telefone e a folha começa a desaparecer na parte superior do equipamento para logo aparecer um pouco mais abaixo, após ter sido “lida”. O destino da mensagem de demonstração foi a estação dos CTT de Vila Real, que passados uns quatro ou cinco minutos nos responde. O equipamento emite um sinal sonoro e, lentamente, uma folha com a mensagem de resposta começa a surgir aos olhos esbugalhados de todos. O telefax representa, explica-nos o funcionário, um grande avanço relativamente ao telex (um outro meio de comunicação da época e já existente há vários anos), pois permite a transmissão não só de texto, mas também de uma imagem, um documento ou uma fotografia.

 

Leiria. Setembro de 2014. Estou na minha hora de almoço a tomar um café no centro comercial. Na mesa ao lado, um homem de meia-idade termina o seu café, afasta um pouco a chávena para ganhar algum espaço na mesa e abre o seu notebook. De seguida, coloca um auricular no ouvido, ajusta o microfone e passados alguns instantes está em conversa online, com som e imagem em tempo real, com a filha (que tanto poderá estar em casa, como na biblioteca da faculdade, ou em qualquer outro local do outro lado do mundo…).

 

E pensar que há pouco mais de duas décadas atrás eu e os meus colegas ficámos estupefactos ao assistir a uma simples demonstração de envio e receção de um fax…

 

Luís dos Anjos

 

 

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Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2015

Vivências - O mundo está salvo!

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O mundo está salvo!

 

O mundo está perdido! Porquê? Porque no nosso dia a dia olhamos à nossa volta, vemos as notícias no jornal ou na televisão, apercebemo-nos de tantas situações que nos entristecem e até nos chocam... que a nossa conclusão só pode ser a de que o mundo está irremediavelmente perdido...

 

Mas um dia, num momento de pausa e inspiração, pegamos num livro e então descobrimos: Afinal, o mundo está salvo! Sim, está salvo enquanto houver escritores e poetas, enquanto houver leitores e sonhadores. Está salvo enquanto houver quem não dispense para as férias uma meia dúzia de livros de bolso e não se importe de os misturar na mochila com a toalha de praia e o protector solar. Está salvo enquanto houver quem teime em ler todos os dias uma página que seja antes de adormecer. Está salvo enquanto nos bancos da escola, na mais agitada metrópole ou na mais recôndita aldeia, perdida numa encosta da serra, se continuarem a sentar crianças de palmo e meio ansiosas por aprender a juntar as letras do alfabeto. Está salvo enquanto a escrita continuar a despertar consciências, a impedir a queda no comodismo e na resignação, a mudar mentalidades e a mobilizar pessoas.

 

Por isso mesmo, sem medos, com toda a força que vem não apenas do corpo, mas sobretudo do mais fundo da alma, venham de lá os escritores e os poetas, os já consagrados e aqueles que escrevem para a gaveta, os que criam histórias de centenas de páginas e aqueles que numa mesa de café, num pequeno guardanapo de papel, fazem versos para a pessoa amada, os que apontam novos caminhos para o futuro e aqueles que recordam com saudosismo factos passados. Venham todos! Hoje como sempre, só os escritores e os poetas nos podem fazer sonhar... e acreditar num mundo melhor.

 

Luís dos Anjos

 

 

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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015

Vivências - Eu ainda sou do tempo...

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Eu ainda sou do tempo…

 

Eu sou do tempo da televisão por cabo e do vídeo-on-demand, mas também sou do tempo em que em Chaves a RTP 2 ainda não chegava a todas as casas…

 

Eu sou do tempo dos telemóveis e dos smartphones, mas também sou do tempo dos telefones fixos com um disco com buracos numerados de 0 a 9 que se rodava para marcar o número de destino pretendido… e sou do tempo dos postos públicos nas aldeias, das cabines telefónicas de moedas e dos credifones…

 

Eu sou do tempo da Internet e dos downloads de tudo e mais alguma coisa, mas também sou do tempo dos computadores Amstrad com 512 KB de memória RAM e dois drives para disquetes de 5”1/4…

 

Eu sou do tempo das apresentações em Powerpoint, dos ficheiros pdf e das plataformas de E-Learning, mas também sou do tempo dos quadros de giz e das aulas dadas com acetatos sobre o retroprojetor que o professor tapava com uma folha branca que ia deslizando, ponto por ponto, à medida que avançava na explicação…

 

Eu sou do tempo das fotocópias a cores à velocidade de centenas de páginas por minuto, mas também sou do tempo dos duplicadores a álcool que funcionavam literalmente à manivela, com matrizes em papel stencil, e cujas cópias nos chegavam às mãos ainda a cheirar a álcool e com aquela característica cor azul clara…

 

Eu sou do tempo da A24 que nos leva a Viseu em pouco mais de uma hora e meia, mas também sou do tempo em que se demoravam três horas para fazer o mesmo trajeto, passando por todas as vilas e aldeias até lá…

 

Eu sou do tempo das Playstation’s e dos jogos online, mas também sou do tempo em que se brincava na rua, no jardim ou num qualquer descampado perto de casa…

 

Eu sou do tempo dos SMS’s, do Skype e do Facebook, mas também sou do tempo em que se escreviam cartas e postais para contactar com os amigos e familiares e em que qualquer encontro, reunião ou atividade se combinava facilmente com dezenas de pessoas e semanas de antecedência sem qualquer um destes meios…

 

Eu sou do tempo de tudo isto… Não é incrível como o mundo mudou tão depressa em tão poucos anos?

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:48
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2015

Vivências - Por montes e vales

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Por montes e vales

 

Domingo. Ainda não são 8h30 da manhã e já estamos na localidade de São Mamede, a meia dúzia de quilómetros do Santuário de Fátima, para participarmos no VII Trilho do Pastor. A localidade é pequena, mas o movimento nas ruas e cafés é grande e na praça em frente à Junta de Freguesia concentram-se já uma centena ou mais de atletas e caminheiros.

 

Sempre gostei de caminhar e sempre tive de caminhar. Primeiro, para a escola – uns trinta a quarenta minutos para ir de Santa Cruz até ao “Ciclo” e mais tarde até à “Técnica”. Depois, para ir para a cidade, à noite e aos fins de semana (devo ter feito centenas de vezes o percurso até às Caldas e respetivo regresso). Fiz também muitas caminhadas integradas nas atividades do grupo de jovens ao qual pertenci: São Caetano (sempre de noite), Lar Marista, em Soutelo, Santuário da Nossa Senhora da Aparecida, em Calvão… De todas elas guardo boas recordações, mas também uma ou outra menos agradável, como uma caminhada no dia 1 de maio de um ano que já não consigo precisar em que “rapei” um frio como nunca me lembro durante todo o dia (por culpa minha) no percurso Chaves – Soutelo – Calvão e regresso novamente até Chaves…

 

São agora 9h00 e já fizemos a nossa inscrição. A partida é daqui a meia hora. O percurso de 10 km inclui uma passagem pelo interior das Grutas da Moeda e pelo ecoparque sensorial da Pia do Urso.

 

É quase uma da tarde e voltamos a avistar o edifício da Junta de Freguesia, onde iniciamos a caminhada. Foram mais de 3 horas por caminhos de terra batida, carreiros e trilhos, subindo e descendo montes, atravessando aldeias e vales… A aplicação do meu smartphone diz-me que fizemos quase 13 km, e não 10, como estava anunciado… Em conversa com um elemento da organização reclamo, em jeito de brincadeira, que fomos enganados. Igualmente em jeito de brincadeira responde-me que saímos beneficiados, pois pagamos uma inscrição para 10 km e tivemos direito a 13… Cansaço, mas sempre boa disposição.

 

Segue-se o almoço para retemperar as forças: caldo verde, bifanas e fruta.

 

Uma grande caminhada!

 

Luís dos Anjos

 

 

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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2015

Vivências

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“Talvez porque a alma é grande e a vida pequena...”

 

Álvaro de Campos

(heterónimo de Fernando Pessoa)

 

Talvez nunca tenhamos pensado nisto. Afinal de contas, vivemos sempre tão atarefados que quase mal temos tempo para pensar. Mas quando paramos por um instante, olhamos a vida e pensamos em tudo o que gostaríamos de fazer, em todos os livros que gostaríamos de ler, em todas as páginas que gostaríamos de escrever, em todos os filmes que gostaríamos de ver, em todas as canções que gostaríamos de ouvir, em todos os locais que gostaríamos de visitar, em todas as alegrias e experiências que gostaríamos de partilhar, em todas as iguarias que gostaríamos de provar, em todas as coisas que gostaríamos de aprender, em todas os sonhos que gostaríamos de realizar, em todos os momentos que gostaríamos de eternizar... Quando pensamos em tudo isto, e em muito mais, chegamos à conclusão de que não somos mais do que um ponto de matéria, minúsculo e efémero, num universo infinito e intemporal, e a vida, seja ela breve ou longa, não nos dará tempo para fazer tudo o que nos vai na alma.

 

E que podemos nós fazer para contrariar esta inevitabilidade? Podemos agigantar-nos e, lá bem do alto da vida, empurrar para mais longe a linha do horizonte que nos limita o olhar. Podemos deitar mão dos sonhos, da imaginação, da força interior e de tudo o mais que pudermos… e libertar-nos. Podemos em cada manhã, quer ela nos traga um sol radioso ou nuvens escuras, encher o peito de ar e a alma de esperança e fazer de cada pequeno instante desse novo dia um grande momento… E assim, a alma continuará a ser grande e a vida pequena, mas será, sem dúvida, melhor vivida!

 

Luís dos Anjos

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:36
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Quinta-feira, 9 de Julho de 2015

Vivências - Estamos velhos

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Estamos velhos?

 

Um destes dias recebi no meu e-mail uma mensagem que tinha como assunto uma simples pergunta: “Estamos velhos?”. De imediato, apercebi-me tratar-se de mais um daqueles e-mails ao qual alguém achou piada e resolveu enviar para toda a sua lista de contactos - e eu por norma não perco sequer tempo a abrir este tipo de mensagens, pois nunca fui entusiasta desta prática (a minha utilização do e-mail é para efetivamente comunicar com as pessoas, saber como elas estão…). Este título, porém, despertou-me alguma curiosidade e lá acabei por fazer um duplo clique sobre a mensagem.

 

A seguir ao título “Estamos velhos?” o texto começava por dizer: “Os jovens que este ano vão entrar na Universidade têm 18 anos, nasceram em 1997…”. Continuei a ler e abstendo-me, obviamente, de aqui reproduzir o texto na íntegra, a ideia principal era a de que estes jovens não vivenciaram, nem têm muitas vezes sequer a noção de tantos acontecimentos que para nós, que somos de uma geração (apenas) um pouco mais velha, são parte da nossa memória.

 

Assim, esta geração que agora vai iniciar o seu percurso académico, e que daqui a 4 ou 5 anos estará a ingressar no mercado de trabalho, ainda não era nascida quando em 1985 cantávamos “We are the world, we are the children”, o célebre tema duma das maiores campanhas de recolha de verbas para o combate à fome em África; ou quando em 1986 aconteceu o grave acidente na central nuclear de Tchernobyl, na ex-URSS, e a explosão do vaivém Challenger, na sua descolagem para mais uma missão no espaço. Também não vibraram com a vitória da Rosa Mota na Maratona dos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, nem assistiram à queda do Muro de Berlim e à reunificação das duas Alemanhas, em 1989; e já mais recentemente, enquanto nós inaugurávamos a Expo 98, em Lisboa, ainda eles procuravam equilibrar-se para dar os primeiros passos…

 

Estamos velhos? Não, estamos simplesmente a envelhecer, o que, como já li algures em tempos, é a única maneira de conseguir viver mais tempo…

 

Luís dos Anjos

 

 

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Quinta-feira, 11 de Junho de 2015

Vivências - O Principezinho

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O Principezinho

 

Pode parecer estranho, admito, mas é a verdade: só aos 40 anos é que li “O Principezinho”. E, olhando para trás, não encontro nenhuma razão especial para não o ter lido mais cedo na minha vida. Como todos os adolescentes lembro-me de ouvir referências ao livro, quer fosse entre colegas ou pela voz de algum professor, assim como também ouvi falar de (e li) “Fernão Capelo Gaivota”, de Richard Bach, provavelmente os dois livros mais referidos nos anos da nossa adolescência.

 

“O Principezinho” é um livro perfeitamente intemporal, escrito numa linguagem de absoluta simplicidade, que nos conta a história de um menino que vivia num pequeno asteróide, com os seus vulcões em miniatura e uma linda rosa vermelha, e que um dia, curioso por saber o que poderia existir noutros locais, resolve viajar por outros planetas. Nas suas viagens o Principezinho conhece, então, um rei que acredita governar as estrelas, um homem vaidoso, que só deseja ser admirado, um bêbado, que bebe para esquecer, mas o que tenta esquecer é a vergonha de beber, um homem de negócios, que pensa ser tão rico que acredita ser dono das próprias estrelas, um pobre acendedor de candeeiros que deveria ser admirado pela sua própria loucura porque insiste numa tarefa impossível e um geógrafo que desenha mapas durante todo o dia, mas que nunca saiu do seu asteróide. Finalmente, visita a Terra onde avista uma cerca de roseiras, o que o surpreende, pois até então pensava que a sua rosa era única no universo.

 

E assim, pelos relatos do Principezinho, vamos aprendendo o significado de valores como o bom senso, a justiça ou a simplicidade. Aprendemos também que é importante saber cativar, ou seja, “criar laços”, “uma coisa de que toda a gente se esqueceu”, como nos diz a raposa. E, finalmente, talvez a lição mais importante de todas, aprendemos que “só se vê bem com o coração, o essencial é invisível para os olhos”.

 

Luís dos Anjos

 

 

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Quinta-feira, 14 de Maio de 2015

Vivências - Uma aldeias igual a tantas outras

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Uma aldeia igual a tantas outras

 

Verão de 2010. Últimos dias de férias, numa pequena aldeia da Beira Alta, no limite dos distritos de Viseu e da Guarda. Pego na máquina fotográfica, verifico as pilhas e saio para um pequeno passeio com o objetivo de tirar algumas fotografias.

 

Atravesso a Estrada Nacional 16 que passa pelo centro da aldeia, ainda com o piso em “paralelo”, e é-me difícil imaginar que noutros tempos esta era uma das principais vias rodoviárias do país, ligando a fronteira de Vilar Formoso a Aveiro, num trajeto esquecido que hoje quase ninguém percorre.

 

Por o sol ainda ir alto, ou talvez não, as ruas estão desertas, o que não me surpreende. Apenas se ouvem algumas vozes à passagem pelo café da aldeia. Provavelmente, uma meia dúzia de idosos entretidos num jogo de sueca. Os mais novos sonharam outras vidas e há muito que partiram em busca de melhores condições, uns nas cidades mais próximas, outros em Lisboa, outros no estrangeiro. Regressam agora, de tempos a tempos, para visitar um ou outro familiar, embora cada vez com menos frequência. Ficaram as casas, que não partem. Ficaram também os terrenos de cultivo e as vinhas, outrora sustento de famílias numerosas, votados agora ao abandono e por onde crescem silvas e giestas. Ficaram também o coreto, o chafariz, o tanque comunitário e a Capela.

Vila Cova de Tavares.jpg

 Fotografias de Luís dos Anjos

Continuo a minha caminhada e passo em frente à escola primária encerrada há já uma meia dúzia de anos. Um portão enferrujado, alguns vidros partidos e muitas ervas que invadiram o espaço do recreio e tapam quase por completo a porta de entrada. Noutros tempos, dizem-me, aqui aprendiam a ler, escrever e contar mais de meia centena de crianças. Hoje, as crianças em idade escolar são umas duas ou três em toda a aldeia, mais ou menos tantas quantos os casais jovens que ainda aqui vivem, e têm de se deslocar para uma aldeia a poucos quilómetros. É uma aldeia portuguesa do nosso tempo, uma como tantas outras por esse país fora, do Minho ao Algarve. Em comum, os sinais de um abandono crescente, silencioso e implacável… Todo um país que acaba…Até quando?

Luís dos Anjos

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:35
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