12 anos
Sábado, 13 de Maio de 2017

Aveleda, o mito dos três efes, o Papa, o Benfica e Salvador Sobral

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Não podia deixar de cumprir a promessa de trazer aqui mais uma das nossas aldeias, como acontece todos os sábados, e só o faço agora, no final da noite, por fortes razões que tem a ver com o ego, não o meu em particular, mas o meu ego de ser português HOJE, sem qualquer necessidade de fazer renascer o passado de há 500 anos, sem necessidade de recorrer ao Camões, sem necessidade de fantasmas e esperanças sebastianistas. Valemos apenas por aquilo que somos hoje e valemos muito, começa a ser tempo de acreditarmos em nós, na nossa língua, naquilo que é nosso e, que ninguém duvide que temos daquilo que é melhor, e hoje, Portugal em várias frentes, demonstrou-o, tanto, que se fosse eu quem mandasse, fazia deste dia, o 13 de maio, um dia de feriado nacional.

 

Sim, este dia 13 de maio já faz parte da história de Portugal, escrita com a pena do orgulho português em que faz renascer o mito dos três efes – Fátima, Futebol e Fado – mas ao contrário de areia para os olhos, como antigamente acontecia, hoje foi, é, por justa causa, com três efes merecidos porque conquistados por nós, com a grandeza da nossa humildade.

 

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Hoje o Papa Francisco esteve em Fátima para canonizar os seus dois pastorinhos Francisco e Jacinta, tornando cada vez mais oficial aquilo que já era oficial na fé de muitos, as aparições de Fátima, e mesmo que não se acredite, ninguém pode duvidar da fé de quem acredita, e este triplo efe de Francisco,  Fátima e Fé, cada vez mais reforçam o Santuário de Fátima como um Santuário de peregrinação mundial.

 

O segundo F, o do Futebol também se consagrou hoje com a vitória do campeonato pelo Benfica, reforçando assim o nome que o Benfica tem a nível nacional e internacional. Mas o segundo F do Futebol, hoje em dia marca ponto em todo o mundo e se outrora houve um Eusébio que se escrevia internacionalmente, hoje em dia temos um montão de jogadores de craveira internacional entre os melhores do mundo, além de termos mesmo o melhor do mundo que dá pelo nome de Cristiano Ronaldo, mas também nos treinadores que exportamos, Portugal está nos melhores do mundo, ou a julgar pelo número de portugueses com essa função, somos mesmo os melhores do mundo. Pelo menos, o F do Futebol cumpre-se aos sermos os atuais Campeões da Europa

 

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O terceiro F de Fado já recebeu a sua consagração como património imaterial da humanidade, porque é único, porque é nosso, porque se canta em português, mas no dia de hoje também ficou para a história com outro “fado”, o da música portuguesa, cantada em português por Salvador Sobral ao ficar em primeiro lugar no Festival da Eurovisão, sem qualquer margem de dúvidas, com a maioria destacada dos votos do Júri e do Público europeu. Portugal venceu o Festival da Eurovisão porque acreditou naquilo que era nosso, nas nossas palavras e poesia, nas nossas melodias e música e na nossa língua portuguesa.

 

Sem acreditar no destino, quis o destino que isto tudo acontecesse num único só dia e no mesmo dia 13 de maio, mas isto é apenas um pequeno exemplo da nossa grandeza, só há que acreditar e tal como acontece em Fátima, termos fé que conseguimos, que somos grandes e que em muita coisa temos aquilo que é melhor no mundo, principalmente naquilo que faz parte da nossa cultura e do sermos portugueses. O único problema, o nosso problema, é não acreditarmos naquilo que temos e pior que isso, desprezarmos aquilo que temos de melhor, de genuíno, aquilo que faz de nós portugueses e Portugal, que mais depressa embarca na fácil sedução dos interesses da globalização e da aculturação que nos interesses daquilo que é nosso e que faz de nós grandes com aquilo que nós somos, com a nossa cultura.

 

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Todo este discurso pode parecer desapropriado nesta rubrica dedicada às nossas aldeias, mas não o é, antes pelo contrário, pois as nossas aldeias, a vida das nossas aldeias, o espirito comunitário, saberes e sabores rurais, fazem parte da nossa cultura, da cultura rural portuguesa que está a morrer lentamente sem ninguém que lhe deite uma mão. A tudo continuar assim, com este desprezo pelo mundo rural, Portugal num futuro próximo vai arrepender-se, vai perder parte da sua cultura mais genuína, vai tornar-se igual a tantos iguais, vai tornar-se desinteressante, vamos deixar de sermos nós.

 

Ainda ontem fizemos mais uma incursão no Barroso, mais propriamente no Baixo Barroso para recolher imagens de mais algumas aldeias e abordámos uma que nos tinha dito estar completamente despovoada, e assim nos pareceu quando nela entrámos, mas no entretanto vimos uma figura humana que desde logo abordámos com  um  “ e pensávamos nós que já não havia aqui ninguém” e a resposta foi num “mau” português de quem não é de cá, como de facto assim era, um casal de holandeses com um filho ainda criança, há quatro anos encantou-se pela aldeia e por lá ficou a criar cavalos e a receber pequenos grupos de holandeses para passarem lá uns dias, tendo como mais valia uma paisagem incrível, um clima generoso e uma albufeira por perto. Talvez esta seja uma solução para as nossas aldeias mais típicas, uma má solução por sinal. Certo que talvez contribuam para o não despovoamento dessa aldeia, inclusive até são respeitadores pela tipicidade da aldeia, adaptando-se e valorizando as condições existentes sem as alterarem e até lhes temos de estar reconhecidos e agradecidos por fazerem daquela aldeia a sua nova terra, nova casa, novo lar, mas é a cultura deles que trazem com eles e a nossa, morreu, com o último habitante que lá nasceu e a abandonou.

 

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Hoje fala-se muito em empreendedorismo como uma solução do nosso Portugal. Claro que este empreendedorismo também se aponta como solução para o interior de Portugal e para as nossas aldeias, e verdade se diga, pessoalmente também concordo, mas empreendedorismo sim, com respeito por aquilo que existe, respeito pela cultural dos lugares, respeito pelos saberes, sabores e tradições desses lugares,  e não o dito empreendedorismo que se está a tentar fomentar e a implementar por aí, falseando a nossa cultura dando-lhe um rótulo de origem genuína por ser feito por gente da terra – Pura mentira e falseamento daquilo que era genuíno. Tomemos como exemplo a maioria do fumeiro que hoje se faz por aí,  em cozinhas certificadas,  e inunda as nossas feiras do fumeiro, com fumeiro certificado, onde até se vão cumprindo as formas artesanais de o fazer, já nem tanto o de o curar, com as ditas cozinhas a funcionar nas nossas aldeias e gente da aldeia a fazer o fumeiro. Tudo igual ao de antigamente à exceção do reco que é feito em “estufa” à base de ração e outras coisas mais que se calha nem sequer imaginamos, sem as coisinhas boas da horta e o carinho dos tratadores. No produto final, lá temos a chouriça igualmente fumada e até o presunto que igualmente passou pela salgadeira e foi curado pelos processos tradicionais, com bom aspeto e o mesmo cheiro a fumo, mas que não enganam que andou muitos anos a comer fumeiro e presuntos genuínos de recos mesmo recos criados na corte lá de casa.

 

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Se respeitarmos os nossos saberes, sabores, tradições e cultura, seremos grandes e vencedores como o fomos hoje em três frentes nos três efes, caso contrário não passaremos de medíocres e aldrabões que mais não fazemos que contribuir para a nossa aniquilação e a aniquilação daquilo que é bom e faz a nossa grandeza. Por vezes vale a pena acreditar em impossíveis, tal como aconteceu hoje com o Salvador Sobral, pois toda a gente dizia por aí que a nossa canção era linda mas não era festivaleira  para um festival como o da Eurovisão, e ganhou-o.

 

E termino com a última quadra do poema infante de Fernando Pessoa:

 

Quem te sagrou criou-te português,
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal.

 

Pois cumpra-se Portugal com aquilo que temos, com aquilo que é verdadeiramente nosso!

 

E viva o 13 de maio de 2017 e viva PORTUGAL!

 

E com esta me vou, se calha sem tempo para amanhã trazer aqui uma aldeia do Barroso, mas veremos aquilo que se pode arranjar.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:59
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1 comentário:
De Luís Henrique Fernandes a 14 de Maio de 2017 às 14:43
“O Blogue de CHAVES
e
o escudo de Aquiles”


As fotos e as palavras do Blogue “CHAVES” têm o condão de fazerem certeira pontaria para a estructura subcortical situada na parte interna do meu lóbulo temporal medial atingindo-a com protões, electrões e partículas αlfa, provocando-me, nas cavidades interiores do «toutiço», borbulhas efervescentes de imaginação, de sonhos e de emoções.
E de saudades!
Como se sabe, sou «perdido» pelas crónicas, pelos retratos (escritos, falados, cantados, ENQUADRADOS) e pela poesia de qualquer Lugar da NOSSA TERRA.
Convenço-me que já se me esgotaram as palavras para falar da NOSSA TERRA, mas, de repente, elas brotam na minha cabeça, e a caneta ou o teclado começam a dispará-las para o papel ou o «word».
Deixem-nos explicar o «NOSSA TERRA»: - Trás-os-Montes é um «Reino Maravilhoso»; com Territórios cheiinhos de História; com Regiões férteis de saborosos frutos da terra; com montes e vales, rios, ribeiros, caminhos e cruzeiros, hortas, quintais e cortinhas a combinarem-se com as loucuras dos céus disfarçadas em trovoadas, ventanias, geadas, nevadas, calores estivais, lugares de encanto.
A enxada, a rabiça do arado, a seitoura ou o podão; o cântaro cheio na fonte, o descascar das batatas, o pote ao lume, o dar de comer aos bichos, cuidar da roupa, cuidar dos filhos, levantar o muro, redrar a vinha, semear e segar, levar o gado ao monte ou a beber, e “botar” um copo numa qualquer adega, acompanhado com uma rodela de linguiça pousada numa fatia de pão centeio, cortada por uma navalha enquanto se combina com o amigo «dar uma mão» a qualquer afazer naquela cortinha ou quintal - tudo isso a preencher a vida de tanta gente que cuida da Natureza e de tanta outra gente, em canseiras, em sonhos, em consolos em segredo, em alegrias públicas, em lágrimas escondidas e enxutas na aba dos aventais ou na manga do casaco ou da camisa.
Foi assim, é assim, que ao longo do tempo se edificam as “maneiras de ser” (da maior parte) dos Transmontanos.
Nas Escolas, nos locais de trabalho; em qualquer estranja ou «Terras do Fim do Mundo”, dá-se logo conta do ser Transmontano.
Para além do celebrado «Entre, quem é!», d’“a maneira de se estender uma tijela de caldo a um pobre à largueza de abraçar um amigo” se vê a «perfeição interior» do Transmontano.
Ignorantes e imbecis, burgessos burgueses feitos à pressa, troca-tintas e ingratos, apanhados nas cidadelas das mordomias e das falcatruas políticoneiras, olham para as NOSSAS ALDEIAS como “poneyzinhos-de-Tróia” a dar de frente com o escudo de Aquiles: os quadros das NOSSSAS ALDEIAS que aqui, neste BLOGUE, são pintados, são ainda mais deslumbrantes e, para eles, assustadoras do que as cores das armas do escudo do herói grego!
Aqui, neste BLOGUE, cada dia é dia de Primavera: os seus Post(ai)s são luminosamente ilustrados com as fotos do “NANDO” e as palavras dos seus autores. E a sombra de tristeza que eventualmente lhes toca, caída dos textos deste autor, servir-lhes-á ainda para fazer sobressair o brilho e o encanto que oferecem aos visitantes
Este BLOGUE “CHAVES” é o mês de Maio da NOSSA CIDADE, da NOSSA TERRA!

M., catorze de Maio de 2017
Luís da Granginha


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