Sábado, 16 de Agosto de 2014

Eiras - Chaves - Portugal

 

Vamos lá até à nossa ruralidade, mesmo aqui ao lado, tanto que parte desta ruralidade ainda é veiga de Chaves para outra tanta de montanha e conforme para o lado em que estivermos virados, ora vemos a cidade de Chaves ora vemos montanha. Falo-vos das Eiras.

 

 

Eiras que ainda faziam parte do meu território e do meu imaginário de criança, principalmente de quando partia nas minhas grandes aventuras de descoberta a bicicletar  todos esses caminhos que me separavam da montanha.

 

 

 

Desde sempre recordo das Eiras a curiosa capela guardada numa quinta, hoje com outras funções, mas nem por isso deixa de ser interessante, pelo menos ao meu olhar. Mas ir por lá é mesmo regressar ao lugares do berço, ao caminhos ainda de terra batida que nos levam às aventuras do monte, ao verde dos campos e das hortas que ainda vão existindo, ao animais do trabalho doméstico.

 

 

Aqui ou ali,  objetos esquecidos que na infância eram tão comuns, antes da era do plastificar tudo e que, alguns, apreciava o requinte e arte dos acabamentos, como o esmalte dos metais, das bacias, dos jarros, das canecas. Sobretudo as pinturas ganhavam um realce macio, frio mas macio, porque dava sempre vontade de deslizar ou acariciar com as mãos as pinturas, mas sobretudo era a curiosidade de querer saber como o esmalte era feito.

 

 

Mas para se descobrir e sentir as Eiras não basta passar pela sua rua  principal ou tomar as suas poucas derivações. Há que entrar na sua alma, isto é, nas suas quintas e quintais, na montanha, naquilo que não está ao alcance de quem simplesmente passa. Só entrando na sua alma é que conseguimos descobrir os seus tesouros, por muito esquecidos ou até perdidos que estejam, eles continuam lá, alguns de pura arte como as figuras e frescos da tal capela abandonada, mas que um dia, talvez ainda possam voltar a ter a dignidade que merecem.

 

 

O caso desta capela, embora privada, merecia ser do interesse público, da freguesia, do concelho. Todos ficariam a ganhar com a sua recuperação.

 

 

E pouco mais há a dizer, pois uma coisa são palavras, outra são imagens e outra é a realidade de se viverem os locais no próprio local, pois por muito certeiras que as palavras sejam, por muito que as imagens mostrem, continuam a faltar os cheiros e fragâncias, os sons, as brisas a bater nas faces.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:25
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