Domingo, 8 de Maio de 2016

O Barroso aqui tão perto... Padroso

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Continuando as nossas voltas pelo Barroso aqui tão perto, vamos continuar pelas aldeias da raia seca com a Galiza e das imediações da Serra do Larouco, ainda antes de entrarmos ou passarmos Montalegre para ou outro lado, ou seja, continuamos pelo Alto Barroso, hoje de visita a Padroso.

 

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Nos anos setenta do século passado ia com frequência a Montalegre, mais em tempo de férias escolares, onde de verão passava por lá uns dias em casa de familiares. Já então aproveitava, sempre que surgia a oportunidade, para ir pelas aldeias do concelho de Montalegre. Conheci algumas mas como então, hoje pena minha,  ainda não utilizava o registo da fotografia para memória futura, pouco retenho das aldeias de então, a não ser um fim de Tarde em Tourém em que assisti pela primeira vez à chegada de uma vezeira. Esse foi um momento inesquecível.

 

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Mas nesses anos, tal como disse, conheci algumas aldeias, que no geral do que ainda recordo delas, eram mais ou menos idênticas, ainda com algumas casas cobertas de colmo, muitas pessoas e animais na rua. Mas não recordo de então ter ido a Padroso, embora tivesse ido a Sendim, um pouco mais além. É o problema, sé é que é um problema, das aldeias não ficarem junto às estradas principais, onde sempre se vai deitando um olho sobre elas.

 

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Assim, no passado mês de abril, andando por aquelas bandas, resolvemos ir a Padroso pela primeira vez, embora ao me cruzar com o Rio Cávado recordar que afinal aquele troço de rio e o moinho não me eram estranhos, e não eram, mas também nos tais anos setenta em que fui por ali, não passei do Cávado nem do moinho.  

 

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Pois em abril entrámos pela primeira vez na aldeia, já passavam das cinco da tarde e a luz do dia não era lá grande coisa para a fotografia.  Aliás quando entramos pela primeira vez numa aldeia entramos sempre às escuras, mas aqui a luz é outra, pois entramos às escuras porque estamos a entrar no desconhecido, mas as luzes vão-se acendendo quando começamos a entrar nas suas ruas e a trocar dois dedos de conversa com os seus habitantes.

 

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Se a entrada em Padroso não desperta para nós muito interesse, pois é a parte nova da aldeia, o início da primeira rua mais antiga idem aspas, pois somos recebido pelo casario abandonado, algum em ruinas, e uma ou duas intervenções mais recentes que quebram a harmonia do casario tradicional, mas isto é no início da rua, pois conforme vamos avançando para o núcleo da aldeia, em torno da capela e do forno do povo, aí as coisas começam a melhorar no que ao casario típico e tradicional diz respeito, mas também à vida da aldeia, pouca, é certo, mas agradável nos curtos contactos que tivemos.

 

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Claro que os lamentos dos poucos residentes, aqui também resistentes,  é o do costume nas aldeias do interior em geral, aqui acrescido pelo facto de ser uma aldeia da raia, onde a abertura das fronteiras retirou alguma importância a estas aldeias, mas também pelo rigor dos invernos onde a neve é visita frequente. Neve que nós apreciamos tanto mas que tolhe os movimentos a quem é obrigado a conviver com ela.

 

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E como de costume vamos ver o que a página oficial do município diz sobre a aldeia, que aliás, com a última restruturação das freguesias, passou a fzer parte da União de freguesias de Montalegre e Padroso:

“Como todas as freguesias da raia seca também Padroso sofreu as agruras das agressões castelhanas e gozou com os benefícios ocasionais do contrabando. Foi uma das honras de Barroso. Mas Padroso tem outras glórias para passar à posteridade. Desde logo o ter sido lugar propício para a emigração clandestina – actos heróicos que salvaram da fome e da morte muitas famílias pobres do norte. E justo é recordar agora o Padre Domingos de Donões que foi vilipendiado e condenado ao ostracismo, perdendo o sacerdócio e o seu estatuto social, apenas por ter espírito cristão, caritativo e solidário. Quantos dos que o acusaram, foram mil vezes piores que ele! Padroso e um tal Júlio, cabo da Guarda Fiscal aí colocado, foram o sítio azado e a mão da justiça para “armar o laço” a um prepotente oficial que a agitação social, saída da “monarquia do Norte”, designara administrador do concelho de Montalegre. Este, tenente do exército, dos lados de Viseu, chamado Aurélio Cruz, trazia o povo aterrorizado, com ameaças, perseguições e multas incompreensíveis, com sovas e até com dias de prisão! Certo dia, ao ouvido do Dr. Custódio Moura, o tenente revelou intenção de oferecer à sua criada um xaile de veludo galego. Foi quanto bastou para o apanharem na esparrela. Como o cabo de Padroso lhe levantasse um auto de notícia, ao apanhá-lo em flagrante com o xaile de contrabando, o governo de então decidiu exonerá-lo, por indecente e má figura, despachando-o para setenta léguas de distância.”  

 

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E por Padroso é tudo. Em resumo, saímos de lá agradados, principalmente com o seu núcleo mais antigo que se desenvolve à volta da capela e do forno do povo.

 

Como  de costume ficam os sítios da net consultados para recolha de informação:   

http://www.cm-montalegre.pt/

 

Anteriores abordagens deste blog a aldeias ou temas do Barroso:

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:34
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