Domingo, 17 de Julho de 2016

O Barroso aqui tão perto... São Pedro

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montalegre (549)

 

Hoje vamos até mais uma aldeia do Barroso, aqui tão perto, que os palulas presumem conhecer mas conhecem tão mal. Mas ainda antes de irmos por aí, fiquemo-nos nos palulas.

 

Como todos sabem, nós por cá, temos alguns regionalismos, alguns utilizados um pouco por toda a região de Trás-os-Montes, outros mais nas terras da raia galega e outros que são mesmo locais. Por cá, vão fazendo parte da nossa linguagem falada e muitas das vezes só nos apercebemos ser nossa, quando fora de portas utilizamos esse termo e nos perguntam o significado, isto,  quando não somos gozados por utilizá-los. Zerbada, carabunha, grabanços ou erbanços, giga. Um desses termos que oiço frequentemente desde miúdo é o palula. Pensava eu que era por cá ( em terras flavienses) que o ouvia amiúde, mas afinal onde o ouvia frequentemente era em Montalegre, quando se referiam aos flavienses, em jeito de troça.

 

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Pois não sei quando começou esta coisa de os de Montalegre chamarem palulas aos flavienses, mas quis saber o que verdadeiramente significava o termo que em Portugal. Procurei em tudo quanto era sítio, dicionários antigos e recentes, na internet, mas em português falante, o termo não existe, erradamente, pois deveria existir. Na realidade o Palula  é uma linguagem Dardic  (línguas dárdicas) falado por cerca de 10.000 pessoas nos vales do Ashret e Biori , bem como na aldeia Puri (também Purigal ) no vale Shishi  e por uma parte da população na aldeia Kalkatak , no distrito de Chitral da província de Khyber Pakhtunkhwa no Paquistão. Internacionalmente falando, segundo o Ethnologue – Languages of de Word, o Palula é uma língua Indo-Iraniana que pertence às línguas Indo-Europeias. Vai daí, que quem nos batizou de palulas pela certa era erudito. Mas não só, pois Palula é ainda um topónimo de uma cidade do México, de outra no Norte da India, de uma região no Malawi e ainda de uma localidade de uma ilha lá bem no meio do oceano pacífico. Mas isto são línguas e topónimos, mas os de Montalegre utilizam-no com outra intenção, e se a conheço bem, eu próprio além de enfiar a carapuça por ser flaviense, tenho mesmo andado a fazer de palula em terras do Barroso. A explicação vem a seguir.

 

1600-s-pedro (16)

 

Voltemos então ao início deste post aquando ia dizendo “Hoje vamos até mais uma aldeia do Barroso, aqui tão perto, que os palulas presumem conhecer mas conhecem tão mal.” E é uma realidade, pois a ideia que temos de um Barroso frio e agreste fica desmontada quando começamos a entrar noutros barrosos bem diferentes. Mesmo aqueles que dividem o Barroso em duas partes, em Alto-Barroso e Baixo-Barroso, em suma no Barroso agreste e no Barroso verde,  terão de rever essa divisão, pois agora que o começo a descobrir passo-a-passo, como quem diz aldeia-a-aldeia ou lugar-a-lugar, já levo contados pelo menos cinco Barrosos a caminho dos seis, isto no que respeita ao Barroso de Montalegre, pois falta ainda o de Boticas e o de Chaves.

 

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Embora essas áreas atrás mencionadas já estejam bem definidas no meu mapa do Barroso de Montalegre, falta-me ainda penetrar, no possível, naquela que eu penso ser o tal sexto Barroso, e ainda passar mais detalhadamente por algumas aldeias.

 

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Bem, mas vamos lá a nossa aldeia de hoje, cujo topónimo é São Pedro, localizada entre a Serra do Barroso e a Serra do Geres e entre o Rio Rabagão e o Rio Cávado, mais próxima deste último,  e entre as principais albufeiras barrosas que os rios atrás citados alimentam. Fica então localizada entre duas das mais altas serras portugueses, o que à primeira vista ou impressão poderíamos crer que se encontra num vale, mas não, também São Pedro está na croa de uma montanha ou serra da qual não sei o nome, e igualmente lá no alto com toda a aldeia implantada a mil metros de altitude (mais metro, menos metro).

 

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Mesmo assim, lá nas alturas, as suas terras vestem-se de verde e o seu casario, maioritariamente de granito. Nitidamente são terras de transição entre o Alto Barroso e os outros Barrosos que mais tarde explicarei.

 

1600-s-pedro (18)

 

Documentação sobre a aldeia, se a há, não a encontrei, pelo menos nos sítios do costume, ou seja na página oficial do Município de Montalegre e na monografia também de Montalegre, no entanto as imagens que deixo, embora poucas, dão para termos uma ideia da aldeia. Não é grande nem pequena, pela certa é à medida das necessidades dos seus habitantes que, como a maioria das aldeias do interior, sofre do habitual despovoamento e envelhecimento da população, Quanto ao casario, é também o tradicional na maioria das aldeias, com o seu casario de sempre em granito, algumas intervenções mais recentes com construção localizada no último quartel do século passado e sem casario nobre, ou seja, solares e coisas parecidas. Dada a topografia do terreno, onde é possível alguma agricultura, o mais provável é que a aldeia se tenha dedicado mais à pastorícia, pelo menos nos tempos atuais onde a água, em abundância como em todo o Barroso, mantém os campos verdes de pastagens.

 

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E é tudo por hoje, neste Barroso aqui tão perto. No próximo domingo cá estaremos de novo com outra aldeia barrosã do concelho de Montalegre. Hoje só falta mesmo referir as anteriores abordagens deste blog a aldeias ou temas do Barroso:

 

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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6 comentários:
De Luís Henrique Fernandes a 20 de Julho de 2016 às 12:21

“Ó DIABO!”


Ó diabo!

Jamais, em tempo algum, fosse por que fosse, pensei que o meu comentário «… Do Rio» causasse uma impressão ao autor do Blogue!

Dirigi-me única e exclusivamente aos “BARROSÕES – visitantes – leitores”, em amistosa provocação, para ver se deixam alguma das suas impressões (e vaidedezinhas) aqui, na Caixa de Comentários.

Sinto-me é desiludido com Paul Ricoeur e a sua “Teoria da Interpretação”.

Este meu «compadre» ensinou-me que “o significado do locutor - no tríplice sentido da auto-referência da frase, da dimensão ilocucionária do acto linguístico e da intenção de reconhecimento pelo ouvinte (leitor) é o lado «subjectivo» da significação”.

Este meu amigo Paul também me disse que «compreender um texto é apenas um caso particular da situação «dialógica» em que alguém responde a mais alguém».

Da intenção co que escrevi o comentário saiu, escapou-se, uma referência situacional «traiçoeira».

Nada tenho a corrigir ao distinto autor do Blogue.
Com ele, só tenho a aprender.

Arrependido do meu erro de comunicação e da boa-fé que tive na interpretação que acudiria ao meu comentário, deixo o meu agradecimento ao comentário do meu dilecto amigo e a concordância com as particularidades linguísticas.

A riqueza da NOSSA TERRA está muito pouco conhecida (e apreciada), mesmo pelos nossos conterrâneos.

“Um texto torna-se a mediação necessária entre o escritor e o leitor”.
Ao escrever o «…Do Rio” não me passou pela tola que devia incluir o autor do “S. PEDRO” no conjunto de (eventuais) ““BARROSÕES – visitantes – leitores”.

Não uso da intenção ou proveito de quem se serve de «INTENSÃO» para dar lustro à sua mediocridade e insignificância.
Jamais imito os rasteirinhos que tanto gostam de pôr-se em bicos de pés!
A ilusão de que esse exercício faz deles um «Conde d’Orsini”, ou um “Adamastor”, dá-lhes coragem para que a sua ignorância e ruindade tenham um pinguito de atrevimento.
Vazios de conhecimento artístico ou científico, e de dimensão moral, aproveitam qualquer insignificância, qualquer perdoada confusão de espírito, quaisquer lapsos de escrita ou de memória involuntários para se darem, eles, ares de uma importância que não têm, nunca tiveram nem terão!

Do cantinho da minha modéstia saio algumas vezes porque a estima que me é concedida mo concede e me convida.


A amizade consente estes, e outros meus disparates.

Peço desculpa.


M., vinte de Julho de 2016
Luís Henrique Fernandes



De Fer.Ribeiro a 20 de Julho de 2016 às 17:59
Meu caro Luís Fernandes, eu é que peço desculpas por ter aproveitado a oportunidade do seu comentário, para disfarçado de resposta ao mesmo, dizer umas coisas que deveria dizer num post. Entenda o meu comentário antes como um complemento àquilo que diz no seu comentário, pois não havia outra intenção. Abraço.


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