Sábado, 29 de Agosto de 2015

Ocasionais - Ele há cada um!

ocasionais

 

”Ele há cada um!”

 

“Há dias alguém me dizia que

Chaves tinha de se afirmar

como um concelho urbano que é”.

F.R.

 

Eu, que sou tão avesso ao uso de estrangeirismos baratos quanto pedantes, respondo a esse idiota petulante que lhe afirmou tal disparate com a expressão cunhada por um «artista de circo»:

 

"There's a sucker born every minute".

 

Hoje, ser Flaviense é viver com mágoa.

 

O lamento que melhor a esconde ou disfarça é aquele que se escuta a toda a hora e momento a chorar a traição e o crime feitos às “Freiras”!

 

O Jardim das Freiras era a coroa de glória de uma Cidade, de um Concelho e de uma Região que vivia com alegria, estava em desenvolvimento.

 

A pujança da Cidade aí se manifestava na exuberância das brincadeiras dos estudantes, no movimento apaladado do “Aurora”, humorístico do Lopes, «construtor» do “Xavier”, financeiro da “Caixa” e de mensagens e segredos dos Correios.

 

E as Ruas e os Largos da cidade estavam sempre cheios de gente!

 

E havia cinema, Verbenas, música no Jardim do Tabulado … e a Srª das Brotas!

 

CHAVES era o celeiro e o alpendre de toda a Região.

 

No centro da cidade tirava-se o retrato, compravam-se as sementes e os adubos; as albardas, as sogas e as campainhas para o gado; o Mercado, amparado pela muralha da Rua do Olival, era um dos campos de batalhas floridas das donas de casa … e de algumas maroteiras de estudantes mais espevitados.

 

Na Lapa, naquela terra batida e pedregosa, germinavam futuros «pontas de lança», «defesas» e defensor do Desportivo!

 

Nos Bombeiros aprendia-se a apagar incêndios nas carvalheiras, nos restolhos e nos pinhais, e aprendia-se a incendiar o olhar e os corações.

 

No Arrabalde, bastava um único sinaleiro para que o trânsito na cidade fosse seguro.

 

Na Madalena havia o Posto da “PVT” -   e chegava para não se pisar a linha, fazer pisca à direita e à esquerda; havia o da Guarda Fiscal, que mal chegava para assustar os contrabandistas; havia a Feira dos Recos, que dava garantia ao «Presunto de Chaves»; e havia a “Casa Azul”, ponto de partida para a recta da fronteira, da subida da Montanha, e cruzamento de afectos, sonhos e paixões.

 

Pela recta de Outeiro Juzão chegavam as nozes e o «branco» de Vidago … e as «trovoadas de “Stª Barbѽra”.

 

No rio lavava-se roupa, tomava-se banho, pescavam-se bogas, barbos, escalos, enguias …e trutas!

 

Nele havia fartura de lontras e de galinhas-d’água.

 

O Liceu aumentou os “Ciclos”; a Escola Comercial e Industrial, as instalações.

 

Surgiu a Escola Normal.

 

Construiu-se um Hospital Moderno.

 

No Campo da Roda pousavam avionetas.

 

As Telhas e as caçoulas de Barro, de NANTES, eram famosas e procuradas.

 

A Veiga dava os melhores melões do mundo.

 

Faiões tinha enchentes de tordos e um delicioso «Trigo de quatro cantos»!

 

Em Valdanta sobravam caçadores.

 

Os «Pimentos do Cambedo» faziam um lindo par com «Os de Lebução»!

 

As «bicas de manteiga» chegavam das terras altas do Barroso.

 

As «Águas de Salus e de Vidago” davam fama e traziam gente.

 

Jogava-se «à macaca», ao «eixo-baleixo», à «bisca dos nove» ou «à delambida», à «sueca» ou ao «xincalhão», ao «fito» ou ao «sapo»; saltava-se «à corda» ou fazia-se «rappel» no Forte S. Francisco, e jogava-se futebol na Lapa!

 

“ ‘Stouque” em terra alguma o comboio tinha tanto significado e tanta ligação com as gentes como em Chaves!

 

Vi-o sempre cheiinho de pessoas e carregadinho de saudades!

 

Nele transportei muitas vezes, na ida e na vinda, cestinhas de lembranças.

 

O seu apito marcava horas com importância.

 

E até nos dava oportunidade para lhe concedermos a ele, porque ele nos concedia a nós, uma consideração maior distinguindo-o ora como «comboio-correio ora como comboio-batateiro!

 

Mais tarde, quando a Rádio propagou o “Angola é Nossa”, além da batata, do correio, e da Saudade passou a transportar a angústia.

 

Até ele serviu para decorar o abastecimento de carqueja e carvão à cidade, com o gracioso e histórico «comboio de Seara Velha»!

 

Por mais alcatrão que lhe espalhem, por mais pórticos e portagens com que a enfeitem, por mais cimento armado que lhe atirem, por mais pantominas festivaleiras que nela realizem, CHAVES jamais deixara de ser um concelho rural, “O CONCELHO RURAL QUE É” - e com muita honra!

 

O decaimento de Serviços e de população, dia a dia mais notório em Chaves, como pode inspirar tal disparate a esse idiota?!

 

Foi por ter subido ao cimo do mamarracho que tira as vistas à Torre de Menagem?!

 

Ou será por estar convencido de que ele e os seus pares, «lalões, «lalõezinhos» e «poneyzinhos de Tróia» já conseguiram infectar todos os Flavienses com a sua mentalidade enviesada, impostora, ridícula e idiota?!

 

CHAVES tem, mesmo dentro de portas, mais cortinhas, quintais e hortas que Serviços, comércios e indústrias.

 

Nem de uma estrutura turística mínima e decente dispõe!

 

E embora a cabeça dos seus mais proeminentes, luzidios e exibicionistas iluminados não crie piolhos tem lá dentro tanta porcaria e imundície que até transvasa para o Ribelas e o Tâmega, tal qual mostram as imagens que frequentemente são divulgadas, para nojo, vergonha e desgosto dos verdadeiros Flavienses.

 

CHAVES está uma cidade e um CONCELHO RURAL entregue ao deus-dará.

 

Enquanto não excomungarem o padre falso e os seus diáconos; enquanto não fizerem uma «cabidela de pavão» e com ela envenenarem os «lalões», «lalõezinhos», «pavões», pavõezinhos», «pa(ᴚ)vinhos» e «poneyzinhos de Tróia» desse seu «jardim zoológico politicastra e politiconeiro», os Flavienses autênticos e «retintos» não vão a lado nenhum!

 

Um CONCELHO da BATATA, da COUVE, do AZEITE, da “PINGA”, das “CALDAS”, dos “PASTÈIS”, do “FOLAR”, das PAVIAS, do “CALDO de CHÍCHARROS”, da «MATANÇA DO RECO», da “FEIRA dos SANTOS”, do “S. CAETANO, da “Srª da SAÚDE” e da «falecida» Srª das BROTAS, como diabo pode ser um “concelhito urbano»?!

 

CHAVES é, mas é, e TEM de SER, um IMPORTANTE CONCELHO RURAL!

 

“Urbano”?!

“Bem m’ou finto”!!!

 

M., 23 de Agosto de 2015

Luís Henrique Fernandes, flaviense

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:37
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
3 comentários:
De AL a 30 de Agosto de 2015 às 11:20
A obsessão que o autor destas linhas mantém com quem nos (des )governa, já chateia pá ! A conversa é sempre a mesma pá ! Ó homem, se gosta tanto da terrinha e por ela quer lutar, para que se pôs a andar ? Venha para cá , passe cá o ano inteiro e depois vai ver como é "doce" viver aqui num "concelho rural". Quem está fora bem canta mas tê-los no sítio ou a obrigação de cá viver é outra conversa. Coragem homem, e volte à terrinha e mostre aquilo que vale (se é que vale alguma coisa).
Abraços cá da terrinha,
António Luís Sobreira


De Luís Henrique Fernandes a 30 de Agosto de 2015 às 20:18
Agradecimento


Agradeço ao comentador “António Luís Sobreira” a atenção que dispensou à leitura do meu texto “Ele há cada um” e ao comentário que este lhe mereceu.
Pelas exclamações iniciais, concluo que tem sido leitor dos meus escritos editados no Blogue “CHAVES”, e, provavelmente em outros.
Por isso merece que lhe retribua e agradeça a atenção.
Do seu comentário, para além da «azia» que manifesta, nada de concreto, nem mesmo de teórico, consigo aproveitar.
Nem o conteúdo nem a estrutura do texto comentou.
Tenho pena que a leitura apenas lhe tenha provocado uma cuspidela de espuminha raivosa.
Foi da pressa com que o leu, aceito.
Também lamento não ter os seus dotes (se me der um exemplo de um só que seja, agradeço) de combatente e resistente nesse «doce concelho rural».
Como o distinto comentador “António Luís Sobreira” se manifesta militante da “cultura –deolinda”, resta-me reiterar o agradecimento pela atenção que me dispensou e confiar numa leitura mais serena daquilo que hoje, e noutras oportunidades, escrevi, e manifestar-lhe a minha solidariedade por viver num «concelho rural».


Saudações flavienses
M., 30 de agosto de 2015
Luís Henrique Fernandes



De LAL a 2 de Setembro de 2015 às 00:09
“Os cães ladram e a caravana passa” … Coro Luis Henrique Fernandes deixe-os ladrar. Tal como disse uma vez Jô Soares – “ As pessoas estão tão acostumadas a ouvir mentiras, que a sinceridade demais choca e faz com que voçe parece arrogante” . Eu, flaviense residente por opção dou-lhe os parabéns pelo discernimento dos seus textos. Continue a deliciar-nos com os seus apontamentos e deixe-os ladrar à passagem das caravanas…ou à lua.
Luis António Loivos


Comentar post

.Fotos Fer.Ribeiro - Flickr

frproart's most interesting photos on Flickriver

.meu mail: blogchavesolhares@gmail.com

.Novembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9


21
22
23
24
25

26
27
28
29
30


.pesquisar

 
ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

 

 

El Tiempo en Chaves

.Facebook

Fernando Ribeiro

Cria o teu cartão de visita Instagram

.subscrever feeds

.favorito

. Solar da família Montalvã...

.posts recentes

. De regresso à cidade

. Quem conta um ponto...

. Pedra de Toque

. Faiões - Chaves - Portuga...

. O Factor Humano

. Fugas

. Chaves, cidade, concelho ...

. Nós, os homens

. O Barroso aqui tão perto ...

. Chaves D'Aurora

. De regresso à cidade... c...

. Quem conta um ponto...

. O Barroso aqui tão perto

. Escariz - Chaves - Portug...

. Chaves, cidade, concelho ...

blogs SAPO

.Blog Chaves no Facebook

.Veja aqui o:

capa-livro-p-blog blog-logo

.Olhares de sempre

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

Add to Technorati Favorites