Sexta-feira, 15 de Abril de 2016

Discursos Sobre a Cidade, por A.Adolfo

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Ai Chaves, Chaves!

 

Enquanto aguardava por um amigo para tomar um café e ia lendo algumas notícias do jornal que no período da manhã deixei para segundas leituras, não pude deixar de ouvir a conversa dos três que estavam na mesa ao lado, aliás pelo tom da voz, penso mesmo que era para todos os presentes da sala ouvirem as novidades, pelo menos para mim eram. Entre muitos elogios a tudo que o atual executivo tem feito, disseram o Largo das Feiras já era e não tardará,  entrará em obras. Acredito que sim, pois quem falava parecia estar bem informado e ser bem próximo do executivo camarário, pelo menos da forma como se lhe referia. Afinei o ouvido neste assunto, pois interessava-me, não só pelo reconhecimento de que tudo que fizeram nas Freiras foi uma asneira, tal como quis saber se iriamos ter uma réplica melhorada das velhas Freiras de volta, tal como penso que é desejo ou sonho da maioria dos flavienses. Mas não, parece que não. Gostava de ter visto a minha cara de desilusão ao espelho. Então não é que segundo o “enviado de imprensa” as grandes obras constam em desfazer o que está feito para refazer de novo. Nem mais. Retira-se a atual fonte, ou “tanque seco”,  e faz-se uma nova, mas diferente. Levanta-se o pavimento atual e mete-se um novo, mas em granito. Nem sei se chorar se aplaudir a determinação da tacanhez com que estes rapazes depois de eleitos tomam decisões “por dá cá uma palha”, se calha por sugestão de um qualquer lerdo da cabeça que desde o facebook «mandam recados ao “Cabeleira”», coisas que segundo o mesmo “enviado de imprensa”, ele, o “Cabeleira”, tem muito em atenção. Pudera, não fosse aí o principal centro de bisbilhotice, aliás nem sei como antigamente se conseguiam saber as novidades e viver sem o facebook.

 

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Fotografia de A.Adolfo

Agora deixando as conversas de café. A ser verdade, essa das obras das Freiras, penso que o caso de Chaves é bem mais sério do que aquilo que eu pensava. Segundo me dizem a Câmara de Chaves tem uma dívida astronómica que em linguagem comum sói dizer-se  “tem a corda ao pescoço” e nem sequer “tem com que mandar cantar um cego”,  no entanto não me deixa de surpreender com a noia que  tem em fazer obra inútil e megalómana. Esbanjar dinheiro. Obra inútil porque a cidade e os flavienses nada ganham com elas, nem contribui para a sua felicidade,  antes pelo contrário, pois as obras e dívidas que o município geram estão a ser pagas por todos, no IMI e no exagero das taxas municipais (água, saneamento, lixo e de expediente). Inútil ainda porque não tem qualquer utilidade nem vão de encontro às necessidades dos flavienses, tal como o espaço construído para a feira semanal e outros eventos ao ar livre, tal como o novo parque empresarial, com uma plataforma logística e um mercado abastecedor que nunca funcionaram, agravada ainda pelo crime ambiental de lançar o saneamento do efluente lá produzido diretamente para o rio Tâmega de uma cidade que se diz da água e do termalismo. Neste último caso só acreditei mesmo quando vi com os meus olhos.  E para exemplo da inutilidade chegam estas obras.

 

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 Fotografia de A.Adolfo

 

Megalómanos são os gastos nestas obras, mas aqui talvez a Fundação Nadir Afonso seja a líder, isto se tivermos em conta quer o montante gasto na obra, quer os custos de manutenção que geralmente geram os museus desta grandeza. Nada tenho contra a cultura, contra a Fundação Nadir Afonso e contra ao edifício em si, aliás um belíssimo edifício com a assinatura do mestre Alvaro Siza Vieira, uma mais valia, é certo, mas um  museu megalómano em demasia para uma pequena cidade de província que não tem dinheiro para o sustentar, para uma cidade que corre o sério risco de caminhar para o despovoamento e envelhecimento da população,  e fora dos roteiros turísticos de interesse. É a realidade dos números.

 

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Fotografia de A.Adolfo 

Ai Chaves, Chaves, bem merecias outra gente à frente dos teus destinos, mas tudo se tem feito para que gente dessa,  cada vez mais,  se afaste da política e da cidade.     

A.Adolfo

 

 

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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2016

Discursos Sobre a Cidade, por A.Adolfo

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I

A minha profissão há muito que me obrigou a ser um flaviense ausente, mas que vem à terra e ao berço familiar sempre que é possível, tal como vou acompanhando à distância a vida da nossa cidade, principalmente nesta última década em que a internet tem servido também de depósito a muita informação e imagens sobre o pulsar dos lugares e das cidades, onde os blogs de uma forma não institucional, têm tido uma importância fundamental na sua divulgação, transformando-se muitas das vezes num verdadeiro serviço público, como é o caso do blog « Chaves – Olhares Sobre a Cidade». Desde o início da sua feitura que acompanho este blog, não só pela ligação de amizade que tenho como o seu autor mas também por levar a cidade de Chaves até mim quando mais dela necessito.

 

Desde início deste blog que o Fernando Ribeiro me convidou para deixar aqui umas palavras sobre a cidade na perpectiva de um flaviense ausente. Por motivos profissionais fui adiando essa colaboração, embora em tempos ainda tivesse deixado por aqui umas palavras mas que de seguida fui obrigado a abandonar por não poder garantir a sua regularidade. Ultimamente o Fernando tem insistido no meu regresso à colaboração e fazendo eu um exercício introspectivo cheguei à conclusão que não poderia negar essa colaboração, retribuindo assim um bocadinho do muito que tenho recebido deste blog. Assim cá estamos para voltar uma vez por mês neste espaço de «Discursos sobre a Cidade».

 

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II

Infelizmente ou felizmente deixei de ser flaviense presente desde meados dos anos setenta do século passado. Infelizmente porque fui obrigado a deixar a minha terra, a minha família mais próxima e muitos amigos, mas felizmente porque em termos de formação e trabalho tive oportunidade de atingir os objectivos a que me propus. Felizmente ainda, embora com uma felicidade infeliz, a de não ser obrigado a assistir na primeira linha ao crescimento desenfreado e desequilibrado da cidade sem a preocupação mínima de ter havido um trabalho prévio de ordenamento, levando a que em muito desse crescimento se tivessem praticado verdadeiros atentados à cidade, principalmente ao seu centro histórico.

 

Embora durante estes longos anos de flaviense não presente tivesse vindo à terra com uma regularidade de pelo menos uma a duas vezes por mês, a verdade é que me transformei num verdadeiro estranho para a cidade. Não conheço os novos bairros e na tentativa de os conhecer chego-me a perder na cidade nova. Perdi os lugares de referência como o Jardim das Freiras e os cafés da Rua de Stº António que sempre tinham sido local de encontro de flavienses ausentes com flavienses presentes. As caras dos comércios tradicionais mudaram por novas caras e novos ramos de comércio. Com o tempo ir à cidade à procura dos nossos amigos do tempo de liceu e das caras de sempre tornou-se uma missão impossível de ninguém encontrar numa nova cidade. Um verdadeiro estranho na minha terra, e ainda por cima, culpabilizando-me por tal acontecer e por não poder ter estado cá…

 

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III

Assim que, discursar sobre a cidade é uma tarefa complicada. Das duas uma, ou me restrinjo às recordações do passado ou passo à descoberta da nova cidade, deixando aqui as minhas considerações. E foi assim que no último fim-de-semana me propus descobrir mais um bocadinho da nossa cidade, iniciando a descoberta naquela que em tempos era a entrada nobre da cidade – A Estrada Nacional 2. Ao passar na rotunda do Raio X, uma das placas informativa despertou-me o interesse para a descoberta, de interesse turístico, a descoberta da Rota Termal e da Água, rota que desconhecia ter um itinerário definido e da qual ninguém ainda me tinha informado. E lá fui eu seguindo as setas na sua descoberta, em direção a Espanha, confirmada na rotunda da antiga Polícia de Viação.

 

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Mas um pouco mais à frente, junto à Adega Cooperativa a placa da Rota Termal e da Água indica-me o centro da cidade, via nova ponte de S.Roque.

 

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Um pouco mais à frente, na rotunda da Escola Industrial, mais ou menos onde antigamente havia um tanoeiro e o parque de estacionamento dos burros das Leiteiras de Outeiro Seco de novo a placa da Rota, ou melhor, as placas das Rotas, pois aqui dividem-se em Rota Termal e da Água (Chaves) e Rota Termal e da Águas (Verin). Optei pela de Chaves, que curiosamente me obrigava a voltar para trás.

 

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Mas logo de seguida e ainda na mesma rotunda a Rota Termal de Chaves desaparece e aparece a de Vidago.

 

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Afinal não, pois 10 metros à frente aparece de novo a rota de Chaves, conjuntamente com uma novidade para nós, o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso. Seguimos por esta rota que logo a seguir terminava no parque de estacionamento do referido Museu. Pois já que ali estávamos aproveitávamos para visitar o museu, mas por lá alguém nos informou que o Museu embora pronto ainda nunca abriu ao público…

Viramos para trás, que outro remédio não tínhamos e ficamos com a opção de seguir a Rota Termal e da Água de Verin ou retomar a de Chaves que logo passava à de Vidago. Mas observando uma outra placa na mesma rotunda, optámos pela rota de Verin, pois assim também iriamos em direção ao Mercado Abastecedor M.A.R.C. que também desconhecíamos a sua existência

 

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Chegados a Outeiro Seco ficando já para trás a Capela Medieval as placas informativas baralham-nos um bocado. Tivemos de parar para optar pela que nos levava a atravessar o centro de Outeiro Seco em direção a outras aldeias ou então tomar a outra estrada em direção a Espanha, mas também a Universidade (que não sabíamos que existia) e ao Pastelnor (que não sabíamos o que era). Curiosamente a Rota Termal e da Água aqui deixou de ser de Chaves, de Verin e de Vidago e passou a ser uma rota única em direção ao Parque Industrial de Chaves. Desistimos da rota da água. Agora tinha curiosidade em conhecer a universidade. Entretanto perdemos a informação da localização do Mercado Abastecedor.

 

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Mais à frente, numa outra rotunda, ficámos com duas opções, a primeira de Espanha e Vila Verde da Raia e na segunda, para além de algumas aldeias do concelho, tínhamos de novo o Pastelnor e uma nova informação, a do Instituto Politécnico. Das duas, uma, ou nos trezentos metros que andámos de caminho a Universidade foi desqualificada para Instituto Politécnico ou então para além da Universidade também havia um Instituto Politécnico. Esta possibilidade aguçou-nos a curiosidade e fomos ver.

 

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Ainda na mesma rotunda apareceu-nos outra placa, de novo com o Pastelnor e a Universidade. Perdeu-se o Politécnico ou afinal sempre há as duas instituições, Ah, e aparece-nos o Parque Empresarial ou Zona Industrial 3.

 

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Trezentos metros mais à frente novas placas informativas que para além do Pastelnor aparece de novo a desaparecida rota Termal e da Água, a geral, sem Verin, Chaves e Vidago. Informações sobre Universidade, Instituto Politécnico e Mercado Abastecedor não havia.

 

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Na ausência de melhor lá seguimos de novo a Rota Termal e da Água que logo à frente (50 m) de um lado e outro da estrada, apontando para direções opostas, isoladas sem mais informação, lá estava em destaque a rota Termal e da Água, de um e outro lado da Estrada a apontar para lameiros. Decididamente resolvemos não ir pastar e seguimos em direção ao que nos restava – o PASTELNOR.

 

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Mais à frente, passadas as entradas para a autoestrada, finalmente o Parque Empresarial, aparentemente novo e aparentemente abandonado. No painel informativo da rotunda encontramos o MARC – Mercado Abastecedor da Região de Chaves e a Plataforma Logística.

 

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Seguimos nessa direção e a única coisa interessante e inovadora que descobrimos foi o gradeamento das sarjetas. Plataforma logística nem vê-la e em vez de MARC – Mercado Abastecedor há bolos, fábricas de bolos que segundo nos informaram depois, antes dos bolos já tinha sido peixaria… Ficam os gradeamentos inovadores das sarjetas:

 

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Desiludido, nem MARC, nem Plataforma Logistica, nem Universidade, nem Instituto Politécnico e a rota Termal e da Água a terminar em dois lameiros, resolvi regressar à cidade e no regresso, numa rotunda que já tínhamos passado antes, afinal havia outra placa, já no regresso da cidade onde de novo aparecia a Universidade e a rota Termal e da Água. Quanto a esta última indica-nos a direção das outras pelas quais já passámos, quanto a Universidade, tivemos curiosidade e continuámos à procura.

 

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Mais à frente, já após termos passado a aldeia de Outeiro Seco sem encontrar a dita universidade, de novo uma placa a Indicar-nos o MARC e a Universidade, curiosamente a indicar-nos o caminho que tínhamos seguido inicialmente e que nos trouxe até ao ponto onde estávamos. Não, nesta já não caio, disse eu para com os meus botões…

 

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Mas mesmo assim, em vez de seguir o cainho já trilhado indicado nas placas, resolvi voltar atrás ao centro da aldeia e perguntar onde raio ficava a universidade. Disseram-me que não, que por ali não havia universidade. Havia, isso sim, uma Escola de Enfermagem à saída de Outeiro Seco. Quanto a universidade disseram-me que há muitos anos atrás disseram que queriam construir uma no solar, curiosamente mesmo ali ao lado e que reconhecemos de imediato por já inúmeras vezes ter passado neste blog, mas que ninguém fez nada.

 

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Concluindo, placas a presumir que se tem, não é tudo, é preciso ter mesmo, senão tudo não passa de um embuste. Quanto a Rota Termal e da Água durante toda a semana andámos à procura de informação sobre a mesma e sobre o assunto encontrámos um artigo de 2013 no sítio da internet da Eurocidade Chaves Verin (aqui), cheio de boas intenções mas que ainda não saíram lá do sítio da internet, a não ser as placas informativas que não levam a lado nenhum ou quando muito servem para andarmos à volta da cidade ou para terminarmos num lameiro de Outeiro Seco. Mas como o projecto é (ou foi) financiado pela União Europeia, presume-se que por aí andou muito dinheirinho, só que não se sabe onde ele para, embora nas ditas e inúteis placas se tenha gastado algum.

 

A.Adolfo

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:01
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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2014

Uma imagem e algumas palavras

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Não é a solidão ou as multidões o que me preocupam. O vazio, esse sim, assusta-me.

a.adolfo

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:08
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Terça-feira, 17 de Dezembro de 2013

Do livro " Chaves, Olhares Sobre a Cidade

Ao que parte


Partiu. Sem pré-aviso. Sem deixar bilhete. Sem deixar rasto. Partiu. Ignorou os perigos. Ignorou as precauções. Soltou as amarras. Partiu. Avistado ao longe, entre as brumas da manhã, cortando caminho entre as árvores, ficou para sempre gravado e relembrado amiúde na memória e nos corações dos flavienses  como o "homem da bicicleta".

 

Em terras adversas como o norte transmontano, há sempre um "homem" de. O "homem do vinho", o "homem das sacas", o "homem dos remendos", o "homem do feno". Este, avistado ao longe, entre as brumas da manhã, fez-se mais um "homem da vida". E para a vida.

 

E ao que hoje também quer partir da terra que lhe amamentou o ser, movido pela admirável história do "homem da bicicleta" que nunca ninguém soube ou quis contar tal e qual como aconteceu, o povo não amarra. Apenas chora, entre as brumas da manhã, partiu.


Sandra Pereira

Olhos no chão


Como se as saudades não bastassem, anda-se nesta perdição de andar a percorrer os seus caminhos e cantinhos.  Aqui desperta-se um pedaço de memória, ali levanta-se e projecta-se um olhar para uma janela hoje fechada onde antes havia sempre um rosto com um sorriso, além revive-se um momento que se julgava esquecido e cora-se de novo com a vergonha das inocentes vergonhas do passado, sentem-se medos antigos, esboça-se um sorriso quando se tropeça com recordações felizes. Cada pedaço de rua tem um pedaço de momentos nossos, cada esquina guarda um segredo, momentos de esperas, paixões. Andamos nestas ruas e ruelas como se percorresse-mos os corredores da nossa casa de família, mas faltam os rostos familiares nas portas e janelas, faltam as brincadeiras da criançada, faltam as sardinheiras nas varandas, falta a roupa estendida nas cordas, faltam os gritos das mães a chamar pelos filhos, falta o músico sapateiro com um amigo encostado à ombreira na moldura da porta, faltam os profissionais do copo e do petisco nas tascas, faltam as tascas, faltam as sopeiras e os soldados,  falta o Lombudo para os fotografar, falta a Landainas, faltam os doentes ao médico, falta o médico, faltam os ardinas, faltam os engraxadores. Falta quase tudo nas ruas e ruelas da minha velha cidade de pedra. Restam-nos as saudades e percorrer os seus caminhos e cantinhos para que não faltem as recordações à memória e, saímos das ruas e ruelas de olhos no chão, novamente corados de vergonha, com a culpa da nossa culpa por também nós não termos conseguido resistir à partida e ao seu abandono.

A.Adolfo



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publicado por Fer.Ribeiro às 13:00
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Segunda-feira, 23 de Setembro de 2013

Coisas simples e pequenas

 

Embora com a minha ausência devidamente justificada, não tenho estado bem comigo porque prometi  trazer aqui algumas palavras de 15 em 15 dias e não consegui cumprir. Mesmos que os motivos que me levaram a tal possam servir de desculpa, nunca há desculpa para uma palavra dada. Fui educado assim e assim terei de morrer – a palavra vale tudo, ou seja a verdade, ou seja, o cumprir a promessa.


Mas mesmo havendo motivos para não poder ter estado aqui,  também a actual situação de estarmos em plena campanha eleitoral me castrava a liberdade de dizer o que tenho a dizer sobre a cidade de Chaves, não vão as más línguas pensar que estou a apelar ao voto a um em detrimento de outros, logo eu que não voto em nenhum. Mas mesmo assim, não resisto a deixar aqui umas breves palavras, isentas, sobre a atual campanha e toda a propaganda que lhe está afecta, a que está visível nas ruas, e a que anda por aí espalhada em panfletos e revistas.


Comecemos pelas palavras que se vão vertendo nos panfletos e revistas, todos  eles com a lengalenga do costume, de tudo prometer e reprometer aquilo que o povo quer ver prometido e que nunca foi nem será cumprido, porque já é mais que sabido e provado que promessa de político não é para cumprir. O que interessa é chegar lá, ao poder, depois logo se vê o que se poderá fazer de acordo com os interesses dominantes dos que verdadeiramente dominam porque têm dinheiro para comprar aquilo que querem e dominar. Claro que há excepções, mas em  Chaves está à vista que não o tem sido.




Mas o que mais impressiona é a luta e ganância pelo poder.  Vale de tudo para o alcançar. Despidos de pudor e moral, não há princípios ou doutrinas que sustentem a corrida ao poder. Com as ideologias  perdidas nos fundos de uma gaveta qualquer que já nem se sabe qual é, os partidos servem apenas como o meio mais fácil de participar na corrida, principalmente os dois que vão alternado no poder, e se num não houver hipótese de se estar entre os que se impõem então despe-se a camisola e veste-se outra de outra cor, ou da mesma cor mas de outra equipa, que agora as cores já de pouco valem ou interessam. E quem diz mudar de equipa também diz mudar de terra, de concelho para poder continuar no poder que a Lei lhe veda, não fosse o tuga especialista em contornar tudo aquilo que parece incontornável – há sempre uma maneira de. E quando todas as equipas se esgotam, forma-se uma, só assim se explica a proliferação dos ditos Movimentos Independentes feito com gente filiada nos dois partidos do arco do poder  e que não foram selecionados para a equipa do respectivo partido de filiação.


Mas também os candidatos parecem querer esconder as suas origens na propaganda eleitoral, fazendo impor a pessoa ao partido, gerando a confusão da identificação partidária, ou do símbolo partidário. Também já lá vai o tempo em que o símbolo e a cor identificavam a léguas os candidatos e os partidos. O vermelho para os partidos de esquerda, o laranja para o do centro e o azul para os de direita. Agora é tudo azul e quanto a esquerdas, centros e direitas, só os mais pequenos vão respeitando as tendências, e só porque lhes dá jeito. Tanto faz ser do PC, do CDS, do PSD, do PS ou Independente, o azul é a cor da moda propagandística e o símbolo do partido – a foice e o martelo (que raramente se vê), o punho fechado que já tentou ser rosa, as três setas viradas ao alto e a bola ao centro, aparecem bem pequenino, disfarçado atrás de sorrisos falsos e rostos (às vezes)  atraentes de Photoshop. Quanto ao  ovo kinder que o chefe do movimento independente já usou quando se candidatava pelo PSD, também vai aparecendo, mas esse tanto faz que apareça como não, não tem qualquer significado, quando muito poderá fazer crescer água na boca aos gulosos que gostam de chocolate.

 

Assim, em Chaves, vote em quem votar, vai votar no azul.


A.Adolfo

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:16
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Domingo, 1 de Setembro de 2013

Coisas simples e pequenas

 

Antes de mandar as palavrinhas de hoje para o Blog Chaves, reli-as como sempre faço e como sou do tempo da rádio, privilegio a sua companhia nos meus afazeres diários sempre que tal seja possível e como é inevitável a música debitada vai sendo interrompida pelos apontamentos noticiosos que vão repetindo como notícia fresca ao longo do dia. Pois as notícias da rádio que me levam a estas palavras foram duas. A primeira a de que em Portugal neste momento estão activos sete incêndios e da lista mencionada nenhum deles era aqui perto de Chaves,  e a segunda notícia prende-se com Passos Coelho ao afirmar que não é preciso mudar a constituição para fazer a reforma do estado, o que é preciso é bom senso dos juízes do Tribunal Constitucional.

 

À hora das duas notícias, em Chaves lavravam pelo menos três incêndios. Um na zona de Santa Cruz/Cocanha, outro na montanha para os lados de Águas Frias e ainda um terceiro a poente da cidade que não consegui localizar, mas tenho a certeza que eram todos no concelho de Chaves. Logo daí a notícia dos 7 incêndios em Portugal não ser verdadeira, pois eram pelo menos 10 os incêndios naquele momento, mas pela quentura do dia deveriam ser bem mais. Por curiosidade fui espreitar a página da Protecção Civil onde lá estavam os tais 7 incêndios, mas assinalados como os incêndios mais significativos, pois no total, às 17H00 (hora em que ouvi as notícias) eram 41 os incêndios que lavravam em Portugal. Daí podermos concluir que nem tudo que se diz nas notícias é  verdade, ou pelo menos nem todas contêm a verdade toda, mesmo não havendo maldade ou segundas intenções ao faltar à verdade, como penso ter sido o caso.


Mas esta falta de verdade nas notícias leva-me à segunda notícia e vem toda impregnada de más intenções e mentiras de mau perdedor. Passos Coelho sabendo que o que ele diz é notícia e sabendo a força que os meios de comunicação noticiosos têm para as propagar, serve-se deles para tentar ludibriar tudo e todos, trazendo à liça o incendiar de opiniões entre os trabalhadores e o próprio setor publico e privado,  e a Constituição e o (agora bom senso) do Tribunal Constitucional.  Para alimentar a confusão, mais logo o batalhão de comentadores arregimentados das TV’s, vão esmiuçar ao pormenor cada uma das suas palavras, que disfarçadamente, o farão  conforme a cor da camisola que vestem para contentamento de uns e descontentamento de outros, sem nada de novo acrescentarem.


Os funcionários públicos não têm culpa da crise, são servidores do Estado e seguem as regras que o Estado lhes impõe, agora os que gerem o Estado e fizeram o estado tal como ele é, esses sim, servem-se do estado e são esses os verdadeiros  culpados. Quanto aos tribunais, tal como dizia Passos Coelho - «não lhes compete governar», olha que novidade, mas a intenção destas palavras são outras.  Mas se Passos Coelho o sabe, porquê não governa cumprindo as regras? Mas o mais curioso neste caso é que quem teve dúvidas sobre a legalidade da Lei até foi o Presidente da República, que por acaso até é do partido de Passos Coelho. O Juízes do  Tribunal Constitucional, como Juízes do Tribunal Constitucional não tem de ter ou não ter bom senso, ou sequer sentimentos. Têm de fiscalizar as Leis e Decretos de Lei de acordo com o cumprimento da constituição, e ao que me parece, têm cumprido o seu papel.

 

Penso que todos estamos de acordo que o estado precisa de reformas como também penso que, fora os da classe política, há unanimidade em que essas reformas deveriam começar no estado ligado ao poder e na própria classe política nem que fosse e só para dar o exemplo, mas não só, pois penso que há piores males, como o da corrupção, da alta corrupção que travestida de todas as legalidades não deixa de ser corrupção, e essa, dá-se no seio da alta política, ou seja dos políticos que detêm o poder (nacional e local),  da banca e dos detentores do dinheiro. Mas na classe política não se toca e naqueles que têm o dinheiro, muito menos, os pobres e remediados, que são a grande maioria, que paguem a crise. De bom senso precisava o Passos Coelho, e já agora, se estudasse a constituição e a cumprisse, evitavam-se todos estes contratempos e maledicências .

 

E lá se foram as palavrinhas que tinha para hoje, mas ficam para a próxima, pois como têm a ver com o passado de Chaves, não perdem a oportunidade.


A.Adolfo



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publicado por Fer.Ribeiro às 22:33
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Domingo, 18 de Agosto de 2013

Coisas simples e pequenas

 

Pela primeira vez não vou poder votar em Chaves nas próximas autárquicas, coisas do Cartão de Cidadão, e embora o lamente, concordo plenamente que devemos contribuir com o nosso voto para a terra onde temos a residência principal, mas nem por isso deixo de ser flaviense, primeiro porque um flaviense «exilado» vive mais intensamente a sua terra e depois porque também sou residente de Chaves, embora só a meio tempo, daí nunca ter deixado de me preocupar com a minha terra que um dia voltará a ser minha por inteiro.

 

Estamos em plena campanha eleitoral em que os partidos políticos e cidadãos deveriam estar a debater a futuro da cidade, afinal o nosso futuro e o futuro dos nossos, mas em vez disso os partidos políticos são cada vez mais seitas de grupos de interesses, sem ideologia, sem discussões, sem debates e sobretudo cada vez mais afastados das populações e das suas preocupações, sem sequer ouvir ou sentir os seus anseios. Eles, os cabecilhas políticos, é que sabem tudo, só eles são donos de toda a verdade, mesmo que nada saibam e a única verdade que conhecem seja o interesse pessoal e dos seus compadres, para além das promessas que em Portugal é sinónimo de mentira.

 

Quem conhecer o Norte do País, principalmente Trás-os-Montes e Alto Douro, sabe que a cidade de Chaves no contexto transmontano, sempre foi uma grande cidade, talvez a maior. Geograficamente privilegiada e com potencialidades para crescer e se desenvolver mais que as suas congéneres transmontanas. Mas o que aconteceu em Chaves? – Nem cresceu nem se desenvolveu, antes pelo contrário, pois até pode ser apontada como um exemplo de mau desenvolvimento, principalmente em três factores: O do crescimento urbano selvagem; o da desertificação rural; e a aniquilação quase total do comércio tradicional e dos vários ramos de produção, claro, com todos os malefícios que daí advêm. O interesse económico e compadrio impôs-se ao interesse das populações.

 

Pior que tudo, é que no aspecto social e cultural Chaves perdeu ou está em via de perder todas as suas valências: Saúde com um Hospital moribundo, A casa da Justiça pelas horas da amargura e no ensino está ao nível de qualquer vilória, já bem longe de Chaves ser o centro estudantil de quase metade de Trás-os-Montes, como o foi até aos anos 60.

 

O problema é que os políticos flavienses nunca tiveram um projecto para a cidade e para o concelho, mas bem pior parecem-me os que se apontam à sucessão para “gerir” Chaves, pelo menos os candidatos dos dois grandes partidos do eixo do poder, daí o descontentamento vir ao de cima com uma candidatura independente que só é pena também não ser credível.


A.Adolfo



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publicado por Fer.Ribeiro às 19:00
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Domingo, 4 de Agosto de 2013

Coisas simples e pequenas

 

Quando nascemos num lugar e nele vivemos os anos dourados das nossas vidas, esse lugar para além das origens, do berço,  será eternamente nosso, mesmo que por força da vida tivéssemos sido obrigados a partir para outras terras, pois é nele que está o nosso coração, o nosso passado, os nossos natais,  a família,  os amigos eternos, os nossos cantinhos preferidos, a guloseima que sempre nos espera, nem que seja o de uma simples batata cozida regada com azeite. Sabor único, incomparável, porque tem o sabor da nossa terra. 

 

Chaves é o meu lugar de sempre, a minha terra, o meu torrão, a minha cidade, mesmo castigada, martirizada e esquecida como quase sempre o foi, é a casa onde sempre volto e que mesmo fora, sempre acompanho de perto como um filho ou neto que mandamos para fora estudar.




Se até ao 25 de Abril Chaves parecia simpaticamente parada no tempo com toda a sua vida a desenvolver-se na velha cidade e nos seus famosos bairros periféricos, sempre às espera das novidades trazidas pelo comboio, pelas camionetas de Braga ou do Tio Doro que depois eram distribuídas pelos cafés da Rua de Stº António (Sport, Comercial, Ibéria, Aurora e lá mais ao fundo o Geraldes), debatidas em tertúlias noturnas ou passeatas e conspirações no Jardim das Freiras. Mas o que mais surpreendia eram as noites flavienses povoadas por militares e estudantes, a grande maioria de fora, as noites de cinema ou de teatro, as verbenas de verão no Jardim Público, a bola só com os craques feitos com rapaziada da terra, os petiscos noturnos, os banhos no rio Tâmega. Coisas do passado flaviense que ficarão para todo o sempre retidas na memória de quem viveu esse passado.


Com o 25 de Abril, a vinda dos retornados das ex-colónias e o regresso de alguns emigrantes, a velha cidade deixou de ter capacidade para recolher toda a gente e começou a crescer. Era inevitável o seu crescimento, as pessoas exigiam-no e os novos tempos também. Novas indústrias ligadas à construção e ao sector imobiliário começam a prosperar em prol do crescimento para o qual a cidade e os novos políticos não estavam preparados, sobretudo para o poder do dinheiro. A velha cidade transformou-se e deu na cidade de hoje.




Da velha cidade restam as memórias que vão sendo recordadas por quem as viveu. Sobre a nova cidade, muita coisa há a dizer. Vai ser por aí que estas crónicas vão andar, feitas com coisas simples e pequenas que modificaram a cidade de Chaves e a transformaram igual a tantas outras onde o seu ser que a caracterizava como a cidade com mais vida e mais interessantes de Trás-os-Montes, a anos luz de Vila Real, se foi perdendo para dar lugar a uma cidade dum atabalhoado de betão, descaracterizada,  com a velha cidade desertificada e moribunda, não só na sua vida mas também nas suas casas velhas e degradadas, mas sobretudo uma cidade que dia a dia vai perdendo o que tinha de melhor, mas pior que isso, bem pior, é não ter um projeto de futuro.    

 

A.Adolfo



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publicado por Fer.Ribeiro às 19:00
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