Sábado, 28 de Janeiro de 2017

Abobeleira em três imagens

1600-abobeleira-art (14)

 

E porque hoje é sábado vamos até mais uma das nossas aldeias, mas hoje  iniciando mais uma ronda por todas as aldeias do concelho de Chaves com uma abordagem diferente, com três imagens que ainda não passaram por aqui, três fotografias, sendo uma delas a cores, uma a p&b e outra com tratamento digital, ou arte digital, se preferirem. Aliás a novidade está mesmo nesta última imagem, pois quanto às nossas aldeias passarem por aqui em imagem já há muito que não é novidade.

 

1600-abobeleira (339)

 

Para esta nova ronda, ao contrario das anteriores cujas abordagens que foram feitas aleatoriamente, vamos seguir a ordem alfabética do topónimo da aldeia, daí iniciarmos com a Abobeleira.

 

1600-abobeleira (131)

 

Regras são regras mas há sempre exceções, ou seja, esta nova ronda será ocasionalmente e excecionalmente  interrompida sempre que tal se justificar.  Mas para já não está prevista nenhuma exceção e assim sendo, seguindo a ordem alfabética, a próxima aldeia será Adães.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:53
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Domingo, 15 de Junho de 2014

A seleção de hoje com imagens que ontem rejeitei...

No momento de tomar uma imagem há sempre um clique que desperta em nós a composição que queremos registar. Acertamos o olhar e enquadramo-lo, mais um bocadinho para a direita ou para a esquerda, para cima ou para baixo, mais ou menos zoom se a objetiva nos o permitir, et voilá, temos o nosso olhar para o registo final, e tinha de ser aquele, não poderia ser outro. O problema, se surgir, é à posteriori, quando descarregamos as fotos no computador e as visualizamos. Afinal aquele olhar que despertou a magia de um momento, às vezes, não é tão mágico assim, e passamos à imagem seguinte. No meio das dezenas de fotografias de uma sessão fotográfica, lá vão havendo umas tantinhas das quais gostamos.

 

 

Pois as imagens de hoje foram por mim rejeitadas na primeira seleção que fiz há quatro anos atrás, aquando as vi pela primeira vez, no entanto, hoje, foram aquelas que despertaram em mim o clique que pela certa me levou ao registo inicial de há quatro anos e que hoje, são sem dúvida alguma a minha seleção de entre as dezenas das outras imagens que tenho guardadas em arquivo.

 

É, é mesmo assim, é preciso dar tempo ao tempo para que a beleza das coisas venha ao de cima e valham por aquilo que são, passadas que estão as aparências que tanto iludem nas primeiras impressões. Ainda é das imagens que estou a falar, contudo, também em tudo na vida assim é…

 

Já agora, para quem não conhece os locais das imagens de hoje, são da Abobeleira, aqui mesmo ao lado da cidade.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:10
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Segunda-feira, 26 de Agosto de 2013

Rescaldos dos últimos incêndios

Incêndio de Outeiro Seco

Tal como já referi, ontem não me foi possível sair de casa mas hoje fui fazer o ponto da situação e saber o porque da cidade de Chaves ter estado debaixo de fumo. Claro que os medievais romanos do Tabolado não tinham força para tanto fumo, mas a esses já lá vamos a seguir.


Ontem à tarde (domingo) - Abobeleira

Trago quatro imagens de dois incêndios: - o de sexta-feira de Outeiro Seco, já extinto e o de ontem e hoje (pois reacendeu) na zona da Abobeleira que ao que pude apurar teve início na freguesia de Calvão.

 

Pelo rastro que deixaram e que tão bem se pode ver numa das fotos, ambos os incêndios estiveram à beira de entrar pelas povoações dentro mas (penso) que felizmente não entraram, mas que deixaram cheiro a esturrado, lá isso deixaram.


Incêndio de Outeiro Seco

Esturrado em todos os aspetos, primeiro no cheiro e nas cinzas que não os desmente depois o do tal negócio da época dos incêndios, agora agravado por uma crise de mando ou de quem manda e nesta, estou inteiramente solidário com os bombeiros, ou quase inteiramente, pois nunca convém metermos as mãos no fogo, agora quanto à proteção civil, essa, sempre me cheirou a um grande, mas grande negócio, sem nada (na prática) que possa argumentar a favor da sua existência. Talvez a sua existência se justifique na teoria, mas de teóricos andamos nós fartos…

 

Ontem à tarde (domingo) - Abobeleira - visto das Traseiras do Casino


Estranho também ver nestes incêndios bombeiros de todo o país. Há dias, no Incêndio das Nogueirinhas vi bombeiros de Matosinhos e Leixões. No de ontem eu vi bombeiros de Coimbra mas disseram-me que também viram por aí os de Sesimbra, entre muitas outras corporações de outras localidades.  



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publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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Domingo, 14 de Abril de 2013

Abobeleira - Chaves - Portugal

 

A um passo de Chaves, o casco antigo da Abobeleira vai resistindo como pode à entrada da modernidade.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:00
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Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010

Quem conta um ponto... O mictório e a matança

 

 

 

 

O mictório e a matança



Texto de João Madureira

Blog terçOLHO

 

 

Fui para a matança com a preocupação estampada no rosto. Até o F. deu conta. “O que é que te desassossega tanto?”, perguntou ele a sorrir. Mandei-o passear, está claro. Pus-me a olhar para a máquina fotográfica como se lhe faltasse alguma peça. Mas não faltava lá nada. Era só impressão. Por vezes dá-me para estas coisas. Por exemplo, o mictório direito da casa de banho masculina do Modelo está avariado vai para uns meses. E aquilo incomoda-me. Não é que o terceiro mictório seja assim tão necessário, ou importante, na hora de aliviar a bexiga. Com os dois restantes, os cavalheiros que lá se deslocam para fazerem as suas micções conseguem despachar-se sem que se formem bichas. Mas o que me inquieta é que seja o terceiro mictório do Modelo. Se fosse o segundo mictório de um tribunal, o quarto de um centro de saúde, ou o primeiro de uma escola, vá que não. São instituições de serviço público, pagas com os nossos impostos e onde o dinheiro não abunda e a gestão financeira é rigorosa. Mas o Modelo, meu Deus, o Modelo não tem essa desculpa. O Modelo é uma referência comercial, económica e social de cariz privado com prestígio nacional e internacional, com lucros fabulosos. Será que não consegue arranjar alguém para consertar o mictório direito da sua superfície em Chaves? Eu não acredito. Estou em crer que o lucro da venda de vinte cadernetas da Popota dá e sobra para pagar o conserto do já anteriormente referenciado mictório. Por amor de Deus, consertem-no. Esse pequeno sinal de desleixo e incompetência pode deitar por terra a boa imagem que possuem na nossa comunidade. Eu sei que as casas de banho estão sempre limpas, que os produtos estão sempre bem expostos, que as prateleiras se encontram quase sempre repletas de promoções, de boas promoções, que têm descontos em cartão, que oferecem descontos sem ser em cartão, que vendem três pela importância de dois, que vendem polvo de qualidade por quinze euros o quilo, que vendem bacalhau com uma razoável relação entre a sua qualidade e o seu valor, que vendem o quilo da carne a preços difíceis de encontrar no comércio tradicional, que vendem brinquedos pelo preço de chupa-chupas e que oferecem vales de desconto aos clientes. Sei que limpam constantemente o chão do edifício, que trocam qualquer produto que esteja deteriorado, que alguns produtos quase os dão para as pessoas aí se deslocarem frequentemente, pois o que o Modelo mais aprecia e privilegia são as visitas dos seus estimados clientes, nem que seja apenas para ir tomar um café e comer uma nata, que fazem parte de uma outra promoção e que também ela pode ser acumulada em cartão. Sei que fazem feiras do vinho, do queijo, da chouriça, do presunto e do peixe onde só não compra quem for parvo ou então adepto do comércio tradicional. Sei que o pessoal é competente, simpático, trabalhador e pago a horas. Sei que os sindicalistas se queixam dos baixos salários praticados pela Sonae, mas os sindicalistas também se queixam por tudo e por nada. Sei que o parque de estacionamento é bom, que os carrinhos das compras são robustos, que os senhores da segurança dispensam muito bem a polícia. Sei que a loja book it tem bons livros com um desconto permanente de 10%, que disponibiliza gratuitamente jornais e revistas aos seus clientes mais assíduos, vizinhos ou reformados, publicações que as pessoas lêem em pé ou mesmo sentados em cadeiras confortáveis. Sei que a Modalfa faz promoções que metem as dos ciganos e as dos chineses num chinelo. Sei de tudo isto. Mas o pormenor do mictório não me sai da cabeça. Ali está ele para lembrar às pessoas que até a maior superfície comercial pode ter os seus defeitos. Dizem que a arte está nos pormenores. E que a qualidade nos detalhes. Quem persegue a perfeição não pode esquecer que um simples mictório avariado pode deitar por terra todo prestígio acumulado ao longo de anos a bem servir os consumidores portugueses. Então a Sonae consegue alimentar quase metade da população portuguesa, consegue organizar concertos e mega piqueniques com o Tony Carreira e é incapaz de consertar em tempo útil um mictório de um seu estabelecimento em Chaves? Eu sei que estamos em crise, mas não acredito que ela seja tão grave que não permita disponibilizar algumas verbas para o conserto de um mictório em terras de Aquae Flaviae. E a desculpa de que a mão-de-obra escasseia em Portugal é mais um mito a juntar ao do D. Sebastião. Dados oficiais dão conta que 550.846 é o número de desempregados em Portugal e quase 60% são do sector terciário, sobretudo das áreas das actividades imobiliárias, administrativas e serviços de apoio. Mas 18.929 foram as ofertas de emprego por preencher no final do mês de Outubro de 2010. A maioria das ofertas registadas nesse mês relaciona-se com postos de trabalho na área das actividades e serviços a retalho de hotelaria e restauração e construção civil. O problema é que anda aqui falta de informação. Há mictórios avariados, existem desempregados e há ofertas de emprego que ficam por preencher. Na opinião do senhor secretário de Estado, Valter Lemos, isto é possível devido a um desfasamento geográfico muito complicado. Pois há regiões que não têm gente suficiente para as necessidades. Ora como Portugal, mesmo não parecendo, é enorme, as pessoas não se podem deslocar. Por isso as ofertas de emprego ficam por preencher. São os custos da nossa dimensão. Os custos do desenvolvimento. Estou em crer que se o conserto do mictório do Modelo pudesse ser feito por computador e via internet, ele já lá estava a cumprir com o seu destino. Assim não. Fica mais uma vez provado que a informática e as novas tecnologias não resolvem tudo.


Agora que já desabafei posso finalmente descrever (fotografar) a matança do porco da Abobeleira. O porco ali vem, fazem-lhe uma pega. (Fotografias). Ele berra, foge, berra, foge. (Fotografias). Os homens vão atrás dele, pegam-lhe nas patas, prendem-lhe o focinho com uma corda e levam-no para o banco. (Fotografias). Ele berra, berra cada vez mais. (Fotografias). Os homens riem e deitam-no no assento. (Fotografias). A senhora do alguidar aproxima-se, o matador faz um pequeno corte experimental, aponta a faca e faz força. (Fotografias). A faca entra pela carne adentro em direcção ao coração. (Fotografias). Os homens riem, o porco berra, o sangue brota da garganta do animal com força, parece uma torneira aberta. (Fotografias).  Um pouco mais de energia na faca e o animal começa a dar sinais de fraqueza. (Fotografias).  Berra mais um pouco e o sangue continua a brotar com intensidade. (Fotografias).  O alguidar grande fica meado. Dali vai para o pote que já ferve. (Fotografias). O porco é agora chamuscado, raspado e lavado. (Fotografia). Depois de bem barbeado, é aberto, estripado e pendurado. (Fotografias). Corta-se a cabeça e os pés e ali fica até ser desmanchado. (Fotografias).  Os Lumbudus vão agora dar um passeio, passam pela barragem romana, pelo moinho, pela ribeira. Regressamos. Prepara-se o sangue, os rins e o fígado. (Fotografias). É o almoço. Come-se, bebe-se, fala-se, convive-se. Fotografa-se ainda mais. Vamos tomar café e passamos pela casa do Nel onde comemos uma sopa. (Fotografias). Passamos a tarde a falar e a fotografar. Logo mais aparece a vereação Municipal e vários presidentes de junta. (Fotografias). Come-se a feijoada e as febras assadas e bebe-se mais um pouco. (Fotografias). Posteriormente entram em cena os músicos. Mais fotografias, risos, conversa, mais fotografias, música, conversa. Está na hora de ir. Cá fora ainda nos entretemos mais um pouco a fotografar nuvens de fogo produzidas por alguém que lança no ar as brasas da fogueira que arde desde a manhã. Tudo está bem quando acaba em bem.


 

PS – Agora que aí vem 2011, compre para si ou para oferecer, isso fica à sua inteira responsabilidade, para homem, o livro “Golfe”, um cachecol Fred Perry, umas luvas Camel, um fato Ermenegildo Zegna, um colete Ermenegildo Zegna, uma gravata Ermenegildo Zegna, uma camisa Ermenegildo Zegna, o livro “Tudo Isto é Fado”, uns óculos Dolce & Gabanna e uns botões de punho Dunhill.

 

Para as senhoras aconselhamos: babydoll Ebony&Ivory, mala Louis Vuitton, óculos Funny da Alain Afflelou, vestido Deprés Nuno Baltazar, perfume Nina Ricci, lingerie Triumph Merry Sparkle e sapatos Pedro Garcia.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Domingo, 12 de Dezembro de 2010

A matança do reco na Abobeleira

 

 

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Já começa a ser tradição cumprir a tradição da matança do reco na Abobeleira, mas não é uma tradição qualquer, mas esta em especial, a de fazer uma matança aberta a toda a população da aldeia e da freguesia. Tem sido assim desde há seis anos para cá e tudo isto graças a um filho da aldeia que por sua conta tem promovido este evento – O Jorge Carvalho.

 

 

Pois ontem cumpriu-se mais uma matança no lugar do costume e com a aldeia a aderir também como de costume e à hora do costume, ou seja, logo pela manhã.

 

Quanto à matança em si e para não repetir o que já foi dito nos anos anteriores, deixo apenas aqui os links para dois posts onde se fala das coisas desta tradição:

 

http://chaves.blogs.sapo.pt/431958.html - Por Gil Santos

http://chaves.blogs.sapo.pt/339613.html - A matança de 2008 na Abobeleira

 

 

Hoje ficam apenas os registos fotográficos dos momentos do dia que, como convém, começam logo pela manhã bem cedo com o acender o colocar os potes do lume.

 

 

Claro, pois como mandam as regras a água já deve estar a ferver quando recebe o sangue que ira fazer as primeiras delícias da mesa.

 

 

E questões de direitos e sexos à parte, na matança do reco há trabalho para todos e se os homens se encarregam de agarrar e matar o reco, queimar-lhe o pelo, lavá-lo, pendurá-lo e desmanchá-lo às mulheres não têm menos afazeres na cozinha, com o fritar das miudezas e o preparar do sarrabulho.

 

 

À mesa, não faltarão os elogios a tão apreciadas iguarias, que podem ser servidas e confeccionadas em toda e qualquer parte do mundo, mas que junto ao reco pendurado e depois de toda a azáfama da manhã, é um manjar sem igual, sobretudo se o vinho também for bom, e era!

 

 

Depois, durante a tarde, já se sabe que algum descanso cai sempre bem para recompor forças e nem há como uma boa suecada.

 

 

Claro que todo este movimento também tem outros adeptos que tem curiosidade em saber como estas coisas se fazem e para isso voltam de novo ao recreio da escola, agora já sem escola.

 

 

Nos entretantos os rapazes dos clicks aproveitam para mais umas imagens e visitas culturais. Este ano com uma deslocação à barragem romana, também na Abobeleira, ao moinho e à ribeira de águas cristalinas.

 

 

Mas não só, pois o tempo recomenda que se aproveitem estes fins-de-semana para fazer a matança antes do Natal e a matança à qual assistimos repete-se um pouco por todas as aldeias e freguesias, assim, nem foi necessário ir muito longe para se assistir a mais tarefas da matança. Fomos à casa do Nel em Valdanta onde dois gigantes já estavam pendurados na trave.

 

 

A noite depressa chegou e de novo a mesa. Uma boa feijoada à transmontana, febras, vinho de várias colheitas.

 

 


 

 

E o momento alto é sempre à noite, já longe da matança, mas o momento em que toda a gente se senta à mesa  para um início de noite de festa de um dia que já vai longo.

 

 

Com convidados que aproveitam para pôr a conversas em dia ou definir estratégias…

 

 

E claro, as concertinas e a festa tinham de começar, e nestas coisas de música e músicos, com tanta festa, bom manjar e bons vinhos, não seria de estranhar se um músico estivesse menos afinado, mas nem se notava…

 

 

E na rua o fogo estava no seu melhor, não era de artifício, pois não, mas parecia… e sempre foi melhor que o das festas da cidade e até teve direito a muitos clicks.

 

 

Enfim, por este ano foi tudo. Para o próximo ano, se a tradição se continuar a cumprir, também nós temos uma promessa para cumprir.

 

Até amanhã!

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:00
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Domingo, 17 de Janeiro de 2010

A matança do Reco na Abobeleira - Edição 2009/2010

A tradição na Abobeleira  continua a cumprir-se. É a tradição da matança do reco, agora do porco, que pelas mãos de um filho da terra, o Jorge, insiste em fazer da tradição uma festa e, transforma a velha matança familiar numa matança comunitária, aberta à aldeia, à freguesia, mas também a convidados, este ano, além da blogosfera flaviense, também alguns fotógrafos do flickr vindos da região do Porto se juntaram a esta festa, à qual,  também marcou presença a edilidade flaviense.

 

Sobre a matança, já no outro ano fiz aqui um resumo do seu “ritual” e, também o Gil Santos, escritor e discursante deste blog, deixou por aqui, passo-a-passo, todo esse cerimonial e tradição. Para quem quiser saber mais sobre matanças do reco, ou do porco (como preferirem) e para não nos estarmos a repetir, nem há como seguir os links que a seguir vos deixo:

 

http://chaves.blogs.sapo.pt/431958.html - Por Gil Santos

http://chaves.blogs.sapo.pt/339613.html - A matança de 2008 na Abobeleira

 

Hoje vamos a uma reportagem breve e fotográfica sobre alguns momentos do dia da matança deste ano.

 

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Logo cedo, o reco fazia a sua aparição no local das cerimónias. Quer-se sossegado, descansado, sem stress, tudo por causa do sangue poder correr mais e melhor. Sangue que fará a primeira iguaria do dia com o sarrabulho.

 

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Claro que os potes logo cedo vão ao lume, neste caso à fogueira que irá durante todo o dia aquecer o potes, cozinhar as carnes, mas também aquecer por fora o pessoal. Para o aquecimento interior, há remédios mais interessantes…

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E enquanto o sangue coze, há que aliviar um pouco do peso do reco, tirar-lhe as miudezas e deixar que todo o sangue escorra para as carnes ficarem mais limpas. É trabalho de matador e também uma aula de anatomia.

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Tudo controlado de perto pelos fotógrafos de serviço, este ano, desde o centro do país, do grande Porto e os da paróquia, ao todo, juntaram-se 12 fotógrafos do flickr que nas suas galerias vão mostrar ao mundo que por cá a tradição ainda se mantém…

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Nos tempos mortos das lides externas e enquanto as carnes cozem nos potes e os rojões e miudezas são preparados na cozinha para a segundo momento gastronómico do dia, as conversas à fogueira vão matando o tempo.

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Para o pessoal de fora, uma visita guiada pela aldeia da Abobeira, visita obrigatória ao “Santuário” da Porta do Outeiro com vistas privilegiadas para o “pecado do jogo”.

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Claro que pelo caminho o povo da Abobeleira mostra a sua simpatia e hospitalidade e faz questão que se faça uma visita às suas “capelas” privadas. Manda a boa educação que se deve aceitar aquilo que é oferecido com o coração e, nem há como ser bem educado…

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Uma visita à história e símbolos da freguesia comandada pelo “rapazes” da Granjinha. Primeiro o Outeiro Machado um símbolo máximo da arte rupestre como rupestre continuam os acessos, mas não impeditivos para chegar até lá.

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Depois a visita obrigatória às capelas da Granjinha: à Românica e à do Sr. Cruz. Notamos e lamentamos a ausência de um amigo que pela certa gostaria de ter vivido aqueles momento connosco, mas a família Cruz fez as honras da Granjinha… e todos saíram de lá com as faces rosadas (suponho que, embora não se sentisse, foi por causa do frio, pois não encontro outra explicação…)

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Regressamos ao local da matança. Os potes continuavam a fumegar enquanto no salão, o cheiro dos rojões convidavam para a entrada.

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Na prova de vinhos, o da caneca 1 passou com distinção, o da caneca 2 aceitou-se para a continuação e o da caneca de barro (um velho conhecido) ficou para apreciação.

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Na cozinha, a azáfama do costume. Comida não faltava, mas um povo inteiro aguardava pela feijoada à transmontana e, era preciso confeccioná-la. Como quem vê, só atrapalha, o melhor mesmo é deixar na sua labuta quem trabalha, mais tarde, agradeceríamos.

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Tempo para alguns devaneios fotográficos com o fogo que desde os tempos mais remotos sempre encantou. Aqui, além de encantar tinha também o nobre serviço de ir cozinhando e aquecendo os mais friorentos.

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Por último, festa que se preze, tem que ter música e animação e a matança do reco na Abobeleira já é uma festa com tradição e nem foi preciso recorrer aos "Rapazes das Venda Nova" e às suas concertinas, pois se há freguesia que tem muitos músicos e tradição musical, essa, e a de Valdanta.

 

Da nossa parte, e falo em meu nome pessoal e de todos os fotógrafos presentes, só resta agradecer ao anfitrião (Sr. Jorge Carvalho) pela festa que nos proporcionou, mas também à sua família, ao povo da Abobeleira e aos manos da Granjinha pela companhia e por mais uma vez nos darem a conhecer as terras da freguesia de Valdanta.

 

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Sábado, 2 de Maio de 2009

Aldeias de Chaves - Portugal

 

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Domingo, 14 de Dezembro de 2008

Abobeleira - A Matança do Porco - Chaves - Portugal

 

Associadas às estações do ano vão-se cumprindo algumas das tradições populares centenárias, cada vez menos, é certo, mas algumas sempre vão resistindo mais que outras. Associadas ao Inverno e ao frio, temos uma das tradições mais populares e também importantes, pois dela irão depender o cumprimento de muitas outras tradições que ao longo do ano lhe estão associadas – a matança do porco, do reco ou da ceva, como preferirem.

 

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Já lá vão os anos em que cada casa de família das aldeias ou bairros limítrofes da cidade tinham pelo menos um porco para a matança. Casas mais habitadas ou ricas, chegavam a matar até 6 ou mais porcos por ano, pois deles estavam pendentes muitas das refeições a fazer durante o ano, mas também algum rendimento para a família, associados à venda dos presuntos e também algum fumeiro. Com o despovoamento das aldeias, hoje em dia, as matanças são mais escassas e deixaram de fazer parte dos afazeres comuns do dos dias frios de Inverno e de Dezembro.

 

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Há no entanto aldeias, principalmente aquelas onde o despovoamento menos se fez sentir, que a tradição ainda se mantém, e hoje além da tradição, é também um dia de festa ou de reunião da família.

 

Abobeleira é uma dessas aldeias onde a tradição ainda se mantém, mas além das matanças familiares e particulares, há uma que se vem realizando nos últimos anos, que além de se recriar toda a tradição associada à matança, se transformou também em dia de festa da aldeia.

 

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Tudo começou há 3 anos atrás quando um filho da terra e seu habitante, o Jorge Carvalho, se lembrou de matar um porco e de convidar toda a população da aldeia e amigos. Claro que nas matanças além dos trabalhos que lhe estão associados e que todos vão ajudando como podem e sabem, há que dar de comer aos convidados e vai daí, que o próprio porco que vai à faca também vai servir de refeição aos convivas, dia fora e noite adentro. Claro que aqui se perde tudo que está associado aos afazeres e tradições que chegam nos dias, semanas e até meses seguintes à matança, mas a intenção é mesmo recriar e manter a tradição do dia da matança, transformando-o num dia de festa da aldeia, de uma aldeia onde ainda há gente e se mantém o espírito de vizinhança e inter ajuda dos seus habitantes, pelo menos entre os seus habitantes de sempre, os naturais da aldeia ou os que por casamento também passaram a fazer parte dela.

 

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Este ano, além da aldeia e de alguns convidados de honra que já são habituais, o Jorge Carvalho convidou também a blogosfera flaviense para participar na festa, na qual participaram além deste blog, os blogues Cancelas do casal Milita e Domingos Pires, o Reflexos na pessoa do Dinis Ponteira e o Terçolho na pessoa do João Madureira. O Chaves Antiga também teve como representante o flaviense residente, uma vez que os outros elementos e flavienses ausentes andam ocupados nas lides da Capital. Faltou o blog Valdanta, mas motivos de saúde justificaram a sua falta. Amigos da blogosfera flaviense e valdantina esteve presente o A.Cruz, mas faltou o amigo Tupamaro. Faltou também o bom tempo que se quer nestes dias, mas festa é festa e mesmo com muita chuva, vento e frio, o reco foi ao banco, subiu à “trave”, desceu aos potes e foi à mesa dos convivas.

 

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Mas vamos então recriar um pouco do dia da matança, em particular este da Abobeleira em dia de matança-festa, que sai um pouco do tradicional dado o apressar da descida do porco ao pote, mas que mesmo assim se foram mantendo os rituais da matança do reco.

 

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Ainda o dia está a nascer, bem cedo, em manhã chuvosa mas gelada como convém e já o matador tem o seu naipe de facas afiadas e preparadas para o acto. O reco já anda pela redondezas, ainda à solta.

 

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De entre os muitos convidados aparecem dois voluntários para irem convidar o porco a dirigir-se ao banco. A teimosia do porco é conhecida por todos e não vai lá por convites, por isso há que lhe apertar o cerco, agarra-lo e levá-lo à força. No banco já o espera o matador (neste caso o anfitrião) onde uma dúzia de mãos imobilizam o reco para que a faca seja rápida e certeira. É nesta fase que os mais sensíveis se afastam para o lado assobiando para o ar e o mais curiosos se aproximam.

 

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Posto o alguidar de barro de Vilar de Nantes em posição para recolher o sangue que irá dar lugar à primeira iguaria do dia, é altura de espetar a faca. Acto que é certeiro e rápido, pois em menos de um minuto o reco está pronto para os trabalhos seguintes. Entretanto o sangue o seu destino a caminho das mulheres, que o cuidado de não o deixar coalhar, não tardará a entrar no pote que já há muito está na fogueira com a água a ferver.

 

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No banco, começa de imediato o trabalho de pelar o porco com ajuda de um maçarico (a palha já há muito que caiu em desuso) enquanto meia dúzia de mãos vão raspando a pele queimada e algum pelo que fica. Logo de seguida passa ao banho, continuando-se e apurando-se o resto de algum pelo, com a ajuda de pedras para raspar bem e de uma faca afiada para a barba teimosa.

 

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“Se queres ver o teu corpo abre um porco” é ditado popular e é também o passo seguinte para as mãos do matador. Um trabalho cuidado e feito com alguma mestria, pois trata-se de abrir o reco para lhe retirar as tripas, e todo o cuidado é pouco, não vá uma das tripas rebentar-se. Parte no banco até que chega a hora de o subir à trave, que na ausência desta, qualquer coisa que o pendure lá no alto, serve.

 

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Se a tradição fosse cumprida à risca, estava na hora de recolhidas as tripas num alguidar, as mulheres seguirem com elas para as lavarem no riacho mais próximo, pois seriam elas que iriam dar lugar aos futuros enchidos (alheiras, linguiças, salpicões, chouriços). Também aqui se fica a conhecer mais uma das funções do famoso fio azul.

 

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Esventrado o reco, deveria ficar dependurado pelo menos durante um dia e uma noite, antes de ser desmanchado, para que todo o sangue lhe saia das carnes e o frio torne as carnes mais limpas e com um pouco mais rijas, mas como por aqui o tempo era pouco, a desmancha seria feita umas horas mais tarde.

 

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Entretanto já algumas horas passaram e havia que dar algum conforto ao corpo. Uma breve passagem pela fogueira para aquecer por fora, servia, mas por dentro, o consolo chegava com o sangue já cozido, temperado com azeite e alho, algum picante, uns pedaços de pão e uns copos de tinto, começavam a acomodar a casa por dentro, mas também as iscas de fígado frito com um preciso molho e logo de seguida os rojões faziam a sua entrada triunfal, quentinhos e loirinhos eram um regalo para a vista, mas muito mais para os estômagos, que já começavam a estar satisfeitos com as primeiras iguarias do dia.

 

Passadas algumas hora chegava o trabalho de desmanchar o porco. Trabalho de mestre que já requer as mãos de quem sabe. Alfredo foi o mestre na arte de desmanchar debaixo do olhar atento de curiosos, aprendizes mas também paparazzis blogueiros que desde a manhã já tinham uma boa centena de fotos batidas onde havia ainda lugar até para um arco-íris enquanto que o reco, nas mãos do Alfredo, aos pouco se ia transformando em febras, costelinhas ou carne para o pote, que nunca saiu do lume e ia apurando carnes para a feijoada da noite.

 

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Já era quase chegada a noite quando a desmancha acabou. Havia de novo que aquecer os corpos na fogueira enquanto que a feijoada ia apurando e os grelhadores já aqueciam para as febras e costelinhas.

 

Entretanto a festa continuava e já se sabe que não há festa sem música, bombos, concertinas e cantares que iam entretendo a entrada na noite enquanto que na cozinha entre um convívio alegre a feijoada à transmontana ia ficando pronta e ficou momentos depois.

 

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Salão cheio num espaço que já foi sala de aulas e onde pela certa alguns dos presentes aprenderam as primeiras letras, num agradável espaço que foi transformado para todo o tipo de eventos que a aldeia leve a efeito, com um salão amplo, instalações sanitárias e uma cozinha bem equipada, não faltando um amplo espaço exterior, que a esta hora do campeonato já estava quase abandonado, com a fogueira sozinha e alguns voluntários nos grelhadores, é que a feijoada já fumegava nas mesas e já se sabe que é quentinha que ela entra bem.

 

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“Merenda comida, companhia desfeita” e como os convidados de honra (Presidente da Câmara, Adjunto e Vereador) pela certa que tinha outros afazeres, abandonaram a sala ao fim do primeiro assalto, faltavam ainda as febras e as costelinhas, mas para essa parte ficou como representante o Vice-Presidente, do qual ficamos a saber que não tem lá muito jeito para tocar o bombo, mas lá vai tendo para ir falando e cumprimentado as pessoas.

 

Os representantes da blogosfera flaviense ainda provaram as febras, mas como ainda tinha de fechar a edição do post de hoje, também regressaram a casa para que as suas reportagens possa estar agora aqui.

 

Ao Jorge Carvalho agradecemos a simpatia do convite, ao povo a Abobeleira a prazer do convívio e fica a promessa que passamos na freguesia pelos reis e para o ano também acietamos convite.

 

Agradecer ainda ao A.Cruz por nos ter servido de cicerone na freguesia, com visita guiada ao núcleo histórico Valdanta e ao á história do Cando. Pena só para o tempo que sem ter ajudado à festa, também não a prejudicou.

 

 

À margem da matança do porco fica link para o post dedicado por este blog à aldeia:

http://chaves.blogs.sapo.pt/278053.html

 

Até amanhã de volta à cidade.

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:57
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Domingo, 25 de Maio de 2008

Abobeleira - Chaves - Portugal

 

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Então hoje vamos até mais uma aldeia, vamos até a Abobeleira.

 

Se não conhecer ou não conhecesse a Abobeleira e por uma razão qualquer acordasse no Largo do Cruzeiro, diria que estava numa daquelas aldeias rurais típicas do nosso concelho, lá para o meio de uma montanha qualquer, pois ainda é assim (felizmente) que ainda se vive e sente o seu núcleo. Mas tudo não passa de uma ilusão.

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Na realidade a Abobeleira fica a apenas três quilómetros de Chaves e, entre a aldeia e a cidade de Chaves já não há separação física, o mesmo acontece entre a aldeia e a sede de freguesia, Valdanta. A proximidade da cidade e a sua boa localização geográfica, tornaram-na apetecível para novas construções. Ainda bem que o apetite só deu para moradias e não para mamarrachos, para já, pois aos poucos a cidade vai crescendo e é para os lados da Abobeleira que a cidade do betão tem tendência a crescer. Posso estar enganado, mas pela certa que daqui a umas boas dezenas de anos, a continuar tudo como até aqui, a Abobeleira estará irreconhecível.

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Todos sabemos, ou melhor, alguns sabem, que toda a freguesia de Valdanta, histórica e arqueologicamente falando é rica em vestígios e mesmo ruínas de antigas construções romanas e não só. Começando pelos importantes vestígios romanos encontrados na Granjinha, para além da sua Igreja Românica, a mais antiga da região, passando para o Outeiro Machado, as antigas minas de ouro nas redondezas do Outeiro Machado, à barragem Romana da Abobeleira, entre outros, tudo indica que a freguesia se desenvolveu em cima de um autêntico tesouro arqueológico, algum já descoberto e muito dele (estou em crer) ainda por descobrir.

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Sei que alguns destes tesouros, pelo menos os que mencionei, são do conhecimento das entidades e de alguns flavienses, pelo menos dos habitantes naturais da freguesia. Apenas isso. Os habitantes da freguesia nada podem fazer por todo esse tesouro para além de o respeitarem e acarinharem como podem, mas as entidades interessadas (ou que deveriam ser) e as que tutelam todo este tipo de património têm responsabilidades e medidas (algumas urgentes) a tomar sobre todo o património histórico, cultural e arqueológico da freguesia de Valdanta, antes (como de costume) que seja tarde.

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A Câmara Municipal, a Região de Turismo e o IGESPAR ou seja lá quem for que tutela esta coisas, são algumas das entidades que pura e simplesmente (sem o ignorar) desprezam todo este património. Só a título de curiosidade, quando tomei estas fotos da Abobeleira lembrei-me de, mais uma vez, ir ao Outeiro Machado, e mais uma vez, andei aos papeis para o encontrar e chegado lá, para além de não haver qualquer tipo de referência ao seu valor histórico e patrimonial, encontrei-o envolto de vegetação selvagem algum lixo e até restos de uma barraca e fogueiras feitas em cima de tão valioso património. Garanto-vos que quem nunca lá foi e tome a iniciativa de ir até lá por conta própria, não encontra o Outeiro Machado e, até é bom que nem o encontre, pois é uma triste imagem daquilo a que se chama preservar, o que por lá se encontra. Admira-me até que ainda lá esteja e nunca nenhum empreiteiro se tivesse lembrado de o desfazer para fazer perpianho, cubos de calçada ou rachão para uma estrada qualquer. Já não seria a primeira vez, pois quando este blog for por Mairos, conto-vos de onde são algumas das “pedras” que ajudaram a fazer a barragem de Mairos ou o que aconteceu aos fornos romanos de Outeiro Seco. 

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Mas hoje é sobre a Abobeleira que se fala, e um dos tesouros que têm nas suas terras é a antiga Barragem Romana, onde camuflados por entre vegetação selvagem, ainda existem importantes vestígios da sua estrutura, e que tal como o Outeiro Machado, pouca gente conhece a sua localização ou até existência e, apenas se trata, da barragem que fazia o abastecimento de água à antiga cidade romana de Aquae Flaviae. Eu, embora nada perceba do assunto, penso que, o que ainda existe por lá, é importante demais para estar esquecido e desprezado.

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Tive esperanças, porque ouvi dizer que constava do projecto, que o Casino de Chaves iria tratar, revitalizar e honrar toda aquela zona da antiga barragem romana. Mas penso que apenas sonhei com isso, pois há dias quando passei pelo caminho que liga a Abobeleira à Fonte do Leite, reparei que toda a zona do casino está vedada e não há qualquer ligação ou tratamento dessa zona. Ou seja, continua ignorada e dotada ao desprezo natural dos dias, e esta, nem sequer tem uma plaquinha que seja nas redondezas a assinalar que por ali existiu ou ainda existem importantes vestígios romanos onde são ainda visíveis alguns dos muros. Os historiadores e arqueólogos (ao que parece serem os únicos interessados) dizem ser uma construção muito invulgar e que originariamente os muros da barragem teriam na base 5 metros de largura, atingindo cerca de 20 metros de altura e a sua albufeira definida ser consideravelmente grande, podendo ter-se estendido até à povoação de Sanjurge e a Outeiro Machado. Há quem defenda também que esta barragem serviu para fornecer água para lavagens nas  minas romanas que teriam existido em Outeiro Machado.

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Pois antes do grande betão ($) avançar por terras da Abobeleira seria bom delimitar estes tesouros e outros tesouros como ainda o é o núcleo histórico da própria aldeia que ainda matem a sua traça e as suas construções tradicionais quase invioláveis onde notei também algumas reconstruções que não destoam muito do conjunto.

 

A Abobeleira poderá fazer parte de um “Santuário” histórico, arqueológico e turístico, com turismo da especialidade e de qualidade.

 

Quanto a santuários religiosos e à margem da belíssima capela (embora humilde) e da igreja moderna e nobremente localizada Abobeleira tem também um pequeno santuário, fruto de uma promessa de um particular, com vistas privilegiadas para a tal barragem romana e porta aberta para o “pecado do jogo”, onde não falta um curioso jardim, muitas obras de arte de cantaria e até mesa de merendas, ao que apurei, tudo obra de um só habitante e construído às suas custas e que para ser um importante santuário, só lhe falta mesmo a dimensão e talvez um milagre. Mas bem poderia partir desde ali o caminho para a antiga barragem, tratada, com um pouco da sua história e até quem sabe para um futuro museu da barragem e da romanização. Talvez seja esse o milagre que falta a tão curioso santuário.

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E que mais há para dizer da Abobeleira!? Talvez que embora a proximidade da cidade, o atractivo tem sido apenas os seus terrenos circundantes que foram sendo invadidos por forasteiros, enquanto o seu núcleo sofre o mal das restantes aldeias, com o seu envelhecimento, degradação e abandono de algumas das suas casas tradicionais, ou seja, o despovoamento do seu núcleo histórico (embora pouco) também é visível.

 

Quanto ao Casino, implantado em terras da Abobeleira e paredes-meias com a aldeia, apenas tem vistas para ela e vice-versa. Parece mesmo que a ribeira de Sanjurge ou o nosso Ribelas (talvez alguém da freguesia ajude quanto ao nome da ribeira na sua passagem pela Abobeleira) divide fisicamente o poder, o dinheiro e as altas tecnologias de uma aldeia simples, rural e pobre que segundo sei e alguns se queixam, não tira qualquer dividendo por tão importante casa de fazer ou jogar dinheiro, enquanto que as rãs, nessa mesma divisória, no seu coaxar no pequeno lago de águas puras, vai debitando os sons de verão para delicia de todos, ou seja da aldeia rural da Abobeleira e do Hotel urbano de um casino com sons do campo.

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Ainda a respeito do casino. Nada tenho contra a sua existência, penso que é até uma mais valia para a cidade e para a região que atrai muita gente de fora (e também de dentro) que poderá (assim o saibam aproveitar) contribuir para a riqueza turística da região, mas penso também, que a freguesia que o acolhe, deveria beneficiar directamente com a sua implantação, como, não o sei, mas poderia muito bem passar por financiar, tratar e promover os tais tesouros históricos que a freguesia tem e que lhe ficam mesmo ao lado. É apenas uma ideia, e se, tanto quanto sei os concelhos vizinhos recebem dividendos pela implantação do casino em Chaves, porque é que a freguesia não os recebe. Se por acaso os recebe, peço desculpas pela minha distracção e ignorância.

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E penso que sobre a Abobeleira é tudo. Gosto do seu interessante núcleo histórico e de toda a paisagem campestre entre a aldeia e Sanjurge, mesmo tendo a modernidade de uma auto-estrada pelo meio. Do que é novo e se foi construindo entre a aldeia e a cidade ou Valdanta, é o banal, das novas moradias com muros altos e com pessoas lá dentro, uns sentados no sofá em frente à televisão enquanto os putos se vão entretendo no computador a teclar nos chats, a viajar pela Internet ou nos jogos online.

 

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Por falar em online, a votação sobre a ponta romana, continua à espera do seu voto, aqui ao lado, na barra lateral.

 

Até amanhã, com mais Chaves em movimento.

 

Sensatez irá prevalecer

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:01
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