12 anos

Sábado, 4 de Fevereiro de 2017

Adães em três imagens

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Seguindo a ordem alfabética das nossas aldeias, hoje toca a vez de trazer aqui Adães com três imagens, que tal como aconteceu com a Abobeleira, fica uma a cores, uma a p&b e outra em arte digital.

 

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Três olhares sobre Adães, de arquivo, resultantes de algumas passagens pela aldeia à qual falta ainda um post prometido e que um dia destes acontecerá.

 

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Post prometido sobre a Casa dos Candeias da qual hoje fica uma imagem da sua capela.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:06
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Sábado, 19 de Novembro de 2016

Seara Velha com duas gerais e um pormenor

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Às vezes, de tão ocupados e preocupados que andamos com a beleza dos pormenores, esquecemos a beleza do conjunto. Tem-nos acontecido isso com Seara Velha que já trouxemos aqui muitas vezes, mas quase sempre com os pormenores das suas casas e ruas.

 

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Pois hoje vamos tentar corrigir essa nossa distração, trazendo aqui um pouco do todo desta aldeia, contudo, não resistimos também a um pormenor da sua igreja.

 

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Mas ficam também duas vistas gerais sobre Seara Velha tomadas de lados opostos, uma de Nascente para Poente e a outra de Poente para Nascente. Se um dia conseguirmos outras distintas, também as traremos aqui. Para já ficam estas três imagens.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:04
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Sábado, 16 de Julho de 2016

As nossas aldeias - uma nova realidade

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Este blog já vai a caminho dos seus doze anos de existência e desde início que as nossas aldeias do concelho têm marcado aqui presença. Até há bem pouco tempo atrás com presenças aos sábados  e domingos e ultimamente só aos sábados. Reduzimos um dia por duas razões, a primeira porque todas as aldeias já marcaram aqui presença várias vezes, umas mais que outras, é certo, mas o facto deve-se à dimensão das próprias aldeias e aos motivos de interesse que oferecem. A segunda razão é a de darmos oportunidade a outras aldeias da região marcarem também aqui presença, daí, ultimamente, dedicarmos os domingos às aldeias de aqui ao lado, do Barroso aqui tão perto, não só pelo interesse dessas aldeias mas também para despertar o apetite à sua descoberta.

 

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Ao longo da existência do blog fui dizendo tudo que havia a dizer sobre cada aldeia e, insistentemente, fui batendo na tecla do despovoamento e do envelhecimento da população rural. Um facto e uma realidade que nos leva a outras realidades daí resultantes e que, ao longo destes últimos anos (duas a três dezenas de anos) foi também transformando a arquitetura das aldeias.

 

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Primeiro as reconstruções e o aparecimento de novas construções nas periferias das aldeias. Isto era no tempo em que os nossos emigrantes ainda apostavam num regresso às suas aldeias e o ser possível fazer aí o resto das suas vidas. E se os primeiros emigrantes, que é parte da população envelhecida de hoje, foram ficando, os mais novos, deram volta atrás, partiram para a cidade ou regressaram de novo à condição de emigrante. Com a ausência de população jovem e o aumento da população envelhecida, as necessidades das aldeias passaram a ser outras. Fecharam-se as escolas, entrando algumas em abandono e outras vendidas a particulares ou cedidas para associações e centros de dia. Ampliaram-se os cemitérios e em várias aldeias foram construídos lares para a terceira idade. Entretanto as casas abandonadas começaram a cair com o peso do seu abandono e as ruas foram ficando desertas de gente e animais, as fontes secaram e os tanques, na maioria vazios, ou mesmo cheios, não passam de depósitos de lixo, deles restando apenas a memória dos lavadouros , ficando para exercício da imaginação a vida e alegria que outrora existia em seu redor.

 

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Embora na maioria das aldeias os resistente se tenham demitido da vida comunitária, mesmo porque sem comunidade é impossível a sua prática, existe também um desleixo e desinteresse pela coisa pública ou comum, em parte porque os novos tempos, erradamente, atribuem essas responsabilidades às Juntas de Freguesia ou à Câmara Municipal onde o poder do povo ou da comunidade na gestão da coisa comum deixo de existir, o mesmo que outrora  era geralmente regulado pelo bom senso da maioria no interesse da aldeia. Esse “poder” foi cedido ou exigido pelas junta de freguesia onde, em vez dos interesses da população se passou a olhar mais pelos interesses dos fregueses, principalmente dos fregueses seus eleitores, gerando-se nas aldeias e freguesias dois grupos de população, os da situação e os do contra a situação. No entanto, ao menos isso, há uma coisa que nunca deixou de ser do interesse de toda a população , onde em seu redor pode estar tudo a cair ou em ruínas, ou cheio de lixo, ou silvas, ou mato – em suma – abandonado e desprezado, mas essa coisa tem sempre os mimos da população. Falo-vos das capelas e igrejas, e não é só por uma questão religiosa, mas por ser uma das poucas coisas que fica fora da gestão do poder político e das politiquices e que, na realidade é verdadeiramente comunitária, de todo o povo, tal como as ruas e os largos, os tanques, as fontes, os fornos comunitários e etc. deveriam ser.   

 

As imagens de hoje poderiam ser de uma qualquer adeia, mas são da Amoínha Velha.

 

 

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Domingo, 26 de Junho de 2016

O Barroso aqui tão perto... Telhado

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21 de abril de 2016, quinta-feira, logo pela manhã, não muito cedo nem muito tarde, arrancámos em direção ao Barroso de Montalegre para mais uma incursão de caça à fotografia. O destino era andar à volta da barragem dos Pisões ou Alto Rabagão (como preferirem).  As condições meteorológicas apontavam para um dia incerto, daqueles em que o dia se apresenta com várias caras em mudança constante. Chuva, sol, nublado, zerbadas, frio, calor, ameno, enfim, era conforme lhe dava na mona, mas fotograficamente falando, são os meus dias preferidos, desde que os períodos de chuva não sejam muito longos, mas mesmo com chuva, estamos lá.

 

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Embora o destino fosse à volta da Barragem dos Pisões, àquele que eu lhe chamos o seu lado interior, o menos conhecido e oposto ao da Estrada Nacional 103, entre a Barragem e a Serra do Barroso, por sinal o mais interessante, tínhamos dois objetivos principais – Negrões e Vilarinho de Negrões – penetrando na sua alma mas também vistas dos miradouros naturais que ao longo da estrada municipal vão aparecendo. Cumprimos este objetivo principal após o qual até poderíamos regressar à terrinha com o espirito de missão cumprida, mas não, o dia prometia muito mais e ainda nem sequer tínhamos almoçado.

 

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Almoçar no Barroso é uma tarefa difícil, não pela falta de oferta mas antes pela dificuldade na escolha, pois em todas as mesas se come bem, a dificuldade está mesmo escolher onde se come melhor, no entanto, só a boa mesa não chega, pois a simpatia da receção conta muito e em tempo de crise o pilim também tem uma palavra a dizer e há mesas em que se come bem, atendem bem e na hora de pagar também se cobram ainda melhor, com tanto entusiasmo que às vezes até exageram. Mas como nestas incursões ao Barroso já não somos maçaricos e temos um amigo infiltrado que nos vai recomendado os locais de boa mesa, já sabemos onde temos de ir e onde não devemos entrar. No entanto, estando onde nós estávamos a decidir a escolha da nossa mesa do dia (Vilarinho de Negrões), a tarefa era fácil – o restaurante da Albufeira, na Lama da Missa, onde a D. Aldina e D. Adelaide sempre nos receberam, nos serviram ainda melhor e no final saímos satisfeitos. Recomendo e a publicidade é gratuita.

 

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Pois bem, já entenderam onde fomos almoçar. À saída o dia apresentava-se de céu azul, sol intenso e quente. Ideal para subir um bocadinho da Serra do Barroso até aos 1050 metros, mais metro menos metro e entrarmos na aldeia do Telhado, a pouco mais de 2 quilómetros da Lama da Missa, mas sempre a subir. Claro que pelo caminho fomos parando em apreciação daquilo que se nos apresentava para apreciar e num de repente o dia entoldou, escureceu e despejou uma carga de água por cima de nós, ou quase, pois encontrámos poiso num pequeno abrigo no largo do tanque com cruzeiro, mas nem por isso foi razão para de vez em quando debaixo de chuva tomarmos mais algumas fotos, de uma aldeia que parecia uma coisa e se nos revelou outra, bem mais interessante do que aquilo que parecia. Pena a chuva não deixar saír as pessoas à rua e não nos permitir grandes aventuras, pois o material fotográfico não é lá muito fã de chuva.

 

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Mas vamos então ao Telhado, uma aldeia meio escondida mas bem perto da Barragem dos Pisões, da Lama da Missa, no limite do concelho de Montalegre, no meio do Barroso e quase em cima dos Cornos do Barroso com Alturas do Barroso na vertente oposta da serra, mas a apenas dois ou três quilómetros. Penso que melhor localização não será possível, só mesmo a do GPS, mas se as quiserem também cá ficam, as do Google Earth – 41º42’15.17”N – 7º49´18.43”O.

 

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Nas pesquisas que fizemos pouco encontrámos sobre esta aldeia. Apenas uma referência a uma fonte de mergulho que no local nos passou despercebida, ou seja, não a vimos. Assim, o que poderemos dizer sobre a aldeia é apenas o resultante da nossa observação.

 

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Quanto ao conjunto da aldeia visto ao longe não se apresenta muito interessante, mas lá entrados, as coisas mudam de figura. O casario tradicional de granito marca uma forte presença. Dele, destacamos algumas construções em perpianho de granito com junta seca e uma construção com acabamento mais cuidado e mais nobre, também em perpianho de junta seca com granito à vista com a arte da cantaria a ser aplicada nos cunhais, nas molduras das portas carrais e janelas, e nos interessantes óculos ao nível do rés-do-chão. Arte de cantaria daquela que hoje, infelizmente, já não se usa. Por último a igreja também se apresenta interessante, no centro da aldeia como mandam as “regras” nas aldeias tradicionais do interior, também ela em pedra à vista, uma torre sineira e avançado coberto na entrada principal.  

 

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Atentados ou pecados também os há. Inevitáveis como sempre por falta de planos diretores ou falta de interesse em preservar os núcleos das aldeias, mas também por falta de incentivos para que tal aconteça. O mal é geral e não é só desta aldeia ou deste concelho ou região. O mal estende-se por todo este nosso Portugal e, com falta de argumentos, é politicamente e legalmente mais fácil permitir que proibir.

 

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Também alguns dos traços da nossa cultura estão patentes nesta aldeia, quer nas alminhas que se encontram na entrada da aldeia ou num dos seus largos, nos fontanários e tanques públicos e cruzeiros, por exemplo. Curiosamente nesta aldeia temos um dois em um, ou seja tanque com cruzeiro dentro, este último com uma base recente embora a cruz nos pareça ser mais velhota. Vale pela originalidade e antes acrescentar algo ao tanque/fonte do que demoli-lo, tal como já aconteceu em algumas aldeias que conhecemos aqui na nossa terrinha (Chaves).

 

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Para finalizar falta realçar a beleza da envolvência da aldeia com os seus pastos verdes, a água em abundância e muito gado bovino, com a raça barrosã a marcar presença por entre outras raças. Agradou-nos ver que na aldeia ainda se usa a tradicional capa de burel, a qual tivemos sorte de a apanhar em imagem e em uso.  

 

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E por hoje é tudo, ou quase, pois só falta mesmo referir as anteriores abordagens deste blog a aldeias ou temas do Barroso:

 

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A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:29
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Sábado, 25 de Junho de 2016

Seara Velha não consta, mas devia constar...

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Mais de uma vez que me passou pela cabeça de intitular estes sábados dedicados ao mudo rural com “Sábados das Lamentações” e quem acompanha o blog sabe bem o porquê, mas nunca me canso de o repetir, quer dizer, de lamentar, de vir aqui com os lamentos do mundo rural, não só do despovoamento e do seu envelhecimento, mas sobretudo das consequências desse despovoamento que nos levam à perda, morte, desse mundo rural e de toda uma cultura que é muito da cultura do povo português do interior.

 

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Claro que esta lamentação não é  por estarmos a perder um passado feito de muita pobreza e muita necessidade de um povo maioritariamente iletrado ou iliterato que aos olhos de hoje, mais que viver, subsistia. Esse passado não deixa saudades e é por conhecê-lo  que os jovens começaram a fugir dele, porque sabiam que nele não teriam um futuro mas antes continuar a subsistir tal como os seus pais e avós.

 

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Mas um novo mundo rural era possível se a tempo e com novas políticas se tivesse adaptado ao mundo de hoje, criando condições e oportunidades para que os mais jovens,  se o desejassem,  se mantivessem ou regressassem após a sua formação, às suas aldeias ou dando-lhes condições para que delas pudessem fazer aldeias dormitório, principalmente as mais próximas da cidade.

 

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Infelizmente nada se tem feito pelas nossas aldeias e todos, os que têm responsabilidades, nada fazem para salvar o mundo rural, antes pelo contrário, a maioria das medidas e politicas adotadas são um convite ao abandono.

 

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Mas não era por aqui que eu queria ir hoje, mas antes pela riqueza de um património único e singular que se está a perder com o despovoamento, não só um património cultural feito de usos, costumes, saberes, tradições, folclore de um povo castiço, mas também o de um património arquitetónico de conjunto que o são a maioria das aldeias, com a sua igreja ou capela, os seus tanques, fontes e fontanários, os fornos, alminhas, moinhos, cruzeiros e o casario tradicional do granito ou do xisto que se vai aconchegando um ao outro com as suas paredes meeiras ao longo das suas ruas estreitas, ou com os seus pátios e quintais divididos pelos muros de pedra solta. Aldeias que elas próprias são património de um património mais alargado que o são todas as aldeias do interior rural português. Mas nem todos pensam assim, ao que parece…

 

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O  mapa que atrás fica em imagem foi retirado de uma publicação da entidade responsável pelo turismo Porto e Norte, cujo título é “Aldeias Norte de Portugal”. Independentemente de todas as aldeias que constam da publicação merecerem constar dela, nota-se que quem orienta a publicação são outros interesses que não são os do turismo nem os das aldeias. Outro interesses haverá para que na dita publicação não conste nenhuma aldeia de Chaves, nem de Vinhais, nem de Valpaços, por exemplo e que do Barroso apenas constem a aldeia de Vila da Ponte de Montalegre e Vilarinho Seco de Boticas. Aliás se observarem bem o mapa nota-se o grande vazio que existe entre aldeias em todo Trás-os-Montes. Pelos vistos Trás-os-Montes e principalmente a nossa região do Alto-Tâmega e Barroso, turisticamente falando tem pouco interesse, dizem eles os responsáveis por… pois meus senhores, para que conste, há muitas mais aldeias para além do Vilarinho Seco e Vila da Ponte, aliás a grande maioria das aldeias do Barroso, do Alto-Tâmega e de Trás-os-Montes mereciam constar dessa e de muitas mais publicações turísticas.  

 

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Mas tudo isto, o meu post de hoje, vem ao respeito de agora a cidade de Chaves ter entrado para o roteiro onde existem obras de arquitetura de interesse mundial, tudo graças ao Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso ter sido projetado por um arquiteto premiado com um Pritzker, o Arquiteto Álvaro Siza Vieira. Então não seria de aproveitar esta mais-valia para oferecermos aos futuros visitantes interessados em arquitetura um roteiro das aldeias interessantes da região. Pois se alguém responsável pensar nisso não se esqueçam de nela incluir Seara Velha, entre outras de Chaves e do Barroso. Mas hoje só fica o nome de Seara Velha por ser ela a que empresta as imagens a este post.  

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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Sábado, 21 de Maio de 2016

Uma aldeia, uma imagem - Agrações

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:24
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Sábado, 14 de Maio de 2016

Chaves rural, era uma vez...

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Hoje comi favas, é tempo delas, de chegarem à mesa para serem mais uma das nossas iguarias. Uma sopinha de favas ou uma fabada, não há melhor. Ontem quando as vi em cru cresceu-me água na boca, mas hoje quando as comi, fiquei desconsolado… pois ainda me lembro das favadas que a minha avó e a minha mãe faziam quando eu ainda era miúdo, feitas com alguma arte, é certo, mas com outros acrescentos que a(o)s cozinheira(o)s de hoje já não têm, e daí, o discurso de hoje sobre o nosso mundo rural, mais que de saudade é de desilusão.

 

Este discurso de fins-de-samana sobre o nosso mundo rural tende cada vez mais a ser pessimista, a cada vez mais ser deprimente. Todos os sábados farto-me de aldrabar por aqui com imagens e estórias de um mundo que já acabou, que já não existe mais, que não será possível recuperar. Aqui e ali vão restando uns resquícios da cultura do povo transmontano, apenas isso em dois ou três resistentes já meios tolhidos pela idade,  um povo por excelência que se apoiava na sua terra, na sua singularidade e genuinidade, nos seus saberes e no comunitarismo, pois a vida difícil de viver atrás dos montes numa terra ingrata,  a isso obrigava.

 

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Na distância e ausência da coisa fácil das cidades que a troco de dinheiro se compra(vam) sabores, saúde, educação, diversão, sensações e até a própria vida, o mundo rural trabalhava os pequenos vales e montes para deles tirar o sustento da sua sobrevivência e vivia em comunhão com gente, porcos, vacas, ovelhas, cabras, burros, gatos, galinhas, cães, cavalos, patos, perus e demais animais que um dia também eles pudessem ir à mesa das refeições ou pudessem ajudar no árduo trabalho de revirar a terra para todos os anos, por volta do mesmo dia, semearem e colherem os seus frutos.

 

E assim a gente lá ia andando na sua roda viva dos afazeres diários, que eram mesmo diários sem semana à inglesa, pois a bicheza assim o exigia, e todos, os animais, pessoas adultas, crianças e idosos, tolhidos dos membros, maleitas ou até da cabeça, sem exceção, contribuíam para a mesa lá de casa e quando nas colheitas eram necessárias muitas mais mãos e corpos para o trabalho, os vizinhos apareciam sempre para dar uma ajuda. Entretanto os porcos na corte faziam estrume para as terras enquanto engordavam para no inverno irem ao banco, as vacas e bois, quando não tinham de fazer parelha para puxar os carros de trabalho, ou individualmente puxarem ao arado, eram tocadas para os lameiros, a ovelhas e cabras iam para o monte, os cães faziam de companhia, davam alarmes,  marcavam e  guardavam o seu território e os do seu dono, guardavam e protegiam o gado do ataque dos lobos,   galinhas, patos e perus além de um dia servirem de manjar, punham ovos e comiam os restos das refeições, cascas, sementes e fruta rejeitada, os gatos lordes que são, dormiam ao sol mas de olho na casa e nos baixos que mantinham livres da bicheza pequena dos roedores, cavalos e burros serviam para o transporte de mercadorias e pessoas.

 

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Tudo isto era suficiente para se viver e se mais terras houvessem, mais se cultivavam, e mais filhos se faziam para as trabalhar. Vida dura e difícil, feita de sol a sol, onde só as noites, os dias de chuva intensa ou os grandes nevões davam algum descanso, no entanto, à sua maneira, viviam felizes, e com a fé que todos tinham, rezavam e agradeciam o pão que sempre chegava à mesa e que Deus e a natureza os livrasse, a eles, às suas culturas e à bicheza lá da terra das pragas e doenças, preces que ouvidas ou não, eram sempre agradecidos ao santo de devoção ou padroeira da aldeia, acrescidos de festa rija, com missa e procissão, foguete no ar, banda no coreto, cabrito e outros pormenores à mesa.

 

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Mas o que mais surpreendia era a criatividade que este povo, cultura, rural tinha. Nos tempos menos abastados ou de escassez do que a terra dava,  inventava sabores para não ter à mesa, todos os dias, apenas, o pão que o diabo amassou. Do porco, animal sagrado sem direito a devoção, aproveitava-se tudo, sem exceção, e, pelo menos, desde o Natal até à Páscoa garantia ricas iguarias á mesa, qual delas a melhor. Cabritos, cordeiros e leitões, para os dias de festa, embora os últimos dessem sempre algum dinheiro que dava sempre algum jeito e depois havia que guardar alguns para engordar. Frangos e coelhos enquanto os havia, para o dia a dia, as galinhas poedeiras escapavam ao repasto e apenas depois de velhas davam boas canjas,  galo para dias especiais, o peru para o natal e por aí fora… Isto quando havia bicheza para ir à mesa. As invenções aconteciam quando como quase do nada faziam verdadeiras iguarias, que hoje, algumas, são imitadas com mais sustento. Os milhos, fabadas, palhadas, omeletes, tomatadas, castanhas, tortulhos, batatas à espanhola e as punhetas de bacalhau, sopas e caldos, para além daquilo restava na salgadeira ou dos fumados de porco que durante todo o ano, regados ou cozinhados com o azeite, cebola e alhos da colheita iam dando sabor a autênticas iguarias feitas de quase nada, onde até a carne gorda podia ser um petisco, sem esquecer a magia das ervas aromáticas que tinham sempre à mão.   

 

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O engraçado disto tudo é que estes pratos considerados pobres e de pobres, hoje são servidos em bons e finos restaurantes como entradas, ou mesmo como prato principal, que embora não sejam maus, estão a anos luz do sabor e mestria com que eram confecionados com os produtos genuínos que a gente genuína do mundo rural tinha e que saiam das suas hortas e cortes, ao contrário dos de hoje, de estufas, aviários e outros que tais.

 

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Engraçado também, com graça deprimente, é que esses pratos pobres, poulas, hortas, cortes e muito suor deste povo do mundo rural deram de comer e pagaram muitos estudos a doutores e engenheiros que, hoje chegados ou estando no poder (politico ou outro) depressa se esqueceram de como eram bons os milhos comidos à luz da candeia e deixam morrer o mundo rural que lhes permitiu hoje, engravatados,  estarem onde estão.    

 

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De vez em quando, lá de Lisboa e de outros locais onde os poderosos se apoleiram, dizem ser urgente agir contra o despovoamento do interior e do mundo rural. Palavras ditas sem sentir e sem sentido, pois o que lhes vai na mente são outras ambições. Àquilo a que poderíamos e deveríamos apelar, já é muito tarde para o fazer. Já se perdeu, quase toda,  a genuinidade da cultura do povo rural, Já lhes começa faltar-lhe tudo e os pouco resistentes que resistem já não têm tempo ou estão tolhidos para salvar o que resta dessa cultura. Aquilo que supostamente hoje se possa fazer pela cultura deste povo interior, é o que se poderá fazer e oferecer em qualquer parte do mundo, de forma igual, globalizada, cómoda, muito cómoda porque onde quer que formos teremos mais do mesmo, o mesmo sabor, o mesmo saber, sem a singularidade e genuinidade das terras, dos produtos, do modo de fazer e outras singularidades que fazia os seus sabores diferentes, feitos com diferentes saberes e uma cultura, não uma coisa desinteressante, globalizada,  chata  e que se repete em todas as esquinas, sempre desenxabidas e artificiais.

 

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Também por cá, na terrinha, de vez em quando, se vem com a treta de se ter de olhar para o mundo rural, para o presunto de Chaves, para a couve penca, o grelo da veiga e a batata da montanha, para o  pastel de Chaves, o melhor fumeiro e folar de Portugal e arredores, o mesmo que outras terras desse nosso Portugal dizem, mas a realidade é que quando queremos comprar um desses afamados produtos regionais,  o presunto de Chaves nem vê-lo nem cheirá-lo, as couves são da mesma estufa que fornecem Lisboa e o Algarve, as batatas vêm de Espanha, os grelos de genuínos só tem o fio azul com que fazem os molhos, folar já começa a ser igual em qualquer terrinha a que se vá. Quanto ao fumeiro, com as exigências da lei e as preocupações que se tem com o pessoal que o faz e onde se faz, com cozinhas xpto, gorro na cabeça, luvas nas mãos, qualquer dia, em vez do reco do matadouro,  já se faz sem reco e sem fumo, e quer seja aqui ou no Barroso, em Vinhais, nas Beiras ou no Alentejo, o fumeiro certificado começa a ser todo igual e bem longe das chouricinhas e alheiras que a minha avó fazia com o reco da corte, sem luvas e touca na cabeça e fumado com a boa lenha do monte, em lareiros colocados por cima dos escanos a pingar gordura sobre as cabeças de quem o fazia.

 

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Restam os famosos pastéis de Chaves que sobre eles dava para escrever meia dúzia de romances e muitos mais livros de ficção. Pena que a origem dos pastéis de Chaves não fosse um tema obrigatório para os contos que os escritores galegos e outros deste Portugal,  foram convidados há dias pelo Altino para  às custas do município passarem uns dias em Chaves. Seria um bom desafio. Seja como for o pastel está certificado e como diz o nosso amigo do Celeiro que tem lá quatro pastéis dentro duma gaiola – “Não cantam mas são uma delícia” (penso que é isto que diz, se não for é parecido). Pois quanto à sua genuinidade, a acreditar pelo que dizem as dezenas de casas que o fazem em Chaves e não só, cada uma delas diz fazer o verdadeiro pastel de Chaves, quer isto dizer que deve haver por aí muito pastel falso e que os outros que fazem nas outras casas não é o verdadeiro, é parecido, bom, mas não é verdadeiro. Pois eu vou mais longe, e tal como o resto (fumeiro, presunto, etc), todos são pastéis de Chaves e embora, repito,  sejam bons, nenhum é genuíno pela simples razão de os ingredientes não o serem. E fico-me por aqui.

 

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Quanto às imagens de hoje, é um pouco ao calhas, uma foto daqui, outra dali, mas todas de cá,  do nosso mundo rural flaviense, esta sim, genuínas, tal como os nossos resistente e o despovoamento também bem verdadeiro.

 

Resto de um bom fim de semana, hoje com muita festa cá por Chaves e em várias frentes, mas a maior, claro, é a do regresso de Chaves à I Divisão, com reco no espeto, foguete no ar e música nos palcos.  

 

 

 

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Domingo, 8 de Maio de 2016

O Barroso aqui tão perto... Padroso

1600-padroso (30)

 

montalegre (549)

 

Continuando as nossas voltas pelo Barroso aqui tão perto, vamos continuar pelas aldeias da raia seca com a Galiza e das imediações da Serra do Larouco, ainda antes de entrarmos ou passarmos Montalegre para ou outro lado, ou seja, continuamos pelo Alto Barroso, hoje de visita a Padroso.

 

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Nos anos setenta do século passado ia com frequência a Montalegre, mais em tempo de férias escolares, onde de verão passava por lá uns dias em casa de familiares. Já então aproveitava, sempre que surgia a oportunidade, para ir pelas aldeias do concelho de Montalegre. Conheci algumas mas como então, hoje pena minha,  ainda não utilizava o registo da fotografia para memória futura, pouco retenho das aldeias de então, a não ser um fim de Tarde em Tourém em que assisti pela primeira vez à chegada de uma vezeira. Esse foi um momento inesquecível.

 

1600-padroso (45)

 

Mas nesses anos, tal como disse, conheci algumas aldeias, que no geral do que ainda recordo delas, eram mais ou menos idênticas, ainda com algumas casas cobertas de colmo, muitas pessoas e animais na rua. Mas não recordo de então ter ido a Padroso, embora tivesse ido a Sendim, um pouco mais além. É o problema, sé é que é um problema, das aldeias não ficarem junto às estradas principais, onde sempre se vai deitando um olho sobre elas.

 

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Assim, no passado mês de abril, andando por aquelas bandas, resolvemos ir a Padroso pela primeira vez, embora ao me cruzar com o Rio Cávado recordar que afinal aquele troço de rio e o moinho não me eram estranhos, e não eram, mas também nos tais anos setenta em que fui por ali, não passei do Cávado nem do moinho.  

 

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Pois em abril entrámos pela primeira vez na aldeia, já passavam das cinco da tarde e a luz do dia não era lá grande coisa para a fotografia.  Aliás quando entramos pela primeira vez numa aldeia entramos sempre às escuras, mas aqui a luz é outra, pois entramos às escuras porque estamos a entrar no desconhecido, mas as luzes vão-se acendendo quando começamos a entrar nas suas ruas e a trocar dois dedos de conversa com os seus habitantes.

 

1600-padroso (28)

 

Se a entrada em Padroso não desperta para nós muito interesse, pois é a parte nova da aldeia, o início da primeira rua mais antiga idem aspas, pois somos recebido pelo casario abandonado, algum em ruinas, e uma ou duas intervenções mais recentes que quebram a harmonia do casario tradicional, mas isto é no início da rua, pois conforme vamos avançando para o núcleo da aldeia, em torno da capela e do forno do povo, aí as coisas começam a melhorar no que ao casario típico e tradicional diz respeito, mas também à vida da aldeia, pouca, é certo, mas agradável nos curtos contactos que tivemos.

 

1600-padroso (39)

 

Claro que os lamentos dos poucos residentes, aqui também resistentes,  é o do costume nas aldeias do interior em geral, aqui acrescido pelo facto de ser uma aldeia da raia, onde a abertura das fronteiras retirou alguma importância a estas aldeias, mas também pelo rigor dos invernos onde a neve é visita frequente. Neve que nós apreciamos tanto mas que tolhe os movimentos a quem é obrigado a conviver com ela.

 

1600-padroso (41)

 

E como de costume vamos ver o que a página oficial do município diz sobre a aldeia, que aliás, com a última restruturação das freguesias, passou a fzer parte da União de freguesias de Montalegre e Padroso:

“Como todas as freguesias da raia seca também Padroso sofreu as agruras das agressões castelhanas e gozou com os benefícios ocasionais do contrabando. Foi uma das honras de Barroso. Mas Padroso tem outras glórias para passar à posteridade. Desde logo o ter sido lugar propício para a emigração clandestina – actos heróicos que salvaram da fome e da morte muitas famílias pobres do norte. E justo é recordar agora o Padre Domingos de Donões que foi vilipendiado e condenado ao ostracismo, perdendo o sacerdócio e o seu estatuto social, apenas por ter espírito cristão, caritativo e solidário. Quantos dos que o acusaram, foram mil vezes piores que ele! Padroso e um tal Júlio, cabo da Guarda Fiscal aí colocado, foram o sítio azado e a mão da justiça para “armar o laço” a um prepotente oficial que a agitação social, saída da “monarquia do Norte”, designara administrador do concelho de Montalegre. Este, tenente do exército, dos lados de Viseu, chamado Aurélio Cruz, trazia o povo aterrorizado, com ameaças, perseguições e multas incompreensíveis, com sovas e até com dias de prisão! Certo dia, ao ouvido do Dr. Custódio Moura, o tenente revelou intenção de oferecer à sua criada um xaile de veludo galego. Foi quanto bastou para o apanharem na esparrela. Como o cabo de Padroso lhe levantasse um auto de notícia, ao apanhá-lo em flagrante com o xaile de contrabando, o governo de então decidiu exonerá-lo, por indecente e má figura, despachando-o para setenta léguas de distância.”  

 

1600-padroso (43)-1

 

E por Padroso é tudo. Em resumo, saímos de lá agradados, principalmente com o seu núcleo mais antigo que se desenvolve à volta da capela e do forno do povo.

 

Como  de costume ficam os sítios da net consultados para recolha de informação:   

http://www.cm-montalegre.pt/

 

Anteriores abordagens deste blog a aldeias ou temas do Barroso:

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

 

 

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Sábado, 19 de Março de 2016

Ventuzelos - Chaves - Portugal

1600-ventuzelos (247)

 

A vista geral de Ventuzelos com olhares lançados desde a Santa Bárbara, quase por magia a objetiva fixa sempre este cenário.

 

1600-ventuzelos (53)

 

Lá (cá) em baixo, os pormenores das casas, das ruas, poucas, e da gente, ainda alguma.

 

1600-ventuzelos (259)

 

E onde há gente há vida e as nossas aldeias foram construídas para isso mesmo, para terem gente com vida dentro, por isso, é sempre com agrado que de vez em quando vou passando por lá.

 

 

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Sábado, 12 de Março de 2016

Aveleda - Chaves - Portugal

1600-aveleda (96)

 

Desde que tenho lembranças sempre gostei mais de ouvir e observar do que ser observado e escutado. Ainda hoje assim é, mas se durante muitos anos ouvir e observar era suficiente, com o tempo dei-me conta que não é suficiente, pois o que ouvia e observava em catraio, aquilo que mais despertava os meus interesses de então, não são os mesmos de hoje, ou de há 10 ou 20 anos atrás. Assim, com o tempo fui-me dando conta que era necessário algo mais, um registo que vá além daquilo que ficou registado apenas na memória que, quando solicitada, continua a dar-nos o registo daquilo que registámos com a idade de então. Com isto quero dizer que é frequente a memória atraiçoar-nos e fazer, por exemplo, grandes, coisas que são pequenas, e esquecer grandes coisas que não altura do registo para nós não tinham qualquer importância. Daí a fotografia surgir também na minha vida como um auxiliar da memória que faz registos fiéis e duradoiros no tempo. Tudo isto surge para vos justificar a primeira foto de hoje, de há 10 anos atrás, uma imagem que há 30 e tal anos quando passei na aldeia da Aveleda pela primeira vez, se a vi, não me ficou registada na memória e que hoje, é uma de difícil acesso.

 

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Uma descoberta leva-nos sempre a outras descobertas. Se para quem passa apenas na estrada sem a visão da primeira imagem a Aveleda não se apresenta particularmente interessante, a imagem do seu acomodar entre montanhas convida-nos à descoberta da sua intimidade. E foi assim que pelas primeiras vezes fui entrando na aldeia – convidado pelo que via lá do alto.

 

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Mas muitas das vezes aquilo que se vê ao longe, não é bem aquilo que a nossa imaginação desenha. O pormenor não é lá muito amigo das distâncias e se algumas vezes ficámos desiludidos com o pormenor, outras o pormenor continua a surpreender-nos. Mas tudo isto, insisto, surpreende ou não conforme a idade que temos e os nossos interesses atuais, e a Aveleda desde que a descobri e registo na sua intimidade em fotografia, surpreende-me agradavelmente por ser uma aldeia diferente da maioria das nossas aldeias do concelho, tudo por ser uma das poucas aldeias do xisto que temos por cá. Por outro lado há a desilusão, esta generalizada a todo o concelho, a desilusão do despovoamento, do envelhecimento da população e do abandono das casas, às vezes já a desilusão da ruína. E lamento, não imaginam como lamento, de não ter registos fotográficos de há trinta e tal anos atrás, quando fui por lá das primeiras vezes. Registos da vida de então, de, sempre, muita gente na rua, crianças e animais. Sei que trinta anos para a história (das palavras) é uma insignificância, mas para as da imagem, fazem toda a diferença.

 

1600-report-1dia (347)

 

Mas como com lamentos não chegamos a lado nenhum, resta-me o consolo de pelo menos de há 10 anos para cá ir fazendo os meus registo fotográficos, às vezes, aparentemente, disparatados e sem qualquer importância, mas que daqui a 30, 50 ou 100 anos, irão fazer toda a diferença e ser um documento precioso para se poder fazer alguma história não manipulada, porque na imagem (fotografia) está lá tudo, ou quase, pois faltam-lhe os sons e os cheiros ou aromas.

 

 

 

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Sábado, 16 de Janeiro de 2016

As Nogueirinhas do caminho de terra...

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Eu sabia que existiam umas Nogueirinhas para além daquelas que vos tenho trazido aqui até hoje. Sabia-o porque já la tinha estado há uns bons anos atrás, ainda nem existiam telemóveis, nem fotografia digital, nem estrada asfaltada para lá chegar, e foi precisamente a modernidade, essa de nos facilitar as coisas que fez com que eu esquecesse os velhos caminhos de terra para lá chegar, os únicos que existiam quando lá fui pela primeira vez.

 

1600-nogueirinhas (148)

 

Assim, até há uns dias atrás, sempre que passava pelas Nogueirinhas passava pela nova variante, novinha, asfaltadinha e por aí fora, bem mais confortável que os velhos caminhos de terra. Como é fácil habituarmo-nos à comodidade , tanto que nos tenta a pecar e nós pecamos. Desde que a estrada nova existe passei a ver as Nogueirinhas de outro anglo, pouco interessante por sinal, mas a comodidade era essa as Noguerinhas que me dava, e eu aceitei-a e depressa esqueci as outras Nogueirinhas que tina conhecido anos atrás, ou quase, pois eu sabia que elas existiam.

 

1600-nogueirinhas (186)

 

Pois há duas semanas atrás, por sinal num dia pouco convidativo para a fotografia, deixei-a de parte (a fotografia) e passei a reparar mais nos pormenores em vez das composições e, desde uma curva da estrada nova, detetei quase impercetível o velho caminho de terra batida, que de tão próximo que estava das Nogueirinhas, só me podiam levar até ela, e levou, e finalmente retomo as Noguerinhas que eu guardava na memória, um pouco alteradas é certo, mas as mesmas que eu conheci há muitos anos atrás, mas não só, pois o velho caminho de terra batida levou-me até outras descobertas. Mas para já, ficam três imagens apenas, a descoberta ficará para uma próxima oportunidade e assim, tenho um pretexto para voltar lá daqui por uns tempos.

 

 

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Sábado, 26 de Dezembro de 2015

Noval - Chaves - Portugal

1600-noval (42)

 

O tempo passa sem darmos por isso. Pensava eu que a última vez que tinha ido a Noval em recolha de imagens tinha sido há dois ou três anos, e na realidade passei por lá há dois anos atrás, mas já em pleno anoitecer, ou mais noite que dia, pelo que só deu para recolher três imagens, mas como a maioria sabe, sem luz não há fotografia, pelo menos sem longas exposições e um tripé, que foi o caso. Pois em recolha de imagens a sério só aconteceu duas vezes e já lá vão uns anitos, uma das vezes foi em 2007 e a outra em 2009, pelo que é natural que as imagens que hoje vos deixo não estejam muito atualizadas.

 

1600-noval (96)

 

Assim pela certa já entenderam que esta última imagem com neve não é destes últimos dias, mas antes de dezembro de 2009. Embora já em pleno inverno o tempo continua por cá anormalmente quente para a época, aliás não tenho memória de ter passado um Natal com temperaturas tão altas. Contudo não quero com isto dizer que esteja calor, mas antes que daquele frio-frio a que os invernos nos têm acostumado, ainda não chegou.

 

1600-noval (30)

 

Ficam então três imagens de Noval, uma pequena aldeia aqui ao lado de Chaves e mesmo colada à aldeia de Soutelo, mas se não o soubéssemos, pelas suas características, principalmente do casario, bem acreditaríamos que se podia tratar de uma das aldeias de montanha. Noval que conjuntamente com Soutelo foram aldeias rainhas na tecelagem de linhos e das famosas mantas de lã. Mas isso já são coisas de outros tempos.

 

 

 

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Domingo, 29 de Novembro de 2015

Tronco - Chaves - Portugal

1600-tronco (183)

 

Penso que as imagens falam por si e dispensariam muito bem os comentários ou palavras que deixo por aqui a acompanhá-las. Quem me conhece e conhece os registos fotográficos que faço para o blog, sabe que o que prende a minha atenção nas nossas aldeias e mundo rural é, para além das paisagens, o casario antigo e alguns pormenores associados à vida das aldeias. Casario e pormenores que refletem os sabores, saberes, crenças, costumes, hábitos, arte, história e estórias dos locais. Em suma é a cultura dos lugares aquilo que mais me desperta no nosso mundo rural.

 

1600-tronco (210)

 

Mas claro que quando abordamos a cultura de um lugar estamos a entrar por caminhos aparentemente complexos, isto, se tivermos em conta a definição que cada um de nós tem para a cultura, que é diferente segundo que a aborda. Por exemplo politicamente falando entendem por cultura o que está ligado às artes, ao cinema, ao teatro, à literatura, à música, etc.. Se regressarmos no tempo até à civilização romana e aos falantes da línguas de origem latina, a cultura está também associada ao cultivo da terra para produção. Se entrámos no campo empresarial o mais provável é que se fale de cultura organizacional, mas ainda há mais, pois sempre podemos falar de cultura popular e da cultura segundo as visão da filosofia, da antropologia e das restantes ciências sociais que embora todas à volta do mesmo defendem algumas diferenças.

 

1600-tronco (185)1

 

Quanto ao meu entender de cultura já o deixei no primeiro parágrafo e que se integra perfeitamente naquilo que as ciências sociais defendem, mas para aqui a definição até pouco interessa, pois só levantei esta questão por duas razões. A primeira para justificar as imagens que vos vou deixando aqui durante os fins de semana e que vão de encontro à vidas das nossas aldeias que precisamente identificam uma cultura própria que estamos a perder.

 

1600-tronco (187)

 

Pois a segunda razão de hoje trazer a cultura também se prende com as imagens de hoje serem de Tronco onde, culturalmente falando, vivem duas comunidades distintas, uma que á mais tradicional nas nossas aldeias e uma outra, a comunidade cigana que há umas dezenas de anos vive na aldeia e tem laços familiares mais próximos à comunidade cigana mais ampla que vive um pouco por todo o nordeste transmontano junto à raia, desde Bragança até Chaves.

 

 

 

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Sábado, 25 de Julho de 2015

Santiago do Monte - Chaves - Portugal

1600-santiago (190)

Confesso que nas primeiras vezes que passei por Santiago do Monte a aldeia não convidava a uma paragem fotográfica. Um bocado por teimosia na descoberta, teimei e fui entrando na aldeia. Uma, duas, três, já não sei bem quantas vezes, e de cada vez que agora paro por lá há sempre imagens e pessoas que surpreendem e que deixam a descoberto uma beleza que dói. Não são essas imagens que hoje vos vou deixar aqui, pois tenho outra coisa pensada para elas. Em breve, se o “projeto” for avante, cá estarão.

1600-santiago (212)

Hoje deixo-vos apenas duas imagens, minimalistas, mas que falam por si. Realço esta segunda imagem, com o devido elogio ao fio azul, e que demonstra a capacidade de há muitos anos, mesmo de sempre, que as nossas aldeias tinham em preservar o ambiente em que os “lixos” domésticos tinham dois destinos, o primeiro utilizado como fertilizante das terras de cultivo e o segundo, aquele que a terra não come e rejeita, com uma utilidade qualquer, aquilo que agora pomposamente, em nome do ambiente, se chama reutilização. Quanto ao design, é sempre do mais original que há e de peça única.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:17
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Sábado, 18 de Julho de 2015

Cela - Chaves - Portugal

1600-cela (28)

Como sempre aos sábados fazemos uma passagem pelo nosso mundo rural. Geralmente o mundo rural acontece aqui aleatoriamente, pois nunca sei qual a aldeia que vou trazer aqui aos fins-de-semana, geralmente dou uma vista de olhos rápida pelo arquivo fotográfico e paro quase ao acaso em cima da pasta de uma aldeia, entro nela, vejo as fotos e se há uma ou mais que despertam a minha atenção partilho-a aqui, mas para haver fotos nas pastas de arquivo temos que, antes, passar por essas aldeias para fazer os registos fotográficos e, há aldeias, que calham mais em jeito que outras, principalmente quando dedicamos uma tarde à recolha de imagens e privilegiamos itinerários em que a recolha pode ser mais frutífera. Pois acontece que a aldeia da Cela, embora aqui à mão, não calha a jeito nos itinerários de percurso de várias aldeias e por essa razão raramente passamos nas suas redondezas e daí ter pouco material em imagem da aldeia, pois sinceramente só uma vez fui por lá para recolher imagens e daí ser uma das aldeias em que não passa por aqui com tanta frequência, mas, mais uma vez, fica a promessa que um destes dias lá estarei e a Cela terá aqui uma publicação mais alargada mostrando mais o seu ser. Para hoje fica apenas uma imagem, de marca, com o seu cruzeiro de fundo.

 

 

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