Iniciamos hoje uma nova semana temática - A semana do cravelho.
Em Sanjurge
É sem qualquer dúvida uma das peças mais usuais nas antigas portas do mundo rural, e não é só coisa nossa, cá da terrinha ou de Trás-os-Montes, mas uma peça que se repete por esse Portugal interior rural, mas também aqui ao lado na Galiza.
Em S.Cornélio
Cravelho, carabelho ou ferrolho, é conhecido pelas três nomeadas. Pessoalmente, apresentaram-mo como ferrolho. Desde criança que o conheço por esse nome, no entanto, desde há muito que também sei, que o ferrolho diz respeito ao fecho de ferro. Carabelho é talvez o termo mais popular pelo qual é conhecido em muitas das nossas aldeias, no entanto o termo correto é Cravelho, que deriva do latim clavicula «pequena chave». Mas seja qual for a nomeada, a função é a mesma, fechar as portas para que elas não fiquem escancaradas à entrada de um qualquer animal, apenas isso…
Em Stª Marinha
A par do cravelho, também com o sentido de guardar, proteger e dar sorte vê-se em muitas portas a ferradura. Dizem os que acreditam nestes talismãs que a ferradura simboliza a energia e a sorte e é utilizada precisamente para atrair energia positiva, a boa sorte e a fortuna. No entanto no meio rural é mais utilizado para proteger as casas, os que as habitam e os animais. Também são por vezes utilizadas nos estábulos para garante da boa saúde e fertilidade dos animais, mas, avisam os entendidos na coisa que a ferradura não pode ser uma qualquer, pois tem de ser de burro, senão não tem efeito.
Em Carregal
Trouxe aqui a ferradura pela curiosidade de se fecharem as portas com um simples cravelho que basta deslizar para a porta se abrir, sem qualquer chave ou outro artefacto que impeça a sua abertura, pois a ferradura, está lá para proteger os da casa da gente má – Entre quem vier por bem… Era com esta simplicidade de valores carregados de boa moral que se vivia no mundo rural. Hoje, pelo-sim-pelo-não, mais vale mesmo ter uma fechadura, e das boas.
Em Castelões
Pois ao longo desta semana irão passar por aqui alguns cravelhos, carabelhos ou ferrolhos, que fui recolhendo nas nossas aldeias, mas também vão ficar algumas das portas que os acolhem.
E porque hoje é domingo vamos até uma das nossas aldeias, mais propriamente até Vilas Boas, que é também sede de freguesia e que foi uma das felizardas que escapou à reorganização das freguesias, mas só na “segunda volta”, pois na primeira era excluída. Enfim, as tais políticas ditadas por Lisboa às quais as políticas locais aderem ou são obrigadas a aderir, mas sem qualquer resultado em termos de fazer diferença política ou económica, pois na prática a poupança com a reestruturação das freguesias pouco vai além do insignificante, mas já em termos locais, das populações, a diferença já se faz sentir, na sua identidade, história e honra. Em suma, a reorganização das freguesias não passa de uma palhaçada ditada por Lisboa que não vai ter qualquer significado real de melhoria para as populações e muito menos para o desenvolvimento das freguesias, mas, isso sim, vai servir de pretexto, de desculpa, para se pôr de pé uma palhaçada maior, esta sim com significados económicos agravantes para os Estado, ou seja, para todos nós, que uma Lei de Sócrates criou e que agora o ministro Relvas quer levar avante (e não é para camaradas, mas para companheiros) e que dão pelo nome de CIM.
E perguntam vocês - o que são as CIM?
Para “esclarecer” deixo-vos um artigo publicado na Voz de Chaves da última semana que nos fala sobre elas mas não esclarece não políticos e leigos:
De referir que, constituída em 2009, a Comunidade Intermunicipal de Alto Trás-os-Montes (CIM-TM), sediada em Bragança, engloba Alfândega da Fé, Boticas, Bragança, Chaves, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços, Vila Flor, Vila Pouca de Aguiar, Vimioso e Vinhais.
Segundo João Batista, presidente da Câmara de Chaves e a presidir à CIM-TM, esta unidade territorial “não garante os objectivos e os critérios apresentados na Lei de Enquadramento, já aprovada, mas ainda não publicada, da criação das CIM´s, nomeadamente, a falta de identidade, homogeneidade e governabilidade, com vários núcleos (Chaves, Mirandela e Bragança)”. Segundo referiu o autarca, “como é que se propõe um projeto estruturante entre Miranda do Douro e Montalegre, por exemplo? Tais dificuldades, entre outras, levam ao cepticismo e à falta de confiança, e, consequentemente, as pessoas não aderem”.
Por sua vez, com a criação da CIM do Alto Tâmega, tais critérios “enquadram-se perfeitamente entres os seis municípios do Alto Tâmega, já que há uma identidade e uma história”. Sobre os critérios da governabilidade e políticas integradas, “ a AMAT – Associação de Municípios do Alto Tâmega, os mesmos que constituirão a CIM, é um bom exemplo de como os seis municípios são capazes de desenvolver políticas e projetos de desenvolvimento comuns, que têm merecido a confiança das populações”.
NUT e CIM devem coincidir
Segundo as novas orientações, a sub-região ( NUTIII) e a CIM devem ser constituídas pelos mesmos municípios, situação que não se verifica actualmente. Ribeira de Pena, por exemplo, pertence à CIM de Trás-os-Montes, e ao nível de Sub-região, à NUTIII Tâmega. Havendo necessidade de alterações e com a saída da Lei da criação das CIM’s, um dos critérios para que seja criada uma CIM, é existir obrigatoriamente uma NUT III.
Neste sentido, refere João Batista, “ao propormos a criação da CIM do Alto Tâmega, simultaneamente, proporemos a criação da NUT III do Alto Tâmega”. Neste processo, já que a aprovação das NUT’s será uma decisão de Bruxelas, deverá, até dia 1 de Fevereiro de 2013, ser entregue a proposta no organismo Europeu. E, como para a aprovação de uma NUT, terá de existir uma CIM, mal seja publicada a lei que regula a criação das CIM, ao que tudo indica, já em Janeiro, “avançará a proposta da criação da CIM do Alto Tâmega”.
Além desta coincidência (CIM e NUTIII), para a criação de uma CIM a mesma deverá ser constituída por cinco municípios e ter uma população acima dos 90 mil habitantes, “critérios que os seis municípios do alto Tâmega cumprem”. Este novo mapa das unidades territoriais entrará em vigor a partir de 2014.
Políticas Públicas poderão mudar com as CIM´s
Com a criação das unidades territoriais das CIM’s, que, ao que tudo indica, serão 20 no total, incluindo já a criação da CIM do Alto Tâmega, e menos que a divisão por distritos (22), é previsível que “as políticas do país venham a ser desenvolvidas na sua globalidade com base nestas unidades territoriais das CIM´s”.
Sendo, pois, inquestionáveis as vantagens da criação da CIM do Alto Tâmega, separando-se da CIM do Alto de Trás-os-Montes, acresce que, segundo referiu João Batista, a ser previsível que as políticas públicas, nomeadamente, na Saúde, Justiça, Educação e Segurança Social, sejam pensadas com base nas CIM’s, “será um novo argumento para satisfazer as nossas reivindicações na área da saúde, com a criação da Unidade Local de Saúde do Alto Tâmega, assim como, ao nível do mapa judiciário, com a criação de uma Comarca”. E quem sabe se, futuramente, as CIM’s sejam a “base dos círculos eleitorais”, concluiu o autarca.
Então, agora mais “esclarecidos” (suponho) , vamos explicar as CIM com outras palavras e números de quanto nos vão custar.
As CIM (embora ninguém dê por elas) já existem, a única diferença é que tal como as freguesias também vão ser reorganizadas, ou seja, no nosso caso vai deixar de ser regional (para todos Trás-os-Montes) para ser mais local (a nível só do Alto Tâmega) e vai deixar de ser “administrada” quase de borla (pela inerência dos atuais presidentes de Câmara) para passar a ter cargos executivos renumerados que vão ter um custo anual de mais de 3 milhões de euros para o Estado, além dos custos da estrutura das CIM, incluindo a administrativa, dos quais ainda não se sabem os valores.
Claro que todos entendem que a nível local vamos ter muito mais força que a nível regional, não é!? Pelo menos vamos pagar para isso, ou será que o a mísera poupança dos vencimentos dos das juntas de freguesia extintas vão dar para pagar isto tudo? Pois mesmo que dê, lá se vai a “filosofia” da poupança, pois o dinheiro apenas é transferido dos bolso dos poucos políticos eleitos que fazem alguma coisa pela população (os elementos das Juntas) para outros que não se sabe o que vão fazer nem como irão lá parar.
Note-se ainda que a apregoada reforma do estado que se diz imposta pela troika propagandeia reduzir custos ao estado e não aumentar. Ainda não fiz as contas
Talvez seja deixar por aqui o que dizem alguns dos especialista na matéria (fora dos partidos e do poder) que levantarem muitas as reservas sobre a proposta de reorganização do ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, sobre as competências das comunidades intermunicipais (as tais CIM) e a criação de novos dirigentes locais, onde em vez de haver menos gente e menos gastos, vai passar a haver mais gente e mais gastos, além de se garantir (claro está) ocupação renumerada para os atuais autarcas que não se vão poder recandidatar nas próximas eleições. E quem diz isto, por outras palavras, até nem sou eu, mas a imprensa nacional e gente muito mais idónea como um especialista na área do poder local, o professor catedrático António Cândido de Oliveira, da Escola de Direito da Universidade do Minho e director do Núcleo de Estudos de Direito das Autarquias Locais, onde o Jornal Público em dezembro passado para perceber, afinal, para que serve a criação de um órgão supramunicipal que tem competências financeiras, que não é fiscalizado por nenhum outro órgão e que muitos perspectivam como um destino apenas para acomodar clientelas políticas, conversou com António Cândido de Oliveira que afirmou: “O reforço das competências da CIM é um investimento errado, porque é investir numa quantidade de entidades, pelo menos tantas quantas os distritos, quando o que se deveria fazer era poupar aí, investindo menos nessas entidades” e acrescenta: “As CIM não têm nem escala, nem legitimidade directa para fazer uma boa administração.”
António Cândido de Oliveira vai ainda mais longe quando afirma: “Portugal padece de um problema que tem a ver com uma boa administração e as boas administrações não se fazem a partir de Lisboa”. Refere ainda o Público que Cândido de Oliveira sustenta, a este propósito, que aquilo com que o Governo deveria preocupar-se era encontrar resposta para o que verdadeiramente é importante resolver: “os problemas regionais do país”. O especialista acrescenta que “uma reforma que assenta em comunidades intermunicipais é sempre uma reforma sem horizontes largos”. O professor da Universidade do Minho sustenta que “os problemas regionais devem ser resolvidos a um nível regional e não a nível nem dos distritos, nem das comunidades intermunicipais” - ( o sublinhado é meu). Para terminar Cândido de Oliveira argumenta: que o Governo, ao impor as CIM, está “a fazer uma coisa pior”, já que as CIM “comportam um número muito mais elevado e com custos a nível dos órgãos executivos”
Tinha alinhavado umas palavras para este início de ano e, claro, para o balanço de 2012 caía no lugar comum das lamentações da crise acabando por desejar um bom 2013. Acontece da crise já todos estamos fartos e quanto ao 2013 ser um ano bom, vou ali e já volto. Em vez do palavreado alinhavado deixo antes uma passagem do Diário XI de Torga, que ao fim e ao cabo diz tudo que eu queria dizer:
Chaves, 10 de Setembro de ...
Estes políticos, grandes ou pequenos, ao nível da capital ou da vila, são curiosos! Actores singulares, que em vez de servir se servem, é a própria megalomania que representam no palco da vida, a recitar em voz alta as palavras que adivinham no pensamento dos espectadores que hipnotizam. Naturezas ávidas de palmas vivas – e de morras, se não puder ser doutra maneira -, no fundo, as ideias, o bem público, a pátria e o mais em que se louvam para atingir e conservar o poder, não lhes interessam. É o espectáculo da sua positiva ou negativa hipertrofia pessoal que os seduz. A multidão cá em baixo, rasteira, embasbacada, fremente de entusiasmo ou indignação , e eles a pairar no meio dela , grotescos e sorridentes, a gesticular como gigantones.
Miguel Torga, In “Diário XI”
Mas, tal como os forcados não viram as costas ao touro, encaremos também de frente este 2013, certos de que vamos levar com a pesada marrada do touro furioso…
Mas hoje, dia 2 de janeiro, como todos os anos, quero aqui assinalar o aniversário deste blog. Fazemos hoje 8 anos de existência, que até pode parecer pouco tempo, mas que para manter a sua vida diária, às vezes, temos feito das tripas coração, com momentos altos e baixos, fazemos o que sabemos mas com gosto, e vamos continuar por cá, com a regularidade que nos é conhecida,
Claro que seria injusto se não agradecesse a preciosa ajuda dos amigos de caminhada que colaboram com o blog, sem os quais, estou em crer, que este blog não se teria mantido, alguns quase desde a primeira hora de existência, outros que se juntaram mais tarde e ainda outros que por uma ou outra razão tiveram que abandonar a colaboração, mas que todos, e eles sabem-no, fazem parte da família do blog Chaves, que continua e continuará sempre aberto a novas colaborações nesta arte de navegar Chaves, as suas aldeias e a região.
Da minha parte há algumas promessas por cumprir e ainda não foram esquecidas nem nunca o serão, mas têm o seu tempo de acontecer e tem, também, de haver tempo para que se cumpram. Assim, vamos continuar para já, como até aqui, com as crónicas habituais nos dias de semana e com os sábados e domingos reservados para as nossas aldeias, para o seu esquecimento, para os seus resistentes.
Quanto à cidade, continuaremos atentos, continuaremos a percorrer as suas ruas e a trazer aqui algumas imagens recentes ou de vez em quando uma ou outra para recordar Chaves antiga que já não existe mais, mas continuaremos a denunciar quando tal seja necessário, reconhecer com o devido elogio se tal for merecido, mas certos que todos por aqui queremos uma cidade melhor, para nós, mas sobretudo para que os jovens flavienses de hoje possam ter aqui o seu futuro e aqui tenham os seus filhos, se assim o desejarem. Chaves deve ser uma cidade de opção e não apenas de berço para depois de estar criado, ser abandonada.
Que mais vos poderei dizer!? – Claro que tenho que agradecer a todos que visitam este blog sem os quais não teríamos razões para vir por aqui diariamente, mas também dizer-vos, que gostaria de ter mais feedback de todos vós, gostaria de contar com a vossa participação na discussão da nossa cidade e das nossas aldeias, saber o que gostariam de ver por aqui no blog, principalmente dos flavienses ausentes que são a principal razão da existência deste blog, pois nós os presentes, vivemos a cidade e as aldeias todos os dias e nem sequer precisamos de palavras ou fotografias para saber como elas vão…
Quanto às imagens, e uma vez que não tem havido queixa das que trazemos por cá, vou continuar a partilhar aquelas de que mais gosto mas também algumas das que sei que gostam de ver, e embora da cidade já quase tudo esteja nas cerca de 8000 fotografias que partilhei no blog e nos 3400 posts publicados ao longo destes anos, podem acreditar que vou continuar a descobrir novos recantos e pormenores da cidade mas também de todo o nosso concelho, e às vezes, um pouco mais além, porque Chaves, não se esgota no concelho.
Quantos às imagens de hoje, são algumas das que me deu prazer partilhar aqui ao longo do passado ano de 2012, apenas algumas, pois não cabem mais.
Amanhã, cá estaremos de novo, de regresso à normalidade do blog e dos dias de inverno de Chaves.
Até amanhã!
O que nos diz uma imagem?
O porquê destas imagens e não outras?
O que despertou o clique?
Pois é, até gostaria de vos responder, e até podia…
Pois podia… estar para aqui toda a noite a filosofar sobre isto e aquilo, estéticas, composições e emoções, estórias e poesia - sempre das imagens, das imagens e dos porquês, etc., coisa e tal, mas a verdade, verdadinha, e com toda a correção possível, iria estar para aqui a inventar toda a noite, pois há coisas para as quais não sei as respostas, embora, sejamos sinceros, elas me digam alguma coisa e até me apetece dar-lhe nomes, títulos, legendá-las .
Pois aqui ficam os títulos, como se isso vos servisse de alguma coisa, mas enfim, já que me nego a estar para aqui a inventar, e preciso de umas palavrinhas para intercalar as imagens, aqui ficam eles (os títulos)
Para a primeira imagem fica este: “Diálogos altaneiros”
Para a segunda, apetecia-me dizer "algo" do género como “ Os coisos do ferrolho”, mas fica este, politicamente mais correto: “ Sinais do tempo”
Por último, para a terceira imagem fica um título original, tipo filme do Oliveira para a música do Abrunhosa: “ A porta, a janela e o janeluco”.
Bem, acho que o melhor é mesmo ficar por aqui…
Falta dar o crédito à imagens e que ficam inteirinhos para a aldeia de Rebordondo.
Até ao próximo post.
Hoje vamos até Izei (1) e alguns pormenores que não couberam nos posts anteriores dedicados à aldeia.
Pormenores que fazem a singularidade de cada aldeia, que nos ajudam a conhecer a sua história, que fazem a diferença.
Uma cancela que teima em manter a sua função de vedar mesmo que já nada tenha a vedar, uma cegonha que teima em dizer presente quando já nem consegue impedir a invasão das silvas e quase já esqueceu como se bica a água, uma capela que testemunha a grandeza da casa, mesmo que não habitada.
São imagens de hoje que teimam em não deixar esquecido os tempos de outrora e como se tem sido injusto com as nossas aldeias.
(1) - Após a publicação do post, via facebook, alertaram-me para a primeira foto (da cancela) ser de Samaiões, o que de facto é verdade. Fica aqui a devida correção.
Como sempre aos domingos deixo por aqui as nossas aldeias, mas hoje, além das aldeias, deixo muito mais, pois deixo também símbolos que para nós são inconfundíveis, símbolos da nossa cultura, que são nossos, apenas nossos, de Portugal.
Imagens que encontramos um pouco por todo o lado e às quais poderíamos juntar muitas mais, imagens que muitos de nós temos dentro de casa ou à porta, imagens que nos fazem sentir em casa mesmo estando fora dela.
Assim, o post de hoje vai direitinho para a nossa diáspora espalhada pelos quatro cantos do mundo. É um pequeno contributo deste blog para com elas poderem matar saudades embora algumas destas imagens acompanhem também a diáspora.
E faltam só os créditos para os locais onde as imagens foram tomada, um bocadinho à sorte, também nos quatro cantos do nosso concelho, desde a Agrela, passando por Cimo de Vila da Castanheira e Santa Cruz da Castanheira, para terminar em Oura.
Ainda no post de ontem referia que era angustiante entrar nas aldeias e não ver vivalma. Desde o início deste blog que tenho alertado para o despovoamento das aldeias e aponto o dedo bem apontado aos senhores de Lisboa e aos que na província os imitam – leia-se políticos. Ontem, sem querer, deparei com um artigo na NET com um título que de imediato sugeria a leitura, não só pelo título mas também pelo nome que dava origem ao mesmo ser uma entidade na matéria. Li e não resisti em partilhá-lo aqui no blog, pois penso que por todas as verdades que contém, merece ser lido e divulgado. O artigo já é de fevereiro deste ano, mas continua e continuará atual. As fotos que ilustram o post são nossas, à exceção da foto de Ribeiro Teles, que foi retirada do artigo em questão.
Ribeiro Telles - «O grande problema do país é a morte das aldeias»
Numa conversa que decorreu nos jardins da Fundação Calouste Gulbekian, o arquitecto paisagista falou sobre o país, os problemas de planeamento das grandes urbes, a desertificação das aldeias. Para o antigo ministro da Qualidade de Vida, os governantes conhecem mal o país, o território e, em especial, o mundo rural. «É preciso que os responsáveis pensem mais no país, menos nas finanças e reflictam na economia do planeamento para o desenvolvimento das gentes». De acordo com Gonçalo Ribeiro Telles há que recuperar a «autenticidade das coisas».
Num momento em que Portugal vive uma crise económica e social, o arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, que completa 90 anos em Maio deste ano, começa por dizer que o principal problema do país «é a falta de informação e a cultura das pessoas, transversal na sociedade portuguesa».
«Desde as camadas superiores, mais intelectualizadas até às mais profundas, de ligação à terra e aos lugares, essa falta de cultura continua à vista», argumenta, recordando que Portugal «vive uma crise de valores».
Refere que o fosso entre o Litoral e o Interior continua a aumentar. «A quem se deve o desaparecimento e a degradação das aldeias?», questiona, sublinhando, em seguida, que tal se deve «a toda uma política de organização do desenvolvimento planeada para a destruição do país e à preocupação em considerar a ruralidade como qualquer coisa do passado sem futuro».
«Criámos uma ruína. É preciso que os responsáveis pensem mais no país e menos nas finanças. Que reflictam mais na economia do planeamento para desenvolvimento das gentes, das potencialidades e da nossa posição quanto ao mundo», apela Gonçalo Ribeiro Telles.
E considera que «se estão a construir cidades só por construir e a criar não o vazio do espaço, mas o vazio do espaço construído». Sobre o interior, salienta que as aldeias «não podem despovoar-se como está a acontecer» e frisa que «dentro de pouco tempo, isto é um país de velhos, de asilos urbanos». Por isso defende que a recuperação das aldeias «tem de passar pelo restabelecimento da agricultura local».
E não tem dúvidas: «hoje, o grande problema do país é a morte das aldeias, que é também um problema de cidades».
E explica porquê: «o aglomerado urbano, que vive do abrigo, do encontro das pessoas, do tecto, do ambiente é a cidade. Mas isso também existe e tem de existir na aldeia. A dimensão é que é diferente. O que está aqui em causa não é a cidade, que dentro de pouco tempo terá 80% da população a viver nela. As aldeias não podem despovoar-se como está a acontecer».
O arquitecto recorda que com os actuais modelos de Planos Directores Municipais (PDM’s) não há recuperação urbana das aldeias para as pessoas mas apenas «a recuperação de algumas aldeias para o turismo».
«Mas não há turismo sem aldeões. Estamos completamente errados. A recuperação das aldeias passa pelo restabelecimento da agricultura local. E isso é o que não se quer», afirma.

Para Ribeiro Telles, o crescimento urbano deu-se baseado na ideia de um enriquecimento a curto prazo. «Ninguém apostou, por exemplo, na agricultura. E grande parte da industrialização deu-se também devido a isso. As políticas não eram autênticas em função das gentes. Onde é que está a funcionar a agricultura em termos nacionais? E o povoamento do território? Não está nem nos programas dos partidos nem dos governos. Tem apenas os limites de um jogo financeiro», frisa.
Para o arquitecto, o chamado «regresso à terra», «não é um regresso para férias nem para fazer agricultura de recreio», mas tem de ser uma «aposta no investimento das escolas, que estão a fechar, na circulação de todo o movimento que se tem de fazer em qualquer região».
Para isso, vinca, «é preciso criar gradualmente as condições. Se não for possível, temos o caos. Não conhece os subúrbios das cidades? Aí está o exemplo de caos», diz.
«Temos utilizado mal os nossos recursos»:
Sobre a Reserva Agrícola Nacional (RAN), a Reserva Ecológica Nacional (REN) e os PDM’s, que Ribeiro Telles impulsionou no início dos anos 80 do século passado, o também engenheiro agrónomo, realça que os dois primeiros diplomas «tiveram uma má aplicação, muitas vezes, por incompetência de quem fazia o planeamento e incompreendida pela maior parte dos autarcas, que não viam naqueles diplomas uma vitória eleitoral a curto prazo, em parte, pela pressão do investimento que os bancos realizavam para determinadas entidades, e deu no que deu».
«O mal está à vista. Continuamos a falar da floresta, da expansão urbana, do crescimento das cidades. Mas isso não se vê», salienta.
E prossegue, dizendo que «não há uma planificação global em face das possibilidades e virtudes do território. E não há povoamento».
Sobre a utilização dos PDM’s, Ribeiro Telles refere que estes instrumentos foram criados como «algo necessário para a defesa dos melhores solos agrícolas de que depende a existência do povoamento e a existência do país».
«Mas foi muito desvirtuada por muitos políticos e programas, porque não viam o essencial na autenticidade do país. Além disso, o PDM não servia a rápida expansão urbana nos sítios mais fáceis, mais planos e nos lugares mais urbanos», acrescenta.
A juntar a tudo isto, o arquitecto garante que «temos utilizado mal os nossos recursos». E os exemplos de má utilização são muitos, de norte a sul do país, e principalmente, «têm-se acelerado a má utilização dos recursos porque não se acredita nas «gentes», que estão – ou deviam estar – ao serviço da Humanidade e com uma identidade própria».
Recorda que «todas as coisas no nosso mundo têm uma autenticidade e que é sempre possível recuperar». «Uma coisa autêntica é aquela que tem um passado, que tem alicerces e que tem também um presente que se vê, que se sente. Não há presença nem autenticidade sem futuro», avisa.
E lembra que há três elementos fundamentais para os países, incluindo Portugal, se manterem como tal: «os lugares, as potencialidades e os recursos que nos dá a Terra-mãe e as suas gentes. Havendo estas três condições há lugar à autenticidade e à criação».
Ana Clara | quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012
O artigo foi retirado de:
http://www.cafeportugal.net/pages/notici
Reservamos para amanhã mais uma atualização de um mosaico de mais uma freguesia. Hoje vamos fazer mais uma passagem por Sanjurge, embora breve e apenas com duas imagens, mas dá para mostrar um pouco do casario tradicional que ainda por lá existe, embora já não muito abundante e longe da sua antiga função habitacional e que, embora Sanjurge seja aqui a um passo de Chaves, demonstra também a sua antiga ruralidade. E digo antiga, porque hoje na prática, Sanjurge é mais um dormitório de Chaves.
Uma segunda imagem, esta já menos rural mas que faz o elogio ao fio azul (o melhor que há), que tem andado arredado deste blog.
Ainda para hoje, lá pela manhã, teremos aqui mais uns “Pecados e Picardias” de Isabel Seixas.
Até lá e até amanhã, com mais uma freguesia à luz dos CENSOS 2011.
Hoje vamos passar mais uma vez por Matosinhos. É uma daquelas aldeias que fica abrigada e escondida entre montanhas, longe dos olhares das estradas principais e que não é aldeia de passagem para outras aldeias ou lugares.
Para se conhecer, tem que se ir mesmo lá, pois só assim a podemos descobrir e é uma daquelas aldeias que vale a pena ser descoberta, pelas vistas e paisagem, pelo casario rústico tradicional que ainda sobrevive pontuado aqui e ali por casario mais nobre e até solarengo.
Da minha parte, sempre que vou para aquelas bandas e o tempo o permite, desço até lá e deito-lhe um olhar. Aqui pelo blog também já fez as suas passagens e continuará de vez em quando a passar, pelo menos enquanto houver imagens em arquivo que mereçam ser partilhadas.
Seguindo a tradição do blog, os domingos são para as aldeias.
Hoje trazemos por cá Adães e Alanhosa.
Esta primeira fotografia é de Adães de uma casa que já tivemos oportunidade de visitar e à qual prometemos um post alargado e por duas razões. A primeira porque então estava a ser alvo de uma recuperação daquelas a que eu chamo exemplar, onde o gosto e o respeito pelo passado predominavam e onde tudo estava a ser feito com mestria. A segunda razão prende-se com os antepassados desta casa. A promessa foi feita e será cumprida, para quando é que ainda não sei.
Uma das notícias nacionais de ontem tinha a ver com as freguesias e com elas não concordarem com a reforma administrativa que Lisboa quer levar avante. Não concordam e com toda a razão, pois o mal de Portugal não está nas freguesias onde aliás, salvo raras exceções, os eleitos são os verdadeiros representantes do povo e onde a democracia se cumpre e tudo, porque nas freguesias vota-se nas pessoas em quem os cidadãos acreditam pela sua honestidade, idoneidade e porque os conhecem, independentemente dos partidos políticos que os propõem. Será um rude golpe para a democracia mas também para o mundo rural a abolição das freguesias que se propõem abolir, só olhando a números sem conhecer as realidades no terreno.
Ainda digo mais, em vez de se acabar com muitas das freguesias, dever-se-ia reforçar os seus poderes e competências, dando-lhes mais autonomia financeira, em vez de estarem tão dependentes como estão das vontades dos respetivos municípios (Câmaras), que na maior parte das vezes fazem dos Presidentes das Juntas e respetivas freguesias, autênticos mendigos, principalmente se não forem da cor política das Câmaras.
O mal de Portugal, todos nós sabemos, não está no número de freguesias existentes.
De vez em quando gosto de subir ao cimo das serras, às croas dos montes para de lá ver o nosso mar de montanhas, as suas ondas e este pedaço de reino maravilhoso que habitamos e nos habita.
Mas há em toda esta riqueza de tudo que a vista alcança muita contradição. Não tenho qualquer dúvida que estas terras e estas vistas são amadas pelos seus filhos como só os transmontanos sabem amar e no entanto, quase todos partem para lá das últimas montanhas e serras. Também não tenho qualquer dúvida que a riqueza destes olhares e destas terras são únicas e no entanto, são desprezadas por quem as devia promover e cuidar delas. Não admira que os seus filhos sejam obrigados a partir como se sobre elas tivesse caído uma maldição.
Há quem chame a isto – desertificação. Eu chamo-lhe despovoamento porque estas terras estão longe de ficar desertas, antes cobertas de mato, isso sim. Todos sabem o que por aqui se passa e que até há uma palavra que resolveria isto tudo, chama-se repovoamento, mas os senhores de Lisboa e do poder local desconhecem-na ou não a sabem conjugar e como terras despovoadas não rendem votos, o mais certo é estarem condenadas ao despovoamento total. Qualquer dia nas ruas das aldeias só os rolos de erva seca circularão ao sabor do vento, como nos filmes de cowboys do far west.
São vistas tomadas em Póvoa de Agrações, sede de freguesia onde hoje, segundo testemunho de uma resistente, vivem 15 pessoas, muitas casas abandonadas ou fechadas, dois burros, uma ovelha negra e dois cordeiros branquinhos, mas suspeito que estes qualquer dia também partem para um banquete qualquer para além das montanhas ou para a cidade da névoa e do vale.
Mais logo, ao meio dia, temos mais léxico-glossário transmontano.
Pareço regressado aos tempos antigos da caça à fotografia para o blog, ou seja, saía de casa com a intenção de fotografar uma aldeia que tinha em mente e acabava sempre por fotografar outras. Deve ser assim como ir à caça do coelho e trazer perdizes, digo eu que não sou caçador.
Pois a primeira ideia era sair de Chaves e ir mais uma vez até terras de S. Vicente da Raia, mas como as tardes ainda são pequenas e as terras de S.Vicente não ficam propriamente aqui ao lado, decidi-me por terras mais próximas. O Planalto do Brunheiro serve sempre para uns cliques, além disso há em mim um certo prazer em fazer frente ao frio. É certo que dói, mas não me vence. Também sempre fui um bocadinho teimoso.
Hora de ponta entre Adães e Santa Leocádia
Pois lá fui eu pela famosa EN 314 acima. No Peto de Lagarelhos temos sempre outra decisão a tomar, ou continuamos a subir, ou descemos para o vale de Loivos. Mas ia mesmo decidido a subir até às terras das estórias do Gil Santos. Em France, um presépio chamou a minha atenção. Fiz o registo mas quase nem parei. Ia com ganas de continuar a subir e finalmente cheguei à primeira croa da Serra. Ali mesmo onde Carregal decidiu ficar e lançar olhares para o Brunheiro e para a Padrela (claro que falo das serras). Repeti por lá umas voltas, fiz novos registos, não muitos, pois a aldeia também é pequena e ainda dei dois dedos de conversa com uma senhora cujo rosto quase não se via, protegido que estava dos ares da serra com um lenço de lã a cobrir-lhe toda a cabeça. Em tom de provocação ainda perguntei pela gente da terra. – Há poucos, só quase velhos e todos doentes, ainda agora venho de ver um… disse-me. E verdade seja dita, nos 15 ou 20 minutos que andei por lá, só vi mais duas pessoas no amanho de uma horta por trás da Capela. Já não há gente para fazer mais estórias para o Gil nos contar.
Já que ali estava, toca até Fornelos. É só descer da croa do monte, descer um bocadinho e subir até outra croa que se transforma em planalto. Tudo pela EN 314. Bem, em Fornelos bem tento sacar mais umas fotos, e saco sempre, mas ando sempre à volta sem conseguir o que quero. Desta vez até entrei no concelho de Valpaços sem me aperceber mas cheirou-me logo que aquilo já não eram terras de Chaves. Nem parei. Não que tenha alguma coisa contra o concelho de Valpaços, antes pelo contrário, mas foi só por uma questão de território. E foi a pisar sempre a fronteira que atravessei a 314 e fui até Vale do Galo. Nesta, idem Fornelos. Para além das fotos que tenho em arquivo, da aldeia propriamente dita, não consigo sacar mais nenhuma. Mas na envolvente, aí já a cantiga é outra e há sempre motivos que encantam. Olhem só para a foto que a seguir vos deixo se não parece mesmo uma alameda de um parque de cidade em pleno outono e sem bancos como o Jardim Público. Mas não é, pois esta alameda é às portas de Vale do Galo e é de um souto que se trata.
Os dias são pequenos e as tardes, então, quando se vai a dar conta já a noite está a bater à porta. Descida apressada para Santa Ovaia com intenção de apanhar novamente a 314 no Carregal, mas ao passar a ribeira o murmúrio das águas convidaram-me a parar, e parei. Também nunca resisto a estes momentos de pura poesia onde tudo é puro e simples. A água é cristalina, o ar é frio mas absorve-se com odores de perfume e os sons são sinfonias. Não sei se os conseguem ver na primeira foto de hoje. Demorei mais do que tinha previsto, pois o aproveitei para fazer e testar uns registos que há muito tinha em mente. Mas não foi tudo, pois chegado a Adães lembrei-me de passar pelo seu miolo e veio-me à lembrança a luz doirada a iluminar a Igreja Românica de Santa Leocádia (terceira foto de hoje). Não podia perder esse momento, mas com jeito, conseguiria ainda o por do sol visto na descida do Carregal para France. Claro que o atraso ia sendo fatal para poder ver ainda a magia do por do sol por entre um avolumado mar de montanhas que lá de cima se avistam. Nas croas dos montes o sol estava naquele momento mágico de pedir um clique fotográfico, mas o raio da 314 não nos deixa encostar em nenhum desses miradouros naturais e havia que descer à pressa até Lagarelhos, pois dali as vistas também encantam, mas tarde de mais, o sol já estava por trás da última serra. Só havia mais uma oportunidade – a de subir o Brunheiro, pois antes mesmo de se chegar a Santiago do Monte, há por lá um sítio já meu conhecido destas contemplações da despedida do sol, e ontem, os tons do céu estavam imperdíveis.
Como podem ver pela foto que atrás vos deixo, cheguei mesmo na hora H para conseguir os segundos mágicos em que o sol se deixa ver pela última vez, já meio comido pela última serra. Após este momento apenas me restava descer novamente ao vale com espírito de missão cumprida e esperar pelo nevoeiro que vem sempre com a noite, mas desse, hoje não tenho registos.
Até logo, ao meio dia, com o nosso Léxico-Glossário.


. Imagens de Vilas Boas e p...
. 8 anos, obrigado pela com...
. Da primeira à terceira, m...
. O GRANDE PROBLEMA DO PAIS...
. Mais uma passagem por San...
. Matosinhos - Chaves - Por...
. Estou solidário com as fr...
. 15 pessoas, dois burros, ...
. Momentos de um sábado a c...

. As minhas páginas e blogs
. Gravuras e Postais de Chaves
. Fio Azul
. Animação Sociocultural
. RIA
. Cidade de Chaves
. De interesse público
. Imprensa
. Expresso
. Público
. Páginas e Blogs
. A
. Aquae Flaviae - Grupo Cultural
. Amigos dos Animais de Chaves
. Aguas Frias - Aguas Monforte
. António Lousada - Fotografia
. Aveleda
. Azoriana
. B
. C
. Cancelas
. Chaminés
. Club de Campismo e C. de Chaves
. Curalha
. D
. DE SVO
. E
. Eirense
. Espelho Mágico (Ana.M.Borges)
. F
. Faiões
. Fotografia - Na alma de um poema
. Fronteiras - Histórias da Raia
. G
. H
. I
. Instante
. J
. Jumento
. L
. Lebução de Valpaços - A terra, a gente e a vida
. Luas
. M
. N
. Nadir Afonso - Espacillimite
. Nós
. O
. P
. Pegasus
. Q
. R
. S
. Soutochao (aldeia galega da raia)
. Sérgio Pinheiro - Fotografia
. Swing
. Sentir
. Seara Velha - À Volta do Pote
. T
. TAMAGANI
. U
. V
. Valdanta
. Vidago - Pag. Junta de Freguesia
. Vidago, Bombeiros Voluntários
. Vilarandelo - Um dia uma imagem
. X
. Z