Domingo, 17 de Setembro de 2017

O Barroso aqui tão perto - Paredes do Rio

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Hoje vamos até a aldeia de Paredes, mas como Paredes há muitas, esta tem no seu topónimo o apelido “do Rio”, mas a razão do apelido não é apenas para distingui-la de outras localidades com o mesmo topónimo, mas sim porque faz parte de um conjunto de aldeias barrosãs com o mesmo apelido “do Rio” por se encontrarem ao longo e nas proximidades do Rio Cávado.

 

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Na imagem seguinte, uma vista geral sobre Paredes do Rio tomada desde a aldeia de Vilaça, parece que entre ambas as aldeias apenas existe um pequeno carvalhal, mas na realidade não é bem assim, isto são coisas dos enganos aos que a fotografia nos leva, pois entre as aldeias existe ainda o Rio Cávado, e embora desde o ponto em que tomámos a fotografia (em Vilaça) até a aldeia de Paredes do Rio em linha reta seja pouco mais de 1 quilómetro, a barreira Cávado, faz com que a distância por estrada entre as aldeias seja de 10 quilómetros.

 

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Como sempre as imagens dizem-nos coisas, e ainda na imagem anterior podemos ver em terceiro plano um bocadinho de serra. Trata-se já da Serra do Gerês e não muito longe daquele piquinho mais afiado é Pitões das Júnias, mas antes, entre a aldeia de Paredes do Rio e a Serra do Gerês temos ainda a Barragem de Paradela e as aldeias de Outeiro e Parada de Outeiro. Ou seja, já estamos em pleno Parque Nacional da Peneda Gerês, incluindo a nossa aldeia de hoje.

 

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Mas voltando àquilo que as fotografias nos dizem, nesta vista geral sobre a aldeia, pelo azul , pelo verde e pelo sol e sua luz, adivinha-se ser um dia de verão e bem quente que estava, por sinal, e de facto era verão, pois a imagem foi tomada no mês de julho de 2016. Já as restantes imagens são do mês de maio de 2017, mais precisamente do dia 12.

 

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Diz-nos a experiência que o Barroso, em termos climáticos, é traiçoeiro e para quem não o conhece, pode ser apanhado de surpresa nas suas malhas. Nesse dia 12 de maio, à nossa partida desde a cidade de Chaves, tínhamos um normal dia de primavera, temperatura amena e algumas nuvens no céu, daquelas que não ameaçam ninguém e apenas lá estão para quebrar o azul do céu e enfeitar a primavera.

 

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Quando começámos a entrar no Barroso, as nuvens começaram a escurecer. No itinerário do dia tínhamos Covelães para completar reportagens anteriores incompletas e logo de seguida Paredes do Rio onde iriamos entrar pela primeira vez, pois até aí sempre lhe passámos ao lado. Acontece que quando chegámos a Covelães, a nuvem escura que ia pairando sobre nós fartou-se de conter a sua água e resolveu descarregá-la toda sobre nós.

 

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Parados e dentro do carro ainda aguardámos uns 10 a 15 minutos a ver se descarregava tudo, mas não parecia ser essa  a sua intenção. Daí, e como ainda tínhamos muito caminho para andar, resolvemos passar à frente, a caminho de Paredes do Rio e eis que o “milagre” acontece - deixou de chover, mas em sua substituição caiu um denso e frio nevoeiro sobre nós. Era primavera, pouco provável de acontecer, mas no Barroso acontece. Daí, na mala do meu carro, ter sempre um “kit de sobrevivência”, uns agasalhos que no Barroso nunca se sabe quando vão ser necessários.

 

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Bem, mas tudo isto, esta introdução, além de ser real e um aviso para os que não conhecem as alturas do Barroso, é mais para justificar a qualidade das fotografias, sem o colorido habitual dos matizes que o Barroso oferece nos dia de sol. Com o nevoeiro cerrado tudo se torna mais cinzento, melancólico e misterioso, mas mesmo assim, a aldeia surpreendeu-me pela sua beleza, pelos muitos pormenores dignos de registo e sobretudo, porque desde de Vilaça parece ser uma aldeia esventrada pela modernidade, quando a realidade é outra, embora com alguns pecados.

 

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Mas entremos em Paredes do Rio.  Assim de repente se me preguntarem algumas das aldeias do Barroso às quais eu recomendaria uma visita, sem dúvida alguma que recomendaria Paredes do Rio. Se me perguntassem porquê? Responder-lhes-ia pelo conjunto do seu casario, mas sobretudo pelo conjunto de moinhos que vão descendo ao longo da aldeia, pela sua igreja e pelo “Complexo hidráulico” - é assim que está na tabuleta do Parque Nacional da Peneda-Gerês, e que se trata de uma construção recuperada, incluindo a sua cobertura em colmo. Pena que os moinhos não tenham também a sua cobertura original em colmo.

 

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Sobre o tal “Complexo Hidráulico” (imagem anterior), transcrevemos aqui o que se diz na atrás mencionada tabuleta:

“ «Núcleo ecomuseológico Complexo hidráulico de Paredes do Rio»

Este complexo hidráulico compreende uma estrutura formada por um pisão, uma serra hidráulica, um moinho e um gerador elétrico, que funcionam movidos pela força motriz da água, conduzida por uma levada com início na grande poça existente junto ao caminho”

 

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E continua:

“ É um engenho bastante polivalente, pois permite moer o grão ( de centeio ou milho), cortar madeira e pisoar o burel – tecido obtido a partir da lã.

Este imóvel foi adquirido pelos Serviços do Parque Nacional, em 1988, tendo sido realizado um trabalho de restauro de toda a estrutura, com vista à sua utilização por parte da comunidade local, sendo único em toda a área do Parque Nacional."

 

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E conclui:

“Aqui em Paredes do Rio, entre outros aspectos, podem ainda apreciar-se também nove moinhos de água, formando um conjunto de interesse sob o ponto de vista do património construído.

 

Para visitar, contacte: Delegação do Parque Nacional Rua do Reigoso – 5470-236 Montalegre, Telef. 276 518 320”

 

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Espero que os dados de contacto ainda estejam atualizados, pois para se visitar o interior do complexo penso que é mesmo necessário contactar a Delegação do Parque, isto a julgar pela nossa visita, pois encontrámo-lo fechado, e embora não estivesse nos nossos planos visitá-lo, isto porque desconhecíamos a sua existência, gostaríamos ter dado uma vista de olhos ao seu interior, mas fica para uma próxima oportunidade, tanto mais porque quero repetir alguns registos num dia sem nevoeiro.

 

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Aparte das anteriores recomendações de visita, também apreciámos ter visto as alminhas cobertas e as fontes e tanques/bebedouros onde dá sempre gosto ver correr a água cristalina, daquela que ainda se pode beber.

 

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Quando à sua localização, para além de alguns dados que já atrás deixámos, podemos ainda acrescentar mais algumas informações. Já sabem que o nosso ponto de partida é sempre de Chaves e mais uma vez temos sempre duas grandes alternativas, a da Estrada Municipal 507 via S.Caetano/Soutelinho da Raia e a Nacional 103 (Estrada de Braga).

 

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Para esta ida a Paredes do Rio recomendo a Municipal 507, não por ser a de menor distância mas por ser a mais interessante. É um percurso de 54 Km, que se faz em cerca de uma hora, isto se não houver paragens pelo caminho, pois embora o nosso destino possa ser esta aldeia, pelo caminho há sempre um ou outro motivo que convida a uma paragem para mais um registo fotográfico, sem contar a paragem quase obrigatório na Vila de Montalegre.

 

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Rematemos então com a localização com a exatidão das suas coordenadas, a altitude, o nosso habitual mapa e mais alguns dados. Pois então já sabemos que no concelho de Montalegre quando uma aldeia tem o apelido de “do Rio” fica nas margens do Rio Cávado. Neste caso fica na margem direita, logo a seguir a Covelães, freguesia à qual pertence Paredes do Rio e também a seguir à Barragem de Sezelhe mas muito próxima da Barragem de Paradela, ambas alimentadas pelo Rio Cávado.

 

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As coordenadas:  41º 47’ 42.01”N e 7º 55’ 10.44”O. Quanto à sua altitude, varia entre os 950m e os 1050m em plena encosta da Mourela, correspondendo a altitude mais baixa a cota da estrada de acesso à aldeia e a mais alta à última construção da aldeia (contada a partir da estrada).

 

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Passemos agora ao seu topónimo – Paredes do Rio. Pois o apelido “do Rio”, como já atrás referimos, refere-se à proximidade do Rio, neste caso o Cávado. Quanto a Paredes, não faço a mínima ideia. A título de curiosidade é um topónimo muito comum em Portugal e no Barroso de Montalegre existe ainda outra aldeia com este topónimo, que para se distinguir desta adota o apelido de “Salto” ou seja Paredes de Salto por pertencer à freguesia de Salto. Aldeia por sinal bem interessante e que já passou aqui pelo blog.

 

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Mas vejamos o que diz a toponímia de Barroso:

“ Povoação que consta já do testamento de Dona Ilduara de São Rosendo, feito em 27 de Fevereiro de 948 – há 1063 anos! E que integra o Tombo de Celanova. Com efeito, Dona Ilduara doa ao mosteiro de Celanova, na Galiza, sete “Villae” (povoações) entre as quais Paredes (secas) – “Paredes Sicas”, São João (da Ponteira) etc. todas situadas “Catavello” – no Rio Cávado. Por isso ainda hoje se apõe aos lopónimos “do Rio”: Cambeses do Rio, Frades do Rio, Paredes do Rio, etc.

O étimo é o latino pariete > parede, no plural. Já foi sede de freguesia e hoje anda anexa a Covelães."

 

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Na “Toponímia Alegre” consta o seguinte ( e como hoje temos muitas fotos, metemos uma entre cada quadra):

 

“ Pelo rio Mau acima

Quarenta ferreiro vão:

Cada um leva forquilha

Para matar um rão.

 

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Boticário de Paredes

Diga-me se sabe e pode:

Duma pontinha dum corno

Pode sair um charope?

 

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O Padre de Covelães

Fazia muitas misturas

Molhava o pão em azeite

Deixava o Cristo à escuras”

 

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Digamos que o poeta não era lá grande coisa mas, mas a “literatura” não deixa de ser curiosa, só não fiquei a saber o que raio é um “rão”, mas como a coisa se desenvolvia ao longo do rio só poderá se o macho da rã e grande, pois “rão”, segundo a língua portuguesa é um sufixo nominal com sentido aumentativo…

 

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Nas nossas pesquisas encontrámos alguns dados na Wikipédia, dados que valem o que valem e até com alguns erro ortográficos, mas que nós validamos (a informação, não os erros)  porque temos conhecimento que assim é. Então por lá consta isto:

“Paredes o Rio aldeia situada no concelho de Montalegre freguesia de Covelães distrito de Vila Real, conhecida pela sua bela paisagem turística assim como as suas raras antiguidades recuperadas, antiguidades como canastros para quem não conheça espigueiros, moinhos, pisão (onde se pisava o burel, que servia para fazer capas, calças e coletas para a população). actualmente tem também museu com várias antiguidades, e fundou há seis anos uma Associação Social e Cultural que realiza várias actividaes assim como. Cantar dos Reis. Sábado Filhoeiro. Carnaval. Queima do Judas. Segada e Malhada do centeio. Desfolhada do milho. Festa de S.Martinho, Matança do porco Bísaro.”

 

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E acrescenta ainda:

 

“Esta serve também a população mais idosa prestando-lhe apoio domiciliário na aldeia assim como nas aldeias vizinhas. Não é de perder a oportunidade também de fazer uma visita guiada a esta bela a aldeia do concelho de Montalegre.

Pisão

O Pisão é composto por um engenho hídrico que aproveita a força motriz da água canalizada, funcionando como serra, moinho e pisão de tecidos de lã. A água põe em funcionamento os malhos que pisavam as teias de lã para fabricar o famoso burel, a capa dos pastores.”

 

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Uma palavra de apreço para o associativismo, neste caso para a Associação Social e Cultural de Paredes do Rio que pelo que vimos tem promovido os sabores e saberes da aldeia. Espero que ainda exista e continue a existir por muitos e longos anos, por várias razões que não vale a pena aqui enumerar, pois fazem parte do associativismo. Só espero também que seja acarinhada pela Junta de Freguesia e Município de Montalegre, pois também é a estas entidades que corresponde e compete apoiar as associações, principalmente estas a nível local que têm sempre poucos meios para desenvolver as suas atividades. Digo isto porque nem sempre os municípios apoiam as associações, às vezes, por politiquices, má formação, ignorância, incompetência, inveja, ruindade e todos os nomes feios que conheço, antes de apoiar fazem tudo para as aniquila. E que  a associação tenha também a sorte, de os seus associados terem sempre em conta os interesses da associação acima dos interesses pessoais. E não digo isto em vão, pois sei o que digo…

 

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E estamos nos “finalmentes” , ou seja, no tempo de passar às referências das nossas consultas e anteriores abordagens às aldeias e temas do Barroso.

 

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Bibliografia

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

 

Sites

https://pt.wikipedia.org/wiki/Paredes_do_Rio

 

 

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Links para anteriores abordagens ao Barroso:

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:11
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Domingo, 3 de Setembro de 2017

O Barroso aqui tão perto - Pereira

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Pereira, Salto, Montalegre

 

Nestas entradas no Barroso, no último domingo fomos até Cerdeira, hoje vamos até Pereira, quase parece que em vez de andarmos no Barroso, andamos num pomar, onde por acaso são ambas de numa freguesia onde até existe um Pomar da Rainha.

 

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Mas não é por estas coincidências ou aparentes proximidade dos topónimos que hoje vamos até Pereira, da mesma freguesia de Cerdeira. Tal como no último domingo tivemos oportunidade de dizer aqui no blog, a escolha da aldeia é aleatória conforme calha no nosso sorteio e hoje calhou a Pereira.

 

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Iniciemos então pela origem do topónimo que, suspeito, tal como Cerdeira nada tem a ver com cerejas também Pereira nada terá a ver com peras. Poderia também ter origem no nosso antepassado Nuno Alvares Pereira, pois além de ter casado nas proximidades, sabemos que frequentou estas terras, mas suspeito que também não será daí que vem o topónimo, tanto mais que Pereira já existia quando o D.Nuno apareceu por esta bandas, por sinal as suas bandas, pois todo este território era de sua propriedade.

 

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Vejamos então o que diz a Toponímia de Barroso ao respeito de Pereira, da freguesia de Salto, concelho de Montalegre.

 

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“ Pereira

1258 « In villa de Pereyra sunt quinque casalia» INQ 1512.

Dez anos mais tarde, D. Afonso III concede carta de foro a Martinho Pais e Maria Pires desses ditos casais:

- 1268 «duo mea casalia que sunt in loco qui vocatur Pereyra de Barroso». Chanc. De D Afonso III.

Esta citação atesta o foro de dois casais feito pelo Bolonhês a “Martinho Pais e sua mukher Maria Pires.”

 

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Ainda na mesma “Toponímia de Barroso”, no capítulo da “Toponímia Alegre” e a respeito dos “Apelidos de Salto”  diz-se o seguinte – “Pereira fome lazeira”. Pois pelo que vi não há ou haveria razões para tal, mas estes “apelidos” são dados pelos de outras povoações em tom de troça e geralmente nunca são meigos nestas brincadeiras, pois há-os bem piores.

 

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Esta “Toponímia de Barroso” é sem dúvida alguma um trabalho interessante, que todos os Municípios deveriam ter  e que nos localiza o topónimo na história e na sua antiguidade. A meu ver às vezes só falha na origem/significado do topónimo, pois estes dados são sempre curiosos.

 

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Já sabemos que na toponímia, a maioria das vezes, os significados do atual topónimo nada tem a ver com a sua origem e o seu significado, pois geralmente a grafia  atual resulta da evolução da palavra ao longo dos tempos. Por exemplo o nosso topónimo “Chaves” nada tem a ver com chaves de abrir portas ou outras chaves, sejam elas qual forem, pois todos sabemos que resulta da evolução do topónimo da cidade romana de Aquae Flaviae e daí ainda hoje sermos flavienses.

 

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Em tom de brincadeira, atrás referi-me a Cerdeira e Pereira fazendo a ligação às cerejas e às peras, mas geralmente os topónimos com nomes de árvores, embora haja exceções, na sua origem nada têm a ver com o atual significado. Aliás,  no caso de Cerdeira a “Toponímia de Barroso” aborda este tema e explica que Cerdeira deriva de queecus > carvalho, Cerdeira. Pois quanto ao topónimo Pereira, este costuma estar associado a existência de pedras e pedreiras no local. Não sei se é o caso, mas pelo que vi no local não me parece ser.

 

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Ainda quanto ao topónimo e sua origem, uma vez que em tempos remotos foi uma “Villa”ou seja uma instalação agrícola com residências,  outra hipótese que se pode levantar é a de um dos seus primeiros proprietários ter apelido de Pereira, o que pode ser possível visto que “Pereira” é um apelido que já existe pelo menos desde o século XII  ( D. Rui Gonçalves Pereira viveu no século XII e é apontada como a primeira pessoa a usar esse sobrenome). Bem, mais isto são apenas suposições minhas e  não tenho qualquer documento que o comprove.

 

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Passemos agora à localização de Pereira que, como já fomos adiantando, pertence à freguesia de Salto, a cerca de 3,7 quilómetros da sede de freguesia, tendo no entanto como vizinhas mais próximas as aldeias de Amiar e Pomar da Rainha a apenas 1.5 Km, à mesma distância do limite do Concelho de Montalegre na parte confrontante com o Concelho de Boticas.  Próximas ficam também a Estrada Nacional 103 e a Barragem da Venda Nova. Mas melhor são mesmo as coordenadas da aldeia: 41º 40’ 10.05” N e 7º 54’ 59.26” O. Fica também o nosso habitual mapa.

 

mapa-pereira.jpg

 

Vamos às nossas pesquisas e o que diz o livro “Montalegre” sobre Pereira que para além da referência à sua freguesia nos fala de um artista que teve lá nascimento :

 

“ (…) É ver a obra, tanto em pedra como em madeira, de José Bento Pereira, nascido em Pereira de Salto, e cujas peças adornam os nichos, altares e sacrários do Baixo Barroso, além do mais diverso mobiliário destinado a servir no pio e no profano. (…)

 

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E no mesmo livro outra referência ao mesmo artista, mas mais completa:

 

Figuras

Há criaturas que pelas suas qualidades únicas servem de modelo aos comuns mortais e servem de título às diferentes páginas da História dos povos. Barroso também as tem. Dentre umas boas dezenas sobressaem os que aqui elencamos:

(…)

  1. José Bento Pereira (séc. XIX – XX) nasceu em Pereira de Salto e foi um artista de primeira água. As suas variadas criações encontram-se, sobretudo, nas freguesias baixo-barrosãs de Salto e Vila da Ponte. A excelência da sua talha e a tendência que revela para representar o que é da nossa terra são motivos de orgulho para nós e características muito interessantes deste artesão regionalista. Fez sacrários, imagens de diversos santos, cadeiras episcopais, artefactos de uso religioso e vasos sagrados, em madeira e em pedra, de indubitável perfeição.

 

1600-pereira (31)

 

Outros dados:

A aldeia de Pereira possuiu carta de aforamento real de dois casais de D. Afonso III, passada por este monarca em 1268.

O censo da população de 1530, ordenado por D. João III, indica moradores ou fogos nas seguintes povoações: (…) Pereira, 6.

 

Um ensaio estatístico de 1836 fornece indicações dos seguintes lugares e habitantes: Ameal, 36; Armiar, 73; Bagulhão, 67; Caniçó, 93; Corva, 73; Linharelhos, 48; Paredes, 27; Pereira, 53; (…)

 

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E na ausência de mais dados resultantes das nossas pesquisas, vamos as nossas impressões pessoais.

 

Trata-se de uma aldeia pequena com algumas dezenas de construções dispersas ao longo de dois arruamentos principais. Tal como demonstram a maioria das imagens, ao redor da aldeia o que predomina é o verde, principalmente o das pastagens, mas também com algumas terras de cultivo e pequenas mancha de floresta, com predominância do carvalho.

 

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Quanto a gente nas ruas, o habitual, quase nenhuma, mas é notório que a aldeia é habitada e nas pastagens não faltam os bovinos que fazem jus a sua raça, pois maioritariamente são barrosas no Barroso e pela certa vacas e bois felizes dado a fartura e qualidade dos pastos mas também a liberdade que neles têm, o que vai sendo habitual na freguesia de Salto.

 

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Por último uma referência à água que onde aparece ou corre é sempre transparente e cristalina e se por acaso adquire uma cor, essa será apenas a do reflexo do azul do céu. Pela certa e seguindo o antigo ditado de “água corrente não mata gente” é uma água com a qual até se pode matar a sede, coisa que vai sendo rara hoje em dia, pelo menos a julgar pelos rios, ribeiros e rigueiros que por aqui temos mais próximos.

 

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Quanto à existência de traços da nossa cultura portuguesa, claro que não poderiam faltar as alminhas, um cruzeiro (aparentemente de construção recente) e os canastros. Claro que a par de algumas construções mais recentes, também há as construções tradicionais em granito e algumas ainda com o murete de pedra nos telhado,  testemunho das antigas coberturas de colmo.

 

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E penso que é tudo, gostámos do que vimos, principalmente da paisagem e da exuberância do verde sem esquecer as barrosãs que gostam sempre de posar para a fotografia.

De seguida as referências às nossas consultas e os habituais links para as anteriores abordagens ao Barroso.

 

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Bibliografia

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre:  Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

 

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Sítios da INTERNET

http://norteportugues.blogspot.pt/2011/03/historia-breve-da-freguesia-de-salto.html

 

 

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Links para anteriores abordagens ao Barroso:

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:29
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Domingo, 27 de Agosto de 2017

O Barroso aqui tão perto - Cerdeira

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montalegre (549)

 

Penso que já o disse aqui no blog que para as nossas incursões no Barroso fazemos sempre um itinerário e pequeno estudo prévio sobre as aldeias que prevemos visitar, ou seja, fazemos o trabalho de casa antes de avançamos para o terreno ou para o trabalho de campo. Claro que esse trabalho prévio serve apenas para orientação e diga-se a verdade, nunca cumprimos esse itinerário preestabelecido, pois entrar pelo Barroso adentro é sempre uma incógnita e uma aventura, e por uma ou outra razão, somos sempre surpreendidos com demoras e imprevistos que nos roubam tempo mas são sempre uma mais valia para as nossas recolhas.

 

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Ora acontece que para a freguesia de Salto, que pensávamos fazer numa única vez ou no máximo em duas vezes, devido às tais surpresas, acabámos por ter de lá ir umas cinco ou seis vezes, nem todas exclusivamente para lá, mas quase sempre para concluirmos a freguesia, mesmo assim, a nossa aldeia de hoje – Cerdeira, foi ficando sempre para trás, pois como ficava ali à beirinha de Salto, em qualquer momento poderíamos fazer o levantamento…

 

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O facto é que o tempo foi passando e com exceção de duas aldeias, que dada a proximidade da vila de Montalegre deixámos propositadamente para o fim, Cerdeira ficou de fora. Claro que não poderíamos dar por concluído o nosso trabalho no concelho de Montalegre sem Cerdeira e lá tivemos que ir mais uma vez até à freguesia de Salto em que no trabalho de casa colocámos Cerdeira em primeiro lugar, isto para não ficar outra vez para trás, e no que restaria do tempo,  aproveitaríamos para completar o levantamento de meia dúzia de aldeias cujas recolhas anteriores julgámos não serem satisfatórias, mas desta vez cumprimos com Cerdeira.

 

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E mais uma vez sejamos sinceros, seria imperdoável não ter visitado esta aldeia, pois além de ter sido uma das mais castiças que visitámos, acabámos por viver nela momentos únicos e Cerdeira acabou por se revelar uma surpresa daquelas que costumam atraiçoar as nossas previsões, pois como se apresentava como uma aldeia pequena e aparentemente não muito interessante, em que pela fotografia aérea mais parecia uma quinta que uma aldeia, prevíamos não encontrar por lá ninguém, mesmo porque pouco passavam das oito horas da manhã quando lá chegámos. No máximo, segundo as previsões, passaríamos por lá 10 a 15 minutos e ficaria tudo resolvido, mas acabámos por ficar lá mais de uma hora e com pena de partir.

 

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Quando lá chegámos parámos à entrada da aldeia para as primeiras fotografias. Tínhamos tomado a estrada interior a partir de Salto, ou seja, deixamos o acesso principal à aldeia de lado. Ao fundo da rua passou uma pessoa, homem, mais preocupado com os seus afazeres do que com a nossa presença. Estávamos para avançar quando na estrada que tínhamos deixado para trás ouvimos os sons de uns chocalhos, sinal de que por ali andava gado. Chocalhos de gado que não víamos mas cujo som se ia intensificado, sinal de que vinham na nossa direção. Resolvemos esperar pelo que lá vinha e logo a seguir começam a surgir as “barrosas” que aqui fazem jus ao nome da sua raça.

 

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Quando as “barrosãs” deram com os olhos em nós e no nosso carro, pararam, e  desconfiadas por ali se mantiveram a fazer de conta que estavam à espera de alguém, como quem assobia para o ar. Talvez envergonhadas, talvez com medo dos estranhos que tinham à sua frente. Se fosse a primeira vez que tal acontecia connosco, iriamos estranhar a reação do gado, mas já tínhamos assistido a coisa idêntica numa aldeia bem próxima de Cerdeira. Na realidade trata-se de gado que anda em semiliberdade e tem mesmo receio de gente estranha, habituadas que estão a ver quase e só os tratadores, e pararam mesmo à espera da dona para verem se nós eramos ou não de confiança…

 

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Acontece que tínhamos chegado na hora exata para assistir a uma cena que é típica nesta região do Barroso. O gado, neste caso bovinos e quase todos da raça Barrosa, passam a noite no monte. No início da manhã regressam a aldeia, primeiro para amamentar as crias que aguardam fechadas na corte impacientes pela teta das mamãs. Depois de amamentadas o gado segue caminho para pastagens perto da aldeia. Pela tarde faz-se o inverso no regresso ao monte para passar a noite. É um ritual diário que não conhece domingos ou feriados,  que o gado faz quase sem a intervenção humana, pois esta só intervém, no caso, para abrir a corte às crias e fechar as cancelas para elas não se espantarem pela aldeia fora e para as mudar de poiso.

 

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Mas voltando a trás, aquando o gado estava espantado a olhar para nós. Pois como já sabíamos do que se tratava e não queríamos perturbar a natureza da coisa, estávamos resolvidos a abandonar o local e tocar o nossa carro lá mais para a frente,  de modo a deixar a passagem livre, mas entretanto a rua fechou-se com uma cancela, do tipo daquela das passagens de nível que veda a rua toda. Sem saber o que se passava, pensando até que se trataria de uma rua particular. Ficámos no aguardo à espera de ver o que se passava, até que aparece um senhora perto de nós, que cumprimentámos e a modos de meter conversa perguntámos se as vacas estavam com medo de nós. Ela respondeu-nos que sim, que era natural, pois não estavam habituadas, mas que elas vinha já… e vieram, pois o gado na presença da patroa, perdeu o medo e lá se aventurou a passar por nós, em direção à corte das crias, à porta da qual pararam.

 

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Depois de um grupo de vacas estacionar ali à porta, a senhora fechou outra cancela, ficando as vacas ali encurraladas e só aí abriu a porta às crias que agitadamente procuravam um teta onde mamar, penso que não muito preocupadas se a teta era ou não da mãe, elas o que queriam mesmo era mamar, aliás uma das bezerras custou-lhe a dar com uma teta livre e andava no meio da confusão desesperada à procura da sua refeição, até que lá deu com uma e acalmou-se.

 

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Entretanto o gado que não tinha crias para amamentar, perdeu definitivamente o medo e aproximou-se de nós e do carro, a este lamberam-no como quem lambe um gelado. Estranhei, mas como vai sempre comigo um especialista nestas coisas do gado, informou-me que estavam a lamber o “sal” que vai aderindo à pintura do carro.

 

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Entretanto saciadas que estavam as crias, foram de novo fechadas na corte e abertas as cancelas para as mães vacas e as restantes que aguardavam por elas, continuarem a sua peregrinação em direção ao pasto, mas não era tudo, pois agora as vacas iriam ter a companhia do “barroso”, o touro da manada, que, com direito a aposentos privados, esperava a abertura da porta para ir ter com as suas raparigas, mas sem muitas pressas, primeiro coçou-se demoradamente nas ombreiras da porta e só depois arrancou nas suas calmas.

 

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Bem, pela nossa parte ficámos deliciados a assistir e fotografar estes momentos que a meu ver só são mesmo ultrapassados pelo assistir à chegada de uma vezeira, cada vez mais raras, mas que ainda vão existindo e às quais já tivemos a sorte de assistir.

 

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Deixando agora de parte estas cenas tão rústicas e que fazem parte da vida e singularidade de algumas aldeias, vamos entrar em Cerdeira, talvez iniciando pela sua localização, que tal como já fomos adiantando pertence à freguesia de Salto e fica bem próxima  da sede de freguesia, não chegando a atingir os 1000 metros de distância. Quanto às suas coordenadas temos 41º 38’ 10.09”N e 7º 56’ 04.27”O e a altitude anda próxima dos 900m. Mas como sempre fica o nosso mapa para  melhor ser localizada.

 

mapa.jpg

 

Passemos já para o seu topónimo CERDEIRA. Pois e ainda antes de vermos o que consta na Toponímia de Barroso, pela pinta, tudo leva a crer que o topónimo esteja ligado às cerdeiras, do português antigo mas ainda em uso e que hoje são em geral denominadas cerejeiras, embora por cá e comummente falando, se estabeleça uma pequena diferença entre a cerejeira e a cerdeira, sendo a árvore desta última de um porte maior mas fruto mais pequeno e em maduro mais escuro que a cereja.

 

1600-cerdeira (83)

 

Mas segundo a toponímia de Barroso não é bem assim, mas pelos visto também não sou o único a ser influenciado pelo atual significado do topónimo, além de se chegar até ele se falar muito em cerdeiras de cerejas. Então vejamos o que diz a Toponímia:

 

Cerdeira

“ Até a Senhora do Pranto se riu quando um minhoto, ao ouvir falar na pequenina povoação saltense, se ofereceu para criado de servir…”Ao menos no tempo das cerejas comeria o fruto pelo qual tantas bofetadas e fustigadas apanhou na sua aldeia”. Muitos continuam a ser os “minhotos” que se enganam paronimicamente com cerezaria e ceresaria (a que o povo há muito chama cerdeira sem que o seja!) O que temos aí deve ser  (tem de ser) uma toponímia devida a QUERCUS > CARVALHO. CERDEIRA, apesar de algumas dúvidas na evolução fonológica, começou e radica em QUERCARIA > CERCARIA > CERQUEIRA - CERCEIRA ou CERZEIRA > CERDEIRA pela dupla dissimilação do Q<D ou Z<D. O significado é, claramente, CARVALHEIRA, terreno de carvalhos e não de cerejeiras.

Para o presente estudo concorre a evidência das condições fito-climáticas que o topónimo exige e sempre exigiu.

O segundo caso – ceresaria, leva-nos a cereseira e a cerejeira. Mas cerejas na Cerdeira só se as fizermos de bugalhos.”

 

1600-cerdeira (64)

 

E tal como prevíamos as nossas pesquisas sobre a aldeia não deram em nada, para além da referência na Toponímia de Barroso, não encontrámos mais nada, o que é natural, pois Cerdeira embora seja maior do que aquilo que parece e pensávamos, não deixa de ser uma aldeia pequena, com pouca gente, quase um pequeno bairro de Salto.

 

1600-cerdeira (20)

 

Restam-nos  então as nossas impressões pessoais sobre a aldeia, que embora pequena é bem interessante, incluindo o seu casario que vai mantendo a sua traça original e testemunhámos com agrado que algumas reconstruções em curso vão obedecendo à traça e materiais originais, o que é sempre uma mais valia para esta pequenas aldeias, onde sem as desvirtuar  as torna mais interessantes.

 

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Avistámos no meio da aldeia uma pequena construção que na ponta da cumeeira erguia uma cruz e que pelas suas características indicava ser uma pequena capela. Disseram-nos era para ser mas nunca chegou a ser, não foi autorizada, a “Igreja” não a aceitou porque tinha dois andares, ou seja, como a pretendida capela foi construída num terreno em declive bem acentuado, para atingir  a cota da entrada pretendida, teve de se construir um piso a uma cota inferior, com aproveitamento e o outro destinado a capela por cima. Que não, com dois pisos não podia ser capela e não foi. Coisas da “igreja” que em vez de acarinhar mais um lugar de culto e abrigo espiritual à pequena aldeia, preferiu ver o local transformado nuns arrumos, mas a cruz ficou.

 

1600-cerdeira (89)

 

O verde dos campos com vários matizes, ora mais claro e vivo nas pastagens, ora mais escuro no arvoredo, vai sendo uma constante nesta região do Barroso, bem diferente do outro Barroso encostado à Serra do Gerês ou à volta do Larouco. Verde que é também reflexo de pastagens excelentes para vacas felizes, tal como as açorianas, só que estas são barrosãs, em que uma das principais preocupações dos produtores é garantirem a qualidade das carnes da raça, para depois fazerem a delícia dos restaurantes da região. E somos testemunhas da sua excelência.

 

 

 1600-cerdeira (18)

 

Como a aldeia é pequena pouco mais há para apontar, a não ser os canastros (espigueiros) de grandes dimensões, sinal de grandes colheitas e se hoje é mais pastagens pela certa que tempo houve em que enchiam com espigas de milho para secar. Há também o casario que já atrás tínhamos referido, um relógio de sol e uma curiosa e singular escultura em ferro, de um galo que não canta, tipo catavento sem o ser, que num dos telhados sobressaía, principalmente pelo seu design. Não sei quem é o autor mas é uma autêntica obra de arte feita com a simplicidade das dobras de uns varões de ferro.

 

1600-cerdeira (101)

 

Mais uma vez é uma das aldeias que recomendamos para uma visita e quem sabe se têm a nossa sorte de assistir à refeição das crias barrosãs.

Faltam só as habituais referências às nossas consultas que hoje ficam reduzidas à Toponímia de Barroso, bem como os links para as anteriores abordagens ao Barroso. E como sempre (ou quase) no próximo domingo cá estaremos com mais uma aldeia, que nem nós sabemos ainda qual é, pois, e só para conhecimento, como nunca sabemos que aldeia escolher,  sorteamos uma e a que calhar, cá estará.

 

 

Bibliografia

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

 

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 21:58
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Domingo, 13 de Agosto de 2017

O Barroso aqui tão perto - Penedones

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montalegre (549)

 

Cá estamos nós de regresso ao Barroso aqui tão perto, hoje com mais uma aldeia do concelho de Montalegre, mais uma de terras da Chã e para irmos até lá, como sempre a partir da cidade de Chaves, optamos pela Estrada Nacional 103.

 

1600-penedones (67)

 

Com partida junto ao Rio Tâmega, que nos vai acompanhando até chegarmos a Curalha, local onde se começa a subir para terras de Barroso que começa quase logo a seguir, isto se não considerarmos que toda a margem direita do Tâmega já é Barroso. Mas fiquemo-nos pelo Barroso oficial, por nós também aceite e que não está muito longe do Tâmega, ou melhor, que também confronta com o Rio Tâmega no Barroso de Boticas. Mas ainda não chegamos lá, ainda andamos por terras do Concelho de Montalegre.

 

1600-penedones (83)

 

Então para a nossa aldeia de hoje basta seguir a Nacional 103 e esperar que ela apareça, pois Penedones, a nossa aldeia de hoje, fica à beirinha da estrada no troço que confronta também com a barragem do Alto Rabagão, ou Pisões se preferirem.

 

1600-penedones (21)

 

Mas embora fique à beirinha da estrada, precisamos de abandonar esta para conhecermos Penedones,  e acreditem que vale a pena entrar na aldeia, é uma das que surpreende pela positiva em que o pouco que se vê desde a estrada não lhes faz justiça.

 

1600-penedones (81)

 

E hoje sempre que nos referirmos a Penedones, estamos a fazê-lo à aldeia que se desenvolveu em redor do seu núcleo mais antigo, todo da parte de cima da estrada, deixando de fora a aldeia mais turística, ligada à barragem e ao Parque de Campismo aí existente. Este espaço ficará para um futuro post de um roteiro à volta da Barragem.

 

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Pelo que já deixámos escrito já deu para perceber onde Penedones poisa, aliás quase bastava a referência a terras da Chã para lá chegarmos, mas como sempre gostamos de ser mais exatos na nossa localização, deixando aqui as coordenadas da aldeia (sempre de um ponto central das aldeias) bem como o nosso habitual mapa. Pois quanto a coordenadas temos: 41º 45’ 45.02” N e 7º 48’ 31.73” O, a uma altitude de 920, no ponto das coordenadas, pois junto à barragem atinge os 870m e o ponto mais alto da aldeia chega aos 940m.

 

penedones.jpg

 

Quanto às nossas pesquisas pouco encontrámos, embora haja muita informação sobre a aldeia, a mesma, na prática, resume-se a alojamentos e ao parque de campismo. Mesmo assim sempre temos algumas referências no Livro Montalegre e também na Toponímia de Barroso, ambas as obras de autoria de José Dias Batista e edições do Município de Montalegre.

 

1600-penedones (66)

 

Iniciemos pelo Livro Montalegre que além da informação de que Penedones pertence à freguesia de  Chã, nos referencia algumas das coisas ligadas à história do local:

 

1600-penedones-art (11)

 

“Há muitas sepulturas líticas móveis, talvez os monumentos mais antigos, e sepulturas fixas. Das móveis temos exemplos em Bobadela, Sapiãos, Bustelo (Vila da Ponte), Tourém, Pitões, Santo Adrião (Montalegre) e, sobretudo, os enigmáticos arcões graníticos de Salto, a merecerem um estudo mais atento.”

 

1600-penedones (52)

 

E continua (o negrito e sublinhado é nosso):

“Das fixas, que normalmente aparecem em grupos, temos várias necrópoles: no Cristelo da Seara (Salto), entre Penedones e Parafita (Vila de Mel), em Penedones, sobre a aldeia, junto à Capela de Santo Amaro (Donões) e perto da Capela da Senhora de Galegos do Cortiço (Cervos) e de Antigo de Arcos."

 

1600-penedones (63)

 

Numa outra referência diz-nos:

“Em Penedones, o Clube Náutico e de Aventura do Alto Rabagão organiza passeios de barco na albufeira para grupos até 16 pessoas, bem como regatas, passeios a pé, ou de bicicleta de montanha. Neste local está instalado o Parque de Campismo Municipal e passa também o GR 117 – Via Romana XVII.”

 

1600-penedones (51)

 

Referindo-se à freguesia de Chã, diz-se o seguinte:

“Cinco das suas doze povoações receberam a visita da estrada Romana – a XVII do Itinerário de Antonino: Penedones (Santo Aleixo), Travaços, São Vicente, Peireses e Gralhós. Pouco mais jovem que a via Romana é a ara que recentemente se achou em São Vicente – sinal inequívoco de que no outeiro (altarium) onde o cristianismo ergueu o templo românico, séculos antes, os povos que nos antecederam, aí adoravam o seu “Deus Óptimo Máximo”.”

 

1600-penedones (44)

 

Esta Via Romana era uma das principais vias romanas que ligava três importantes cidades da época - Bracara Augusta, Aquae Flaviae e Asturica Augusta, ou sejam as atuais cidades de Braga, Chaves e Astorga e que não andava muito longe do traçado da atual Nacional 103. Para saber mais sobre esta Via XVII fica aqui um link para o que em tempo escrevemos sobre ela: http://chaves.blogs.sapo.pt/193294.html

 

1600-penedones (80)

 

Passemos agora ao que nos diz a Toponímia de Barroso:

 

“ Penedones – Ou melhor Pena de Donas. O determinativo de Donas . no distante Século XIII, e até muito antes, significava tratar-se de pessoas nobres, mulheres da fidalguia.

- 1258 “in peneydonas terciam partem” INQ 1517 e

- 1258 « dixit de Peneidonas et» INQ 1518. Em que o de determinativo e seguido de D, já caiu originando o ditongo ei que também cairá. Não obstante, em:

- 1262 « regalengi de pena de donas » TT, Chang. De D.Afonso III Liv.I, F – 61, repetindo no texto idêntico topónimo: “ D. Afonso III fez foro a Gonçalo Martins , A Gonçalo Pires, A Dona Loba, a João Pires e a Martinho Gonçalves do reguengo de Pena de Donas para que fizessem aí cinco casais”

 

1600-penedones (39)

 

E continua:

“ E já nas inquirições de D.Dinis,

- 1290 “ Pena de Donas hé herdamento regalengo” Rolo 1030 f. 114 e 99. Donde se vê que a forma actual do topónimo é tardia, isto é, recente. Convém, não obstante, lembrar que o Povo diz sempre Penadones, sendo  que é usual a troca de as por es e o seu contrário.”

 

1600-penedones (34)

 

Pois é, lá se foi a minha teoria de que Penedones teria a ver com penedos, e até tinha fotos para a ilustrar. Já a seguir perceberão do que estou para aqui a dizer, mas antes, vamos continuar na Toponímia de Barroso, passando à Toponímia Alegre.

 

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1600-penedones (22)

 

Toponímia Alegre

 

Chã – São Vicente

Ruim sítio, ruim gente.

Coelheiros de Medeiros

Ciganos os de Peireses,

Pretinhos de Travassos de Chã,

Cruz-veigas de Gralhós,

Viajantes de Penedones,

Carvoeiros de Castanheira,

Torgueiros de Torgueda,

De Fírvidas são salta-pocinhas e

Arranca-torgos de Codessoso da Chã."

 

1600-penedones (31)

 

E ainda:

“ As moças de Penedones

Passam por boas senhoras,

Mas agora temos notícia

De serem bem capadoras."

 

1600-penedones (42)

 

Pois sobre a minha teoria do topónimo Penedones ter a ver com penedos, baseava-se nos penedos da foto anterior e das próximas, ou seja pela imponência dos mesmos, como se pode ver nas referidas fotos, quer ao longe ou ao perto, que para além da sua imponência, apresentam-se com formatos bem curiosos.

 

1600-penedones (55)

 

Quando me deparei com o penedo desta última foto, fez-me lembrar a cabeça de um gorila gigante tipo King Kong. Ilusão de ótica, ou então tal como lhe chamam “Viés cognitivo” ou “Apofenia” ou ainda “Pareidolia”, talvez, mas seja como for,  que o penedo  é parecido com a cabeça do King Kong lá isso é, senão vejam a foto seguinte em que o Humberto Ferreira, um dos fotógrafos que me acompanha sempre nestas andanças de descobrir o Barroso, resolveu brincar com a coisa…

 

_DSC0585acKK1.jpg

Fotografia e composição de Humberto Ferreira

Brincadeiras à parte, continuemos mais um pouco por Penedones que, descobri nuns trípticos do Eco-Museu do Barroso, estar também nos roteiros das aldeias com canastros (ou espigueiros se preferirem) e das aldeias com alminhas, e sim, nós confirmamos que ambos existem e por sinal belos exemplares, como aliás o são quase sempre, pena alguns espigueiros estarem tão deteriorados e as alminhas nem sempre respeitadas. Claro que não estou a falar no caso particular de Penedones, mas em muitos que vamos vendo por aí.

 

1600-penedones (18)

1600-penedones (30)

 

Canastros, alminhas, tanques, fontes, cruzeiros, entre outros que existem em Penedones e que são património cultural e arquitetónico de todos nós e de Portugal, aliás a maioria são mesmo considerados traços da cultura portuguesa, daí, para além de merecerem ser preservados e estimados, deveriam ser protegidos, o que muitas vezes não acontece, às vezes são mesmo as Juntas de Freguesia, com o pretexto de alargarem uma rua ou comporem um largo, que destroem algumas desta relíquias.

 

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E prontos! Tal como se costuma dizer quando temos um assunto despachado. Bem ou mal, bom ou mau, foi o que conseguimos arranjar sobre Penedones, com a certeza de que nos falhou muita coisa.

 

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E só nós resta fazer as referências às nossas consultas bem como deixa por aqui os habituais links para anteriores abordagens ao Barroso.

 

1600-penedones (87)

 

Bibliografia

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

 

1600-penedones (5)

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

U

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

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Domingo, 6 de Agosto de 2017

Casas Novas - Chaves - Portugal

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Os nossos pais e os mais velhos têm, ou acabam por ter sempre razão. A minha mãe sempre me disse que “quem dá a noite não pode dar o dia”, e é bem verdade, principalmente a partir de ser idade, e mesmo que a vontade queira  responder a certos apelos, o corpo não o permite, e não há como contrariar a natureza. Isto para dizer que ontem o corpo não me deixou marcar presença com mais uma das nossas aldeias flavienses, mas promessas são promessas e desde que não sejam de políticos, são sempre para cumprir. Não cumpri ontem, cumpro hoje, com a aldeia de Casas Novas.

 

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Casas Novas, uma aldeia à beirinha da Nacional 103, também uma estrada mítica que liga o litoral a Bragança, passando por Chaves, uma nova versão de uma das principais vias romanas (a  via XVII), só que construída quase mil anos depois. Mais ia eu dizendo que Casas Novas é a nossa aldeia de hoje, uma aldeia singular em termos arquitetónicos, onde o melhor do nosso casario solarengo ou abastado convive com o mais típico e rural.

 

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Casario solarengo, como o solar de estilo barroco que após muitos anos de abandono virou a Hotel Rural (conto a história deste solar aqui: http://chaves.blogs.sapo.pt/286402.html ) seguido de meia dúzia de casas rurais mais simples para logo de seguida darmos com o Solar do Vilhenas, um lindíssimo solar com capela virada para a rua principal da aldeia, e ainda outras casas que embora sem a riqueza arquitetónica dos solares são também belíssimos exemplares de uma arquitetura mais nobre, quer pela grandeza quer pela qualidade dos pormenores construtivos.

 

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Em caminhos paralelos a parte solarenga da aldeia convive com  toda uma aldeia típica transmontana, com o seu casario transmontano também típico onde o granito é rei  senhor, de uma aldeia virada para a agricultura e usufruindo da proximidade da cidade de Chaves, a 10 km, mas também da vitalidade que a Nacional 103 iam dando à aldeia, principalmente há umas dezenas de anos atrás em que era a principal via de acesso ao Barroso, a Braga e ao litoral.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 19:03
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Domingo, 30 de Julho de 2017

O Barroso aqui tão perto - Reboreda

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montalegre (549)

 

As opiniões que vou deixando por aqui, na maioria das vezes, são pessoais, fruto de alguma experiência e da  observação que vou fazendo das coisas e dos locais por onde vou passando ou estando. Claro que antes de opinar sobre o que quer que seja, tento encontrar informação sobre esses assuntos que abordo, validando alguma dessa informação e rejeitando outra, porque nem tudo que está escrito, quando a informação é escrita, corresponde à realidade ou verdade, que quase nunca, raramente ou mesmo nunca nos é transmitida, mesmo na História.

 

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“A História é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo” – Este é um “pensamento”/definição atribuído a Napoleão Bonaparte que não andará muito longe da verdade, embora pessoalmente e citando o poeta popular  A.Aleixo, “para a mentira ser segura/ e  atigir profundidade/tem de trazer à mistura/ qualquer coisa de verdade. Por sua vez, como aluno interessado de História que fui no meu tempo de Liceu, no último ano que frequentei esta disciplina (12º ano), dessas aulas, apenas retive para sempre  um apontamento dado em jeito de desabafo pela minha professora da disciplina – “Lembre-se que os acontecimentos da História têm sempre mais que uma versão”. Resumindo, Tanto Napoleão, como António Aleixo como a minha prof. De História, por palavras diferentes, dizem a mesma coisa – A História não é uma ciência exata e daí não podermos acreditar em tudo que nela se diz, aliás se olharmos as definições de ciência e história, podermos tirar daí as nossas conclusões, senão vejamos:     

 

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Vejamos então uma definição Ciência – “conjunto sistematizado de conhecimentos obtidos mediante observação e pesquisa metódica e racional, a partir dos quais é possível deduzir fórmulas gerais passíveis de aplicação universal e de verificação experimental. “

 

Daqui podemos com justiça perguntar — Será a História uma ciência !? Poderemos dela  deduzir fórmulas gerais passíveis de aplicação universal e de verificação experimental!?

 

Vejamos uma definição de História — “História (do grego antigo ἱστορία, transl.: historía, que significa "pesquisa", "conhecimento advindo da investigação")  é a ciência que estuda o ser humano e sua ação no tempo e no espaço concomitantemente à análise de processos e eventos ocorridos no passado.”

 

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Todo este paleio, conceitos e opiniões, tratados até com uma certa leviandade, valem o que valem e só os trouxe aqui por causa do Barroso e das definições do Barroso, que embora administrativamente não exista, se assume como uma região. E afinal o que é uma região?

 

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Pois para região não existe uma definição concreta. No conceito original a geografia definia região como uma certa porção da superfície terrestre, uma identidade espacial homogénea fundamentada na análise dos elementos naturais e humanos. Assim poderemos entender por região, uma grande extensão de terreno ou território que, pelo clima, solo, vegetação, produção económica e outras características próprias, se diferenciam dos territórios próximos. É uma área delimitada, demarcada, estabelecida, como por exemplo as nossas províncias onde todos entendemos, por exemplo, que dentro da grande região que é Portugal,  Trás-os-Montes é o Alentejo têm características que as diferenciam.   

 

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Pois voltemos ao Barroso, à região do Barroso onde hoje em dia  também não há consensos quanto aos seus limites, procurando e apoiando-se na História para fazer os limites atuais, que saem um pouco da  definição geográfica do conceito. Aliás os de Montalegre costumam dividir o Barroso em Alto Barroso e Baixo Barroso, precisamente por terem características diferentes, por sua vez, dos de Boticas, já ouvi de gente que pelo cargo que ocupavam se poderá considera gente idónea, afirmar que o verdadeiro Barroso é o de Boticas. Aqui pelo concelho de Chaves, os mais antigos das povoações da margem esquerda do Rio Tâmega, dizem que para lá do Tâmega é tudo Barroso.

 

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Na “Etnografia Transmontana – II O Comunitarismo de Barroso” de António Lourenço Fontes, ao respeito do Barroso diz o seguinte: “ O Baixo Barroso está localizado entre os 300 e os 700m, de clima doce, e elevadas precipitações. As aldeias do Alto Barroso situadas entre os 800 e os 1200m, têm um clima áspero. O Baixo Barroso oriental da zona de Boticas, situado entre os 300 e os 600m tem já um clima quente e é abrigado dos ventos de oeste.” . Embora esta descrição caracterize e diferencie apenas pela elevação do terreno e clima, António Lourenço Fonte descreve três Barrosos.

 

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Pois sem querer entrar em polémicas ou em guerrinhas de vizinhos, aceito perfeitamente as fronteiras estabelecidas para o Barroso atual, que inclui  todo o concelho de Montalegre, todo o concelho de Boticas e ainda algumas freguesias e povoações dos concelhos de Ribeira de Pena e de Vieira do Minho. Algumas referências incluem também Soutelinho da Raia do concelho de Chaves em terras barrosas.

 

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Mas toda esta prosa porque hoje vamos andar por Reboreda da freguesia de Salto e depois de tantas definições sobre o Barroso fiquei na dúvida se pertence ao Alto ou Baixo Barroso, pois por umas características integra-se perfeitamente no baixo Barroso, mas por outras, por exemplo altitude, enquadra-se perfeitamente no alto Barroso. Pois por mim, deito mais uma acha para a fogueira, aliás já o disse aqui anteriormente e já não é novidade, ou seja a de haver mais Barrosos para além do Alto e Baixo Barroso e este, a freguesia de Salto é um Barroso bem diferente do Barrosos do Gerês, do Barroso da Chã, do Barroso das Terras do Rio, do Barroso do Larouco e seu planalto e de outros pequenos Barrosos dentro do Barroso. Basta adentrarmos pelo Barroso adentro para nos apercebermos destas diferenças que no entanto não poem em causa o todo do território Barroso consagrado pela História.

 

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Mas entremos em Reboreda e para lá entrarmos deveríamos fazê-lo com a dignidade que a aldeia merece, não só pela sua beleza mas também pela sua História e pela sua gente, e desde já lamento de não conseguir toda essa dignidade, não só pela brevidade a que o blog obriga mas também porque teria de aprofundar os estudos, sobretudo os que têm a ver com a História e a passagem/estadia de D.Nuno Alvares Pereira nesta terra e terras vizinhas.

 

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Pois nem sempre temos a sorte que tivemos em Reboreda com a simpatia e acolhimento da receção que deu direito a visita guiada e visita a uma casa antiga, daquelas que quase já não existem e já não se usam, mantendo toda a sua integridade, incluindo no mobiliário e outras peças da época, incluindo uma gravura de um casal real que na altura não consegui identificar mas que nas minhas pesquisas consegui chegar ao nome de D.Adelaide Sofia Amélia Luísa Joana Leopoldina de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg casada com D.Miguel I, o que nos leva até ao primeiro quartel do século XIX.

 

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Pensava eu que essa gravura teria algo a ver com D.Nuno Alvares Pereira, mas embora possa haver uma ligação real, os acontecimentos e a ligação d D.Nuno à Reboreda  são muito anteriores pois pelo menos remontam ao ano de 1376 quando D.Nuno Alvares Pereira casa com Leonor Alvim, natural da Reboreda.

 

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Leonor de Alvim (c. 1356 – 1388) foi uma nobre portuguesa. Pertencia a uma família nobre de Entre Douro e Minho, sendo filha de João Pires de Alvim e de sua mulher Branca Pires Coelho,  tornando-se herdeira de seu pai pela inexistência de filhos varões.

 

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Leonor de Alvim, natural de Reboreda, casou em primeiras núpcias com Vasco Gonçalves Barroso do qual enviuvou sem descendência. Posteriormente casou com o condestável em 15 de Agosto de 1376, do qual teve três filhos, sendo Beatriz Pereira de Alvim a única dos três filhos que chegou à idade adulta e que veio a casar com D.Afonso, filho ilegítimo do Rei D.João I.

 

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Sim, o D.Afonso é o nosso D.Afonso, aquele que tem estátua em frente ao edifício da Câmara Municipal de Chaves, pois foi para Chaves que ele veio viver com Beatriz Pereira de Alvim.

 

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Em 1385, no cerco de Chaves, D.Nuno Alvares Pereira junta-se ao Rei D.João I para libertar a Vila de Chaves que tinha sido ocupada por Martim Gonçalves de Ataíde.  Toda esta história do cerco à vila de Chaves foi contada neste blog na passada sexta-feira, por Gil Santos, nos “Discursos sobre a cidade”. Fica aqui o link para essa história: http://chaves.blogs.sapo.pt/discursos-sobre-a-cidade-por-gil-1565309

 

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Pois como reza a História que chegou até nós, o Rei D.João I com a ajuda de D.Nuno Alvares Pereira recuperou a Vila de Chaves e o seu castelo. Como recompensa pelo serviços prestados, o Rei D.João I  doou a Vila de Chaves e o Barroso a D.Nuno Alvares Pereira, ou seja, O Contestável tornou-se dono disto tudo, pelo menos durante uma temporada, mais precisamente até 8 de novembro de 1401, aquando do casamento de D.Afonso (filho de D,João I) com a sua filha, em que  D,Nuno doa todas as terras a Norte do Rio Douro como prenda de casamento (a história de D.Afonso está aqui: http://chaves.blogs.sapo.pt/342269.html )

 

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Regressemos ao casamento do condestável Nuno Álvares Pereira com Leonor de Alvim, após o qual o casal foi viver para Pedraça, para o solar conhecido como Casa da Torre. Quando em 1387 D. João I convocou cortes para Braga, D. Nuno esteve nas mesmas na condição de procurador dos fidalgos do Reino. Foi durante essa sua estadia em cortes que D. Nuno recebeu a notícia de que D. Leonor se encontrava muito doente. Quando chegou ao Porto, onde estava D. Leonor, já aquela teria falecido. Foi sepultada no Convento de Corpus Christi, das freiras dominicanas, em Vila Nova de Gaia.

 

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Depois de contada a História dos mais ilustres portugueses que passaram e foram donos de Reboreda avancemos no tempo, até ao Censo da população de 1530, ordenado por D. João III, que indica moradores ou fogos nas seguintes povoações da atual freguesia de Salto: Pereira, 6; Amear, 7; Pomar de Rainha, 3; Salto, 14; Cerdeira, 7; Reboreda, 21, Tabuadela, 7; Póvoa, 12; Bagulhão, 12; Amial, 4; Corva, 10; Paredes 5; Linharelhos, 7; Caniçó, 14. A julgar pelo Censo Reboreda seria então a maior aldeia da atual freguesia de Salto.

 

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E sobre Robereda encontrámos  uma referência na Etnografia Transmontana de A.Lourenço Fontes, a respeito do Pisão da Tabuadela onde se pisoava o burel, faz uma alusão a Reboreda: “ O burel depois de sair do pisoeiro, o interessado leva-o ao alfaiate das capas. Na Reboreda (Salto) é Domingos do Elias e família que faz capaz de saragoça e burel, há 50 anos”. Saliente-se que a Etnografia Transmontana foi publicada em 1977, ou seja, já lá vão 40 anos e daí para cá muita coisa se alterou, pois tanto quanto sei o Pisão já não funciona e que me conste na Reboreda também já não se fazem as capas de Burel, tão tradicionais que eram e ainda vão existindo em todo o Barroso.

 

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E nestas coisas da história e estórias das aldeias temos de recorrer a quem as sabe. Tivemos também a sorte de o Vítor Bruno, um vizinho da Reboreda (da Póvoa)  fez chegar até nós mais uma informação, que também nos tinha sido contada em Reboreda:  “Outra curiosidade, numa região de monte entre a Póvoa e Reboreda chamada de 'Brangadoiro' foi onde D. Nuno reuniu e treinou as suas tropas recrutadas nestas terras, para depois partirem para Aljubarrota.”, Na Reboreda falaram-nos também numa zona a que chamavam o “corredouro” onde exercitavam os cavalos e no “alto da corneta” junto à atual capela de Nª Senhora de Fátima.

 

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Na toponímia de Barroso a respeito de Reboreda diz-se o seguinte: “ Do nome latino robureta, de róbur + eta >Robureda > Revoreda > Reboreda.

- 1258 «…dixit quod villa de Revoreda» INQ 1512.

- 1258 « de casali de Revoreda» INQ 1526 – referido a um casal de Vilar de Perdizes;

- 1288 » Revoreda he Andorra he Afadoam que fizeram ambas em termo de Revoreda tragia-as por onrra Martinm Soares que nom entrava hi porteiro nem mordomo he tragia hi seu juiz he seu chegador».

 

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E continua a toponímia de Barroso : “Claro que esta citação última respeita à nossa povoação da freguesia de Salto e dá-nos a interessante notícia de que, no termo da Reboreda, se criaram duas herdades (com seu topónimos pomposos) e que um tal Martim Soares trazia por honra: ao mesmo tempo que, como se diria agora, fugia ao fisco impedindo a entrada nas propriedades do mordomo e do oficial da justiça e, para cúmulo, nomeara localmente seu juiz e seu administrador principal!

 

Quanto aos topónimos – Andorra faz-se pensar naquilo que Andorra é, um sítio dificilmente acessível como convinha, um andurrial com muitos animais e poucas pessoas. “

 

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Ainda na Toponímia de Barroso na Toponímia Alegre, temos os apelidos de Salto, a saber: “ Pomar da Rainha nem pão nem farinha , Pereira fome lazeira, Amiar fome de rachar, Borralha saco de palha, Linharelhos tripas de coelhos, Caniçó arca de pó, Paredes armadores de redes, corveirinhos são de Corva, lagarteiros do Amial, Bagulhão muita água pouco grão, Lodeiro de Arque arcas vazias sem pão, Tontinhos da Póvoa, sarilhotas do Carvalho, dobadouras de Beçós, toucinheiros da Seara, cavalos de Tabuadela, tornadores de água da Reboreda, demandistas da Cerdeira e escorricha-odres de Salto.

 

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E hoje para variar só temos a localização da aldeia cá pro fim. Então quanto a coordenadas temos 41º 37’ 33.93” N e 7º 55’ 34.80” O. Já tínhamos dito que pertence à freguesia de Salto que fica a 1800m de distância, no entanto as aldeias mais próximas são Cerdeira a 960m e a Póvoa a 1300m, avistam-se umas às outras lá no alto planalto a 973m de altitude. Mas fica o nosso habitual mapa para melhor localizarem Reboreda.

 

reboreda.jpg

 

E que mais há para dizer sobre a Reboreda!? Claro que haveria muito mais para dizer mas penso que as imagens de hoje dizem o resto e nos dão Reboreda vista ao longe, dentro da aldeia, na intimidade de uma das suas casas e as vistas que desde Reboreda se avistam. Se isto não bastar para vos abrir o apetite a uma visita a esta aldeia, então este post não cumpriu a sua missão, mas só ficam a perder.

 

Só resta mesmo fazer a referência às nossas consultas e aos links para as anteriores abordagens ao Barroso e um obrigado ao Vitor Bruno da Póvoa com a velha promessa de que um dia destes entraremos também pela sua aldeia adentro.  

 

 

Bibliografia

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

FONTE, António Lourenço, (1977), Etnografia Transmontana, II O Comunitarismo de Barroso. Montalegre: Edição de Autor

 

Sítios na WEB

http://norteportugues.blogspot.pt/2011/03/historia-breve-da-freguesia-de-salto.html

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogueiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

U

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

[i]   Joseph, Brian (Ed.); Janda, Richard (Ed.) (2008). The Handbook of Historical Linguistics. [S.l.]: Blackwell Publishing (publicado em 30 de Dezembro de 2004).

 

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Sábado, 29 de Julho de 2017

Carvela - Chaves - Portugal

1600-carvela (167)

 

Sempre tive um certo fascínio pela Serra do Brunheiro e este sempre é mesmo desde puto, penso mesmo que será desde que nasci, e a razão é muito simples, as janelas da minha casa davam diretamente para o Brunheiro, praticamente sem qualquer barreira física entre o meu olhar e a imponência da serra, não que ela seja muito alta, mas é a forma como se dá à apreciação para quem está na veiga de Chaves.

 

1600-carvela (153)

 

Pois desde miúdo que a Serra do Brunheiro tem sido também o meu barómetro. Digamos que ela é o meu boletim meteorológico diário, quando logo pela manhã abro a janela do quarto  e lhe lanço um olhar para fazer as previsões  do dia.  É, as minhas janelas continuam a ter o Brunheiro por companhia e agora muito mais do que em puto, pois com o tempo fui-me aproximando das suas faldas. Bem , mas tudo isto tem a ver com a nossa aldeia de hoje, Carvela, uma das três aldeias (conjuntamente com Maços e Santiago do Monte) que ficam logo após o dobrar da croa[i] da serra, mas sem vistas para a veiga.

 

1600-carvela (73)

 

Esta localização das três aldeias mencionadas faz com que elas gozem, ou melhor – sofram, com um fenómeno meteorológico que se repete muitas vezes ao longo do ano. Ontem mesmo quando acordei esse fenómeno estava a acontecer, fenómeno esse  que faz com que essas aldeias fiquem mergulhadas num espesso nevoeiro, tudo acontece quando existe uma diferença de pressão atmosférica entre  o vale de Chaves e o planalto do Brunheiro, que faz com que as nuvens baixas ou nevoeiros e neblinas matinais subam a encosta da serra e estacionem no planalto. De verão e em dias quentes como os que estamos a atravessar, este fenómeno até talvez se agradeça, mas de inverno, dói a valer, principalmente quando as temperaturas lá no alto são negativas e os nevoeiros que sobem se convertem em gelo, criando um ambiente de uma beleza sem igual, mas que só se pode desfrutar desde dentro do carro com o aquecimento ligado ou desde as casas da aldeia com a lareira bem abastecida de lenha.

 

1600-carvela (88)

 

Carvela é uma das onze aldeias a freguesia de Nogueira da Montanha e uma (freguesia) que mais tem sofrido com o despovoamento, em parte pelo rigor dos invernos mas também pela falta de políticas para a agricultura e floresta que façam com que a sua população possa fazer delas um modo de vida. E isto embora aconteça lá em cima a uma cota de 900 metros de altitude, a terra é generosa para como produtos agrícolas, pelo menos na qualidade daquilo que de lá sai, principalmente na produção de batata.

 

1600-carvela-art (2)

 

Aliás é vergonho que na cidade de Chaves onde a batata da montanha é reconhecidamente de qualidade superior, tenhamos que comprar batata espanhola e francesa nas grandes superfícies. É como o presunto de Chaves, o famoso presunto de Chaves, tão falado por esse Portugal fora, mas são poucos os que o avezam.   

 

 

[i] Já sei que o termo croa não existe na língua oficial portuguesa, mas por cá é assim que se vai dizendo e pronuncia e não é mais que a palavra coroa abreviada.

 

 

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Sábado, 22 de Julho de 2017

Carregal - Chaves - Portugal

1600-carregal (6)

 

Hoje vamos mais uma vez até Carregal, uma das nossas aldeias limite de concelho, neste caso na fronteira com o concelho de Valpaços, como quem vai para Carrazedo de Montenegro ou mais além, até Murça.

 

1600-carregal (27)

 

Hoje vamos até lá com quatro imagens e algumas, poucas, palavras, mas Carregal é das poucas aldeias que não se pode queixar deste blog, pois quase desde o início da nossa existência que tem tido aqui um embaixador e contador das suas estórias e das suas gentes, a par de outras aldeias vizinhas e de quase todo o planalto da Serra do Brunheiro, embaixador esse que dá pelo nome de Gil Santos que todas as últimas sextas-feiras de cada mês traz aqui um novo conto. Pena outras aldeias não terem outros Gil para contar as suas estórias que não são mais que a própria história mas também uma radiografia da cultura rural deste interior transmontano, muito idêntico no seu seio, mas com as suas singularidades que fazem de cada aldeia uma aldeia única.

 

1600-carregal-109-art (7)

 

Claro que com o despovoamento rural também estas estórias se vão perdendo, tanto mais que a grande maioria têm a ver com a vida do dia a dia dos seus atores e personagens que mais não são que as pessoas que as habitam, estórias com dias felizes e outros nem tanto ou mesmo  nada, pois o contrário também fazem parte dessas estórias, com dias difíceis de muita pobreza à mistura, mas todas elas castiças.

 

1600-carregal (113)

 

Assim, e mesmo sem imagens, as palavras também valem, e muito, pois aquela coisa que se costuma dizer que uma imagem vale mais que mil palavras, não é tão verdadeira assim,  há histórias de vida que nunca conseguirão ter tradução em imagem.

 

E se hoje ficamos com mais uma aldeia do concelho de Chaves, amanhã vamos até mais uma do Barroso.

 

Até amanhã!

 

 

 

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Sábado, 15 de Julho de 2017

Capeludos - Chaves - Portugal

1600-capeludos (80)

 

Neste andar pelas aldeias, no último sábado ficámos no Cando. Pois hoje descemos ao vale, atravessamo-lo, subimos o Brunheiro e já no seu planalto entramos na aldeia de hoje – Capeludos.

 

1600-capeludos (35)

 

É uma das onze aldeias da freguesia de Nogueira da Montanha, e não devo errar muito, se é que cometo erro, se disser que é a freguesia que  mais tem sofrido dessa maleita que se chama despovoamento.  Viver lá em cima, quase a mil metros de altitude, não é tarefa fácil, principalmente de inverno, o que faz com que, com mais facilidade, aceitem o convite da partida.

 

1600-capeludos-67-art (6)

 

Ficam três imagens de Capeludos, de arquivo, mais propriamente do ano de 2009. Começa a ser tempo de passar por lá outra vez, mesmo porque tenho a impressão que ficou muito por registar.

 

 

 

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Sábado, 24 de Junho de 2017

Calvão, Chaves, Portugal

1600-calvao (105)

 

Hoje vamos fazer uma breve passagem por Calvão, com duas imagens da aldeia e uma do Santuário da Nossa Senhora da Aparecida.

 

1600-calvao (10)

 

Calvão que não duvido nada em apontá-la como uma das aldeias  mais interessantes do concelho de Chaves, com alguns ponto de interesse que se destacam, como o conjunto do casario, o largo do cruzeiro com o respetivo cruzeiro e fonte, a capela do cemitério, alminhas, as cruzes da Via Crúcis, as fontes de mergulho e restantes fontes do Estado Novo.

 

1600-calvao-art (1)

 

Mas penso que o destaque principal vai mesmo para o Santuário da Nossa Senhora da Aparecida construído para celebrar e acolher os devotos do aparecimento da Virgem Maria a três pastores: Manuel, Maria Rosa e Teresa Fernanda. Muito semelhante ao que aconteceu em Fátima, mas com uma diferença importante, em Calvão aconteceu em 1833, quase 100 anos antes do aparecimento de Fátima, ou seja, esta de sermos vítimas da interioridade já vem de há muito, mas também a Igreja, por outros interesses, não valorizou o aparecimento da Virgem Maria em Calvão. Mas não deixa de ser curioso que os acontecimentos de Fátima seja uma cópia dos acontecimentos de Calvão, até nos pastores, no número de pastores e no sexo.

 

 

 

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Sábado, 3 de Junho de 2017

Bóbeda - Chaves - Portugal

1600-BOBEDA (90)

 

E hoje vamos passar por Bóbeda com os três olhares do costume. Sei que são poucos olhares para uma aldeia, mas relembro que todas as aldeias do concelho de Chaves já passaram por aqui várias vezes com pelo menos um post alargado.

 

1600-BOBEDA (50)

 

Mas há sempre um olhar que escapou às nossas anteriores seleções e outros, que embora já tivessem passado por cá, agora têm uma nova apresentação com um novo tratamento.

 

1600-bobeda-100-art (7)

 

Mas são sempre imagens que, por uma ou outra razão, despertaram o nosso interesse e o nosso clique e que esperamos serem do vosso agrado.

 

 

 

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Sábado, 20 de Maio de 2017

Avelelas - Chaves - Portugal

1600-93-art (12)

 

Esta coisa de andar aqui pelo blog já vai a caminho de 13 anos. Inicialmente apenas dedicado à cidade de Chaves, cedo me dei conta que este espaço não focaria completo se não incluísse aqui as nossas aldeias. A ideia tinha pernas para andar, apenas era necessário ir por essas aldeias adentro à caça de algumas imagens que melhor as caracterizasse.

 

1600-avelelas (66)

 

Foi um trabalho ao qual me dediquei intensamente nos primeiros anos do blog, pelo menos até completar o levantamento das nossas quase cento e cinquenta aldeias, mas, com o tempo, fui-me dando conta  que na recolha inicial, a algumas aldeias  faltavam alguns pormenores, noutras alguma inspiração, noutras faltou algum tempo para ter sido uma recolha completa.

 

1600-avelelas (63)

 

Claro que teria que repetir as minhas voltas a algumas, para ser sincero a muitas aldeias, e retomei a caminha de nova recolha, esta feita com mais calma e até com outro olhar, mais apurado, pois ao longo do tempo também fui apurando o olhar, principalmente no saber aquilo que queria captar, mas mesmo assim, algumas aldeias foram ficando para trás. Avelelas foi uma dessas aldeias que foi ficando para trás, mesmo assim, passei por lá pelo menos três vezes em três anos diferentes, para ser mais preciso e segundo a data dos aquivos das fotos, fui lá de dois em dois anos (2006, 2008 e 2010) mas sempre me pareceu faltar alguma coisa.

 

1600-incend-avelelas (269)

 

Assim, há dois anos atrás (2015) numa das tardes disponíveis, em finais de agosto de 2015, decidi completar o levantamento fotográfico com aquilo que me parecia faltar, não só nas Avelelas, como também em Oucidres e Vilar de Izeu, mas parece que o destino estava traçado a não ser ainda nesse dia que iria completar tal levantamento, e não aconteceu mesmo.

 

1600-incend-avelelas (313)

 

Acontece que quando comecei a aproximar-me  da aldeia  vi que um  grande incêndio a rodeava e ameaçava até entrar pela aldeia adentro, incluindo a própria estra de acesso estava cortada com chamas de ambos os lados e um grande aparto de bombeiros. Aqui por ficar onde me era possível ficar, no cruzamento para a Sobreira e para o Castelo de Monforte e daí não arredei pé até ao anoitecer. Claro que as Avelelas ficaram novamente adiadas e nesse dia na recolha de imagens, apenas contava terra queimada, fumo, chamas e bombeiros. Assim, mais uma vez vamos até às Avelelas, mas com imagens de arquivo com a promessa de um dia lá voltar.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 19:05
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Sábado, 13 de Maio de 2017

Aveleda, o mito dos três efes, o Papa, o Benfica e Salvador Sobral

1600-aveleda (98)

 

Não podia deixar de cumprir a promessa de trazer aqui mais uma das nossas aldeias, como acontece todos os sábados, e só o faço agora, no final da noite, por fortes razões que tem a ver com o ego, não o meu em particular, mas o meu ego de ser português HOJE, sem qualquer necessidade de fazer renascer o passado de há 500 anos, sem necessidade de recorrer ao Camões, sem necessidade de fantasmas e esperanças sebastianistas. Valemos apenas por aquilo que somos hoje e valemos muito, começa a ser tempo de acreditarmos em nós, na nossa língua, naquilo que é nosso e, que ninguém duvide que temos daquilo que é melhor, e hoje, Portugal em várias frentes, demonstrou-o, tanto, que se fosse eu quem mandasse, fazia deste dia, o 13 de maio, um dia de feriado nacional.

 

Sim, este dia 13 de maio já faz parte da história de Portugal, escrita com a pena do orgulho português em que faz renascer o mito dos três efes – Fátima, Futebol e Fado – mas ao contrário de areia para os olhos, como antigamente acontecia, hoje foi, é, por justa causa, com três efes merecidos porque conquistados por nós, com a grandeza da nossa humildade.

 

1600-aveleda (56)

 

Hoje o Papa Francisco esteve em Fátima para canonizar os seus dois pastorinhos Francisco e Jacinta, tornando cada vez mais oficial aquilo que já era oficial na fé de muitos, as aparições de Fátima, e mesmo que não se acredite, ninguém pode duvidar da fé de quem acredita, e este triplo efe de Francisco,  Fátima e Fé, cada vez mais reforçam o Santuário de Fátima como um Santuário de peregrinação mundial.

 

O segundo F, o do Futebol também se consagrou hoje com a vitória do campeonato pelo Benfica, reforçando assim o nome que o Benfica tem a nível nacional e internacional. Mas o segundo F do Futebol, hoje em dia marca ponto em todo o mundo e se outrora houve um Eusébio que se escrevia internacionalmente, hoje em dia temos um montão de jogadores de craveira internacional entre os melhores do mundo, além de termos mesmo o melhor do mundo que dá pelo nome de Cristiano Ronaldo, mas também nos treinadores que exportamos, Portugal está nos melhores do mundo, ou a julgar pelo número de portugueses com essa função, somos mesmo os melhores do mundo. Pelo menos, o F do Futebol cumpre-se aos sermos os atuais Campeões da Europa

 

1600-aveleda (589)

 

O terceiro F de Fado já recebeu a sua consagração como património imaterial da humanidade, porque é único, porque é nosso, porque se canta em português, mas no dia de hoje também ficou para a história com outro “fado”, o da música portuguesa, cantada em português por Salvador Sobral ao ficar em primeiro lugar no Festival da Eurovisão, sem qualquer margem de dúvidas, com a maioria destacada dos votos do Júri e do Público europeu. Portugal venceu o Festival da Eurovisão porque acreditou naquilo que era nosso, nas nossas palavras e poesia, nas nossas melodias e música e na nossa língua portuguesa.

 

Sem acreditar no destino, quis o destino que isto tudo acontecesse num único só dia e no mesmo dia 13 de maio, mas isto é apenas um pequeno exemplo da nossa grandeza, só há que acreditar e tal como acontece em Fátima, termos fé que conseguimos, que somos grandes e que em muita coisa temos aquilo que é melhor no mundo, principalmente naquilo que faz parte da nossa cultura e do sermos portugueses. O único problema, o nosso problema, é não acreditarmos naquilo que temos e pior que isso, desprezarmos aquilo que temos de melhor, de genuíno, aquilo que faz de nós portugueses e Portugal, que mais depressa embarca na fácil sedução dos interesses da globalização e da aculturação que nos interesses daquilo que é nosso e que faz de nós grandes com aquilo que nós somos, com a nossa cultura.

 

1600-aveleda-art

 

Todo este discurso pode parecer desapropriado nesta rubrica dedicada às nossas aldeias, mas não o é, antes pelo contrário, pois as nossas aldeias, a vida das nossas aldeias, o espirito comunitário, saberes e sabores rurais, fazem parte da nossa cultura, da cultura rural portuguesa que está a morrer lentamente sem ninguém que lhe deite uma mão. A tudo continuar assim, com este desprezo pelo mundo rural, Portugal num futuro próximo vai arrepender-se, vai perder parte da sua cultura mais genuína, vai tornar-se igual a tantos iguais, vai tornar-se desinteressante, vamos deixar de sermos nós.

 

Ainda ontem fizemos mais uma incursão no Barroso, mais propriamente no Baixo Barroso para recolher imagens de mais algumas aldeias e abordámos uma que nos tinha dito estar completamente despovoada, e assim nos pareceu quando nela entrámos, mas no entretanto vimos uma figura humana que desde logo abordámos com  um  “ e pensávamos nós que já não havia aqui ninguém” e a resposta foi num “mau” português de quem não é de cá, como de facto assim era, um casal de holandeses com um filho ainda criança, há quatro anos encantou-se pela aldeia e por lá ficou a criar cavalos e a receber pequenos grupos de holandeses para passarem lá uns dias, tendo como mais valia uma paisagem incrível, um clima generoso e uma albufeira por perto. Talvez esta seja uma solução para as nossas aldeias mais típicas, uma má solução por sinal. Certo que talvez contribuam para o não despovoamento dessa aldeia, inclusive até são respeitadores pela tipicidade da aldeia, adaptando-se e valorizando as condições existentes sem as alterarem e até lhes temos de estar reconhecidos e agradecidos por fazerem daquela aldeia a sua nova terra, nova casa, novo lar, mas é a cultura deles que trazem com eles e a nossa, morreu, com o último habitante que lá nasceu e a abandonou.

 

1600-aveleda (587).jpg

 

Hoje fala-se muito em empreendedorismo como uma solução do nosso Portugal. Claro que este empreendedorismo também se aponta como solução para o interior de Portugal e para as nossas aldeias, e verdade se diga, pessoalmente também concordo, mas empreendedorismo sim, com respeito por aquilo que existe, respeito pela cultural dos lugares, respeito pelos saberes, sabores e tradições desses lugares,  e não o dito empreendedorismo que se está a tentar fomentar e a implementar por aí, falseando a nossa cultura dando-lhe um rótulo de origem genuína por ser feito por gente da terra – Pura mentira e falseamento daquilo que era genuíno. Tomemos como exemplo a maioria do fumeiro que hoje se faz por aí,  em cozinhas certificadas,  e inunda as nossas feiras do fumeiro, com fumeiro certificado, onde até se vão cumprindo as formas artesanais de o fazer, já nem tanto o de o curar, com as ditas cozinhas a funcionar nas nossas aldeias e gente da aldeia a fazer o fumeiro. Tudo igual ao de antigamente à exceção do reco que é feito em “estufa” à base de ração e outras coisas mais que se calha nem sequer imaginamos, sem as coisinhas boas da horta e o carinho dos tratadores. No produto final, lá temos a chouriça igualmente fumada e até o presunto que igualmente passou pela salgadeira e foi curado pelos processos tradicionais, com bom aspeto e o mesmo cheiro a fumo, mas que não enganam que andou muitos anos a comer fumeiro e presuntos genuínos de recos mesmo recos criados na corte lá de casa.

 

1600-aveleda (595).jpg

 

Se respeitarmos os nossos saberes, sabores, tradições e cultura, seremos grandes e vencedores como o fomos hoje em três frentes nos três efes, caso contrário não passaremos de medíocres e aldrabões que mais não fazemos que contribuir para a nossa aniquilação e a aniquilação daquilo que é bom e faz a nossa grandeza. Por vezes vale a pena acreditar em impossíveis, tal como aconteceu hoje com o Salvador Sobral, pois toda a gente dizia por aí que a nossa canção era linda mas não era festivaleira  para um festival como o da Eurovisão, e ganhou-o.

 

E termino com a última quadra do poema infante de Fernando Pessoa:

 

Quem te sagrou criou-te português,
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal.

 

Pois cumpra-se Portugal com aquilo que temos, com aquilo que é verdadeiramente nosso!

 

E viva o 13 de maio de 2017 e viva PORTUGAL!

 

E com esta me vou, se calha sem tempo para amanhã trazer aqui uma aldeia do Barroso, mas veremos aquilo que se pode arranjar.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:59
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Sábado, 4 de Fevereiro de 2017

Adães em três imagens

1600-casa-candeias (276)

 

Seguindo a ordem alfabética das nossas aldeias, hoje toca a vez de trazer aqui Adães com três imagens, que tal como aconteceu com a Abobeleira, fica uma a cores, uma a p&b e outra em arte digital.

 

1600-Adaes (142)

 

Três olhares sobre Adães, de arquivo, resultantes de algumas passagens pela aldeia à qual falta ainda um post prometido e que um dia destes acontecerá.

 

1600-340-art (12)

 

Post prometido sobre a Casa dos Candeias da qual hoje fica uma imagem da sua capela.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:06
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Sábado, 19 de Novembro de 2016

Seara Velha com duas gerais e um pormenor

1600-seara-velha (299)

 

Às vezes, de tão ocupados e preocupados que andamos com a beleza dos pormenores, esquecemos a beleza do conjunto. Tem-nos acontecido isso com Seara Velha que já trouxemos aqui muitas vezes, mas quase sempre com os pormenores das suas casas e ruas.

 

1600-seara-velha (725)

 

Pois hoje vamos tentar corrigir essa nossa distração, trazendo aqui um pouco do todo desta aldeia, contudo, não resistimos também a um pormenor da sua igreja.

 

1600-seara-velha (136)

 

Mas ficam também duas vistas gerais sobre Seara Velha tomadas de lados opostos, uma de Nascente para Poente e a outra de Poente para Nascente. Se um dia conseguirmos outras distintas, também as traremos aqui. Para já ficam estas três imagens.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:04
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