12 anos

Sábado, 20 de Maio de 2017

Avelelas - Chaves - Portugal

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Esta coisa de andar aqui pelo blog já vai a caminho de 13 anos. Inicialmente apenas dedicado à cidade de Chaves, cedo me dei conta que este espaço não focaria completo se não incluísse aqui as nossas aldeias. A ideia tinha pernas para andar, apenas era necessário ir por essas aldeias adentro à caça de algumas imagens que melhor as caracterizasse.

 

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Foi um trabalho ao qual me dediquei intensamente nos primeiros anos do blog, pelo menos até completar o levantamento das nossas quase cento e cinquenta aldeias, mas, com o tempo, fui-me dando conta  que na recolha inicial, a algumas aldeias  faltavam alguns pormenores, noutras alguma inspiração, noutras faltou algum tempo para ter sido uma recolha completa.

 

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Claro que teria que repetir as minhas voltas a algumas, para ser sincero a muitas aldeias, e retomei a caminha de nova recolha, esta feita com mais calma e até com outro olhar, mais apurado, pois ao longo do tempo também fui apurando o olhar, principalmente no saber aquilo que queria captar, mas mesmo assim, algumas aldeias foram ficando para trás. Avelelas foi uma dessas aldeias que foi ficando para trás, mesmo assim, passei por lá pelo menos três vezes em três anos diferentes, para ser mais preciso e segundo a data dos aquivos das fotos, fui lá de dois em dois anos (2006, 2008 e 2010) mas sempre me pareceu faltar alguma coisa.

 

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Assim, há dois anos atrás (2015) numa das tardes disponíveis, em finais de agosto de 2015, decidi completar o levantamento fotográfico com aquilo que me parecia faltar, não só nas Avelelas, como também em Oucidres e Vilar de Izeu, mas parece que o destino estava traçado a não ser ainda nesse dia que iria completar tal levantamento, e não aconteceu mesmo.

 

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Acontece que quando comecei a aproximar-me  da aldeia  vi que um  grande incêndio a rodeava e ameaçava até entrar pela aldeia adentro, incluindo a própria estra de acesso estava cortada com chamas de ambos os lados e um grande aparto de bombeiros. Aqui por ficar onde me era possível ficar, no cruzamento para a Sobreira e para o Castelo de Monforte e daí não arredei pé até ao anoitecer. Claro que as Avelelas ficaram novamente adiadas e nesse dia na recolha de imagens, apenas contava terra queimada, fumo, chamas e bombeiros. Assim, mais uma vez vamos até às Avelelas, mas com imagens de arquivo com a promessa de um dia lá voltar.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 19:05
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Sábado, 15 de Abril de 2017

Argemil da Raia - Chaves - Portugal

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E porque hoje é sábado, cá fica mais uma aldeia que para uns é simplesmente Argemil mas muitos, exigem, que seja como deve ser – Argemil da Raia.

 

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E ser da raia não é apenas ter a Galiza ali ao lado, pois é muito mais que isso, é mesmo ter a Galiza ali ao lado, é ter mais um povo irmão, é fazer parte da História da Raia, é ter muitas estórias que só na raia podiam acontecer, por isso, ser Argemil da Raia é muito mais que ser simplesmente Argemil.

 

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Mas também este ser da Raia começa a ser coisa da História, coisa do passado, embora recente. Contudo, tudo continua igual, ou quase. A Galiza continua ali ao lado, o povo irmão também continua lá, a História da Raia ficou registada e as estórias continuam a existir para serem contadas,  apenas a clandestinidade do atravessar de uma linha se tornou legal, mas fez toda diferença.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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Sábado, 18 de Março de 2017

Almorfe - Chaves - Portugal

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Toma-se a Nacional 314 em direção à Serra do Brunheiro, passa-se o Peto e Lagarelhos, e lá em cima, já no planalto a caminho das Terras de Montenegro, um pouco antes de France e um pouco depois do posto de abastecimento de combustível há uma placa de estrada que aponta para a direita onde diz “Almorfe”. É essa a nossa aldeia de hoje.

 

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Na minha tarefa de percorrer todas as aldeias do concelho de Chaves, Almorfe foi a última a ser visitada. Não por qualquer razão em especial, mas foi ficando para o fim e acabou por ser a última, isto há 10 anos atrás e, confesso, que foi a única vez que lá fui.

 

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E se as nossas aldeias estão cada vez mais esquecidas, despovoadas e envelhecidas no que toca à sua população, mas também às próprias aldeias, pois também elas envelhecem, estas, como Almorfe, que não calham junto a estradas principais ou no caminho de outras terras, são muito mais esquecidas.

 

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Poderão ser aldeias pequenas e esquecidas por muitos, mas aqui o blog não se esquece delas e quando toca a fazer uma ronda por elas, vamos a todas, nem que seja com recurso às nossas imagens de arquivo, como é o caso de hoje.

 

No próximo sábado toca a vez à Amoinha Velha, curiosamente bem perto de Almorfe, lá em cima, no Planalto do Brunheiro.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:41
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Sábado, 4 de Fevereiro de 2017

Adães em três imagens

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Seguindo a ordem alfabética das nossas aldeias, hoje toca a vez de trazer aqui Adães com três imagens, que tal como aconteceu com a Abobeleira, fica uma a cores, uma a p&b e outra em arte digital.

 

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Três olhares sobre Adães, de arquivo, resultantes de algumas passagens pela aldeia à qual falta ainda um post prometido e que um dia destes acontecerá.

 

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Post prometido sobre a Casa dos Candeias da qual hoje fica uma imagem da sua capela.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:06
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Sábado, 6 de Agosto de 2016

Fernandinho!

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Hoje em jeito de provocação começo com esta, com a grafia da oralidade passada a escrita. “Fernandinho vai ó binho, parte o copo p’lo caminho, ai do copo ai do binho, ai do cu do Fernandinho”. É a minha “vingança” para todos os que aquando puto me cantavam isto à minha passagem. Mas como sempre, de bom encaixe, eu até gostava desta lengalenga, até a achava simpática. Claro que isto nada tem a ver com a nossa aldeia de hoje – Fernandinho – a não ser a coincidência que o topónimo da aldeia tem com a personagem da lengalenga. Contudo, graças ao topónimo, sempre senti um certo carinho e curiosidade por esta aldeia.

 

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Confesso que das primeiras vezes que lá fui saí de lá com impressões confusas. Aldeia pequena, com uma rua de risca ao meio a passar por meia dúzia de casas, uma fonte interessante e a terminar lá no alto da Capela, de onde as vistas eram interessantes. Lembro-me ter brincado com imagem do burro que tinha ficado esquecido no recreio da escola e pouco mais. Fui por lá três a quatro vezes e saí de lá sempre com as mesmas sensações, mas a insistência vale a pena, pois uma das sensações era a de que a aldeia tinha de ser mais do que aquilo que aparentava, é de facto é verdade, na nossa última visita, em maio passado, tivemos a sorte de encontrar a aldeia com gente dentro, coisa que nas últimas visitas não tinha acontecido, e fez toda a diferença.

 

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Penso que ainda devia este post à gente que nos recebeu. Este e outros que pela certa ainda acabarão por acontecer num futuro próximo destes sábados dedicados às nossas aldeias flavienses e à sua gente. Gente que até nos levou ao “binho”,  que entornei com toda a satisfação do mundo para poder ser apreciado na frescura da adega.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 15:45
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Sábado, 9 de Julho de 2016

Alanhosa - Chaves - Portugal

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E porque hoje é sábado vamos até mais uma das aldeias do nosso concelho, privilegiando a imagem, porque essa será a que fará memória futura de como foram as nossas aldeias.

 

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Eu sei que a palavra escrita não é qualquer vento que a leva, mas por muito descritiva que seja, nunca conseguirá vencer a força da imagem e depois estou farto de andar por aqui a dizer o mesmo e por muita razão que até possa ter, como julgo que tenho, os poderes instituídos estão-se a marimbar (para não dizer outra palavra) para as nossas aldeias, para o interior e para a nossa gente.

 

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Os políticos  apenas falam das preocupações do mundo rural e do interior  quando se propõem ser eleitos, e não importa ser de esquerdas ou direitas, aqui ou em S.Bento, após chegados ao poder, os seus interesses passam a ser outros, mas há interesses  que eles sempre salvaguardam e outros nos quais se empenham em construir  – os seus próprios interesses e o futuro após poder. E se querem exemplos, basta ver o que fazem hoje os ex-governantes e ex-presidentes de Câmara.

 

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Embora não prometa silêncio, pois há vezes que temos mesmo de explodir em palavras, as aldeias continuarão a marcar aqui presença,  a dizer presente e a mostrar que, embora pouca, ainda têm gente dentro, como é o caso da nossa aldeia de hoje, no planalto da Serra do Brunheiro e que dá pelo topónimo de Alanhosa.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:36
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Sábado, 14 de Maio de 2016

Chaves rural, era uma vez...

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Hoje comi favas, é tempo delas, de chegarem à mesa para serem mais uma das nossas iguarias. Uma sopinha de favas ou uma fabada, não há melhor. Ontem quando as vi em cru cresceu-me água na boca, mas hoje quando as comi, fiquei desconsolado… pois ainda me lembro das favadas que a minha avó e a minha mãe faziam quando eu ainda era miúdo, feitas com alguma arte, é certo, mas com outros acrescentos que a(o)s cozinheira(o)s de hoje já não têm, e daí, o discurso de hoje sobre o nosso mundo rural, mais que de saudade é de desilusão.

 

Este discurso de fins-de-samana sobre o nosso mundo rural tende cada vez mais a ser pessimista, a cada vez mais ser deprimente. Todos os sábados farto-me de aldrabar por aqui com imagens e estórias de um mundo que já acabou, que já não existe mais, que não será possível recuperar. Aqui e ali vão restando uns resquícios da cultura do povo transmontano, apenas isso em dois ou três resistentes já meios tolhidos pela idade,  um povo por excelência que se apoiava na sua terra, na sua singularidade e genuinidade, nos seus saberes e no comunitarismo, pois a vida difícil de viver atrás dos montes numa terra ingrata,  a isso obrigava.

 

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Na distância e ausência da coisa fácil das cidades que a troco de dinheiro se compra(vam) sabores, saúde, educação, diversão, sensações e até a própria vida, o mundo rural trabalhava os pequenos vales e montes para deles tirar o sustento da sua sobrevivência e vivia em comunhão com gente, porcos, vacas, ovelhas, cabras, burros, gatos, galinhas, cães, cavalos, patos, perus e demais animais que um dia também eles pudessem ir à mesa das refeições ou pudessem ajudar no árduo trabalho de revirar a terra para todos os anos, por volta do mesmo dia, semearem e colherem os seus frutos.

 

E assim a gente lá ia andando na sua roda viva dos afazeres diários, que eram mesmo diários sem semana à inglesa, pois a bicheza assim o exigia, e todos, os animais, pessoas adultas, crianças e idosos, tolhidos dos membros, maleitas ou até da cabeça, sem exceção, contribuíam para a mesa lá de casa e quando nas colheitas eram necessárias muitas mais mãos e corpos para o trabalho, os vizinhos apareciam sempre para dar uma ajuda. Entretanto os porcos na corte faziam estrume para as terras enquanto engordavam para no inverno irem ao banco, as vacas e bois, quando não tinham de fazer parelha para puxar os carros de trabalho, ou individualmente puxarem ao arado, eram tocadas para os lameiros, a ovelhas e cabras iam para o monte, os cães faziam de companhia, davam alarmes,  marcavam e  guardavam o seu território e os do seu dono, guardavam e protegiam o gado do ataque dos lobos,   galinhas, patos e perus além de um dia servirem de manjar, punham ovos e comiam os restos das refeições, cascas, sementes e fruta rejeitada, os gatos lordes que são, dormiam ao sol mas de olho na casa e nos baixos que mantinham livres da bicheza pequena dos roedores, cavalos e burros serviam para o transporte de mercadorias e pessoas.

 

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Tudo isto era suficiente para se viver e se mais terras houvessem, mais se cultivavam, e mais filhos se faziam para as trabalhar. Vida dura e difícil, feita de sol a sol, onde só as noites, os dias de chuva intensa ou os grandes nevões davam algum descanso, no entanto, à sua maneira, viviam felizes, e com a fé que todos tinham, rezavam e agradeciam o pão que sempre chegava à mesa e que Deus e a natureza os livrasse, a eles, às suas culturas e à bicheza lá da terra das pragas e doenças, preces que ouvidas ou não, eram sempre agradecidos ao santo de devoção ou padroeira da aldeia, acrescidos de festa rija, com missa e procissão, foguete no ar, banda no coreto, cabrito e outros pormenores à mesa.

 

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Mas o que mais surpreendia era a criatividade que este povo, cultura, rural tinha. Nos tempos menos abastados ou de escassez do que a terra dava,  inventava sabores para não ter à mesa, todos os dias, apenas, o pão que o diabo amassou. Do porco, animal sagrado sem direito a devoção, aproveitava-se tudo, sem exceção, e, pelo menos, desde o Natal até à Páscoa garantia ricas iguarias á mesa, qual delas a melhor. Cabritos, cordeiros e leitões, para os dias de festa, embora os últimos dessem sempre algum dinheiro que dava sempre algum jeito e depois havia que guardar alguns para engordar. Frangos e coelhos enquanto os havia, para o dia a dia, as galinhas poedeiras escapavam ao repasto e apenas depois de velhas davam boas canjas,  galo para dias especiais, o peru para o natal e por aí fora… Isto quando havia bicheza para ir à mesa. As invenções aconteciam quando como quase do nada faziam verdadeiras iguarias, que hoje, algumas, são imitadas com mais sustento. Os milhos, fabadas, palhadas, omeletes, tomatadas, castanhas, tortulhos, batatas à espanhola e as punhetas de bacalhau, sopas e caldos, para além daquilo restava na salgadeira ou dos fumados de porco que durante todo o ano, regados ou cozinhados com o azeite, cebola e alhos da colheita iam dando sabor a autênticas iguarias feitas de quase nada, onde até a carne gorda podia ser um petisco, sem esquecer a magia das ervas aromáticas que tinham sempre à mão.   

 

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O engraçado disto tudo é que estes pratos considerados pobres e de pobres, hoje são servidos em bons e finos restaurantes como entradas, ou mesmo como prato principal, que embora não sejam maus, estão a anos luz do sabor e mestria com que eram confecionados com os produtos genuínos que a gente genuína do mundo rural tinha e que saiam das suas hortas e cortes, ao contrário dos de hoje, de estufas, aviários e outros que tais.

 

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Engraçado também, com graça deprimente, é que esses pratos pobres, poulas, hortas, cortes e muito suor deste povo do mundo rural deram de comer e pagaram muitos estudos a doutores e engenheiros que, hoje chegados ou estando no poder (politico ou outro) depressa se esqueceram de como eram bons os milhos comidos à luz da candeia e deixam morrer o mundo rural que lhes permitiu hoje, engravatados,  estarem onde estão.    

 

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De vez em quando, lá de Lisboa e de outros locais onde os poderosos se apoleiram, dizem ser urgente agir contra o despovoamento do interior e do mundo rural. Palavras ditas sem sentir e sem sentido, pois o que lhes vai na mente são outras ambições. Àquilo a que poderíamos e deveríamos apelar, já é muito tarde para o fazer. Já se perdeu, quase toda,  a genuinidade da cultura do povo rural, Já lhes começa faltar-lhe tudo e os pouco resistentes que resistem já não têm tempo ou estão tolhidos para salvar o que resta dessa cultura. Aquilo que supostamente hoje se possa fazer pela cultura deste povo interior, é o que se poderá fazer e oferecer em qualquer parte do mundo, de forma igual, globalizada, cómoda, muito cómoda porque onde quer que formos teremos mais do mesmo, o mesmo sabor, o mesmo saber, sem a singularidade e genuinidade das terras, dos produtos, do modo de fazer e outras singularidades que fazia os seus sabores diferentes, feitos com diferentes saberes e uma cultura, não uma coisa desinteressante, globalizada,  chata  e que se repete em todas as esquinas, sempre desenxabidas e artificiais.

 

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Também por cá, na terrinha, de vez em quando, se vem com a treta de se ter de olhar para o mundo rural, para o presunto de Chaves, para a couve penca, o grelo da veiga e a batata da montanha, para o  pastel de Chaves, o melhor fumeiro e folar de Portugal e arredores, o mesmo que outras terras desse nosso Portugal dizem, mas a realidade é que quando queremos comprar um desses afamados produtos regionais,  o presunto de Chaves nem vê-lo nem cheirá-lo, as couves são da mesma estufa que fornecem Lisboa e o Algarve, as batatas vêm de Espanha, os grelos de genuínos só tem o fio azul com que fazem os molhos, folar já começa a ser igual em qualquer terrinha a que se vá. Quanto ao fumeiro, com as exigências da lei e as preocupações que se tem com o pessoal que o faz e onde se faz, com cozinhas xpto, gorro na cabeça, luvas nas mãos, qualquer dia, em vez do reco do matadouro,  já se faz sem reco e sem fumo, e quer seja aqui ou no Barroso, em Vinhais, nas Beiras ou no Alentejo, o fumeiro certificado começa a ser todo igual e bem longe das chouricinhas e alheiras que a minha avó fazia com o reco da corte, sem luvas e touca na cabeça e fumado com a boa lenha do monte, em lareiros colocados por cima dos escanos a pingar gordura sobre as cabeças de quem o fazia.

 

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Restam os famosos pastéis de Chaves que sobre eles dava para escrever meia dúzia de romances e muitos mais livros de ficção. Pena que a origem dos pastéis de Chaves não fosse um tema obrigatório para os contos que os escritores galegos e outros deste Portugal,  foram convidados há dias pelo Altino para  às custas do município passarem uns dias em Chaves. Seria um bom desafio. Seja como for o pastel está certificado e como diz o nosso amigo do Celeiro que tem lá quatro pastéis dentro duma gaiola – “Não cantam mas são uma delícia” (penso que é isto que diz, se não for é parecido). Pois quanto à sua genuinidade, a acreditar pelo que dizem as dezenas de casas que o fazem em Chaves e não só, cada uma delas diz fazer o verdadeiro pastel de Chaves, quer isto dizer que deve haver por aí muito pastel falso e que os outros que fazem nas outras casas não é o verdadeiro, é parecido, bom, mas não é verdadeiro. Pois eu vou mais longe, e tal como o resto (fumeiro, presunto, etc), todos são pastéis de Chaves e embora, repito,  sejam bons, nenhum é genuíno pela simples razão de os ingredientes não o serem. E fico-me por aqui.

 

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Quanto às imagens de hoje, é um pouco ao calhas, uma foto daqui, outra dali, mas todas de cá,  do nosso mundo rural flaviense, esta sim, genuínas, tal como os nossos resistente e o despovoamento também bem verdadeiro.

 

Resto de um bom fim de semana, hoje com muita festa cá por Chaves e em várias frentes, mas a maior, claro, é a do regresso de Chaves à I Divisão, com reco no espeto, foguete no ar e música nos palcos.  

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 18:58
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Sábado, 7 de Maio de 2016

Santiago do Monte e Companhia...

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Nem sei por onde começar. É sempre assim quando vou pelas aldeias e é sempre assim com as trago aqui ao blog, e o porquê é muito simples - é tudo uma questão de sentimentos.  Posto assim o problema pode parecer fácil de resolver, pois é só uma questão de dar liberdade a esses mesmos sentimentos e eles começariam a fluir em escrita. Pois, só que, quando os sentimentos são contraditórios, aí tudo se complica.

 

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Antes de começar a escrever este post trazia na algibeira meia dúzia de palavras que me poderiam servir de mote. Esbarrondar, amor, partir, abandonar, resistentes, saudade, tristeza, solidão, recordar, revolta, ingratidão… e até sei onde as usaria, mas com nenhuma conseguiria transmitir aquilo que verdadeiramente se sente, ou sinto, quando vou pelas aldeias e quando as trago aqui ao blog.

 

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 Imagem de arquivo do ano de 2008

Estive para começar pela palavra esbarrondar por ser o verbo que mais oiço conjugar pelos resistentes. O esbarrondar das casas e veio-me depois à lembrança o provérbio:  "A casa é a sepultura da vida". Um provérbio que dá para pensar e foi nesse mar de pensamentos que me perdi para arranjar as palavras deste post. Mas cheguei a algumas conclusões, e uma delas,  é o amor que as casas têm por nós, tanto quanto o amor que nós temos por elas, e quando esse amor deixa de ser correspondido, ou lhe retiram a vida que abrigavam, sente-se abandonadas, desamadas, entristecem, desleixam-se, deprimem-se e esbarrondam-se, que é como quem diz – morrem – e transformam-se na sua própria sepultura.

 

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 Imagem de arquivo de julho de 2015

Vem-me agora à lembrança um poema do nosso grande poeta na pessoa de Álvaro de Campos, precisamente um que se refere à vida e à morte, mas de gente,  e que a página tantas diz: “(…) Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!/Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém…/ sem ti correrá tudo sem ti./”. Se com a gente assim é, com as casas não, e tudo será diferente sem as casas no sítio em que nasceram, sem as pessoas lá dentro, sem vida. Mas bem pior que a morte de uma casa, é a morte de outra casa, a sua vizinha, e depois outra e depois a seguinte, como um mal que se pega e que leva tudo a eito. E isto já não é ficção, começam a ser palavras de um mundo que acabou.

 

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Mas vamos então até à nossa aldeia de hoje, onde os sinais dos novos tempos cada vez se acentuam mais, onde as casas começaram a morrer, tal como na grande maioria das nossas aldeias, principalmente as de montanha e lá diz o povo “o mal de muitos consolo é” mas convém não esquecer que o mesmo povo também diz “Mal de muitos, triste consolo”.

 

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Penso que ficou bem explicada a tal contradição de sentimentos nesta coisa de ir pelas nossas aldeias e de as trazer aqui ao blog, e nem é tanto pela morte das casas, pois outras poderiam nascer no seu lugar, mas antes, e aí sim lamento e todos iremos lamentar, pela morte da cultura de um povo, das suas tradições, dos seus saberes, da sua genuinidade e singularidade.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:26
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Sábado, 30 de Abril de 2016

Matosinhos - Chaves - Portugal

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Hoje vamos abrir a porta a Matosinhos, uma aldeia de montanha do nosso concelho de Chaves.

 

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E uma vez aberta a porta damos uma voltinha pela aldeia. Mais uma, pois já não é a primeira vez que vamos por lá e também não será a última.

 

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Porta que já não abre é a da escola. Infelizmente, tal como quase todas as escolas das nossas aldeias, uma a uma, foram fechando as suas portas. Sinais da baixa taxa de natalidade mas também sinal de despovoamento rural. Males dos tempos modernos.

 

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E temos pena ver assim a morte lenta das nossas aldeias. Pois temos, não temos é o poder de resolver o problema, mas pelo menos podemos denunciá-lo.

 

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 Resta-nos a natureza, que essa, sempre nos vai surpreendendo pela positiva.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:30
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Sábado, 23 de Abril de 2016

Sanjurge, Bairro ou Aldeia?

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Depois de tratar as imagens de hoje, estive tentado a fazer um discurso sobre a fotografia, mas não, não vou por aí pela simples razão de hoje trazer aqui … de hoje trazer aqui. Pois, se fosse há uns poucos anos atrás não hesitaria em dizer  que hoje trazia aqui a aldeia e freguesia de Sanjurge, mas hoje questiono-me se poderei dizer o mesmo, pois graças às ordenanças  de Lisboa, àquela de ter de diminuir ao número de freguesias para sairmos da crise, ou contribuir para, teoricamente Sanjurge deixou de ser aldeia e freguesia para passar a fazer parte de uma sociedade urbana, do tipo Santa Cruz/Trindade e Sanjurge, Ldª. O Ldª é meu, o resto é real.

 

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Há coisas que nunca chegarei a entender. Uma é a da realidade não ser absoluta, pelo menos aqui em Portugal  onde há sempre duas realidades, por exemplo nesta questão das aldeias do  interior e o próprio interior no seu todo versus litoral. Há quem lhe chame o Portugal de duas velocidades, mas eu vou mais longe e chamo-lhe de duas realidades – uma aquela com que nos vemos e outra aquela com que desde Lisboa nos veem, uma são os nossos interesses, outra são os interesses de Lisboa e, começo a pensar que esta do despovoamento rural foi planeada à má fé desde Lisboa. Mas esta minha teoria dava páginas de discussão, mas a realidade, e aqui é absoluta, a continuar tudo como até aqui, as aldeias vão passar à história.

 

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Mas vamos de novo a Sanjurge e à tal sociedade Santa Cruz/Trindade e Sanjurge, Ldª., pois este negócio também não o entendi. Então há anos atrás a freguesia de Outeiro Seco era composta pela aldeia de Outeiro Seco e Santa Cruz. Cozinhou-se então um negócio em que Outeiro Seco perdia Santa Cruz e esta unia-se à Trindade (um bairro da cidade), para formarem uma nova freguesia. Até aqui tudo bem, pois além de, religiosamente falando,  se juntar a Santa Cruz à Trindade, os dois bairros estavam na realidade (absoluta)  juntos, e Outeiro Seco ficava lá com a sua ruralidade e as suas poulas mas também, pela certa, ganhou alguma coisa com o negócio.  Mas para concluir, aquando da recente união de freguesias, o mais lógico seria que a aldeia de Outeiro Seco retomar de novo Santa Cruz mais a Trindade, em vez de Sanjurge, que geograficamente até está separada de Santa Cruz/Trindade. Mas enfim, quem manda, manda, e manda bem, mesmo que isto não seja verdade.

 

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Mas ainda há mais para eu não dar como entendido o tal negócio, pois fisicamente o território da nova freguesia de Santa Cruz/Trindade e Sanjurge está dividido por uma barreira chamada autoestrada em que deixa Sanjurge de um lado e Santa Cruz Trindade do outro. Mas enfim, quando os negócios são tratados por políticos, nunca são para entender, pois há sempre coisas (interesses) ocultas que os regem, e já diz o ditado que “o segredo é a alma do negócio” e se é segredo ninguém tem nada que saber.

 

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Pois seja como for e negócios à parte, eu continuo a ir até a aldeia de Sanjurge, porque isto de ser aldeia não é bem o mesmo que ser um bairro da cidade. Podem ter certa parecença mas não é bem a mesma coisa. As aldeias têm alma própria, os bairros são arrabaldes.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:17
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Sábado, 16 de Abril de 2016

Curalha - Chaves - Portugal

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Há locais e aldeias que frequento mais amiúde e hoje deixo-vos aqui oito motivos e outros tantos registos que me levam a isso.  Simultaneamente são imagem de marca de uma aldeia e da sua envolvência – Curalha, é a nossa aldeia de hoje.

 

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Felizmente não é o único local e aldeia que tenho na manga como trunfo a puxar quando dele necessito. Não só pelas composições que proporciona onde há sempre uma nova para descobrir, mas também porque são locais onde vamos e regressamos sempre formatados, limpos, para encarar a cidade e o seu dia-a-dia.

 

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Não que a cidade seja stressante e nos pressione como eventualmente pode acontecer com mais frequência nas grandes cidades. Chaves não é tão grande assim, felizmente ainda é uma cidade de província, mas também a vida destas mexem connosco, e,  de vez em quando, precisamos de respirar outros ares.

 

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Os rios, a croa das montanhas e das serras, locais onde só o murmúrio das águas, do vento, das variadas melodias da passarada ou de um chocalhar perdido no meio de uma pastagem são possíveis e suficientes para silenciar e esquecer os ruídos da urbanos, quer sejam sonoros ou não.

 

1600-CURALHA (481)

 

Curalha tem algumas dessas ofertas. Muito rio, moinhos, a coroa do castro com a sua imagem de marca do pinheiro manso, mas também uma aldeia, onde nunca resistimos a deixar à margem e onde há também sempre um ou outro motivo que merece um registo.

 

1600-CURALHA (139)

 

Mas há também a memória de uma linha férrea, a Linha do Corgo e as estação do Tâmega, umas das mais importantes da altura, a par das estações das cidades e das vilas que a linha do Corgo servia. Felizmente e graças ao gosto e interesse de um privado,  o edifício da estação mantem-se e uma composição de máquina a vapor, uma carruagem e um vagão de mercadorias estão estacionado em frente à estação, para delicia de que a avista desde a E.N.103, dos fotógrafos ou de quem gosta de comboios e sobretudo tem saudades do comboio em terras flavienses.

 

1600-CURALHA (379)-1

 

Ainda do comboio resta a ponte de pedra sobre o rio Tâmega que hoje não coube aqui em imagem, mas que já mais vezes aqui trouxemos e iremos continuar a trazer, talvez numa próxima passagem por Curalha.

 

1600-CURALHA (513)

 

Ainda bem que existe a fotografia para podermos fazer estes registos e estas composições que ao visionarmos deixam um pouco do cheiro e sabor da realidade, mas como sempre digo e volto a afirmar, uma coisa é a fotografia e outra a realidade, mas esta, há que ir aos locais para a sentir.    

 

  

 

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Sábado, 9 de Abril de 2016

Loivos ao longo do vale

1600-loivos (490)

 

Já há algum tempo que não trazia aqui Loivos. Inconscientemente fui adiando a sua vinda aqui. Não quero com isto dizer que Loivos nunca tivesse passado por aqui, antes pelo contrário, pois teve o seu post alargado quer como aldeia quer como freguesia, e umas tantas vezes, com uma ou outra foto foi passando por aqui. Mas sempre senti que Loivos é mais do que aquilo que aqui deixei, mas ainda não consegui perceber o que me falta. No entanto hoje decidi trazer aqui a aldeia mais uma vez, mas de uma forma diferente, pois em vez de entrar na sua intimidade, hoje ficamos com algumas imagens do seu vale, ao longo da estrada, com exceção para uma imagem em que podemos, também da estrada, ver o anfiteatro do seu casario.

 

1600-loivos (506)

 

No que me falta de Loivos sei que tem estreita ligação ao vale, mas também à montanha e não só. Penso que a sua localização geográfica foi outrora fundamental para o seu desenvolvimento. Talvez antes de Vidago existir ou de emergir com o seu desenvolvimento e a sua importância como estância termal. Talvez, mas isto são tudo suposições, pois não tenho qualquer documentação que me leve a afirmar com segurança isto que afirmo. Mas sente-se ainda hoje que Loivos foi um núcleo importante. Estas algumas das razões do tal adiar inconsciente que atrás referia, contudo, e antes que se faça luz sobre as minhas dúvidas e questões, penso que não há qualquer razão para deixar de, pelo menos em imagem, passar por aqui de vez em quando.

 

1600-loivos (480)

 

E razões não faltam, mesmo fora da aldeia em si, pois ao longo do vale e da Ribeira de Oura não faltam motivos e composições interessantes. Hoje aventuramo-nos com alguns desses motivos, mesmo com a Ribeira a ficar de fora, mas ficam os campos verdejantes que lhe servem de margem.

 

1600-loivos (505)

 

Mas também a estrada que em jeito de túnel com paredes de plátanos fazem a delícia de uma das entradas na aldeia, ou quase, pois a estrada desenvolve-se ao longo das faldas da aldeia, sem que não lhe faltem as casas que as estradas sempre atraíram, e ainda bem, pois também é por lá que vamos parando para tomar um café, e quem sabe se não será numa destas paragens que iremos encontrar o que nos falta de Loivos.

 

 

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Sábado, 27 de Fevereiro de 2016

Uma aldeia do concelho de Chaves

1600-s-lourenco (463)

 

Costumo começar estes posts sobre as nossas aldeias do concelho de Chaves com o título da aldeia. Hoje propositadamente não o faço, embora alguns pela primeira imagem que vos deixo identifiquem de imediato a aldeia em questão, estou certo que a grande maioria não a identificará, alguns porque nunca ou raramente por lá passaram, outros, muitos, porque embora até passem por lá amiúde, não e esta a imagem que têm registada na memória. Como tudo e todas as coisas, são identificáveis pelas imagens que vamos registando na memória e se a mesma coisa lhes for dada de uma perspetiva diferente, a nossa memória nada terá em arquivo que a possa identificar.

 

1600-s-lourenco (447)

 

E se a primeira imagem era uma vista geral sobre a aldeia de hoje, a que vos deixo agora é da sua intimidade, que é como quem diz do seu miolo, centro ou casco histórico. Se a primeira era difícil de identificar para muitos, esta muito mais difícil será, pois só quem está habituado a entrar na intimidade da aldeia é que a identificará. Tudo isto acontece porque esta aldeia embora atravessada diariamente por muita gente, a imagem que essa gente tem da aldeia, é aquela que vê desde a estrada que a atravessa.

 

1600-s-lourenco (356)

 

Mas hoje vou levar a minha até ao fim. Vou deixando algumas dicas e imagens sobre a aldeia em questão, mas não vou dizer qual é. Os mais perspicazes, logo na na primeira imagem, ou em todas, já têm muitas respostas, mas para o mais distraídos vou deixar mais algumas. É uma aldeia de montanha com um vale no seu sopé. Vale que de inverno costuma ter a companhia do nevoeiro. A aldeia é atravessada por uma Estrada Nacional e em tempos não muito distantes, pelo menos até ao terceiro quartel do século passado, era lá que se localizavam as “máquinas de lavar roupa” da cidade, roupa que após lavada era transportada em burros até a cidade. E prontos, como se costuma dizer por cá, os mais velhotes já sabem de que aldeia se trata, tudo por causa do burros. Pois burros carregados de roupa branca vinham desta aldeia, burros carregado de leite vinha de Outeiro Seco, burros carregado de carqueja vinham das nossas aldeias do Barroso, entre outros burros que vinham carregados de outras coisas de outras aldeias. Até eu que não sou assim tão velhote e que para a idade da reforma ainda me faltam uns bons anos, me lembro dessas desses burros de carga e das suas cargas, inclusive, já crescidote tive muitas vezes que esperar pelo burro do leite para tomar o meu pequeno almoço. Ia rematar o parágrafo com “bons velhos tempos”, mas não, apenas eram tempos diferentes.

 

1600-s-lourenco (338)

 

Eu sei que neste dia muitos vêm aqui para ver as suas aldeias, outros para descobrir novos motivos, pois hoje, para quem é da aldeia pela certa que já identificou, para quem não é de lá, fica o desafio da descoberta e, quem sabe, um convite para quem em vez de passar o fim de semana pasmado, sentado num sofá em frente à televisão, ou na mesa de um café a lamentar-se pelo Sporting e o FCP terem sido eliminados das competições europeias, avance para o nosso terreno à descoberta daquilo que é nosso, de carro ou até a pé, pois a uma ou duas horas de caminhada (a pé) a partir da cidade, sem grandes esforços, podem fazer verdadeiras descobertas, dignas de documentários de uma qualquer televisão, se para aqui estivessem virados e Trás-os-Montes não ficasse tão distante (embora tão perto) para quem decide. Mesmo assim, de vez em quando o cinema e a literatura, entre outras artes, de vez em quando, ousam em vir por cá. Ontem mesmo estreou um filme em Lisboa sobre o Cambedo, há pouco dias atrás andou por Chaves a rodar-se um filme de jovens universitários e brevemente iremos ter o lançamento de um romance com estórias cá da terrinha, que na devida altura daremos conta aqui no blog.

 

1600-s-lourenco (311)

 

Para hoje ficam então cinco imagens de uma aldeia de Chaves, que hoje não digo qual é. Descubram-na ou partam à descoberta dela, mas para os mais novos, para os que já não se lembram dos “burros da roupa lavada”, apenas lhes digo que é uma aldeia onde ainda se pode fazer jus, saboreando-o, ao famoso presunto de Chaves.

 

 

 

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Sábado, 30 de Janeiro de 2016

Imagens de Alanhosa, palavras de confissão

1600-alanhosa (264)

Fez no início deste mês 11 anos que venho aqui ao blog com imagens da cidade de Chaves, mas, logo desde início, que tive necessidade de trazer também aqui imagens das nossas aldeias. Muitas vezes me pergunto o porquê dessa necessidade de mergulhar de vez em quando na nossa ruralidade mais profunda e a verdade é que não sei ao certo qual é a resposta, embora conheça a sua origem, ou melhor, penso conhecer. Mas tudo isto não é fácil de explicar, precisamente porque não tenho certezas de qual a razão desta minha paixão pelas aldeias, pelo mundo rural, pelas pessoas das aldeias. Sei que tudo começa na idade de ser criança, o que por um lado é estranho, pois nasci e sempre vivi na cidade ou nos seus arredores, mas sei que a minha ligação ao mundo rural começou precisamente em criança, na aldeia do meu pai, nos poucos dias que lá passava mas onde tudo era uma descoberta, como de noite viver à luz da candeia, não haver água canalizada em casa, as estrelas de noite serem mais brilhantes, as lareiras e os escanos, os potes ao lume e, durante o dia, o chiar dos carros de bois ou os bois, ovelhas e cabras, galinhas, burros, cães e pessoas a circular nas mesmas ruas, respeitado cada um os espaços dos outros, mas sobretudo o que melhor recordo, era a liberdade que tinha para andar pelas ruas da aldeia ou nas aventuras de explorar os montes num constante tropeçar com a vida selvagem, sobretudo dos animais e destes as aves nas mais variadas e espécies. Enfim, mais que imagens que vos deixo aqui aos fins-de-semana, são uma série de memórias que se revivem ao recolhê-las ou ao trazê-las aqui.

 

1600-alanhosa (243)

 

Mas a vida é muito complexa e cheia destas e de outras paixões que nos levantam muitas questões e às vezes nos fazem viver aquilo que parecem ser contradições. Eu explico melhor ou troco em miúdos aquilo que quero dizer — Gosto no nosso mundo rural mas também gosto da cidade, e parto com a mesma paixão à descoberta do mais profundo da ruralidade como à descoberta de uma grande cidade. Em suma, e valendo-me das palavras dos outros sem recorrer aos filósofos, pensadores ou intelectuais das palavras, cito as palavras de Fernando Mendes cantadas por Marco Paulo: “ Eu tenho dois amores/que nada são iguais/mas não tenho a certeza/de qual eu gosto mais”. Pode ser pimba mas é a melhor descrição para o meu sentir, E com esta me vou!

 

Até amanhã, e se perderam tempo com a minha confissão, espero que o não tivessem perdido com as imagens de hoje.

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:49
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Sábado, 26 de Dezembro de 2015

Noval - Chaves - Portugal

1600-noval (42)

 

O tempo passa sem darmos por isso. Pensava eu que a última vez que tinha ido a Noval em recolha de imagens tinha sido há dois ou três anos, e na realidade passei por lá há dois anos atrás, mas já em pleno anoitecer, ou mais noite que dia, pelo que só deu para recolher três imagens, mas como a maioria sabe, sem luz não há fotografia, pelo menos sem longas exposições e um tripé, que foi o caso. Pois em recolha de imagens a sério só aconteceu duas vezes e já lá vão uns anitos, uma das vezes foi em 2007 e a outra em 2009, pelo que é natural que as imagens que hoje vos deixo não estejam muito atualizadas.

 

1600-noval (96)

 

Assim pela certa já entenderam que esta última imagem com neve não é destes últimos dias, mas antes de dezembro de 2009. Embora já em pleno inverno o tempo continua por cá anormalmente quente para a época, aliás não tenho memória de ter passado um Natal com temperaturas tão altas. Contudo não quero com isto dizer que esteja calor, mas antes que daquele frio-frio a que os invernos nos têm acostumado, ainda não chegou.

 

1600-noval (30)

 

Ficam então três imagens de Noval, uma pequena aldeia aqui ao lado de Chaves e mesmo colada à aldeia de Soutelo, mas se não o soubéssemos, pelas suas características, principalmente do casario, bem acreditaríamos que se podia tratar de uma das aldeias de montanha. Noval que conjuntamente com Soutelo foram aldeias rainhas na tecelagem de linhos e das famosas mantas de lã. Mas isso já são coisas de outros tempos.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:33
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