Sexta-feira, 1 de Abril de 2016

Discursos sobre a cidade - Por António de Souza e Silva

SOUZA

 

 

DESENVOLVIMENTO DO ALTO TÂMEGA

AS NOSSAS INTERROGAÇÕES

 

I

 

Os sistemas produtivos locais das "regiões que ganham" organizam-se em torno de dois eixos:

 

  • a coesão interna: capacidade de os vários actores do sistema conceberem uma estratégia comum de desenvolvimento;

 

  • a abertura ao exterior: a capacidade de o local estabelecer contactos externos e aceder às dinâmicas de desenvolvimento globais.

 

Na base deste dois eixos está o conceito de densidade institucional, essa característica que, assente nas relações de proximidade, assegura a coesão dos sistemas produtivos locais pela lógica de ação coletiva fundada nas convenções e instituições locais, e deste modo, funciona como o ponto de partida para os territórios construírem os seus processos de desenvolvimento.

 

Temos a base e os eixos em que se articula o desenvolvimento territorial. Mas como se criam as competências fundamentais para a competitividade desses sistemas produtivos? Para a elaboração deste emergente paradigma do desenvolvimento local e a "explicação" da competitividade territorial surgem quatro conceitos chave que estão obviamente interligados e se reforçam mutuamente (BRAMANTI):

 

  • inovação; learning (aprendizagem); redes; governância.

 

 

figura 1.JPG

 

 

 Fonte: Bramanti (1999); (Retirado de Cerqueira, 2001)

    Figura 1.– O emergente papel do território: uma visão diagramática dos quatro fatores chave

 

Desde a nova teoria do crescimento endógeno até às abordagens evolucionistas, a inovação é hoje consensualmente vista como um motor de crescimento. O que as novas abordagens do desenvolvimento regional fizeram foi incorporar o espaço como um fator "interno" no processo de criação e difusão de inovação.

 

Mas devemos aqui entender inovação no seu sentido mais lato, ou seja, mudanças benéficas, sejam ela técnicas (novos produtos ou melhorias nos existentes), organizacionais (métodos de gestão) ou institucionais (mudanças de hábitos ou mentalidades) (MAILLAT e KÉBIR).

 

A importância dos processos de aprendizagem já foi salientada para a criação das "competências" necessárias aos sistemas produtivos locais (tecnologia, know-how, qualificação dos recursos humanos e métodos de gestão) para responder aos desafios da globalização e da learning economy. Globalização e learning economy são dois conceitos intimamente ligados por um processo de causalidade cumulativa: o surgimento de uma economia mundial integrada permitiu uma aquisição de informação, competências e tecnologias mais rápida e com menos custos que no passado; por outro lado, a globalização tem sido impelida pelas novas tecnologias de informação, que tem funcionado um pouco como o seu "meio de transmissão" (JOHNSON e LUNDVALL). Ou seja, quanto mais global é uma economia mais learning economy se torna, e vice-versa.

 

O impacto positivo das novas tecnologias de informação na produtividade só poderá ser aproveitado pelo local se as suas redes de cooperação forem capazes de integrar e difundir estes processos de inovação, tornando-se também redes de "conhecimento intensivo". E a competitividade territorial só será alcançada se essas redes, apoiadas na sua base local, ultrapassarem essa dimensão conseguindo gerir as diferentes fases da atividade produtiva (financeira, I&D, marketing, distribuição) que hoje se realizam a uma escala global.

 

A governância é o conceito usado para descrever o processo organizativo, ou se preferirmos, político, que une conceitos (inovação, aprendizagem e redes) na elaboração duma estratégia de desenvolvimento, e que é dependente da capacidade dos atores e instituições duma região, ou seja, da sua densidade institucional.

 

O que daqui resulta é que para além da força motriz do mercado e da capacidade reguladora do Estado, deve existir uma outra entidade a que BRAMANTI chama de integradores do sistema (sejam agências de desenvolvimento, associações empresariais, etc.), e cuja função será fomentar os processos de criação de bens públicos e sobretudo bens relacionais, ou seja, funcionarem como agentes de mediação no estabelecimento da estratégia de desenvolvimento que passa, como vimos, pela inovação, redes e processos de aprendizagem. É o papel das instituições que promovem a confiança para cooperar e interagir que facilita a incorporação desse conhecimento. E o que é válido para os processos de aprendizagem também o é para a inovação e a criação de redes, onde a dicotomia mercados/Estado dever ser substituída por uma relação de complementaridade traduzida numa governância de base local.

 

figura 2.JPG

 

Fonte: Bramanti (1999); (Retirado de Cerqueira, 2001)

 Figura 2. O Os processos de desenvolvimento territorial - Da base ao ponto de chegada

 

São estes os quatro pilares em que assenta uma estratégia de desenvolvimento local e a forma como eles se interrelacionam. E é da combinação "correta" desses fatores que se explica as histórias de sucesso de certas regiões e o declínio de outras. Esta combinação deve ser vista em articulação com os dois eixos atrás definidos: o grau de coesão interna do sistema e a sua capacidade de abertura ao exterior (redes transnacionais ou o circuito global de produção), isto é, se o isolamento do exterior provoca uma "morte por entropia", o excesso de abertura anula os efeitos da proximidade e provoca a desintegração do sistema. É então no equilíbrio entre este dois eixos que a mencionada combinação correta se estabelece.

 

Contudo, as regiões mais desfavorecidas não possuem as pré-condições necessárias – uma densidade institucional que, articulada numa coesão interna e numa relação com o exterior, construa um processo de desenvolvimento baseado nos quatro fatores chave atrás referidos - o que as remete para um círculo vicioso de pobreza e desfasamento.

 

O que aparece então como central numa política pública de desenvolvimento local para as regiões mais desfavorecidas é a inversão desse círculo vicioso. A estratégia para estas regiões deve ser a de estabelecer os meios com os quais se ultrapassem os limiares mínimos de densidade material e institucional que qualificam um determinado espaço (REIS, 1999). O que passa por intensificar as bases (económicas, sociais e culturais) que concorrem para a formação duma coesão interna apoiada em características coletivas (não privadas), e lançar instituições formais, sobretudo as que incentivam os processos de aprendizagem. Desta forma, iniciam-se processos de causalidade cumulativa para criar a necessária densidade institucional, a condição primeira para uma competitividade territorial capaz de gerar o bem-estar local.

 

Ou seja, há um limiar mínimo de densidade que é necessário atingir, uma base que é necessário criar. Temos pois a necessidade de uma nova política de desenvolvimento local que, articulada com esses integradores do sistema ou agentes de mediação, os fomentadores dos processos de criação de bens públicos e relacionais, possa criar essa base para uma estratégia de desenvolvimento que passa, como vimos, pela inovação, processos de aprendizagem, redes e governância.

 

II

 

Lemos atentamente o documento «Alto Tâmega – Estratégia de Desenvolvimento Territorial». Feito, naturalmente, por técnicos cuja competência não pomos em causa e que, no papel, esquadrinharam a estratégia de desenvolvimento do Alto Tâmega, do qual, o concelho de Chaves, faz parte.

 

A responsabilidade deste documento, e da sua estratégia gizada, é da CIM (Comunidade Intermunicipal) do Alto Tâmega.

 

Sabemos qual seja o maior desiderato deste documento e estratégia – a obtenção do maior número de Fundos Comunitários possível de uma Comunidade Europeia que anda a desnorte.

 

Pondo este desiderato de lado, nossa maior dúvida vai para a real eficácia daquele documento e consequente estratégia que propõe. Na verdade, pergunta-se:

 

  • Onde está a capacidade de coesão interna do Alto Tâmega, quando sabemos que, por parte, fundamentalmente, dos seus autarcas, cada qual “puxa” para o seu “feudo”, não vendo a região onde se inserem como um único território e com uma única visão?

 

  • Onde está a abertura ao exterior dos seus autores e atores locais, fazedores do seu próprio desenvolvimento? Temos no Alto Tâmega uma densidade institucional suficientemente credível e forte, com instituições que o compõem, capazes de elas próprias serem integradoras do sistema (territorial) e agentes de mediação capazes de criarem uma base suficientemente forte para uma verdadeira e eficaz estratégia (autossustentada) de desenvolvimento?

 

 

Temos sérias dúvidas.

 

No próximo «discurso» voltaremos a este assunto, esclarecendo nosso ponto de vista.

 

António de Souza e Silva

 

 

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Domingo, 17 de Janeiro de 2016

Os domingos de Vidago e algumas meditações...

1600-vidago (1139)-1

 

Hoje deixo-vos Vidago em três momentos, em três composições ou em três estados da sua alma ou de quem a vê. Três momentos e composições que poderiam multiplicar-se ou substituir-se por outros diferentes, mas hoje ficam estes, começando por uma composição aos quais eu gosto de chamar poesia dada em imagem onde o poema e cada um dos seus versos pode resultar daquilo que cada um sente ao entrar nela.

 

1600-vidago (1129)

 

A segunda imagem, que nada tem a ver com a primeira ou a última, leva-nos até outros passeios e outros olhares. Vidago também lá está, por sinal no lugar mais nobre da fotografia, mas a nossa curiosidade leva-nos até à exploração de Arcossó ou lá mais ao longe, de Pinho. Uma imagem à primeira vista até é desinteressante, mas que se for explorada e um pouco explicada, ganha o seu interesse. Nela vemos a Vila de Vidago em primeiro plano e logo a seguir Arcossó no alto de uma montanha com uma das vertentes para o Rio Tâmega que não se vê, mas está lá. Rio Tâmega que ali naquele preciso lugar serve de fronteira entre o Concelho de Chaves e o Concelho de Boticas mas também fronteira de uma região mais abrangente, ou seja a fronteira ente a região do Alto Tâmega e o Barroso. Claro que se fala em fronteiras administrativas, quando muito geográficas se considerarmos o rio como uma barreira natural, mas que na imagem é um todo que visto à distância é mais do mesmo, e na realidade assim é, pois tudo que se vê é apenas um pedacinho, pontinhos apenas no mapa de Trás-os-Montes. Enfim, poderia continuar por aqui a explorar geograficamente falando a imagem que, embora sem poesia, bem explorada, pode ser muito mais interessante do que a primeira imagem.

 

1600-vidago (1132)

 

O terceiro momento de hoje é de uma imagem a preto e branco. Se não fosse pela poesia e por outros devaneios que se atribuem às imagens coloridas, dos quais até gostamos de desfrutar, eu diria que a essência da fotografia está toda na imagem a preto e branco onde tudo que é acessório se despista e no final fica só o essencial. Eu diria mesmo que a verdadeira fotografia é a preto e branco, só aí poderemos encontrar a sua magia. Mas tudo isto é a minha opinião e, se por acaso tiverem uma opinião diferente, têm toda a razão, porque a fotografia é tão popular e democrática que cabe em toda as definições e serve todos os fins, é como a tinta…

 

 

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Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

Daqui ao lado

Hoje vão-me desculpar mas vou sair de Chaves e dar uma voltinha por aí, pelos concelhos vizinhos de Chaves e claro que tinha de começar o meu passeio pelos deuses, no caso o Deus Larouco. Fica para uma próxima oportunidade uma visita à Vila (de Montalegre) ou à Portela por uma questão de origens, mas o Larouco é que é o Deus do Barroso.

 

 

Claro que a segunda visita vai para uma aldeia que é também a capital dos canastros ou se preferirem dos espigueiros e pela simples mas muito especial razão do carinho e sentir que tenho por essa aldeia. São novamente as origens a falar. Parada de Aguiar que também pode ser Parada do Corgo, ali logo a seguir a Vila Pouca de Aguiar, como quem desce a montanha para entrar na veiga aguiarense.

 

 

A terceira visita vai ser por Vilarinho Seco um autêntico património da humanidade, cultural e rural onde o barroso ainda se sente e vive. É uma pérola entre montanhas digna de ser visitada sempre, mas não só, pois quase todas as aldeias de Boticas ainda mantêm a sua integridade sem muitas ofensas da modernidade. Vale a pena fazer por lá uns passeios, aliás por todo o Barroso e quase sem exceção, não só porque faz bem à vista mas também podemos sair de lá regaladinhos da barriguinha.

 

 

E da terra fria vamos para a terra quente, mais propriamente para Fornos do Pinhal, em Valpaços, onde para além da riqueza dos bons produtos da terra, mas principalmente do que resulta deles, em especial para os excelentes vinhos, passando pelo azeite e por tudo que resulta dos saberes rurais, podemos apreciar já outro tipo de paisagem mais aberta à luz mas também algumas preciosidades, como o casario solarengo que hoje vos deixo.

 

 

Vinhais também é aqui ao lado e não é só fumeiro que por lá há. Entramos noutra terra fria onde o granito dá lugar ao xisto e a um curioso casario com coberturas singulares também em xisto. Raras mais ainda por lá se encontram, um bocadinho como acontecia e ainda acontece raramente com as coberturas de colmo do Barroso. Vamos até à uma aldeia que dá pelo nome de Cisterna e embora ainda haja por lá as tais construções, deixo-vos com um pormenor que já não é muito usual ver nas varandas rurais. Um mimo.

 

 

E claro, que falando de vizinhos de Chaves, não posso esquecer os nossos amigos galegos. Aliás todas as aldeias da raia deveriam ter um estatuto especial de aldeias irmãs ou qualquer coisa assim parecida como euroaldeias, mas a sério, e não como a eurocidade que se fica pelas aparência, aldeias irmãs como se gozassem de dupla nacionalidade que, quase como na realidade, existe entre os povos dos dois lados da raia.

 

Vamos até um cantinho, outra pérola entre montanha,  ali ao lado de Segirei e que pertencem (e desculpem se me engano) a Soutochão na Galiza, São as cascatas que encantam qualquer que as descubra.

 

 

E por hoje é tudo mas tenham em conta alguns destes passeios e de belezas que não é preciso ir lá fora procurá-las, estão aqui mesmo ao lado e, agora em tempo de crise, em que ainda por cima nos roubaram o subsídio de férias, nem há como se pensarem a sério alguns passeios pelo que é nosso.   

 

 

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Quarta-feira, 21 de Março de 2012

Os Castelos que já não nos protegem dos maus...

Castelo de Chaves

 

O Sr. Doutor Cavaco Silva, que também foi professor, funcionário público, economista, 1º Ministro e hoje é Presidente da República e que já tem uma certa idade e por isso também é reformado e deve ter alguma experiencia numas das coisas que foi, deu-se conta, agora, que é preciso repovoar o mundo rural e levar (no nosso caso trazer) de volta as pessoas para a agricultura, a mesma que,  com todos os políticos de todas as cores, ajudou a deixar de poulo quando todas as suas (deles) políticas contribuíram para o despovoamento do mundo rural. Um destes dias também vai dar conta que há poucos barcos a pescar no mar, que em tempos tivemos grandes estaleiros navais com o último em vias de ir à vida e que os comboios afinal também fazem falta e, talvez até se lembre que foi ele (o atual Presidente) quem roubou o Comboio à cidade de Chaves quando esteve no outro poleiro.

 

Castelo de Monterrei - Galiza

 

Claro que o repovoamento rural faz falta e se calha a urgência do repovoamento já é tardia demais. Que venha o povo de volta para o campo, mas primeiro, é preciso dar-lhes condições para voltarem, pois o povo de hoje já não se contenta (e bem) com cultivar os campos para apenas sobreviver. Também querem ter condições e ter por perto aquilo que existe nas grandes cidades, sobretudo ao nível de apoio e infraestruturas sociais e comunitárias, falo-vos por exemplo de hospitais a sério, escolas, pólos de cultura (cinema, espetáculos, música, festas, etc), mas também de outros modos de vida para além da agricultura, pois só a agricultura não chega, mas pode e deve haver um monte de atividades e pequenas indústrias a ela ligadas. Os senhores de Lisboa são pagos por todos nós para pensar e agir. Que pensem (se conseguirem), que reconheçam os seus erros do passado e que ajam pela primeira vez a pensar nos outros para além deles e das seitas que os acompanham e, sobretudo, que ponham os ricos (a quem eles se rendem) a trabalhar para a riqueza de Portugal em vez trabalharem só para a deles.

 

Castelo do Pontido - Vila Pouca de Aguiar

 

Todos sabemos que temos muitas mais riquezas por explorar para além da agricultura. Uma delas é o turismo, mas um turismo a sério, com gente por trás a trabalhar a sério nele, devidamente formada para trazer e receber turistas, e não estou a falar de licenciaturas em turismo, embora também façam falta, mas nos (a)gentes que diretamente trata e terá de tratar com os turistas e nesses, cabemos todos, nós os autóctones, os nossos comerciantes, a restauração e hotelaria, as associações mas sobretudo os políticos têm de ser os primeiros interessados, pois motivos turísticos, não nos faltam,  aliados àquilo que melhor temos – hospitalidade e uma boa mesa.

 

Turismo natural, de montanha, termal, histórico e religioso, de aventura (ligado ao desporto à montanha, ao ar e aos rios), a caça e a pesca (para além dos clubes e associativas). Eu sei lá. As cabecinhas pensadoras de Lisboa e os imitadores de província que pensem nisso em vez de andarem para aí a esbanjar dinheiro em obras inúteis e em querer arranjar outros futuros que não queremos nem têm o mínimo de sustentabilidade.

 

Castelo de Montalegre

 

Mas não quero com isto dizer que o nosso futuro passa pelo turismo. Não, bem longe disso. O turismo poderá ser apenas uma parte de um todo que temos potencialidade de desenvolver, onde também se inclui a agricultura, as pequenas indústrias ligadas às coisas da terra, o comércio e o resto virá por acréscimo onde, se calha, virá também o comboio e retomem o antigo projeto de ligação à Galiza. Agora que o TGV já foi à vida, pois não acredito que tenham coragem de voltar a essa grande asneira que em nada iria contribuir para a nossa felicidade e muito menos economia, pode ser que se lembrem novamente de termos uma rede ferroviária como deve ser, porque o desenvolvimento também passa por aí.

 

Castelo de Monforte de Rio Livre - Chaves

 

Isto tinha aqui conversa para todo o dia e para páginas e páginas de escrita e, estou em crer que os pavões dos políticos também têm alguma capacidade para conseguirem pensar em algumas destas coisas, mas o sistema da busca do “lucro” fácil e rápido que dá acesso ao voto de manutenção é mais atrativo. Concordo com umas palavras que ouvi há dias em que diziam que este sistema está falido, não a democracia, mas já está na altura de deixarmos a alínea a) e passar à alínea b) da democracia. A a) já está esgotada e já vimos que não resulta.

 

Para compor o texto, deixo-vos um roteiro pelos castelos cá do sítio, quem embora não tivesse medido estou certo que cabem todos num circulo com 50 quilómetros de diâmetro e que também já não nos protegem de quem nos quer fazer mal, mas bem podem, ainda, fazer parte de uma parte de um projeto do nosso futuro.

 

 

  

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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011

Crónicas Ocasionais - " ... ou da Meca dos Chouribebes"

 

 

 

“…ou da Meca dos Chouribebes”

 


A NORMANDIA TAMEGANA (para os mais apressados nas leituras esclarecemos que este é o nome que criámos e preferimos para o “Alto Tâmega”) é rica e cheia de preciosidades   - no património Histórico-cultural, na multiplicidade de quadros da Natureza,  nas matizes multicoloridas dos seus céus, na “bendição” (bênção”) dos imensos frutos da sua terra, e na grandeza de alma das suas Gentes.

 

Ninguém  ama com tanta paixão, ninguém sofre com tanta saudade, como um TRANSMONTANO e, em especial, como um NORMANDO TAMEGANO.


…. “Porque és Tu A NOSSA TERRA”!

 

Assim  a cantamos e celebramos na corrente de uma lágrima, sempre teimosa em orvalhar-nos o olhar e a afogar-nos o coração.

 

Já o dissemos, porque o sentimos e o vivemos, que essa TORRE DE MENAGEM é o ponto cardeal de referência de todos esses Lugares, Aldeias, Vilas e Cidades que se albergam na NORAMANDIA TAMEGANA.

 

 

 

 

Por isso, quando nos lembram, sempre que nos falam, de Tourém ou de Salto, da Venda Nova ou de Mourilhe; de Atilhó ou de Torneiros, de Pinho ou de Serraquinhos;   de Canedo e de Santo Aleixo,  de Agunchos,  de Alvadia ou de Penalonga; de Vilarandelo ou de Lebução, de Sonim ou de Águas Revés e de Carrazedo de Montenegro; do Peto de Lagarelhos ou do Cambedo, de Stª Cruz da Castanheira ou de Vilela do Tâmega; do Castelo de Monforte ou do Castelo de Montalegre; do Castro de Curalha ou do Castro de Carvalhelhos; da Srª da Livração, da Srª da Guia e da Srª da Saúde, de Valpaços, ou da Srª da Saúde de Agostém;  da Srª das Brotas, dentro da Fortaleza; do Sr. da Piedade (na Meca dos Chouribebes), ou do Senhor do Monte e do S. Caetano;  do Museu de Fornos do Pinhal, ou do Centro de Artes Nadir Afonso; da Pedra da Bolideira ou da Pedra de Pevide; dos penedos da Mijareta, ou dos lagares na pedra, nos cabeços de Santa Valha; da Srª da Azinheira ou a Capela do Anjo da Guarda (Lebução); das Trutas do Beça e do Mente, ou das Bogas do Rabaçal ou de Paradela; da Sêmea de Lebução e do trigo de 4 cantos, de Faiões, ou da bica de manteiga de Barroso e da costeleta de vitela, do mesmo sítio; do cabrito de Macieira ou da Padrela, ou do cordeiro de Castelões; da «pinga» de Sonim ou de Anelhe, ou de «Balcerdeira» e de Asnela;  do fumeiro de qualquer dessas ALDEIAS, dos grelos da Gaiteira, do Azeite de Valpaços, da aguardente de Merogos, de S. Lourenço; do mel de Boticas; das chegas de touros; d’“O Desportivo”, do Atlético ou do Flávia ; do padre Fontes e Mons. Alves da Cunha; dos «Pardais», dos «Canários» e do «Calypso»; das Verbenas, no Jardim Público; da Feira dos Santos; da bruxa de Escarei ou da bruxa de Amoinha; do Café e do Livro “Terra Fria”; do «Jardelino» e da «Soreta»; do «Pàraqueto», do «Jorge», do Central ou do Ibéria; por isso, quando nos lembram,  sempre que nos falam, dos signos e dos símbolos, dos mitos e dos deuses, dos santos e heróis da NOSSA TERRA, prestamos atenção, escutamos com interesse, e exultamos de emoção.

 

Terra de tesouros , é tempo de cessar de ser maltratada e posta «à margem»!

 

 

Tupamaro

 


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Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Os olhares de Filipe Martins sobre a cidade

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Há uns anos atrás, o Filipe veio a Chaves ver a bola. Acompanhava o seu clube, o SC Braga, mas além da bola, deitou um olho à cidade e ao centro histórico, que segundo o Filipe, “cativa quem por lá passa”.

 

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Pois pela certa que o cativou mesmo e vai daí que o Filipe parte de novo rumo a Chaves, mas desta vez não pela bola, pois lamenta não acompanhar o seu clube para o ver jogar com o Desportivo de Chaves, num jogo entre os Grandes do Futebol, mas veio (suponho) de passeio, agora munido de máquina fotográfica para tomar umas fotos de Chaves e, ainda bem que veio, pois retratou a cidade no que vai tendo do seu melhor e, hoje honra este blog com as suas fotos.

 

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Tem a fotografia como hobby para além das contabilidades na sua vida de 32 anos, habitante de Braga mas que conhece bem este cantinho e que até o aprecia e diz ele, que recorda bem e até com boas lembranças de miúdo o “martírio” que era fazer a Nacional 103. Pois também eu meu caro Filipe guardo esses martírios de uma longa viagem nas “camionetas cinzentas do António Magalhães” até Braga e vice-versa. Além de um martírio, era uma autêntica aventura para a miudagem, mas compensada com as vistas sobre as barragens e sobre terras do Gerês. Era um mundo novo que se descobria e que também o Filipe nos confessa redescobrir numa viagem de 6 horas entre Chaves e Braga, com muitas fotos pelo caminho.

 

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Habituados que agora vamos estando a vias rápidas e auto-estradas, também eu já começo a ter saudades de uma viagem pela Nacional 103, com todo esse tempo do mundo, com muitas fotos pelo caminho na redescoberta dessas terras tão fantásticas e únicas que se dão numa viagem Chaves-Braga, ou Braga-Chaves, se preferirem. Uma viagem que sem dúvida recomendo a todos, mas com o espírito de levar consigo todo o tempo do mundo, para parar onde lhe apetecer e se necessário for, demorar entre as duas cidades as tais 6 horas do Filipe, ou 7, 8, 9 ou 10 horas, até um dia ou dois, se necessário for, pois encanto como o da Estrada Nacional 103 não há pela certa em todo o nosso Portugal. A mesma nacional 103 que nos atravessa o concelho de lés-a-lés, para levar quem quiser de Braga a Bragança.

 

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Na troca de cartas electrónicas que tive com o Filipe para a devida autorização para publicação das suas fotos, há umas palavras dele que quero transcrever tal-qual como ele mas deixou:

 

 

 

“Sou minhoto e por isso, é-me complicado dizer que existe zona mais bela que o Minho no entanto Trás-os-Montes é seguramente uma paixão... e nessa particular, Chaves é uma pérola em toda essa região. Sempre que posso, aconselho vivamente todas as pessoas a descobrirem essa região... e claro está, não podem esquecer Chaves, cidade que possui um capital histórico e monumental enorme, sendo mesmo uma das principais cidades transmontanas nesse aspecto (tendo como rival maior, Bragança - curiosamente... ambas com fortes raízes romanas.... assim como Braga).” 

 

Como flaviense que sou e, conhecedor também de quase todo o Minho e Trás-os-Montes e Alto Douro, só posso concordar com o Filipe e só tenho pena que este nosso potencial turístico com belezas naturais únicas, tradições e toda uma cultura, sejam tão desprezados e ignorados por quem tem responsabilidades neste país. Infelizmente, continuamos a ser o resto que é paisagem e não é só para os senhores de Lisboa, pois também os de cá, com responsabilidades, se resumem ao provincianismo e à ilusão de um poder renovado de 4 em 4 anos.

 

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Vão-nos valendo as fotografias daquilo que vamos tendo de melhor para fazer valer alguma justiça sobre estas terras, e o Filipe Martins, também contribuiu para esse levar Chaves e estas terras do Norte por esse mundo fora, com que muitos, de terras longínquas, se deliciam.

 

Obrigado Filipe pelas tuas fotos de Chaves mas também pelas tuas simpáticas palavras e paixão que tens por estas terras. Aparece sempre, mas nunca te esqueças da máquina fotográfica.

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E como sempre, fica também o link para a galeria de fotos do Filipe Martins no flickr, onde se apresenta com o curioso nome/nick de Filipe (aka Estico...nhiconhek), galeria que poderá e deverá visitar aqui:

http://www.flickr.com/photos/esticonhiconhek/

Mas o Filipe é também um companheiro da blogosfera, onde vai partilhando as suas fotos e os seus textos, num espaço que intitula de “Minha Sombra” e que também merece uma visita, que a partir de hoje, ficará também com link neste blog:

 

http://minhasombra.blogspot.com/

 

Obrigado Filipe pelas fotos, e ficas debaixo de olho para novos olhares sobre Chaves.

 

Até amanhã.

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:27
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Domingo, 31 de Maio de 2009

São Pedro de Agostém - Chaves - Portugal

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Não há aldeia deste concelho que não se preze do festejo ao seu Santo ou Santa e, da festa anual que chama a si todos os seus filhos e, mesmo que não venham à festa, lá bem longe, onde quer que estejam, recordam os momentos felizes que nela passaram em anos anteriores, alguns já bem longe no tempo, mas para sempre registados na memória.

 

Mas há festas e festas, pois se umas reúnem todos os seus, os vizinhos e amigos, outras há que chamam a si todo o concelho e até gentes de outras paragens bem distantes, não só pela tradição da festa feita de muitos anos, mas também para pagar promessas e por devoção quase obrigatória.

 

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O São Caetano e a Nossa Senhora da Saúde, são sem dúvida alguma aqueles que mais tradição têm neste concelho de Chaves e, também os que mais gente chamam aos seus santuários, aqueles em quem o povo deposita mais fé e aqueles a quem o povo, por cá, mais agradece.

 

Se o São Caetano tem um Santuário isolado no meio da montanha, já o mesmo não se passa com o Santuário da Nossa Senhora da Saúde, que fica mesmo juntinho e ligado à aldeia de São Pedro de Agostém.

 

Pois hoje começam as festividades em honra da Nossa Senhora da Saúde, embora o seu dia grande seja só amanhã e como  hoje, neste blog, também  é dia de aldeias, vamos até São Pedro de Agostém  e até à Nossa Senhora da Saúde e assim tornar possível em imagem, à distância e virtualmente, ter também por aí um pouco da aldeia e da festa.

 

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Quanto à festa, pouco ou nada tenho a dizer, pois os momentos que por lá se vivem têm mesmo de ser vividos in loco e não há palavras para os descrever, pois são momentos únicos que cada um vive com a sua fé ou espírito de festa, mas quanto à aldeia de São Pedro de Agostém, já há umas palavrinhas para dizer.

 

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Curiosamente está aldeia dá pelo nome de São Pedro de Agostém, seu Orago também, mas tem como festejo principal a Nossa Senhora da Saúde, e não é caso único ao nível das aldeias, aliás por tanto acontecer até se torna vulgar festejar para além do seu Orago um outro santo ou santa. Mas como o próprio nome da aldeia indica, trata-se de São Pedro de Agostém, e Agostém é o nome da aldeia mais próxima, que segundo me disseram por lá, hoje seria o dia da sua festa grande, a festa do Espírito Santo e só amanhã haveria lugar ao festejo em em S.Pedro de Agostém em honra da Nossa Senhora da Saúde.  Seja como for e também curiosamente, Agostém não tem nos seus festejos nem a Nossa Senhora da Saúde nem o São Pedro, e a aldeia de São Pedro de Agostém, também não tem o seu Orago nos festejos do seu dia grande de festa. Coisas complicadas de entender mas ainda mais de explicar, mas o que interessa mesmo, é a tradição, pois é ela que manda e contra ela não há argumentos, pelo menos, válidos.

 

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Muita gente que se desloca à festa da Nossa Senhora da Saúde e ao seu Santuário, apenas conhecem o seu recinto e deixam passar ao lado a aldeia de São Pedro de Agostém e, é pena, pois a aldeia merece uma visita atenta.

 

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Para além da Igreja do Santuário que a si chama a maioria dos fieis, a aldeia tem outra igreja, tanto ou mais interessante que a Igreja do Santuário e muito mais antiga. Mas não é só a Igreja e o seu largo que são interessantes, mas toda uma longa rua que nasce precisamente no largo da Igreja e ao longo da qual existem belos exemplares da nossa arquitectura tradicional rural, mas também algum casario mais nobre. Aldeia que pelas suas características e casario bem merecia ter alguma atenção virada para o seu núcleo histórico que seria de toda a conveniência preservar. Preservar sim, mas não só preservar, pois também incentivar a sua preservação e recuperação era necessário, mas que, à luz do que é costume, também é sinónimo de complicar, pois mesmo que as Leis existam, os incentivos ficam sempre na gaveta. A coisa de interesse público é de todos e como tal deveria ser entendida, em todos os aspectos.

 

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São Pedro de Agostém é aldeia e sede de freguesia, que a par de Nogueira da Montanha, é a freguesia com mais aldeias, num total de 11 aldeias, a saber: São Pedro de Agostém, Agostém,  Bóbeda, Escariz, Lagarelhos, Paradela, Pereira de Veiga, Peto, Sesmil, Ventuzelos e Vila Nova de Veiga. Sem dúvida que é uma freguesia grande em número de aldeias e também em território, pois os seus 25,64 km2 de área situam-na em 3º lugar nas freguesias com mais território, só ultrapassada por São Vicente da Raia (36.00 Km2) e Águas Frias (27.95 Km2).

 

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Grandeza que já não se reflecte em termos de população, embora seja uma das freguesias com mais população, mas que tem apenas 1513 habitantes residentes (dados do Censos de 2001). Pois neste campo seria de esperar muita mais população, principalmente pelo número de aldeias e pela sua proximidade com a cidade de Chaves, pois a aldeia mais próxima de Chaves dista apenas 3 quilómetros da cidade e a mais distante, 10 Km.

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Coisas que à primeira vista não se entendem muito bem, mas que já se entendem perfeitamente se tivermos em conta as causas do despovoamento das aldeias, onde o ser uma freguesia essencialmente ligada à agricultura, poderá ser a resposta para todos os seus males da falta de povoamento.

 

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Agricultura que chega a entrar em terras da veiga de Chaves, portanto em terras férteis, mas não só. Poder-se-ia dizer que por lá se davam todas as culturas, mas as mais relevantes são mesmo o vinho, a fruta, os cereais, a batata e também a castanha. Mas também a floresta tem uma palavra a dizer, tal como a pastorícia e a pecuária, mas neste campo, cada vez menos, pelo menos no aspecto tradicional.

 

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Quanto à história da freguesia, possivelmente já é povoada desde o Século VIII, altura em que pelas famílias do afamado Bispo Oduário, teria nascido a Igreja de S.Pedro. Diz a história também que as terras da freguesia teriam sido Couto dos Bispos de Braga e doado em 1133 por D. Afonso Henriques  ao Arcebispo D.Paio Mendes. Reza ainda a história, que D.João I e Nuno Álvares Pereira e os seus cavaleiros, teriam passado em São Pedro de Agostém o Natal de 1385, não de visita aos familiares como é tradição no Natal, mas antes para libertar a cidade de Chaves a Castela.

 

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A localização geográfica da freguesia, as suas montanhas e domínios de vistas sobre Chaves, tornam a freguesia também importantes em termos militares, pelo menos no passado, e se uns a utilizaram heroicamente para libertar Chaves dos Castelhanos, já de outros não se poderá dizer o mesmo, pois foram também estas terras que o General Silveira utilizou quando fugiu cobardemente dos franceses (atenção que o termo de cobarde não é meu, mas da população de Chaves da altura).

 

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E para finalizar uma palavra de apreço para o padre da freguesia, o Padre Ladislau José de Sousa e Silva, que além de amigo é (como costumo dizer) o meu padre de cerimónias, pois foi ele que me casou, que baptizou os meus filhos, mas também os meus afilhados, entre outras cerimónias, todas elas realizadas também, nas duas igrejas da aldeia de São Pedro de Agostém. Também pelo Padre e pelas cerimónias, tenho um carinho especial pela aldeia de São Pedro de Agostém.

 

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Claro que para finalizar tinha de deixar por aqui o programa e cartaz da festa de este ano e, honra da Nossa Senhora da Saúde, que como sempre, vai estar banhada de muito calor, não só o do clima, mas também o calor humano que todos os anos enche o recinto do Santuário.

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Sábado, 30 de Maio de 2009

Mosaico da Freguesia de Tronco

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Tronco

 

Localização:

A 18 km da cidade de Chaves, a Nascente desta, no limite do concelho, situa-se na vertente da montanha que descai para terras de Valpaços, entre terras de Monforte, da Castanheira e do grande planalto de Travancas.

 

Confrontações:

Confronta com as freguesias de Lebução e Nozelos do Concelho de Valpaços e com as freguesias de Bobadela, Águas Frias, Paradela (num único ponto), Travancas (num único ponto) e Cimo de Vila da Castanheira.

 

Coordenadas: (Adro da Igreja)

41º 46’ 37.84”N

7º 17’ 42.17”W

 

Altitude:

Variável – acima dos 750m e Abaixo dos 910m

 

Orago da freguesia:

São Tiago

 

Área:

8,18 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):

– Estrada Nacional 103 em direcção a Bragança.

 

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Aldeias da freguesia:

            - Tronco

           

 

População Residente:

            Em 1900 – 417 hab.

            Em 1920 – 400 hab.

Em 1940 – 577 hab.

            Em 1960 – 686 hab.

            Em 1981 – 429 hab.

            Em 1991 – 325 hab.

            Em 2001 – 326 hab.

 

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Principal actividade:

- A agricultura.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

            A respeito da origem de Tronco pouco se sabe, pois nas suas redondezas mais próximas não são conhecidos achados ou estações arqueológicas que possam testemunhar a sua antiguidade, no entanto na sua envolvente junto ao Ribeiro da Pulga foi encontrado um lagar cavado na rocha e nos arredores apareceu uma ara romana dedicada a Júpiter e uma lápide funerária dedicada aos Deuses Manes, que segundo consta, se encontram ambas no Museu Soares dos Reis, no Porto.

 

Também quanto ao seu topónimo não há certezas, pois uns defendem que Tronco andará ligada a uma suposta  característica  da topografia local (em forma de tronco) enquanto que outros defende que estará ligada a um antigo cárcere ou prisão que aí teria existido destinado aos condenados da região de Monforte de Rio Livre.

 

Desconhece-se a sua antiguidade mas sabe-se que já existia e era pertença da “terra” medieval e depois do Concelho do Rio Livre, extinto em 1853.

 

Também a nível eclesiástico, S.Tiago do Tronco foi um curato da apresentação do reitor de S.João da Castanheira, tendo passado posteriormente a Reitoria.

 

A nível de património da aldeia, além do seu casario do núcleo, algum ainda bem interessante, existe a Igreja Paroquial e a Capela do Senhor dos Passos e alguns Nichos de Alminhas.

 

A principal festa religiosa de tronco é dedicada ao Senhor dos Passos e acontece no segundo Domingo de Agosto.

 

De interesse é também a paisagem natural da aldeia e redondezas, com abundantes carvalheiras e soutos, onde existem castanheiros seculares, alguns com troncos entre 2 e 3 metros de diâmetro.

 

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Dada a sua altitude e localização geográfica, avistam-se desde Tronco largos horizontes, todos lançados para Nascente e Sul, com vistas que alcançam as montanhas de Nogueira, Bornes e Santa Comba.

 

Os terrenos produzem centeio, boa batata, legumes, hortaliças e castanha, o típico das terras altas e frias.

 

Tronco é a última aldeia do concelho servida pela Estrada Nacional 103, estrada que desde S.Domingos (limite do concelho a confrontar com o de Boticas) atravessa todo o concelho (passando pela cidade de Chaves). Estrada que tem início em Braga e termina em Bragança.

 

 

Link para os posts neste blog dedicados a Tronco:

 

            - http://chaves.blogs.sapo.pt/365647.html

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:50
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Domingo, 3 de Maio de 2009

Calvão - Chaves - Portugal

 

Hoje vamos até Calvão e o seu post alargado.

 

Tardou chegar aqui, não por falta de visitas ou fotos, antes pelo contrário, pois Calvão tem tanto para mostrar que a indecisão estava mesmo em escolher as fotos que a representassem e, de cada vez que por lá passava, as fotos aumentavam. Resolvi que seria hoje o dia de Calvão, porque já era tempo de estar aqui.

 

 

Há quem defenda que a região de Barroso termina no rio Tâmega e de facto o Rio Tâmega e o vale de Chaves fazem a transição entre a terra fria do Barroso e a terra quente que desde Mirandela se prolonga até nós.

 

Calvão, acompanhada por Castelões, Soutelinho da Raia e Seara Velha, parecem testemunhar isso mesmo, pois conhecendo-se as características das aldeias barrosãs, também se conhecem as características destas aldeias, mas tal como algumas aldeias barrosãs, também Calvão tem características únicas que as deve ao seu aconchego à montanha que a protege dos ares frios de Barroso e goza da condição de um pequeno vale que se começa a desenhar em terras de Ervededo e se prolonga até Seara Velha, onde de novo o concelho encontra terras oficiais de Barroso.

 

 

Fronteiras que se desenham oficialmente e politicamente, mas que na realidade se diluem num mesmo povo com características mais amplas, as características das terras altas de montanhas e serras, com pequenos vales e altos planaltos, onde o frio de inverno é frio e o calor de verão é de inferno, terras onde, como dizia Torga, não há raças, há castas, as castas transmontanas.

 

Pois à casta transmontana e alto-tamaguense, com terras quentes e terra fria de Barroso à mistura, é que Calvão não escapa.

 

Calvão onde é sempre agradável ir, para visitar, apreciar e estar.

 

 

Visitar porque é uma das nossas aldeias de visita obrigatória para apreciar não só o casario típico e rural da pedra de granito e da madeira, sem casas senhoriais ou solarengas é certo, mas com um conjunto de casario que se desenvolve ao longo das suas várias ruas com o aconchego da encosta da montanha e que dentro do típico rural, há uma diversidade de pormenores que são dignos de serem apreciados, desde a capela do cemitério, ao cruzeiro, às fontes de mergulho, à igreja com o seu “Cristo Rei”, às muitas fontes de água que ainda registam o símbolo do estado novo, belíssimas fontes por sinal e que aqui foram preservadas, e bem, e, fazem o testemunho e também a história de uma fase da nossa república portuguesa.

 

 

E se o casario encanta, nem há como continuar esse encanto no Santuário da Nossa senhora da Aparecida, com um belíssimo parque de merendas, uma capela também interessante, fontes e muita paisagem para ser apreciada, paisagem que nem parece terrestre se deitarmos o olhar para os picos das montanhas que se desenvolvem até Seara Velha e se prolongam em direcção a terras de Ardãos, já do concelho de Boticas.

 

E tal como atrás dizia, se Calvão é aldeia para ir e apreciar, então o recinto do Santuário da Nossa senhora da Aparecida é local para ir, apreciar e estar, pois o local convida mesmo a estar por lá um dia inteiro, com merenda, claro, e de preferência nesta altura do ano que se avizinha de fim de Primavera e Verão. Merendas ou almoços aos quais não faltam mesas, churrasqueiras e com sorte até bar de apoio, também com características simpáticas pelo seu desenvolvimento ao ar livre para a população. Se gostar de montanhismo e caminhadas, delicie-se também, pois por ali não faltam montanhas que convidam à sua descoberta e à sua caminhada, mas se for dos que gostam de “botar” uma soneca à beira da merenda, sombras não faltam por lá, ou sol, se o preferir.

 

 

Quanto à Senhora da Aparecida, conta a tradição que em 1833 teria aparecido a Senhora a três pastorinhos de nomes Manuel, Maria Rosa e Teresa Fernanda. Então, o povo perante a divulgação do acontecimento, erigiu logo uma capela para em 1842 levantar uma outra com maiores dimensões, ligada à primeira. Mas não pararia por aqui, pois em 1880 seria construída outra capela em forma de nicho. Começava-se a desenhar o actual santuário, principalmente após a construção de uma fonte, aberto um espaço arborizado e claro, a colocados  de coretos (três). Tudo isto, porque a romaria à Senhora da Aparecida, realizada em cada primeiro domingo de Setembro, foi sendo cada vez mais importante e concorrida, pelas graças que corriam de boca em boca.


Os romeiros depois de participarem nas cerimónias religiosas, cumprirem as suas promessas, comerem
as merendas e ouvirem as bandas tocar, despedem-se do local, rezando ou cantando em adeus:


Ó Senhora d'Aparecida
As costas vos vou virando
A saída é agora.
A volta já não sei quando.

 

 

Continuando um pouco no deleite dos parágrafos anteriores existe neste pequeno rincão Norte do concelho mais que motivos que merecem a nossa visita e a visita de muita gente. Um rincão que embora conhecido por nós, não é devidamente aproveitado e explorado por quem de direito e que bem poderiam contribuir para o desenvolvimento dessas aldeias, bem como contrariar o despovoamento das mesmas. De facto além do interesse das aldeias em redor de Calvão, como as aldeias da freguesia de Ervededo, Castelões, Soutelinho da Raia e Seara Velha, concentram-se também aqui os santuários mais importantes do concelho, como o já referido da Srª da Aparecida, o de S. Caetano, o da Srª do Engaranho de Castelões, mas também toda a história que está relacionada com o Couto de Ervededo e o seu antigo concelho, história que se prolonga na arqueologia, mas também em usos e costumes.

 

 

Terras que tantas vezes foram cantadas por Torga e por quem a descobre, que são também referência para alguns estudiosos e historiadores, referencia também religiosa. Pode-se dizer que é uma mina por explorar em actividades turísticas naturais, religiosas e culturais, com temáticas e de montanha, tendo as aldeias e as suas gentes, as suas tradições, usos, costumes e produtos como uma forma sustentável desses mesmos interesses culturais e turísticos… mas enfim, como sempre, esquecemos e desprezamos o que temos de melhor para apostar também no centralismo na e em torno da cidade, pois o brilho das luzes sempre atraiu… para vidas que se pensam melhores.

 

 

E enquanto os senhores de Lisboa e outros de cá andam distraídos com projectos feitos para 4 anos que encham o olho a quem os vê, mesmo que deles não se tire proveito ou futuro as nossas aldeias vão sendo despovoadas e envelhecidas e uma das provas disso mesmo é que há umas dezenas de anos atrás havia necessidade e era ambição das populações das aldeias terem a sua igreja, pois a capela tornava-se pequena, ter uma escola, electricidade, água canalizada e saneamento, coisas do passado que com o tempo e a custo até as conseguiram, mas talvez tarde demais e sem políticas em paralelo para reter as populações na sua terra, pois hoje, as necessidades das aldeias são bem diferentes. Os jovens partiram, as escolas fecharam e a população que resta, hoje anseia por uma casa mortuária, o alargamento do cemitério e um lar para poder passar os seus últimos dias com alguma companhia, mas que assistência. Não me estou a referir a Calvão em particular, mas a todas as nossas aldeias despovoadas.

 

 

As soluções para contrariar despovoamentos são conhecidas e até fáceis de por em prática e concretizar, principalmente em aldeias que distam da cidade apenas uma dúzia de quilómetros e que bem poderia manter por lá os seus filhos, mas para isso teria que haver políticas acertadas e preocupadas em que isso acontecesse, mas não há, em troca, têm-se cidades com atabalhoados, emaranhados e amontoados de betão, onde as pessoas vivem metade das suas vidas em meia dúzia de metros quadrados entre as suas paredes… mas claro que contra o b€tão, não há argumentos, nem urbanismo que lhe resista, porque afinal é o b€tão que paga tudo, não é!?

 

 

Pois é, e também Calvão, embora com os seus atractivos e interesse, sofre e segue a linha da tendência do despovoamento, números que vos apresentarei aqui no mosaico final quando a freguesia (com Castelões) tenha por aqui a sua cobertura num post alargado.

 

Calvão que é sede de freguesia à qual pertence também a aldeia de Castelões, fica a 12 quilómetros de Chaves a Norte da mesma e ocupa 19,62 km2 de área (a freguesia).

 

 

Essencialmente agrícola tem como produções mais significativas o vinho, centeio, milho, batata e feijão.

 

A igreja paroquial, muito imponente com os seus campanários a subirem bem alto e a destacarem-se além dos telhados do casario, foi reconstruída nos finais da década de 1940, após a igreja existente ter sido destruída por um ciclone. É muito maior que a antiga igreja, a primitiva, denominada de Santa Maria de Calvão seria uma das que faz parte da estória da lenda de Maria Mantela.

 

 

E por hoje é tudo. No próximo fim-de-semana cá estaremos outra vez de volta às nossas aldeias e às freguesias, entretanto durante a próxima semana, como sempre, cá estaremos diariamente e, por cá, às quartas também há feijoada, ou peixeirada ou então devaneios, logo se vê.

 

Até amanhã.

 

 

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Sábado, 11 de Abril de 2009

Mosaico (completo) da Freguesia de Moreiras

 

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Localização:

A 16 km da cidade de Chaves, a Sul desta, no limite do concelho, onde a Serra da Padrela se começa a desfazer para a Serra do Brunheiro situa-se a freguesia de Moreiras, em plena montanha a tocar já terras de Valpaços, mas próxima também de terras de Vila Pouca de Aguiar.

 

Confrontações:

Confronta com as freguesias de Loivos, S.Pedro de Agostém, Nogueira da Montanha, Serapicos (Valpaços) e Stº Leocádia.

 

Coordenadas: (Largo do Cruzeiro)

41º 38’ 25.88”N

7º 28’ 39.95”W

 

Altitude:

Variável – Entre os 750m e os 850m

 

Orago da freguesia:

Santa Maria

 

Área:

11,61 km2

 

Acessos (a partir de Chaves):

– Estrada Nacional 314

 

Acessos (a partir de Vidago):

– Estrada Nacional 311-3

 

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Aldeias da freguesia:

            - Moreiras

            - Almorfe

            - France

            - Torre de Moreiras

 

População Residente:

            Em 1900 – 514 hab.

            Em 1920 – 535 hab.

Em 1940 – 635 hab.

            Em 1950 – 797 hab.

            Em 1960 – 789 hab.

Em 1981 – 511 hab.

            Em 2001 – 308 hab.

 

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Principal actividade:

- A agricultura.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

Vulgarmente conhecida por Moreiras, o topónimo da aldeia e freguesia é no entanto Santa Maria de Moreiras, sendo uma freguesia rica em história e arqueologia onde se incluem o alto dos Crastos ou Outeiro dos Mouros, que segundo J.B.Martins seria assento de um antigo povoado castrejo da idade do ferro. Mesmo ao lado de Moreiras e bem próxima localiza-se a aldeia da freguesia de Torre (de Moreiras), cujo topónimo os historiadores locais dizem ter origem numa edificação senhorial fortificada da Baixa Idade Média.

 

France e Almorfe são as outras duas aldeias da freguesia que segundo os historiadores apontam, os topónimos terão origem em raízes etimológicas alti-medievais, relacionadas com a reconquista e influência árabe.

 

Na proximidade do Monte Crasto, ou Castra, dizem existir uma velha calçada que dizem romana.

 

Quanto ao topónimo Moreiras, uma das origens apontadas é a de derivar do “moraria”, termo arcaico ligado à amoreira (do latim “morus”), a árvore de fruto que dizem, outrora, era vegetação com abundância na freguesia e que a ser verdade estariam ligadas à seda, talvez como aconteceu e é conhecido o mesmo fenómeno no “Couto de Ervededo”.

 

Santa Maria de Moreiras teria sido um importante centro da Ordem dos Templários que daria origem à Ordem de Cristo numa região que se prolongaroa desde Arcossó até S.Julião de Montenegro onde o símbolo utilizado por estas ordens se repete em marcos, cruzeiros e cruzes dos templos religiosos existentes nesta região, onde se encontram imóveis com valor patrimonial, como o é a Igreja Paroquial de Moreiras que invoca Santa Maria, os cruzeiros bem próximos destas ou ainda as capelas de S.Vicente da Torre em France e de Almorfe.

 

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Do casario e arquitectura civil, há a realçar o existente em Moreiras com a Casa das Bravas e a Fonte do Cruzeiro, a imponente chaminé de uma das construções bem próxima da igreja mas também alguns atentados recentes numa das suas casas senhoriais com brasão e que atenta no seu interesse.

 

Quanto a festas religiosas destacam-se as que se levam a efeito em honra do Espírito Santo sete semanas após a Páscoa, as festividades de Nossa Senhora dos Favores (a 15 de Agosto), de Nossa Senhora do Rosário (em 7 de Outubro) e Santa Luzia (a 13 de Dezembro).

 

É sem dúvida alguma mais uma das freguesias que se tem de ter em conta nos itinerários de interesse do concelho, com passagem obrigatória por France (curiosamente às vezes também designada por França), uma breve vista de olhos à pequena povoação de Almorfe e vistas mais demoradas sobre Moreiras e todo o conjunto do Largo da Igreja, cruzeiros e fonte, sem esquecer dar um pulo a Torre de Moreiras. Quanto à chaminé que me referi atrás em Moreiras, não é necessário fazer-lhe referência à localização, pois pela certa será onde a sua vista se vai prender quando chegar a Moreiras.

 

Freguesia também conhecida pelos rigorosos e frios invernos onde raro é o ano em que a neve não brinda a freguesia com um pintura a branco. Bonito de ver, mas frio e difícil de suportar, talvez por isso, a tendência, seja a de mais uma freguesia onde se conjuga o verbo do despovoamento, aliás bem visível no gráfico que atrás se apresenta.

 

Referência também para a gente amiga que por lá se granjeia, que após se conseguir a amizade, é como se fossem da família.

 

 

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Linck para os posts neste blog dedicados às aldeias da freguesia:

 

            - Almorfe - http://chaves.blogs.sapo.pt/217663.html

 

            - France - http://chaves.blogs.sapo.pt/221519.html

 

            - Moreiras - http://chaves.blogs.sapo.pt/305322.html

 

            - Torre de Moreiras –  http://chaves.blogs.sapo.pt/219324.html

 

 

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Domingo, 29 de Março de 2009

São Julião de Montenegro - Chaves - Portugal

 

Hoje vamos até S.Julião de Montenegro,


S.Julião de Montenegro, fica a 12 quilómetros de Chaves, o principal acesso à freguesia é feito pela E.N. 213 (Chaves-Valpaços) é sede de freguesia, à qual pertencem as povoações de Limãos e Mosteiró de Baixo, confronta com as freguesias das Eiras, Faiões, Águas Frias, Oucidres, Nogueira da Montanha e Cela e ainda com as freguesias de Alvarelhos, Ervões e Friões, estas últimas do Concelho de Valpaços.

 

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São Julião, freguesia com a área de 15,29 km2 e 293 habitantes residentes, dados para a freguesia, pois para a aldeia propriamente dita, os números resumem-se a 113 habitantes, com 6 crianças com menos de 10 anos, 5 entre os 10 e os 20 anos e 44 habitantes com mais de 65 anos. Números do ano de 2001 do Censos que como em todas as aldeias demonstram bem a tendência do despovoamento do mundo rural, principalmente o mundo rural de montanha o mundo dos resistentes, embora por S.Julião até ainda haja alguns casais novos que vão dando alguma vida à aldeia que fazem esquecer um pouco o abandono da sua velha rua principal.

 

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A agricultura é a principal actividade da aldeia e da freguesia, embora com os seus terrenos essencialmente de natureza granítica a altitudes acima dos 700m, no entanto como são terras com abundância de água, são também terras férteis. Se cultivadas, produzem centeio, milho, trigo, batata, toda a espécie de legumes e variadas frutas, com especial destaque para a castanha.

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Se hoje a agricultura é a principal actividade da aldeia, nem sempre foi assim, pois tempos houve em que para além da agricultura havia outras actividades mais rentáveis, como uma importante exploração mineira com muita actividade no período da 2ª Guerra Mundial, exploração essa que se fazia num local a que hoje ainda chamam estanheira, por ter sido jazida de umas importantes minas de estanho.

 

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E embora possa parecer estranho, principalmente pela sua distância até à raia, S.Julião ficava também nas rotas e caminhos do contrabando, com os fardos a mudar de mãos precisamente no troço de estrada nacional que passa junto à aldeia. Pela certa que desde as minas ao contrabando passando pelo tempo do “pulo” para outras paragens, haverá muitas estórias perdidas e por contar.

 

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S.Julião de Montenegro, assume como topónimo o nome de S.Julião + Montenegro com origem no antigo julgado de Montenegro, aquando a aldeia gozava de grande importância que ainda está patente em algumas tradições fidalgas e na sua Igreja Matriz, um templo românico, que data dos princípios da nacionalidade, com uma traça arquitectónica que foi suportando como pode os atentados do tempo e até os do homem.

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A igreja matriz de São Julião de Montenegro é um templo de traça românica onde ainda persistem muitos dos elementos arquitectónicos originais. Só a fachada principal, com uma orientação a Oeste, é que se encontra completamente descaracterizada por obras de restauro mais recentes, aliás obras a que tem estado mais ou menos sujeita ao longo dos tempos e ligadas a estragos causados por causas naturais, como o terramoto de 1755 (segundo alguns documentos) ou mais recentemente, atribuídas a um ciclone do início do século passado que muitas vezes é referido pela população mais idosa, ou mais recentes ainda, nos anos 80, por iniciativa do então padre da freguesia. Obras mais ou menos felizes que lá foram mantendo a cachorarrada  que testemunha a sua origem românica, bem como uma pequena porta que se rasga na parede norte do edifico e que curiosamente podemos ver repetida em desenho na Igreja de Moreiras, desenho onde se encontra reproduzida a famosa cruz usada pela Ordem dos Templários que neste caso seria já da Comenda da Ordem de Cristo, à qual pertenceu S.Julião.

 

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No interior da Igreja revela-se um importante testemunho de pintura mural, surgindo ainda alguns fragmentos a forrar as superfícies das paredes internas do templo. Os vestígios concentram-se junto do arco triunfal e em toda a sua superfície, constituindo-se assim como um dos raros exemplares que testemunham a riqueza e a temática pictórica que de uma forma geral existia no interior das igrejas medievais.

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Igreja românica, no entanto e aquando das obras de restauro já aludidas, o tempo regressou até à época romana com a descoberta de três marcos miliários pertencentes à via augusta XVII. O primeiro é atribuído a Macrino, datável de 217-218 e surgiu debaixo de um dos altares juntamente com um outro exemplar, encontrando-se actualmente no interior da igreja, junto da porta principal. Possui a seguinte inscrição: [OPLL]IV[S] MACRI[NVS] / NOB(ilissimus) C[A]ESAR.

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Um segundo marco é atribuído a Décio, apresenta a indicação da milha (VI) e é datável do ano de 250. Apresenta a seguinte inscrição: IMP(eratori) [G]AIO TRA / IANO DECIO IN / VICTO AVG(usto) TR(ibunicia) P(otestate) / II CO(n)[S](uli) III PRO / CO(n)S(uli) / RE[ST(ituit) V(iam) A A(qvis) F(lavis) / M(ilia) P(asum) VI [HE / RENNI] OETRVS / [CIO M]ES[IO NOBI / LISSIMO CAESARE]

 

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O terceiro exemplar encontra-se no adro da igreja, ao lado do portão de ferro que permite acesso ao terreiro do templo. Trata-se de um grande fragmento da secção inferior que termina num espigão quadrangular. Não possui epigrafe. António Rodriguez Colmenero (RODIGEZ COLMENERO,1997: 333, nº 426) refere ainda um quarto fragmento de miliário, também procedente da igreja de S. Julião e que na altura se encontrava no domicilio do Pe. Fernando Pereira. O autor consegue recuperar a inscrição ---]FLAVIO DALMACIO[---

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Importantes testemunhos dessa importante via romana da qual ainda hoje se podem ver alguns fragmentos na freguesia das Eiras, mesmo por baixo do Miradouro de S.Lourenço e que facilmente se adivinha a passagem por terras de S.Julião de Montenegro.

 

Voltando à igreja de S.Julião, ainda é um bonito exemplar a apreciar quer pelos modilhões da cornija e as pinturas a fresco que apresentam algumas alfaias e paramentos religiosos de grande valor artístico. Interiormente possui uma só nave, a qual, no seu conjunto com a abside e dois altares laterais, representa uma cruz, formato de igreja mais usado nos séculos XI e XII em toda a cristandade. O altar principal e o seu retábulo são lavrados em talha simples do segundo período da renascença. No tecto da capela-mor, está pintado o apóstolo S.Pedro no acto que se seguiu à negação.

 

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Continuando ainda com a igreja e para um último apontamento e, um alerta para quem de direito. A população lamenta não ter dinheiro para recuperar o tecto da capela-mor e as suas pinturas. De facto é lamentável que o nosso mais rico património, neste caso o religioso ligado ao românico, tenha que depender da vontade e das expensas da população. Património cultural que é de todos e até da humanidade, mas que em termos de preservação e custos cai sempre sobre a população. Pois acontece que a população de S.Julião está envelhecida e não tem dinheiro para mandar recuperar as pinturas do tecto da igreja que entretanto se vão deteriorando cada vez mais. Património cultural, histórico e artístico que se poderá perder e pela certa que não será por culpa da população, mas talvez por culpa da própria entidade que é a Igreja Católica que deveria cuidar dos seus templos (em vez de os “roubar” como parece já ter acontecido em tempos nesta igreja de S.Julião), por culpa da Junta de Freguesia (que já sabemos que também não tem meios), por culpa da Câmara Municipal (que se põe à margem destas questões) e por parte do Estado, “IPA’s”, “IGESPARES” ou seja lá o que for ou quem seja. Ninguém tem responsabilidades e a realidade repete-se não só aqui em S.Julião, mas também na Granjinha e noutros templos que embora não tão antigos como os românicos, não deixam de ter interesse e em todos eles, a não ser os cuidados da população, ficam abandonados e entregues ao seu próprio destino.

 

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Foi demorada esta abordagem à Igreja de S.Julião porque sem dúvida é também um dos templos mais importantes que testemunham o românico no nosso concelho.

 

S.Julião, bispo de Toledo, que foi coevo dos reis Vamba e Ervígio, soberanos godos é também o santo que dá nome à aldeia e que é também o seu padroeiro, celebrado em 11 de Março, no entanto a verdadeira festa da aldeia (um pouco e tal como acontece em todas as aldeias de montanha) é o mês de Agosto, em que as ruas se enchem de gente com os regressos à terrinha dos seus filhos.

 

Para a feitura deste post, foram recolhidos dados do INE (censos 2001), ANAFRE e IPA.

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publicado por Fer.Ribeiro às 17:00
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Sábado, 28 de Março de 2009

Mosaico da Freguesia de Soutelinho da Raia

 

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Localização:

A 18 km da cidade de Chaves, na extremidade Nordeste e limite do concelho e não só, pois também é terra de raia, onde Portugal termina para começar a Galiza. Grande parte da freguesia desenvolve-se já em pleno planalto barrosão que se estende ao longo da fronteira com a Galiza até à Serra do Larouco.

 

Confrontações:

Confronta com as freguesias de Ervededo e Calvão do concelho de Chaves e como freguesia limite do concelho, confronta ainda com o concelho de Montalegre e com a Galiza, da vizinha Espanha.

 

Coordenadas: (Escola Primária)

41º 37’ 27.32”N

7º 30’ 38.80”W

 

Altitude:

Variável – entre os 750 e os 850 m

 

Orago da freguesia:

Stº António

 

Área:

5,97 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):

– Estrada Municipal 507.

 

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Aldeias da freguesia:

            - Soutelinho da Raia (única aldeia da freguesia).

           

 

População Residente:

            Em 1900 – 483 hab.

            Em 1920 – 478 hab.

Em 1940 – 535 hab.

            Em 1950 – 559 hab.

Em 1960 – 493 hab.  

Em 1981 – 342 hab.

            Em 2001 – 192 hab.

 

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Principal actividade:

- A agricultura.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

Historicamente falando sobre o povoamento desta aldeia, teríamos que recuar possivelmente até ao tempo dos povoados fortificados castrejos, pelo menos assim o defendem alguns historiadores que ligam este povoado a um sítio da aldeia designado por “Muro”. Também há referencias ao romanos e a uma possível via romana secundária, havendo mesmo alguns autores que dizem existirem ainda nas imediações o que serão possíveis restos de calçada. Diz-se também que por aqui passaria um dos caminhos de Santiago e actualmente é pela aldeia também que passa a principal ligação (em termos de utilização) entre a cidade de Chaves e a Vila de Montalegre.

 

Da história também já faz parte o tempo em que Soutelinho da Raia foi uma aldeia promíscua, ou seja, uma aldeia que era dividida pela linha da raia, pertencendo metade a Espanha e outra metade a Portugal e que assim foi até ao tratado de Lisboa de rectificação de fronteiras (de 1864) em que Soutelinho da Raia passa exclusivamente para Portugal em troca das aldeias do Couto Misto que passam integralmente para Espanha (mais sobre este assunto consultar o blog Cambedo Maquis ou o post deste blog de 14.Dez.2007 - http://chaves.blogs.sapo.pt/231841.html). Ainda hoje Vilarelho da Raia vive um pouco dessa promiscuidade dos Séculos passados, pois se repararem na fotografia aérea que se apresenta neste post, existem terrenos e até construções que são atravessados pela linha de fronteira (a amarelo na imagem), que pela sua condição já se adivinha que foi também terra de contrabandistas e Guardas-Fiscais enquanto existiu a fronteira entre Portugal e Espanha. Muitas estórias pela certa haverá para contar de ambas as partes.

 

Ainda na história desta aldeia,  consta o acampamento das tropas monárquicas de Paiva Couceiro, em 1912, do qual sairia a segunda tentativa de restaurar a Monarquia do Norte.

 

Terra de frio também, onde as primeiras neves marcam sempre presença.

 

Sem dúvida alguma que é uma das freguesias à qual recomendo uma visita com passagem e paragem obrigatória no S.Caetano.

 

 

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Linck para os posts neste blog dedicados à aldeia e freguesia:

 

            -  Soutelinho da Raia

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Sábado, 21 de Março de 2009

Mosaico da Freguesia de Mairos

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Localização:

A 18 km da cidade de Chaves, na orla nordeste e limite do concelho, é uma das nossas freguesias raianas.  

 

Confrontações:

Confronta com a Galiza (a Norte) e com as freguesias de Travancas, Paradela de Monforte, Stº António de Monforte e Lamadarcos.

 

Coordenadas: (Largo da Igreja)

41º 49’ 30.75”N

7º 20’ 14.76”W

 

Altitude:

Variável – acima dos 720m na aldeia e abaixo dos 1047m (na Cota de Mairos)

 

Orago da freguesia:

Nossa Senhora da Conceição

 

Área:

13,77 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):

– Estrada Nacional 103-5 até Vila Verde da Raia e Estrada Municipal 502 a partir desta, passando por Stº António de Monforte.

 

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Aldeias da freguesia:

            - Mairos é a única aldeia da freguesia com o mesmo nome.

 

População Residente:

            Em 1900 – 651 hab.

            Em 1920 – 606 hab.

Em 1940 – 835 hab.

            Em 1950 – 847 hab.

            Em 1960 – 804 hab.

            Em 1981 – 569 hab.

            Em 2001 – 359 hab.

 

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Principal actividade:

- Tendo já sido importante em termos pecuários e agro-pecuários, de momento penso ser a agricultura a actividade dominante.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

No devido post da aldeia já foram apontados as suas particularidades e pontos de interesse, no entanto faço-o aqui de novo, em termos muito resumidos.

 

É uma aldeia que em termos de arquitectura tradicional do granito ainda apresenta algum interesse pese as inúmeras construções novas e intervenções no seu núcleo.

 

Como grande ponto de interesse poderemos apontar a história e arqueologia, com importantes achados no aro de Mairos que confirmarão arcaicos povoamentos de finais da pré-História ou inícios da proto-história, sendo uma das freguesias que sempre esteve debaixo de olho dos historiadores e arqueólogos e por onde já passaram alguns nomes sonantes que se dedicam e dedicaram a essa arte, entre os quais o Abade de Baçal, Santos Junior, entre muitos outros e um filho da terra que dedicou parte da sua vida ao estudo do concelho e da sua freguesia – Firmino Aires.

 

A aldeia possui um pequeno museu etnográfico nas antigas instalações da Guarda Fiscal e um autêntico museu vivo ao ar livre com toda a sua estação arqueológica, mas que tanto um, como outro, existem por existirem, pois deles não se tira qualquer proveito, muito menos turístico e penso que não faça parte de qualquer roteiro que seja. Mantêm-se “vivos” (felizmente) com algum interesse da população.

 

A Casa do Abade de Baçal, a antiga Capela, o Peto e o trio dos famosos cruzeiros que em tempos marcariam também as entradas da aldeia (dos quais ainda existem dois) que poderão ser por lá apreciados, embora fora dos seus locais originais.

 

À margem da história temos a modernidade com dois pontos de interesse. A barragem e o pequeno parque eólico, mesmo em cima da fronteira com a Galiza no alto da Serra de Mairos, nos tais mil e picos de altura de onde se pode observar todo o grande vale de Chaves e o mar de montanhas que sem conhecer fronteiras se espraia por Portugal e Galiza.

 

 

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Linck para os posts neste blog dedicados às aldeias da freguesia:

 

            - Mairos - http://chaves.blogs.sapo.pt/292270.html

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:10
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Domingo, 15 de Março de 2009

Mosteiró de Baixo - Chaves - Portugal

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É sempre com agrado que parto à descoberta dos olhares das nossas aldeias e se por um lado regresso sempre agradado com os olhares fotográficos que por lá tomo, também não é menos verdade que as verdades do nosso mundo rural deixam-nos para o regresso algumas reflexões mais profundas que me levam quase sempre a um estado de depressão. É esta a palavra da moda, pois deixamos de contestar, discordar e protestar, porque de nada nos vale e, em vez disso, ficamos deprimidos.

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De regresso, na companhia da rádio e alguma música, vou reflectindo a vida das aldeias, de como compreendo os resistentes que ficaram agarrados à terra e como compreendo ainda melhor aqueles que partiram das suas aldeias, por uma ou outra razão e que, cada vez a abandonado mais, encaminham as nossas aldeias de montanha para o despovoamento total. Compreendo sem compreender estes encantos e desencantos das nossas aldeias, mas embora haja entendimento de sentimentos, não os aceito.

 

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Acabava de deixar Mosteiró de Baixo onde durante todo o ano, meia dúzia de pessoas resistentes vão lutando contra o frio de inverno como podem e,  fazendo pela vida com aquilo que a terra dá, que de inverno, para além das couves e do naval, pouco mais há. Felizmente e até se dão graças a Deus, que de inverno os dias são pequenos. Mas enquanto regressava, as notícias iam interrompendo a música da rádio para anunciar que a Assembleia da República adiava mais uma vez  o casamento entre homossexuais…

 

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Portugal sem dúvida alguma que é um país de contrates profundos, ou como diria o poeta “por cima a sabedoria, por baixo a porcaria…”,  e se não o é parece, pois a “sabedoria” dos senhores de Lisboa que se vão divertindo e iludindo com as luzes o glamour da capital, que são pagos por todos nós para fazerem Leis e nos governarem, lá vão fazendo o seu sério trabalho, discutindo casamentos entre homossexuais, discutindo quantas gramas de sal deve ter o pão e distribuindo “Magalhães” pelas criancinhas ou distribuindo décimos segundos por adultos que na devida altura “não tiveram tempo” de ir à escola.

 

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Senhores de Lisboa e dos corredores do poder que enquanto debaixo de luzes vão trocando e condimentado poéticos (tão poéticos como patéticos) galhardetes entre os olhares atentos da televisão para passar nas notícias, há povinho, que desde Lisboa tentam esconder com a imagens de fachada, que anda nos campos a lutar pela vida, ou mais que isso, por sobreviver.

 

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É este o fiel retrato do centralismo de um Portugal a duas velocidades, com Lisboa a querer outro aeroporto internacional e um TGV para se ligar às capitais da Europa, que vai desembolsando dinheiros de todos nós para compensar os disparates dos banqueiros gananciosos,   enquanto pelo interior, nas montanhas e nas aldeias, ainda há pessoas quase esgaravatam a terra para dela tirar algum sustento, que transportam alfaias e colheitas em carroças puxadas por burros ou vacas  e/ou que vivem de míseras reformas, que se calha, nem chega para pagar um jantar de glamour de Lisboa e muito menos uma viagem no “sonhado” TGV… enfim, convém mostrar ao mundo não aquilo que somos, mas o que parecemos e os nossos políticos e governantes, disso, percebem eles.

 

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Mas vamos deixar de parte os devaneios e depressões do costume e vamos para  Mosteiró de Baixo, a apenas 12 quilómetros de Chaves, é uma dessas aldeias de interior, de montanha, onde só os tais resistentes, resistem. Nem sequer é aldeia dormitório e vai vivendo com as suas casas antigas, algumas poucas habitadas e a maioria abandonadas ou em ruínas, e as poucas casas novas da estrada de entrada, zelam por estar fechadas aguardando que lhe abram as janelas nos regressos apressados de Agosto.

 

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Mosteiró de Baixo tinha em 2001 (Censos)  90 residentes, dos quais 7 tinham menos de 10 anos. Dados de 2001, que pelo que constatei na aldeia, hoje, já não são reais, pelo menos no número de crianças.

 

Mosteiró de Baixo, convém referirmos sempre o “de Baixo” pois na proximidade da freguesia (S.Julião de Montengro) existe outra aldeia com o nome de Mosteiró,  Mosteiró de Cima, esta pertença ao concelho de Valpaços.

 

Quanto à origem do topónimo, tudo indica que venha de proximidade de um mosteiro que pela certa estaria associado à sede de freguesia, S,Julião de Montenegro e daí termos também as duas aldeias Mosteiró (de Baixo e de Cima) tendo como ponto de referência S.Julião.

 

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Como já se disse, Mosteiró de Baixo vive em redor da agricultura, com pequenos campos cultiváveis entre carvalheiras e soutos. Uma paisagem bonita de ver, mais de ver que de viver, não é por falta de vontade de alguns naturais, mas antes, por força da vida e da luta por uma vida com alguma dignidade que só a aldeia, não dá, embora o que vai dando, seja coisa boa, da horta ou da criação da casa, faz pela certa boa mesa, pelo menos enquanto a ASAE o for permitindo.

 

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E assim deixamos mais uma aldeia, com um pôr-do-sol entre couves galegas e algum arvoredo, porque por cá, embora pareça que o sol não nasce para todos, faz questão de todos os dias desaparecer, lá ao fundo, entre montanhas a caminho do mar e da civilização, e se assim não é, parece.

 

E para terminar resta mencionar o santo de devoção da aldeia, o S. Bernardino de Sena, que tem a sua capela bem no centro desta pequena aldeia.

 

E mais uma vez as minhas desculpas para a aldeia convidada pelos meus devaneios e depressões políticas, mas é que custa ver o nosso mundo rural moribundo, quando tanto de bom têm para dar.

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publicado por fernando ribeiro às 04:21
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Sábado, 14 de Março de 2009

Mosaico da freguesia da Cela

 

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Mosaico da Freguesia da Cela

 

 

Localização:

A 10 km da cidade de Chaves toda a freguesia se desenvolve nas encostas da Serra do Brunheiro.

 

Confrontações:

Confronta com as freguesias da Madalena, Eiras, S.Julião de Montenegro, Nogueira da Montanha, Vilar de Nantes e Friões, esta última do concelho de Valpaços.

 

Coordenadas: (Junto à Igreja da Cela)

41º 42’ 58.17”N

7º 25’ 07.48”W

 

Altitude:

Variável – Entre os 800m em Tresmundes e os 450m na Ribeira do Pinheiro.

 

Orago da freguesia:

Nossa Senhora das Neves

 

Área:

3,80 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):

– Estrada Nacional 213 em direcção a Valpaços.

 

 

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Aldeias da freguesia:

            - Cela

            - Ribeira do Pinheiro

            - Ribeira de Sampaio

            - Tresmundes

 

População Residente:

            Em 1900 – 283 hab.

            Em 1920 – 294 hab.

Em 1940 – 366 hab.

            Em 1960 – 410 hab.

            Em 1981 – 320 hab.

            Em 2001 – 228 hab.

 

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Principal actividade:

- A agricultura de montanha e floresta. Em tempos teve a sua importância na moagem de cereais, como o testemunham ainda alguns dos moinhos existentes ao longo da Ribeira de Palheirós, que mais abaixo se transforma em Ribeira do Caneiro.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

Sem dúvida alguma que como ponto de interesse aponto a condição e localização geográfica de toda a freguesia, com Tresmundes quase no ponto mais alto do Brunheiro a dominar em vistas todo o vale de Chaves e montanhas que se prolongam por terras de Barroso e da Galiza, até às duas Ribeiras e o seu conjunto de moinhos que se desenvolvem ao longo da Ribeira de Palheirós. Em plena Ribeira de Sampaio ainda destaque para a ponte de com um único arco e guardas de pedra cuja construção remonta à época baixo-medieval.

 

Também os conjuntos de moinhos que fazem as duas Ribeiras seriam de destacar se ainda estivessem a funcionar e em bom estado de conservação, tendo mesmo, na Ribeira de Sampaio e naquele que era um dos locais mais bonitos de concelho, sido descaracterizado todo o ambiente bucólico e de interesse que detinham há coisa de vinte e picos anos atrás. Resta-lhe a ponte.

 

Sem dúvida alguma que é (mesmo com os atentados e os abandonos dos moinhos) uma freguesia que merece uma visita pela sua beleza de conjunto e pelas belezas que desde lá as vistas alcançam.

 

De referir ainda a existência de um grupo de cantares, danças e etnográfico da freguesia, que tão bem a tem representado, não só à freguesia, mas também ao concelho de Chaves, quer em Portugal quer no estrangeiro e que marca presença em todos os eventos cá da terrinha.  

 

 

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Linck para os posts neste blog dedicados às aldeias da freguesia:

 

            - Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/228579.html

 

            - Ribeira do Pinheiro - http://chaves.blogs.sapo.pt/361168.html

 

            - Ribeira de Sampaio - http://chaves.blogs.sapo.pt/230549.html

 

- Tresmundes - http://chaves.blogs.sapo.pt/354674.html

           

 

Até amanhã, com mais uma das nossas aldeias.

 

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publicado por fernando ribeiro às 03:55
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