Sábado, 1 de Abril de 2017

Anelhe - Chaves - Portugal

1600-anelhe (62)

 

Promessas são promessas e mesmo que seja no último minuto do dia há que cumpri-las, e assim, cá estamos com mais uma das nossas aldeias. Hoje toca a vez a Anelhe, com as habituais três imagens – cor, p&b e arte digital.

 

1600-anelhe-3 (10)

 

Arte digital com uma foto imitação de pintura, com algum corar de rosto ao lembrar-me da ligação que a verdadeira arte da pintura tem com Anelhe. Claro que me refiro ao pintor João Vieira, que tão ignorado ou desconhecido tem sido para os flavienses.

 

1600-anelhe (17)

 

E na ordem alfabética a seguir a Anelhe segue-se Arcossó, ou seja a nossa aldeia do próximo sábado, por sinal aldeia das proximidades, ambas terras de bom vinho, pena que a maioria dos tonéis da região estejam a morrer de secos nas adegas, salvo raras e exemplares exceções.

 

 

 

 

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Sábado, 3 de Março de 2012

Mosaico da Freguesia de Anelhe - Atualização


 

 

Iniciada que foi no último fim de semana mais uma ronda pelas nossas freguesias, hoje, e seguindo a ordem alfabética, vamos até a atualização dos números da freguesia de Anelhe.

 

Em 20 de Fevereiro de 2010 a freguesia tinha aqui neste blog a publicação do seu mosaico, ou seja, todos os dados que eu consegui reunir sobre a freguesia. De então até agora há os novos dados que o CENSOS 2011 nos trouxe. Dados ainda provisórios mas que tudo leva a crer que venham a ser definitivos.

 

No último fim de semana na abordagem geral (do concelho) que fiz em relação a estes novos dados, salientava-se que quase todas as freguesias tinham perdido população, salvo raras exceções. Pois Anelhe é uma dessas exceções ao ganhar população. Pouca, mas ganhou.

 

 

Num concelho em que quase todas as freguesias perderam população, seria interessante saber o porque desta freguesia não a ter perdido. Eu, infelizmente não tenho acesso a dados nem meios para me poder debruçar sobre o assunto, e como também não sei o que os responsáveis por este concelho pretendem fazer com os novos dados, vou dar o benefício da dúvida e ter fé ou acreditar que alguém fará esse trabalho. Quem sabe se não está em Anelhe a solução para travar o despovoamento do nosso concelho.

 

Claro que os dados a que tive acesso do CENSOS 2011 são muito poucos e nem sequer sei qual foi o comportamento dos números em cada aldeia da freguesia, pois recordemos que a freguesia de Anelhe, para além da aldeia que lhe dá o nome, ainda tem as aldeias de Souto Velho e Rebordondo, mas este ganho de população da freguesia, e embora pequeno, é importante, pois não perdeu.  

 

 

Mas vamos aos números, acrescentando o ano de 2011 aos dados que anteriormente já aqui tinha disponibilizado.

 

População Residente:

 

 

Em 1864 – 617 hab.

Em 1900 – 695 hab.

Em 1920 – 585 hab.

Em 1940 – 816 hab.

Em 1950 – 954 hab.

Em 1970 – 657 hab.

Em 1981 – 531 hab.

Em 2001 – 538 hab.

Em 2011 – 548 hab.

 

Como podemos verificar o ganho, em relação ao último CENSOS foi de 10 habitantes.

 

Quanto aos outros números a que tive acesso, ou seja o número de famílias e de alojamentos, aqui os dados parecem contraditórios, pois embora a população tivesse aumentado, bem como o número de alojamentos, o número de famílias diminuiu:

 

 

Nº de famílias por local de residência

 

 

Em 2001 – 177 famílias

Em 2011 – 172 famílias

 

Ou sejam, menos 5 famílias

 

Nº de alojamentos

 

 

Em 2001 – 317 alojamentos

Em 2011 – 332 alojamentos

 

Ou seja, aumentaram 15 alojamentos

 

Nº de edifícios

 

 

Em 2001 – 315 alojamentos

Em 2011 – 330 alojamentos

 

Ou seja, também aqui aumentaram 15 edifícios.

 

 

Os mais atentos já deram conta que o número de famílias é quase metade do número de alojamentos/edifícios e é natural que assim seja, pois não podemos esquecer que nos estamos a referir a população residente onde os nossos emigrantes e outros deslocados não são contabilizados.

 

Fica o gráfico atualizado:

 

Para rever o que aqui foi dito a respeito de cada aldeia da freguesia e também no anterior mosaico, ficam os Links  para os respetivos posts:

 

            - Anelhe

 

            - Souto Velho

 

            - Rebordondo

 

 

- Mosaico da freguesia – (de 20.fev.2010)

           

 

Para ilustrar o presente post, além do mosaico já conhecido, ficam algumas fotos da freguesia que não couberam nos respetivos posts.

           

 

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Quinta-feira, 4 de Março de 2010

As Barragens Tâmega - Por António Luis Crespí

Alto Tâmega (Anelhe - Chaves) - Programa Nacional de Barragens


«Toda a discussão gira à volta do medo, da apatia, do oportunismo e da ausência»

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António Luis Crespí (Prof. Doutor)
Herbário, Jardim Botânico Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, CITAB, Vila Real

A reunião de ontem (26/02) em Anelhe - Chaves foi, aparentemente, muito construtiva e agradável. Como já é hábito entre o povo português voltei a encontrar a amabilidade e a inesgotável hospitalidade que sempre caracterizou a alma lusitana. Contudo saí daquela reunião com uma inquietação que, desde há muito tempo, me vem acompanhando.

Depois de ser testemunha de um uníssono "barragem não!", que por outro lado não me surpreendeu, pois ultimamente já ouço muito este grito de protesto, passei a ver a outra face deste refrão "... e se for que seja a mais pequena!".

Rapidamente veio à minha mente aquela imagem de novela, já muitas vezes representada em filmes e no teatro, em que os escravos estão a ser vendidos num leilão público: o vendedor mostra a força e o formidável estado de saúde da vítima de tão infame venda; o público plenamente satisfeito por tão saudável exibição começa a ofertar valores pela compra da humilde vítima,... 300, 312, 315, 320...!!; e, de repente, nesse ambiente de excitação oportunista o escravo exclama "…se tiver que ser, nunca por mais de 312!!".

Quando acabou a nossa calorosa reunião uma entrevistadora veio ter comigo e me fez algumas questões. Entre elas queria saber a razão pela qual todos os estudos do recurso natural dos concelhos do Tâmega tinham sido sistematicamente evitados, ou impedidos de os fazer.

- "A culpa é dos autarcas que passaram pelos governos das autarquias?", inquiriu incisiva. - "Não!", respondi categoricamente, "... se a culpa é de alguém será do povo, que foi quem escolheu e escolhe os autarcas", respondi eu.

Estamos a criar uma sociedade viciada na ausência. A ausência de quem fechando os olhos julga que resolverá os problemas que nos afligem. A ausência de quem, deixando cair as suas forças, vai permitindo que o rio do benefício rápido e efémero o leve na direcção das cascatas do abismo. Esta não é a sociedade que pessoas, como as que integram o vosso grupo e os outros que convosco lutam, pretendem criar. É por isso tempo de mostrar firmeza, consistência nas afirmações e pretensões. É, em definitivo, o vosso tempo!.

Esta luta é quiçá uma luta mais feroz, pois o inimigo é nós próprios. Toda a discussão do Programa Nacional de Barragens gira à volta do medo, da apatia, do oportunismo e da ausência. Do medo a uma crise económica crónica e à derrota política; da apatia daqueles que de longe vem, ouvem e não mostram interesse; do oportunismo dos que pensam que o lucro rápido será o que lhes fará viver melhor; e da ausência dos que se deixam ser arrastados pela força de uma corrente que mata e destrói o que a natureza nos deu para viver.

É preciso e urgente recolher todos os artigos, estudos e contribuições que, à volta deste assunto são publicados e divulgados nos vossos endereços da internet e fazê-los chegar à Europa e ao Mundo.


Acaso os espanhóis não pensam da mesma forma?
Acaso aceitariam que uma empresa com capital deles estivesse a destruir sem qualquer planeamento sustentável o recurso natural português?

Será que Bruxelas aceitaria que um membro da comunidade utilizasse este recurso, sem estudar com profundidade as repercussões que este processo arrastaria para o desenvolvimento económico da Europa?

Este processo está viciado, mas não sejamos nós também a viciá-lo. Exijamos seriedade e procuremos planos de desenvolvimento económico-sociais sustentáveis a médio e longo prazo. Não permitamos a venda de escravos, pois esses escravos devem também desfrutar do tesouro natural que temos. Só assim criaremos uma sociedade feliz e plena.

António Luis Crespí (Herbário, Jardim Botânico da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro) - 27 de Fevereiro de 2010

Notícia original publicada aqui: http://artigosediscussao.blogspot.com/2010/03/alto-tamega-anelhe-chaves-programa.html

 

 

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Sábado, 20 de Fevereiro de 2010

Mosaico da Freguesia de Anelhe

 

Localização:

A 15 km da cidade de Chaves, a Sul desta, no limite do concelho confrontante com o concelho de Boticas, situa-se numa faixa de território confrontante com a margem direita Rio Tâmega.

 

Confrontações:

Confronta (ao longo do Rio Tâmega) com as freguesias de Redondelo, Vilela do Tâmega, Vilarinho das Paranheiras e Arcossó. Confronta ainda com as freguesias de Pinho e Sapiãos, estas do concelho de Boticas.

 

Coordenadas: (Adro da Igreja de Anelhe)

41º 40’ 38.49”N

7º 34’ 48.06”W

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Altitude:

Variável – acima dos 300m e Abaixo dos 560m

 

Orago da freguesia:

Santa Eulália

 

Área:

12,09 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):

– Estrada Nacional nº2 (até à entrada de Vidago – Ponte Seca) seguindo pela E.N. 311 até à Praia de Vidago, onde começa Souto Velho. Em alternativa o acesso pode ser feito pela Nacional 103 até Casas Novas para de seguida se apanhar a Est. Municipal 533, com passagem por Redondelo para entrar na freguesia de Anelhe via Rebordondo. Existe ainda a alternativa pela auto-estrada até ao nó de Vidago, a partir do qual se deve seguir o itinerário da Nacional 2.

 

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Aldeias da freguesia:

            - Anelhe

            - Rebordondo

            - Souto Velho

 

População Residente:

            Em 1864 – 617 hab.

            Em 1900 – 695 hab.

Em 1920 – 585 hab.

Em 1940 – 816 hab.

Em 1950 – 954 hab.

            Em 1970 – 657 hab.

            Em 1981 – 531 hab.

            Em 2001 – 538 hab.

 

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Principal actividade:

- A agricultura com terrenos férteis na bacia do Tâmega junto a Anelhe e Souto Velho ou de planalto em Rebordondo e ainda actividades ligadas a uma importante mancha florestal de resinosas com recolha de resina. A vinha, é uma das principais culturas, sendo conhecidos e afamados os seus vinhos de qualidade.

 

Mas a realidade actual pode ser profundamente alterada se for levada a efeito a barragem de Vidago, pois esta freguesia, nomeadamente as aldeias de Anelhe e Souto Velho, terão os seus terrenos agrícolas ribeirinhos ao Tâmega submersos pela barragem e as vinhas que não forem submersas, segundo dizem os especialistas na matéria, sofrerão danos indirectos que se irão reflectir na qualidade dos vinhos aí produzidos.

 

Para saber mais sobre esta problemática da barragem seguir o link para o post publicado há dias atrás, aqui: http://chaves.blogs.sapo.pt/470679.html

 

 

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Particularidades e Pontos de Interesse:

Toda a freguesia confronta com o Rio Tâmega e daí o seu território ocupar grande parte do vale natural composto bacia orográfica do rio.

 

Em termos paisagísticos oferece vários motivos de interesse a todos quantos visitam a freguesia, quer com as vistas que se alcançam para a freguesia desde a Estrada Nacional nº 2, ou desde os pontos mais elevados de Anelhe para todo o vale ribeirinho ao Tâmega. Interessante também é a ligação entre Anelhe- Rebordondo e vice-versa que hoje se faz pelo serpentear de uma estrada asfaltada sempre rodeada de pinhal.

 

Desde sempre que a freguesia está associada aos afamados vinhos maduros de qualidade. Dizem uns que os vinhos brancos são os melhores, no entanto, há outros tantos que dizem o mesmo dos vinhos maduros, mas a grande maioria diz tanto faz, é freguesia de vinhos excelentes, que bem poderiam seguir o exemplo da vizinha Quinta de Arcossó e assim colocarem a freguesia na rota dos bons vinhos nacionais.

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Quanto à arqueologia do local mas também através da sua toponímia, chega-se facilmente à conclusão que o povoamento da freguesia remonta, no mínimo, à época castreja da Idade do Ferro do Noroeste Peninsular.

Há notícias de em tempos por toda a freguesia, mas principalmente junto a Anelhe, terem aparecido vestígios e espólio conotado com a romanização, principalmente testemunhado em moedas e cerâmica variada de vasos finos e dólios, entre outros.

 

Uma lagareta e um conjunto de sepulturas escavadas na rocha, atestam por sua vez uma ocupação alti-medieval.

 

Administrativamente falando, a freguesia de Anelhe esteve quase sempre associada a Chaves, no entanto, durante quase 20 anos esteve anexada a Boticas, mais precisamente entre os anos de 1836 e 1855.

 

Quanto ao seu património edificado, destacam-se a igreja Paroquial e as Capelas de Rebordondo e Souto Velho caindo o realce sobre a casa solarenga dos Braganças, em Rebordondo.

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Famílias e nomes associados à freguesia, além dos Braganças há a destacar o Comendador Brenha da Fontoura e o Pintor João Vieira (1934-2009) recentemente falecido e que teve toda a sua vida ligada à arte da pintura, da escrita e também do teatro, como cenógrafo. Pintor João Vieira que há muito já faz parte da lista dos Flavienses Ilustres, de quem este blog em breve, trará por aqui um pouco da sua vida e obra num post a ele dedicado dentro da rubrica dos Ilustres flavienses. Pintor João Vieira que é pai de Manuel João Vieira, também muito ligado à freguesia de Anelhe e que está ligado a uma banda de Rock portuguesa, os Ena Pá 2000, mas também ligado ao teatro e ao cinema como também ficaram conhecidas as suas candidaturas à Presidência da República ou a publicidade ao Licor Beirão.

 

Também é desta freguesia, mais propriamente da Aldeia de Rebordondo a Banda Musical de Rebordondo, sobejamente conhecida por abrilhantar muitos dos arraiais populares da região e, talvez a banda musical mais antiga do concelho. No post dedicado a Rebordondo (com link no parágrafo seguinte) contamos lá um bocadinho da sua história.

 

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Linck para os posts neste blog dedicados às aldeias da freguesia:

 

            - Anelhe

 

            - Souto Velho

 

            - Rebordondo

 

 

 

 

 

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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

Requiem para o Rio Tâmega

Como cidadãos temos os nossos deveres e direitos. Quanto aos deveres, lá os vamos cumprindo, de livre e boa vontade ou até obrigados e de má vontade, como os impostos, mas até compreendemos que temos que os pagar contribuindo assim para um Estado que deveria ser também de direitos, um deles, deveria ser o direito a ser informado com isenção, outro, era o de exigir que o estado nos trate de boa fé. Mas nestas questões da cidadania vou ficar-me por aqui, pois o texto de hoje vai ser longo e tem a ver com o aproveitamento hidroelétrico do Alto Tâmega em que o nosso Rio Tâmega, a sua bacia e as populações ribeirinhas estão em causa e a informação de boa fé sobre os benefícios e malefícios desse aproveitamento hidroelétrico ou barragens que vão construir no Tâmega, não existem. Era e é mais que necessária informação sobre esta(s) barragens(m), que literalmente irá engolir um rio, e tudo, imagine-se, em nome do ambiente.

 

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Chegou até mim um documento das freguesias ribeirinhas do Tâmega que vão ser afetadas pela barragem que vai ser construída mais próxima de nós. Um documento que deverá ser público e que deixa expostas as preocupações destas populações, que deveriam ser preocupações de todos nós.

 

A acompanhar o texto, deixo para memória futura, pontes, pontões e terrenos que a ser levada a efeito a barragem conforme proposta, serão submersos.

 

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PARECER CONJUNTO DAS FREGUESIAS DE ANELHE, ARCOSSÓ, VILARINHO DAS PARANHEIRAS E VILELA DO TÂMEGA RELATIVO À CONCRETIZAÇÃO DO APROVEITAMENTO HIDROELÉCTRICO DE ALTO TÂMEGA

 

 

Considerando que os impactos da construção da albufeira referenciada em epígrafe são muito similares nas quatro freguesias, entenderam os seus representantes elaborar um parecer conjunto, não deixando, no entanto, de referenciar implicações particulares de cada uma.

 

Não podemos deixar, em primeiro lugar, em nome do povo que representamos de manifestar a nossa indignação pelo facto do primeiro contacto tido com as populações acerca do empreendimento referenciado apenas se tenha cingido a levantamentos cadastrais e expropriações levados a cabo pela empresa “Landfund – Levantamentos Cadastrais, Lda.” e tendo por base um Nível Pleno de Armazenamento à cota 322. Ora como muito bem refere a Comissão Mundial de Barragens no seu Relatório “Barragens e Desenvolvimento: Um Novo Modelo para a Tomada de Decisões” a construção das grandes barragens, como é o caso da que está em apreço, em virtude dos enormes investimentos envolvidos e dos impactos gerados é actualmente uma das questões mais controversas na área do desenvolvimento sustentável. Refere, ainda, aquela Comissão que o modelo para a tomada de decisões deve basear-se em cinco valores fundamentais, entre os quais refere o processo decisório participativo e destaca como pontos inquestionáveis no estado da arte acerca desta problemática os seguintes: “Um número excessivo de casos foi pago um preço inaceitável e muitas vezes desnecessário para assegurar os benefícios, especialmente em termos sociais e ambientais; A falta de equidade na distribuição dos benefícios quando confrontada com outras alternativas; A necessidade de incluir no debate todos aqueles cujos direitos estão envolvidos e que arcam com os riscos associados às diferentes opções; e Soluções negociadas aumentarão sensivelmente a eficiência do projecto .

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Em segundo lugar, não podemos deixar de estabelecer, em termos gerais, uma relação da albufeira à cota 322 com o lugar. Marcada sobre um mapa cartográfico a área de implantação da nova proposta da barragem (cota 322), era notório que esta não tinha em conta as pessoas, o sítio, a sua qualidade ambiental e paisagística. Na nossa opinião, é de tal momo insensível ao lugar que o destrói. (O conceito de lugar possui um carácter concreto, empírico, existencial, articulado, definido até ao detalhe. Vem definido por substantivos, pelas qualidades das coisas e os elementos, por valores simbólicos e históricos; é ambiental e está fenomenologicamente relacionado com o corpo humano)

 

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O que dizer de quem traçou aquela linha de cota máxima e propôs uma nova ponte na Estrada Nacional 311 (Vidago/Boticas) para submergir a antiga?

- Que não conhece o sítio?

- Que se baseou em rácios de m3 descurando impactos e outros valores presentes no território?

É uma concepção que prima pela irracionalidade e por uma visão que privilegia o mau gosto especulativo e esteticamente aberrante, baseada em critérios abstractos, em desfavor de uma interpretação alargada de conceitos de qualidade estética e ambiental. Desrespeita valores culturais e patrimoniais, destrói a arquitectura do lugar, a sua dimensão temporal e algum tecido sócio-económico emergente.

Dir-nos-ão que foram apresentados apenas elementos esquemáticos e incompletos (meros instrumentos iniciais de trabalho) e que, posteriormente, virão mais estudos no sentido de aperfeiçoar e melhorar os existentes. É um argumento, mas será este isento e preocupado com “os sistemas de vida justos e equilibrados”? Um primeiro olhar sobre o que assinalaram no mapa logo nos fará duvidar de tal argumento, dada a falta de pudor de tais propostas. Não necessitamos de mais estudos para nos apercebermos da total destruição que a cota 322 causa ao sítio.

 

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Como disse FranK Lloyd Wright “não vale a pena usar os instrumentos da arte criadora, a menos que isto seja feito a bem da humanidade”.

As boas intervenções (de qualidade) são, de um modo geral, expressão de sociedades culturalmente sólidas e socialmente evoluídas que são, em regra, também aquelas que maior preocupação manifestam em salvaguardar as memórias e o seu património hostórico-arquitectetónico e o equilíbrio do seu meio ambiente natural e humanizado.

Deve procurar-se um meio inteligente de dar resposta à paisagem, ao clima, às necessidades das pessoas e das comunidades.

Infelizmente são muitos exemplos que, pela mutação, se delapidam e, em muitos casos, se destroem formas de cultura ligadas ao sítio.

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A proposta é de tal maneira insensível aos valores do sítio que não respeita a sua organização espacial e escala, assim como, o valor geral imposto pela qualidade do sítio.

São os valores ambientais, históricos e arquitectónicos desta zona que lhe dão qualidade. Se os destroem , destroem a qualidade da vida das pessoas em todos os sentidos. Esta solução ameaça perturbar os necessários equilíbrios e questiona-mos se não vai trazer uma incorrecta influência à zona.

 

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Assim sendo, e porque além disso somos habitantes dos locais afectados, logo os conhecedores empíricos da natureza, do ambiente, do ecossistema, do clima, das actividades agrícolas e também estamos preocupados com o empobrecimento futuro das populações que representamos e acreditamos no bom senso do uso dos recursos, passamos a apresentar os impactes, de forma detalhada, que se nos afiguram justificativos da construção da albufeira à cota 300:

 

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  1. O Projecto de Programa do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) refere para a anterior designação de barragem de Vidago a pp 78 “A análise das áreas a inundadas pela albufeira permite constatar que com um NPA da albufeira à cota 325 m são afectadas um conjunto importante de habitações, nomeadamente nas localidades de Sobrilhal, Sobradelo e Caneiro, que poderiam condicionar significativamente a execução do aproveitamento. A cota 312 m evita em grande parte, embora não na totalidade, a afectação de áreas urbanas, que apenas seriam integralmente preservadas caso se adoptasse o NPA à cota de aproximadamente 300 m.  A pp 132 refere “Para o aproveitamento de Vidago, integrado na cascata do rio Tâmega, adoptou-se o NPA da albufeira de 312 m, inferior em 13 m relativamente ao NPA máximo previstos em estudos anteriores, atendendo que a partir dessa cota seriam inundadas significativas áreas com ocupação urbana”. Nestes termos fica claro que apenas à cota 300 as populações ribeirinhas não são privadas do uso do solo com a afectação a áreas urbanas. Ora, referindo o PNBEPH claramente estas implicações e tendo o concurso sido lançado para a cota 312 como é que a concessionária pretende ainda, assim, aumentar NPA para a cota 322. Será esta a cota consentânea com os princípios enunciados pela Comissão Mundial de Barragens? Ou estamos perante uma usurpação desenfreada de recursos privados, propriedade de milhares de pessoas, nacionalizados pelo Estado, mas posteriormente entregues no seu uso e na sua exploração a uma única entidade. Quais as vantagens das populações locais com tais alterações? Como ficará o sítio? Sejamos esclarecidos.

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  1. As freguesias de Arcossó e Vilarinho das Paranheiras sofreram já significativamente com as expropriações, quer com a construção da A 24 em ambas, quer com a ETAR da região da Ribeira de Oura no primeiro caso e com a N2 no segundo caso. Com a construção da barragem à cota pretendida ficam estas freguesias privadas, mais uma vez, do uso de uma área significativa e esventradas dos seus melhores solos;

 

  1. Só pura ganância poderá conduzir, tendo em consideração o conhecimento actual, à construção da barragem do Alto Tâmega à cota 322, uma vez que inunda praticamente toda a Reserva Agrícola da freguesia de Arcossó e uma parte substancial da das freguesias de Anelhe e Vilarinho das Paranheiras. Esta foi e é o celeiro e a horta destas populações que tão sabiamente transformaram e preservaram, pelo menos desde o século XIII, estes solos e que o Estado, e bem, veio proteger por Lei, mas que agora o mesmo Estado através de uma sua concessionária pretende como mais útil para reservatório de uma albufeira. Não entendemos, os proprietários não alteraram e bem ao longo de gerações e gerações este espaço de veiga fértil e irrigada com apoios Comunitários e Nacionais, não podendo aí executar legalmente qualquer tipo de construção, mas o mesmo Estado ou através das instituições suas representantes pôde aí construir uma ETAR que pretende submergir e agora para cumulo arrasar de água aquilo que já foi drenado pela sua importância e necessidade. Já alguém se preocupou em saber da importância destas terras para a subsistência de grande parte das famílias destas freguesias. É que a agricultura destes locais, embora na maioria das situações não seja empresarial e grande parte não passe pelo mercado, é um perfeito complemento a todas as outras actividades ou situações e, só assim, é possível viver com as pequenas reformas e os magros salários que se auferem na região;

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  1. Estas freguesias dispõem como produtos agrícolas excedentários o vinho e o azeite. São conhecidas, em particular, pela qualidade dos seus vinhos, já enaltecidos por Estravão, o grande geógrafo do Império Romano e sobejamente referenciados em obras do século XVIII e XIX e cujo apogeu produtivo se alcançou nos anos 50 do século passado e que agora começa a evidenciar sinais de recuperação atestados pela Comissão Vitivinícola da Região de Trás-os-Montes e a qual demonstra claras preocupações com a grande massa de água que artificialmente se pretende aí criar. Aqui as preocupações são claras, quer pela inundação de áreas de vinha, quer pelas alterações edafo-climáticas. Aliás, a região da Ribeira de Oura é sobejamente conhecida pelas suas particularidades climatéricas, enaltecidas também em termos turísticos, uma vez que no passado era designada a estância termal e climática de Vidago. Não se nos afigura como admissível a construção de uma albufeira a níveis que vão desequilibrar essas condições. Basta verificar que à cota 300 temos a um NPA uma massa de água de 61 hm3 e 230 há de área submersa, contra 96 hm3 e 350 há à cota 312 e cerca de 144 hm3 e 520 há á cota 322, numa região de confluência entre um clima continental e atlântico caracterizada por fortes neblinas matinais do Outono a meados da Primavera nos dias soalheiros. Logo quanto maior for a albufeira maior será a evapo-transpiração. Torna-se, então necessário saber cientificamente essas implicações climatéricas para uma região com características de transição. A título ilustrativo e para termos noção das implicações na viticultura citamos o grande enólogo do século passado Emile Peynaud que na sua obra Conhecer e Trabalhar o Vinho na parte relativa à Qualidade das Grandes Colheitas refere a pp 87 “ Um pouco paradoxalmente, as regiões de bons vinhos não são forçosamente as mais favoráveis à vegetação e á produção da vinha. A vinha planta Mediterrânica, não produz os seus melhores frutos nos climas mais quentes. As regiões de qualidade são as mais marginais, as mais submetidas à irregularidades anuais do clima, mas igualmente mais sensíveis a microclimas. Nas zonas quentes cultivam-se as castas menos aromáticas, ou de tanino menos agradável. Todos os anos se assemelham, e a noção de grande colheita e de colheita vulgar perdem-se”. 

Além da potencial alteração da qualidade e do tipo de vinho obtido quem irá custear nos próximos séculos o acréscimo de custos decorrente do aumento do número de tratamentos fitossanitários que terão de ser realizados para manter a produção de boas uvas para vinho como consequência do aumento da humidade relativa e das temperaturas na região, em particular durante o ciclo vegetativo da vinha. Mais orvalhos conduzem a mais oídeo, a mais míldio, a mais doenças do lenho. Pretendemos saber quem vai suportar os custos destas alterações. Usem-se os recursos, mas de forma equilibrada e sustentada e não de forma gananciosa e com análises económicas que se cingem apenas ao projecto e se esquecem de contabilizar as perdas que também originam. O lucro de um pode ser prejuízo de centenas ou de milhares e nem sempre aquilo que melhor se vê no horizonte é o mais vantajoso. Só com um balanceamento alargado entre custos e benefícios se pode decidir;

 

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  1. Ao nível paisagístico, quer para a cota 312, e, em especial, para a cota 322 o impacto será brutal. Esta situação é tanto mais grave quando estamos já num vale relativamente aberto e de reduzidos declives e nos encontramos no limite da cota e inseridos numa região cuja a aposta turística é forte e onde a paisagem representa um peso significativo nesse mesmo turismo, com destaque para o investimento que está a ser levado a cabo pela UNICER, aliás considerado de interesse nacional. De facto, tendo em consideração que a cota mínima de exploração constante no PNBEPH é a 297,5 m, tal significa que toda a área inundada nas três freguesias terá água durante o Inverno e uma mancha de lama seca no verão. Assim sendo, aquilo que hoje é uma mancha verde e cheia de vida durante o período de maior afluência turística, passará a uma mancha desértica e apenas com vida para insectos (mosquitos, melgas e outros). Os amieiros, freixos e salgueiros irão desaparecer ficando apenas um lago seco com duas linhas de água (rio Tâmega e Ribeira de Oura) a correr e uma imagem de destruição daquilo que foram as construções adaptadas ao meio de várias gerações de agricultores ao longo dos séculos. Não dispomos de cálculos exactos, mas estamos em condições de afirmar que esta albufeira em anos secos como este de 2009 terá uma área de lama seca à sua volta superior a 290 há (520ha para a cota 322-230ha para a cota 300). Agradecemos que este assunto seja devidamente analisado e ponderado por aqueles que tem responsabilidades, porque estamos conscientes que as gerações futuras desta região não perdoaram erros desta dimensão;

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  1. A Reserva Ecológica das freguesias de Anelhe e, designadamente, da de Arcossó, são substancialmente afectadas. No caso de Arcossó toda ela confina com a margem do rio Tâmega e apesar do forte declive deste local serão cerca de 8 há que ficarão submersos à cota 322, mas também à cota 312 será afectada. Será desconhecimento por parte de quem projecta ou apenas a lógica de m3 de água? Como ficará o sítio perante tal decisão? Talvez, o que são limitações para a totalidade das populações são permissões para a Iberdrola. Esperamos que não. 

 

  1. O PNBEPH refere a pp 174 que todas as albufeiras previstas para o rio Tâmega estão em zona de probabilidade de ocorrência de eutrofisação, aliás fenómeno já registado na albufeira do Torrão a única actualmente existente neste curso de água. Ora se tivermos em consideração aquilo que a Comissão Mundial de Barragens refere relativamente a ecossistemas e grandes barragens onde deixam claro que temos impactos cumulativos sobre a qualidade da água, quando várias barragens são implementadas num mesmo rio. Não é este o caso da cascata do rio Tâmega ? Então, considerando o exemplo já existente, o que vai acontecer nas restantes? Que implicações terá esta quase certa eutrofisação das águas em todo ecossistema do rio e em todas as captações de água existentes a montante da barragem, cujo o número de poços, minas e charcas ao longo da linha de água da barragem é elevadíssimo em todas as freguesias. Não estamos nós localizados num dos eixos mais importantes de águas termais. Que implicações teremos para aqueles cujas casas, e que são muitas, ficam mesmo na linha de água e daqueles que usam a água do rio. Será bom para o turismo da região a ocorrência deste fenómeno?.Quem decide, normalmente está longe e não sente verdadeiramente estes problemas e nem sequer os refere explicitamente, mas nós pretendemos esclarecimento. Seguramente que quanto maior for a albufeira maior será a probabilidade de ocorrência deste fenómeno porque maior é o reservatório de água de baixa qualidade;

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  1. O PNBEPH refere a pp 175 que a barragem em análise possui risco elevado de poluição acidental, em resultado da expressiva ocupação da respectiva bacia hidrográfica com área agrícola. Ora se tais situações ocorrerem os problemas são tanto maiores quanto mais próximas residirem as populações e quanto maior for a albufeira;

 

 

  1. O reservatório da albufeira à cota 322 alcança a zona de protecção alargada das águas Campilho, o que não deixa de ser caricato atendendo ao referido nos pontos 5, 6, 7 e 8 e aos condicionamentos existentes no uso destes espaços. Será por desconhecimento. Esperamos que não;

 

  1. Inunda toda a área de regadio da freguesia de Arcossó e parcialmente de Vilarinho das Paranheiras e de Anelhe;

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  1. A freguesia de Arcossó ficará dividida, ao lhe ser retirada toda a articulação que têm com aqueles que vivem na margem esquerda da Ribeira de Oura e que dispõem de parcelas agrícolas na margem direita e com os que vivem na aldeia e possuem parcelas agrícolas na outra margem. Aliás, estão disponíveis actualmente três passagens para a outra margem que irão desaparecer (Foz do Oura, Batouco/Olgas, Cotovio e ainda a pedonal da Salpica). Aqueles que hoje fazem esses percursos a pé e não dispõem de meio de transporte o que lhes vai acontecer? e os que poderão continuar a fazer como hoje de forma motorizada quem lhe vai pagar o acréscimo de custos. Para onde será projectada a estrada municipal que faz a ligação Vidago-Arcossó-Capeludos de Aguiar?;

 

  1.  A passagem pedonal que faz a ligação entre a freguesia de Anelhe e Vilarinho das Paranheiras, com valor histórico e patrimonial e conhecida por poldrado também ficará submersa, privando todos desta articulação, em particular para aqueles que apanham em Vilarinho o autocarro de transportes públicos para fazerem as suas deslocações para Chaves ou outros locais, como o caso dos que frequentam o ensino secundário e de muitos outros que não dispõem de veículo ou de carta de condução;

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  1. Obriga à construção de nova ponte sobre o rio Tâmega na Estrada 311, submerge a ponte da estrada municipal que faz a ligação entre Arcossó e Capeludos de Aguiar no concelho de Vila Pouca de Aguiar, bem como a ponte medieval que está a seu lado e que o povo designa de Romana;

 

  1. Ficará submersa a ilha existente no rio Tâmega que faz parte da propriedade da Quinta do Calvário na freguesia de Vilarinho das Paranheiras;

 

  1. Ficarão submersas 10 habitações, em que três das quais são casas comerciais. Por sua vez, várias habitações ficarão na linha de água;

 

  1. Vários moinhos (Foz do Oura, Póia, Ranha, Gralhos no rio Tâmega) e lagares de azeite (Salpica e Cotovio, na Ribeira de Oura) ficaram submersos, bem como elementos arqueológicos existentes em couces;

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  1. A Etar da Zona da Ribeira de Oura, obra pública construída à menos de três anos, também ficará submersa e para nosso espanto a água na freguesia de Vilarinho baterá na plataforma da A24, a qual foi inaugurada exactamente também há três anos. Quem são os responsáveis pela delapidação dos recursos públicos que num espaço tão curto de tempo deixam de poder funcionar. A estação de tratamento de resíduos sólidos de Souto Velho também ficará submersa, bem como a captação de água para rega tradicional desta povoação. Todo o regadio da veiga de Arcossó ficará submerso, bem como os campos irrigados;

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  1. Diversas famílias destas três freguesias ficarão privadas de todos os seus meios de produção e sem qualquer património. Esta situação juntamente com a referida no ponto 15 irá originar problemas sociais graves e aprofundar o ciclo de pobreza desta região, uma vez que estas populações ficarão privadas de muitos dos seus meios de produção cujos impactos serão ainda superiores nas gerações futuras; e

 

  1. Quem assumirá os custos originados pelo aumento da humidade na região ao nível da deterioração dos materiais das habitações, obrigando a intervenções em períodos de tempo mais curtos, bem como com a diminuição da qualidade de vida daqueles que já sofrem de problemas do foro respiratório.

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Considerando que as barragens representam sempre uma violenta perturbação, interferindo nos equilíbrios naturais, diminuindo a biodiversidade, destruindo o património cultural e suscitando problemas sociais. Considerando que colocam sempre uma variedade de problemas que requerem uma consideração muito atenta em resultado dos impactos biológicos, climáticos, agrícolas, sociais e económicos, nos territórios e nas populações adjacentes. Se a tudo isto adicionarmos todos elementos e preocupações aqui expostos, e as implicações nos sítios, estamos plenamente convictos que o uso adequado dos recursos exige a construção da barragem à cota 300 e que só uma visão e interesse individualista permitirá um aumento da mesma, mas cujos custos a suportar serão muito superiores aos benefícios.

 

Chaves, aos 26 de Julho de 2009

 

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Domingo, 26 de Abril de 2009

A preto e branco - 4

 

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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Flavienses Ilustres - Comendador Brenha da Fontoura

 

COMENDADOR BRENHA DA FONTOURA

 

Abílio Brenha da Fontoura nasceu em Chaves em 11 de Agosto de 1894 e faleceu na cidade de S.Paulo, Brasil, em 28 de Outubro de 1975.

 

Era filho do farmacêutico Francisco Marcelino da Fontoura e Arminda Camargo Fontoura Brenha, de S. Sebastião de Tijuca-Brasil. Foi baptizado na Igreja Paroquial de Santa Eulália, de Anelhe, em 29-8-1894.  

 

Muito novo emigrou para o Brasil. Foi empregado da importante Casa Sotto Mayor, vindo a ocupar os primeiros lugares. Reconhecida e apreciada a sua inteligência e actividade, foi-lhe confiada a gerência da importante Sucursal de São Paulo.

 

Ali, na cidade dos Bandeirantes, cedo se tornou uma figura de alto relevo, não só entre a Colónia Portuguesa, como ainda em todos os meios comerciais e industriais, políticos e religiosos.

 

Dado o grande prestígio e consideração do seu nome, S. Santidade  o Papa Pio XII, tendo conhecimento das suas acções de benemerência e querendo, de forma iniludível testemunhar-lhe a sua admiração, houve por bem nomeá-lo COMENDADOR DA ORDEM DE S. SILVESTRE - PAPA, outorgando-lhe todos os privilégios inerentes a esta alta dignidade. Tal graça pontifícia foi concedida na Cidade do Vaticano em 28 de Janeiro de 1949, sendo o Breve executado pelo Cardeal-Arcebispo de São Paulo, D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, sendo-lhe entregue na sua própria residência, estando presentes altas individualidades.

 

Em homenagem à sua terra, ao seu solar na entrada de São Paulo - Rio de Janeiro, deu-lhe o nome de VILA ANELHE DE ITAIM.

 

Embora tivesse passado grande parte da sua vida no Brasil, manteve sempre forte ligação a Chaves e a Anelhe onde tinha residência.

 

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Imagem de arquivo - post de Anelhe

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Graças aos seus capitais e a influência dos seus amigos, foi aberto o troço de estrada de Anelhe à Praia de Vidago, mandou restaurar a Igreja Paroquial e construiu o edifício escolar, com as dependências exigidas pela higiene.

 

Em Chaves mandou construir a Cantina Escolar com o nome do grande pedagogo e seu tio Padre Joaquim Marcelino da Fontoura, sendo entregue à Câmara Municipal de Chaves.

 

Foi também o grande patrocinador para a construção do Jardim Escola João de Deus, situado no Largo dos Combatentes da Grande Guerra, em Chaves, o primeiro Jardim Escola de Chaves, como referiu o seu dedicado amigo Dr. Mário G. Carneiro, em 30- 10-1962, no acto de inauguração: se não fosse o Sr. Comendador A. Brenha da Fontoura, não haveria neste momento um J. Escola em Chaves.

 

A toponímia flaviense dedica-lhe uma das principais avenidas de entrada na cidade, mais propriamente a avenida que começa na Praça do Brasil e termina na Av. Bracara Augusta.

 

 

Também a toponímia da cidade de S.Paulo no Brasil lhe dedica o nome de uma rua. Brasil onde estava também ligado a obras de beneficência como por exemplo o Hospital de São Joaquim da Reala e Benemérita Associação Portuguesa de Beneficência de São Paulo, da qual foi presidente durante 10 anos (1963-1973), sendo considerado o maior e mais completo Hospital do Brasil.

 

Em livro, edição brasileira de autor, Salomão Jorge publica « Abílio Brenha da Fontoura/Um Transmontano no Brasil.

 

Em testamento, deixou a maioria dos seus bens em Portugal aos Lares de 3ª Idade então existentes em Chaves.

 

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Sábado, 5 de Abril de 2008

Anelhe - Chaves - Portugal



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Como todos os Sábados, hoje vamos até mais uma aldeia: Anelhe.

 

Anelhe é sede de freguesia, à qual pertencem ainda as aldeias de Souto Velho e Rebordondo.

 

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Passemos então à sua ficha técnica.

 

Anelhe – Sede de freguesia

Dados da freguesia

Área:12.09Km2

População residente (Censos 2001) – 538

População residente (Censos 1981) – 601

Nº de Famílias (Censos 2001) – 177

Nº de Edifícios (Censos 2001) – 315

Nº de Eleitores (Legislativas 2005) – 501

Localização: A 15 quilómetros a Sul de Chaves (via E.N. 2) e a 3 a 4 quilómetros de Vidago,  fica na margem direita do Rio Tâmega, com o qual a freguesia faz fronteira e ainda com as freguesias de Redondelo, Vilela do Tâmega, Vilarinho das Paranheiras e Arcossó (todas na margem esquerda do rio Tâmega à excepção de Redondelo)). Faz ainda fronteira com o concelho de Boticas.

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No entanto é rica em acessos, pois como já disse, a partir de Chaves, poder-se-á fazer o acesso a Anelhe (aldeia) via E.N.2, até à Ponte Seca, ou seja até ao desvio para Boticas. Também se poderá fazer o acesso via A24, até ao nó de Vidago, com saída em direcção a Chaves e de novo a Ponte Seca. Em alternativa (também a partir de Chaves) o acesso pode ser feito via E.N. 103 (Estrada Braga- Chaves), até Casas Novas, e a partir de aí (por estradas e caminhos municipais, todos pavimentados) toma-se o destino de Rebordondo (aldeia já da freguesia de Anelhe).

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Para os mais aventureiros e pessoal da canoagem, é só seguir a corrente do Tâmega e quando passar por baixo da ponte da A24, está em Anelhe.

 

Para os que gostam de passear de carro a 50 Km/h num qualquer Domingo, Sábado ou Feriado, recomendo um passeio (para uma tarde ou manhã), com alguns pontos de paragem obrigatória. O itinerário poderá começar no quilómetro 0 (zero) da E.N. 2 em Direcção a Vidago até à Ponte Seca, tomar a estrada de Boticas e logo a seguir primeira paragem obrigatória, a Praia de Vidago. Embora o espaço e a casa esteja abandonada, merece pela sua beleza uma paragem. Na praia abandonar a estrada de Boticas em direcção a Souto Velho, com uma visita ao Largo da Capela e logo a seguir temos Anelhe (paragem obrigatória) a seguir direcção a Redondelo pela estrada florestal (mas asfaltada) por entre um ainda denso pinhal que milagrosamente tem escapado aos incêndios. Em Redondelo a paragem é obrigatória para visita ao casario e ao Solar existente e ainda bem conservado (num post futuro, falaremos dele). A seguir Rebordondo e Casas Novas, também com paragem obrigatória para visita às duas aldeias que na prática é só uma, onde é obrigatório fazer visita demorada a todo o casario e aos os solares, um deles quase a abrir como Hotel Rural. A seguir tomar a E.E. 103 em direcção a Chaves, com paragem obrigatória em Curalha, visita ao Casario, Igreja, Castro, Antiga Estação da CP, moinhos, pontão e Ponte (da CP) sobre o Tâmega) e finalmente de novo a cidade de Chaves. É um dos meus passeios preferidos que recomendo a todos. Se não conseguir visitar tudo com olhos de ver num dia, volte mais tarde e faça o itinerário ao contrário, por exemplo.

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Mas vamos até Anelhe, pois é a nossa aldeia convidada de hoje.

 

Quando se fala em Anelhe vem logo à ideia os vinhos da terra. De facto Anelhe, bem como todas as encostas de Souto Velho, Vilarinho das Paranheiras e Arcossó,  tem uma localização privilegiada para a produção de bons vinhos de qualidade. Dizem que o Branco é excelente. Pessoalmente, dos que conheço, não me importo nada se numa boa mesa começar nos brancos e acabar nos tintos, pois ambos são bons. Pena é que já comecem a aparecer vinhas abandonadas pela tal falta de mão de obra jovem.

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Além da produção de vinho,  também é de referir a batata, o milho e o centeio. Mas a fama vai inteirinha para o vinho. É uma aldeia agrícola por excelência com a boa companhia do Rio Tâmega, que muito ajuda.

 

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Quanto a história, Anelhe serviu  de habitat a um povo castrejo, que edificou o seu castro na serra, em terreno xistoso, a uma altitude de cerca de quinhentos metros. Este castro é delimitado pela Geia e pelas Muradelhas, topónimos de sabor muito antigo e possível traçado de uma via romana. Bem próximo da povoação e da nova ponte da A24, encontram-se duas sepulturas antropomórficas (e que segundo o assessor cultural deste blog – piada séria) provavelmente serão do Século III ou IV (D.C.). Se quiser visitá-las, embora o acesso não seja complicado, há que arranjar um guia na aldeia. Para quem gosta, é visita obrigatória. Curiosamente, estas sepulturas não constam de qualquer roteiro e penso mesmo que não estão referenciadas ou protegidas, ou seja, é como se não existissem. Mas disseram-me os meus guias que aquilo é importante e vale muito. Vá lá, que ao menos o povo, ainda lhe dá valor.

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No centro da aldeia, em plano mais elevado que a rua, ergue-se a igreja barroca cuja padroeira é Santa Eulália. Curiosamente (e não é caso único) a festa da aldeia realiza-se dia 3 de Abril se calha num Domingo, ou então no Domingo seguinte a esta data, mas em honra de S. Brás.

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Quase em frente à igreja, do lado oposto da rua, sobre um portal apoia-se um castiço espigueiro em madeira. Aliás Anelhe, de entre as 150 aldeias do concelho, é das poucas que têm espigueiros ou canastros, alguns já fora de uso (claro, o tal mal da falta de gente para a agricultura).

 

 

 

Os famosos de Anelhe

Em Anelhe nasceram e viveram homens notáveis e famosos.

É terra natal do reverendo Joaquim Marcelino da Fontoura, que em 1893 fundou o colégio de S. Joaquim em Chaves, entre tantas outras obras, dignas de registo, que realizou.

 

Outro notável homem, pelas inúmeras atitudes de benemerência, foi seu sobrinho e comendador Abílio Brenha da Fontoura que embora nascido em Chaves, foi baptizado em Anelhe e fez parte da sua vida no Brasil. Entre outras benfeitorias, mandou edificar uma bela casa em granito, uma escola e um ramal de estrada desde Anelhe à Praia de Vidago, além de uma vivenda construída em meados do Século passado, de autoria do Arq. Anselmo Gomes Teixeira e Arq. Manuel Nunes de Almeida, tão interessante como ousada para a época e ainda perfeitamente actual. Dela dominava as vistas de toda a aldeia e do pequeno vale que se desenvolve junto ao Tâmega.

 

De relevo nas letras e na defesa do património regional, merece também um destaque especial na galeria de homens notáveis, o Padre João Vaz de Amorim que paroquiou Anelhe.

Outra figura de relevo é ainda Cândido Rodrigues Álvares de Figueiredo e Lima. A escola do primeiro ciclo do ensino básico é frequentada por 13 alunos. Funciona na aldeia a Associação Recreativa e Cultural de Anelhe.

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Mais recentes, vivos e com ligação ainda à aldeia, com casa e muitas visitas, temos o Pintor João Vieira, cujo curriculum e obra por tão extensa, não os vou transcrever, mas antes deixar um link para o ficar a conhecer melhor:

 

 

aqui

 

e também  aqui

 

É o presidente da Associação de Anelhe e pai de outro Vieira, também famoso e popular, nem que seja apenas pelas suas célebres candidaturas a Presidente da República (para ver aqui). Trata-se do Manuel João Vieira, um homem espectáculo e do espectáculo, músico dos  Ena Pá 2000 , também com ligações à Pintura e ao Teatro. Também deste são frequentes as aparições por Anelhe.

 

Disseram-me em tempos, mas nunca o pude comprovar, nem é do conhecimento da aldeia, que a famosa pintora portuguesa (já falecida) Vieira da Silva, também teria origens em Anelhe.

 

Digamos que de vinho e famosos, Anelhe está muito bem servida.

 

E para terminar, só falta mesmo abordar o seu símbolo oficial:

 

 

Ordenação heráldica do brasão e bandeira
Publicada no Diário da República III Série de 23/07/2003



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Armas - Escudo de verde, palma de ouro posta em pala, entre dois cachos de uvas de ouro, folhados de prata; em campanha, uma lira de ouro. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: “ ANELHE”
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