Sexta-feira, 29 de Setembro de 2017

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

Está a chegar a hora!...
De acordar para mudar!...

 

A mediocridade já cansa, impõe-se a transparência, a honradez, a cultura, a competência.


A suspeição apodrece as instituições.


A história merece ser respeitada, bem como a memória dos íntegros, dos honrados que aqui nasceram, aqui viveram e aqui decidiram morrer.


Chaves foi uma cidade importante, sempre estimulada por um comércio vivo, hoje decadente.


A cidade está farta desta gente no comando da autarquia.


Já se não toleram promessas feitas em 16 anos e não cumpridas.


Já se não suportam investimentos caros e inconsequentes que contribuíram para a substancial dívida que a Câmara tem e não trouxeram nada de novo ou proveitoso para os flavienses.


O “bunker” defronte do Tribunal não resiste à mais modesta apreciação arquitectónica.


Como ele só o ostensivo autocarro que circula pelas ruas proibidas da cidade e onde não se vislumbram dentro dele quaisquer personagens. Eventualmente vão lá, mas certamente temem o contacto com o povo.


Aliás, o Tribunal perdeu importantes valências e para tal contribuiu o voto a favor do mapa judiciário por uma das candidatas da lista do PSD para vereadora da Câmara.


Nuno Vaz é um cidadão íntegro que nunca dará a sua contribuição, se for eleito como se espera, para a desvalorização das instituições da cidade.


Porque é um transmontano de “antes quebrar que torcer”, um político preparado como demonstrou no último debate. É também um profissional brilhante cuja competência é reconhecida por onde tem trabalhado.


Nuno Vaz é também um homem de cultura (na sua lista não tem analfabetos…), um homem vertical que pretende criar emprego, sempre preocupado com o ambiente, a educação, a cultura e o desporto.


Homem do campo, de boa cepa, apoiará sem receios toda a actividade agrícola e florestal.


Não deixará de atender empenhadamente à acção social e à saúde, áreas que conhece também porque é um homem solidário e de princípios.


Os receios e temores dos funcionários da Câmara, que se traduzem em manifestações constantes quando solicitados pelas oposições, deixarão de se verificar.


Porque Nuno Vaz é homem de profundas e enraizadas convicções democráticas, nunca se lhe reconhecendo quaisquer laivos ditatoriais.


Nuno respeitará a história e os monumentos da nossa querida cidade milenária.


E respeitará também a memória dos homens de valores, a sua obra, homens que aqui exerceram serviço público sem dele se servirem.


Citamos à guisa de exemplo o nome do Dr. António Granjo, o General Ribeiro de Carvalho, o Coronel David Ferreira, o Dr. Júlio Montalvão Machado e tantos outros que de momento os nomes não retenho, gente honrada e íntegra, que nunca se dobrou a quaisquer interesses menos limpos.


O Nuno Vaz é a esperança para o futuro da nossa cidade e concelho.


Os flavienses estão fartos de quem os tem governado, querem a mudança e os ventos que sopram já a anunciam.


Com Nuno Vaz e todo o nosso apoio, VAMOS ACORDAR CHAVES!!

António Roque

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:58
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Sábado, 23 de Setembro de 2017

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

Minha Senhora, minha.

 

                        Há coisas que não entendo.

 

                        Eu não entendo a doença que fere e pode matar gente.

 

                        Eu não entendo a crueldade que petrifica os sentimentos das pessoas.

 

                        Continuo a não perceber as calamidades que destroem, que semeiam fome e miséria, bem como o estado dormente de quem manda, se é que alguém manda.

 

                        Não entendo também a ignorância assumida, a inveja incontrolável, a vaidade que supera todos os desígnios e que vira maldade incompreensível.

 

                        Entendo, no entanto, o sol que alivia a depressão, que oculta o nevoeiro que definha as mentes.

 

                        Entendo as águas dos rios que empurram outras para a imensidão dos oceanos que atemorizam e assustam.

 

                        Entendo-te a ti, minha senhora minha, que me falas dos confins e persistes em não aparecer.

 

                        Eu estou à tua espera no fim de todos os caminhos de braços abertos para estreitamente te apertar.

 

                        Esse dia, dizem-me os santos em que não acredito, chegará vindo de nuvens embaladas pela brisa com cheiro a camélias e jasmins.

 

                        Estou cansado, um pouco doente e entristecido, mas quero que saibas até porque “a dor também precisa de respiro” que TE AMO,

 

                        Minha senhora minha.

 

António Roque

 

 

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Sábado, 29 de Julho de 2017

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

Dina, princesa negra

 

                        As mulheres tratavam das pequenas leiras, com os filhos no dorso baloiçando.

                        Envolviam-se em panos do Congo próximo, garridos, de belos desenhos, que as embelezavam.

                        Na zona não eram demasiado negras, antes tinham uma tez que lembrava as mulheres de Cabo Verde.

                        Na lavra trabalhavam duramente.

                        No meio do capim conseguiam parir sozinhas.

                    Bebiam, dançavam frenéticas ao som do batuque e aquando de um óbito deixavam moeda aos familiares do falecido e faziam farra para minorarem a saudade e a dor do ente querido que partia.

                        Um adolescente de 12/13 anos que me acompanhava sempre que podia e a quem eu ajudava, que era tratado pelos meus camaradas de armas por buta Costa (o pequeno Costa), porque o grande era eu, disse-me um dia que a Dina gostava de me conhecer.

                        A Dina era falada pelo pessoal da “guerra”, não só pelos seus 16/17 anos mas também pela sua beleza negra com sua boca sensual plantada no rosto perfeito.

                        Vivia na sanzala, mas fora educada pelos padres da missão. Sabia estar, contar e escrever pelo seu nome falando, para além do seu dialeto, um português escorreito com um sotaque “bonito mesmo”.

                        Aos que a catrapiscavam, educadamente brindava-os com um sorriso furtivo.

                        Dos outros, ela, ladina, fugia para a missão ou para a proteção paterna.

                        A Dina para mim era África, castanha de sóis irreais.

                        Quando de jipe, ao fim da tarde passava a caminho do quartel, vi-a à sombra de um embondeiro com acácias por perto, mascando folhas e esperando a chuva que caía sempre ao fim da tarde sobre a terra quente deixando um cheiro agradável e inconfundível que se impregnava nas narinas.

 

                        Um dia ao passar ouvi a Dina cantar.

                        Cantava em voz doce e negra.

                        Fiquei em silêncio, embevecido, a ouvi-la.

                        Quando viu que a escutava parou a melodia e eclipsou-se.

                       

                        Estive 8 meses em terra da Damba.

                        Depois rumei a Luanda, à justiça militar.

                        Regressei ao Puto (metrópole) 20 meses mais tarde.

 

                        De África trouxe o meu espanto pela enormidade de Angola, pela beleza da baía de Luanda, trouxe também o sabor da água do Bengo que bebi, e sobretudo,

                        O sorriso único da Dina, que me enfeitiçou de tal sorte que ainda hoje me aparece nas paredes do meu quarto e me ilumina.

 

António Roque

 

 

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Sábado, 15 de Julho de 2017

Pedra de Toque

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pedra de toque copy.jpg

 

 

 

 

 

 

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Sábado, 17 de Junho de 2017

Ilumina-me, poesia de António Roque

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Hoje em vez da Pedra de Toque de António Roque, vamos falar um pouco do poeta António José Roque da Costa e do seu livro de poesia “Ilumina-me”, apresentado no passado dia 9, na Biblioteca Municipal de Chaves.

 

roque-biblio.jpg

 

Mas antes regressemos um pouco no tempo, mais precisamente (isto se a memória não me atraiçoa) ao dia 6 de janeiro de 1977, quando um pequeno grupo de estudantes do Liceu de Chaves, com duas violas, uma flauta, ferrinhos e pandeireta, resolveu cumprir a tradição do cantar dos reis aos vizinhos, iniciando precisamente na casa de António Roque.  Como mandava tradição, escolheu-se uma música e letra do reportório tradicional dos cantares dos reis, deu-se os vivas aos senhores da casa e no final a porta abriu-se com o convite para entrar e cantar umas canções da época, ainda canções de abril, de Zeca Afonso, Adriano, Fausto , Sérgio Godinho, Manuel Freire, Janita e Vitorino Salomé…, à mistura com poemas de Manuel Alegre, entre outros.  Aquilo que se programou ser uma noite de cantar dos reis pelos vizinhos, acabou por ser uma noite na casa de um vizinho a cantar canções de Abril com muita poesia à mistura. António Roque já tinha nome na praça com advogado, mas nessa noite ficámos a conhecer o António Roque amante de poesia e das canções de Abril, mas também o António Roque declamador de poesia e de poetas. Uma noite inesquecível, daquelas que não se repetem e que revelava já o António Roque poeta.

 

a-roque-3

 

Este livro de poemas já há muito que se esperava e é até ele que agora vamos, iniciando pela biografia, apresentada pelo autor na primeira pessoa:

 

“Nasci em Chaves, bem no “caroço” desta cidade milenária.

Corria o longínquo ano de 1943.

Por aqui frequentei a escola primária e o Liceu Fernão de Magalhães.

Durante dois anos fui aluno do Liceu Castelo Branco, em Vila Real, e aí concluí o sexto e o sétimo ano, alínea de Direito.

Em 1961 rumei a Coimbra, onde cursei a Faculdade de Direito da vetusta universidade.

Vivi intensamente Coimbra da saudosa década de 60, participando com empenho nos movimentos académicos e em alguns organismos da Associação, como Coro Misto e CITAC.

Na Lusa Atenas, concluí meu curso mas, entretanto, apaixonei-me pela cidade, pelo teatro, pela poesia e pela política.

Depois de uma ida “à Guerra, de onde voltei, à triste paz destes rios”, dei aulas durante poucos anos e em cerca de quarenta anos, exerci advocacia, com escritório na minha amada cidade.

Por aqui me mantenho , usufruindo o vale e as serras que me rodeiam, abraçando os amigos que me estimam e escrevendo uns pequenos textos e alguns poemas para meu gáudio pessoal e dos que, simpaticamente, me vão lendo.

Por aqui quero ficar.”

 

a-roque-2.jpg

 

 

E nós também vamos ficar por aqui, mas antes, fica ainda o poema que,  com a caricatura de autoria do Mestre Nadir Afonso,  consta na contracapa do livro.

 

A DANÇA

 

A dança é o sorriso do corpo!...

 

E a boca

Para onde grito calado,

É o princípio de ti.

 

 

 

 

 

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Sábado, 27 de Maio de 2017

Pedra de Toque

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PARA JÁ ME BASTAM…

 

Quando o desespero passa por mim, deixa-me marcas e eu, acolho meu corpo nas águas límpidas que regam as orquídeas e as rosas de Angola, flores de África que permanecem coladas aos meus olhos e ao meu cheiro.

 

A inquietação mexe por dentro e projeta-me para os sonhos irreais, por vezes doces, por vezes tumultuosos.

 

A certeza de que gosto de ti, apesar de insistires em manteres-te ausente, amacia-me a vida.

 

 

Nem que seja só por mim, vem e traz o teu sorriso branco e ainda aquela camélia que nasce no teu peito todas as primaveras,

Por ora, já me bastam…

 

António Roque

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Sábado, 20 de Maio de 2017

Pedra de Toque

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                        Dá-me a tua boca

 

                        Escrever,

                        É tantas vezes esquecer.

 

                        Eu vou sofrendo, vou esquecendo

                        Vou sonhando.

 

                        Porque,

                        A felicidade acontece

                        Nas estrelas do teu corpo.

 

                        Dá-me a tua boca,

                        Para eu respirar.

 

 

                       António Roque

 

 

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Sábado, 22 de Abril de 2017

Pedra de Toque

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AI, QUEM ME DERA…

 

                   Hoje, eu queria

                   Desvendar teus segredos

                   Sondar teus mistérios

                   Acordar exausto entre os teus seios.

 

                   Toca para mim, amor

                   Uma sonata em dia de chuva,

                   E traz-me os teus olhos verdes

                   E o cheiro das rosas brancas

                   Que entra intenso

                   Pelas fendas da alma.

 

                   Ai, quem me dera

                   Morar em ti!...

                       

António Roque

 

 

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Sábado, 1 de Abril de 2017

Pedra de Toque

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O AMOR É ASSIM!...

 

                   Desce a montanha, solta o cabelo,

                   Não pises os jasmins que te aparecerem no caminho,

                   E vem ter comigo.

                   Eu espero-te na cidade deserta,

                   Preenchida tão só pelos monumentos,

                   Que a história nos legou.

                   Estarei à beira rio, sentado numa pedra,

                   A apreciar absorto a velha Madalena,

                   Espelhada nas águas remansosas do Tâmega.

 

                   Vem, traz as mãos, o teu corpo, as tuas causas,

                   Que enredadas nas minhas nos levarão pela cidade linda,

                   Carreando a indignação contra o compadrio reinante,

                   A ignorância que grassa, contra a corrupção que se sussurra,

                   Contra o imobiliário que domina, sempre, sempre, de braço dado com negócios estranhos.

                   Os nossos filhos querem uma cidade viva, uma cidade dos e para os flavienses, com sua história preservada.

                   Temos de lembrar o que anda esquecido, ou seja, QUE O FUTURO TEM PASSADO.

                   Tu, ao meu lado, serás pilar, serás ajuda para despertamos as gentes que imperiosamente têm de acordar.

                   A tarefa que me proponho contigo é ciclópica, é gigantesca, quiçá, ilusória, até porque o medo cerceia a coragem.

                   Mas com a luminosidade dos teus olhos, com a força dos teus dedos, e com a música das palavras que a tua boca profere, chegaremos a bom porto, companheira.

 

                   Já cansados, com o crepúsculo a aproximar-se, regressemos ao rio, em busca do amor que nos poderá revigorar para cumprirmos nosso desejo.

                   Deixemos as pontes, que são miragens para a outra margem, e caminhemos junto aos choupos com a passarada a testemunhar nossa presença.

                   Porque “o amor cria-se em qualquer chão” (Miguel Torga, dixit) faremos da lameira nosso poisio para eu saborear com ternura teu colo, para segredarmos nossa paixão, para darmos imaginação às mãos na descoberta dos nossos corpos e avidez às nossas bocas suculentas, até à plenitude, até ao êxtase, até à loucura da vertigem.

 

                   Depois do silêncio nos brindar, recompostos, imaculados, iniciaremos o retorno à cidade fantasma mas mais leves, mais fortes, mais unidos para o combate porque quem não luta perde sempre (Brecht).

                   Os pássaros seguiram-nos com o seu chilreio.

                   Ao longe o latido de um cão.

                   Num instante começou a escurecer.

                   A felicidade está nestes cibinhos.

 

                   O amor é assim, o amor é assim…

                   Pelo menos para mim!...

                       

António Roque

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Sábado, 25 de Março de 2017

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

VI-TE, UM DIA…

 

Na tua tez só o sorriso que esboçavas, irradiava.

 

Estavas sentada num banco de um jardim desflorido, poeirento e permanecias inerte às pessoas raríssimas que passavam junto a ti.

 

Gostei dos teus cabelos lisos, despenteados (uma preferência muito antiga).

 

Resolvi depois de dar umas voltas por entre a poeira e o lamaçal, sentar-me num banco algo distante do teu mas donde podia adivinhar-te os pensamentos e a inquietude que te perturbava.

 

 Seguia o teu olhar que parecia medir os troncos despidos das enormes árvores onde não cabia o teu abraço.

 

Senti tremer meu coração, enquanto a brisa esfriava.

 

Num instante cobicei a brancura do mar imenso que não estava por ali, mas tão só o rio que corria remansado.

 

Por momentos olhei-me por dentro.

 

E vi aquele jardim verde (ai verde, que te quero verde…), frondoso, florido, pasto de amores incontidos da juventude onde, o chilrear dos pássaros e a melodia das bandas, enlevavam.

 

Quando despertei vi-te já longe meneando teus cabelos compridos revoltos, seguindo elegante e distinta, para o mundo, para o sonho.

 

O entardecer aos poucos escondeu-te o vulto.

 

Fiquei triste como o breu.

 

Apeteceu-me então rezar à “Nossa Senhora das Coisas Impossíveis que acreditamos em vão…”, que por vezes faz o favor de me aturar.

                       

António Roque

 

 

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Sábado, 11 de Março de 2017

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

Chaves, março 2017

 

Tenho de te escrever.

 

Devo-te esta carta já há algum tempo.

 

É a forma que tenho de estar comigo e contigo com mais intimidade.

 

Leio-te em comentários fogazes de quem me sente, retendo meus olhos nas tuas fotos onde me apareces cada dia mais longínqua.

 

Eu vou vagueando para ti, recuperando de um ano que passou e que não foi bom.

 

Sozinho, dolorosamente sozinho, como nunca estive.

 

O meu tédio combato-o com as palavras que vou desenhando nestas folhas, arredio dos sonhos com que ia, temerariamente, adoçando a minha vida.

 

Não sei, ou talvez saiba onde estás…

 

Julgo-te embrulhada na descrença, no desânimo, no pessimismo, na renúncia à partilha.

 

O sol que tem dissipado a névoa e o frio penetrante, têm-me salvado da tua imagem que se desfaz na bruma, quando te procuro, sem encontrar teus lábios, cuja cor os distinguem e que doces de húmidos sempre me apetecem.

 

O teu olhar mantém a neblina do desejo frenético contigo.

 

Que saudades tenho das tuas pernas que tremendo toquei, quando a meu lado viajamos na noite, que não consegui encantar.

 

Gentes pela vitória do clube da minha cidade que me habituei a gostar, desde que menino e moço ia ver os jogos pela mão segura do meu saudoso pai.

 

Foram breves instantes que clarearam a minha vida e que levaram a tristeza para outras paragens.

 

Hoje a tua voz suave e quente foi um surto de encantamento que me chegou ao âmago e se abraçou ao meu sentimento.

 

Quedei-me sereno, roendo uma maçã no teu regaço.

 

Fica bem. Um beijo.

 

António Roque

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Sábado, 4 de Março de 2017

Pedra de Toque

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                        Até a primavera nos florir…

 

                        Há tanta emoção no ar,

                        Que nem o frio nem a chuva

                        A conseguem ignorar.

 

                        As palavras são pequenas

                        E não descrevem serenas

                        As levadas que em sobressalto

                        Deslizam pelo teu corpo.

 

                        Quero-te encantada a mim

                        Respirando para meus sonhos

                        Pela tua boca carmim.

 

                        Olha com meus olhos

                        A brancura da geada…

                        E no meu ombro,

                        Escuta o silêncio do vento

                        Que sopra ao ritmo acelerado

                        Dos meus beijos.

 

                        Nas minhas mãos,

                        Antes que desperte a madrugada,

                        Aquece teu coração,

                       

                        Até a primavera nos florir…

 

                            António Roque

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:42
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Sábado, 18 de Fevereiro de 2017

Pedra de Toque

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Coro Misto da Universidade de Coimbra



Nas férias da Páscoa de 1964, o Coro Misto da Universidade de Coimbra, efectuou uma digressão pelo norte do país e realizou um sarau em Chaves, no velho e saudoso Cine-teatro.

Para além da exibição coral, o Coro apresentou também o seu grupo de fados de Coimbra, cuja estrela era o jovem Bernardino, a quem carinhosamente tratávamos por Berna,e que mais tarde veio a fazer grande sucesso na Lusa Atenas.

O espectáculo foi um êxito.
Havia dois flavienses no grupo, eu e o meu estimadíssimo colega e grande amigo, Dr. António José Gomes Teles Grilo.

Fomos recebidos com a reconhecida hospitalidade flaviense.

Os colegas adoraram "a cidade linda" e na partida levaram saudade.

Após a récita, fomos brindados com um beberete e um bailarico nos espaços do antigo Duque de Bragança, festa que a comissão de antigos estudantes de Coimbra, que organizou a recepção, nos ofereceu.

 

est-coimbra.jpg

 

Na foto que posto, tirada na dita festinha, estou acompanhado de uma bonita colega, de quem fiquei muito amigo, e por um ilustre flaviense, na altura "jovem", com pouco mais de quarenta anos.


Reconhecem-no?



Foi tudo no tempo em que tínhamos muito orgulho na nossa cidade milenar.



António Roque

 

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Sábado, 24 de Dezembro de 2016

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

O SORRISO DAS CRIANÇAS

 

Os antepassados, ainda que por momentos, vêm sempre à minha ceia de Natal.

 

Viajam nas asas do menino Jesus ou nos trenós do Pai Natal.

 

Entram na nossa memória e depois diluem-se na alegria dos filhos e sobretudo nas gargalhadas e na euforia dos netos, que olham ansiosos para os embrulhos das prendas.

 

A reunião à volta da mesa já dura pouco mais que o repasto. A televisão veio estragar, veio intrometer-se no convívio das famílias, nas conversas que tantas vezes se prolongavam até à hora da missa do galo.

 

Vai-se mantendo contudo, ainda que de forma mais restrita, a ementa alusiva à época.

 

O bolo-rei e o polvo são reis na mesa bem como a doçaria tradicional. Ai as minhas filhós de jerimum…

 

No fim as crianças, ávidas, abrem os embrulhos e rejubilam com os presentes.

 

Os adultos, por vezes, também são brindados.

 

Eu este ano tive uma prenda muito especial, que ficará para sempre gravada na minha lembrança.

 

Quiçá os deuses, mas sobretudo, os médicos, enfermeiros e auxiliares dos cuidados intensivos e intermédios do Hospital de São João, com extrema competência, simpatia, desvelo e carinho “ressuscitaram-me” um ente muito querido e ofertaram-me a mais gostosa prenda de Natal que tive em toda a minha vida.

 

Para eles o mais perene agradecimento.

 

Para esquecer as agruras e a saudade dos que me cuidam lá de muito longe… neste Natal também estará o sorriso dos meus netos.

 

Que melhores prendas eu podia ter?!

António Roque

 

 

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Sábado, 19 de Novembro de 2016

Pedra de Toque - No retrato de onde me olhas...

pedra de toque copy.jpg

 

No retrato de onde me olhas…



Este outono, tem sido o inverno do meu desassossego, do meu descontentamento.

Dura há mais de um mês dentro de mim.

Carregado de névoa, por vezes de negritude, que provocam sofrimento, dor intraduzível.

O sono não chega e quando espreita não tranquiliza, por isso as noites doem.

O teu sorrido que sempre me perseguiu e me iluminava na tristeza não estava lá,

Substituíram-no por tubos e por máquinas.

Eu bem implorei aos santos que não tenho.

O meu fervor era tanto que, se calhar, ouviram-me.

Creio, contudo, que as preces dos muitos, muitos amigos que tens, surtiram efeitos.

Há cinco dias, pela primeira vez, a tua mãe deu-me a nova que os médicos lhe transmitiram:

O pulmão começou a regenerar e pronunciaram, então, a mágica palavra que, angustiado e dolorosamente, desesperava ouvir.

A minha filha apresentava melhoras, ainda que ligeiras.

Ontem já esboçou um sorriso e a esperança inundou-nos o coração.

No retrato de onde me olhas e proteges, no nosso escritório, muito junto a mim,

Eu vi, claramente visto, um brilho nos teus olhos lindos e um esgar de vida que me emocionou até à comoção.

Foi então, milagre dos milagres, que o sol começou a raiar bem no centro do meu peito, espraiando-se por toda a alma.

E o dia aos pouco clareou…



António Roque

 

 

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