12 anos

Sábado, 8 de Abril de 2017

Arcossó - Chaves - Portugal

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Na ronda pelas nossas aldeias, hoje vamos até Arcossó, com os três olhares habituais e as três formas diferentes de olhar.

 

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Arcossó ali à beirinha de Vidago. Curiosa esta referência que é bem demonstrativa como ao longo dos tempos a ruralidade e a sua principal fonte,  a agricultura, foi cedendo à força da industria, do turismo e das vias de comunicação. Isto porque tempos houve em que Arcossó era a referência para as aldeias vizinhas.

 

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Coisas do tempo ou dos tempos que hoje em dia pouco agradáveis são para o ser rural, onde os únicos ventos que sopram, cada vez mais convidam à partida e deixam para trás o espírito único daquilo que era a cultura rural.  

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:48
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Sábado, 24 de Outubro de 2015

Arcossó e um pouco da sua História

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Sempre gostei de saber um bocadinho da História dos lugares e se analisarmos os seus documentos com independência, bebendo um bocadinho em todas as suas fontes, ou versões, compreenderemos muito melhor as realidades de hoje.

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E a História é ingrata com Arcossó. Não quero com isto dizer que a História falseia a realidade de hoje, não é isso, é antes uma forma de dizer que Arcossó merecia um melhor lugar na sua história que, os acontecimentos sociais, económicos e até políticos dos finais do século XIX e primeiro quartel do século XX, fizeram com que ao longo deste último século Arcossó fosse perdendo a sua importância, cedendo-a a Vidago, tudo isto porque a riqueza das águas minerais se sobrepuseram à riqueza da terra do vale da ribeira de Oura, então domínios de Arcossó.

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Inclusive, e esta foi uma decisão meramente política, foi uma das sacrificadas ao perder recentemente o seu estatuto de freguesia, passando a pertencer a Vidago. Tudo isto em prol de uma reforma do estado que se ficou pelo elo mais fraco sem reformar o que verdadeiramente deveria reformar, coisas dos de Lisboa…

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E se esta transferência social e politicamente até foi mais ou menos pacífica, ou mesmo pacífica, porque Vidago se desenvolveu graças às águas minerais e ao seu aproveitamento no grande boom da moda do termalismo, desenvolvendo e enriquecendo também assim as povoações mais próximas e o próprio concelho. Já na maioria das nossas aldeias de montanha e perda da importância da agricultura deu-se sem qual quer troca ou enriquecimento, antes pelo contrário, tem dado para o despovoamento e envelhecimento da população que ainda resiste.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:36
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Domingo, 4 de Março de 2012

Mosaico da Freguesia de Arcossó - Atualização

 

Continuando então a análise dos resultados do novo CENSOS passamos à freguesia de Arcossó.

 

100 anos na história da humanidade pouco ou nada significam mas na história dos lugares, já tem outro significado e, terras há que há 100 anos atrás não eram nada e hoje afirmam-se no terreno mas o contrário também é verdade.

 

Arcossó, há 100 anos atrás , era uma das freguesias mais habitadas do concelho, e na prática era apenas uma aldeia. Na altura, Vidago estava a dar os primeiros passos, mas quis o destino das riquezas locais ligadas às águas minerais, uma estação de comboios e a moda do termalismo transformar Vidago primeiro numa aldeia com importância e mais tarde numa Vila, chamando a si a sua importância deixando para trás a sua freguesia inicial – Arcossó.

 

 

Em 1920, ainda não existia a freguesia de Vidago, Arcossó tinha 1.572 habitantes residentes. Em 1930 Arcossó só já tinha 688 habitantes residentes, mas a nova freguesia de Vidago, estreava-se nos primeiros CENSOS com 1.256 habitantes.

 

Deixemos os tempos de há 100 anos e vamos para os tempos atuais e para os resultados dos CENSOS de 2011 onde Arcossó não foge à regra da perda de população. Menos 40 habitantes residentes, menos 3 famílias, menos 7 alojamentos e mais 5 edifícios, tendo como relação o ano de 2001.

 

 

Ainda antes de passarmos ao gráfico e aos números comparativos, quero ainda realçar que agricolamente falando, Arcossó ainda é uma terra rica onde graças a um micro clima, tem além de outros produtos, excelentes vinhos. Que fique registado para memória futura que, a levarem a efeito as barragens do Tâmega, grande parte do território de Arcossó ficará submerso além de os estudiosos preverem que a subida das águas irá afetar as  terras de cultivo sobrantes ou não submersas. Será pela certa mais um convite ao abandono ou apenas se limitará a ser uma aldeia dormitório. Vamos esperar para ver as consequências mais ou menos desastrosas de uma barragem que está mais que provado que nenhuns benefícios trará para a região, antes pelo contrário.

 

Vamos então ao gráfico atualizado:

 

 

População Residente:

 

 

Em 1900 – 1 223 hab.

Em 1920 – 1 572 hab.

Em 1940 – 674 hab.

Em 1960 – 771 hab.

Em 1981 – 572 hab.

Em 2001 – 365 hab.

Em 2011 – 325 hab.

 

Nº de famílias por local de residência


Em 2001 – 138 famílias

Em 2011 – 135 famílias

 

Nº de alojamentos


Em 2001 – 277 alojamentos

Em 2011 – 270 alojamentos

 

Nº de edifícios


Em 2001 – 264 alojamentos

Em 2011 – 269 alojamentos

 

 

Link para os posts neste blog dedicados à freguesia:

 

- Arcossó (3.Maio.2008)

 

- Mosaico de Arcossó (14.fev.2009)

 

           

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:39
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Sábado, 26 de Março de 2011

Bons Vinhos Premiados - Quinta de Arcossó

É sempre uma honra para este blog poder aqui trazer notícias destas, das nossas coisas boas que são feitas com as coisas da terras e os saberes da nossa gente e, é também uma prova de que querendo e trabalhando, somos bons ou melhores do que muito daquilo que se faz por esse Portugal fora e estrangeiro e sem segredos, pois estes estão na terra, no trabalho e num bom apoio técnico. É quase o suficiente para a qualidade e para o sucesso, depois, só falta mesmo a promoção dos nossos produtos e levá-los por esse mundo fora, mas aí, há outros actores e apoios que têm de obrigatoriamente entrar na promoção do que é nosso, mas geralmente andam entretidos e distraídos com outras coisas… até daquilo que nem existe.

 

Da minha parte dou os parabéns à Quinta de Arcossó por mais este prémio.

 

Para saber mais sobre os vinhos e a Quinta de Arcossó, veja o que foi dito aqui:

 

http://chaves.blogs.sapo.pt/420334.html


 

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 13:00
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Quarta-feira, 31 de Março de 2010

Por este Rio Tâmega Abaixo

 

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Há dias os que mandam, os de Lisboa, muito ofendidos, alertaram para o perigo que havia de comparar Portugal com a Grécia…que devíamos estar caladinhos, dar outra imagem para o exterior, esconder (ao fim ao cabo) aquilo que somos. É fácil esconder e ficar calado quando se tem a barriguinha cheia e se vive no meio de mordomias, ignorando sem desconhecer, a realidade de milhares (ou serão já milhões) de portugueses que vivem de misérias e em plena ou à beira da pobreza. É fácil disfarçar os problemas reais com golpes de teatro que até os mais crédulos reconhecem e até se aproveitam da representação teatral, ou seja, é como nos filmes, parece real, mexe com os sentimentos das pessoas, mas tudo não passa de uma mentira.

 

Por cá, há anos que se vive em plena mentira aceite e instituída até, sem ninguém fazer ondas, vivem-se os silêncios da miséria, onde oportunismo colaboracionista pode dar umas migalhas, ou então, por cobardia e o medo manter as que possuem. Estamos nessa.

 

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Para memória futura

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Tudo são números, quadros e tabelas de Excel manipulados em atraentes gráficos coloridos e não fosse o olhar atento da fiscalização da nossa desgraça, neste momento, pela certa estávamos a par dos melhores da Europa e não ao lado da Grécia. Portugal é o país da mentira e até se louva e admira quem mente melhor, havendo até um certo gozo em aldrabar e ser aldrabado… mas com algum requinte, com cara séria de sério, que nisso, vai-se mantendo a “nobreza”.

 

Só a título de exemplo, tomemos alguns. Ainda há poucos anos Portugal era um dos países que tinha uma das maiores taxas de analfabetismo. Hoje, graças ao RVCC, Portugal iguala os melhores da Europa em termos de formação e, só mesmo um burro de 4 patas é que não tem (no mínimo) o 12º Ano. E o que é o RVCC!? Pouco interessa, mas é uma coisa que nuns meses, resolve 12 anos de estudos… Também daqui a uns anos, Portugal deverá ser um dos países com mais variedade licenciados e licenciaturas, mestres e doutores para tudo, o progresso do país exigia-o, no entanto o problema de progresso não se devia à falta de doutores e engenheiros, mas à falta de produção com operários e técnicos qualificados condignamente pagos e tratados como merecem, com o apoio de um estado que deveria preocupara-se em defender-lhe os interesses, a produção, habitação, saúde, educação e formação (profissional), em vez de se preocupar com a capoeira de pavões e cagões.

 

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Toda a veiga de Anelhe, Souto Velho, e Vilarinho das Paranheiras, incluíndo pontão, serão submersas

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Os concursos públicos (de todos os tipos) são outra das mentiras instituídas em Portugal. Abre-se concurso para tudo e mais alguma coisa, dá-se-lhe um ar institucional de seriedade e legalidade, com montes de papéis e depois distribui-se por familiares, afilhados, compadres, cores partidárias e no fim, ainda sobra alguma coisa para os gajos porreiros.

 

Enfim, poderia estar para aqui a gastar o meu latim durante páginas e páginas com exemplos, vergonhosos e escandalosos até, mas estaria a desviar-me do assunto que quero trazer aqui hoje e que são, as não menos vergonhosas e escandalosas barragens que vão destruir o Rio Tâmega para sempre, sem possibilidade de retorno, contra todas as correntes do bem senso, tendo como base mais um negócio dos e para os grandes feito com mentiras e omissões.

 

Já há muita gente empenhada em saber a verdade das barragens e, contradizendo o texto dos parágrafos anteriores, são gente e organizações sérias. Estranhamente, ou talvez não, não vejo os actores políticos da região a manifestarem-se (defender, repudiar ou até informar) sobre esta problemática das barragens. Preferem o silêncio e deixa correr o que é ditado desde os negociantes de Lisboa, mas sempre gostaria de saber qual é a opinião dos principais partidos políticos ou dos seus representantes locais e da região. Não sei qual a opinião do PSD, do PS, do CDS e do PCP o que me leva a entender o silêncio como consentimento. Também não sei o que pensam, nem se manifestam, os nossos dois deputados flavienses. Também não é conhecida ou clara a posição dos municípios ribeirinhos do Tâmega (Chaves, Boticas, Vila Pouca, Ribeira de Pena), que inicialmente se alinharam no negócio com a EDP (para mamar algum – é este o termo) e que agora se ficam pelo silêncio público, sem informar as populações e, apenas, reivindicando (parece-me) algum do pilim do negócio, não demonstrando qualquer preocupação com os malefícios das barragens. A população merece ser informada ou não serão os autarcas os principais representantes da população!?

 

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Moinhos, pontes (românicas) e recentes, estradas, veigas e casas, serão submersas

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Da minha parte, continuo à procura de informação, mas por aquela que me é disponibilizada, continuo a dizer um NÃO bem rotundo e convicto às barragens. Convençam-me do contrário e eu mudo de opinião. Para já é NÃO às barragens do Tâmega, sim ao rio Tâmega.

 

Quem concordar e estiver informado, não esqueça que circulam na NET e em papel algumas petições contra as barragens do Tâmega. Deixo por aqui, aquela que nos é mais próxima. Click na imagem, leia a petição e se concordar, não deixe de a assinar.

 

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http://www.peticaopublica.com/?pi=tamega

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E se o problema das barragens começa aqui bem próximo de nós, mais propriamente a partir das freguesias de Redondelo, Anelhe, Vilarinho das Paranheiras e Arcossó (todas com a barragem a inundar-lhe terras e construções), o problema vai-se agravando para jusante, com a construção das restantes barragens em cascata, sendo sem qualquer dúvida, Amarante, a cidade mais sacrificada e que poderá vir a ser catastroficamente a mais prejudicada. O Rio Tâmega é só um e é tão nosso como em Amarante, é de todos aliás, por isso um pouco de solidariedade de todos, precisa-se  e é urgente.

Fica para conhecimento um manifesto com origem em Amarante, resultante da manifestação de dia 13 de Março.


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A ponte da Praia de Vidago e parte da estrada nacional serão submersas

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PNBEPH - RIO TÂMEGA
MANIFESTO SALVAR O TÂMEGA

Com a manifestação de 13 de Março, realizada em Amarante, o movimento de associações, partidos políticos, movimentos e cidadãos participantes na acção designada «Salvar o Tâmega» apresentaram e subscreveram o “Manifesto Salvar o Tâmega”, enviado a diversas instâncias da administração do Estado no dia 25 de Março de 2010.
Este documento, conforme o texto a seguir, protesta contra a construção de 6 grandes novas barragens na sub-bacia do Tâmega, provando que os benefícios são demasiado reduzidos para justificar os avultados prejuízos que se antevêm, quando há alternativas viáveis que deveriam ser prioridade para o País.

MANIFESTO SALVAR O TÂMEGA



Ao cuidado de
Sua Exa. O Presidente da República, Prof. Dr. Cavaco Silva
Sua Exa. O Primeiro Ministro, Eng. José Sócrates
Sua Exa. A Ministra do Ambiente, Eng.ª Dulce Pássaro
Sua Exa. O Ministro das Finanças, Dr. Teixeira dos Santos
Sua Exa. O Presidente da Autoridade Nacional da Água, Eng.º Orlando Borges
Sua Exa. O Ministro da Economia da Inovação e do Desenvolvimento, Dr. Vieira da Silva


O recente processo de consulta pública ao Estudo de Impacte Ambiental (EIA) das duas Barragens em Fridão, no rio Tâmega, evidenciou os seus enormes impactes negativos e, ao mesmo tempo, o elevado número de cidadãos, especialistas, associações e movimentos cívicos que se opuseram à sua construção. Terminado este processo, e enquanto decorre a consulta pública ao EIA de outras quatro novas grandes barragens projectadas para a sub-bacia do Tâmega (Vidago, Gouvães, Daivões e Padroselos), esses mesmos movimentos cívicos e um crescente número de cidadãos juntam-se para exigir a renúncia da construção destas 6 novas barragens ou a refutação cabal dos vários pontos que justificam esta exigência:


1 - Fracos benefícios

Produção de electricidade
As seis barragens previstas para o rio Tâmega representam um acréscimo de apenas 1,61% na produção de electricidade em Portugal, algo facilmente obliterado por um ligeiro aumento do consumo de electricidade (só entre 2000 e 2007 Portugal aumentou o consumo em mais de 20%).

Independência energética
Portugal importa combustíveis fósseis como fonte de energia; no entanto, só uma pequena percentagem é utilizada na produção de electricidade e estima-se que as seis barragens previstas para o Tâmega venham a representar uma redução de apenas 0,25% da importação nacional de petróleo.

Alterações climáticas
Estas seis barragens poderão reduzir as emissões de gases de efeito de estufa (GEE), responsáveis pelas alterações climáticas. Porém, essa redução é insignificante (na ordem de algumas décimas em termos percentuais) em relação ao total nacional, admitindo-se ainda neste cálculo que não há emissões significativas de metano pelas albufeiras criadas (provenientes da decomposição da matéria orgânica e plantas do solo inundado e de prováveis fenómenos de eutrofização). Acrescente-se ainda que a poupança referida só será atingida ao fim de quatro anos (devido às emissões associadas à construção das barragens).

Criação de emprego
Terminada a sua construção, estas novas barragens serão insignificantes a nível de emprego, uma vez que actualmente muitos empreendimentos idênticos não têm absolutamente ninguém a operá-las no local. Pelo contrário, perdem-se empregos, especialmente a nível regional, devido à destruição de solo produtivo, à perda das águas bravas que alimentam o turismo e o desporto, à deslocação de pessoas, entre outros motivos.

Armazenamento de água
As seis novas barragens previstas para o Tâmega poderão constituir uma reserva de água útil para abastecimento e combate a eventuais incêndios, mas por outro lado serão afectadas várias captações de água existentes e fontes de águas termais, e a reserva de água não consegue justificar o investimento e prejuízos.

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A ponte da Praia de Vidago e parte da estrada nacional serão submersas

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2 - Prejuízos avultados

Qualidade da água
Seis novas albufeiras de água parada em substituição de um rio corrente irão provocar uma deterioração da qualidade e saúde ecológica da água, numa altura em que mesmo sem as barragens já será difícil atingir os requisitos da Directiva Quadro da Água (atingir o bom estado ecológico das águas superficiais até 2015).

Biodiversidade e ambiente
As várias barragens projectadas para o Tâmega representarão a destruição irreversível de um importante eixo de interacção e comunicação entre os diferentes ecossistemas que constituem um rio corrente, produzirão um efeito barreira para peixes e outras espécies, submergirão muitos habitats classificados e prioritários e afectarão significativamente a fauna e a flora da região, inclusivamente várias espécies endémicas, ameaçadas, com distribuição restringida, com estatuto de protecção e variedades horto-frutícolas regionais. Com seis novas barragens na sub-bacia do Tâmega, e acrescentando a do Torrão que já existe, são previsíveis vários e significativos impactes cumulativos de todas estas barragens. Continua aliás a faltar uma análise dos impactes cumulativos das várias barragens, algo que é importante para a protecção dos ecossistemas e que é obrigatório por lei (Directiva Quadro da Água)

Socioeconomia
As várias barragens projectadas para a sub-bacia do Tâmega não serão factor de desenvolvimento local ou regional. Irão extinguir recursos endógenos singulares, eliminar espaços naturais irreproduzíveis e ameaçar várias áreas de desenvolvimento, como o turismo (perda de turismo e desporto de águas bravas, submersão de património com interesse turístico – incluindo elementos classificados, submersão de praias fluviais e parques, profunda alteração e artificialização da paisagem), a agricultura e silvicultura (submersão de milhares de hectares de solo produtivo, perda de cultivo de variedades regionais), a pesca e a fixação de populações que terão de ser deslocadas (só a albufeira de Fridão cobrirá 108 edifícios). Só no Concelho de Amarante estima-se que as barragens possam vir a afectar 2500 ha de vinha de uma região demarcada que representa uma receita de quatro milhões de euros/ano para 3216 viticultores da sub-região.

Risco de segurança
As barragens constituem um risco para as populações do Alto e Baixo Tâmega devido à violência das descargas de água e da oscilação brusca da cota das albufeiras e à hipótese da sua ruptura, caso que, embora raro, não é inédito. A questão da segurança coloca-se em todas as barragens projectadas para o vale do Tâmega, muito especialmente para as de Fridão que ficam a apenas 6 km da cidade de Amarante e onde um grande volume de água ficará a cerca de 100 metros acima da zona ribeirinha desta cidade.

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Toda a veiga de Arcossó será submersa, incluíndo casas e equipamentos

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3 - Alternativas viáveis

Eficiência energética
Estima-se que o investimento previsto para as novas barragens, aplicado em medidas de eficiência energética, pouparia 10 a 15% do consumo total de energia do país, sem sacrificar a economia e o conforto e evitando os grandes prejuízos das barragens. No entanto, em Portugal, continua a imperar a lógica da gestão da oferta de energia e não a gestão da procura, que é a que melhor se enquadra numa lógica de desenvolvimento sustentável. Ao mesmo tempo, na última década, o consumo de energia aumentou significativamente sem igual aumento do PIB, algo indicativo de desperdício energético.

Reforço de potência e armazenamento de energia
Portugal tem já mais de 160 grandes barragens. No que respeita às barragens com produção hidroeléctrica, apenas seis irão sofrer um reforço de potência, de acordo com informações da EDP. Prevê-se que estes seis reforços de potência possam, por si só, fornecer mais potencial de energia hídrica que toda a energia eléctrica proveniente das novas barragens do Tâmega e das restantes barragens que constam do Plano Nacional de Barragens, verificando-se assim ser desnecessária a sua construção para atingir as metas nacionais de energia hídrica previstas no Plano. Igualmente, o armazenamento do excedente da energia eólica, para ajudar a gerir as flutuações diárias, pode ser feito utilizando as barragens existentes.

Energias renováveis
Uma maior aposta em energias renováveis com menor impacte poderia suprir os objectivos energéticos das seis barragens previstas para o Tâmega e das restantes barragens que constam do Plano Nacional de Barragens. O apoio à microgeração, eólica e fotovoltaica, por exemplo, está neste momento em risco de ser bastante restringido, sendo conhecidas pessoas e empresas que têm tentado, sem sucesso, investir milhares de euros na produção de energia limpa.

Reserva de água
Os volumes de água necessários ao abastecimento são muito mais baixos que os das albufeiras projectadas, acrescendo que as albufeiras agravam a qualidade da água. Assim, seria mais racional apostar em sistemas de pequena escala e no uso eficiente da água: optimização das redes de abastecimento, reciclagem de águas cinzentas, aproveitamento de água da chuva, mudança para equipamentos de baixo consumo, salvaguarda dos aquíferos e nascentes.
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Toda a veiga de Arcossó será submersa

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Conclusão


Há que ser sensível aos desafios que Portugal tem pela frente a nível das metas de produção de energia renovável, de redução de emissões de gases com efeito de estufa e da dependência energética do exterior e há que estar aberto e debater de forma equitativa as várias soluções. Fazendo uma análise aos fracos benefícios, aos avultados prejuízos e às várias alternativas disponíveis, não se consegue senão concluir que a construção de novas grandes barragens em Portugal não pode ser vista como primeiro recurso ou prioridade. Assim, exige-se a renúncia da construção das seis barragens previstas para a sub-bacia da Tâmega ou a cabal refutação de todos os pontos acima mencionados.

Vale do Tâmega, Amarante, 13 de Março 2010

Subscrito pelas seguintes entidades:

Bloco de Esquerda
Campo Aberto – Associação de Defesa do Ambiente
FAPAS – Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens
GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente
LPN – Liga para a Protecção da Natureza
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega
Por Amarante, Sem Barragens
Proviverde - Associação de Produtores de Vinho Verde de Amarante
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
Partido Os Verdes

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Toda a veiga de Arcossó será submersa

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E para não alongar mais o já longo post de hoje, deixo o título de notícia publicada no Expresso, que poderá ler na integra seguindo o link que deixo abaixo.

 

EXPRESSO – ACTUALIDADE, num artigo de Virgílio Azevedo, in Expresso – 30 de Março de 2010

 

Manifesto considera política de apoio às renováveis uma "aberração económica"



Chama-se "Manifesto por uma Nova Política Energética em Portugal", é assinado por 33 personalidades e ataca as políticas de apoio às renováveis, que considera "uma aberração económica".

Leia todo o artigo seguindo o link:

 

http://aeiou.expresso.pt/manifesto-considera-politica-de-apoio-as-renovaveis-uma-aberracao-economica=f573913

 

 

E por hoje é tudo. Pelo Rio Tâmega, passe e assine a petição:

 

http://www.peticaopublica.com/?pi=tamega

 

 

 

Notas:

 

Todas as fotos de hoje, à exceção da primeira, são de zonas que vão ser inundadas pela barragem de Vidago.

 

(o texto de hoje é publicado sem revisão do novo acordo ortográfico)

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:36
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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

Requiem para o Rio Tâmega

Como cidadãos temos os nossos deveres e direitos. Quanto aos deveres, lá os vamos cumprindo, de livre e boa vontade ou até obrigados e de má vontade, como os impostos, mas até compreendemos que temos que os pagar contribuindo assim para um Estado que deveria ser também de direitos, um deles, deveria ser o direito a ser informado com isenção, outro, era o de exigir que o estado nos trate de boa fé. Mas nestas questões da cidadania vou ficar-me por aqui, pois o texto de hoje vai ser longo e tem a ver com o aproveitamento hidroelétrico do Alto Tâmega em que o nosso Rio Tâmega, a sua bacia e as populações ribeirinhas estão em causa e a informação de boa fé sobre os benefícios e malefícios desse aproveitamento hidroelétrico ou barragens que vão construir no Tâmega, não existem. Era e é mais que necessária informação sobre esta(s) barragens(m), que literalmente irá engolir um rio, e tudo, imagine-se, em nome do ambiente.

 

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Chegou até mim um documento das freguesias ribeirinhas do Tâmega que vão ser afetadas pela barragem que vai ser construída mais próxima de nós. Um documento que deverá ser público e que deixa expostas as preocupações destas populações, que deveriam ser preocupações de todos nós.

 

A acompanhar o texto, deixo para memória futura, pontes, pontões e terrenos que a ser levada a efeito a barragem conforme proposta, serão submersos.

 

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PARECER CONJUNTO DAS FREGUESIAS DE ANELHE, ARCOSSÓ, VILARINHO DAS PARANHEIRAS E VILELA DO TÂMEGA RELATIVO À CONCRETIZAÇÃO DO APROVEITAMENTO HIDROELÉCTRICO DE ALTO TÂMEGA

 

 

Considerando que os impactos da construção da albufeira referenciada em epígrafe são muito similares nas quatro freguesias, entenderam os seus representantes elaborar um parecer conjunto, não deixando, no entanto, de referenciar implicações particulares de cada uma.

 

Não podemos deixar, em primeiro lugar, em nome do povo que representamos de manifestar a nossa indignação pelo facto do primeiro contacto tido com as populações acerca do empreendimento referenciado apenas se tenha cingido a levantamentos cadastrais e expropriações levados a cabo pela empresa “Landfund – Levantamentos Cadastrais, Lda.” e tendo por base um Nível Pleno de Armazenamento à cota 322. Ora como muito bem refere a Comissão Mundial de Barragens no seu Relatório “Barragens e Desenvolvimento: Um Novo Modelo para a Tomada de Decisões” a construção das grandes barragens, como é o caso da que está em apreço, em virtude dos enormes investimentos envolvidos e dos impactos gerados é actualmente uma das questões mais controversas na área do desenvolvimento sustentável. Refere, ainda, aquela Comissão que o modelo para a tomada de decisões deve basear-se em cinco valores fundamentais, entre os quais refere o processo decisório participativo e destaca como pontos inquestionáveis no estado da arte acerca desta problemática os seguintes: “Um número excessivo de casos foi pago um preço inaceitável e muitas vezes desnecessário para assegurar os benefícios, especialmente em termos sociais e ambientais; A falta de equidade na distribuição dos benefícios quando confrontada com outras alternativas; A necessidade de incluir no debate todos aqueles cujos direitos estão envolvidos e que arcam com os riscos associados às diferentes opções; e Soluções negociadas aumentarão sensivelmente a eficiência do projecto .

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Em segundo lugar, não podemos deixar de estabelecer, em termos gerais, uma relação da albufeira à cota 322 com o lugar. Marcada sobre um mapa cartográfico a área de implantação da nova proposta da barragem (cota 322), era notório que esta não tinha em conta as pessoas, o sítio, a sua qualidade ambiental e paisagística. Na nossa opinião, é de tal momo insensível ao lugar que o destrói. (O conceito de lugar possui um carácter concreto, empírico, existencial, articulado, definido até ao detalhe. Vem definido por substantivos, pelas qualidades das coisas e os elementos, por valores simbólicos e históricos; é ambiental e está fenomenologicamente relacionado com o corpo humano)

 

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O que dizer de quem traçou aquela linha de cota máxima e propôs uma nova ponte na Estrada Nacional 311 (Vidago/Boticas) para submergir a antiga?

- Que não conhece o sítio?

- Que se baseou em rácios de m3 descurando impactos e outros valores presentes no território?

É uma concepção que prima pela irracionalidade e por uma visão que privilegia o mau gosto especulativo e esteticamente aberrante, baseada em critérios abstractos, em desfavor de uma interpretação alargada de conceitos de qualidade estética e ambiental. Desrespeita valores culturais e patrimoniais, destrói a arquitectura do lugar, a sua dimensão temporal e algum tecido sócio-económico emergente.

Dir-nos-ão que foram apresentados apenas elementos esquemáticos e incompletos (meros instrumentos iniciais de trabalho) e que, posteriormente, virão mais estudos no sentido de aperfeiçoar e melhorar os existentes. É um argumento, mas será este isento e preocupado com “os sistemas de vida justos e equilibrados”? Um primeiro olhar sobre o que assinalaram no mapa logo nos fará duvidar de tal argumento, dada a falta de pudor de tais propostas. Não necessitamos de mais estudos para nos apercebermos da total destruição que a cota 322 causa ao sítio.

 

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Como disse FranK Lloyd Wright “não vale a pena usar os instrumentos da arte criadora, a menos que isto seja feito a bem da humanidade”.

As boas intervenções (de qualidade) são, de um modo geral, expressão de sociedades culturalmente sólidas e socialmente evoluídas que são, em regra, também aquelas que maior preocupação manifestam em salvaguardar as memórias e o seu património hostórico-arquitectetónico e o equilíbrio do seu meio ambiente natural e humanizado.

Deve procurar-se um meio inteligente de dar resposta à paisagem, ao clima, às necessidades das pessoas e das comunidades.

Infelizmente são muitos exemplos que, pela mutação, se delapidam e, em muitos casos, se destroem formas de cultura ligadas ao sítio.

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A proposta é de tal maneira insensível aos valores do sítio que não respeita a sua organização espacial e escala, assim como, o valor geral imposto pela qualidade do sítio.

São os valores ambientais, históricos e arquitectónicos desta zona que lhe dão qualidade. Se os destroem , destroem a qualidade da vida das pessoas em todos os sentidos. Esta solução ameaça perturbar os necessários equilíbrios e questiona-mos se não vai trazer uma incorrecta influência à zona.

 

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Assim sendo, e porque além disso somos habitantes dos locais afectados, logo os conhecedores empíricos da natureza, do ambiente, do ecossistema, do clima, das actividades agrícolas e também estamos preocupados com o empobrecimento futuro das populações que representamos e acreditamos no bom senso do uso dos recursos, passamos a apresentar os impactes, de forma detalhada, que se nos afiguram justificativos da construção da albufeira à cota 300:

 

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  1. O Projecto de Programa do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) refere para a anterior designação de barragem de Vidago a pp 78 “A análise das áreas a inundadas pela albufeira permite constatar que com um NPA da albufeira à cota 325 m são afectadas um conjunto importante de habitações, nomeadamente nas localidades de Sobrilhal, Sobradelo e Caneiro, que poderiam condicionar significativamente a execução do aproveitamento. A cota 312 m evita em grande parte, embora não na totalidade, a afectação de áreas urbanas, que apenas seriam integralmente preservadas caso se adoptasse o NPA à cota de aproximadamente 300 m.  A pp 132 refere “Para o aproveitamento de Vidago, integrado na cascata do rio Tâmega, adoptou-se o NPA da albufeira de 312 m, inferior em 13 m relativamente ao NPA máximo previstos em estudos anteriores, atendendo que a partir dessa cota seriam inundadas significativas áreas com ocupação urbana”. Nestes termos fica claro que apenas à cota 300 as populações ribeirinhas não são privadas do uso do solo com a afectação a áreas urbanas. Ora, referindo o PNBEPH claramente estas implicações e tendo o concurso sido lançado para a cota 312 como é que a concessionária pretende ainda, assim, aumentar NPA para a cota 322. Será esta a cota consentânea com os princípios enunciados pela Comissão Mundial de Barragens? Ou estamos perante uma usurpação desenfreada de recursos privados, propriedade de milhares de pessoas, nacionalizados pelo Estado, mas posteriormente entregues no seu uso e na sua exploração a uma única entidade. Quais as vantagens das populações locais com tais alterações? Como ficará o sítio? Sejamos esclarecidos.

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  1. As freguesias de Arcossó e Vilarinho das Paranheiras sofreram já significativamente com as expropriações, quer com a construção da A 24 em ambas, quer com a ETAR da região da Ribeira de Oura no primeiro caso e com a N2 no segundo caso. Com a construção da barragem à cota pretendida ficam estas freguesias privadas, mais uma vez, do uso de uma área significativa e esventradas dos seus melhores solos;

 

  1. Só pura ganância poderá conduzir, tendo em consideração o conhecimento actual, à construção da barragem do Alto Tâmega à cota 322, uma vez que inunda praticamente toda a Reserva Agrícola da freguesia de Arcossó e uma parte substancial da das freguesias de Anelhe e Vilarinho das Paranheiras. Esta foi e é o celeiro e a horta destas populações que tão sabiamente transformaram e preservaram, pelo menos desde o século XIII, estes solos e que o Estado, e bem, veio proteger por Lei, mas que agora o mesmo Estado através de uma sua concessionária pretende como mais útil para reservatório de uma albufeira. Não entendemos, os proprietários não alteraram e bem ao longo de gerações e gerações este espaço de veiga fértil e irrigada com apoios Comunitários e Nacionais, não podendo aí executar legalmente qualquer tipo de construção, mas o mesmo Estado ou através das instituições suas representantes pôde aí construir uma ETAR que pretende submergir e agora para cumulo arrasar de água aquilo que já foi drenado pela sua importância e necessidade. Já alguém se preocupou em saber da importância destas terras para a subsistência de grande parte das famílias destas freguesias. É que a agricultura destes locais, embora na maioria das situações não seja empresarial e grande parte não passe pelo mercado, é um perfeito complemento a todas as outras actividades ou situações e, só assim, é possível viver com as pequenas reformas e os magros salários que se auferem na região;

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  1. Estas freguesias dispõem como produtos agrícolas excedentários o vinho e o azeite. São conhecidas, em particular, pela qualidade dos seus vinhos, já enaltecidos por Estravão, o grande geógrafo do Império Romano e sobejamente referenciados em obras do século XVIII e XIX e cujo apogeu produtivo se alcançou nos anos 50 do século passado e que agora começa a evidenciar sinais de recuperação atestados pela Comissão Vitivinícola da Região de Trás-os-Montes e a qual demonstra claras preocupações com a grande massa de água que artificialmente se pretende aí criar. Aqui as preocupações são claras, quer pela inundação de áreas de vinha, quer pelas alterações edafo-climáticas. Aliás, a região da Ribeira de Oura é sobejamente conhecida pelas suas particularidades climatéricas, enaltecidas também em termos turísticos, uma vez que no passado era designada a estância termal e climática de Vidago. Não se nos afigura como admissível a construção de uma albufeira a níveis que vão desequilibrar essas condições. Basta verificar que à cota 300 temos a um NPA uma massa de água de 61 hm3 e 230 há de área submersa, contra 96 hm3 e 350 há à cota 312 e cerca de 144 hm3 e 520 há á cota 322, numa região de confluência entre um clima continental e atlântico caracterizada por fortes neblinas matinais do Outono a meados da Primavera nos dias soalheiros. Logo quanto maior for a albufeira maior será a evapo-transpiração. Torna-se, então necessário saber cientificamente essas implicações climatéricas para uma região com características de transição. A título ilustrativo e para termos noção das implicações na viticultura citamos o grande enólogo do século passado Emile Peynaud que na sua obra Conhecer e Trabalhar o Vinho na parte relativa à Qualidade das Grandes Colheitas refere a pp 87 “ Um pouco paradoxalmente, as regiões de bons vinhos não são forçosamente as mais favoráveis à vegetação e á produção da vinha. A vinha planta Mediterrânica, não produz os seus melhores frutos nos climas mais quentes. As regiões de qualidade são as mais marginais, as mais submetidas à irregularidades anuais do clima, mas igualmente mais sensíveis a microclimas. Nas zonas quentes cultivam-se as castas menos aromáticas, ou de tanino menos agradável. Todos os anos se assemelham, e a noção de grande colheita e de colheita vulgar perdem-se”. 

Além da potencial alteração da qualidade e do tipo de vinho obtido quem irá custear nos próximos séculos o acréscimo de custos decorrente do aumento do número de tratamentos fitossanitários que terão de ser realizados para manter a produção de boas uvas para vinho como consequência do aumento da humidade relativa e das temperaturas na região, em particular durante o ciclo vegetativo da vinha. Mais orvalhos conduzem a mais oídeo, a mais míldio, a mais doenças do lenho. Pretendemos saber quem vai suportar os custos destas alterações. Usem-se os recursos, mas de forma equilibrada e sustentada e não de forma gananciosa e com análises económicas que se cingem apenas ao projecto e se esquecem de contabilizar as perdas que também originam. O lucro de um pode ser prejuízo de centenas ou de milhares e nem sempre aquilo que melhor se vê no horizonte é o mais vantajoso. Só com um balanceamento alargado entre custos e benefícios se pode decidir;

 

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  1. Ao nível paisagístico, quer para a cota 312, e, em especial, para a cota 322 o impacto será brutal. Esta situação é tanto mais grave quando estamos já num vale relativamente aberto e de reduzidos declives e nos encontramos no limite da cota e inseridos numa região cuja a aposta turística é forte e onde a paisagem representa um peso significativo nesse mesmo turismo, com destaque para o investimento que está a ser levado a cabo pela UNICER, aliás considerado de interesse nacional. De facto, tendo em consideração que a cota mínima de exploração constante no PNBEPH é a 297,5 m, tal significa que toda a área inundada nas três freguesias terá água durante o Inverno e uma mancha de lama seca no verão. Assim sendo, aquilo que hoje é uma mancha verde e cheia de vida durante o período de maior afluência turística, passará a uma mancha desértica e apenas com vida para insectos (mosquitos, melgas e outros). Os amieiros, freixos e salgueiros irão desaparecer ficando apenas um lago seco com duas linhas de água (rio Tâmega e Ribeira de Oura) a correr e uma imagem de destruição daquilo que foram as construções adaptadas ao meio de várias gerações de agricultores ao longo dos séculos. Não dispomos de cálculos exactos, mas estamos em condições de afirmar que esta albufeira em anos secos como este de 2009 terá uma área de lama seca à sua volta superior a 290 há (520ha para a cota 322-230ha para a cota 300). Agradecemos que este assunto seja devidamente analisado e ponderado por aqueles que tem responsabilidades, porque estamos conscientes que as gerações futuras desta região não perdoaram erros desta dimensão;

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  1. A Reserva Ecológica das freguesias de Anelhe e, designadamente, da de Arcossó, são substancialmente afectadas. No caso de Arcossó toda ela confina com a margem do rio Tâmega e apesar do forte declive deste local serão cerca de 8 há que ficarão submersos à cota 322, mas também à cota 312 será afectada. Será desconhecimento por parte de quem projecta ou apenas a lógica de m3 de água? Como ficará o sítio perante tal decisão? Talvez, o que são limitações para a totalidade das populações são permissões para a Iberdrola. Esperamos que não. 

 

  1. O PNBEPH refere a pp 174 que todas as albufeiras previstas para o rio Tâmega estão em zona de probabilidade de ocorrência de eutrofisação, aliás fenómeno já registado na albufeira do Torrão a única actualmente existente neste curso de água. Ora se tivermos em consideração aquilo que a Comissão Mundial de Barragens refere relativamente a ecossistemas e grandes barragens onde deixam claro que temos impactos cumulativos sobre a qualidade da água, quando várias barragens são implementadas num mesmo rio. Não é este o caso da cascata do rio Tâmega ? Então, considerando o exemplo já existente, o que vai acontecer nas restantes? Que implicações terá esta quase certa eutrofisação das águas em todo ecossistema do rio e em todas as captações de água existentes a montante da barragem, cujo o número de poços, minas e charcas ao longo da linha de água da barragem é elevadíssimo em todas as freguesias. Não estamos nós localizados num dos eixos mais importantes de águas termais. Que implicações teremos para aqueles cujas casas, e que são muitas, ficam mesmo na linha de água e daqueles que usam a água do rio. Será bom para o turismo da região a ocorrência deste fenómeno?.Quem decide, normalmente está longe e não sente verdadeiramente estes problemas e nem sequer os refere explicitamente, mas nós pretendemos esclarecimento. Seguramente que quanto maior for a albufeira maior será a probabilidade de ocorrência deste fenómeno porque maior é o reservatório de água de baixa qualidade;

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  1. O PNBEPH refere a pp 175 que a barragem em análise possui risco elevado de poluição acidental, em resultado da expressiva ocupação da respectiva bacia hidrográfica com área agrícola. Ora se tais situações ocorrerem os problemas são tanto maiores quanto mais próximas residirem as populações e quanto maior for a albufeira;

 

 

  1. O reservatório da albufeira à cota 322 alcança a zona de protecção alargada das águas Campilho, o que não deixa de ser caricato atendendo ao referido nos pontos 5, 6, 7 e 8 e aos condicionamentos existentes no uso destes espaços. Será por desconhecimento. Esperamos que não;

 

  1. Inunda toda a área de regadio da freguesia de Arcossó e parcialmente de Vilarinho das Paranheiras e de Anelhe;

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  1. A freguesia de Arcossó ficará dividida, ao lhe ser retirada toda a articulação que têm com aqueles que vivem na margem esquerda da Ribeira de Oura e que dispõem de parcelas agrícolas na margem direita e com os que vivem na aldeia e possuem parcelas agrícolas na outra margem. Aliás, estão disponíveis actualmente três passagens para a outra margem que irão desaparecer (Foz do Oura, Batouco/Olgas, Cotovio e ainda a pedonal da Salpica). Aqueles que hoje fazem esses percursos a pé e não dispõem de meio de transporte o que lhes vai acontecer? e os que poderão continuar a fazer como hoje de forma motorizada quem lhe vai pagar o acréscimo de custos. Para onde será projectada a estrada municipal que faz a ligação Vidago-Arcossó-Capeludos de Aguiar?;

 

  1.  A passagem pedonal que faz a ligação entre a freguesia de Anelhe e Vilarinho das Paranheiras, com valor histórico e patrimonial e conhecida por poldrado também ficará submersa, privando todos desta articulação, em particular para aqueles que apanham em Vilarinho o autocarro de transportes públicos para fazerem as suas deslocações para Chaves ou outros locais, como o caso dos que frequentam o ensino secundário e de muitos outros que não dispõem de veículo ou de carta de condução;

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  1. Obriga à construção de nova ponte sobre o rio Tâmega na Estrada 311, submerge a ponte da estrada municipal que faz a ligação entre Arcossó e Capeludos de Aguiar no concelho de Vila Pouca de Aguiar, bem como a ponte medieval que está a seu lado e que o povo designa de Romana;

 

  1. Ficará submersa a ilha existente no rio Tâmega que faz parte da propriedade da Quinta do Calvário na freguesia de Vilarinho das Paranheiras;

 

  1. Ficarão submersas 10 habitações, em que três das quais são casas comerciais. Por sua vez, várias habitações ficarão na linha de água;

 

  1. Vários moinhos (Foz do Oura, Póia, Ranha, Gralhos no rio Tâmega) e lagares de azeite (Salpica e Cotovio, na Ribeira de Oura) ficaram submersos, bem como elementos arqueológicos existentes em couces;

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  1. A Etar da Zona da Ribeira de Oura, obra pública construída à menos de três anos, também ficará submersa e para nosso espanto a água na freguesia de Vilarinho baterá na plataforma da A24, a qual foi inaugurada exactamente também há três anos. Quem são os responsáveis pela delapidação dos recursos públicos que num espaço tão curto de tempo deixam de poder funcionar. A estação de tratamento de resíduos sólidos de Souto Velho também ficará submersa, bem como a captação de água para rega tradicional desta povoação. Todo o regadio da veiga de Arcossó ficará submerso, bem como os campos irrigados;

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  1. Diversas famílias destas três freguesias ficarão privadas de todos os seus meios de produção e sem qualquer património. Esta situação juntamente com a referida no ponto 15 irá originar problemas sociais graves e aprofundar o ciclo de pobreza desta região, uma vez que estas populações ficarão privadas de muitos dos seus meios de produção cujos impactos serão ainda superiores nas gerações futuras; e

 

  1. Quem assumirá os custos originados pelo aumento da humidade na região ao nível da deterioração dos materiais das habitações, obrigando a intervenções em períodos de tempo mais curtos, bem como com a diminuição da qualidade de vida daqueles que já sofrem de problemas do foro respiratório.

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Considerando que as barragens representam sempre uma violenta perturbação, interferindo nos equilíbrios naturais, diminuindo a biodiversidade, destruindo o património cultural e suscitando problemas sociais. Considerando que colocam sempre uma variedade de problemas que requerem uma consideração muito atenta em resultado dos impactos biológicos, climáticos, agrícolas, sociais e económicos, nos territórios e nas populações adjacentes. Se a tudo isto adicionarmos todos elementos e preocupações aqui expostos, e as implicações nos sítios, estamos plenamente convictos que o uso adequado dos recursos exige a construção da barragem à cota 300 e que só uma visão e interesse individualista permitirá um aumento da mesma, mas cujos custos a suportar serão muito superiores aos benefícios.

 

Chaves, aos 26 de Julho de 2009

 

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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Em Chaves também há vinhos de qualidade - Quinta de Arcossó

Os vinhos são como os homens,
com o tempo, os maus azedam 
e os bons apuram...
                     "Cícero"

 

 

 

Pois é precisamente de bons vinhos, nossos, que hoje quero falar. Mas antes quero-vos falar um pouco da história do vinho e das lendas que lhe são associadas.

 

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Claro que um bom vinho anda quase sempre, ou também, associado a uma boa gastronomia, aliás Salazar até dizia que “Beber vinho dá de comer a um milhão de portugueses”. Mas não é propriamente dessa gastronomia que o “vinho alimentava” que eu me referia, mas à gastronomia a sério. Mas hoje vamos ficar só pelo vinho, mas foi ao gastronomias.com que fui sacar as lendas:

 

“Uma lenda grega atribui a descoberta da videira a um pastor, Estáfilo, que, ao procurar uma cabra perdida, a foi encontrar comendo parras.


Colhendo os frutos dessa planta, até então desconhecida, levou-os ao seu patrão, Oinos, que deles extraiu um sumo cujo sabor melhorou com o tempo.


Por isso, em grego, a videira designa-se por staphyle, e o vinho por oinos.

A mitologia romana atribui a Saturno a introdução das primeiras videiras; na Península Ibérica, ela era imputada a Hercules.

 

Na Pérsia, a origem do vinho era também lendária: conta-se que um dia, quando o rei Djemchid se encontava refastelado à sombra da sua tenda, observando o treino dos seus archeiros, foi o seu olhar atraído por uma cena que se desenrolava próximo: uma grande ave contorcia-se envolvida por uma enorme serpente, que lentamente a sufocava.

 

O rei deu imediatamente ordem a um archeiro para que atirasse.
Um tiro certeiro fez penetrar a flecha na cabeça da serpente, sem que a ave fosse atingida.

 

Esta, liberta, voou até aos pés do soberano, e aí deixou cair umas sementes, que este mandou semear.

 

Delas nasceu uma viçosa planta que deu frutos em abundância.

 

O rei bebia frequentemente o sumo desses frutos.

 

Um dia, porém, achou-o amargo e mandou pô-lo de parte; alguns meses mais tarde, uma bela escrava, favorita do rei, encontrando-se possuída de fortes dores de cabeça, desejou morrer.

 

Tendo descoberto o sumo posto de parte, e supondo-o venenoso, bebeu dele.


Dormiu (o que não conseguia havia muitas noites) e acordou curada e feliz.

A nova chegou aos ouvidos do rei, que promoveu o vinho à categoria de bebida do seu povo, baptizando-o Darou-é-Shah « o remédio do rei ».

 

Quando Cambises, descendente de Djemchid, fundou Persépolis, os viticultores plantaram vinhas em redor da cidade, as quais deram origem ao célebre vinho de Shiraz.”

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Lendas à parte, o vinho tem uma longa história, pelo menos, remonta a 6.000 a.C. Pensa-se que tenha tido origem nos actuais territórios da Geórgia ou Irão. Na Europa, é mais recente, mesmo assim pensa-se que terá aparecido no velho continente há cerca de 6.500 anos na Bulgária e na Grécia.

 

Adorado pela antiga Grécia e Roma, aliás até tinham um Deus, Dionísio para a Grécia e Baco para Roma, tem vindo ao longo dos tempos sido associado e utilizado também em cerimónias religiosas cristãs e judaicas, quer na Eucaristia quer no Kidush.

 

Tinha que passar pelas lendas e um pouco da história do vinho para chegar aos vinhos de hoje, aos bons vinhos de hoje, que Portugal também produz e que por terras flavienses também existem, como os da Ribeira de Oura, onde a Quinta de Arcossó já prova que também por cá se podem fazer vinhos para competir com os melhores vinhos nacionais e internacionais.

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Pois hoje é mesmo sobre os vinhos da Quinta de Arcossó que vos quero falar, um bom exemplo de como com um bom trabalho, apoiado tecnicamente e associado a uma boa localização se podem também fazer bons vinhos no nosso concelho.

 

A Quinta de Arcossó incorpora um projecto vitivinícola na região de Trás-os-Montes, Sub-Região de Chaves, que procura transformar vinho ancestral de camponeses em vinho de excelência, bem como servir de paradigma e de referência numa região com potencial mas completamente sub-aproveitada em termos vitícolas.

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Na busca dessa excelência foi determinante o conhecimento acumulado acerca da qualidade das uvas e do vinho obtido secularmente pelas famílias Pizarro e Montalvão Machado da parcela onde se encontra instalada a vinha que dá actualmente origem aos vinhos Quinta de Arcossó. Aliás, esta parcela da Quinta de Arcossó está inserida no coração da micro-região da Ribeira de Oura, a qual tem fortes tradições vitícolas desde a ocupação romana, como são prova disso os vários lagares dessa época existentes nas encostas pendentes ao rio Tâmega e seus afluentes, bem como as referências constantes na obra de Estrabão, grande geógrafo do império romano, e particularmente de escritos dos séculos XVIII e XIX. Por sua vez, estando convictos que a excelência de um vinho resulta, em grande medida, de uma capitalização perfeita entre a componente associada à natureza, designadamente, o solo e o clima, e a associada ao homem. Foi esta convicção que levou Amílcar Salgado, o proprietário da Quinta de Arcossó, um filho da terra e bem conhecedor das suas terras a durante dois anos encetar diligências tendentes à aquisição da já referida parcela que constitui a actual Quinta de Arcossó, a qual se encontrava abandonada do ponto de vista vitícola desde 1987.

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Após a sua aquisição em 2001, iniciou um projecto de reestruturação que culminou com a plantação de 12 hectares de vinha no ano de 2003 sob a orientação do Eng.º Rui Xavier Soares, o qual obedeceu a um vincado compromisso entre o conhecimento ancestral da parcela para produzir uvas da mais alta qualidade e o dos novos processos de viticultura.

 

Foi em 2005 que a primeira vindima foi efectuada e a primeira vinificação de vinhos Quinta de Arcossó sob a orientação do enólogo Francisco Montenegro. Cujos resultados do primeiro vinho, quer em termos qualitativos, quer em termos de aceitabilidade por parte dos consumidores, foram muito superiores ao esperado.

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Em 2008, mais conhecedores da parcela e dos novos processos de vinificação aplicados durante 3 vindimas, e na busca permanente da excelência, a Quinta de Arcossó decide elaborar um vinho que pretende ser o topo de gama da sua produção. Esse vinho foi vinificado com desengace totalmente manual (escolha bago a bago). Efectuou a maceração pelicular a baixa temperatura, bem como a fermentação alcoólica em barricas novas de carvalho com capacidade de 400 litros e não sofreu qualquer processo de bombagem ou remontagem mecânico.

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Amílcar Salgado  confessa-se na procura permanente da qualidade e no respeito pelo conhecimento acumulado na região, “esmeramos a viticultura da parcela e mantemos na adega a concentração e o palato das uvas, para que a aceitabilidade do vinho ultrapasse o mercado local e permita que aqueles que se encontram distantes ou não conheçam,  possam saborear a região mesmo que não venham junto dela. E isto já acontece, até porque já Quinta de Arcossó já exporta cerca de 15% dos vinhos que vende.

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Actualmente a Quinta de Arcossó dispõe de duas marcas no mercado: Quinta de Arcossó e Padrão dos Povos. A primeira incorpora os melhores lotes e quer o vinho tinto, quer o vinho branco passam por estágio em barricas de madeira de carvalho francês e carvalho americano, ou seja, obedecem a um tratamento mais fino e requintado em cave. Nesta marca dispõe no mercado de um vinho branco e tinto colheita, de um tinto reserva e de um rose. A marca Padrão dos Povos é composta por um vinho tinto e um vinho branco colheita. Trata-se de um vinho mais simples e menos ambicioso, mas que pretende ser uma homenagem à região de Chaves com muita acessibilidade a todos aqueles que pretendam apreciar com exigência um bom vinho de excelente relação qualidade preço.

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Mas na adega da Quinta de Arcossó já há novos vinhos a lançar brevemente no mercado. Com a marca Quinta de Arcossó um Reserva branco para o Natal, um syrah (tinto) para meados de 2010 (colheita de 2007) e aquele que pretende ser o topo de gama, cujo processo de elaboração foi totalmente artesanal, mas que ainda não tem data de lançamento nem designação, mas muitos daqueles que já o provaram efectivaram reservas.

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Quanto à vinha que produz este líquido dos Deuses, encontra-se plantada numa encosta virada a Sul, mas ampla a Nascente e a poente, o que lhe permite receber o máximo de luz solar em qualquer altura do ano. Está disposta em talhões por casta, com linhas de videiras com orientação Norte/Sul e Noroeste/Sueste, em função das necessidades solares de cada casta. O embardamento já foi pensado para captar o máximo de luz solar e naturalmente as melhores maturações possíveis, mas equilibradas. A vindima e a vinificação é realizada casta a casta e mesmo com escolha de pequenas parcelas de cada uma delas em função dos vinhos a obter.

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A vinha é composta pelas castas tintas: Touriga Nacional; Touriga Franca; Bastardo; Tinta Amarela; Tinta Roriz; Tinta Barroca e Syrah. Castas brancas: Arinto; Fernão Pires; Moscatel Galego e alguns pés de vinha antiga que resistiram desde o abandono. No próximo ano será introduzida mais uma casta branca. Ao todo, a actual vinha é composta por 50.000 pés que poderá atingir, produção estimada em velocidade cruzeiro, as 50 000 garrafas;

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Actualmente para além do mercado português, a Quinta de Arcossó já exporta cerca de 15% da sua produção para a Suiça e França.

 

Pessoalmente, embora não seja especialista, sou apreciador de bons vinhos, e, do vinho da Quinta de Arcossó, posso-vos garantir que me enamorei dele desde o primeiro dia em que o provei. É um daqueles vinhos que marca e que fica para sempre retido na recordação e, não hesito nem um bocadinho em considerá-lo dos melhores vinhos nacionais, que só enriquecem e enobrecem o nosso concelho de Chaves.

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Um bom exemplo também de como por cá, com gente empreendedora, aliada a uma boa equipa técnica e também a muito trabalho, amor e carinho, a qualidade também pode ser conjugada.

 

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Da minha parte, já é um vinho de eleição e só lamento que por cá não haja mais Quintas de Arcossó e mais Amílcares Salgados, pois, infelizmente, a nossa qualidade só se vai impondo com projectos individuas e quase à revelia das entidades que deveriam estar preocupadas com aquilo que vamos tendo de melhor e que, aos poucos, também se vai abandonando e perdendo.

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Um bem haja para a Quinta de Arcossó, para a família que está por detrás da Quinta e para toda a equipa técnica e trabalhadores da mesma.

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Claro que foram estes os vinhos servidos na inauguração da exposição de fotografia comemorativa das 750.000 visitas deste blog e, que por todos foi elogiado, além de demonstrar que também é uma excelente companhia dos pastéis de Chaves.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:41
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Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

Mosaico da Freguesia de Arcossó

 

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Mosaico da Freguesia de Arcossó

 

Localização:

A 18 km de Chaves, situa-se a Sudoeste do território do concelho de Chaves, a 2 quilómetros de Vidago.

 

Confrontações:

Confronta com as freguesias de Anelhe, Vilarinho das Paranheiras, Vidago, Oura, Capeludos e Pinho, isto a nível de freguesias, pois as últimas duas freguesias pertencem a Vila Pouca de Aguiar e Boticas, respectivamente. De salientar ainda que entre a freguesia de Arcossó e o concelho de Boticas (Pinho), há um rio pelo meio – o Tâmega.

 

Coordenadas: (Centro de Arcossó)

41º 38’ 57.50”N

7º 35’ 69.61”W

 

Altitude:

Variável – entre os 320 e os 470 m

 

Orago da freguesia:

São Tomé

 

Área:

7.50 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):

– E.N. 2 ou A24 (Nó de Vidago)

 

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Aldeias da freguesia:

            - Arcossó é a única aldeia da freguesia;

           

 

População Residente:

            Em 1900 – 1 223 hab.

            Em 1920 – 1 572 hab.

Em 1940 – 674 hab.

            Em 1960 – 771 hab.

            Em 1981 – 572 hab.

            Em 2001 – 365 hab.

 

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Principal actividade:

- A agricultura, com terras férteis ao longo da Ribeira de Oura, mas também a Vinha e a floresta têm um papel importante na freguesia.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

Algo se passou por Arcossó, pois em menos de 100 anos a sua população ficou reduzida a ¼ e a grande e importante aldeia de Arcossó dos finais do Séc. XIX/inícios do Séc. XX, em que Vidago era um pequeno lugar que lhe pertencia, a partir de 1920 (Arcossó) começa a perder acentuadamente a sua população e importância no vale da Ribeira de Oura enquanto Vidago começa nessa altura a afirmar-se como um importante ponto do Concelho, passando mesmo a Vila em 1925. Só a título de curiosidade a população actual residente em Vidago é idêntica (em número) à população de Arcossó do ano de 1900. Apenas uma pequena curiosidade de como em menos de um século se invertem os papeis de lugares separados por pouco mais de mil metros.

 

Também no casario Arcossó tem assistido a algumas alterações. Arcossó que sempre foi uma aldeia pitoresca que se desenvolve no sopé de um pequeno cabeço conhecido por Penedo do Lobo, correndo ao fundo dos seus pés a Ribeira de Oura ou dobrando a encosta o Rio Tâmega, embora seja com a Ribeira de Oura que tem mais afinidades.

 

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Para visitar na aldeia, recomenda-se uma visita à Igreja Paroquial de S.Tome que embora modesta é interessante e apresenta o seu torreão sineiro que suporta um campanário de dupla ventana separado da igreja, localizando-se de fronte à fachada principal da Igreja. Também de visita obrigatória é a “Fonte dos Mouros”, localizada no centro da aldeia. Uma pequena capela (de devoção a Stº António, salvo erro) localizada no cimo da aldeia também merece uma visita, podendo-se apreciar entre estes três locais de visita obrigatória, o casario típico, que infelizmente nas últimas dezenas de anos tem vindo a ser descaracterizada com intervenções novas e, algumas delas, pouco felizes.

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Fotografia aérea disponibilizada por Google Earth

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Restam ainda algumas antigas casas de quintas, uma delas recuperada para turismo rural.

 

E claro que quando se fala em Arcossó tem que se falar na qualidade dos seus vinhos, que sempre foram afamados. Ultimamente, nestes últimos três ou quatro anos nasceu por lá a marca Quinta de Arcossó, que já lançou també o “Padrão dos Povos” e uma Reserva com o nome da Quinta. Apenas um vinho que no ano do seu lançamento entrou logo para o ranking dos 250 melhores vinhos nacionais. Penso que não serão precisas mais palavras para falar desse precisoso néctar, tanto mais que este blog prometeu fazer uma grande reportagem sobre os vinhos de Arcossó e em particular sobre a Quinta de Arcossó, pois penso que é, sem dúvida alguma, um exemplo a seguir pelos produtores da Ribeira de Oura, alargado a Anelhe, Souto Velho e Vilarinho das Paranheiras.

 

 

 

Link para os posts neste blog dedicados à freguesia:

 

            - Arcossó

 

Existe um outro post publicado apenas com a imagem do mosaico de hoje, para o qual não deixo link,  uma vez que o verdadeiro mosaico da freguesia é o que agora se publica.

 

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publicado por fernando ribeiro às 03:12
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Sábado, 16 de Agosto de 2008

Mosaico da Freguesia de Arcossó

 

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O resto deste mês no que toca às aldeias e também um bocadinho em geral, à excepção do coleccionismo, dos discursos e dos olhares de outros, vai ser preenchido apenas com fotos, ou mosaicos de fotos. Na rubrica das aldeias passarão por aqui mosaicos das freguesias cujas aldeias já tiveram aqui o seu post alargado. Nesses mosaicos serão reunidas as fotos mais interessantes da freguesia e assim, ficará concluída a abordagem a essa mesma freguesia por parte deste blogue. Claro que excepcionalmente, por uma ou outra razão, aldeias que já tiveram aqui o seu post alargado, poderão estar aqui outra vez, assim o acontecimento o justifique.

 

Iniciamos com a freguesia de Arcossó e assim irá ser com todas as freguesias após a abordagem a todas as suas aldeias.

 

Em Setembro, retomaremos a normalidade do blogue.

 

Os próximos mosaicos não terão palavras de acompanhamento.

 

Até amanhã, com mais um mosaico de uma freguesia
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publicado por Fer.Ribeiro às 01:00
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Sábado, 3 de Maio de 2008

Arcossó - Chaves - Portugal



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Então vamos lá até mais uma aldeia que por sinal também é freguesia – Arcossó.

 

Arcossó tem 7,5 Km2 de área, dista 3 quilómetros de Vidago e 18 de Chaves. Actualmente tem 365 habitantes (Censos 2001) e cerca de 12 crianças em idade escolar. Comparativamente com os Censos de 1981, Arcossó perdeu cerca de metade da sua população, pois nesse ano atingia os 632 habitantes.

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A freguesia faz fronteira com as freguesias de Anelhe, Vilarinho das Paranheiras, Vidago e Oura, isto no concelho de Chaves, pois faz ainda fronteira com a freguesia de Capeludos do concelho de Vila Pouca de Aguiar e com a freguesia de pinho do concelho de Boticas.

 

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Pela perda de população, facilmente se percebe que Arcossó é uma freguesia essencialmente agrícola, sendo até bastante rica neste aspecto, principalmente no que diz respeito à excelente região vinhateira onde se insere, que se prolonga por toda a Ribeira de Oura e pelas margens do Tâmega até Vilarinho das Paranheiras e Anelhe. Além da vinha, é também rica em oliveiras e nas mais variadas árvores de fruto, além de uma pequena veiga junto à Ribeira de Oura, com as mais variadas culturas típicas das terras férteis.

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Mas é na vinha e no vinho que Arcossó tem a sua maior riqueza agrícola. Vinhos bem conhecidos pelos apreciadores e que já se começam a impor como os melhores vinhos nacionais, como é o caso do vinho da Quinta de Arcossó 2005, considerado entre os melhores 240 vinhos para o ano de 2008. Claro que os vinhos de Arcossó não chegam aos patamares nacionais sozinhos. Para serem apreciados, além de serem bons vinhos e de região vinhateira também conhecida, é necessário fazer o trabalhinho de casa direitinho. Ou seja, ser apenas bom vinho não chega para entrar no competitivo mercado dos vinhos portugueses, é necessário também um pouco de tecnologia e markting que, aliados a um pouco de trabalho e juventude do proprietário, pode competir com os melhores. Estou a referir-me a Almicar Salgado, o jovem vinicultor que tão bem tem promovido o seu vinho (Quinta de Arcossó) e também a região. Como apreciador de bons vinhos, sou testemunha que o Quinta de Arcossó é dos melhores, pena que só dois ou três restaurantes da cidade o tenham na sua carta de vinhos e, mais pena tenho, que não haja outros vinicultores de arcossó e da região que sigam o exemplo de Amílcar Salgado.

 

Mas Arcossó não é só bom vinho.

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Quanto à aldeia em si, tem características muito próprias e bem diferentes das restantes aldeias rurais do concelho. Nota-se ter sido uma aldeia abastada, com algumas quintas mais ou menos senhoriais e com o restante casario fora do tradicional das construções pequenas de granito e pedra solta. Nas construções nota-se uma grande intervenção com novos materiais utilizados no segundo quartel do século passado e também muitas intervenções recentes. O típico da aldeia rural do concelho, salvo em meia dúzia de excepções, não existe por Arcossó. Já noutro aspecto não é excepção, ou seja no abandono da aldeia ou dos trabalhos da aldeia pela gente mais jovem e também a degradação de algum casario, até do mais nobre e casario senhorial de algumas quintas.

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É o mesmo de sempre, principalmente quando a agricultura deixou de estar nos planos da gente mais jovem e que parte à procura de uma vida melhor, ou pelo menos, digna, que hoje, só com agricultura já não é possível de se alcançar. São os reflexos das tais políticas distraídas ou até homicidas para o interior que se são praticadas por Lisboa.

 

Mas vamos a alguns pontos de interesse que Arcossó possui, como o da sua igreja Matriz construída em granito lavrado, apresenta uma torre sineira, muito interessante, separada do corpo da igreja, o que confere ao conjunto arquitectural uma estética e beleza muito próprias, complementada pelo adro e pela escadaria de acesso.  Apontam-se os Séculos 16 / 17 como provável construção da igreja; o séc. 17 para a feitura do retábulo-mor; o séc. 18, finais,para a remodelação do retábulo-mor; o séc. 19 para execução dos retábulos laterais confrontantes; 1818 - data da fachada principal assinalando reformas; 1825 - data das pinturas do tecto da nave; séc. 20 - feitura do retábulo lateral do lado do Evangelho, pintura do tecto da capela-mor; remodelação da sacristia; o cura era apresentado pelo reitor de Moreiras.

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E para os interessados aqui fica em resumo os materiais aplicados na igreja e alguns pormenores: Estrutura em cantaria granítica, aparente no exterior e rebocada e pintada de branco no interior e sacristia; pavimento de madeira na nave, em lajes graníticas na capela-mor e em mosaico cerâmico na sacristia; vãos, pia baptismal, pias de água-benta, base do púlpito, lavabo e outros elementos em granito; coro-alto, guarda do púlpito e retábulos em madeira pintada e dourada; portas de madeira e janelas de vidro; cobertura interior em madeira pintada e exterior em telha; pavimento do adro em paralelepípedos graníticos; vedação do adro em ferro. Inscrição do tecto do sub-coro: "HAC EST / DOMVS DOMINI / EIR.MATER . EDEFICAT A. / BENE . BENE . EVNDATA . EST . / SVPER FIRMAM PETRAM . / ANNO 1825".

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Retábulo dedicado ao Ecce Homo de um só eixo definido por pilastras com o fuste estriado, encimada por friso e dupla cornija, dando origem a pequenos plintos sobrepujados por urnas. Remate em espaldar central semicircular, gomeado e com a inscrição "J. N. R. J." O painel fundeiro encontra-se pintado com a representação de uma estrutura amuralhado, que realça a imagem de madeira do orago. Retábulos laterais são semelhantes, com nicho central de perfil recortado, circunscrito por colunas torsas marmoreadas, assentes sobre altos plintos decoraods com motivos fitomórficos dourados. Remate em friso e cornija, espaldar recortado e, lateralmente, duas urnas ornadas com festões. Altar em forma de urna com frontal decorado com cartela central e acantos enrolados. No espaldar surgem as iniciais identificativas do orago: no Evangelho, "JHS" e, no oposto, "AM".

 

O orago é S.Tome, mas como em muitas aldeias do concelho as festividades da aldeia são em honra de Stª Barbara, não fosse ela a padroeira das trovoadas. A festa realiza-se a 15 de Agosto.

 

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Na aldeia existe ainda uma outra capela e que adopta o nome do Stº António. Nesta capela, localizada no cimo da aldeia, apenas se realiza uma missa por ano, precisamente no dia de Stº António.

 

Um outro ponto interessante da aldeia é a fonte Moura, localizada perto da Igreja. Na aldeia é também conhecida por fonte velha, talvez por agora estar fora de uso e até vedada. A esta fonte está associada uma lenda, a do Calhau da Moura.


“Lenda do Calhau da Moura”

Andava uma pastora à beira do Tâmega a guardar o seu rebanho, quando avistou sobre um penedo, na outra margem do rio, uma linda menina com vestes que brilhavam ao sol. Ficou atemorizada quando viu que essa figura atravessava o rio, sobre as águas, sem sequer molhar os sapatos, igualmente brilhantes e se dirigia na sua direcção. A jovem estendeu uma vasilha pedindo um pouco de leite das ovelhas. A pastora deu-lhe o leite e, a jovem contou que era uma moura que estava encantada e infeliz, vivendo há longos anos num palácio debaixo do rochedo, guardada por gigantes. Deu à pastora um cofre e pediu-lhe que divulgasse na aldeia a sua triste sina para que alguém fosse combater os gigantes, os vencesse e assim ficaria liberta do encanto. Quanto ao cofre recomendou-lhe que só o abrisse na aldeia e então veria a sua casa transformada num palácio. A pastora retomou o caminho de Arcossó e não resistiu à tentação, abriu o cofre. Dentro só encontrou uns negros carvões que caíram ao chão. Surgiu por encanto a bela moura, muito triste, apanhou os carvões que, quando colocados no cofre, se transformavam em luzidias moedas de ouro. Uma fortuna que a cobiça fez perder e manter o encanto da moura, que continuou a viver no seu palácio, debaixo do penedo, em Arcossó.

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Ainda fui até ao Rio Tâmega, de um e outro lado, mas nada de me aparecer a moura encantada, nem sequer o Cristiano Ronaldo com a sua bola também encantada, mas deu pelo menos para ver o encanto das vistas desde o (já) terras do barroso do concelho vizinho de Boticas, pois é precisamente no rio que termina o concelho de Chaves e começa o de Boticas.

De entre a sua gente ilustre, há a destacar a do Barão de Arcossó, cuja história encontramos resumida no I volume do Dicionário dos mais ilustres Transmontanos e Alto Durienses que passo a trancrever:

“Arcossó é uma localidade do concelho de Chaves, perto de Vidago. Foi seu único Barão Pedro António Machado Pinto de Sousa Canavarro que nasceu em 30.12.1772 e faleceu em 13.5.1836. Foi fidalgo da Casa Real, por sucessão e 3.° Senhor do morgado de S. José de Arcossó. Assentou praça, como cadete, em 20.8.1783. Em 25.7.1833 era brigadeiro e em 7 desse mês e ano foi lhe confiado o governo das Armas do Douro. O último cargo que exerceu foi o de Presidente da Comissão criada para liquidar as dívidas aos militares e empregados civis do Exército. Casou em 23.2.1802 com Luísa Maria Slessor, primeira filha do marechal de campo escocês, comandante do Reg. de Cavalaria de Chaves. Foi agraciado com o título por D. Maria II, por Decreto de 1.10.1835. Inicialmente teve o título de Barão de Vila Pouca de Aguiar. Depois, a seu pedido, foi mudado para Barão de Arcossó.”

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Também nesta freguesia tem raízes o notável flaviense José Timóteo Montalvão Machado".

Outra figura de relevo que desempenhou as funções de Arcipreste e se notabilizou pelos seus interesses culturais foi o Padre Adolfo Magalhães", aliás os seus versos adornam uma das paredes exteriores da já citada capela de Stº António, situada no denominado Largo do Santo.


Tal como já foi também citado, no interior das férteis quintas ainda se aistam antigos edifícios em granito e casas senhorias, alguns dos quais em franca degradação pelo abandono e desertificação destes lugares isolados. No entanto alguns deles, pela sua bela traça e enquadramento paisagístico, estão a ser recuperados para fins hoteleiros em unidades de Turismo de Habitação Rural. Disseram-me posteriormente que a Quinta do Pulo do Lobo é um desses belos exemplos de recuperação, que infelizmente na minha visita não pude apreciar, mas fica para uma próxima oportunidade.

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E por Arcossó, embora já não fosse a primeira vez que este blog por lá passou, fica cumprida a minha promessa de um post alargado para todas as aldeias.

Amanhã cá estarei de novo com outra aldeia do nosso concelho.

 

 

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