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Terça-feira, 16 de Maio de 2017

Cidade de Chaves, um olhar

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:30
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Quinta-feira, 11 de Maio de 2017

Ocasionais

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ocasionais

 

“Os bearnesbaques do Arrabalde”

 

 

Ali no Arrabalde, um grupo de bearnesbaques que falavam entre si ao mesmo tempo que olhavam para todos os lados, como que atingido por um raio, que não parte, antes, une, quando eu, em passeio pela cidade, chegava ao fundo da rua Direita, atravessou-se-me na frente.

 

Dos figurões do grupo salientou-se o que me pareceu o mais aperaltado. Dirigiu-me a palavra ao mesmo tempo que esticava o braço direito e levantava a mão, em sinal de «alto!»:

 

- Se os meus olhos não me enganam e a memória não me falha, o «amigo» é o tal que faz «Discursos sobre a cidade» a desancar nos da «cambra» e escreve umas «Crónicas Ocasionais» a dar fisgadas num «pavão», umas sapatadas em «lalões» e «lalõezinhos», e umas chibatadas nuns tais «poneyzinhos-de-Tróia»!

 

Senti-me um D’Artagnan apanhado numa cilada dos beatos-falsos de Richelieu.

 

Mas logo, loguinho, apanhei a satisfação de compor um multicolorido ramo com as caras  e os modos do grupo.

 

Ditas e ouvidas aquelas palavras do «capitão do Arrabalde», e absorvida a atenção que lhes dispensei, aquela meia dúzia de «fediolas» juntou-se bem juntinha no passeio, fazendo uma parede dupla à minha frente: na primeira, ao centro, o aperaltado «capitão do Arrabalde»; atrás, espreitando por cima dos ombros dos primeiros, os restantes três.

 

A surpresa e a piada que se me pintaram na cara, e que o ar de riso certificou, fez-lhes arregalar um bocado os olhos e suspender a respiração.

 

- Muito me apraz que alguém me reconheça pelo que escrevo!

 

- E se é acerca dos meus escritos e da cidade que os «amigos» querem conversar, então convido-os a molhar a palavra! – atirei-lhes, com alguma solenidade e muita franqueza.

 

O olhar de “espadachins” de língua foi pelos ares.

 

O «capitão do Arrabalde» virou-se para a esquerda, virou-se para a direita e revirou-se para trás.

 

Voltou-se para mim, e disse:

 

- Ora aqui está a melhor notícia e as «mais boas» palaβras que hoje ouβi!

 

Ali ao lado, por baixo da antiga Casa de Saúde do Dr. Alcino, além de umas boas cadeiras de barbeiro também há outras com boas mesas.

 

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Em formação de combate, o «capitão do Arrabalde» colocou-se ao meu lado. Cuidou de não vir nenhum carro para subir a Rua Direita. Deu um toque no chapéu, e pronunciou:

 

- Por aqui!

 

Com três passadas atravessámos a rua. Seguimos garbosamente pelo passeio do Postigo das Manas e, quase em linha com a esquina do “Sotto Mayor”, o «capitão do Arrabalde» fez «direita volver». Abriu a porta da entrada de uma bodega, de boa fama antiga, e, atenciosa, venerada e respeitosamente, voltando-se para mim, proferiu:

 

- Fa-ça faβor!

 

O taberneiro saiu apressado detrás do balcão. Juntou duas mesas à que estava encostada à parede e mais próxima da caixa registadora.

 

Pensei para comigo:

 

- Que diabo! Será que nos estão a confunfir com “Os 7 Magníficos”?!

 

Ou será com “Os Sete anões”?!

 

O taverneiro voltou com um copo para cada um de nós os «Sete» e duas canecas com uma canada de «tinto», cada uma.

A hora andava pelas onze da manhã.

 

- Ora, meus senhores, o que βai mais ser?  - pergunta, alegremente, o taberneiro.

 

Passando a língua pela beiça, os «arqueiros do Arrabalde» (ou “espadachins”?!), disseram ao «capitão» aperaltado que estavam ali «às ordes»!

 

Demorei uns segundos a perscrutar  as «arqueiras» e «capitãs» expressões.

 

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E, quando o aperaltado «capitão do Arrabalde» ia abrir a boca para mais uma «voz de comando», agarrei-lhe o pulso para lhe abafar a voz.

 

Virei-me para o taverneiro, e ordenei:

 

- “Fachaβor” (tal e qual), traga azeitonas, pão centeio, «trigo de 4 cantos», uma travessa com presunto e queijo. Prepare umas moelas com piri-piri e duas codornizes para cada um de nós. “Se o senhor for servido”, junte-se a nós   -  é meu convidado!

 

Ajeitei-me na cadeira.

 

Soltei o pulso do «capitão do Arrabalde».

 

Eu ia para pegar na caneca, mas um dos «arqueiras» (ou «espadachins»?) adiantou-se-me, e disse:

 

- Se me dá licença, eu boto o βinho!

 

Percebi esta uma boa oportunidade para que o grupo  soltasse a língua.

 

Probou-se o centeio, o trigo, as azeitonas e o presunto, tudo bem benzido com o primeiro e segundo gole de vinho, com que se esvaziaram os copos.

 

- Não os deixem ganhar bafio! – avisei eu, mal engoli a última gota do meu copo.

 

Outro dos «espadachins» (ou «arqueiras»?), não querendo ficar-se atrás, botou a mão a outra caneca e, começando pelo meu (sinal de respeito?), encheu os copos.

 

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Da cozinha já chegava o cheirinho das moelas e o cantar das codornizes nas sertãs!

 

Clientes, que pelo andar e pelo olhar me pareceram habituais, iam entrando e ocupando as outras mesas.

 

Uns saudavam-nos só com um «bom-dia»!

 

Outros acrescentavam um «olá» ao nomearem alguém da minha “Companhia de «lanceiros»” ... ou de «armas dentadas».

 

Depois da primeira rodada das duas canecas e da segunda dentada nos aperitivos, claro está, consumada só depois das três primeiras provas a certificar a qualidade dos produtos, os «arqueiras» (ou «espadachins»?) já falavam uns com os outros, mas com os olhos postos no que estava posto na mesa, gabando as azeitonas e o queijo; garantindo que o «trigo de 4 cantos» era mesmo de FAIÕES; o pão centeio fora cozido no forno a lenha do João Padeiro.

 

Chegaram os pratinhos das moelas e mais duas canecas de canada.

 

Dirigi-me ao «espadachim» (ou «arqueiro»?) mais parecido com “Porthos”, pois, embora com ar vaidoso, era o menos falador, e perguntei-lhe:

 

- Ouça, amigo, que tal acha o molho das moelas?

 

Se o «trigo de 4 cantos« não calhar tão bem, mando vir «sêmea da Engrácia»!

 

O “Porthos” entendeu a ordem. Deitou a mão a um dos «4 cantos», corou-o, partiu-o ao meio, molhou-o bem molhado no molho das moelas, e meteu-o na bainha, quer-se dizer, à boca.

 

Ainda com a beiça colorida pelo piri-piri oleado, olhou para mim, e opinou:

 

- “Trás-d’orelha”, amigo!

 

Coradinhas, as codornizes foram servidas.

 

- Que linda cor! – exclamou o «fediola- arqueira» (ou «espadachim»?), parecido com “Errol Flyn”.

 

- Tem pimentos do vinagre? – perguntei ao taberneiro.

 

Ao sinal de assentimento, fiz sinal de quantidade, levantando dois dedos para o tecto e mexendo os lábios a soletrar:

- dois pratinhos!

 

Esta flaviense guarnição flaviense, legítima herdeira dos “Dragões de CHAVES” (séc. XVIII) e hoje consagrada Ala dos “Defensores de CHAVES”,  aquartelada no forte do Postigo das Manas, estava mesmo bem guarnecida de material de combate contra a falta de apetite.

 

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Vendo-nos entretidos na emboscada às codornizes, no golpe de mão aos «4 cantos», no ataque bucal ao «tinto», o taverneiro cuidou de começar a distribuir fumegantes pratos de caldo pelos outros clientes.

 

Foi assim que dei contar de se estar na hora do Jantar.

 

Porra! Almoço!

 

Antigamente (e eu já sou antigo) é que era «Jantar»!

 

Agora, a moda é «almoço»!

 

Desculpem!

 

Levantei a mão:

 

- PssssT!

 

-Imaginei-me o General Custer e o seu “7º de Cavalaria”, erguendo, tão garbosamente o braço a ordenar «Alto!», ao chegar a «Washita river».

 

- Meus senhores, acho que a hora dos aperitivos acabou.

 

Espero que se lhes tenha aberto o apetite.

 

Vamos almoçar?

 

Depois, querendo meter graça, acrescentei:

- Se algum tiver medo d’ao chegar a casa levar uma trepa da mulher, com o rolo da massa ou com os atilhos do avental, pode desertar!

 

Todos se riram a bandeiras despregadas.

 

Até os outros clientes!

 

Fiz sinal ao taberneiro (ele estava sempre muito atento à nossa mesa) para se aproximar. Ele aproveitou para trazer mais duas dionisíacas canadas.

 

Pareceu-me ter ouvido «entrecosto» e «bifana».

 

Como não estávamos numa 4ª feira, não estranhei a ausência de «feijoada».

 

Disse para o taverneiro:

 

- Para mim, e para começar, uma malga de caldo quentinha. Bem quentinha!

 

Reparei que, pelo silêncio, o caldo «furava a barriga» ao «capitão» e «espadachins» (ou «arqueiras»?) do Arrabalde!

Insisti:

 

Bem, uma malga de caldo para mim. E “fachabor” de trazer «bifanas» e, depois, «entrecosto» para todos.

 

“Os Santos, de CHAVES” [-na βerdade, não há outra Feira que se lhe compare, assegurou o «arqueiro» (ou «espadachim»?) muito parecido com o “Verdinho” das Casas-dos-Montes], o S. Caetano, a Srª da Saúde e a da Azinheira, o S. Pedro de Agosto (d’Águas Frias); as Verbenas; “Os Pardais”, “Os Canários” e o “Calypso”; os «bailes nos Bombeiros»; “os “Lázaros”; o «comboio batateiro»; o chincalhão, «as copas», o «sapo»; o contrabando ... do “Tabu”, dos caramelos e ... do resto; as cheias do rio; os «pic-nics» no Açude; as «tripas», no “Central», as almôndegas, no Mondariz, depois do cinema; e a Senhora das BROTAS quantos elogios e arroubos de eloquência mereceram naquela mesa!

 

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Ao vir levantar os pratos e as travessas, o taberneiro, reparando nos copos vazios, sopesou as canecas.

 

- “Atão” este fica pra cerimónia?!- falou, referindo-se ao vinho que restava nas vasilhas de canada.

 

- Bem, disse o «espadachim» (ou «arqueiro»?) muito parecido com “Guevara” (usava boina galega, bigode à “Cantinflas e barbicha por aparar!), a mim quer-me parecer que parece mal esse restito ir para trás. É melhor aliβiar as canecas!

 

Pegou nelas, e escorropichou-as pelos copos dos cinco «arqueiros» (ou «espadachins»?)   -   eu e o «capitão aperaltado» havíamos tapado os nossos copos com a palma da mão.

 

- Bagaço!  – reclamou o «capitão do Arrabalde».

 

O taverneiro lá voltou, «rápido e depressa», à nossa mesa com duas garrafas e sete copinhos bagaceiros.

 

Apresentou as garrafas, uma em cada mão, e com elogios:

 

- Esta é uma «marelinha» das EIRAS; e esta é uma com ervas aromáticas!

 

- Deixe as duas, «fachaβor»!   -  ordenei.

 

Apanhei o meu copo bagaceiro, e falei para o taberneiro:

 

- Para mim, um copo dos grandes.

 

Tem Geropiga?

 

- O senhor está com sorte! Ontem mesmo, o meu compadre da Ribeira de Oura veio à cidade e trouxe-me uma garrafinha dela.

 

Um momento!

 

Lépido, o tavernerio correu a buscar a doirada bebida de OURA.

 

- Como vê, ‘inda não foi «incertada».

 

«Fachaβor» de se servir.

 

Peguei na garrafa. Levantei-a contra a luz e a contra-luz.

 

O saca-rolhas mostrou-se afinado.

 

Meei bem meado, que é como quem diz: quase enchi o copo, avaliei, na ponta da língua, a doçura; no meio, a acidez; e atrás, o amargo.

 

Ficou aprovada.

 

Com distinção!

 

Voltei a encher o copo (desta vez mais cheiinho) e bebi um gole a escorregar bem pela garganta abaixo.

 

Que bem me assentou no estômago!

 

O taberneiro mantinha-se ao meu lado, com enorme curiosidade pelos meus gestos, trejeitos e olhares.

 

Reparei no seu ar vaidoso, por ter um «rico» compadre!

 

E, para se certificar da satisfação que sentia com a oportunidade de exibir aquela preciosidade perante um «entendido», pergutou-me:

 

- “Atão”, que acha deste «achado»?

 

- Oh! Amigo! Isto é diamante puro!

 

E, se me dá licença. Agora que já a provei, vou beber um copo dela!

 

Meu dito, meu feito!

 

O «capitão do Arrabalde» e os «espadachins» (ou «arqueiras»?) iam alternando a «marelinha» com a «aromática»!

Quando eu ia para botar, após a «proβa», claro está, o segundo copo, reparei que as garrafas do bagaço já estavam vazias.

 

“Diligis, cadis cum faece sicutis, amici”!

 

Merenda comida, sociedade desfeita!  -  dizia-se no “intigamente”.

 

Seguindo o meu olhar, o taverneiro topou o mesmo que eu.

 

- “Tá tudo”?!  -  perguntou e exclamou o taberneiro.

 

Levantámo-nos da mesa.

 

O «capitão do Arrabalde» mais os «arqueiras» (ou espadachins»?) quase se engaliavam a ver qual deles era o primeiro a puxar da carteira, teimosa e casmurra a não sair do bolso, e a refilarem o «pago eu!».

 

Pisquei o olho ao taberneiro, homem fino que nem um alho!

 

Imperioso, imperativo e com aprumo de imperador (não fosse ele, taverneiro, descendente de Trajano!), berrou:

 

- Não adianta discutirdes!

 

A despesa já ‘stá paga!

 

Discretamente, passei para as mãos do taberneiro um rolo de notas a arredondar bem redondinha a «conta».

 

Eu ainda não tinha chegado à porta de saída e já o taverneiro estava a tentar meter-me no bolso do casaco uma garrafa.

Sussurou:

 

- O meu compadre da Ribeira de Oura traz-me sempre DUAS.

 

Tome. Esta é especial para o senhor.

 

E quando voltar a CHAVES «fachaβor» de me «βisitar»!

 

Agradeci, todo contente.

 

No LARGO do ARRABALDE despedi-me dos «garibaldis» flavínios.

 

As declarações, as «receitas», as opiniões, as queixas, as revelações, as «noβidades», as intenções e os testemunhos do aperaltado «capitão do Arrabalde» e dos «espadachins» (ou «arqueiras»?) guardei-os bem guardados na minha “Pasta de Documentos”, para «memórias futuras»!

 

Fui dizer adeus às “Freiras”.

 

Do Brunheiro, na aragem fresca que dele descia, um queixume de saudade espalhou-se pela cidade.

 

Mozelos, dezassete de Fevereiro de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

 

 

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Quinta-feira, 20 de Abril de 2017

Cidade de Chaves - "Arrebalde"

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Quarta-feira, 4 de Maio de 2016

Chaves, uma imagem

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Segunda-feira, 27 de Abril de 2015

De regresso à Cidade - Rua Direita e Arrabalde

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 Abril, águas mil. Confirma-se!

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:51
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Terça-feira, 1 de Outubro de 2013

Uma imagem e poucas palavras

Está prometido, está prometido, mas não houve tempo para trazer aqui os resultados completos das autárquicas em Chaves, que só mais logo serão possíveis. Fica uma imagem de ontem.




 

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Sexta-feira, 12 de Julho de 2013

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Terça-feira, 28 de Maio de 2013

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Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

Arrabalde no 1º de Maio de 2013

 

1º de Maio, Dia do Trabalhador em Chaves, em Portugal e em todo o mundo democrático, pelo menos, mas como Chaves não é muito dada a manifestações, aproveita-se o feriado para desfrutar como cada um lhe da na gana.

 

Cá eu, por obrigações familiares aproveitei uma ida à cidade e andei a calcorrear os caminho do “Lombudo” devidamente equipado. Faltou o cão, faltam os militares atrás das “sopeiras”, faltam os barcos no Tâmega e muita coisa que repousa nas memórias do passado. Hoje é mais espanhóis e um ou outro turista nacional a percorrer as ruas da cidade. Poderíamos ter mais turistas se as políticas atuais não fossem de pobreza (em todo o seu sentido), e também a cidade poderia apostar mais nestes dias, mas enfim, a pobreza (também de ideias) é generalizada e os residentes do largo dos pasmados lá se vão entretendo a ver magotes de espanhóis a passar. Recordações de Chaves levam-nas em imagem. Eventos, festas, feiras e feirinhas, só as de sucesso e depois para que oferecer Chaves aos que nos visitam… os nossos sonhos vão muito mais além, só nos falta mesmo é encontrar o sonho certo.

 

Seja como for, fica um registo fresquinho de Chaves com uma imagem do Arrabalde e de um magote de espanhóis há coisa de uma hora atrás. Mais fresquinha que esta é quase impossível.


Um bom resto de 1º de Maio que amanhã é dia de trabalho para quem tem a felicidade de ainda ter trabalho.



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publicado por Fer.Ribeiro às 16:37
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Terça-feira, 2 de Abril de 2013

Pedra de Toque

 

 

O Arrabalde

 

         É, desde há muito, o centro da minha cidade.

 

         Nasci perto e, por isso, conheço-lhe as esquinas, os recantos, as gentes.

 

         No Arrabalde, confluem a rua do Tabolado, a rua 25 de Abril, a rua do Olival, a rua das Longras e as ruas de Santo António e Direita, estas durante muitos anos das mais comerciais da cidade.

 

         Utilizo na toponímia mais a designação tradicional das vias, de que os nomes apostos nas placas indicativas.

 

         O povo conhece-as por aqueles nomes.

 

         Nas décadas de 50/70, o Arrabalde era muito movimentado e, consequentemente, ponto de encontro dos flavienses, nomeadamente dos que moravam mais longe e aqui se deslocavam para se socorrerem dos serviços públicos (notários, conservatórias, tribunal) ou para fazerem compras nos estabelecimentos comerciais.

 

         As principais e mais antigas lojas da cidade situavam-se nesta praça.

 

         Tenho ainda vivo o retrato delas e dos seus donos.

 

         Os Silva Mocho, que faziam esquina, dominavam o negócio de mercearia, louças e derivados. Era a grande loja do ramo na cidade, comercializando ainda a granel produtos agrícolas. Os filhos comandavam o balcão onde com ajuda de empregados competentes (uma saudação especial para o senhor Manuel Ventura) atendiam muita freguesia.

 

         Logo ao lado, a Casa Prego, propriedade do Sr. David Ferreira e do Sr. Prego, este que fora emigrante no Brasil. A minha memória diz-me que aí também se vendiam produtos alimentares (mercearia).

 



         Ao lado em direcção à Rua do Olival, a Sr.ª Berta que vendia “farrapos” como então se dizia das indispensáveis roupas. Mulher pesada, sentada à porta do seu posto de vendas, mãe do Gilberto, meu amigo mais velho que morreu cedo.

         A leitaria do Sr. António também era muito frequentada. O pequeno Sr. António era um adepto fervoroso do Desportivo, que na bancada cabeceava a pontapeava ao ritmo dos nossos atletas.

 

         Colada a esta, a Cesarina, que vendia frutas, legumes, fumeiro e outras iguarias.

 

         Mulher do povo, afável, brejeira, era de resposta fácil e conhecia ricos e pobres que atendia, igualmente, com simpatia e boa disposição.

 

         As novidades da terra contavam-se e comentavam-se, quase em primeira mão, na muito frequentada loja da Cesarina.

 

         A Nair, sua irmã, felizmente ainda entre nós, vendia também “farrapos” num baixo ao lado.

 

         A seguir estava o Sr. Manuel com a sua esposa Barbara (o Manel da Barbara), que concorriam com a Cesarina na venda dos mesmos produtos mas sem o mesmo sucesso.

 

         Na rua que dá acesso às Longras, o Sr. Garcia de Oliveira, conhecido por Rouquinho, com móveis, o Sr. Manuel Santos Costa, conhecido por Manuel da Casaquinha, com fazendas, a moradia e o consultório do Dr. Jaime, distinto médico escolar e o Curião, que lembro de manguitos, de bata comprida cinzenta, a tirar do saco e a pesar o feijão e outras leguminosas.

 

         Quase em frente ao tribunal, a loja dos Sr.s Machados, muito visitada por rurais, que ai compravam fazendas e confeções.

 

         Ao lado, a casa dos Montezinhos, onde eu adquiria lousas, ponteiros e cadernos para levar para a escola primária.

 

         Conhecidíssimos no burgo, nomeadamente por serem pessoas muitíssimo poupadas, o que motivou que se alcunhassem, como sendo iguais aos Montezinhos, os que muito amealhavam e não gastavam.

 

         Três edifícios imponentes e sobranceiros dominavam o largo: o Banco Ultramarino, o Banco Pinto e Sotto Mayor e o Palácio da Justiça.

 



         Muito perto do segundo, ficava a Casa de Saúde do Dr. Alcino, médico brilhante, que sarou e cuidou de muita gente, Casa de Saúde essa instalada num bonito prédio ainda hoje muito admirado por quem nos visita.

         Por baixo, a oficina do Sr. Abel sapateiro, um bom profissional, clarinetista exímio na banda dos Pardais.

 

         Era um homem educado, asseado, popular e gentil.

 

         Paredes meias, a tasca do Barral, o espanhol que por aqui se fixou e que confecionava bons petiscos.

 

         Na esquina com a Rua Direita, o estabelecimento de fazendas do Sr. António Joaquim dos Santos que, segundo me contam, não deixou por cá descendência.

 

         A barbearia da praça era propriedade do Tótó Pinga e aí, para além da barba e cabelo, cortava-se na casaca e discutia-se futebol e outras minudências.

 

         O Sr. Artur Freire, homem inteligente e bonacheirão, pai de dois bons amigos, era dono da loja de mercearia e derivados instalada onde se encontra actualmente a Electro Flavia.

 



         Não quero deixar de referir ao finalizar esta fotografia do velho Arrabalde, o Quiosque Central, onde ainda conheci o seu fundador, o Sr. Morais, e que foi continuado até ao presente pelo seu neto, o sempre jovem Zeca Morais, agora acolitado pelo seu filho Helder, todos gente simples, gente boa, estimada e respeitada.

 

         Aliás naqueles tempos severos e difíceis, onde as pessoas, mesmo com meios de fortuna distintos, todas elas se conheciam e cultivavam a conversa, a laracha, mas a vida ia correndo na cidade maneirinha.

 

         Salvo excepções (raras) os homens e as mulheres eram simples e populares e deles nasceram figuras que ficaram perenes nas estórias da nossa terra, a linda cidade de Chaves.

 

         O Arrabalde continua uma bela praça circundada por edifícios de arquitetura apreciada, que merece, por isto e por tudo o que foi dito, este destaque.

 

         Contudo, em termos de movimento já não é o que era, apesar de, por aqui, ainda desaguarem, em especial nos dias de feira, muitos cidadãos do burgo e das aldeias vizinhas.

 

         Actualmente existem vários centros na cidade.

         Mas a “geografia” do Arrabalde ainda se lá mantem.

 

         Só que os aqui estabelecidos (já pouquíssimos aqui habitam), e os que por vezes aqui descem,

 

         Já não cantam a Marcha de Chaves, com a mesma alma e fervor com que cantavam os que por aqui moravam e trabalhavam nos anos cinquenta a setenta

 

 

António Roque

 

 

 

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Sexta-feira, 15 de Março de 2013

Chaves - Uma imagem

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:34
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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2013

Discursos sobre a cidade - Por Isabel Seixas

 


Arrabalde

Talvez o teu nome confunda

Quem te olha pela primeira vez

Induza em erro e difunda

A cercania da tua altivez…

 

Sempre acoitaste os pasmados

Em verborreias insanas

Em palestras de deuses e diabos

E planos com teias levianas…

 

O teu rosto comercial

Banhado de uma claridade invejável

Traz-nos toda a recordação ancestral

De desejos do progresso sustentável.

 

Sabemos de ti

Por  presentes e passados

Por amantes condenados

Por trabalhadores que  vi

Render-se a ti como escravos

 

Além das tuas casas senhoriais

Escondes subúrbios improváveis

De emoções órfãs de pais

Secretas sórdidas  puras e memoráveis

Acoitaste vetustas liguilhas

Que mais não eram

Senão gritos de liberdade

Dos homens presos por partilhas

De dores que sempre sofreram

De ausências sem dó nem piedade

 

Abraçaste amores impedidos

Por maus-olhados insensatos

Escritos nos anais da moral

De um deus mal amado, com crivos

Quase gratuitos de baratos

Desdenhando valores sem preço

Como arma de arremesso a destilar  mal

 

Ah, mas escreves a história de Chaves

Esculpida em horizontes infinitos

Num espaço onde cabem todos sem entraves

Os de passagem os antigos e os que ainda estão aflitos…

 

Arrabalde

Centro de todas, porque grandes atenções

Capturas sempre mesmo à passagem

O  nosso olhar admirado e debalde

Face à tua indiferença pelas nossas paixões

Capturadas por  ti em mais uma miragem…

 

De qualquer forma, Arrabalde

Mesmo  esse debalde

A tua arrogância

Embalo-me  nos teus braços quando passo e abraço

O passado de encontros que me deixas,

Dos futuros de ontem  já  presentes,

Dos sonhos  dançados, quietos nas sementes,  teu regaço

 

E já  como quem chora a pedir a alegria,

Que sempre nos falta já  no cansaço,

De te ver seminu,  nas ruinas, que bloqueiam espaço

Ao correr suave da justiça alma da poesia…

 

Rendo-me , quando por ti passo

E volto sempre ao olhar do teu abraço…

 

Isabel Seixas



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Sábado, 19 de Janeiro de 2013

Semana do Arrabalde - 6

AS TERMAS ROMANAS

 

 

Em 11 de Agosto de 2006

 

 

No início desta semana do Largo do Arrabalde já deixámos um pouco da sua história ao longo dos anos. Durante toda a semana fomos deixando por aqui o Largo do Arrabalde ao longo dos últimos anos do século XIX e século XX. Deixámos imagens do Largo do Arrabalde quando foi conhecido por outros topónimos, como o de Praça Rui e Garcia Lopes(1915), Largo Dr. António Granjo (1923) e Largo Monsenhor Alves da Cunha (1947). Mas tal com Firmino Aires afirmava na Toponímia Flaviense, o povo quis que fosse Largo do Arrabalde e aasim o é hoje em dia.



Em 11 de Agosto de 2006


Pois hoje entramos nas imagens do Século XXI, precisamente com o que de mais importante se passou por lá e que viria a ditar um futuro bem diferente para este largo. A história deste acontecimento resume-se em poucas palavras.


Em 11 de Agosto de 2006


O anterior executivo camarário (socialista) tinha previsto um estacionamento subterrâneo para o então Jardim das Freiras. Fez-se o projecto, destrui-se o jardim, fizeram-se as escavações arqueológicas, adjudicou-se a obra e quando estava para iniciar as obras, o executivo socialista perdeu as eleições autárquicas (2001) a favor do PSD. Não sei porque razão, nem interessa para o caso, o novo executivo abandonou o estacionamento subterrâneo das Freiras e desloca-o para o Largo do Arrabalde, mais propriamente para a praça que se localizava em frente ao Palácio da Justiça.


Em 31 de Janeiro de 2007


Já se sabe que em Chaves quando se abre um buraco no Centro Histórico, graças ao nosso passado romano, são obrigatórias escavações arqueológicas, assim, sempre que há um projecto para o Centro Histórico são necessárias sondagens para saber o que há no subsolo e,  no caso de ser encontrar qualquer coisa de interesse arqueológico, ter-se-á de proceder a escavações arqueológicas antes de qualquer obra.  


Em 8 de Setembro de 2007


Já se tinha conhecimento que por tinha existido o Baluarte da Vedoria das muralhas seiscentistas, mas sendo Chaves uma cidade que foi povoada pelos romanos, era natural que por lá se encontrassem vestígios dessa época.


Em 26 de Setembro de 2007


Em 2004, com a finalidade de avaliar o impacte sobre o património arqueológico do projecto de construção do parque de estacionamento subterrâneo a Câmara Municipal procedeu à abertura de três sondagens arqueológicas. Na segunda das sondagens previstas foi encontrado um pavimento em lajeado granítico de aparelho muito perfeito e datação romana, que indiciava a presença no local de estruturas monumentais bem conservadas desta época. Dado que nascia água quente no canto da sondagem, pôs-se desde logo a hipótese de se tratarem das termas romanas da cidade. Estes vestígios, caso se confirmasse a existência das termas romanas, inviabilizariam a construção do parque de estacionamento previsto e, assim aconteceu, pois as escavações arqueológicas iniciadas em 2006 viriam a por a descoberto, primeiro parte do Baluarte da Vedoria e por baixo destas as tais termas romanas que por uma qualquer razão desconhecida ruíram um dia mantendo-se no entanto as ruínas quase na íntegra, incluindo a cobertura.


Em 11 de Abril de 2008


Removidos os derrubes da cobertura e as camadas de argamassas e areias de construção que lhe estavam associadas, a equipe de arqueologia da Câmara Municipal chefiada pelo Arqueólogo Dr. Sérgio Carneiro, que segundo o relatório de candidatura a Monumento Nacional das Termas Romanas  “verificou-se que as lamas subjacentes tinham conservado em ambiente húmido anaeróbico todos os metais e matéria orgânica em condições de conservação excepcionais, proporcionando um espólio de peças únicas de grande valor cientifico. De entre essas peças destaca-se um pirgo (torre para lançar dados de jogar) em opus interassile de bronze que constitui um dos três únicos exemplares deste tipo de objecto existentes no mundo (os outros dois encontram-se no Landsmuseum de Bona, na Alemanha e no Museu do Cairo, no Egipto), um fragmento de cestaria forrada de cortiça que envolvia originalmente uma garrafa, de forma a conservar a temperatura da água no seu interior, vários pentes em madeira, uma turquês em ferro perfeitamente conservada, uma ampulla (garrafa achatada e larga com duas asas) em madeira com uma inscrição no exterior, uma taça baixa em madeira, diversos objectos de adorno em madeira, metal e osso, como anéis, braceletes e pulseiras, contas em madeira osso vidro e cornalina, etc.”


Em 11 de abril de 2008


Quanto à termas romanas e edifício termal encontrado no Arrabalde, já em tempo oportuno deixámos aqui uma reportagem que pode ser vista aqui:

http://chaves.blogs.sapo.pt/319912.html


 

Em 6 de junho de 2008

 

No entanto o mencionado relatório acrescenta ainda:Tal como as restantes cidades romanas com o elemento Aquae no seu nome, cerca de uma centena em todo o Império e oito conhecidas na Hispania (VELASCO 2004), Aquae Flaviae era uma verdadeira estância termal no período romano, o balneário, que constituiria o núcleo definidor do aglomerado urbano, deveria ocupar uma grande parte da área total da cidade. Tratavam-se de termas de tipo terapêutico, muito diferentes tanto em forma como em função das termas higiénicas comuns a todas as cidades romanas. Eram vocacionadas para o tratamento de doenças e este facto, junto com o de estarem, seguramente, associadas a um centro de culto dedicado à divindade que se julgava propiciar os efeitos benéficos das suas águas, atraíam gente de diversos lugares, por vezes bem distantes.”


Em 31 de Agosto de 2008


E continua “Tendo em conta as informações de que, durante as obras de construção do Cine Teatro de Chaves, em 1964, distante cerca de 200 m. do local das presentes escavações, apareceram tanques e canalizações em tudo semelhantes às agora descobertas, bem como o número e capacidade das condutas de escoamento das águas, o complexo termal ocuparia cerca de um terço da área urbana da cidade romana, e teria uma volumetria só comparável, em contextos provinciais, à de Aquae Sulis, na Britania, (actual Bath, Inglaterra), classificada como Património da Humanidade pela UNESCO em 1987 (http://whc.unesco.org/en/list/428/documents/).”


Em 27 de setembro de 2008


Na área escavada até ao momento foi descoberta uma piscina de grandes dimensões (13,22 x 7,98 m.) com cinco degraus no seu topo Norte, uma outra apenas parcialmente escavada mas da qual um dos lados deverá ter cerca de 8 m., com seis degraus a toda a volta,  um tanque pequeno, possivelmente para banhos individuais.


Em 16 de Outubro de 2008


Toda a estrutura termal era composta complexo sistema de condutas de entrada e saída das águas que ainda correm com uma elevada temperatura e um caudal considerável que ainda continua a encher as piscinas. Segundo o mesmo relatório “A cobertura da área central, incluíndo a piscina A e a área de acesso a esta, era composta por uma grande abóbada de canhão em opus laetericium revestida a opus signinum. Algumas das condutas seriam também cobertas por telhados em tegulae e imbrex.O sistema de condutas de escoamento das águas sofreu alterações ao longo da utilização do balneário, tendo algumas condutas sido tapadas e novas derivações construídas.


Em 16 de Outubro de 2008


Quanto à cronologia do edifício, apenas podemos referir, de momento, que o seu abandono se terá dado, como indicam os materiais selados pelos derrubes associados ao colapso da abóbada de cobertura, no último quartel do séc. IV d.C. Não tendo ainda sido escavados os níveis correspondentes ao enchimento das valas de fundação de nenhuma das estruturas do complexo termal, não dispomos de elementos que nos permitam avançar para a datação da construção ou remodelações que este terá sofrido.


Em 16 de outubro de 2008


Ainda que existam indícios de outros balneários romanos de tipo terapêutico no actual território português (Termas da Fadagosa, Marvão; Caldas de Visela, Braga; Caldas de Canavezes, Marco de Canavezes; Caldas de Monchique; Nossa Senhora dos Banhos, Anadia, etc.) apenas subsistem as ruínas de dois: as Termas de S. Vicente, em Penafiel, em vias de classificação com despacho de abertura de 14 de Julho de 1999 e as de S. Pedro do Sul, Monumento Nacional pelo 28 536, DG 66, de 22-03-1938, sendo que nenhum dos dois se pode comparar em monumentalidade, estado de conservação e espólio com o conjunto em apreço.”


Em 15 de abril de 2009


Apreço que passados dois anos de ter sido feito o pedido de classificação das Termas Romanas como Monumento Nacional, o Governo aprovou por Decreto no passado 6 de dezembro de 2012, passando Chaves a ter mais um Monumento Nacional de origem romana, bem juntinho a um outro que nós conhecemos desde sempre – a Ponte Romana.


Em 4 de Março de 2010


Segundo notícias publicadas na “Voz de Chaves” (http://diarioatual.com/?p=78241) “Dentro de uma década, as Termas Romanas de Chaves poderão vir mesmo a ser classificadas Património Mundial da UNESCO, pois já há estudos preliminares a decorrer. “Possivelmente [o monumento] será integrado numa rede de balneários termais romanos de toda a Europa. Em Inglaterra já existe um que está classificado como património mundial e o caminho será talvez o alargamento dessa classificação a Chaves e demais balneários termais romanos”, confirmou o arqueólogo Sérgio Carneiro.”


Em 22 de março de 2010

 

As imagens que aqui fica foram sendo tomadas ao longo das escavações do Arrabalde e ficam por ordem cronológica com a respectiva data.


 

Em 11 de outubro de 2010

 


Amanhã concluímos esta semana do Arrabalde com mais imagens, apenas imagens, pois isto de deixar por aqui informação mais valiosa não pode acontecer todos os dias.


Em 21 de Abril de 2012


Até amanhã com o rematar da semana do Arrabalde, entretanto ainda viermos outra vez por aqui ainda hoje.



Em 29 de Abril de 2012


Para quem quiser ver a anterior reportagem sobre as “Termas Romanas”, deixo aqui de novo o link onde há mais informações sobre as mesmas:

 

http://chaves.blogs.sapo.pt/319912.html

 

 

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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2013

Semana do Arrabalde - 1

 

Esta rúbrica das semanas temáticas pretende privilegiar a imagem, no entanto vai haver vezes em que algumas palavras vão ser necessárias, principalmente no primeiro dia da semana, como no caso de hoje em que iniciamos a Semana do Arrabalde.




Embora a maioria das imagens que aqui irão passar sejam do século actual e do século passado, conseguimos ainda imagens de vestígios com quase dois mil anos, mas lá chegaremos no final da semana, o que desde já demonstra a importância desde largo que, em nada me repugna dizer, ser sem dúvida alguma o principal largo da cidade e que durante quase (pelo menos) 2000 anos foi o grande “hall” ou sala de entrada na urbe flaviense.




Firmino Aires, na Toponímia Flaviense, inicia por dizer ao respeito do Arrabalde:


“ Já se chamou Largo Dr. António Granjo; Monsenhor Alves da Cunha (…), Praça Rui e Garcia Lopes e Arrabalde das Couraças.

Arrabalde, chama-se desde há séculos. Na Idade Média ficava fora das portas da muralha da vila. Era um arrabalde ou arredores da vila, entre esta e a velha Ponte de Trajano. É preferido este lugar pelos políticos para ali homenagearem os seus ídolos ou regime. Para que pretender apagar a História ou quebrar tradições?

Esta designação tem tido tal impacto popular que muitos nomes de pessoas iminentes ali colocados foram rejeitados e lançados ao esquecimento.”




Firmino Aires tinha toda a razão. A História e a tradição não se apagam com nomes sonantes ainda por cima quando nem sempre são consonantes e estão quase sempre ligados à politica de ocasião. O Arrabalde será sempre o Arrabalde, tal como as Freiras (embora já não seja jardim)  ou o Jardim do Bacalhau. O povo faz justiça ao continuar a chamar-lhe pelos nomes que sempre os conheceram. Contudo, e ainda quanto ao Arrabalde que penso todos concordam com o topónimo, tem uma alcunha pela qual também é muitas vezes conhecido, sobretudo por muito pessoal do mundo rural que o apelida também por “Largo dos Pasmados”. Quem por lá pasmar um bocado a apreciar a vida do largo, verá que a alcunha não é descabida de todo.




Ainda sem conhecer a realidade de tempos bem mais antigos que remontam à ocupação romana que as recentes escavações arqueológicas puseram a nu, Ribeiro de Carvalho no seu livro Chaves Antiga referia:

 

“ O largo do terreiro do Arrabalde das Couraças era primitivamente o descampado entre as muralhas da praça e o rio, juntando-se-lhe, depois das invasões francesas, o terreno resultante da demolição do baluarte da praça que estava ligado à muralha do Olival e ocupava todo o espaço  do antigo mercado (em frente ao Palácio da Justiça), até à rua das Longras. Este baluarte , que se chamava o Cavaleiro da Vedoria, era semelhante ao que ainda hoje existe no quintal da casa do Correio (Início da Rua Gen.Sousa Machado), e que então se chamava o Cavaleiro da Amoreira. Os dois “cavaleiros”, unidos pela “cortina”, que que ainda existe um troço, tendo uma porta na altura da Rua Direita e um “postigo” na altura da Rua Nova (Postigo das Manas) formava uma “frente abaluartada”, para defesa da praça do lado do rio…”



Também as recentes escavações arqueológicas puseram a nu parte do Baluarte do Cavaleiro da Vedoria que Ribeiro de Carvalho refere, mas que as mesmas escavações arqueológicas acabaram por retirar quase na integra, pois o que se apresentava sob elas eram de maior antiguidade e importância. Refiro-me, claro, aos balneários das termas Romanas que pensa-se (pois parte deles ainda continuam soterrados) que ocupariam a grande parte do actual largo do Arrabalde.



Ribeiro de Carvalho continua:


“ Demolido o Cavaleiro da Vedoria, ficou existindo no lugar que ele ocupava um terreno irregular, em declive para o rio, que o Senado da Câmara mandara terraplanar  e nivelar, construindo-se para esse fim um muro de suporte do lado Nascente, sobre o qual  mais tarde se edificou a ARCADA  DO ARRABALDE! Em 1820 essa terraplanagem estava apenas iniciada, mas com o Terreiro da Vèdoria, junto ao Arrabalde das Couraças, apesar de irregular e de não pavimentado, era mais vasto do que o Anjo, nele se realizava o mercado do cereais, que já em finais do século XVIII se mudara para o Arrabalde das Couraças, ao que parece, de motu próprio dos feirantes.”




Firmino Aires, na Toponímia Flaviense,  remata a história (então conhecida) do largo:


“ Em 14 de Outubro de 1820, deixou o mercado de se efectuar no Largo ou Terreiro do Anjo, passando a efectuar-se na Vèdoria junto ao Arrabalde das Couraças.

Para que isso acontecesse, muitas dissidência houve entre a parte alta – o Anjo e a baixa do Arrabalde  e a Madalena, que se prolongaram até 1823.

De 1952/58 foi construído o Palácio da Justiça.”  

 

Ao que parece a gente da antiga Vila de Chaves, sem o poder democrático de hoje, participava mais nas decisões da vida de Chaves do que hoje em dia, pois só assim se explica algumas das aberrações que têm nascido na cidade nos anos da democracia. Uma dessas, propunha-se desfazer o largo do Arrabalde para nele construir um parque de estacionamento subterrâneo,  e que me lembre, ninguém fez grande alarido, no entanto há males que vêm por bem, e com a pretensão do estacionamento descobriu-se soterrado o antigo balneário das terma romanas, hoje já classificadas como monumento nacional, que vai dar lugar a um museu. Em suma, o Largo do Arrabalde amplo como era, o tal local preferido por políticos para homenagearem os seus ídolos,  vai à vida, resta saber o impacto que o novo edifício vai ter no largo, mas do mal o menos, ganha-se um museu e um valioso testemunho da história romana em Chaves.




Em suma, o Largo do Arrabalde ao longo dos tempos já foi balneário termal, simplesmente arrabalde, baluarte, mercado municipal, largo da justiça (palácio) e agora vai ter museu, dizem, vamos ver se há dinheiro, entretanto, o tal parque de estacionamento que era para ser nas Freiras, depois no Arrabalde, depois noutro sítio qualquer, tarda em aparecer, mas para ser onde está previsto, mais vale que não exista. Tenhamos fé e esperança que os flavienses comecem a ter uma palavra a dizer no futuro da sua cidade, pois os políticos, democraticamente, são eleitos para representar o povo e a sua vontade, e não para fazerem aquilo que querem. O mandato, não dá para tanto, mas se o povo deixa,  eles aproveitam-se.



Quanto às imagens, hoje ficamos com as da primeira metade do século passado. Vou tentar deixá-las por ordem cronológica, no entanto não posso garantir essa ordem porque não vivi esses tempos .

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Sexta-feira, 16 de Março de 2012

" Três imagens de Chaves com gente dentro"

 

Hoje parti à caça de imagens (no meu arquivo recente) e não tive dúvidas quanto à seleção. Hoje eram estas as imagens que queria. Queria imagens com vida, com gente dentro e não foi difícil, bastava encontrar imagens de um dia de feira, e gente não falta. Penso mesmo que todos os dias deveriam ser dias de feira em Chaves. Que bom que era.

 

O meu problema surgiu quando me pus à procura de um título para o post.

 

 

Ficou este título de “Três imagens de Chaves com gente dentro” mas duvidei se não deveria ser “Três imagens coloridas de Chaves a preto e branco” ou o contrário – “ Três imagens a preto e branco de Chaves colorida”.

 

Pelo caminho ainda pensei e dar-lhe o título “ A vida do Bino dava um filme” ou “Bino pasmado no largo”, mas como a gente que não é da minha criação não conhece o Bino e as imagens além do largo abrangem a ponte, fiquei-me pelas “Três imagens de Chaves com gente dentro”.

 

 

E prontos! Hoje as imagens já aí estão e o problema das palavras, ai as palavras,  está resolvido.

 

Penso que hoje ainda vamos ter um “Discurso sobre a cidade”.

 


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publicado por Fer.Ribeiro às 03:29
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