1º de Maio, Dia do Trabalhador em Chaves, em Portugal e em todo o mundo democrático, pelo menos, mas como Chaves não é muito dada a manifestações, aproveita-se o feriado para desfrutar como cada um lhe da na gana.
Cá eu, por obrigações familiares aproveitei uma ida à cidade e andei a calcorrear os caminho do “Lombudo” devidamente equipado. Faltou o cão, faltam os militares atrás das “sopeiras”, faltam os barcos no Tâmega e muita coisa que repousa nas memórias do passado. Hoje é mais espanhóis e um ou outro turista nacional a percorrer as ruas da cidade. Poderíamos ter mais turistas se as políticas atuais não fossem de pobreza (em todo o seu sentido), e também a cidade poderia apostar mais nestes dias, mas enfim, a pobreza (também de ideias) é generalizada e os residentes do largo dos pasmados lá se vão entretendo a ver magotes de espanhóis a passar. Recordações de Chaves levam-nas em imagem. Eventos, festas, feiras e feirinhas, só as de sucesso e depois para que oferecer Chaves aos que nos visitam… os nossos sonhos vão muito mais além, só nos falta mesmo é encontrar o sonho certo.
Seja como for, fica um registo fresquinho de Chaves com uma imagem do Arrabalde e de um magote de espanhóis há coisa de uma hora atrás. Mais fresquinha que esta é quase impossível.
Um bom resto de 1º de Maio que amanhã é dia de trabalho para quem tem a felicidade de ainda ter trabalho.
O Arrabalde
É, desde há muito, o centro da minha cidade.
Nasci perto e, por isso, conheço-lhe as esquinas, os recantos, as gentes.
No Arrabalde, confluem a rua do Tabolado, a rua 25 de Abril, a rua do Olival, a rua das Longras e as ruas de Santo António e Direita, estas durante muitos anos das mais comerciais da cidade.
Utilizo na toponímia mais a designação tradicional das vias, de que os nomes apostos nas placas indicativas.
O povo conhece-as por aqueles nomes.
Nas décadas de 50/70, o Arrabalde era muito movimentado e, consequentemente, ponto de encontro dos flavienses, nomeadamente dos que moravam mais longe e aqui se deslocavam para se socorrerem dos serviços públicos (notários, conservatórias, tribunal) ou para fazerem compras nos estabelecimentos comerciais.
As principais e mais antigas lojas da cidade situavam-se nesta praça.
Tenho ainda vivo o retrato delas e dos seus donos.
Os Silva Mocho, que faziam esquina, dominavam o negócio de mercearia, louças e derivados. Era a grande loja do ramo na cidade, comercializando ainda a granel produtos agrícolas. Os filhos comandavam o balcão onde com ajuda de empregados competentes (uma saudação especial para o senhor Manuel Ventura) atendiam muita freguesia.
Logo ao lado, a Casa Prego, propriedade do Sr. David Ferreira e do Sr. Prego, este que fora emigrante no Brasil. A minha memória diz-me que aí também se vendiam produtos alimentares (mercearia).
Ao lado em direcção à Rua do Olival, a Sr.ª Berta que vendia “farrapos” como então se dizia das indispensáveis roupas. Mulher pesada, sentada à porta do seu posto de vendas, mãe do Gilberto, meu amigo mais velho que morreu cedo.
A leitaria do Sr. António também era muito frequentada. O pequeno Sr. António era um adepto fervoroso do Desportivo, que na bancada cabeceava a pontapeava ao ritmo dos nossos atletas.
Colada a esta, a Cesarina, que vendia frutas, legumes, fumeiro e outras iguarias.
Mulher do povo, afável, brejeira, era de resposta fácil e conhecia ricos e pobres que atendia, igualmente, com simpatia e boa disposição.
As novidades da terra contavam-se e comentavam-se, quase em primeira mão, na muito frequentada loja da Cesarina.
A Nair, sua irmã, felizmente ainda entre nós, vendia também “farrapos” num baixo ao lado.
A seguir estava o Sr. Manuel com a sua esposa Barbara (o Manel da Barbara), que concorriam com a Cesarina na venda dos mesmos produtos mas sem o mesmo sucesso.
Na rua que dá acesso às Longras, o Sr. Garcia de Oliveira, conhecido por Rouquinho, com móveis, o Sr. Manuel Santos Costa, conhecido por Manuel da Casaquinha, com fazendas, a moradia e o consultório do Dr. Jaime, distinto médico escolar e o Curião, que lembro de manguitos, de bata comprida cinzenta, a tirar do saco e a pesar o feijão e outras leguminosas.
Quase em frente ao tribunal, a loja dos Sr.s Machados, muito visitada por rurais, que ai compravam fazendas e confeções.
Ao lado, a casa dos Montezinhos, onde eu adquiria lousas, ponteiros e cadernos para levar para a escola primária.
Conhecidíssimos no burgo, nomeadamente por serem pessoas muitíssimo poupadas, o que motivou que se alcunhassem, como sendo iguais aos Montezinhos, os que muito amealhavam e não gastavam.
Três edifícios imponentes e sobranceiros dominavam o largo: o Banco Ultramarino, o Banco Pinto e Sotto Mayor e o Palácio da Justiça.
Muito perto do segundo, ficava a Casa de Saúde do Dr. Alcino, médico brilhante, que sarou e cuidou de muita gente, Casa de Saúde essa instalada num bonito prédio ainda hoje muito admirado por quem nos visita.
Por baixo, a oficina do Sr. Abel sapateiro, um bom profissional, clarinetista exímio na banda dos Pardais.
Era um homem educado, asseado, popular e gentil.
Paredes meias, a tasca do Barral, o espanhol que por aqui se fixou e que confecionava bons petiscos.
Na esquina com a Rua Direita, o estabelecimento de fazendas do Sr. António Joaquim dos Santos que, segundo me contam, não deixou por cá descendência.
A barbearia da praça era propriedade do Tótó Pinga e aí, para além da barba e cabelo, cortava-se na casaca e discutia-se futebol e outras minudências.
O Sr. Artur Freire, homem inteligente e bonacheirão, pai de dois bons amigos, era dono da loja de mercearia e derivados instalada onde se encontra actualmente a Electro Flavia.
Não quero deixar de referir ao finalizar esta fotografia do velho Arrabalde, o Quiosque Central, onde ainda conheci o seu fundador, o Sr. Morais, e que foi continuado até ao presente pelo seu neto, o sempre jovem Zeca Morais, agora acolitado pelo seu filho Helder, todos gente simples, gente boa, estimada e respeitada.
Aliás naqueles tempos severos e difíceis, onde as pessoas, mesmo com meios de fortuna distintos, todas elas se conheciam e cultivavam a conversa, a laracha, mas a vida ia correndo na cidade maneirinha.
Salvo excepções (raras) os homens e as mulheres eram simples e populares e deles nasceram figuras que ficaram perenes nas estórias da nossa terra, a linda cidade de Chaves.
O Arrabalde continua uma bela praça circundada por edifícios de arquitetura apreciada, que merece, por isto e por tudo o que foi dito, este destaque.
Contudo, em termos de movimento já não é o que era, apesar de, por aqui, ainda desaguarem, em especial nos dias de feira, muitos cidadãos do burgo e das aldeias vizinhas.
Actualmente existem vários centros na cidade.
Mas a “geografia” do Arrabalde ainda se lá mantem.
Só que os aqui estabelecidos (já pouquíssimos aqui habitam), e os que por vezes aqui descem,
Já não cantam a Marcha de Chaves, com a mesma alma e fervor com que cantavam os que por aqui moravam e trabalhavam nos anos cinquenta a setenta
António Roque
Arrabalde
Talvez o teu nome confunda
Quem te olha pela primeira vez
Induza em erro e difunda
A cercania da tua altivez…
Sempre acoitaste os pasmados
Em verborreias insanas
Em palestras de deuses e diabos
E planos com teias levianas…
O teu rosto comercial
Banhado de uma claridade invejável
Traz-nos toda a recordação ancestral
De desejos do progresso sustentável.
Sabemos de ti
Por presentes e passados
Por amantes condenados
Por trabalhadores que vi
Render-se a ti como escravos
Além das tuas casas senhoriais
Escondes subúrbios improváveis
De emoções órfãs de pais
Secretas sórdidas puras e memoráveis
Acoitaste vetustas liguilhas
Que mais não eram
Senão gritos de liberdade
Dos homens presos por partilhas
De dores que sempre sofreram
De ausências sem dó nem piedade
Abraçaste amores impedidos
Por maus-olhados insensatos
Escritos nos anais da moral
De um deus mal amado, com crivos
Quase gratuitos de baratos
Desdenhando valores sem preço
Como arma de arremesso a destilar mal
Ah, mas escreves a história de Chaves
Esculpida em horizontes infinitos
Num espaço onde cabem todos sem entraves
Os de passagem os antigos e os que ainda estão aflitos…
Arrabalde
Centro de todas, porque grandes atenções
Capturas sempre mesmo à passagem
O nosso olhar admirado e debalde
Face à tua indiferença pelas nossas paixões
Capturadas por ti em mais uma miragem…
De qualquer forma, Arrabalde
Mesmo esse debalde
A tua arrogância
Embalo-me nos teus braços quando passo e abraço
O passado de encontros que me deixas,
Dos futuros de ontem já presentes,
Dos sonhos dançados, quietos nas sementes, teu regaço
E já como quem chora a pedir a alegria,
Que sempre nos falta já no cansaço,
De te ver seminu, nas ruinas, que bloqueiam espaço
Ao correr suave da justiça alma da poesia…
Rendo-me , quando por ti passo
E volto sempre ao olhar do teu abraço…
Isabel Seixas
AS TERMAS ROMANAS
Em 11 de Agosto de 2006
No início desta semana do Largo do Arrabalde já deixámos um pouco da sua história ao longo dos anos. Durante toda a semana fomos deixando por aqui o Largo do Arrabalde ao longo dos últimos anos do século XIX e século XX. Deixámos imagens do Largo do Arrabalde quando foi conhecido por outros topónimos, como o de Praça Rui e Garcia Lopes(1915), Largo Dr. António Granjo (1923) e Largo Monsenhor Alves da Cunha (1947). Mas tal com Firmino Aires afirmava na Toponímia Flaviense, o povo quis que fosse Largo do Arrabalde e aasim o é hoje em dia.
Em 11 de Agosto de 2006
Pois hoje entramos nas imagens do Século XXI, precisamente com o que de mais importante se passou por lá e que viria a ditar um futuro bem diferente para este largo. A história deste acontecimento resume-se em poucas palavras.
Em 11 de Agosto de 2006
O anterior executivo camarário (socialista) tinha previsto um estacionamento subterrâneo para o então Jardim das Freiras. Fez-se o projecto, destrui-se o jardim, fizeram-se as escavações arqueológicas, adjudicou-se a obra e quando estava para iniciar as obras, o executivo socialista perdeu as eleições autárquicas (2001) a favor do PSD. Não sei porque razão, nem interessa para o caso, o novo executivo abandonou o estacionamento subterrâneo das Freiras e desloca-o para o Largo do Arrabalde, mais propriamente para a praça que se localizava em frente ao Palácio da Justiça.
Em 31 de Janeiro de 2007
Já se sabe que em Chaves quando se abre um buraco no Centro Histórico, graças ao nosso passado romano, são obrigatórias escavações arqueológicas, assim, sempre que há um projecto para o Centro Histórico são necessárias sondagens para saber o que há no subsolo e, no caso de ser encontrar qualquer coisa de interesse arqueológico, ter-se-á de proceder a escavações arqueológicas antes de qualquer obra.
Em 8 de Setembro de 2007
Já se tinha conhecimento que por tinha existido o Baluarte da Vedoria das muralhas seiscentistas, mas sendo Chaves uma cidade que foi povoada pelos romanos, era natural que por lá se encontrassem vestígios dessa época.
Em 26 de Setembro de 2007
Em 2004, com a finalidade de avaliar o impacte sobre o património arqueológico do projecto de construção do parque de estacionamento subterrâneo a Câmara Municipal procedeu à abertura de três sondagens arqueológicas. Na segunda das sondagens previstas foi encontrado um pavimento em lajeado granítico de aparelho muito perfeito e datação romana, que indiciava a presença no local de estruturas monumentais bem conservadas desta época. Dado que nascia água quente no canto da sondagem, pôs-se desde logo a hipótese de se tratarem das termas romanas da cidade. Estes vestígios, caso se confirmasse a existência das termas romanas, inviabilizariam a construção do parque de estacionamento previsto e, assim aconteceu, pois as escavações arqueológicas iniciadas em 2006 viriam a por a descoberto, primeiro parte do Baluarte da Vedoria e por baixo destas as tais termas romanas que por uma qualquer razão desconhecida ruíram um dia mantendo-se no entanto as ruínas quase na íntegra, incluindo a cobertura.
Em 11 de Abril de 2008
Removidos os derrubes da cobertura e as camadas de argamassas e areias de construção que lhe estavam associadas, a equipe de arqueologia da Câmara Municipal chefiada pelo Arqueólogo Dr. Sérgio Carneiro, que segundo o relatório de candidatura a Monumento Nacional das Termas Romanas “verificou-se que as lamas subjacentes tinham conservado em ambiente húmido anaeróbico todos os metais e matéria orgânica em condições de conservação excepcionais, proporcionando um espólio de peças únicas de grande valor cientifico. De entre essas peças destaca-se um pirgo (torre para lançar dados de jogar) em opus interassile de bronze que constitui um dos três únicos exemplares deste tipo de objecto existentes no mundo (os outros dois encontram-se no Landsmuseum de Bona, na Alemanha e no Museu do Cairo, no Egipto), um fragmento de cestaria forrada de cortiça que envolvia originalmente uma garrafa, de forma a conservar a temperatura da água no seu interior, vários pentes em madeira, uma turquês em ferro perfeitamente conservada, uma ampulla (garrafa achatada e larga com duas asas) em madeira com uma inscrição no exterior, uma taça baixa em madeira, diversos objectos de adorno em madeira, metal e osso, como anéis, braceletes e pulseiras, contas em madeira osso vidro e cornalina, etc.”
Em 11 de abril de 2008
Quanto à termas romanas e edifício termal encontrado no Arrabalde, já em tempo oportuno deixámos aqui uma reportagem que pode ser vista aqui:
http://chaves.blogs.sapo.pt/319912.html
Em 6 de junho de 2008
No entanto o mencionado relatório acrescenta ainda: “Tal como as restantes cidades romanas com o elemento Aquae no seu nome, cerca de uma centena em todo o Império e oito conhecidas na Hispania (VELASCO 2004), Aquae Flaviae era uma verdadeira estância termal no período romano, o balneário, que constituiria o núcleo definidor do aglomerado urbano, deveria ocupar uma grande parte da área total da cidade. Tratavam-se de termas de tipo terapêutico, muito diferentes tanto em forma como em função das termas higiénicas comuns a todas as cidades romanas. Eram vocacionadas para o tratamento de doenças e este facto, junto com o de estarem, seguramente, associadas a um centro de culto dedicado à divindade que se julgava propiciar os efeitos benéficos das suas águas, atraíam gente de diversos lugares, por vezes bem distantes.”
Em 31 de Agosto de 2008
E continua “Tendo em conta as informações de que, durante as obras de construção do Cine Teatro de Chaves, em 1964, distante cerca de 200 m. do local das presentes escavações, apareceram tanques e canalizações em tudo semelhantes às agora descobertas, bem como o número e capacidade das condutas de escoamento das águas, o complexo termal ocuparia cerca de um terço da área urbana da cidade romana, e teria uma volumetria só comparável, em contextos provinciais, à de Aquae Sulis, na Britania, (actual Bath, Inglaterra), classificada como Património da Humanidade pela UNESCO em 1987 (http://whc.unesco.org/en/list/428/docum
Em 27 de setembro de 2008
Na área escavada até ao momento foi descoberta uma piscina de grandes dimensões (13,22 x 7,98 m.) com cinco degraus no seu topo Norte, uma outra apenas parcialmente escavada mas da qual um dos lados deverá ter cerca de 8 m., com seis degraus a toda a volta, um tanque pequeno, possivelmente para banhos individuais.
Em 16 de Outubro de 2008
Toda a estrutura termal era composta complexo sistema de condutas de entrada e saída das águas que ainda correm com uma elevada temperatura e um caudal considerável que ainda continua a encher as piscinas. Segundo o mesmo relatório “A cobertura da área central, incluíndo a piscina A e a área de acesso a esta, era composta por uma grande abóbada de canhão em opus laetericium revestida a opus signinum. Algumas das condutas seriam também cobertas por telhados em tegulae e imbrex.O sistema de condutas de escoamento das águas sofreu alterações ao longo da utilização do balneário, tendo algumas condutas sido tapadas e novas derivações construídas.
Em 16 de Outubro de 2008
Quanto à cronologia do edifício, apenas podemos referir, de momento, que o seu abandono se terá dado, como indicam os materiais selados pelos derrubes associados ao colapso da abóbada de cobertura, no último quartel do séc. IV d.C. Não tendo ainda sido escavados os níveis correspondentes ao enchimento das valas de fundação de nenhuma das estruturas do complexo termal, não dispomos de elementos que nos permitam avançar para a datação da construção ou remodelações que este terá sofrido.
Em 16 de outubro de 2008
Ainda que existam indícios de outros balneários romanos de tipo terapêutico no actual território português (Termas da Fadagosa, Marvão; Caldas de Visela, Braga; Caldas de Canavezes, Marco de Canavezes; Caldas de Monchique; Nossa Senhora dos Banhos, Anadia, etc.) apenas subsistem as ruínas de dois: as Termas de S. Vicente, em Penafiel, em vias de classificação com despacho de abertura de 14 de Julho de 1999 e as de S. Pedro do Sul, Monumento Nacional pelo 28 536, DG 66, de 22-03-1938, sendo que nenhum dos dois se pode comparar em monumentalidade, estado de conservação e espólio com o conjunto em apreço.”
Em 15 de abril de 2009
Apreço que passados dois anos de ter sido feito o pedido de classificação das Termas Romanas como Monumento Nacional, o Governo aprovou por Decreto no passado 6 de dezembro de 2012, passando Chaves a ter mais um Monumento Nacional de origem romana, bem juntinho a um outro que nós conhecemos desde sempre – a Ponte Romana.
Em 4 de Março de 2010
Segundo notícias publicadas na “Voz de Chaves” (http://diarioatual.com/?p=78241) “Dentro de uma década, as Termas Romanas de Chaves poderão vir mesmo a ser classificadas Património Mundial da UNESCO, pois já há estudos preliminares a decorrer. “Possivelmente [o monumento] será integrado numa rede de balneários termais romanos de toda a Europa. Em Inglaterra já existe um que está classificado como património mundial e o caminho será talvez o alargamento dessa classificação a Chaves e demais balneários termais romanos”, confirmou o arqueólogo Sérgio Carneiro.”
Em 22 de março de 2010
As imagens que aqui fica foram sendo tomadas ao longo das escavações do Arrabalde e ficam por ordem cronológica com a respectiva data.
Em 11 de outubro de 2010
Amanhã concluímos esta semana do Arrabalde com mais imagens, apenas imagens, pois isto de deixar por aqui informação mais valiosa não pode acontecer todos os dias.
Em 21 de Abril de 2012
Até amanhã com o rematar da semana do Arrabalde, entretanto ainda viermos outra vez por aqui ainda hoje.
Em 29 de Abril de 2012
Para quem quiser ver a anterior reportagem sobre as “Termas Romanas”, deixo aqui de novo o link onde há mais informações sobre as mesmas:
http://chaves.blogs.sapo.pt/319912.html
Esta rúbrica das semanas temáticas pretende privilegiar a imagem, no entanto vai haver vezes em que algumas palavras vão ser necessárias, principalmente no primeiro dia da semana, como no caso de hoje em que iniciamos a Semana do Arrabalde.
Embora a maioria das imagens que aqui irão passar sejam do século actual e do século passado, conseguimos ainda imagens de vestígios com quase dois mil anos, mas lá chegaremos no final da semana, o que desde já demonstra a importância desde largo que, em nada me repugna dizer, ser sem dúvida alguma o principal largo da cidade e que durante quase (pelo menos) 2000 anos foi o grande “hall” ou sala de entrada na urbe flaviense.
Firmino Aires, na Toponímia Flaviense, inicia por dizer ao respeito do Arrabalde:
“ Já se chamou Largo Dr. António Granjo; Monsenhor Alves da Cunha (…), Praça Rui e Garcia Lopes e Arrabalde das Couraças.
Arrabalde, chama-se desde há séculos. Na Idade Média ficava fora das portas da muralha da vila. Era um arrabalde ou arredores da vila, entre esta e a velha Ponte de Trajano. É preferido este lugar pelos políticos para ali homenagearem os seus ídolos ou regime. Para que pretender apagar a História ou quebrar tradições?
Esta designação tem tido tal impacto popular que muitos nomes de pessoas iminentes ali colocados foram rejeitados e lançados ao esquecimento.”
Firmino Aires tinha toda a razão. A História e a tradição não se apagam com nomes sonantes ainda por cima quando nem sempre são consonantes e estão quase sempre ligados à politica de ocasião. O Arrabalde será sempre o Arrabalde, tal como as Freiras (embora já não seja jardim) ou o Jardim do Bacalhau. O povo faz justiça ao continuar a chamar-lhe pelos nomes que sempre os conheceram. Contudo, e ainda quanto ao Arrabalde que penso todos concordam com o topónimo, tem uma alcunha pela qual também é muitas vezes conhecido, sobretudo por muito pessoal do mundo rural que o apelida também por “Largo dos Pasmados”. Quem por lá pasmar um bocado a apreciar a vida do largo, verá que a alcunha não é descabida de todo.
Ainda sem conhecer a realidade de tempos bem mais antigos que remontam à ocupação romana que as recentes escavações arqueológicas puseram a nu, Ribeiro de Carvalho no seu livro Chaves Antiga referia:
“ O largo do terreiro do Arrabalde das Couraças era primitivamente o descampado entre as muralhas da praça e o rio, juntando-se-lhe, depois das invasões francesas, o terreno resultante da demolição do baluarte da praça que estava ligado à muralha do Olival e ocupava todo o espaço do antigo mercado (em frente ao Palácio da Justiça), até à rua das Longras. Este baluarte , que se chamava o Cavaleiro da Vedoria, era semelhante ao que ainda hoje existe no quintal da casa do Correio (Início da Rua Gen.Sousa Machado), e que então se chamava o Cavaleiro da Amoreira. Os dois “cavaleiros”, unidos pela “cortina”, que que ainda existe um troço, tendo uma porta na altura da Rua Direita e um “postigo” na altura da Rua Nova (Postigo das Manas) formava uma “frente abaluartada”, para defesa da praça do lado do rio…”
Também as recentes escavações arqueológicas puseram a nu parte do Baluarte do Cavaleiro da Vedoria que Ribeiro de Carvalho refere, mas que as mesmas escavações arqueológicas acabaram por retirar quase na integra, pois o que se apresentava sob elas eram de maior antiguidade e importância. Refiro-me, claro, aos balneários das termas Romanas que pensa-se (pois parte deles ainda continuam soterrados) que ocupariam a grande parte do actual largo do Arrabalde.
Ribeiro de Carvalho continua:
“ Demolido o Cavaleiro da Vedoria, ficou existindo no lugar que ele ocupava um terreno irregular, em declive para o rio, que o Senado da Câmara mandara terraplanar e nivelar, construindo-se para esse fim um muro de suporte do lado Nascente, sobre o qual mais tarde se edificou a ARCADA DO ARRABALDE! Em 1820 essa terraplanagem estava apenas iniciada, mas com o Terreiro da Vèdoria, junto ao Arrabalde das Couraças, apesar de irregular e de não pavimentado, era mais vasto do que o Anjo, nele se realizava o mercado do cereais, que já em finais do século XVIII se mudara para o Arrabalde das Couraças, ao que parece, de motu próprio dos feirantes.”
Firmino Aires, na Toponímia Flaviense, remata a história (então conhecida) do largo:
“ Em 14 de Outubro de 1820, deixou o mercado de se efectuar no Largo ou Terreiro do Anjo, passando a efectuar-se na Vèdoria junto ao Arrabalde das Couraças.
Para que isso acontecesse, muitas dissidência houve entre a parte alta – o Anjo e a baixa do Arrabalde e a Madalena, que se prolongaram até 1823.
De 1952/58 foi construído o Palácio da Justiça.”
Ao que parece a gente da antiga Vila de Chaves, sem o poder democrático de hoje, participava mais nas decisões da vida de Chaves do que hoje em dia, pois só assim se explica algumas das aberrações que têm nascido na cidade nos anos da democracia. Uma dessas, propunha-se desfazer o largo do Arrabalde para nele construir um parque de estacionamento subterrâneo, e que me lembre, ninguém fez grande alarido, no entanto há males que vêm por bem, e com a pretensão do estacionamento descobriu-se soterrado o antigo balneário das terma romanas, hoje já classificadas como monumento nacional, que vai dar lugar a um museu. Em suma, o Largo do Arrabalde amplo como era, o tal local preferido por políticos para homenagearem os seus ídolos, vai à vida, resta saber o impacto que o novo edifício vai ter no largo, mas do mal o menos, ganha-se um museu e um valioso testemunho da história romana em Chaves.
Em suma, o Largo do Arrabalde ao longo dos tempos já foi balneário termal, simplesmente arrabalde, baluarte, mercado municipal, largo da justiça (palácio) e agora vai ter museu, dizem, vamos ver se há dinheiro, entretanto, o tal parque de estacionamento que era para ser nas Freiras, depois no Arrabalde, depois noutro sítio qualquer, tarda em aparecer, mas para ser onde está previsto, mais vale que não exista. Tenhamos fé e esperança que os flavienses comecem a ter uma palavra a dizer no futuro da sua cidade, pois os políticos, democraticamente, são eleitos para representar o povo e a sua vontade, e não para fazerem aquilo que querem. O mandato, não dá para tanto, mas se o povo deixa, eles aproveitam-se.
Quanto às imagens, hoje ficamos com as da primeira metade do século passado. Vou tentar deixá-las por ordem cronológica, no entanto não posso garantir essa ordem porque não vivi esses tempos .
Hoje parti à caça de imagens (no meu arquivo recente) e não tive dúvidas quanto à seleção. Hoje eram estas as imagens que queria. Queria imagens com vida, com gente dentro e não foi difícil, bastava encontrar imagens de um dia de feira, e gente não falta. Penso mesmo que todos os dias deveriam ser dias de feira em Chaves. Que bom que era.
O meu problema surgiu quando me pus à procura de um título para o post.
Ficou este título de “Três imagens de Chaves com gente dentro” mas duvidei se não deveria ser “Três imagens coloridas de Chaves a preto e branco” ou o contrário – “ Três imagens a preto e branco de Chaves colorida”.
Pelo caminho ainda pensei e dar-lhe o título “ A vida do Bino dava um filme” ou “Bino pasmado no largo”, mas como a gente que não é da minha criação não conhece o Bino e as imagens além do largo abrangem a ponte, fiquei-me pelas “Três imagens de Chaves com gente dentro”.
E prontos! Hoje as imagens já aí estão e o problema das palavras, ai as palavras, está resolvido.
Penso que hoje ainda vamos ter um “Discurso sobre a cidade”.
E enquanto esperamos pelo Homem Sem Memória, se não se esquecer, ficam duas imagens com dois momentos do casco histórico de Chaves.
Uma varanda com vida, das poucas que ainda a tem, e os bancos das escadinhas do banco onde se pasma bem e descansa melhor. Digo-o porque também por lá gosto de pasmar e descansar.
E por agora é tudo e dou lugar ao Homem Sem Memória de João Madureira, afinal não se esqueceu , pois já sinto os seus passos a entrar no blog. Até já.
Não sei se já alguma vez repararam no título e subtítulo do blog , pois além de Chaves, também lá está o “olhares sobre a cidade” e, é isso que desde que sou flaviense, ou seja desde sempre, que eu tenho feito. Claro que não tenho o poder de decidir ou alterar o que quer que seja na cidade, mas sempre vou podendo olhar e gostar ou não gostar e, claro, manifestar o meu agrado ou desagrado e, ainda bem que inventaram a internet e os blogs para poder partilhar esses olhares.
Agradou-me ver que finalmente a cidade tem painéis informativos para quem nos visita saber onde está, orientar-se e também ficar a conhecer um pouco da nossa história e dos nossos monumentos ou pontos de interesse. Há que reconhecer sempre aquilo que se faz de bem e de bom. Já não me agradaram tanto os painéis e o seu design, mas mesmo assim comem-se, agora o que não me agrada mesmo é o design e a qualidade daquilo que lhe colaram em cima, é muito primário, muito sem gosto, tal como a localização de alguns painéis deveria ser mais cuidada de modo a não perturbar tanto o olhar. Já sabem que eu tenho a nóia das linhas, da geometria e dos desalinhamentos, ah!, e dentro da nova definição do termo, também me enquadro nos piegas. Mas enfim, nem tudo pode ser perfeito, e eu também não o sou. Quanto aos painéis vale a intenção e a informação e depois, o que está mal sempre está a tempo de ser corrigido, assim haja vontade e gosto.
Deixo-vos duas imagens para poderem brincar um bocadinho e descobrir as diferenças e já agora, descobrirem também qual é o olhar original e o olhar com um toque de Photoshop.
Por último uma imagem de uma das nossas maravilhas flavienses. Sobre esta, felizmente, não tenho qualquer apontamento para deixar, apenas que a vão preservando e cuidando para se manter por muitos e longos anos, pois coisas destas hoje já não se fazem. Trata-se do interior da Igreja da Misericórdia que para mim é o templo mais bonito que temos em Chaves, não só exteriormente como todo o seu interior.
No arrabalde
Atão ti Zé a feira...
Oh, nada de especial comás oitras...
Agora ti joão chegue-se aqui, diz canda aí uma toura a 30 ouros o tombo...
Parece que sim, mas caL TOMBO TI ZÉ POR ESSE PREÇO É DE PÉ E RAPIDINHO...
ÒMESSA e tem que se levar camisa?...
Bem home a bida não está pra facilidades...
ó catano... atão bocê bem podia ir-me ali à farmácia comprar uma dessas caixas de fósforos que não riscam... Diga ó sr. coiso qué pra mim ...
Olhe porra vá lá mas é vocemecê
Bocê há-de cá vir...
Olhe tenha mas é juizo e governe-se co que tem em casa...
Bá...
Ele há cada um...
Ó ti Manel venha cá , atão a feira?...
Isabel Seixas

Imagem do Século passado (data incerta) pela certa com mais de 50 anos
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Se me perguntarem de qual destas duas imagens gosto mais, não duvido em dizer que é da primeira, da mais antiga, e porquê? - A razão é muito simples, além de ser uma belíssima imagem e embora entre ambas não haja muitas alterações em termos de casario e de espaço edificado, pode-se mesmo dizer que a imagem actual atual mantém a sua integridade da antiga, no entanto há uma diferença que pesa na escolha da primeira imagem – a vida e saúde do casario, principalmente do quarteirão que abrange o antigo Hotel de Chaves hoje quase na integra abandonado e em péssimas condições de conservação, alguns deles, ameaçando mesma ruir.
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Imagem de 21.Fev.2010
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Imagens antigas que hoje fazem a delícia de quem as vê, mas que também fazem um pouco da história de Chaves do século passado, quase todas boas imagens de ainda hoje se lhe tirar ao chapéu e, quase todas do mesmo autor e fotógrafo de uma casa que ainda hoje existe – o Foto Alves. Autor que é merecedor do nosso respeito e que merecia uma homenagem da cidade, por todas as fotografias que nos deixou da antiga vila e cidade do século passado.
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Esta foi a imagem do Largo do Arrabalde até finais de 1945, ano em que a Câmara Municipal, por causa dos desocupados, mendigos, piolhos e regateiras, decidiu acabar no Arrabalde com o Mercado Municipal. Mercado que já por aí funcionava desde os finais do Século XVIII.
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Arrabalde, até finais de 1945
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O topónimo de Arrabalde é o que mais marca o Largo, não só por ser o topónimo actual, mas também porque até à descoberta recente das ruínas das Termas Romanas se acreditava que esse local sempre teria sido um dos arrabaldes da cidade ou melhor, da antiga vila, principalmente da Vila Medieval que existia dentro de muralhas. Hoje sabemos que o local nem sempre foi arrabalde da cidade, aliás, teria sido até um dos locais mais frequentados da cidade romana, tal como hoje em dia é um dos locais mais concorridos da cidade.
Mas mesmo que o topónimo Arrabalde esteja desde há muito ligado a este largo, nem sempre foi o seu topónimo oficial, pois ao longo dos tempos conhecidos, o largo já adoptou os topónimos de Arrabalde das Couraças, Praça Rui e Garcia Lopes, Largo Monsenhor Alves da Cunha (1) e Largo Dr. António Granjo.
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Arrabalde, há dias atrás
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Mas hoje ficamos por aqui, com a imagem actual, de há dias atrás, mas haverá mais oportunidades para se falar deste largo e da sua história, felizmente, porque o Arrabalde é dos locais mais fotografados ao longo dos tempos.
(1) – Curioso é como o Monsenhor Alves da Cunha ao longo dos tempos tem sido despromovido nesta cidade. O seu nome passou de um dos largos mais importantes do centro da cidade para uma bairro novo nos arredores e, a sua estátua, única que existiu nas Freiras (antigo jardim), com a passagem do jardim a eira empedrada, desapareceu sem deixar rastro. Coisas dos tempos…


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