Domingo, 27 de Janeiro de 2013

Semana do S.Sebastião da Vila Grande - Couto de Dornelas - 7

Para rematar a Semana das festas comunitárias do S.Sebastião da Vila Grande no Couto de Dornelas, ficam os olhares de António Tedim.

 

António Tedim é um fotógrafo amador natural da Maia, membro da Portografia – Associação Fotográfica do Porto,   e da fotografia diz apenas ser um apaixonado. Paixão que já o levou a ser premiado dezenas de vezes em Portugal, Espanha, França e Alemanha.

 

Aos amantes de fotografia, recomendo ter o António Tedim debaixo de olho, cujo trabalho poderá ir sendo visto no seu blog:


http://www.antoniotedim.blogspot.pt/

 

Ou no facebook:


https://www.facebook.com/antonio.tedim.7

 

Retomando uma antiga colaboração, a partir da próxima quarta-feira António Tedim marcará também presença assídua neste blog Chaves com uma imagem semanal.






publicado por Fer.Ribeiro às 12:30
link do post | comentar | favorito
Sábado, 26 de Janeiro de 2013

Semana do S.Sebastião da Vila Grande - Couto de Dornelas - 6

Vamos a mais três olhares sobre a festa comunitária do S.Sebastião, na Vila Grande do Couto de Dornelas. Hoje os olhares de João Madureira, fotógrafo associado Lumbudus, professor, escritor, poeta, cidadão. Autor do blog Terçolho (http://jmadureira.blogs.sapo.pt/ ) tem galeria fotográfica no Reflexos: 

http://www.reflexosonline.com/reflexos.php?gp_utilizador=10936


e no Podium Foto:

http://joaomadureira.podiumfoto.com/,


no Facebook pode ser encontrado aqui: https://www.facebook.com/joao.madureiraii?group_id=

 

João Madureira é também colaborador do Blog Chaves com duas rúbricas, uma às segundas-feiras – “Quem conta um ponto …” e outras às quintas-feiras – “O homem sem memória”

 

 

 

Ficam as imagens:

 

 

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 15:00
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2013

Semana do S.Sebastião da Vila Grande - Couto de Dornelas - 4

Hoje ficamos com mais três olhares sobre a festa comunitária de um fotógrafo Lumbudus, que também é blogger, facebookiano e discursador deste blog – António de Souza e Silva.

 

Fica as suas ligações em

 

Blogs:


Andarilho de Andanhos


Voilá, é Zassu!


Nona

 

 

Facebook:


António Souza Silva


Augusto Santos Zassu

 

 

e os seus três olhares:






publicado por Fer.Ribeiro às 17:30
link do post | comentar | favorito
Domingo, 20 de Janeiro de 2013

São Sebastião, Blogues e Fotógrafos Lumbudus no Barroso

 

Hoje, para a blogosfera flaviense aderente, fotógrafos Lumbudus, amigos e convidados,  todos os caminhos vão dar às festas comunitárias do Barroso, mais propriamente à Vila Grande do Couto de Dornelas e às Alturas do Barroso, é lá que se vai realizar o XVIII Encontro de Blogues e Fotógrafos Lumbudus, como sempre, em convívio com as nossas terras e nossas gentes.

 

Embora as festas sejam em honra do São Sebastião, vamos esperar que o São Pedro também dê uma ajuda.

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:42
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 23 de Outubro de 2012

Uma voltinha por Beça (Bessa) - Barroso

 

Hoje vamos cumprir a nossa voltinha pelas terras vizinhas de Chaves.




Mais precisamente por terras de Barroso, concelho de Boticas. Vamos passar por Bessa, ou Beça, conforme preferirem, pois o topónimo, ao que sei, é grafado de ambas as formas.




Uma passagem muito breve, apenas em imagem, pois o tempo para as palavras por aqui anda muito escasso.



publicado por Fer.Ribeiro às 01:59
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 16 de Outubro de 2012

Por terras do Barroso

 

Lá vamos nós outra vez até aqui ao lado, até terras de Barroso, mais propriamente por terras que rodeiam a barragem dos Pisões.




E entramos sempre no Barroso com gosto e olhos de ver, de admirar e de registar em imagem, e também, tal como Torga:




“ Incansavelmente atento às lições do povo, venho, sempre, sempre que posso, a este tecto do mundo português…”

Miguel Torga In Diário XVI



publicado por Fer.Ribeiro às 04:00
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 25 de Setembro de 2012

Uma voltinha por Barroso

 

Mais uma vez sem a “Pedra de Toque” vamos até Barroso, hoje, do concelho de Boticas.

 

Alguns lugares por onde temos de passar para cumprir a promessa do S. Sebastião no Couto de Dornelas e nas Alturas do Barroso.



Claro que hoje só ficam algumas aldeias e lugares, começando pela Carreira da Lebre e Rio Beça, Vilarinho Seco que é sempre de visita obrigatória, Gestosa e um bocadinho de monte com a estrada a desenhar-se por entre o penedio.



Agora que a crise se instalou e os senhores de Lisboa não têm jeito, arte e inteligência - se a verdade da crise for por aí, ou que não deixam de se amochar perante os grandes interesses - se for essa a verdade da crise, ou ambas juntas, e que todos já nos começamos a aperceber que a crise veio para durar, aproveitemos para conhecer o que temos à nossa volta.



Claro que para quem gosta do glamour e das luzes das cidades, Barroso não é destino. Agora para quem gosta das coisas primeiras, de um povo ainda nobre e genuíno onde o que parece bem ainda parece bem e o que parece mal, mal parece, e onde as paisagens não se repetem mas antes nos surpreendem, onde a água dos rios ainda é transparente e cristalina, o frio é frio e o calor é quente, onde tudo ainda é possível acontecer, então pela certa vai gostar de descobrir Barroso.



Mas tal como Torga, não se esqueçam de entrar no Barroso cheios de boas intenções e vergonha…

 

“Entro nestas aldeias sagradas a tremer de vergonha. Não por mim que venho cheio de boas intenções, mas por uma civilização de má-fé que nem ao menos lhes dá a simples proteção de as respeitar”


Miguel Torga, in Diário VIII


publicado por Fer.Ribeiro às 02:45
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 18 de Setembro de 2012

Uma voltinha por Barroso

 

Mais uma terça-feira sem “Pedra de Toque” o que nos permitirá entrar mais uma vez por esse Barroso adentro, desta vez no Barroso do concelho de Boticas.




Hoje apenas paisagens, que se repetem por esse Barroso fora.




É por estes e outros olhares que vale a pena descobrir o Barroso.




Hoje também um pouco ao acaso com passagens por Alturas do Barroso e pelas montanhas que se vão desenhando ao correr das estradas.



publicado por Fer.Ribeiro às 02:01
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 11 de Setembro de 2012

Uma voltinha por Barroso

 

Enquanto o António Roque não regressa com a sua “Pedra de Toque”, vamos dando umas voltas pelas terras vizinhas de Chaves. Vamos mais uma vez até ao Barroso do concelho de Montalegre.


 


Uma pequena viagem entre Chaves e Montalegre mas com motivos de sobra para deliciar qualquer amante de imagens, de momentos, de sensações, sempre com o Larouco de olho em nós, e nós de olho nele.




Nesta pequena viagem, que em imagem termina na torre sineira da Igreja do cemitério, tomámos um desvio, e em vez do caminho habitual passámos por Pedrário, uma passagem breve, mas que deu para o registo do ambiente que rodeia a aldeia e de algumas vivências.



Claro que o Larouco pede sempre um retrato a quem passa e nós fazemos-lhe a vontade, mas mantém sempre a distância e mistério  como se de um deus se tratasse.



publicado por Fer.Ribeiro às 02:47
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 4 de Setembro de 2012

Vilar de Perdizes e os Congressos de Medicina Popular

 

 

Como convive o sagrado com o profano, o sacro profano, numa aldeia de Trás-os-Montes, em Barroso? – Bem e até se recomenda. Tudo graças a um padre, que não é um padre qualquer, pois dá pelo nome de Padre Lourenço Fontes que teve a coragem de “desafiar” a igreja mas também a medicina académica dando voz à medicina popular, a bruxas, curandeiras, médiuns, videntes, mezinhas e ervas medicinais, a quem o povo sempre recorreu para cura das suas maleitas e aflições da alma.




Poder-se-á pensar que tudo isto foi devido à coragem, abuso e provocação por parte de um representante da igreja católica. Coragem talvez tivesse havido uma pouca, mas sobretudo houve realismo e o admitir de uma verdade que sempre existiu e com a qual o povo sempre conviveu e a ela recorreu e, é por estas e pelo Padre Lourenço Fontes ser um homem do povo, que hoje já faz parte da história é um digno e merecedor embaixador do Barroso e de Trás-os-Montes. Montalegre (Vila e Concelho), incluindo Vilar de Perdizes deve-lhe toda, ou quase toda a fama que se iniciou há 25 anos com os Congressos de Medicina Popular e ultimamente com as sextas-feiras 13, ou noite das bruxas de Montalegre, que já leva até lá milhares de pessoas de todo o país, da Galiza àquela, que este ano já foi considerada pela imprensa, a melhor festa de rua de Portugal.



No Diário Atual, Sandra Pereira faz a notícia com as seguintes palavras:


“Ninguém é obrigado a acreditar em aparições. Ninguém na Igreja Católica obriga ninguém a aceitá-las, sejam elas mais ou menos famosas. Ninguém é obrigado a acreditar em Fátima e, na minha opinião pessoal, Fátima pode ter sido como outra qualquer visão e um pretexto para desenvolver o aspecto religioso e a exploração comercial que pode acontecer à volta de qualquer santuário”, avançou à Voz de Chaves o Padre Fontes. A obra de João Sanches, amigo e vizinho do pároco há 40 anos, recorda ainda que, 80 anos antes das aparições de Fátima, surgiram relatos que a Virgem Maria apareceu a três pastores na aldeia de Calvão, no concelho de Chaves, e que o padre que paroquiava a freguesia viria a ser transferido para Fátima, podendo ter originado novas crenças. Na biografia, são também abordadas as quezílias com o antigo bispo de Vila Real, D. Joaquim Gonçalves, que vieram a dar fama ao Congresso de Vilar de Perdizes, após este ter proibido o padre de o organizar por profanar contra a Igreja."




 Lourenço Fontes continua em forma ao trazer a lume outras verdades que podem ferir a sensibilidade de alguns, mas que é uma verdade do tamanho deste mundo, pois quer se acredite ou não, a igreja tem feito da fé um grande negócio e lucrativo.




Assim, porque não fazer do sacro profano também um negócio, mas aqui, com todo o Barroso a tirar dele proveito e as sextas-feiras 13 parece-me ser já um exemplo disso. Claro que há que admitir que a autarquia, nas sextas-feiras 13 tem um papel importante, pois como já em tempos disse por aqui, a ideia só por si de pouco vale se não for apoiada e financiada. E embora reconheça a importância que estes congressos de Medicina Popular de Vilar de Perdizes têm, parece-me (é a minha opinião) que precisam de uma mãozinha de apoio por parte da autarquia. Não é por nada mas este ano já foi a XXV edição do congresso e embora a documentação produzida em congresso continue a ser valiosa, parece-me que a festa à volta do congresso está a definhar um bocadinho, mesmo com um programa cheio de atrativos. Mas isto é apenas a minha opinião, que vale o que vale. Por mim, continuo a ir por lá.

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:00
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 28 de Agosto de 2012

Couto de Dornelas - Barroso

 

Hoje deveríamos ter por aqui a habitual crónica das terças-feiras, a “Pedra de Toque” de António Roque, mas não vai acontecer por uns tempitos, pelo menos enquanto o seu autor estiver em gozo de férias. Boas férias.




Entretanto aproveitamos as terças-feiras para ir cumprindo a promessa de trazer aqui a região de Chaves e as terras dos concelhos vizinhos. Hoje vamos até Couto de Dornelas, terra do Barroso, do concelho de Boticas desde há muito afamada pela festa comunitária de S. Sebastião.




Mas do Sebastião vamos dando conta quando a festa acontece, pelo menos enquanto formos por lá, pois o Couto de Dornelas não é só o S. Sebastião e a tradição. Também tem casario, lugares interessantes e pessoas que quer seja em festa ou sem festa, sempre nos receberam bem, como os barrosões sabem receber e por isso estamos-lhes gratos e é sempre com agrado que vamos por lá.




Terra de cultura e de cultura. A cultura de um povo com toda a singularidade dos povos interiores barrosões mas também a cultura da música e a cultura do reconhecimento dos homens das letras, nem que fosse e só nos recortes de jornal que fazem a decoração das paredes do café, onde Saramago alinha ao lado de Torga, de António Lobo Antunes, de Bento da Cruz, com lugar ainda para os símbolos da liberdade como o Salgueiro Maia, entre outros símbolos e reconhecimentos. Mas de todos, agradou-me ver por lá o Torga e Bento da Cruz ao nível dos grandes, onde aliás está merecidamente pela sua arte da escrita e de tão bem contar as estórias do Barroso.




São estas pequenas surpresas que fazem com que venha de lá sempre agradado, mas também por encontrar por lá sempre gente amiga, que sejam residentes ou que como eu vão porque gostam, gente que também na sua terra são símbolos e fora dela embaixadores.




Mas queria terminar com um filho da terra, o Alberto, que sempre nos recebia com a sua simpatia no S. Sebastião e que vamos estranhar a sua ausência na próxima festa ou na próxima visita a Couto de Dornelas, mesmo com a ausência anunciada quando ele nos ia prevenindo que estas suas fotos pela certa seriam as últimas. Ficou o registo do seu sorriso que sempre esboçava para a objetiva e a minha humilde homenagem.



publicado por Fer.Ribeiro às 03:00
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quarta-feira, 4 de Julho de 2012

Antigo de Boticas - Barroso

 

Em tempos prometi que de vez em quando este blog sairia da cidade e concelho de Chaves para entrar pelos concelhos vizinhos adentro. A promessa mantém-se, o tempo para andar por aí a recolher imagens é que tem faltado, mas há algumas em arquivo, principalmente do Barroso onde de vez em quando, não tanto como desejava, faço um incursão fotográfica.

 

 

Mas a razão de o Barroso estar aqui hoje não são só as minha imagens de arquivo que, comparadas com aquelas que hoje gostaria que vissem, nada valem, pois trata-se de uma série “superbe” – tal como tem vindo a ser classificada no facebook, ou “poesia retratada ao vivo” tal como o Padre Lourenço Fontes classificou algumas dessas imagens publicadas em livro “la mémoire blanche – NEGRÕES” em 1986. São fotos do fotógrafo independente Gérard Fourrel que além das que publicou em livro, tem vindo a publicar muitas outras no seu espaço do facebook e que é uma pena não serem vistas por todos os olhares, pois é mesmo poesia retratada ao vivo. Fica o link para que possam acompanhar o trabalho de Gérard Fourrel: http://www.facebook.com/gmp.fourel?ref=ts

 

As que vos deixo hoje, também são do barroso, mais propriamente do Antigo, de Boticas, não me atrevo a dizer que são “poesia retratada ao vivo” como as de Gérad Fourrel, mas atrevo-me a dizer que ainda há magia nas aldeias do barroso, magia essa que fica mesmo aqui ao lado.

 

Não deixe de ver as fotos desse fotógrafo bretão que foi picado pelo encanto do Barroso e que tão bem o soube registar.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:47
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 4 de Maio de 2012

ENSAIO SOBRE O MUNDO RURAL

Fotografia de Ana Luisa Monteiro

 

 

ENSAIO SOBRE O MUNDO RURAL

 

a propósito de As Verticalidades/Horizontalidades de Barroso,

 

livro de fotografia de Ana Luísa Pires Monteiro

 

 

um texto de José Carlos Barros


 

Este não é um livro de fotografias. É quase um livro de fotografia. E seria verdadeiramente um livro de fotografia se não tivesse texto.

 

Porque as fotografias devolvem-nos um único e mesmo olhar. Não é um olhar curioso de quem procura descobrir as coisas e nos dá os resultados dessa busca, dessa curiosidade, desse maravilhamento com as descobertas. Não é o olhar de quem procura tempos e lugares de calendário, de catálogo, esmagando-os em beleza, alegria, grandeza ou exaltação festiva. Não: o olhar que estas fotografias nos devolvem é feito de sedimentação, de coisas desvendadas, de depuração. De lentidão. De uma urgência feita de saber esperar.

 

E por isso todas estas fotografias são uma mesma e única fotografia. 

 

E que fotografia é essa?

 

Comecemos pela epígrafe e pelo texto introdutório da autora: um louvor das terras de Barroso, um poema de amor ao Barroso. E olhemos, depois do anúncio deste propósito, as fotografias -- ou a fotografia única que estas fotografias são. O que vemos assim de repente? Abandono, ausência, desolação, devastação.

 

Fotografia de Ana Luisa Monteiro

 

Começa por surpreender-nos, pois, necessariamente, esta contradição aparente: como se um hino de amor pudesse ser dado pelos momentos em que esse amor exigiu esforço ou abdicação, e não pelos momentos feitos de alegria e exaltação.

 

E é essa, a meu ver, a chave do livro, o segredo desta única fotografia que resulta do conjunto de todas.

 

Vamos por partes.

 

O que vemos no conjunto de fragmentos que cada uma destas fotografias é, como peças de um puzzle que se desvenda juntando o conjunto das peças?

 

Fotografia de Ana Luisa Monteiro

 

A devastação dos incêndios. A cinza e os troncos queimados. As guardas em granito de uma ponte que parece levar a lado nenhum. Degraus que já ninguém sobe. Nomes antigos de lugares como esse de que Torga dizia: "entro nestas aldeias sagradas a tremer de vergonha". Placas direccionais como metáfora das encruzilhadas. Cruzes ou cruzeiros como memórias de crucificação. Um anjo como se fosse um fantasma antigo que já não pudesse proteger-nos. A linha do horizonte separada de nós por uma trama, uma rede, uma vedação. Rebanhos sem pastor. Veredas, caminhos de sombra. Pedras de memórias da morte ou da desistência. Objectos hoje sem uso, ferramentas sem a mão que um dia as justificou. Ruínas, paredes derruídas. Caixas de correio à espera de cartas que já ninguém escreve. O esqueleto de canastros -- imagem negativa, invertida, da abundância. Rara vegetação a emergir da neve sobre os campos. Vãos abertos em paredes de granito a mostrar o silêncio, a ausência, o céu ao fundo como o desenho de uma impossibilidade. Portas fechadas. Uma porta e outra. Uma porta carral. Portas que talvez não mais possam abrir-se para lugar nenhum.

 

Fotografia de Ana Luisa Monteiro

 

E nenhum rosto. Nenhuma figura humana.

 

É isto que vemos. É isto que nos mostra, e deste modo que nos mostra, quem procura mostrar-nos o amor à sua terra.

 

Esta aparenta contradição é a chave do livro. É a sua força. E está em linha com o que a arte tem de melhor para nos dar: inquietação, interrogação, sobressalto.

 

Contradição, claro, como se vê, só aparente.

 

Porque, de facto, o amor não se revela tanto no que nos dá, mas no que nos custa. Porque o amor se revela mais no que nos exige de abdicação do que naquilo que nos dá em sossego e pacificação. Porque o amor se revela mais na capacidade que tivermos de construí-lo, pedra sobre pedra, e menos no que nos devolve sem cicatrizes nem inquietude.

 

Este é o modo como nas imagens do livro se revela o amor às terras de Barroso que vinha anunciado como propósito na epígrafe e no texto introdutório da autora:

 

por um lado numa procura do que é essencial, do que é elemental, do que é matricial, do que é já tudo sem ainda o ser. Numa procura de possibilidades, de mundo a haver;

 

por outro lado através desse jogo de mostrar o que se esconde, ou de esconder o que se mostra.

 

Regressemos a uma das mais perfeitas metáforas desta fotografia: a das portas; a das portas fechadas.

 

Na porta fechada somos confrontados com o que está além dela. Ana Luisa, de um modo sage, de uma maneira depurada, sedimentada, enuncia sem dizer, alude sem mostrar. Estas fotografias, portanto, deixam-nos no limiar de uma parede, de um muro, de uma porta fechada: para que seja cada um de nós a descobrir o que lá não está, para que seja cada um de nós a estabelecer a sua própria narrativa. Porque a arte não existe nunca se for sentido único: a arte exige sempre essa partilha, essa procura conjunta dos segredos e dos milagres.

 

Fotografia de Ana Luisa Monteiro

 

Não podemos esquecer que a fotografia é hoje a forma artística, digamos, mais democrática. Todos podemos fotografar. Fotografar não exige mais que apontar a máquina e premir um botão. Ora a fotografia, enquanto arte -- e arte maior --, não existe se não for capaz de nos mostrar sobretudo o que lá não está: o que se insinua, o que se adivinha, o que se pressente, o que nos sobressalta de sermos cúmplices dessa procura e desse entendimento.

 

Mas a autora decidiu que estas fotografias deviam ser acompanhadas por textos. E pediu a familiares, a amigos, que escrevessem um texto para cada uma das fotografias.

 

Como seria de esperar, a multiplicidade de intervenientes dá-nos uma multiplicidade de olhares: aqui, nos textos, perde-se em unidade -- ganha-se, é certo, em emoções, em cumplicidades.

 

Os textos são díspares: pequenos apontamentos, textos que procuram acompanhar as fotografias, textos que se impõem por si mesmos independentemente da fotografia. Textos literários, comentários, frases soltas.

 

E histórias.

 

Uma delas serve-me para procurar clarificar aquilo que pretendi dizer ao falar destas fotografias, desta fotografia. O texto de Xavier Barreto.

 

Antes: este livro passava bem sem os textos. Não é preciso explicar o que está por detrás de uma fotografia. O que faz sentido é procurar, perdermo-nos, encontrar um caminho, voltar atrás, regressar de novo aos segredos e interrogações da imagem. Mas o texto do Xavier é um bom exemplo.

 

Numa das fotografias há uma casa abandonada, de paredes derruídas, feita de ausências, perdas, abandono. E cada um de nós sente o sobressalto, a necessidade de procurar ver o que está além da casa: vidas, segredos, narrativas que nos é possível inventar. Pois Xavier desvenda-nos os segredos desta casa ao contar-nos a história  deliciosa de António Afonso. Foi há mais de 150 anos. António estava apaixonado. O pai da noiva, no entanto, não lhe entregou a filha porque António só tinha três vacas. O pai da noiva não lhe entregou a filha para casamento com o argumento de que se precisasse de fazer duas juntas de vacas teria que pedir uma vaca emprestada aos vizinhos. E Xavier conta-nos, a partir deste episódio, toda a história da casa e de uma família ao longo de várias gerações. Mas além da história, além do texto, permanece a imagem sem legenda. E a nós, leitores, fica-nos a possibilidade de, a partir desta imagem assim de novo revelada, reinventar o resto do mundo.

 

Fotografia de Ana Luisa Monteiro

 

Os textos, maioritariamente, falam de

 

ausências ("alimentam-se as ausências", escreve Ana de Almeida Santos),

 

de solidão ("corpos forjados no tempo encadeado em solidão", nas palavras de Alfonso Láuzara Martinez),

 

de rudeza, de granito, de dificuldades, de sangue e de lágrimas, de um tempo em que "a solidão da noite te adormeceu no colchão de palha" (cf. Narciso Miranda),

 

de "cadeias que uniram", como diz J.B.César,

 

de milagre, de mistério, de tragédia.

 

Nádia Ferreira pergunta: "que segredos escondem estas paredes?"

 

E Fátima Vale lembra que "a mão de sangue está marcada em todas as portas".

 

Minês Castanheira, a propósito de uma escaleira improvável, diz que "fomos feitos para estes lugares de passagem".

 

Altino Rio vai em busca dessa ideia de património, material e imaterial, e recupera-nos "a porta de serventia".

 

Em grande parte destes textos o que emerge é isso: o que se perdeu, as casas em ruína, o abandono, o que não é possível recuperar, os impossíveis regressos, a cinza, a fuligem que desistiu de esperar e se desfez em estilhaços, como insiste Hermínio Fernandes.

 

E a devastação e o desejo (uma já impossibilidade) de que, em vez das árvores depois do fogo, pelo menos permanecesse "a labareda, o vermelho vivo ateado solenemente", como é possível ler num belíssimo poema de Rui Almeida.

 

É curioso -- talvez por efeito das fotografias que são o ponto de partida destes textos -- como o que prevalece é a associação destes lugares às dificuldades e às ausências e ao abandono -- numa espécie de contraponto à bonomia urbana, ao conforto da urbe, aos seus risos estrídulos.

 

Curiosamente -- talvez o tempo presente, por entre todas as suas desgraças, nos esteja a ensinar que não é bem assim; que talvez tenhamos que rever a matéria toda; e que talvez não haja outro caminho que não seja o de rever os nossos áridos caminhos antigos. Que talvez, antes de tudo o mais, seja indispensável redefinirmos as nossas prioridades.

 

Talvez então compreendamos que não iremos a lado nenhum se não regressarmos ao que é essencial. A essa crueza. A esse chão de pedra. A essa pedra da lareira. A esse ramo de árvore. A essa terra inicial e elemental a partir da qual, como numa coisa que se constrói em conjunto, na adversidade, tudo passa a ser possível.

 

A fotografia de Ana Luisa é isso que procura e nos propõe: um regresso ao que é essencial. A essa elementaridade. Deixando-nos a nós procurar ou adivinhar o que está do outro lado de uma porta fechada. Porque estes retratos mostram-nos sobretudo, ou revelam-nos sobretudo, o que as imagens não mostram mas já lá está inscrito.

 

Às vezes é no meio dos desastres que as mais inspiradoras e iluminadas luzes se acendem.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 23:37
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

Daqui ao lado

Hoje vão-me desculpar mas vou sair de Chaves e dar uma voltinha por aí, pelos concelhos vizinhos de Chaves e claro que tinha de começar o meu passeio pelos deuses, no caso o Deus Larouco. Fica para uma próxima oportunidade uma visita à Vila (de Montalegre) ou à Portela por uma questão de origens, mas o Larouco é que é o Deus do Barroso.

 

 

Claro que a segunda visita vai para uma aldeia que é também a capital dos canastros ou se preferirem dos espigueiros e pela simples mas muito especial razão do carinho e sentir que tenho por essa aldeia. São novamente as origens a falar. Parada de Aguiar que também pode ser Parada do Corgo, ali logo a seguir a Vila Pouca de Aguiar, como quem desce a montanha para entrar na veiga aguiarense.

 

 

A terceira visita vai ser por Vilarinho Seco um autêntico património da humanidade, cultural e rural onde o barroso ainda se sente e vive. É uma pérola entre montanhas digna de ser visitada sempre, mas não só, pois quase todas as aldeias de Boticas ainda mantêm a sua integridade sem muitas ofensas da modernidade. Vale a pena fazer por lá uns passeios, aliás por todo o Barroso e quase sem exceção, não só porque faz bem à vista mas também podemos sair de lá regaladinhos da barriguinha.

 

 

E da terra fria vamos para a terra quente, mais propriamente para Fornos do Pinhal, em Valpaços, onde para além da riqueza dos bons produtos da terra, mas principalmente do que resulta deles, em especial para os excelentes vinhos, passando pelo azeite e por tudo que resulta dos saberes rurais, podemos apreciar já outro tipo de paisagem mais aberta à luz mas também algumas preciosidades, como o casario solarengo que hoje vos deixo.

 

 

Vinhais também é aqui ao lado e não é só fumeiro que por lá há. Entramos noutra terra fria onde o granito dá lugar ao xisto e a um curioso casario com coberturas singulares também em xisto. Raras mais ainda por lá se encontram, um bocadinho como acontecia e ainda acontece raramente com as coberturas de colmo do Barroso. Vamos até à uma aldeia que dá pelo nome de Cisterna e embora ainda haja por lá as tais construções, deixo-vos com um pormenor que já não é muito usual ver nas varandas rurais. Um mimo.

 

 

E claro, que falando de vizinhos de Chaves, não posso esquecer os nossos amigos galegos. Aliás todas as aldeias da raia deveriam ter um estatuto especial de aldeias irmãs ou qualquer coisa assim parecida como euroaldeias, mas a sério, e não como a eurocidade que se fica pelas aparência, aldeias irmãs como se gozassem de dupla nacionalidade que, quase como na realidade, existe entre os povos dos dois lados da raia.

 

Vamos até um cantinho, outra pérola entre montanha,  ali ao lado de Segirei e que pertencem (e desculpem se me engano) a Soutochão na Galiza, São as cascatas que encantam qualquer que as descubra.

 

 

E por hoje é tudo mas tenham em conta alguns destes passeios e de belezas que não é preciso ir lá fora procurá-las, estão aqui mesmo ao lado e, agora em tempo de crise, em que ainda por cima nos roubaram o subsídio de férias, nem há como se pensarem a sério alguns passeios pelo que é nosso.   

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:47
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 15 de Março de 2012

Olhares de Barroso

Três olhares do mesmo ou três variações da mesma coisa.

 

 

 

 

 

 


publicado por Fer.Ribeiro às 01:10
link do post | comentar | favorito

.meu mail: ribeiro.dc@gmail.com

.Maio 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9


19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


 

 

El Tiempo en Chaves
IBSN: Internet Blog Serial Number 560-22-4-1960
blog-logo Travelavenue.com.br - O Guia de Viagem- favorite blog 2010

.Facebook

Blogue Chaves Olhares

Cria o teu cartão de visita Fernando Ribeiro

Cria o teu cartão de visita peticao-utad peticao, tâmega, rio reflexos 183-podium frproart's most interesting photos on Flickriver

.subscrever feeds

.posts recentes

. Semana do S.Sebastião da ...

. Semana do S.Sebastião da ...

. Semana do S.Sebastião da ...

. São Sebastião, Blogues e ...

. Uma voltinha por Beça (Be...

. Por terras do Barroso

. Uma voltinha por Barroso

. Uma voltinha por Barroso

. Uma voltinha por Barroso

. Vilar de Perdizes e os Co...

. Couto de Dornelas - Barro...

. Antigo de Boticas - Barro...

. ENSAIO SOBRE O MUNDO RURA...

. Daqui ao lado

. Olhares de Barroso

.pesquisar

 
blogs SAPO

.A espreitar

online
Estou no Blog.com.pt

.Creative Commons

Creative Commons License
Este Blogue e o seu conteúdo estão licenciados sob uma Licença Creative Commons.

.Olhares de sempre

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

Add to Technorati Favorites