Sábado, 27 de Maio de 2017

Bobadela de Monforte - Chaves - Portugal

1601-bobadela-83-art (15)

 

Mais um sábado e cá fica mais uma das nossas aldeias. Hoje, manda a ordem alfabética que seja Bobadela e para que não haja confusões com outras Bobadelas, esta é a de Monforte, lá no alto planalto de Monforte onde o Castelo com o mesmo nome é Rei e Senhor.

 

1600-bobadela (64)

 

No limite do concelho de Chaves tem as terras de Valpaços como vizinhas, já com ares de terra quente, mas nem por isso deixa de sobre dos rigores dos nossos frios Invernos.

 

1600-bobadela (167)

 

É mais uma das aldeias que tem a Est. Nacional 103 com principal ligação à cidade de Chaves, mas sem que esta passe pela aldeia, mas nas proximidades, tal como próximas são as aldeias de Tronco, Vilar de Izeu, Bolideira e Nozelos, esta última já do concelho de Valpaços.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 16:22
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Sábado, 23 de Março de 2013

Bobadela na brevidade de uma imagem

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:47
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Sábado, 10 de Julho de 2010

Hoje poderia discursar

 

Oucidres

.

 

 

Hoje bem poderia discursar

Sobre as pedras

Aquelas que à mão

pedra a pedra

se ergueram para

contrariar o rigor dos invernos e

sombrear os infernos do verão

 

.

 

Vilar de Izeu

.


 

Também poderia discursar

Sobre escadas

De pedra

Que sobem sem resguardo

Para portas fechadas

 

Poderia ainda discursar

Sobre janelas

Que já não se abrem

Chaminés

Que não deitam fumo

E lares

Sem a chama da vida

 

.

Bobadela

.


 

Poderia discursar sobre isso

E muito mais

Mas hoje não tenho tempo.

 

 

 


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publicado por Fer.Ribeiro às 12:00
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Domingo, 31 de Janeiro de 2010

Ruralidades, desertificações e despovoamentos em balanço

Agradecido a quem agradece, hoje trago aqui três olhares sobre Bobadela de Monforte. Apenas os olhares, pois as palavras, são de outras cenas, nas quais Bobadela também poderia entrar, mas não entrou.

.

 

.

Dia em que continuam os Sabores e Saberes de Chaves, mas poucos, pois faltam os sabores e saberes da maioria das freguesias do nosso concelho.

 

Estive atento ao que se disse e vi na RTP, a quem os organizadores dos sabo(e)res devem estar agradecidos por a RTP ter feito a festa de ontem da feira e, por terem levado a cidade de Chaves a todo o Portugal e comunidades Portuguesas. Até eu, ou o orgulho flaviense, me(se) ia rendendo à “grandeza” da festa, animada como convém, pela música pra pular portuguesa, com o animador mor da pimbalhada. Até ia desculpando as incorrecções do discurso político dos entrevistados como o da desertificação de um concelho que cada vez está mais cheio da matização dos verdes acastanhados do mato que invade antigas terras de cultivo, mas que, mesmo com a confusão, amargamente agradou-me saber, que sabem, que o concelho rural (sem perigo de desertificar) está tristemente despovoado, mesmo que, para os seus sabores e saberes se trabalhe 365 dias por ano. Talvez fosse melhor trabalhar menos e melhor, digo eu, que gosto de apostar na qualidade…

 

Com o cair da noite, fui caindo também em mim e, já a frio, com o orgulho flaviense já arrefecido, fui-me dando conta do tal poder que a televisão e as objectivas têm para deturpar verdades e realidades.

.

 

.

Que ninguém me interprete mal. Sei de longe que o nosso presunto é o melhor, que as alheiras são feitas ao nosso gosto e não existem outras iguais, que as linguiças fazem crescer água na boca, que os pasteis, mesmo com todas as variantes e reivindicações de genuinidade não encontram igual em Portugal, que a batata sorri para quem a come, que as couves não se dispensam e, já nem quero falar do grelo de Chaves,  senão perco mesmo a cabeça…mas também temos muitos saberes, que ainda se sabem, mas infelizmente não se praticam. Em suma, quase todos os flavienses que estiveram nesta feira, estiveram lá por direito próprio, sem qualquer favor, pois os produtos que lá levaram, são do melhor que há. A minha mágoa, não vai para esses expositores e produtos, mas para todos aqueles que deveriam estar por lá e não estiveram e para outros que por lá estiveram (de fora) e que nada contribuem para travar a tal desertificação que até é despovoamento.  Em suma, em vez de se abrir a porta para o repovoamento, cada vez se fecha mais.

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Há ainda muito trabalhinho de casa para fazer, incentivos, certificações (sem as quais não vamos a lado nenhum), pois tal como o Presunto de Chaves, não basta ter a fama, tem que se lhe tirar o proveito e, só há proveito, se houver presunto de CHAVES. Engraçado, é que embora o presunto de Chaves , que vai existindo para consumo próprio, não chegue para ser comercializado, vai fazendo as delícias das ementas de muitos restaurantes do país e da capital… milagres que não sei explicar!

 

A frio, vi também que o sucesso do dia de ontem se deveu à pimbalhada e palhaçadas de mestre e estou em crer, que o pessoal que por lá estava, debitava mais interesse às palhaçadas que ao próprio certame. Pimbalhada musical que substituíram os verdadeiros saberes musicais do concelho, dos nossos músicos e das nossas bandas filarmónicas e, em sua substituição, aparece como representante flaviense, a Senhora Dona Agata. Atenção que estou a falar de música e não dos nossos grupos ou ranchos folclóricos, pois esses, ainda foram passando pela feira.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:02
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Sábado, 4 de Julho de 2009

Aldeias de Chaves - Portugal

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:09
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Sábado, 27 de Dezembro de 2008

Mosaico da Freguesia de Bobadela de Monforte

 

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Mosaico da Freguesia de Bobadela de Monforte

 

Localização:

A 18 km de Chaves, situa-se na faixa oriental do concelho de Chaves, ainda nas designadas terras de Monforte e no limite do concelho.

 

Confrontações:

Confronta com as freguesias de Oucidres, Águas Frias e Tronco, todas do concelho de Chaves e ainda com a freguesia de Nozelos do concelho de Valpaços.

 

Coordenadas:

41º 45’ 40.71”N

18’ 55.56”W

 

Altitude:

Variável – acima dos 820m

 

Orago da freguesia:

São Pedro

 

Área:

6,03 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):

– Estrada Nacional 103 em direcção a Lebução/Vinhais.

 

 

.

 

.

 

 

Aldeias da freguesia:

            - Bobadela;

            - Bolideira.

 

População Residente:

            Em 1900 – 291 hab.

            Em 1911 – 332 hab.

Em 1920 – 292 hab.

            Em 1950 – 374 hab.

            Em 1981 – 196 hab.

            Em 2001 – 124 hab.

 

Principal actividade:

- Agricultura.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

Sem dúvida alguma que a afamada Pedra da Bolideira é a princesa da freguesia ou a sua Top Model e se a aldeia da Bolideira apenas se resume quase à sua pedra e meia dúzia de armazéns, já a sede de freguesia, Bobadela, é constituída por um núcleo bem definido de construções rurais típicas de granito.

 

Em termos da história, salienta-se o Alto da Cidadonha, onde há vestígios de uma provável estância castreja da Idade do Ferro do Noroeste Peninsular.

 

A Freguesia não é excepção ao fenómeno do despovoamento.

 

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Linck para os posts neste blog dedicados às aldeias da freguesia:

 

            - Bolideira

 

            - Bobadela

           

 

 

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publicado por fernando ribeiro às 01:33
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Domingo, 28 de Setembro de 2008

Bobadela de Monforte - Chaves - Portugal

 

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A nossa aldeia de hoje é uma velha conhecida minha, pois no 15 de Agosto, dia de festa na aldeia, tínhamos sempre encontro marcado.

 

Mas ainda antes de entrarmos nossa aldeia de hoje, Bobadela, deixem-me explicar um bocadinho a importância que essa aldeia tinha nessa data.

 

Sou da colheita de 60, uma boa colheita por sinal, os da minha geração e os mais velhos conhecem na perfeição a importância que as festas tinham nos anos 60 e 70 (não falo dos anos anteriores porque não sei como era, mas suponho que fosse idêntico). As gerações mais novas, já não entendem tão bem a importância e tradições que estavam ligadas às festas. Sei-o porque que tenho em casa um adolescente e uma criança além de trabalhar também com gente mais nova que eu, que estão muito longe de saber, embora o tentem imaginem, o que era viver sem água canalizada em casa, sem instalações sanitárias, sem electricidade, sem televisão, sem frigorífico, sem computador e até de uma coisa tão simples como uma máquina de calcular.

 

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Sinto-me um privilegiado por ter assistido a todos esses grandes momentos como o da televisão, mesmo que a preto e branco, com um só canal, a fechar à meia-noite e constantemente interrompida com aquele famoso ecrã negro onde projectavam “Pedimos desculpas por esta interrupção, o programa segue dentro de momentos”, mas antes disso, foi-o a electricidade, que embora eu (porque nasci na cidade) já tivesse nascido com luz, na grande maioria das aldeias ainda não tinha lá chegado.

 

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Tudo isto para chegar ao 15 de Agosto de Bobadela e à sua festa, pois também em termos de divertimentos e lazer, o que havia de mais importante, eram as festas dos bairros e das aldeias, fora isso, as brincadeiras de rua, as futeboladas, os matraquilhos e os sapos das tabernas e para os mais intelectuais, as tertúlias nocturnas dos cafés, e estas, só para os da cidade.

 

A importância das festas era tanta, que nós em adolecentes crescidotes, tínhamos os calendários das festas mais importantes ou daquelas que eram de visita obrigatória, por uma ou outra razão. Festas como a de Vilarelho, de Outeiro Seco, de Valpaços, de Vilarandelo, de Lebução, de Boticas e, para mim, a do Sr. da Piedade de Montalegre, era impensável faltar. Mas havia também as de visita obrigatória porque era terra de amigos, colegas ou até de namoradas e às vezes, tudo junto.

 

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A festa de Bobadela era uma que estava marcada no calendário como visita obrigatória, porque as tais condições todas juntas se reuniam para nós lá irmos, e digo nós, porque a festas nunca se ia sozinho. Em Bobadela tínhamos convite para casa do Tio Jaime, que era pai de uma colega de liceu, amiga e namorada de um amigo, e como na altura os pais das namoradas metiam sempre medo, lá ia-mos indo, uns de acompanhantes e amparo de amigos e outros de namorados. Mas valia sempre a pena, pois festa era festa, sempre boa mesa e bem regada, banda no coreto e foguetes no ar, não podíamos ser mais felizes e havia muita solidariedade e cumplicidades entre a juventude de então. Só a título de curiosidade, o meu amigo “velhote” casou anos mais tarde com a filha do Tio Jaime e hoje, já é sem medos, mas por amizade que sempre que passo por Bobadela paro em casa do Tio Jaime para os cumprimentar.

 

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Mas vamos até Bobadela e deixemos de parte as inevitáveis estórias do passado.

 

Bobadela é ainda uma das terras do grande planalto, fica a 18 Km de Chaves e o acesso é feito a partir da tal Nacional 103. É sede de freguesia à qual pertence ainda o lugar ou aldeia da Bolideira, a tal que tem a famosa pedra da Bolideira, porque além de gigantesca (para pedra) qualquer um de nós a consegue fazer bulir.

 

Bobadela em termos de área do seu território é uma das mais pequenas freguesias do concelho, com apenas 6 km2, mas mesmo assim faz fronteira com as freguesias de Oucidres, Águas Frias, Tronco e Nozelos, esta última já pertença do Concelho de Valpaços.

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Em termos de população também é a freguesia com menos população do concelho com apenas 124 habitantes residentes, mas que, contava ainda com 16 residentes com menos de 20 anos, dos quais 5 tinha menos de 10 anos (Censos 2001). Comparativamente com os Censos de 1981, perdeu 73 habitantes o que em termos percentuais significam 38% da sua população. Mesmo assim, um número invejável para as aldeias que mais sofrem de despovoamento.

 

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Claro que tudo numa escala mais pequena, porque a freguesia e aldeia sempre foi pequena, a aldeia tem os seus emigrantes, os seus abandonos para as cidades e o seu envelhecimento, principalmente no casario mais antigo e abandonado, algum em ruínas. Inevitável, não só por falta de políticas acertadas para as aldeias e para todo o interior, mas também por permissões, facilitismos e complicações de Leis que permitem e não permitem, complicam em termos de heranças ao permitirem que pequenos prédios já por si reduzidos seja divididos por vários (às vezes muitos) herdeiros. Claro que teoricamente são prédios indivisos, mas à nossa boa maneira tudo se vai contornando e se nos prédios rústicos a coisa é fácil e cada um cultiva o seu pedaço, nos prédios urbanos, ou seja nas casas, a coisa já não é tão fácil de dividir nem de abdicar da sua quota-parte ou quinhão e, como é de todos, ninguém investe individualmente e,  como ninguém investe, o casario acaba por deteriorar-se e acabar em ruínas. Além disso, também é mais fácil e barato, além de criarem melhores condições construir de novo do que reconstruir, e assim, repetidamente nas nossas aldeias, vemos periferias e até terrenos agrícolas invadidos por novas construções enquanto que o antigo e tradicional casario está ou caminha para a ruína. Claro que não estou a falar de Bobadela em particular, mas em geral, pois é assim em todas as aldeias – “as casas belhas estão todas esborralhadas ou esbarrondadas” é o que me costumam dizer, mas nem era necessário, pois está à vista de todos.

 

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Bobadela de Monforte, como todas as nossas aldeias é essencialmente agrícola cujas produções são, o centeio, batata, milho, frutas e algum vinho. Embora por lá existam algumas construções recentes e alguns arranjos também recentes, não deixa de ser uma aldeia pitoresca com um núcleo envelhecido de construções tradicionais onde o granito era rei e senhor, no entanto sem casario rico ou solarengo, mas muito interessantes. Bobadela, está situada num ponto alto da região (no grande planalto), na envolvente do Castelo de Monforte, entre matas de soutos e carvalheiras, assente nos visos da serra a dominar toda a encosta até ao fértil vale de Tinhela (concelho de Valpaços).

 

Possui uma interessante igreja matriz, cujo orago é São Pedro.

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Numa das casas da aldeia existem três pedras trabalhadas que datam de 1517. Claro que a origem da aldeia é concerteza muito mais antiga no entanto apenas existem teorias e suposições quanto à sua antiguidade levantada por alguns historiadores locais e que ligam a aldeia a uma suposta ou provável estância castreja da idade do ferro desenvolvida no alto da Cidadonha (ou Cigadonha) onde se diz existir vestígios de fossos e muralhas.

 

Dizem ainda alguns escritos que a nobre família dos Andrades, descendentes de Nuno Freire de Andrade, Mestre da Ordem de Cristo, que veio para Portugal no reinado de D. Pedro de Castela, teve aqui a sua Torre ou Casa Forte. Este castelo e outros congéneres que existem na Galiza e norte de Portugal, poderão remontar aos afastados tempos da reconquista cristã, e aos quais se refere o velho Livro de Linhagens. Este nome de Castelo ou Torre dos Andrades, poderá ter sido atribuído como trofeu de glória, para recordar os feitos do ilustre cavaleiro que, com mais quatro companheiros de armas, foi até Espanha combater os sarracenos, em companhia do conde D. Mendo.

 

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Os Andrades recolhem o apelido da vila de Andrade, situada na Galiza. Esses senhores, cobertos de honrarias, foram donatários da aldeia. Um deles. o conde de Bobadela, em 1733, foi governador e capitão geral do Rio de Janeiro e mais tarde governador de Minas Gerais e de S. Paulo. Criou no Rio de Janeiro a primeira oficina tipográfica, erigiu o aqueduto de Carioca e interveio na construção de outros edifícios públicos". Dessa família descendeu o general Gomes Freire de Andrade, grande lutador e mártir da liberdade. Deduz-se até que Bobadela é uma designação de origem árabe, que poderá derivar de Boabdil, nome do último rei de Granadas, e que seriam eles, os árabes, os seus fundadores. Foi relativamente curta e efémera a estada dos mouros nestas terras, mas é incontestável que deixaram inúmeros sinais da sua passagem sobretudo em termos de topónimos como: Alpande, Alfonge, Amoínhas (Almoinhas), Almorfe, Bóbeda entre tantos outros. Perto do centro urbano, situa se o castro designado por Cidadonha, de edificação pré romana, embora depois tivesse sido romanizado, como se infere dos achados arqueológicos. Castro esse que integrou a vasta rede de fortificações romanas, que se estendem pela orla do extenso planalto, desde as margens do rio Rabaçal até aos vales de Aguiar e margens do rio Corgo. Conta a lenda que nesse castro existem três arcas: uma contém ouro, outra contém prata e a terceira está cheia de peste. Ninguém ousa abri-las porque desconhecem o seu conteúdo e poderiam abrir a da peste e assim desencadear uma mortífera epidemia. Lendas são lendas e história é história, mas nem sempre a história e historiadores estão de acordo, o que nos leva à velha questão de que a história tem sempre duas ou mais versões.

 

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Pois também a respeito dos Andrades desta aldeia, também já li escritos que dizem a terem existido, seria uma simples linhagem desse daquele ramo, ou seja, como diria o velhinho e falecido Dr. Castro – Existir, existiram, mas não tinham importância nenhuma, por isso não se fala mais deles.

 

Por mim deixo por aqui o que dizem os historiadores, sejam eles locais, consagrados ou não e, até sem me importar muito se andaram nas universidades públicas ou não, seguindo sempre o meu lema do que tudo o que dizem pode ser verdade, mas também pode ser mentira.

 

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Um exemplo disso tem a ver com o topónimo desta aldeia, pois como já atrás disse pode ter origem em Boabdil dos Mouros, mas também há os que defendem que a sua origem alude a uma fonte de abóbeda ou fonte coberta.

Brincando com esta última teoria, eu penso mesmo que o topónimo terá origem numa fonte em que quando os ilustres antepassados passavam por ela diziam: - Olha ali uma fonte,  vamos lá “bober-dela”!. É a minha simpática teoria para acrescentar à confusão do topónimo e mais uma valiosa contribuição para a história da aldeia. No entanto a julgar pelo letreiro da fonte, hoje já não é muito recomendável beber daquela água.

Claro que todo o último parágrafo é para esquecer, não vá alguém pensar que estou a dizer isto a sério. O Adiantado da hora dá-me para estas coisas.

 

E assim concluímos mais uma freguesia com post alargado para as suas aldeias, ou seja, é mais uma com direito a mosaico fotográfico que oportunamente passará por aqui.

 

Entretanto amanhã cá estarei com o rescaldo do fim de semana e de regresso à cidade.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:57
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