Sábado, 29 de Julho de 2017

Carvela - Chaves - Portugal

1600-carvela (167)

 

Sempre tive um certo fascínio pela Serra do Brunheiro e este sempre é mesmo desde puto, penso mesmo que será desde que nasci, e a razão é muito simples, as janelas da minha casa davam diretamente para o Brunheiro, praticamente sem qualquer barreira física entre o meu olhar e a imponência da serra, não que ela seja muito alta, mas é a forma como se dá à apreciação para quem está na veiga de Chaves.

 

1600-carvela (153)

 

Pois desde miúdo que a Serra do Brunheiro tem sido também o meu barómetro. Digamos que ela é o meu boletim meteorológico diário, quando logo pela manhã abro a janela do quarto  e lhe lanço um olhar para fazer as previsões  do dia.  É, as minhas janelas continuam a ter o Brunheiro por companhia e agora muito mais do que em puto, pois com o tempo fui-me aproximando das suas faldas. Bem , mas tudo isto tem a ver com a nossa aldeia de hoje, Carvela, uma das três aldeias (conjuntamente com Maços e Santiago do Monte) que ficam logo após o dobrar da croa[i] da serra, mas sem vistas para a veiga.

 

1600-carvela (73)

 

Esta localização das três aldeias mencionadas faz com que elas gozem, ou melhor – sofram, com um fenómeno meteorológico que se repete muitas vezes ao longo do ano. Ontem mesmo quando acordei esse fenómeno estava a acontecer, fenómeno esse  que faz com que essas aldeias fiquem mergulhadas num espesso nevoeiro, tudo acontece quando existe uma diferença de pressão atmosférica entre  o vale de Chaves e o planalto do Brunheiro, que faz com que as nuvens baixas ou nevoeiros e neblinas matinais subam a encosta da serra e estacionem no planalto. De verão e em dias quentes como os que estamos a atravessar, este fenómeno até talvez se agradeça, mas de inverno, dói a valer, principalmente quando as temperaturas lá no alto são negativas e os nevoeiros que sobem se convertem em gelo, criando um ambiente de uma beleza sem igual, mas que só se pode desfrutar desde dentro do carro com o aquecimento ligado ou desde as casas da aldeia com a lareira bem abastecida de lenha.

 

1600-carvela (88)

 

Carvela é uma das onze aldeias a freguesia de Nogueira da Montanha e uma (freguesia) que mais tem sofrido com o despovoamento, em parte pelo rigor dos invernos mas também pela falta de políticas para a agricultura e floresta que façam com que a sua população possa fazer delas um modo de vida. E isto embora aconteça lá em cima a uma cota de 900 metros de altitude, a terra é generosa para como produtos agrícolas, pelo menos na qualidade daquilo que de lá sai, principalmente na produção de batata.

 

1600-carvela-art (2)

 

Aliás é vergonho que na cidade de Chaves onde a batata da montanha é reconhecidamente de qualidade superior, tenhamos que comprar batata espanhola e francesa nas grandes superfícies. É como o presunto de Chaves, o famoso presunto de Chaves, tão falado por esse Portugal fora, mas são poucos os que o avezam.   

 

 

[i] Já sei que o termo croa não existe na língua oficial portuguesa, mas por cá é assim que se vai dizendo e pronuncia e não é mais que a palavra coroa abreviada.

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:07
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?
Sábado, 24 de Setembro de 2016

Carvela - Chaves - Portugal

1600-carvela (148)

 

Já perdi a conta às vezes que fui ou passei por Carvela, quase sempre com a intenção de conseguir novas fotos, mas nem sempre fui bem sucedido, ou melhor, apenas uma vez o fui, a primeira, e já lá vão 10 anos.

 

1600-carvela (74)

 

Exceção para as fotos de inverno, do gelo ou carambelo, ou da aldeia submersa em nevoeiro, que dessas sempre trago algumas, ou muitas, quando esses fenómenos atmosféricos acontecem, mas em tempo de verão, pouco tenho acrescentado ao meu arquivo e, a razão é simples, não tenho encontrado novos motivos para além daqueles que registei há 10 anos.

 

1600-carvela (11)

 

Talvez seja falta de inspiração minha, talvez porque na aldeia, nos últimos anos, não tenha havido grandes alterações, tal como acontece na maioria das nossas aldeias devido ao despovoamento e envelhecimento da população. Não sei, o facto é que nas passagens mais recentes pouco tenho acrescentado ao meu arquivo.

 

1600-carvela (6)

 

Contudo, no arquivo de Carvela ainda tenho alguns motivos de interesse para trazer aqui hoje e ainda há mais para poder vir por aqui de novo e, pela certa, que os dias mais rigorosos de inverno, os tais do gelo e carambelo levar-me-ão lá de novo. Eu sei são dias frios e não muito agradável para quem tem conviver com ele, mas que é um espetáculo digno de ser visto, lá isso é.

 

1600-carvela (4)

 

Pode ser que numa dessas próximas idas por Carvela surjam novos motivos que despertem a atenção da objetiva, acredito que sim, mesmo porque os nossos interesses e o nosso olhar também está sempre em constante evolução.

 

1600-carvela (152)

 

Entretanto ficam hoje mais seis motivos de Carvela que escaparam ou sobraram dos últimos posts em que aldeia passou por aqui.

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:00
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 4 de Janeiro de 2014

Pelo Planalto do Brunheiro

 Carambelo no Planalto do Brunheiro - imagem de arquivo

 

Tarde de 30 de dezembro do ano que recentemente nos deixou. Desde o vale, olhei para a coroa da Serra do Brunheiro e estava num daqueles dias de coroa coberta com nevoeiro quando às vezes acontece um fenómeno meteorológico, quando ar húmido do vale sobe pela encosta fora e quando chega à coroa da serra, em contacto com as temperaturas negativas, congela contra tudo que é obstáculo, criando um espetáculo de verdadeiras esculturas de gelo que por cá também se conhece por carambelo e/ou carambina. Pois é, às vezes acontece esse fenómeno, mas só às vezes, pois na maioria das vezes o nevoeiro que se vê na coroa da serra, não passa mesmo de nevoeiro. Foi o que aconteceu na tarde de 30 de dezembro.

 

 Entrada do adro da igreja de Carvela

Já não é a primeira vez que recorro ao pretexto do carambelo para subir a serra e pela certa que não foi a última vez. O que eu queria mesmo era ir à coroa da serra, monitorizar que o despovoamento é também um fenómeno que aconteceu ao longo destes últimos anos 30 anos, mas contrariamente às causas naturais dos fenómenos meteorológicos, este do despovoamento, é por outras causas des(humanas), politicas e económicas, e bem longe de serem naturais, antes resultado de perversidades de quem nada se interessa pelas pessoas, pelo povo, pela nossa cultura, pela nossa história.

 

Rua da aldeia de Maços  

Nogueira da Montanha é uma freguesia composta por 11 aldeias e os números não enganam, pois segundo os últimos Censos a população da freguesia (das 11 aldeias) pouco mais é do que 500 pessoas o que se estivessem repartidas equitativamente pelas aldeias da freguesia, daria pouco mais de 45 pessoas por aldeia, só que, algumas destas aldeias já hoje estão praticamente despovoadas na sua totalidade, como é o caso da sede de freguesia – Nogueira da Montanha.

 

Largo principal da aldeia de Nogueira da Montanha

 

Parece que também a natureza se quer associar a este fenómeno do despovoamento, mandando para lá o nevoeiro para compor o quadro da melancolia que já por si faz as horas melancólicas dos dias de quem resiste na montanha e no planalto do Brunheiro, nevoeiro que parece também toldar a visão e as mentes dos que se sentem iluminados pelas luzes da ribalta das cidades e do poder.

 

Rua principal da aldeia de Nogueira da Montanha

Enfim, como eu costumo dizer -  com uns bons estadulhos resolvia-se depressa isto tudo – mas infelizmente já não há que os faça e,  com o tempo, vai acontecer o mesmo que aconteceu ao engaço de outros tempos, nem sequer vão saber o que é um estadulho. E com esta vos deixo e com ela me vou.

 

As fotos, com exceção da primeira que é de arquivo, as restantes são do dia 30 de dezembro passado.

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 19:31
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2012

O Gelo do Planalto

 

 

Ontem foi dia de frio, daqueles frios que se entranha e que acontecem sempre que o nevoeiro se lembra ficar por cima de nós em forma de nuvens e não deixa que o frio da noite se “evapore” na atmosfera. Nestes dias, o nevoeiro sobe um pouco acima das nossas cabeças, mas não o suficiente para subir além do planalto do Brunheiro.





Pois quando estes dias de frio acontecem e cá em baixo no vale a temperatura, embora positiva, ronda os zero graus, é certo e sabido que lá em cima no planalto a temperatura é negativa e, com o fenómeno da subida de ar do vale, misturado com a humidade, proporciona um espetáculo de formações em gelo digo de ser visto, embora duro de ser suportado por quem lá reside, principalmente nas três aldeias onde este fenómeno costuma acontecer: Santiago do Monte, Maços e Carvela.





Pois ontem em pleno meio-dia ou quase, as condições estava reunidas para que o espetáculo de gelo estivesse a acontecer, e aconteceu. Os 2 graus positivos na cidade eram transformados em 2.5 negativos lá em cima, no planalto, e o resultado fica nas fotos de hoje, e é só uma amostra em relação ao que costuma acontecer por lá.



´
publicado por Fer.Ribeiro às 04:27
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?

.Fotos Fer.Ribeiro - Flickr

frproart's most interesting photos on Flickriver

.meu mail: blogchavesolhares@gmail.com

.Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9

15

22
24
25
26
27
28

29
30
31


.pesquisar

 
ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

 

 

El Tiempo en Chaves

.Facebook

Fernando Ribeiro

Cria o teu cartão de visita Instagram

.subscrever feeds

.favorito

. Solar da família Montalvã...

.posts recentes

. Carvela - Chaves - Portug...

. Carvela - Chaves - Portug...

. Pelo Planalto do Brunheir...

. O Gelo do Planalto

blogs SAPO

.Blog Chaves no Facebook

.Veja aqui o:

capa-livro-p-blog blog-logo

.Olhares de sempre

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

Add to Technorati Favorites