Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

Mais três imagens e breves palavras

 

Ainda ontem deixava por aqui algumas imagens agradáveis ao olhar de qualquer flaviense e não flaviense, mas temos de ser realistas, a grande maioria do casario do centro histórico mete dó, principalmente os pisos superiores desse casario, pois ao nível do rés-do-chão, graças ao comércio e alguns incentivos, lá se vai mantendo mais ou menos atraente.




Há dias a Câmara Municipal apresentou um Masterplan do centro histórico com a delimitação da área de reabilitação urbana, bem como o Programa Estratégico de Reabilitação Urbana do Centro Histórico de Chaves. Embora seja um passo para que algo aconteça em termos de reabilitação urbana, a montanha acabaria por parir um rato, uma simples gota no oceano, pois os incentivos que há associados a essa reabilitação só abrangem quem tiver contabilidade organizada. Ora acontece que a grande maioria do casario habitacional do centro histórico é propriedade de particulares, sem escrita organizada e daí, ficam de fora deste programa.




No entanto se a reabilitação urbana é mais que necessária, para se levar a sério tem de contemplar o casario habitacional, pois é nesse que é urgente intervir, mas não só,  a reabilitação de pouco adiantará se não houver um plano de revitalização do centro histórico. É que nesta coisa dos conceitos anda muita confusão e reabilitar não é o mesmo que revitalizar, daí que até tenham aparecido alguns casos isolados de reabilitação urbana, mas só e apenas isso, que depois de pronto, o imóveis reabilitados continuam sem gente dentro.

 

Mas isto são temas para páginas de discussão e não pode nem deve ser tratado aqui com a leviandade de três ou quatro parágrafos de escrita, mas sempre podemos deixar aqui a nossa preocupação.



publicado por Fer.Ribeiro às 17:46
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Terça-feira, 14 de Maio de 2013

Chaves - Três Olhares

Chaminé e clarabóia na Rua Dr. Júlio Martins

 

Casario da Praça do Município

 

Rua Dr.Júlio Martins com novo visual

 

publicado por Fer.Ribeiro às 04:35
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Terça-feira, 16 de Abril de 2013

Alguns eventos a acontecer

Hoje vamos deixar por aqui alguns eventos que vão acontecer por cá.


Para a próxima quinta-feira, dia 18, inaugura no Polo da UTAD/ESEC  uma exposição da Lumbudus em parceria com uma atividade da licenciatura de Animação Sociocultural do Polo da UTAD em Chaves. Esta exposição resulta de uma atividade anterior intitulada “Repórter por um dia” em que vários fotógrafos Lumbudus acompanharam a jornalista Sandra Pereira numa reportagem sobre o despovoamento e envelhecimento rural numa freguesia flaviense, no caso, a de S.Vicente da Raia.


 

Para dia 19, sexta-feira um Workshop sobre a reabilitação e regeneração urbana, tendo por base os Programas Estratégicos para o Centro Histórico de Chaves. Um Workshop de interesse para todos os interessados por reabilitações e regenerações urbanas, mas em particular para proprietários do Centro Histórico.


Atenção que para assistir a este Workshop a inscrição é obrigatória. O Programa,  Inscrições e informações online podem ser obtidas aqui: http://www.chaves.pt/

 

 ou pessoalmente na Câmara Municipal de Chaves.

 

 

Já agora e uma vez que se fala de reabilitação, os espaços públicos devem contribuir para essa mesma reabilitação. Na Praças da República  e do Duque,  nas últimas semanas têm servido de estacionamento a popós, e não tem sido exceções para casamentos e funerais. Espero que seja apenas uma distração das autoridades, pois outra coisa não imagino. Estas duas praças são imagem de marca da cidade, são as nossas duas praças monumentais que todos os visitantes e turistas registam em imagem e levam com agrado, mas sem popós. Demorou longos anos a tirar de lá o estacionamento, por favor, para bem da cidade e do centro histórico, não deixem voltar os carros às nossas melhores praças. Os peões, visitantes e turistas agradecem.




Por último, fica já o anúncio de um evento que vai ocorrer aqui ao lado, em Boticas nos dias 23, 24 e 25 de Maio. Trata-se do I Congresso Internacional – A Animação Sociocultural, Gerontologia e Geriatria – A Intervenção Social, Cultural e Educativa na Terceira Idade.




Informações, programa e inscrição, podem ser obtidas aqui: http://geralintervencao.com.pt/


É um congresso que interessa a todos os que lidam com os problemas do envelhecimento e da terceira idade.

 

E por agora é tudo. Mais logo termos ainda por aqui a “Pedra de Toque” de António Roque.

 

Até lá!



publicado por Fer.Ribeiro às 02:10
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Terça-feira, 24 de Julho de 2012

Apenas uma imagem de Chaves antiga e velha

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:54
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Terça-feira, 17 de Abril de 2012

Três imagens e umas tantinhas palavras

 

Há dias em que as imagens têm mesmo de valer por mil palavras, ou por poucas palavras. Mas pelo menos as imagens são frescas, de ontem à hora de almoço, com muito sol, mas enganador, pois também estava frio. As montanhas galegas cobertas de neve a isso obrigam.

 

 

Sol e frio mas que dá para por a roupinha a secar. Há quem não goste, quem ache uma parolice provinciana, que diminua a nosso ser urbano. Por mim que se danem os preconceitos, pois sou provinciano, orgulhosamente flaviense que mais não é que ser de uma cidade pequena da província e ainda por cima transmontana. Eu gosto de ver a roupinha a secar ao sol e ainda digo mais – que regalo e colorido seria para a vista se todas as varandas e janelas das casas do centro histórico tivessem roupa a secar em dias de sol. Era bom sinal, era sinal de que tinham gente dentro e então se a roupinha fosse de gente pequena, melhor ainda, pois alegria nas ruas não faltaria.

 

 

Mas enfim, se até as antigas creches agora dão lugar a casinos de terceira idade como podermos nós esperar roupinha miúda a secar ao sol. Sinal de envelhecimento, não só das casas mas também da nossa população e se por muitos lados é sinal de desenvolvimento, por cá os sinais são outros, principalmente de dificuldades e de constantes convites a abalar daqui para fora aos quem ainda têm dinheiro e idade para procriar. Pois, e depois lá vão procriar para outras bandas, pois infelizmente hoje por cá já nem sequer se nasce flaviense, a não ser um ou outro caso, dos poucos que há, cuja pressa do rebento em sair não dá tempo à mãe de ir parir a Vila Real. Vai sendo esta a nossa realidade onde resistir é complicado.

 

E é tudo. Para quem não queria deixar por aqui palavras, até já são demais.

 

Até amanhã!

publicado por Fer.Ribeiro às 02:25
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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

Chaves, janelas com vida.

 

Para já ficamos com duas imagens de janelas da nossa cidade, janelas que ainda se abrem e que para lá delas ainda há vida. Como gosto de ver as janelas da minha cidade com vida dentro. Faz-me regressar ao tempo em que a cidade de Chaves, centro histórico, não fechava às 7 da noite para só abrir às 8 da manhã.

 

 

Às vezes, por estes gostos de tempos antigos, chama-nos saudosistas como se isso fosse um pecado. Eu sou-o, porque tenho memória. Que seria de nós se não tivéssemos memória?

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:31
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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

Duas imagens e algumas palavras

 

Se há coisa da qual os flavienses de podem orgulhar é do nosso património. Bem sei que o nosso  orgulho flaviense poderia ser bem maior se no passado não se tivesse destruído parte dele, principalmente aquele que diz respeito às muralhas medievais e parte das seiscentistas que fechavam a vila antiga, mas mesmo assim, podemo-nos orgulhar daquilo que restou, e depois, ao menos isso, sempre ficaram os fortes de S.Francisco e S.Neutel, a Torre de Menagem e o Baluarte do Cavaleiro e, claro, a Ponte Romana à qual agora podemos acrescentar os Balneários Romanos.

 

Daquilo que é mais recente, aí o orgulho é menor e a desgraça maior, pelo menos a nível de casario do centro histórico, da sua preservação e de algumas relíquias que se foram perdendo, isto para não falar da monstruosidade que foi deixar entrar os mamarrachos de betão no centro histórico, principalmente aqueles que são conhecidos como os mamarrachos da ACIOP e também do gosto menos apurado e da falta de sensibilidade nalgumas intervenções nas nossas praças públicas (Bacalhau e Freiras).

 


 

Restam algumas preciosidades que deveria ter melhor companhia, mas mesmo assim, preciosidades, como o caso do fontanário que fica em imagem e que nunca me canso de apreciar. Pena, tal como disse, que a companhia não seja muito agradável e não o deixe brilhar como deve.

 

Já a seguir, vem aí a “Pedra de Toque” de António Roque, hoje com um ilustre Transmontano e Barrosão.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:31
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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

Palavras colhidas do vento... por Mário Esteves

 

Eu não sei porque a segurança dos cidadãos e do património, são valores normalmente associados ao conservadorismo e de parecerem ser repudiados pelos progressistas.

 

Não quero situar historicamente a questão, nem fazer valer como factos indesmentíveis, categóricos, aqueles conceitos.

 

No entanto, não posso deixar de reconhecer que existem em determinadas circunstâncias, grupos avessos a qualquer evolução, seja ela qual for, por comodidade, por se sentirem melhor perante quadros sociais perfeitamente definidos, se tal é possível, e por crerem, definitivamente, que o presente com as sua imperfeições, sempre é melhor que uma actualidade em mutação, na qual o mais certo é verem a sua própria condição contestada, assim como os cimentos da sua própria existência ou do modelo da sociedade, na qual, grande parte viveram.

 

Para maior complexidade, a verdade é que, nem sempre as alterações sociais, implicam necessariamente a desordem, o banditismo ou outros fenómenos semelhantes.

 

E como esta não é a escrita, deliberadamente, usada nestas crónicas, nem o fim que nelas se prossegue é a análise social ou o folhetim, inteiramente legítimos, antes e por opção, notas esparsas, ligeiras e simultaneamente com alguma intenção de estimular a reflexão, com pretensões de bem-humoradas, nem sempre conseguidas e com raízes na naturalidade, direi e como comentário comum às reacções da crónica da semana passada, que, implantada a República, em 5 de Outubro de 1910, foi o povo aderente à revolução que se preocupou em defender a ordem pública, nomeadamente opondo-se de armas nas mãos às possíveis pilhagens de bancos e outras instituições.

 

Assim nem sempre o passado é melhor … é simplesmente passado.

 

E conhecendo muito bem o falecido Chefe Oliveira, que prestou serviço na PSP de Chaves, pessoa que estimei, assim como parte de sua família - que chegou a residir em frente de minha morada na então Rua da Cadeia, actualmente Bispo Idácio, designadamente uma filha que casou com o meu bom amigo Alcino, antigo jogador do Desportivo -, não posso deixar de referir que a sua actividade, embora com uma eficácia reconhecida, não gera a aprovação geral quanto aos processos, que, apesar de comuns à época, à luz dos dias de hoje, seriam no mínimo controversos.

 

 

É inegável que há muito existe um problema de ordem pública no chamado Centro Histórico de Chaves e pretender ocultá-lo, minimizá-lo ou como às vezes oiço, considerando-o como natural no presente e uma mera consequência da rebeldia juvenil, então … meus Senhores, estaremos a amamentar as crias que mais tarde nos vão devorar.

 

Por outro lado é certo que no centro histórico habitam cada vez menos cidadãos eleitores, mas também não deixa de ser verdade, que ainda é o coração da cidade.

 

E se ao pretender-se governar em função dos cadernos eleitorais é uma atitude pouco ética, mesmo criminosa, de profundo desrespeito pelas minorias, ignorar as pessoas que trabalham no centro histórico, no comércio ou nos serviços nele existentes e que constatam a insegurança dos moradores, é rematada estupidez, e a consequência mais lógica será estes começarem a pôr as barbas de molho, aqueles que as têm, pois não tardará muito a viverem a mesma preocupação e angústia.

 

Em França, a esposa de Luís XVI, Maria Antonieta, observando a insatisfação e a antipatia que a sua pessoa gerava nas classes menos abastadas, na sua incredulidade altaneira, interrogou um dos seus lacaios das razões daqueles sentimentos.

 

Consta-se que o humilde servo respondeu:

 

- É a falta de pão, Majestade.

 

Ao que a Rainha, surpreendida, objectou:

 

- Que comam “brioche”!

 

E como sabem, acabou no cadafalso.

 

A coisa não será para tanto e há aqui um evidente exagero, mas não como à primeira vista, possam pensar.

 

Que diria, após uma noite mal dormida pelo ruído exterior, os olhos ainda estremunhados, e visse os vidros da montra de seu comércio ou da porta de entrada de sua casa partidos, ou a frente da sua habitação ornamentada de “minis”, e se queixasse às autoridades, fossem elas as que fossem, e obtivesse como resposta:

 

-Vá para um condomínio fechado!

 

Claro, que se fosse um autarca, nas próximas eleições não votaria nele.

 

Pelo menos, não deveria, que ele há gente para tudo.

 

Apesar do aviso, que esta não era uma crónica “normal” cedi à tentação do momento e prossegui no mesmo. Paara acabar, só mais uma coisa.

 

Durante o mandato de Rudolph Giuliani, como “mayor” de Nova Iorque, foi muito comentada a sua política “de vidro partido”, tendo mesmo sido recebida com grande entusiasmo por parte dos meios liberais.

 

Essa política assentava no princípio, que não se prestando atenção a um vidro partido, tal iria incitar a que mais vidros fossem quebrados.

 

Sendo certo que a criminalidade baixou consideravelmente, aquela prática, sem deixar de ter algum sucesso como atrás disse, aparentemente foi abalada por um caso de corrupção que envolvia o chefe da polícia de Nova Iorque, familiar próximo do próprio Giuliani.

 

Actualmente é contestada por recentes trabalhos de sociólogos “avant garde”.

 

No entanto tenho para mim, que o pior é a indiferença, a condescendência, o “deixa andar…”, “atrás de mim quem vier, feche a porta”.

 

 

 

Já aqui falei da República e também no escrito da outra semana mencionei o Coronel Bento Roma.

 

Em família, e principalmente às minhas tias do Correio Velho, sempre lhes escutei que o Coronel Bento Esteves Roma, seria parente do meu avô paterno.

 

Ora, este era monárquico, e como não ignoram, Bento Roma, além de militar distinto, e com uma carreira ilustre no Corpo Expedicionário Português, na administração civil e militar, tanto em Portugal como nas antigas Colónias, até a um relativo obscurecimento, a que não seria estranho, em 1949, ter apoiado a candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República e pertencido à sua Comissão Central, teve papel preponderante na contenção das incursões monárquicas.

 

Pelo quê, também não surpreende que o meu avô, um dia, dado a acentuada costela republicana de Bento Roma, chegasse a casa e exclamasse:

 

- Roma ardeu!

 

A minha avó:

 

- Ai! Credo! Que desgraça e houve muitos mortos e casas …

 

- Ó mulher, não foi a capital de Itália, foi o parente, a quem não mais volto a dar uma palavra!

 

Mário Esteves

 

publicado por Fer.Ribeiro às 18:00
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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011

Mais 5 gravuras em Chaves Gravuras

 

Mais 5 gravuras em Gravuras de Chaves - http://gravurasdechaves.blogs.sapo.pt

 





publicado por Fer.Ribeiro às 00:34
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Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Um gesto simples, interessante e bonito - tá fixe

 

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Coisas simples e gestos simples mas que são de grande importância para a cidade e para que os naturais, residentes e também para quem nos visita ficar a conhecer um pouco da história e importância monumental da cidade de Chaves.

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Aplaudo o gesto de colocar junto a cada um dos nossos monumentos uma placa com um pouco da história desses monumentos.

 

Da nossa parte leva um Tá Fixe.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Mais Chaves em imagem

 

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Vamos então, durante uns dias, percorrer em imagem aquilo que Chaves tem de melhor, ou pelo menos, aquilo que é imagem de marca da cidade.

 

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Claro que não consigo imaginar Chaves sem a sua Rua Direita,, mesmo plastificada,  aquela que aqui no blog é, claro, minha opinião, a Rua Principal da cidade, tal como historicamente lhe cai bem. É sem qualquer dúvida a principal rua da cidade, onde até há de tudo, como convém num centro comercial.

 

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Mas quem marca mesmo é o nosso castelo, quer pela sua imponência e grandeza que, até, se impõe no contrariar a silhueta num contra luz de harmonia do nosso Centro Histórico. Isto é Chaves e o Centro Histórico no seu melhor, uma harmonia feita de contrates.

publicado por Fer.Ribeiro às 01:00
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Terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Os Olhares de Jose Luis Salgueiro sobre a cidade

 

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Continuando o que é habitual aqui no blog às terças-feiras, vamos para os olhares de quem nos visita e leva registada a cidade em imagem.

 

Hoje temos os olhares de um vizinho galego, o Jose Luis Salgueiro de Pontevedra, Galiza, Espanha, que pelo que consta na sua galeria de fotos, foi mais um visitante/turista que se encantou com o nosso centro histórico, da antiga e também velha cidade.

 

Sem dúvida alguma que o nosso centro histórico onde o Romano, pontualmente,  ainda resiste e o traçado da velha cidade medieval ainda se impõe, quer dentro das antigas muralhas ou adossada a elas, é um dos patrimónios mais valiosos que a cidade tem e, assim deveria ser entendido, por todos. Neste todos, cabem a Autarquia, o IGESPAR e outras instituições oficiais, mas também os técnicos, os proprietários e a população e flavienses em geral, porque afinal, embora o nosso Centro Histórico não seja Património da Humanidade, é um património da cidade e de todos os flavienses.

 

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Medidas sérias para o Centro Histórico são urgentes, mas, só as medidas, não resolvem o problema, pois algumas até já existem, mas é necessário cumpri-las e faze-las cumprir, mesmo que para isso se tenha de recorrer a outras medidas, punitivas, para quem não cumpre ou destrói, tal como o contrário também deveria ser verdadeiro, ou seja, premiar, incentivar, apoiar, facilitar ou desburocratizar para quem quer recuperar preservando e fazer do nosso centro histórico, um centro histórico com vida, agradável e convidativo, onde se continue a fazer a história da história da cidade. Com seriedade e verdadeiro interesse, muito haveria que fazer ainda pelo nosso Centro Histórico.

 

"A cidade que temos é a cidade que fazemos, faça a sua parte" - São palavras que estão a passar na televisão. Pena é que sejam tão breves como o anúncio.

 

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Mas mesmo com um Centro Histórico moribundo e desabitado continua a atrair as objectivas das máquinas fotográficas de quem nos visita, porque, mesmo doente, o Centro Histórico ainda não perdeu totalmente o seu atractivo.

 

O caso das fotos de hoje que curiosamente até ilustram aquilo que disse atrás, pois dos 4 prédios fotografados, 3 estão desabitados, não deixam mesmo assim de mostrar o seu interesse arquitectónico e os pormenores que despertaram o interesse do José Luis Salgueiro para os registar em imagem e com elas fazer estas interessantes fotografias.

 

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Interessante também é a galeria de fotos do nosso convidado, que se confessa amante apaixonado de fotografia, tal como uma criança se apaixona por um novo brinquedo: " La fotografia es como un juego en el cual el fotografo es como un niño" .

 

São com esta palavras do autor das fotos que termino o post de hoje, mas antes, deixo aqui o link para a sua galeria, à qual recomendo uma visita:

 

http://www.flickr.com/photos/jsalgueiro/

 

(em tempo)

 

Poderá e deverá também consultar o blog do nosso convidado de hoje, onde Chaves também marca presença, em:

 

http://www.jsalgueiro.blogspot.com/

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 15:28
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

O Repórter de Serviço e as mamãs, os papás e os popós de fazer pipi.

 

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Portugal é dos poucos países ditos civilizados que conheço, onde as Leis existem, mas não são para cumprir, ou então, só às vezes. Tanto assim é, que oficialmente até se inventou aquela da “tolerância zero”, ou seja, aqueles períodos é que a Lei é para cumprir.

 

Se estudarmos a fundo a questão, facilmente observamos que a coisa não é assim tão simples, pois há diversos factores que levam ao incumprimento das Leis, pois não basta debitar Leis para a rua, se não há condições para as cumprir ou pior ainda, pois às vezes há Leis ou Posturas que não se podem cumprir por haver outras Leis que impedem o seu cumprimento, como é o caso dos animais à solta na rua… ou ainda, constantes convites ao incumprimento da Lei por haver falta de condições para a cumprir.

 

Tudo isto para chegar ao nosso trânsito e estacionamento em locais proibidos. Toda a gente sabe e se não sabe estão lá os sinais para avisar, que no Centro Histórico entre a Rua de Stº António e a Rua do Sol, é proibido o trânsito automóvel em todas as ruas e daí, ser também proibido o estacionamento. Pois embora toda a gente o saiba, ninguém cumpre e ninguém os faz cumprir. Mas lamentáveis são as situações que ocorrem como no caso de ontem à tarde em que estavam colocados insufláveis gigantes para diversão das crianças nas Freiras, na Praça da República e na Praça do Duque em que alguns (muitos) papás e mamãs traziam as criancinhas de popó e estacionavam em “cima” dos insufláveis, como se não bastassem já os lugares cativos de estacionamento que por lá há, e tudo isto enquanto as crianças, entre os carros, iam correndo de insuflável para insuflável. É como se costuma dizer, “uma pouca vergonha”, de todos, quer dos pais, quer de quem não estava por lá para fazer cumprir a Lei, quer de quem não garante estacionamentos nas proximidades e também, de quem teve a ideia de colocar por ali os insufláveis, pois com tantos espaços verdes e convidativos que agora a cidade tem, logo haviam de cair no meio de praças empedradas. Enfim, mas o mal disto é, que já se vai olhando para estas coisas com a naturalidade de em Chaves tudo ser possível e ninguém é culpado destas situações.

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:14
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Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Feijoadas de Semana Santa - Chaves - Portugal

Ainda antes de entrarmos no post de hoje e como estamos em plena Semana Santa, que já não são tão rígidas como antigamente e até já são permitidas algumas diversões, hoje em termos de imagem deixo-vos um conhecido jogo, o de “descubra as diferenças” no  “antes e depois” – Boa sorte.

 

1º jogo

 

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(Descubra as diferenças!)

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E agora o post.

 

Hoje tinha reservado mais um devaneio já característico das quartas-feiras, aliás penso mesmo que este dia também vai passar a temático sob o título:  “Hoje há feijoada e para quem não gosta, há peixeirada” …é capaz de ser longo demais! Não sei, depois decido e, embora goste das feijoadas das quartas de Chaves, se calha, fico-me só pela peixeirada, que, como não gosto, lá terei que me referir às que outros cozinham e comem…

 

Mas hoje ainda não vai haver feijoada nem peixeirada, pois pensei bem na educação e formação que me deram dentro dos mais elementares meios da tradição católica e, nesta Semana Santa vou deixar alguns dos meus devaneios a marinar, mas só ficam adiados.

 

De que falar então!? – Talvez do nosso Centro Histórico, que mesmo moribundo, ainda vai sendo interessante, não sei por quanto tempo, pois está doentinho de todo, mas ainda tem cura.

 

Pois embora até haja uma equipa interessada na sua preservação e recuperação, as suas boas vontades não são suficientes para levar o barco a bom porto, pois não está dependente de boas vontades, mas de outras vontades e falta delas para preservar um tesouro, que afinal é nosso, de todos os flavienses e de quem nos visita… mas como estamos em Semana Santa, não aprofundo mais.

 

Sem aprofundar, não posso deixar passar ou ignorar mais um incêndio que ocorreu no último fim-de-semana em pleno Centro Histórico e que, graças a uma boa e rápida actuação dos bombeiros, só arderam dois prédios e meio, pois o terceiro, embora sem fogo, não ficou nas melhores condições, além de desamparado. Boa actuação dos bombeiros que resumiu o fogo a duas “casas”, pois da forma em que o nosso centro histórico se apresenta (deteriorado e abandonado) aliado a promiscuidade de todas as construções e quarteirões, poderia ter sido bem pior e até a desgraça total, do quarteirão ou vários quarteirões.

 

Incêndio que começou (segundo apurarei) depois das 3 da manhã em casas abandonadas, onde já se adivinha a origem, que pela certa passa por quem frequenta essas ruas a essas horas. O mais grave é que, o que aconteceu na Rua da Ordem Terceira/Rua dos Gatos, pode acontecer a qualquer momento ou em qualquer noite, numa outra rua qualquer do Centro Histórico, pois o abandono da grande parte das construções do centro histórico, convidam a que coisas destas aconteçam…mas fico-me por aqui, porque é Semana Santa.

 

2º Jogo

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Descubra as diferenças!

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Entretanto já todos sabemos que a moda dos alumínios pegou no Centro Histórico, e embora a tal equipa até ande em cima do acontecimento e até se incomode com o caso, o facto é que eles surgem, cada vez mais vistosos, de um dia para o outro. Culpados!? Não há, e embora a entidade responsável por estas coisas não permita estas coisas, o facto é que elas acontecem e saem delas impunes (todos), mas aqui também são culpados a ignorância e os proprietários ou arrendatários dos imóveis, que por mais que até tentem disfarçar o disfarce, caem no ridículo do ridículo, mas como estamos em Semana Santa, fico-me por aqui.

 

 

E fico mesmo, com votos de uma Santa Semana para todos.

 

Até amanhã!

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:50
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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

Termas Romanas - Chaves - Portugal

 

 

 

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Já é sabido que aqui pela terrinha quando se abre um buraco no chão tropeçamos logo com um pedaço de história. Centenas de anos, no mínimo, mas se o buraco afundar mais um bocadinho, então esbarramos de caras com quase 2000 anos de história, pois é conhecido de todos, que por baixo dos nossos pés, existem as ruínas de uma antiga e grande cidade romana, Aquae Flaviae. Cidade essa, que tanto quanto se crê e cada vez mais se acredita, seguiria o protótipo  das cidade romanas de então, onde não faltaria um teatro, um fórum, um anfiteatro, termas, um templo e toda uma série de infra-estruturas, vias, aquedutos, rede de saneamento, além do casario e até as suas villas de periferia (Ganjinha, por exemplo). 

 

 

 

 

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Em 2004 a Câmara Municipal de Chaves projectou para o Largo do Arrabalde um parque de estacionamento. Enquanto que os privados lá se vão esquivando de fazer sondagens arqueológicas nas reconstruções do casario do centro histórico, pois descobriram que não abrindo buracos as sondagens não são obrigatórias, a Câmara Municipal nas suas obras lá as vai realizando e todas elas acabam quase sempre em escavações arqueológicas. Umas mais importantes, como foi o caso da Rua Bispo Idácio onde se está a construir o Arquivo Municipal, outras que não deram em nada, como foi o caso das Freiras. Mas aqui e ali, quase sempre, encontram-se vestígios da cidade romana. Pelo menos do Arrabalde até ao Anjo, há provas disso mesmo.

 

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Pois  há 4 anos e para levar a efeito o tal parque de estacionamento subterrâneo no Arrabalde,  a Câmara Municipal contratou Armando Coelho da Silva para que procedesse à abertura de três sondagens arqueológicas. Na segunda das sondagens previstas foi encontrado um pavimento em lajeado granítico de aparelho muito perfeito e datação romana, que indiciava a presença no local de estruturas monumentais bem conservadas desta época. Dado que nascia água quente no canto da sondagem, pôs-se desde logo a hipótese de se tratarem das termas romanas da cidade.

 

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As escavações iniciaram-se então a um ritmo que parte da população não compreende muito bem, mas que foram decorrendo ao ritmo certo e delicado que este tipo de trabalhos exigem, pois  todos os trabalhos arqueológicos foi seguido o método de Barker-Harris com a remoção manual de todas as camadas pela ordem inversa à da sua deposição, e com a descrição, registo gráfico e fotográfico de todas as unidades estratigráficas detectadas. Convenhamos que escavara manualmente e com os cuidados precisos até cerca de 7m de profundidade em toda a área da escavação, além de não ser fácil, é trabalho demorado. Talvez um pouco de informação tivesse ajudado a compreender aquela escavação para não vir a ser, por muitos, apelidada com ironia e desprezo como o buraco da Câmara, e logo ali no Arrabalde onde pára grande parte da massa crítica desta cidade.

 

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Projecção sobre fotografia aérea das termas romanas (apenas o que foi descoberto em escavações), pois o complexo termal seria de maiores dimensões - ainda por descobrir)

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Logo desde cedo, primeiro com o renascimento de um troço das muralhas seiscentistas que foi soterrada em 1870 para construção do mercado que aí existiu até meados do século passado. Na base começaram os primeiros indícios das tais termas romanas que viriam a confirmar as suspeitas das sondagens, ficou inviabilizada a construção do parque de estacionamento previsto e, antevendo-se um grande interesse museológico para a autarquia, o executivo abandonou de vez a ideia de um parque de estacionamento no local. Uma boa opção, sem dúvida alguma.

 

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A monumentalidade das estruturas descobertas; a sua proximidade à ponte romana; o facto de, das numerosas intervenções arqueológicas até agora realizadas na cidade, quer de iniciativa pública quer privada, poucas terem resultado na musealização do património exumado; e, finalmente, o grande interesse científico que os achados poderiam vir a ter, quer por serem os primeiros vestígios de um edifício público encontrados na cidade em contexto de escavação, quer pelo aparente bom estado de conservação do registo arqueológico, levou a Câmara Municipal, e muito bem, a requer o estatuto de Monumento Nacional para o local, além da  musealização dos vestígios encontrados no local, onde serão colocados todos os achados (milhares e em bom estado de conservação) encontrados no local. Ao que sei, o projecto para o local já está em elaboração e congratula-me saber que desta vez, toca a uma equipa de flavienses (arquitectura e engenharia) fazer o projecto. Congratulo-me, porque está demonstrado que nestas coisas dos projectos, o sentimento e conhecer-se bem a terrinha, são condições muito importantes. Neste aspecto, o projecto, está bem entregue.

 

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Maqueta das termas romanas de Bath (Aquae Sulis) em Inglaterra - Semelhantes às que agora estão a descoberto no Arrabalde, à excepção do conjunto da parte esquerda da maqueta (templo), que se crê também existir em Chaves, mas que ainda não foi descoberto.

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Mas vamos a um pouco daquilo que por lá se encontrou, que tal é a quantidade e qualidade, que este blog é pequeno para deixar aqui pormenores:

 

 - Logo na muralha, uma conduta de escoamento de águas coetânea que descarregava no fosso exterior a esta e que era composta em grande parte por silhares medievais, muitos deles com siglas de canteiro, reaproveitados, muito provavelmente, do desmonte do torreão que, de acordo com a planta de Duarte d'Armas, se situava ao fim da Rua Direita guardando a porta principal da vila;

- As fundações de uma casa do arrabalde anterior à construção da muralha da restauração incluída no interior de um muro tosco de pedras graníticas irregulares, que delimitava também uma área agrícola (hortas). Encostado ao lado exterior do muro da casa que dava para o interior da área vedada, encontrava-se um canteiro constituído por lajes graníticas fincadas na vertical delimitando uma pequena área. O resto do terreno vedado apresentava ainda marcas de arado. Este conjunto estava construído sobre um outro de cronologia medieval composto também por um muro, mas com pedras maiores e por uma casa, também de maiores dimensões e com um forno adossado. Estratigraficamente associados a este conjunto, mas do lado de fora do muro, encontrou-se:

-Uma grande quantidade de escórias de fundição e numerosas ferraduras e canelos e restos de cota de malha, que indiciam a localização nas imediações de um ferreiro. De notar que ainda hoje se chama Rua dos Ferradores à artéria que corre paralela à ponte do lado montante e que desemboca no Largo do Arrabalde.

 

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Ilustração de Alma-Tadema do que seriam as termas romanas no seu interior -

Também idênticas às de Chaves

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Sob este conjunto de unidades estratigráficas encontrava-se uma série de depósitos aluviais de areias e limos, correspondentes a um momento de abandono do local, sob os quais se detectou:

 

 

 

 

- as valas de violação do balneário termal romano, abertas nas camadas de derrube da cobertura deste. Pelo menos algumas destas valas devem ter sido abertas imediatamente após a derrocada do edifício, uma vez que se encontrou uma sepultura romana em tégulas formando uma caixa que continha um esqueleto em conexão anatómica, escavada nos derrubes da cobertura. A maior parte das valas estavam abertas ao longo das paredes da estrutura, de modo a recuperar, com o mínimo esforço os silhares bem aparelhados que as compunham.

 

Era notório o derrube organizado da abóbada de canhão que cobria originalmente a área de uma das piscinas  e do acesso a esta, prolongando-se até as estruturas do balneário romano.

 

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Projecção das piscinas termais (sem cobertura) sobre fotografia aérea. As duas piscinas da parte inferior da imagem já estão a descoberto, a piscina na parte superior da imagem, está apenas parcialmente a descoberto nas escavações. Pensa-se que parte da piscina com dimensões idênticas à projectada neste esquema, está por baixo da actual praça de táxis.

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Após a escavação da área intra muralha até ao interface de destruição das estruturas romanas, procedeu-se à abertura de uma sondagem de controlo estratigráfico no enchimento do fosso, presumivelmente aterrado aquando da terraplanagem de 1870. Verificou-se, assim, que os construtores da muralha, ao abrirem a enorme vala para implantação da camisa e construção do fosso, destruíram todos os níveis medievais e removeram uma fiada de pedras das termas romanas, algumas das quais reutilizaram no embasamento da muralha, mas deixaram intactos os níveis de derrube da cobertura e o pavimento de uma sala em opus signinum, bem como as fundações dos muros e a cloaca de escoamento para o rio das águas excedentes do balneário.

 

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Parte de Pirgo ou Turricula ( à esquerda tal como foi exumado) - à Direita um exmplar do Landsmuseum de Bona, também em opus interassile. De salientar que o pirgo encontrado em Chaves é o que se encontra em melhor estado dos três únicos existentes e encontrados até hoje e com desenho bem mais interessante que os outros dois existentes. Trata-se de um lançador de dados para jogo.

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Após a escavação, também deste lado, até ao interface de destruição do balneário romano, procedeu-se ao registo minucioso do derrube organizado da abóbada de canhão em opus laetericium que apresentava grandes tramos ainda em conexão e parte do revestimento em opus signinum, denunciando, uma derrocada súbita num movimento único e abrupto. Esta interpretação viria a ser confirmada pela presença de esqueletos humanos sob o derrube, provavelmente vítimas do colapso do edifício, que embora quase impossível de determinar, sabe-se que foi resultante de causas naturais.

 

Removidos os derrubes da cobertura e as camadas de argamassas e areias de construção que lhe estavam associadas, verificámos que as lamas subjacentes tinham conservado em ambiente húmido anaeróbico todos os metais e matéria orgânica em condições de conservação excepcionais, proporcionando um espólio de peças únicas de grande valor cientifico. De entre estas peças destaca-se um pirgo (torre para lançar dados de jogar) em opus interassile de bronze que constitui um dos três únicos exemplares deste tipo de objecto existentes no mundo (os outros dois encontram-se no Landsmuseum de Bona, na Alemanha e no Museu do Cairo, no Egipto), um fragmento de cestaria forrada de cortiça que envolvia originalmente uma garrafa, de forma a conservar a temperatura da água no seu interior, vários pentes em madeira, uma turquês em ferro perfeitamente conservada, uma ampulla (garrafa achatada e larga com duas asas) em madeira com uma inscrição no exterior, uma taça baixa em madeira, diversos objectos de adorno em madeira, metal e osso, como anéis, braceletes e pulseiras, contas em madeira osso vidro e cornalina, etc. Um autêntico tesouro.

 

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Punhos em madeira em forma de mano fico fálica alada

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O EDIFÍCIO TERMAL

 

Tal como as restantes cidades romanas com o elemento Aquae no seu nome, cerca de uma centena em todo o Império e oito conhecidas na Hispania (VELASCO 2004), Aquae Flaviae era uma verdadeira estância termal no período romano, o balneário, que constituiria o núcleo definidor do aglomerado urbano, deveria ocupar uma grande parte da área total da cidade.

 

Tratavam-se de termas de tipo terapêutico, muito diferentes tanto em forma como em função das termas higiénicas comuns a todas as cidades romanas. Eram vocacionadas para o tratamento de doenças e este facto, junto com o de estarem, seguramente, associadas a um centro de culto dedicado à divindade que se julgava propiciar os efeitos benéficos das suas águas, atraíam gente de diversos lugares, por vezes bem distantes.

 

 

 

 

Tendo em conta as informações de que, durante as obras de construção do Cine Teatro de Chaves, em 1964, distante cerca de 200 m. do local das presentes escavações, apareceram tanques e canalizações em tudo semelhantes às agora descobertas, bem como o número e capacidade das condutas de escoamento das águas, o complexo termal ocuparia cerca de um terço da área urbana da cidade romana, e teria uma volumetria só comparável, em contextos provinciais, à de Aquae Sulis, na Britania, (actual Bath, Inglaterra), classificada como Património da Humanidade pela UNESCO em 1987.

 

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Aneis, pulseiras, colares, ferragens, contas, centenas de moedas, loiça, alicates, etc, etc, ect, milhares de obrjectos encontrados no decorrer da escavação em materiais que vão desde o ouro, ao bronze, cobre, ferro, madeira, porcelana, mármore, e até cestaria se encontrou nas escavações, entre outros - um autêntico tesouro.

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Na área agora escavada (28 x 30 m.) foi descoberta uma piscina de grandes dimensões (13,22 x 7,98 m.) com cinco degraus no seu topo Norte,  uma outra apenas parcialmente escavada mas da qual um dos lados deverá ter cerca de 8 m., com seis degraus a toda a volta; um tanque pequeno, possivelmente para banhos individuais, cujo acesso se fazia através da berma da piscina de maiores dimensões por degraus que numa segunda fase terão sido tapados e cuja cobertura teria sido originalmente uma pequena abóbada de canhão, posteriormente substituida por um telhado de tegulae e imbrex; uma sala com pavimento em opus signinum e ralo para escoamento de águas e um complexo sistema de condutas de entrada e saída das águas que ainda correm com uma elevada temperatura e um caudal considerável. A cobertura da área central, incluíndo a piscina A e a área de acesso a esta, era composta por uma grande abóbada de canhão em opus laetericium revestida a opus signinum. Algumas das condutas seriam também cobertas por telhados em tegulae e imbrex. O sistema de condutas de escoamento das águas sofreu alterações ao longo da utilização do balneário, tendo algumas condutas sido tapadas e novas derivações construídas.

 

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fragmento de um elemento arquitectónico em mármore com uma moldura de folhas de acanto

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Quanto à cronologia do edifício, apenas se poderá referir, de momento, que o seu abandono se terá dado, como indicam os materiais selados pelos derrubes associados ao colapso da abóbada de cobertura, no último quartel do Séc. IV d.C. Não tendo ainda sido escavados os níveis correspondentes ao enchimento das valas de fundação de nenhuma das estruturas do complexo termal, não dispondo de elementos que permitam avançar para a datação da construção ou remodelações que este terá sofrido.

 

Da minha parte, pessoalmente e como flaviense, congratulo-me com as decisões que a Câmara Municipal tem tomado no decorrer destas escavações, agora concluídas numa primeira fase. Congratulo-me pelas escavações em si, mas também pela decisão de requerer o estatuto de monumento nacional e da musealização onde se poderão expor todos os achados no local. Congratulo-me também com a equipa de projectivas flavienses e deixo como única senão desta escavação a falta de informação pública que deveria existir no local desde inicio (agora colmatada com um pequeno painel colocado há semanas atrás – que peca por pequeno), além da delimitação da área de escavação que poderia ter um aspecto bem mais agradável, em vez das actuais vedações correntes de uma obra qualquer, porque aquilo não é uma obra qualquer, mas antes um tesouro que a cidade encontrou e que tanto nos pode a vir a dignificar com a sua importância.

 

 Sem dúvida alguma que por baixo dos nossos pés existe um autêntico tesouro por descobrir.

 

Por último resta agradecer ao Director Científico das Escavações e Arqueólogo da Câmara Municipal, Dr. Sérgio Carneiro, a cedência de imagens dos achados bem como todas as informações sobre as mesmas escavações, sem as quais este post não seria possível.

 

 

 

 

 


publicado por Fer.Ribeiro às 03:17
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