Talvez por ser o largo mais largo dos largos que a cidade de Chaves tem, sempre foi este o largo para onde Chaves reservou todas as suas comemorações de vitórias, grandes festas, grandes comícios (no tempo dos comícios grandes).
Recordo, ou melhor, recordamos com carinho algumas dessas festas e vitórias.
Queria que uma dessas festas, hoje em imagem, fosse a do primeiro 1º de maio em Liberdade, o 1º de maio de 1974, mas infelizmente não tenho registos dessa altura e, embora ontem tivesse apelado aqui a imagens desse dia o facto é que não apareceu nenhuma, mas apareceram outras de duas grandes comemorações que envolveram toda a cidade e região, graças a um Associado da Lumbudus (Associação de Fotografia e Gravura) que cedeu gentilmente algumas fotos da sua colecção. Obrigado meu caro pelas imagens preciosas e por me fazeres regressar a essas duas festas em que também marquei presença.
A primeira, data de 1978 quando Chaves comemorava os seus XIX séculos de município. Foram 9 dias de festa em que tudo aconteceu em Chaves (concertos, exposições, espectáculos, desfiles, torneios, paradas militares com todos os ramos das Forças Armadas, Presidente da República Ramalho Eanes, etc.) Pena que Chaves não tenha XIX séculos para comemorar todos os anos, e assim fazia-se a festa de Verão que nunca tivemos (excepto a desse ano, desse saudoso 1978 de muitos e bons momentos).
A segunda grande comemoração data de 1985 quando o Desportivo de Chaves subiu pela primeira vez à I Divisão Nacional de Futebol. Anos dourados onde tudo era possível, até a ilusão…
Anos em que todos os flavienses se reuniram nessa grande festa à volta do futebol e das cores azul-grená.
Festa que entrou noite dentro e durou até ao nascer do dia que para a maioria foi de ressaca. O calor e a vitória convidavam à cerveja que nas primeiras horas da noite esgotou. Chaves não estava preparada para festa tão grande. Verificou-se nessa noite com o esgotar dos stocks alcoólicos e anos depois com o esgotar do pilim para aguentar um Grupo Desportivo de Chaves na I Divisão. Anos dourados que trouxeram a festa a Chaves mas que também foram aproveitados ou serviram de desculpa para o negócio e o crescimento atabalhoado da cidade com mamarachada à mistura. Mas enfim, a festa daquela noite foi grande, todos os flavienses estavam unidos e nesse dia não se pensava em desgraças.
Que me recorde foi a última grande festa que Chaves viveu e até se lançavam apostas, talvez sonhos, quiçá esperanças de que o desenvolvimento de Chaves começava ali. Penso que todos nos iludimos, apostámos, sonhámos e tivemos esperança, engrandecemos, representávamos afinal a raça transmontana, mas poucos anos depois ficámos apeados a ver partir o combóio que nunca mais voltou… mas valeu a festa, foi grande! Só nos resta saber quando teremos outra igual, pois os últimos ajuntamentos que o Largo do Arrabalde viu passar, foram de protesto e não de festa, mesmo que os cartazes de 1985 dissessem o contrário...
Hoje ainda vem aí o homem sem memória… com hora marcada para as 9. Amanhã há mais Arrabalde.
Esta rúbrica das semanas temáticas pretende privilegiar a imagem, no entanto vai haver vezes em que algumas palavras vão ser necessárias, principalmente no primeiro dia da semana, como no caso de hoje em que iniciamos a Semana do Arrabalde.
Embora a maioria das imagens que aqui irão passar sejam do século actual e do século passado, conseguimos ainda imagens de vestígios com quase dois mil anos, mas lá chegaremos no final da semana, o que desde já demonstra a importância desde largo que, em nada me repugna dizer, ser sem dúvida alguma o principal largo da cidade e que durante quase (pelo menos) 2000 anos foi o grande “hall” ou sala de entrada na urbe flaviense.
Firmino Aires, na Toponímia Flaviense, inicia por dizer ao respeito do Arrabalde:
“ Já se chamou Largo Dr. António Granjo; Monsenhor Alves da Cunha (…), Praça Rui e Garcia Lopes e Arrabalde das Couraças.
Arrabalde, chama-se desde há séculos. Na Idade Média ficava fora das portas da muralha da vila. Era um arrabalde ou arredores da vila, entre esta e a velha Ponte de Trajano. É preferido este lugar pelos políticos para ali homenagearem os seus ídolos ou regime. Para que pretender apagar a História ou quebrar tradições?
Esta designação tem tido tal impacto popular que muitos nomes de pessoas iminentes ali colocados foram rejeitados e lançados ao esquecimento.”
Firmino Aires tinha toda a razão. A História e a tradição não se apagam com nomes sonantes ainda por cima quando nem sempre são consonantes e estão quase sempre ligados à politica de ocasião. O Arrabalde será sempre o Arrabalde, tal como as Freiras (embora já não seja jardim) ou o Jardim do Bacalhau. O povo faz justiça ao continuar a chamar-lhe pelos nomes que sempre os conheceram. Contudo, e ainda quanto ao Arrabalde que penso todos concordam com o topónimo, tem uma alcunha pela qual também é muitas vezes conhecido, sobretudo por muito pessoal do mundo rural que o apelida também por “Largo dos Pasmados”. Quem por lá pasmar um bocado a apreciar a vida do largo, verá que a alcunha não é descabida de todo.
Ainda sem conhecer a realidade de tempos bem mais antigos que remontam à ocupação romana que as recentes escavações arqueológicas puseram a nu, Ribeiro de Carvalho no seu livro Chaves Antiga referia:
“ O largo do terreiro do Arrabalde das Couraças era primitivamente o descampado entre as muralhas da praça e o rio, juntando-se-lhe, depois das invasões francesas, o terreno resultante da demolição do baluarte da praça que estava ligado à muralha do Olival e ocupava todo o espaço do antigo mercado (em frente ao Palácio da Justiça), até à rua das Longras. Este baluarte , que se chamava o Cavaleiro da Vedoria, era semelhante ao que ainda hoje existe no quintal da casa do Correio (Início da Rua Gen.Sousa Machado), e que então se chamava o Cavaleiro da Amoreira. Os dois “cavaleiros”, unidos pela “cortina”, que que ainda existe um troço, tendo uma porta na altura da Rua Direita e um “postigo” na altura da Rua Nova (Postigo das Manas) formava uma “frente abaluartada”, para defesa da praça do lado do rio…”
Também as recentes escavações arqueológicas puseram a nu parte do Baluarte do Cavaleiro da Vedoria que Ribeiro de Carvalho refere, mas que as mesmas escavações arqueológicas acabaram por retirar quase na integra, pois o que se apresentava sob elas eram de maior antiguidade e importância. Refiro-me, claro, aos balneários das termas Romanas que pensa-se (pois parte deles ainda continuam soterrados) que ocupariam a grande parte do actual largo do Arrabalde.
Ribeiro de Carvalho continua:
“ Demolido o Cavaleiro da Vedoria, ficou existindo no lugar que ele ocupava um terreno irregular, em declive para o rio, que o Senado da Câmara mandara terraplanar e nivelar, construindo-se para esse fim um muro de suporte do lado Nascente, sobre o qual mais tarde se edificou a ARCADA DO ARRABALDE! Em 1820 essa terraplanagem estava apenas iniciada, mas com o Terreiro da Vèdoria, junto ao Arrabalde das Couraças, apesar de irregular e de não pavimentado, era mais vasto do que o Anjo, nele se realizava o mercado do cereais, que já em finais do século XVIII se mudara para o Arrabalde das Couraças, ao que parece, de motu próprio dos feirantes.”
Firmino Aires, na Toponímia Flaviense, remata a história (então conhecida) do largo:
“ Em 14 de Outubro de 1820, deixou o mercado de se efectuar no Largo ou Terreiro do Anjo, passando a efectuar-se na Vèdoria junto ao Arrabalde das Couraças.
Para que isso acontecesse, muitas dissidência houve entre a parte alta – o Anjo e a baixa do Arrabalde e a Madalena, que se prolongaram até 1823.
De 1952/58 foi construído o Palácio da Justiça.”
Ao que parece a gente da antiga Vila de Chaves, sem o poder democrático de hoje, participava mais nas decisões da vida de Chaves do que hoje em dia, pois só assim se explica algumas das aberrações que têm nascido na cidade nos anos da democracia. Uma dessas, propunha-se desfazer o largo do Arrabalde para nele construir um parque de estacionamento subterrâneo, e que me lembre, ninguém fez grande alarido, no entanto há males que vêm por bem, e com a pretensão do estacionamento descobriu-se soterrado o antigo balneário das terma romanas, hoje já classificadas como monumento nacional, que vai dar lugar a um museu. Em suma, o Largo do Arrabalde amplo como era, o tal local preferido por políticos para homenagearem os seus ídolos, vai à vida, resta saber o impacto que o novo edifício vai ter no largo, mas do mal o menos, ganha-se um museu e um valioso testemunho da história romana em Chaves.
Em suma, o Largo do Arrabalde ao longo dos tempos já foi balneário termal, simplesmente arrabalde, baluarte, mercado municipal, largo da justiça (palácio) e agora vai ter museu, dizem, vamos ver se há dinheiro, entretanto, o tal parque de estacionamento que era para ser nas Freiras, depois no Arrabalde, depois noutro sítio qualquer, tarda em aparecer, mas para ser onde está previsto, mais vale que não exista. Tenhamos fé e esperança que os flavienses comecem a ter uma palavra a dizer no futuro da sua cidade, pois os políticos, democraticamente, são eleitos para representar o povo e a sua vontade, e não para fazerem aquilo que querem. O mandato, não dá para tanto, mas se o povo deixa, eles aproveitam-se.
Quanto às imagens, hoje ficamos com as da primeira metade do século passado. Vou tentar deixá-las por ordem cronológica, no entanto não posso garantir essa ordem porque não vivi esses tempos .
Já a seguir vem aí mais um “discurso sobre a cidade”, hoje de autoria de Gil Santos, onde se faz mais um bocadinho de história e de história de Chaves. Nas buscas que fiz no arquivo fotográfico do blog Chaves Antiga para ilustrar o “discurso” do Gil encontrei a imagem que vos deixo, da Praça da República, dos anos 60. Tive o privilégio de conhecer esta praça tal como se apresenta na imagem e, sejamos sinceros, deixa saudades. Esta e muitas outras. Talvez fosse bom antes de se fazer uma intervenção nas praças, jardins e ruas públicas da cidade, pensar pelo menos uma vez nas consequências.
Não sei qual o valor que esta imagem terá daqui a 100 anos, mas pelo menos servirá para demonstrar que em 2011, no Centro Histórico de Chaves, embora com as suas habitações maioritariamente abandonadas, ainda tinha algumas com vida dentro.
Mas estou certo que estará bem longe da preciosidade de imagens para as quais a seguir vos vou deixar um link. Imagens de filme, num documentário sobre Chaves em 1925 e que foi recuperado para vídeo pela Cinemateca Portuguesa.
Agradeço ao Luis de Boticas e ao companheiro de viagem Humberto Serra o terem-me enviado o alerta para estas imagens a não perder:
Aqui fica então o link:
http://www.cinemateca.pt/Cinemateca-Digi
Malha minha banda!...
Corria o ano de 1949. A Grande Guerra que envolvera o mundo desde 39, soçobrara há apenas quatro anos. A Europa ainda lambia as feridas, em carne viva, do conflito que tanta alma ceifou. Portugal vivia embalado pelas trevas da Constituição de 33. Lavrando, semeando e colhendo, o povinho espremia o torrão pátrio, matando a fome à miséria ao mesmo tempo que se entesouravam onças, do vil metal, nos cofres do Terreiro do Paço. As rédeas da República estavam na mão do velho, nesta ocasião ainda novo, que orientava a governação para o império ultramarino de frente para o Atlântico, que tão grandes nos havia feito e de espaldas para o resto do mundo, fonte de todos os vícios e provações. O lema do orgulhosamente sós, estrangulava os horizontes do império, sufocando os poucos esclarecidos. Era Deus no céu, a Pátria no coração e a Família, pobre mas feliz, na terra. O povo contentar-se-ia com pão e vinho, missinha ao domingo, catecismo e ignorância.
Descanso? Quanto menos melhor e boca calada, que os bufos andavam por ai disfarçados de padres ou de regedores, lobos em pele de cordeiro. Calhava de abrires a boca e aterravas de imediato nos calabouços da PIDE, carregadinho de tabefes. É que ovelha que berra, bocada que perde! Que o diga o Virgolino do Grémio da Lavoura que perdeu as unhas dos pés por calar as reuniões clandestinas do Partido.
Porrada? De criar bicho. Quem dá o pão dá a criação!
Festas? Somente em honra de santinhos e ralas vezes. De quando em vez, um bailarico, meio clandestino, numa ou noutra eira e ao toque do realejo ou da concertina, e viva o velho, o tal!..
Namoro? Apenas e só do tipo falei contigo da janela pró postigo!
Amor a sério? Somente à escapula e sempre para procriar! Quantos mais filhos mais braços p’rá terra. Eram às rebanhadas!
E assim se tocava a sanfona nesta orquestra de Salazar!
Era assim Portugal em geral e Chaves em particular. Mesmo a muitas léguas da Lisboa capital, também a cidade de Flávio sofria as réplicas do tsunami que o 28 de maio trouxe à nação de Viriato.
Mas, apesar de tudo, os flavienses sempre se divertiam a jogar ao fite, a vaguear de tasca em tasca na lambarice das pataniscas do bacalhau do Tenreiro e dos copos do tinto de Anelhe, nas tainadas, pescando Rutilus Macrolepidotus, ruivacos, no Tâmega e bailando as valsas dos Pardais ou os passo dobles dos Canários pelos arraiais e romarias. Esquecia-me de vos dizer que também chupando caramelos do Felecindo de Feces.
Bola? Também havia. Somente ao vivo, bem entendido, e não com a abundância de hoje em dia, mas ainda assim vivida com paixão e com bairrismo. Neste empenho o coração dos flavienses estava dividido entre os dois clubes da terra: o Flávia Sport Club e o Clube Atlético Flaviense. O Flávia tinha o eido no Bairro de Santo Amaro, entre a Casa-dos-Montes e a Estrada de Braga, logo depois da linha do comboio, o Atlético ao lado do Forte de S. Neutel. A rivalidade, entre eles era dura e sem tréguas. Quando se defrontavam, a urbe quase entrava em estado de sítio. E se no seu estádio, os do Flávia, curiosamente paravam o jogo para a assistência ver o comboio a passar e o Marião da Molas deixava entrar os golos por essa desconcentração, os de S. Neutel não davam abébias e quem lá caísse morria, salvo seja!
Até meados da década dos hippies, os flavienses, também se repartiam na afiliação a duas bandas filarmónicas: Os Pardais e Os Canários. Os primeiros ensaiavam na Rua do Sol, os segundos na do Correio Velho. Cada charanga tinha os seus ferrenhos apoiantes que a seguiam por festas e romarias. Quando calhava animarem juntos o mesmo arraial era o cabo dos trabalhos, porque a festa acabava quase sempre à bordoada. Os músicos, de parte a parte, esgaçavam o respetivo instrumento quanto podiam, tocando ao despique quase até à exaustão. Os adeptos engaliavam-se, glorificando as claves de sol, os bemóis e os sustenidos das partituras. Era de caixão à cova! O frenesim só amainava à força das Mauser Vergueiro da GNR. Infelizmente, no último trimestre de 1976, os Canários, por razões várias, perderam o pio e finaram-se, ficando os Pardais até hoje com o monopólio filarmónico da cidade das águas cálidas. Concorrência, só mesmo a que vem de Loivos de Rebordondo ou de Parafita. Mas, honra lhes seja feita, os da aldeia nunca gaitaram tão bem como os da cidade!
Ora, como dizia, nesse ano de 49, pelo mês dos burros, o mesmo é dizer em maio, estava marcado para o campo de Santo Amaro um grande desafio de futebol a contar para o campeonato da segunda divisão série I, entre o Flávia Sport Club e o Sport Clube de Vila Real. Para além destes dois clubes, militavam ainda nesta série o Clube Desportivo Celoricense, o Atlético Clube Flaviense, o Sport Clube de Mirandela e o Sporting Clube de Lamego. A rivalidade entre os de Chaves e os de Vila Real era de raiz quase ancestral e mesmo até os adeptos do Atlético, nestes dias, eram pelo Flávia e vice versa. O jogo prometia, tratava-se do derradeiro do campeonato e quem o perdesse descia de divisão. Assim, os de Chaves tinham de ganhar à viva força, nem que para isso fosse preciso depenar os fecha a roda na água das caldas como se fazia aos pitos. O jogo estava marcado para as quatro da tarde de um soalheiro domingo e a chegada da malta de Vila Real para as três, ao apeadeiro da Fonte Nova. Não tinha o relógio da mansão dos Braganças badalado ainda as duas e meia e já a estrada de Braga se enchia de adeptos flavienses para apupar os adversários ao longo do caminho que fariam, à pata, até ao campo do Flávia. Faltaria ainda um quarto para as três e já havia quem já escutasse o comboio a apitar partindo da estação de Curalha. Não me admira, a ansiedade era tanta que, como diz o adágio, quem porcos busca, touças lhe roncam! O trem chegou à tabela ao sopé do Monte da Forca. Eram três em ponto quando, esbaforido, estacou no dito cujo. Mal o séquito pôs pé em terra firme, a multidão desfazia-se em apupos de toda a ordem! Mesmo a Landainas, que comandava parte da procissão, parecia enrubescer de vergonha! Dali ao Santo Amaro a multidão acompanhou os alvinegros, minando-lhes o moral com enxovalhos do mais execrável que se possa imaginar. Contudo, os do Corgo e do Cabril mostravam-se rijos e imperturbáveis, não fossem também eles de cá do Marão! Chegados ao campo da bola, dirigiram-se aos balneários para se equiparem, enquanto o público se amanhava nas bancadas que ainda não havia.
Assim, pelas quatro em ponto, estando tudo a postos, o árbitro de Braga apitava para começar o encontro.
Do lado do Flávia alinhavam: o Granjeia, mais conhecido por Redes, Silvino, Alberto Pinto, Raimundo, Armindo e Lila Geraldes, Amâncio, Peseta, Sebastião, Pinheiro e Américo. Ao comando da nau de Flávia, Quina Falcão.
Do lado do Vila Real, o leitor que me desculpe, mas sendo flaviense não me preocupei em saber quem eram exatamente os outros. Que Deus me perdoe!..
A primeira parte desenrolou-se sem grandes peripécias. Nem mesmo qualquer das balizas perdeu o virgo. E tirando alguns cacetes, alguns joelhos esfolados, e alguns cartões amarelos, ou ainda as bocas dos borrachões que só não chamavam santinho ao árbitro, nem estava a coisa a correr muito mal.
A segunda metade começou com o resultado como tinha acabado a primeira, mas com o Vila Real a cair em cima dos de Chaves sem dó nem piedade. Adivinhava-se uma alteração prestes. Com efeito! Uma bola cruzada de trivela, um mau alívio do Alberto Pinto, uma recarga dum jogador pernas de alicate do Vila Real e ei-la no galinheiro, para desespero do Redes! Faltava ainda meia hora para o final da partida, tempo suficiente para a reviravolta, mas a coisa estava a ficar negra. O tempo passava, o golo não aparecia, os jogadores desesperavam e o público não perdoava. Um calvário!
Faltariam apenas cinco minutos e o Flávia estava na terceira divisão.
Uma vergonha!
Os de Vila Real, pressentindo o ovo no cu da pita, assumindo o jogo decidido e a manutenção assegurada, quiseram fazer chegar a notícia à sua cidade para que a banda os fosse esperar à estação e se fizesse festa rija. Não era todos os dias que se ganhava aos galegos. Para mandar a notícia usaram um pombo correio que tinham trazido para o efeito. Assim foi, aos oitenta e cinco, rolinho de papel na pata do bicho com os seguintes dizeres:
FSC - 0/SCVR-1. Fim. Preparem banda para festa rija. Stop.
E lá foi o pombo rasgando os horizontes.
Os de Chaves estavam descorçoadinhos de todo. Porém, como presunção e água-benta cada um toma a que quer, não é que aos 87, de um canto marcado por Lila Geraldes o Peseta enfia a redondinha nas malhas dos presunçosos! Uma luz ténue acendeu-se ao fundo do túnel e os de Vila Real entraram em tal tremedeira que ainda não estavam esgotados os noventa e já tinham o dois a um nas ventas! Foi uma jogada de enciclopédia: o Américo pegou no couro no meio campo, sentou dois, driblou o terceiro, meteu em diagonal para o Amâncio, que da quina da grande área aplicou um bico tão azadinho que a bola, descrevendo um arco, deixou o keeper adversário completamente pregado e entrou na baliza!
O jogo acabou logo de seguida e o povo parecia possuído com a alegria da vitória. Os de Vila Real meteram a violinha ao saco, o mesmo é dizer o rabinho entre as pernas, sós e abandonados seguiram para o apeadeiro onde desembarcaram e apanharam o comboio de regresso. A banda esperava-os para a festa, porém, nem um acorde quiseram ouvir.
- Que fossem tocar para o raio que os parta, os cabrões dos músicos - dizia o capitão da equipa. Não havia música que apagasse a amargura de perder e logo com os galegos!..
Em Chaves festa rija noite dentro!
O povéu atulhou a Praça General Silveira.
Os Pardais animavam do lado dos Bombeiros os Canários do lado do Maximino Vila Nova. Antes de irem para a borga, homens e mulheres passavam pelo Faustino acendendo a candeia pr’á folia. Então era ver os Pardais a desfiar tangos em allegro, fazendo vibrar a sua claque. Os Canários respondiam com trechos em rapsódia, para gáudio dos seus. E bota e bira! Bailavam homens com homens, mulheres com mulheres, homens com mulheres e mulheres com homens, todos animados pelo bafo energético do néctar do Faustino. Uma promiscuidade inusada. A euforia era tanta que a Pimponata, uma das moças mais lindas e cobiçadas da cidade, que vestia de rendas e carmim, se atirava naquela noite aos braços de qualquer um, virando tangos e valsas num rodopio de fera com o cio. Tão infernal era a entrega ao macho e à dança, que numa volta mais rodada de la comparcita e sabe-se lá se com o dedo maroto do seu par, a saia deu de si e caiu-lhe redondinha no meio do bailarico! Ficou de combinação ao léu. Alva como a neve, deixava adivinhar, pelos gémeos desnudados, os motivos da tão grande cobiça dos rapazes da cidade.
- Para o baile - alguém gritou. E o baile parou!
Prestes, uns olhos experimentados notaram-lhe minúsculas, mas abundantes, pintas cor de telha sobre a cambraia da lingerie. Eram cagadelas de pulga, aos milhares!
Sua mãe, que botava o mesmo tango com o Riconcas e para minimizar o impacto do incidente, precipitou-se a cobrir a filha com o xaile de fadista que transia. Não sei se por artes do diabo, se por outra qualquer razão, atrás do xaile caiu-lhe também a saia peliçada que na ausência de combinação deixou à luz um coecão de pano alvo do joelho ao umbigo, ainda mais pintalgado das mesmas do que a combinação da própria filha. Foi a desgraça daquela família. Jamais alguém acreditou na candura das rendas dos vestidos das Pimponatas.
E a festa assim andava, até que o maestro dos Pardais decidiu botar uma versão (a sua) da Marcha de Chaves. Embora ainda não oficial, a marcha já tinha letra aprovada da autoria da poetisa Maria Nelson, faltava-lhe apenas a música. Contudo, havia dois projetos para a musicar, um do Tenente Correia outro do maestro Carlos Emídio Pereira[1]. Havendo muita hesitação em escolher o melhor arranjo musical para o hino da cidade, o povo foi chamado a votar. Quem o quisesse fazer comprava um talão de voto no bufete da Casa Geraldes, riscava o nome do autor da versão musical que não interessava e depositava o boletim na urna que se encontrava ao balcão daquele café. As votações decorreram e a versão do Emídio, havia de ser anunciada como a vencedora numa verbena do Jardim Público no verão de 1949. Ficou então a Marcha de Chaves com letra de Maria Nelson e música de Emídio Pinto.
Como é evidente os Pardais não foram inocentes na iniciativa de tocarem a marcha, meses antes de encerrar o processo de seleção da sua versão musical. O regente Emídio era precisamente o autor daquela versão e encontrava-se à frente desta filarmónica desde o ano de 1948, vindo precisamente de regência dos Canários, onde aliás tinha o pai e dois irmãos como músicos.
Claro, os Canários, ofendidos, não quiseram ficar atrás. Mal os Pardais findaram a sua gaitada, começaram-na aqueles nos acordes do Tenente. Não tinham ainda acabado e já o Jardim das Freiras estava em polvorosa. Numa banda juntaram-se os dos Pardais, afetos à música do Emídio, do outro os dos Canários, amantes da música do Correia. Mal o homem do bombo deu a última pancada na pele esticada do aparelho, os festeiros engalfinharam-se uns nos outros qual Guerra Peninsular. Os Pardais batiam nos Canários e estes nos Pardais, os que eram pelos Pardais e pelo Flávia batiam nos que eram pelos Canários e pelo Atlético… Bem, a confusão era de tal ordem entre o futebol e a música e entre uma música e a outra música que às tantas já os pais batiam nos filhos, os filhos nos pais, os netos nos avós, as avós nas netas, as tias nas sobrinhas, os sobrinhos nos tios, os maridos nas mulheres, as mulheres nos maridos, as sogras nos genros, as noras nas sogras, as amantes nas legítimas, as legítimas nas amantes, o padre no sacristão e eu sei lá quem em mais quem. Sei é que o Larufas, fã dos Pardais, adepto do Flávia e sócio honorário dos Bombeiros de Baixo, gritava a todo o pulmão da varanda do quartel dos de Baixo:
- Malha minha banda!..
A GNR só pelas duas da madrugada e a pus de muita porradinha, conseguiu pôr ordem na casa. Esmoucados eram para lá de meia centena e presos mais de cem.
Não sei mesmo se aquilo teria ficado por ali, é que o verão e as verbenas vinham ai e o anúncio da versão ganhadora do hino de Chaves prometia mais molho!
Claro que no que respeitava à bola, a paz estava assegurada, uma vez que das cinzas do Flávia e do Atlético nasceu, a 27 de setembro desse mesmo ano, o Desportivo de Chaves, sob a presidência do Tenente Teodorico Augusto Palmeira.
Ao menos isso!
Gil Santos
[1] Carlos Emídio Pinto nasceu em Vidago, a 19 de janeiro de 1917. Estudou em Chaves até 1931, ano em que conclui o Curso de Comércio na Escola Industrial e Comercial Júlio Martins. Em 1927 iniciara a atividade musical na Banda Municipal de Chaves Os Canários, banda onde já tocavam o pai e os irmãos António Maria e João Baptista. Entre 1939 a 1979 dirigiu alternadamente as duas bandas da cidade - em 1939 assumiu a regência da Banda Os Canários onde se manteve até 1948; de1948 a 1964 dirigiu a Banda Municipal Flaviense Os Pardais; de 1964 e 1976 regressou à Banda Os Canários; de 1976 a 1979 regressou à Banda Os Pardais, cessando aí a ativa regência de bandas. A partir de 1940 fundou diversos grupos de música, o Jazz Flávia, o Alegria Jazz, a Orquestra Lusitana, culminando com a formação, em 1960, do quarteto Calypso. Em 1943, com textos de Carlos Branco, Tiago Gomes e Hernâni Carvalho escreveu as músicas para a opereta Sonho de Zíngaro. Em 1944 com textos de José Quintanilha Dias escreve música para a opereta Seja o que Deus Quiser. Em 1945 musicou textos de Quintanilha Dias para a opereta No País dos Sonhos. Em 1946 entrou para a função pública, como funcionário do Liceu Nacional de Chaves, passando em 1948 a exercer funções na Escola Industrial e Comercial de Chaves até 1987, ano da aposentação. Em 1949, com letra do Padre Adolfo Magalhães escreveu a Marcha do Vidago. Nesse ano de 1949 viu ainda eleita por voto popular a Marcha de Chaves com letra de Maria Nelson. Em 1974 com poema de Barroso da Fonte escreveu a Marcha do Desportivo de Chaves. A propósito das comemorações dos XIX Séculos de Chaves escreveu a marcha para banda XIX Séculos. A 11 de junho de 1988 por iniciativa da Rádio Radiante Rádio de Chaves foi alvo de homenagem pública, data em que recebeu da Câmara Municipal de Chaves a Medalha de Prata do Município. Em 1999 a Câmara Municipal de Chaves deliberou atribuir o nome de Maestro Carlos Pereira a um arruamento da cidade. Ao longo dos anos escreveu dezenas de músicas, para grupos corais, orquestras e bandas. Musicou ainda poemas de diversos autores flavienses. Da produção musical estão registados cerca de 80 títulos na Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses. Após doença, faleceu a 10 de abril de 1994 em Chaves.
Fonte: III volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses,
coordenado por Barroso da Fonte, Editora Cidade Berço,
Nota: As fotos apresentadas são do arquivo do Blog Chaves Antiga e embora pretendam ilustrar o texto com as bandas de música (Canários e Pardais) e os clubes de futebol (Flávia Sport Club e Clube Atlético Flaviense) nele mencionados, as mesmas poderão coincidir ou não com as datas dos acontecimentos relatados.
Fer.Ribeiro
Hoje fica uma imagem bem curiosa com o Rivelas no seu desaguar original e que por motivos de captação das águas termais foi decidido em 1949 desviar o seu desaguar no Tâmega, mas só após ultrapassados os medos da origem do aquecimento das águas termais não se deverem a um hipotético vulcão adormecido por estas terras. A hipótese do Vulcão só com a tese “As Caldas de Chaves” do Dr. Mário Carneiro é que foi desmontada com os pareceres de vários geólogos que explicaram o aquecimento das águas.
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O Dr. Mário Carneiro no livro « A Magia de Aquae Flaviae» e baseado no estudo de vários geólogos afirma que “as Águas das Caldas são águas provenientes de lagos e rios, da neve e da chuva, que vão penetrando através de fendas da crosta terrestre até um ponto a mais de 2000 metros de profundidade em que atingem altas temperaturas e voltam à superfície enriquecidas pelos elementos que vão associando na sua travessia das rochas de fractura geológica por onde passam, o que se admite demorar largos anos”. Continua o Dr. Mário Carneiro a referir no mesmo livro que “no caso especial das Caldas de Chaves e baseando-nos nos estudos feitos por Choffat e Rego Lima a emergência da Água das Caldas provinha de um filão de xisto, que Correia de Lima admitia estar a uma profundidade apenas de três metros, escondido por depósitos de aluvião. Choffat afirmava ser possível esta hipótese embora a fenda por onde passa a água atravesse o granito em profundidade devendo a sua alta termalidade em relação com a grande profundidade de que provém”. E continua o Dr. Mário Carneiro “ Bastava mudar de leito o ribeiro Rivelas e procurar em plena rocha a saída da água” e assim aconteceu por decisão do Estado em 1949, mas penso que só alguns anos mais tarde que o Rivelas seria desviado, pois a julgar pela foto antiga já existia a Ponte nova ou Ponte Barbosa Carmona com algum uso e, esta ponte foi inaugurada em 1950 tal como o antigo balneário que também aparece na foto e que foi inaugurado nesse mesmo ano de 1950.
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Atualmente o Rivelas passa em túnel construído por baixo da rotunda da Praça do Brasil que só alguns anos após a inauguração da ponte Barbosa Carmona é que foi construída com a construção das Avenidas Novas que ligam a rotunda ao Santo Amaro e ao Castelo e só aí é que o desvio do Rivelas teria sido feito.
São apenas alguns preciosismos para se entender o quando e o porquê do Rivelas ter sido desviado e ter também deixado a Ponte seca que ainda hoje existe junto à atual buvete.

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Ao ver esta primeira foto onde estava a acontecer mais uma das cheias do rio Tâmega que inundou a Madalena, vem-me à lembrança a placa que existe colocada num dos edifícios ribeirinhos ao rio e adossado à ponte romana que assinala a altura alcançada pela cheia de 1909 e da qual existem (além da placa) vários registos fotográficos que até deram origem a postais (ver em Chaves antiga posts http://chavesantiga.blogs.sapo.pt/189999.h
Penso que sejam (fotos e placas) a única referência comparativa que temos em relação às cheias atuais e, embora a placa da cheia de 1909 me parece ter sido mexida nas últimas obras a que o edifício foi sujeito, em qualquer cheia que aconteça, continua a ser a referência à grande cheia de Chaves.
Quem vai assistido às cheias que se vão repetindo, vai tendo alguns pontos de referência comparativa, mas para além da tal placa, não há outra referência oficiosa ao dispor de todos, o que me leva ao interessante que seria, junto à placa de 1909, ir assinalando com outras placas a altura que as cheias vão atingindo anualmente ou quando acontecem.
Na minha memória retenho pelo menos 3 grandes cheias: Uma que aconteceu por volta do ano de 1968, outra por volta do ano de 1978 e a última (desta tenho referências e fotografias) uma das 8 cheias do inverno 2000/2001 (quando ruiu a o baluarte do cavaleiro).
Por simples curiosidade e até com algum interesse científico de registo dos períodos de xis anos em que acontecem, a tal placa seria bem interessante.
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Devaneios ou talvez não à volta de uma cheia à qual a primeira foto nos leva e que sem dúvida foi também uma grande cheia que poderá ser mesmo a de 1909, pois não tenho qualquer dado sobre a data da foto.
Já quanto à segunda foto tenho todos os dados e embora sem cheia, dá para comparar um pouco as transformações que aconteceram na Madalena, felizmente não muitos, ou seja, manteve-se o casario e a leitura da antiga vila de Chaves, com algumas alterações e recuperações inevitáveis que não ferem nem destoam do conjunto. Claro que me refiro ao lado direito visível na foto, pois do lado esquerdo temos mais um atentado cometido no centro histórico de Chaves e na Madalena, que embora de cércea aceitável, está (arquitetónicamente falando) desenquadrado do conjunto do casario e que após outro atentado que ocorreu em meados do século passado com a demolição da casa dos arcos, tudo sugeria que esse edifício deixasse de existir e desse lugar a uma grande e interessante praça na Madalena.

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Baluarte do Cavaleiro, eis o nome que lhe calhou em sorte num remate seiscentista de uma muralha medieval.
Construído com a nobre missão de defender a Vila de Chaves, pouco defendeu, que se saiba, mas serviu mais tarde para encosto de casas e habitações e, se elas, serviram para lhes tapar as vistas e não lhe acrescentaram qualquer beleza, também não se meteram com ela. Encostaram-se a ela, ou adossaram-se a ela e foi tudo, ou quase, até ao ano de 2001 em que o baluarte se cansou de estar de pé e ruiu, levando consigo as casas a ele adossadas.
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Tal como acontece na Rua do Sol, já estava-mos habituados ao encosto das casas. Inicialmente aquele sítio ficou estranho, com pedra sobre pedra que não resistiu à força da natureza. Decidiu-se e bem, reconstruir o baluarte e dar-lhe a forma original de baluarte, apenas baluarte.
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Depois de uma reconstrução atribulada com novo desmoronamento pelo meio, finalmente o baluarte fica de pé. Após a reconstrução, a imagem inicialmente é estranha para quem estava habituado a ver-lhe as casas adossadas e passar por lá, ver o correeiro e o sapateiro Quim, as bugigangas o fotógrafo e os óculos, até advogado havia por lá…felizmente já ninguém habitava por lá e a desgraça ficou-se apenas pela derrocada, sem sacrifício de vidas pelo meio. Calhou!
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Estranhas as novas vistas, mas penso que toda a gente concordou com a nova imagem e não fossem negociações mal negociadas e teimosias que acabaram na eternidade dos tribuniais, acrescidas d os “guardas” do lixo que lá lhe plantaram, e neste momento o baluarte poderia mostrar toda a sua nobreza, mas não. A um canto o lixo que convida toda a gente ao afastar-se do local e depois a cerca campista com carro estacionado, dão ar terceiro mundista à nobreza de um baluarte de um cavaleiro de uma cidade que aspira ser património da humanidade!
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Já era tempo do acampamento estar resolvido tal como o interior do baluarte e a ilha do cavaleiro estarem abertos à cidade em vez de envelhecerem e degradarem-se por falta de uso ou mau uso, mas enfim, vamos aguardando por melhores dias e que estes pormenores sejam entendidos como partes que servem e devem servir para melhorar a imagem da cidade. Vamos ter fé.
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Ficam as imagens para fazer um pouco de história e também memória futura de um local, um pormenor que até se nota e entra nas vistas de quem nos visita e muita gente se pergunta o que faz o raio de uma vedação e um carro estacionado (para além do lixo) encostado à muralha.

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A nuvem do vulcão também tem as suas influências por cá, tanto que ia faltando à promessa de divulgar um evento que tem início hoje e termina no próximo dia 24.
Trata-se da Feira da Animação, numa organização conjunta de Applausus – Teatro Universitário de Chaves e Ousadias – Associação para a Promoção e Divulgação Recreativa e Cultural, com o apoio de muita “gente”.
Uma boa prova de como juventude e Universidade podem fazer a diferença nesta cidade onde até nem se nota a ausência dos "rapazes da Venda Nova", cabeçudos e concertinas, onde (se calha) até era um evento onde encaixavam.
Fica o “logo” da feira, e o cartaz do programa, que talvez não legível como deve, reproduzo em texto e boa sorte para o evento.
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Programa
Dia 20 - Terça-feira - Abertura da feira
09.30 - Abertura com um hospital dos bonecos e exposição de teatro, fotografias, pintura e manualidades;
- Feira de livros: novos e usados;
- Feira de artesanato;
- Mostra de jogos tradicionais;
- Workshop de material hospitalar reciclado.
10:00 - Oficina da memória.
11:00 - Colóquio: Alimentação Infantil no Auditório Municipal.
14:30 - Applausus: Sarapito, o rato.
15:30 - Workshop de material lúdico;
16:00 - Massagens na escola e contadores de histórias.
16:30 - Jogos tradicionais.
17:30 - Conferência: Animação em contexto hospitalar no Auditório Municipal.
21:00 Colóquio: Saúde oral infantil no Auditório Municicpal.
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Dia 21 - Quarta-feira
09:30 - Workshop de culinária infantil.
10:00 - Workshop de realização de postais.
10:30 - Ateliê de contadores de histórias no Auditório Municicpal.
14:30 - Applausus: Sarapito, o rato.
15:30 - Workshop de ciência;
- Contadores de histórias;
- Sarau de danças latinas;
- Workshop de material reciclado.
16:00 - Workshop de máscaras.
16:30 - Encontro intergeracional.
17:00 - Workshop de decoupage.
18:00 - Yoga do riso.
21:30 - Canto Alegre.
22:00 - Tuna Académica da Universidade Sénior.
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Dia 22 - Quinta-feira
9:30 - Workshop musical;
- Workshop: Criar com botões.
10:30 - Applausus: Sarapito, o rato, no Auditório Municipal.
14:30 - Applausus: Sarapito, o rato, no Auditório Municipal.
16:00 - Oficina de mímica;
- Contadores de histórias;
- Arte e rabiscos;
- Workshop de chá.
17:00 - Workshop de malabarismo e artes circenses;
- Workshop de dança do ventre.
17:30 - Secsão de risoterapia.
19:00 - Aeróbica.
21:00 - Capoeira.
22:00 - Applausus: Sarapito, o rato.
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Dia 23 - Sexta-feira
9:30 - Contadores de histórias
- Workshop de beleza.
10:00 - Cantinho da brincadeira.
10:30 - Applausus: Sarapito, o rato, no Auditório Municipal.
14:30 - Applausus: Sarapito, o rato, no Auditório Municipal.
15:30 - Workshop de magia;
- Workshop gastronómico.
16:00 - Oficina de Teatro.
16:30 - Workshop de confecção de velas e sabonetes.
17:00 - Workshop de confecção de sabão.
17:30 - Dança teatral.
21:30 - Sarau de poesia.
22:00 - Tuna Académica da UTAD, no Auditório Municipal.
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Dia 24 - Sábado - Último dia da Feira
9:30 - Curso de primeiros socorros, no Auditório Municipal.
15:00 - Kria e brinca party;
- Abertura das tasquinhas;
- Ateliês de pintura e modelagem;
- Workshop de decoupage.
16:00 - Grupo de cavaquinhos do Centro do Vale do Sousa.
- Workshop de malabarismo e face painting.
16:30 - Tango argentino, tributo a Michael Jackson e Jai Ho.
17:00 - Música com o Grupo Recreativo e Cultural da Cela.
- Workshop de realização de espelhos de fruta;
- Workshop de comida africana, brasileira e ucraniana.
18:00 - Salsa, hip-hop e merengue.
19:00 - Acústico Som.
- Workshop de arranjos florais japoneses.
20:00 - Desfile de trapos de gala com ritmo e rima.
21:00 - Dança do ventre.
21:30 - Tucha - Tuna da UTAD - Pólo de Chaves.
22:00 - Queimada galega e espectáculo de fogo.
- Encerramento da Feira de Animação -
Nota do Blog: O presente texto não foi sujeito a revisão do novo acordo ortográfico.
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Quando se comparam fotografias antigas com as actuais do mesmo local, uma das coisas que salta logo à vista são as asneiras, mas, felizmente nem sempre há asneiras a registar e a foto actual é uma boa prova disso, pelo menos não há mamarrachos à vista. Claro que tudo isto é relativo, neste caso ao tempo que separa estas duas fotos, pois a haver crimes urbanísticos neste local, aconteceram antes da primeira foto. E houve-os!
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De facto, ao fundo, já houve em tempos uma muralha (seiscentista) que foi cedendo à pressão urbanística dos finais do Séc. XIX para dar lugar ao casario que ainda hoje existe. Foi também nesta altura (da muralha) que o Jardim Público foi construído pelo banqueiro Cândido da Cunha Sotto Mayor, para o qual também se sacrificou a muralha. Assim, se por um lado até podemos ser críticos para com Sotto Mayor por ter destruído grande parte de muralhas, pelo outro, temos de lhe estar agradecidos, pois se o jardim não existisse, pela certa que hoje teríamos todo aquele espaço coberto de casario.

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Hoje vamos até ao Largo do Postigo pelo qual parece não terem passado os anos…parece. Na realidade não há grandes alterações a registar, principalmente na volumetria das edificações, mas se observarmos com atenção as duas fotos, registam-se algumas diferenças dignas de realce. Podemos começar pelo troço de muralha medieval junto à torre de menagem, ainda visível na foto antiga, com a parte de uma guarita com a parte inferior em forma de cone, que tudo indica foi demolida nos inícios do século passado. Depois podemos continuar nas traseiras do antigo Hospital da Misericórdia que nas obras de adaptação a lar/centro de dia, sofreu algumas alterações nos inícios dos anos 80 (séc. passado), uma intervenção que conta com a assinatura do Arqt.º Manuel Graça Dias, uma das primeiras intervenções deste Arquiteto em Chaves. Depois há pequenas intervenções a nível de caixilharias e nas casas que aparecem em primeiro plano.
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Claro que a alteração mais notória, que mais dá nas vistas comparando as duas fotos é, sem qualquer dúvida, o automóvel que hoje em dia, é impossível não sair retratado em qualquer paisagem urbana.
Quanto ao largo, é o Largo do Postigo e desde sempre assumiu este topónimo graças à pequena abertura/passagem que existia na muralha medieval (hoje ainda visível parte dessa entrada, coincidente com a Travessa das Caldas). Passagem que tudo indica serviria para a população dentro de muralhas ter acesso às águas quentes das caldas que utilizavam na sua vida diária, principalmente para banhos.

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Passaram talvez 50 anos, um pouco mais ou um pouco menos, não o sei, mas ainda me lembro da cidade assim, de quando as Freiras eram jardim e sala de visitas da cidade, o centro onde se poderia espetar o alfinete de sinalização, onde se sabiam as novidades, se fazia tertúlia, se contestava, protestava ou festejava, com o Aurora no seu melhor, o Sport a dominar o Jardim e, ali mesmo ao lado o Comercial e o Ibéria ou o Brasil e o Brasília, ao fundo do jardim, os Bombeiros de Baixo e a GNR, a Caixa os Correios e o Liceu, tudo ali à mão, até o cinema e os cartazes de visita obrigatória, os bilhares dos cafés, a batota do Geraldes os festejos no Faustino, um olhar lançado sobre a praça, as carreiras de Braga, o carrinho das bananas, os engraxadores e ardinas do quiosque do Arrabalde, o gravateiro na esquina (redonda) do Geraldes, o Inácio Barbeiro, as bicicletas do Delfim, os barcos do Redes e do Lombudo, os matraquilhos do Sr.Américo, as verbenas do Jardim Público, os namoros do Tabolado, os Canários… e por aí fora.
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Esta é a imagem atual, do mesmo local e, dir-me-ão, continua quase igual, o casario, os carros mais novos e recentes apenas mudaram de poiso, o jardim das Freiras deu lugar a Largo e a Rua de Stº António apenas mudou de pavimento, de resto tudo continua igual na fotografia, à exceção de uma ser a p&b e outra a cores.
Mas não é com a brevidade de uma apreciação fotográfica comparativa que se entendem estas fotografias. Ao ver a fotografia mais antiga, entra-se por ela adentro e recorda-se Chaves tal qual era, sem saudosismo mas com memória.
Pena que os “gerentes” da cidade de hoje, por não a terem conhecido no passado não têm dela memória ou, embora a tivessem conhecido, não têm espaço na memória para a recordar e, repito, não é de saudosismo que estou a falar, é de(a) memória do passado.
Vamos a mais três imagens do mesmo motivo, que no tempo, são separadas apenas por pouco mais de 100 anos.
Trata-se da Ponte Romana ou de Trajano, a nossa Top Model e ex-líbris da cidade de Chaves, construída pelos Romanos nos anos 70 D.C.
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Imagem de 1900 (aprox.)
Se houve povo que sabia o que fazia em termos de construção, esse, sem dúvida que foi o povo romano. Há 2000 anos construíram estradas, edifícios, pontes barragens, condutas de águas e saneamento, etc, tudo com técnicas apuradas de engenharia e da arte de bem construir às quais ainda hoje se lhes tira o chapéu. Sabiam o que faziam com arte e a resistência necessária para naturalmente chegar até aos nossos dias, principalmente em pontes que ainda hoje estão de pé para testemunhar isso mesmo, tal como a nossa, que até aos anos 50 do século passado, era a única ponte que Chaves tinha.
Gosto de vez em quando de fazer o exercício mental de a imaginar na integra, tal qual os romanos a construíram, com todos os seus arcos à vista e sem as casas adossadas a ela, ou seja, ainda antes da ganância do homem entrar pelo leito do rio adentro.
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Imagem de 1936
Há quem defenda que a ponte teria inicialmente 16, 18 ou até 22 arcos. Embora a hipótese dos 22 arcos pareça exagerada, não o é assim tanto e poderá ser até possível para cobrir o leito de cheias da cidade romana que todos sabemos estaria a uma cota de 2 a 3 metros (no mínimo) inferior à cota atual da cidade, assim o indicam os achados arqueológicos. Partindo também do princípio que a ponte seria simétrica em relação aos padrões da ponte, teríamos no mínimo 18 arcos, a julgar pelos 9 arcos ainda visíveis na margem direita do rio. Se partirmos como verdadeiro a cota de então ser inferior à atual em 2 ou 3 metros, possivelmente existiriam mais dois arcos para cada lado da ponte. A ser assim, com 18 arcos a ponte teria um tabuleiro com cerca de 200 metros de extensão e a ter 22 arcos, a extensão do tabuleiro atingiria os 250 metros.
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Imagem atual
Enfim, a conclusão primeira que se tira de tudo isto, é que os crimes urbanísticos em Chaves, já não são coisa recente e pelo menos já vêm desde há 300 ou 400 anos. O último, cometeu-se nos anos 30 do século passado, com um aterro que roubou cerca de 30m ao leito do rio, deixando sobre este apenas 8 arcos desimpedidos. Posteriormente, em 1980/81, recuperou-se mais um arco para o rio, ficando com os atuais 9 arcos desimpedidos. Pena que não se tivesse recuperado pelo menos os outros 3, que hoje, com o espelho de água, dava um ar bem mais interessante à envolvente da ponte. Pena, também, que quem hoje projeta para a cidade, não conheça a sua história e a sua alma.
As imagens dizem tudo, mas claro, haverá sempre quem não queira ver!
Só a título de curiosidade, entre o 2º e o 3º arco da margem esquerda, falta um arco.

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Hoje vamos até à Rua do Olival, de ontem e de hoje, onde sem dúvida alguma, no menor espaço de tempo, se cometeram os maiores atentados urbanísticos de sempre na cidade de Chaves, não só por consentirem que privados tomassem espaços públicos, mas também pela invasão desenfreada do betão no Centro Histórico de Chaves, engolindo ou abafando um troço de muralha seiscentista e, sem querer por em questão ou deixando de parte o cumprimento da Lei que o poder tão bem sabe fazer e contornar, põe-se em questão os valores (e podem dar aos valores o significado que entenderem) que permitiram tal além de hipotecarem para sempre, também o valor do Centro Histórico. E, não me venham com a inevitável modernidade, pois tal não existe se não houver respeito pelo passado.
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Rua do Olival que curiosamente até ao último arranjo da rua nunca teve oliveiras. O Olival existiu sim, fora de muralhas na antiga Quinta dos Machados, que também não resistiu à força e poder do betão.
“Simpaticamente”, nas últimas obras da rua, plantaram oliveiras como quem põe a marca de um estilo numa peça de roupa…mas, também há quem estranhe a ausência do perfume das tílias…
Ao rever as fotos de hoje e a distância que as separa no tempo, vêm-me à ideia dois apontamentos que não posso deixar de fazer:
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Vista parcial de Chaves (até aos anos 70)
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1º Apontamento
Ao ver a primeira foto, a mais antiga e possível de ver até aos anos 70 do século passado, admiro o cuidado e rigor do pentear das hortas da bacia e leito de cheias do Ribelas. Respira-se nesta imagem um ar saudável em que cada cantinho era tratado e, embora a imagem seja a P&B, adivinha-se o verde natural a contrastar com o castanho da terra em pousio de inverno. Uma imagem que se admira até ao desenhar e recortar suave das montanhas que a vista permitia.
Claro que a modernidade acelerada do pós 25 de Abril abril nada deixaria impune, principalmente os terrenos da periferia próxima dos velhos núcleos habitacionais das cidade que constantemente eram cobiçados pela força do b€tão que começou por ocupar o que naturalmente era mais acessível, mas sempre com olhos postos em espaços livres para se implantar.
Não sou especialista em urbanismo ou em arquitectura arquitetura paisagista, mas qualquer leigo vê e percebe que o leito de um rio ou ribeiro vai para além deles próprios, onde por vezes, excepcionalmente excecionalmente, gostam de despertar deleitando a sua bravura numa bacia que lhes é próxima, familiar e natural. Chamam-lhe a isso, os técnicos entendidos, o leito de cheias.
Pois na primeira foto de hoje, o que é visível entre a rua mais próxima anexa aos antigos armazéns da Câmara e a avenida paralela que liga a rotunda da Praça do Brasil ao Santo Amaro, é leito de Cheia do Ribelas e, não é preciso ser entendido no assunto para saber que todo esse espaço entre arruamentos é do Ribelas, onde não deveriam existir qualquer construção e onde, preferencialmente, deveria ser um espaço verde virado e para a cidade usufruir como tal. Mas o b€tão tem mais força que a natureza, no entanto, convém não esquecer que quando a natureza se enfurece, não há betão que lhe resista. Na Ilha da Madeira, há poucos dias, a natureza mostrou a sua força. Todos lamentamos a brutalidade da natureza mas ainda não ouvi ninguém acusar-se de a ter contrariado. Claro que por cá, a natureza tem sido muito branda connosco, mas um dia, também se pode enfurecer a sério e quando tal acontecer, também ninguém se vai sentir culpado pela modernidade ocupar o espaço que é da natureza e todos os culpados, vão sair impunes do seu crime. Pecados e criminosos que por Chaves não faltam.
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Vista parcial em 1990
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2º Apontamento
A modernidade trouxe consigo o “indispensável” automóvel para as nossas deslocações e, enquanto os políticos da nossa praça andam ocupados com o seu umbigo, devaneios, imitações e a pressão constante do b€tão, vão deixando de parte aquilo que é essencial para a cidade, pois as palas que lhe afunilam as ideias não os deixam alargar horizontes. Primeiro começaram por convidar toda a gente para as luzes da cidade, no entanto, esqueceram-se de arranjar condições para os receber e, atabalhoadamente, tentam resolver o problema. Primeiro da habitação, sem qualquer plano sustentável, depois, no meio do atabalhoamento, esquecem que a cidade nos últimos 30 anos triplicou em habitantes. Uma cidade onde não existem transportes públicos e cada família vai resolvendo os problemas das suas deslocações com automóveis. E como é que se resolve o problema!? – pois em vez de se criar uma rede de transportes para o solucionar ou arranjar parques de estacionamento para os popós, castiga-se quem tem de se deslocar todos os dias com parques de estacionamento pagos ou a pagar a quem os guarda, sem qualquer alternativa. Isto para não usar de má fé e não pensar que estão a fazer do problema um negócio para entrar mais algum dinheiro nos cofres do município.
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Vista actual
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Embora pessoalmente nunca tivesse concordado com o estacionamento das Freiras, não compreendo como assassinaram o jardim sem lhe meter popós por baixo, a custo zero. Outras soluções eram possíveis e ainda o são. Uma delas, está ligada ao espaço que hoje vos deixo e que muito bem poderia ter comportado três ou quatro pisos de estacionamento em vez do espaço de estacionamento de superfície existente. Ainda hoje é possível criar esse espaço de estacionamento que até foi promessa eleitoral de autarcas actuais atuais, mas, enfim, já sabemos que promessa eleitoral é só para ganhar votos e raramente se cumpre. Mas, pessoalmente, via com bons olhos um parque de estacionamento subterrâneo (abaixo da cota actual atual) no actual atual parque de estacionamento de superfície (da última foto), sem problemas de inundações e sem hipotecar um centro comercial a céu aberto sem trânsito na rua de Stº António, no coração da cidade, do seu centro histórico que em jeito de anedota se defende para património da humanidade. Pois com o mamarracho de estacionamento previsto para as traseiras do Faustino, apenas se vai dar continuidade aos pecados do passado, hipotecando para todo o sempre o centro histórico da cidade, sem contudo resolver o problema actual atual do estacionamento dos popós na cidade.
E nada mais digo por hoje e, cada vez estou mais convencido que de nada adianta andar por aqui a gastar o meu “latin”, pois uns pecam e outros dizem ámen e até ajoelham e beijam a mão aos pecadores no passar da procissão. Enfim, a geração rasca definitivamente está instalada. Acredito que o futuro encarregar-se-á de fazer a história destes tempos, só tenho pena que deixe impune os pecadores!


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