Sábado, 24 de Fevereiro de 2018

Maços - Chaves - Portugal

1600-macos (58)

 

Na nossa ronda pelas aldeias hoje toca a vez à aldeia de Maços, freguesia de Nogueira da Montanha e uma das aldeias do planalto do Brunheiro.

 

1600-macos (75)

 

Se a Serra do Brunheiro vista desde o vale de Chaves serve de limite ao mesmo, mais parecendo uma parede onde o vele termina, lá em cima, as terras planas parecem assentar  em cima dessa mesma parede, como se tratasse de um piso superior ou um terraço com vistas lançadas para o vale de Chaves, quase parecendo também que além deste longo planalto não há mais montanhas.

 

1600 macos (81).jpg

 

É ao longo deste longo planalto que termina já em terras de Valpaços que se encontram as 11 aldeias da freguesia de Nogueira da Montanha, por sinal uma das freguesias que mais tem sofrido com o abandono da sua população, o que até nem é de estranhar, pois graças a altitude que se encontra todo o planalto, sempre a rondar os 900 metros, o rigor do inverno por lá dói mais, mas também viver apenas daquilo que a terra dá, hoje em dia quase nem dá para sobreviver, muito menos dá para dela viver.

 

1900-macos 43 art (4)

 

Maioritariamente as terras do planalto são terras de cultivo, conhecida pela produção de batata de qualidade que lá se produzia e ainda produz, mas em menor quantidade, pois sem gente para trabalhar a terra, esta, vai sendo invadida pelo mato, mesmo assim, as propriedades maiores ainda se vão mantendo cultivadas.

 

1600-macos (57)

 

Mas esta nova ronda pelas aldeias é para trazermos aqui alguns olhares que nos escaparam nas anteriores abordagens à aldeia. Em tempos aqui no blog ia fazendo o elogio ao fio azul, o melhor, pois por onde que que fosse ou vá, há sempre um fio azul a ser utilizado no que quer que seja. É um verdadeiro utilitário mas nunca o vi tão bem aplicado como o estava na baliza do recreio da antiga escola de Maços, uma preciosidade que só ela merecia todo um post. Se houvesse um prémio para a melhor utilização do fio azul, esta aplicação sem qualquer dúvida que seria a vencedora.

 

1600-macos (77)

 

E como Maços é uma aldeia por onde vou passado, de vez em quando também por lá vou registando uns olhares, às vezes repetindo-os, sem querer, mas com leituras completamente diferentes, ficam  dois desses olhares, um bem frio e o outro mais quentinho, em ambas com a Serra do Larouco em último plano.

 

800-neve-macos.jpg

1600-macos (11)

 

E por Maços é tudo. Como nesta ronda pelas aldeias vamos seguindo a ordem alfabética, na próxima semana termos por aqui Mairos. Digo isto porque há dias alguém pedia Mairos, pois estamos quase lá, só temos de esperar até ao próximo sábado.

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 23:22
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 10 de Fevereiro de 2018

Limãos - Chaves - Portugal

1600-limaos (66)

 

Seguindo a ordem alfabética que estabelecemos para esta nova ronda pelas nossa aldeia, a seguir a Lamadarcos, a aldeia da última semana, vem Limãos. É para lá que vamos hoje.

 

1600-limaos (239)

 

Tal como já deixei por aqui nas anteriores publicações que este blog dedicou a Limãos, esta aldeia tem as suas particularidades, e bem curiosas. Uma delas tem a ver com a sua localização, cuja particularidade lhe é conferida pelo acesso à aldeia através da EN213, ou seja, Limãos pertence ao concelho de Chaves sendo estrada nacional o único acesso que temos para chegar a Limãos, no entanto antes de lá chegarmos temos que entrar no concelho de Valpaços, passar por uma das suas aldeias (Barracão) para de novo entrarmos no concelho de Chaves e aí sim, temos Limãos, para logo a seguir termos o concelho de Valpaços outra vez.

 

1600-limaos (24)

 

Outra particularidade tem a ver com a curiosiosa arquitetura da capela. Original e singular, parecendo uma construção cortada longitudinalmente a meio. Pessoalmente gosto da diferença. Outra curiosidade tem a ver com o  topónimo Limãos, que por sinal não é caso único, pois no concelho de Vinhais também existe uma localidade com este topónimo. Pois de cada vez que em conversa calha mencionar a aldeia de Limãos, há logo uma voz próxima que tenta corrigir para “Limões”.  Limãos, dizemos nós, é mesmo assim. E é. Não conheço a origem do topónimo, mas no Blog Limãos  a Wilma (autora do blog) avança com duas hipóteses para a sua origem.

 

1600-limaos (131)

 

Diz assim o blog Limãos:

“O nome poderá provir de limais, que significava terra pantanosa e coberta de limos. No entanto há outra opinião, que diz que esta povoação teve a sua origem numa colónia constituída por indivíduos provenientes da Galiza, da região de Límia.”

 

1600-limaos-139 (10) art

 

Pena que o Blog Limãos não seja atualizado desde março de 2013, pois ia sendo mais uma das nossas aldeias que estava no mapa da blogosfera flaviense, mas mesmo assim, para quem quiser aprofundar mais um pouco sobre esta aldeia, o blog tem algumas informações. Nem há como passar por lá, fica o link: http://limaos.blogs.sapo.pt

E por falar em atualizações, também nós temos de atualizar as nossas idas a Limãos, pois as imagens que hoje aqui ficam já têm mais de 10 anos.

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 05:10
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 27 de Janeiro de 2018

Lagarelhos - Chaves - Portugal

1600-lagarelhos (254)

 

Hoje vamos passar mais uma vez por Lagarelhos, com uma breve paragem para ver um pouco da sua vida diária, do seu casario e das vistas que desde lá se alcançam.

 

1600-lagarelhos (214)

 

Lagarelhos é uma das aldeias da EN314 ou da estrada que liga a Carrazedo de Montenegro mas também a umas dezenas de aldeias do nosso concelho. Em plena  Serra do Brunheiro mas a espreitar para os dois principais vales do concelho de Chaves, o vale da Ribeira de Oura e o próprio vale de Chaves, mas para vermos este em pleno, teremos de subir um pouco até à estrada que segue para Santiago do Monte.

 

1600-lagarelhos (208)

 

Como aldeia implantada à beira da estrada, vai vendo quem passa, mas já os que passam, se não pararem, pouco ou quase nada verão da aldeia, tanto mais que a longa curva que abraça quase toda a aldeia, exige a atenção de quem conduz. Já para conhecer a capela, pequena e simples, mas cumprindo as linhas das capelas tradicionais transmontanas, construídas em granito à vista.

 

1600-lagarelhos (244)

 

Trata-se de uma pequena aldeia, mas o suficiente grande para ter a capela e em tempos ter tido uma escola, da qual hoje só já resta o edifício e a memória de alguns lá terem aprendido as primeiras letras, a ler e contar, e se isto chegava para os mais antigos, para os mais novos, foi o passaporte para descerem à cidade e continuar os estudos que lhes abriu outros horizontes fora da escravidão à terra e à serra.

 

1600-lagarelhos-art

 

Por nós continuaremos a passar por lá quando tiver de ser, mas também a parar sempre que um motivo nos desperte o olhar da objetiva ou então para apanhar mais um pouco de sol antes de mergulhar no nevoeiro dos vales.

 

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:49
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 20 de Janeiro de 2018

Izei - Chaves - Portugal

1600-izei (174)

 

Na nossa voltinha pelas aldeias de Chaves, hoje toca a vez a Izei, uma das aldeias que desde a cidade se vê encostadinha à Serra do Brunheiro, quase parece nas suas faldas, mas estando lá, já se percebe uma certa altitude em relação ao vale.

 

1600-izei (169)

 

Hoje iniciamos com Izei ao longe para, aos poucos, nos irmos aproximando da sua intimidade, só nos faltou mesmo entrar dentro das casas, mas conseguimos entrar numa varanda.

 

izei art (9)

 

Deixamos também um pouco da realidade da aldeia onde o casario solarengo convive a paredes meias com casario mais simples, mas quase todo ele abandonado ou mesmo em ruinas, como uma delas mais nobre que ainda há anos estava habitada e que, com o abandono dos seus ocupantes, acabou por ruir.

 

1600-izei (23)

 

Ficam assim seis imagens para todos os gostos, com o longe e a sua intimidade, a cores, a p&b, em cut-out e em arte digital, de uma aldeia, que ao longe não dá para notar, é atravessada pela EN314 que nos leva até às alturas do Brunheiro e mais além até à Serra da Padrela e concelho de Valpaços.

 

1600-izei (125)

 

Amanhã, aqui no blog, vamos até ao Barroso, em tempo de celebrações e festas comunitárias do S.Sebastião. Temos assim uma promessa para cumprir que já vai sendo habitual nos últimos anos. Amanhã não será diferente, com imagens fresquinhas de hoje ou de arquivo dos anos anteriores, o S.Sebastião também passará por aqui.

 

1600-izei (152)

 

Assim, as aldeias do Barroso do Concelho de Montalegre ficarão para o próximo fim de Semana. Amanhã é dia de estar aqui o Barroso de Boticas.

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:44
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 6 de Janeiro de 2018

Gondar - Chaves - Portugal

1600-gondar (107)

 

Como ainda há dias tive oportunidade de deixar por aqui, este blog tem 13 anos. Aquilo que inicialmente não tinha nenhuma pretensão, bem cedo se tornou um espaço para divulgar, principalmente em imagem, a cidade de Chaves. Com o tempo e a pedido de várias famílias, começaram a surgir as aldeias, ocasionalmente uma aqui, outra ali, também sem intenção de as percorrer todas, no entanto, e para ser justo, todas acabariam por passar por aqui logo após 1 ou 2 anos de existência do blog.

 

1600-gondar (118)

 

Penso que a primeira ronda que fiz por quase todas as aldeias, foi há coisa de 25 anos, ainda sem blog e sem andar à caça de fotografias. E tenho pena de então não levar a máquina comigo, mas também nunca imaginei e muito menos esperei que as aldeias chegassem ao estado em que hoje se encontram. Então, há 25 anos, nas aldeias ainda se construíam escolas onde não as havia, construíam-se salas de ordenha, centros sociais, saneamentos, abastecimentos de água, pavimentavam-se ruas, eletricidade e telefones chegavam até aos locais onde não havia e, principalmente os nossos emigrantes, botaram-se a construir a casa com que sempre sonharam para poderem gozar uma reforma digna. Nas ruas então, havia gente, crianças, animais… havia vida.

 

1600-gondar (57)

Uma casa em Gondar - 2008

 

Há coisa de 10 anos, quando por obrigação voluntária do blog me botei eu à estrada para registar todas as aldeias, comecei a notar que já poucas pessoas havia nas ruas, alguns idosos, outros de meia idade, crianças poucas, as casas mais velhas sofriam com o abandono, as novas ansiavam por gente dentro, as escolas iam fechado, o mesmo com as salas de ordenha. Também era assim Gondar quando lá entrei em 2008 para fazer o post da aldeia. Crianças não as vi, idosos vi dois, um pelo caminho com o seu cão e uma senhora no centro da aldeia, fora isso, um casal de meia idade com quem tive a oportunidade de falar e registar em fotografia a degranhar o milho, que por ausência de viaturas e circulação na rua, se aproveitava a mesma para por o milho a secar.

 

1600-gondar (72)

Gondar - 2008

 

Em algumas casas mais antigas mas ainda em estado razoável de conservação para a idade, ia aparecendo a placa “Vende-se”. Já então por aí se ia falando em desertificação do mundo rural. Lembro que em tom de brincadeira irónica eu dizer por aqui que isso não correspondia à realidade, que era mentira, pois os campos cada vez tinham mais mato e bem espesso, daqueles que os incêndios gostam, campos despidos de vegetação não havia, daí a terra estava bem longe de ser um deserto.  Quando muito, e isso sim eu era testemunha, o mundo rural estava a ficar despovoado, sem gente, onde apenas resistiam os resistentes.  Também dizia eu então que as aldeias, a sua gente, as tradições com os seus sabores e saberes estavam a entrar num período de ponto de não retorno.

 

1600-gondar (41)

1600-gondar (48)

Uma casa em Gondar - 2008

 

Para o blog acabei por passar por todas as aldeias pelo menos duas ou três vezes. Gondar também não foi exceção e em 2015 regressei lá. Vi duas pessoas, curiosamente as mesmas com quem falei aquando da minha passagem em 2008, mantendo ainda a simpatia de então. Dos poucos resistentes da aldeia, no mesmo trabalho do dia a dia. Penso que perguntei quantas pessoas ainda havia na aldeia, mas já não recordo quantas eram, sei que falou numa irmã já reformada e pouco mais, recordo, isso sim, que me disseram que na aldeia vizinha de Nogueira da Montanha, sede de freguesia que em tempos tinha umas centenas de pessoas, apenas lá vivia um casal de idosos e um viúvo. 3 pessoas. Isto foi há quase três anos, hoje não sei quantas resistiram.

 

1600-gondar (162)

1600-gondar (168).jpg

1600-gondar (176).jpg

A mesma casa em Gondar - 2015

 

Quanto ao casario, algum ainda se vai mantendo, principalmente aquele que têm menos anos em cima. Recordo de em 2008 ter fotografado uma das casas antigas que me chamou a atenção pela sua traça de casa tipicamente transmontana com meia dúzia de escaleiras em pedra e um patamar a terminar em varanda de madeira, coberta, onde, quando habitadas, os donos nas noites quente de verão tomavam a sua dose de um arzinho da noite, e onde também o milho e outras coisas da terra como o feijão, o grão, etc, se punham a secar, ficando protegidas de um possível orvalho das noites mais frescas. Encantei-me com essa casa. Tinha uma placa de “Vemde-se” e sinceramente, só não a comprei porque já na altura era um teso…. Para trás ficam 6 imagens dessa casa, 3 do anos de 2008 e outras 3 do ano de 2015. Descubra as diferenças. A placa de “vemde-se” ainda lá estava.       

 

1600-gondar (203)

 

Em bom estado de conservação ou pelo menos de trato, felizmente, vão-se mantendo as igrejas e capelas das aldeias. Perde-se a gente, as tradições, os sabores e saberes das aldeias, mas enquanto houver resistentes há fé, e o povo sempre disse que a fé é a última a morrer. Pois a muitas destas aldeias já quase e só lhes restam a fé, em Deus, pois a fé no regresso dos que partiram, essa abalou, foi-se… que povo este! Fica a deixa para o parágrafo seguinte, onde mais uma vez não resisto recorrer outra vez a Miguel Torga.

 

1600-gondar (202)

 

Que povo este! Fazem-lhe tudo, tiram-lhe tudo, negam-lhe tudo, e continua a ajoelhar-se quando passa a procissão.

Miguel Torga, In Diário X

 

E imitando Bento de Cruz... Com esta me vou!…

 

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 04:28
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 23 de Dezembro de 2017

France - Chaves - Portugal

1600-france (25)

 

Há uns bons anos atrás, passar por France era passar pela sua intimidade, por uma rua/estrada cheia de vida, de gente, começava por se apreciar as alminhas e o cruzeiro, depois entrava-se na rua/estrada por entre o casario, deitava-se um olho à igreja, passava-se pelo fontanário, um dos maiores que conhecia, e logo de seguida a rua do casario terminava e continuava a estrada depois de uma fechada e perigosa curva, pelo menos para os desprevenidos.

 

1600-france (26)

 

Tudo isto terminou com a construção da variante à “rua da aldeia”. Suponho que a rua ficou bem mais calma e nós livrámo-nos de uma curva complicada, mas também deixámos de lado a intimidade da aldeia e a sua vida. É, as variantes são sempre assim, servem para passar ao lado… claro que temos sempre a opção de continuar a passar pela intimidade da aldeia, mas quando temos o objetivo de um destino, esse, está sempre primeiro.

 

1600-france (32)

 

Mas também há vezes em que o nosso destino é mesmo France. O primeiro é quase de paragem obrigatória, na estação de serviço das bombas de combustível, nem que seja e só para um café,  mas esta não fica bem na aldeia, mas um pouco antes. Quanto à aldeia já calhou no nosso destino duas vezes, pouca coisa, é verdade, mas deu para recolher as fotos de que precisávamos para dedicar o devido post(s) à aldeia. Mas isso já foi há um tempito, ou melhor, há uns anos. A primeira vez foi em outubro de 2007 e a segunda em janeiro de 2012.  Passaram uns anos, é certo, noutros tempos significaria que a aldeia se teria modificado um bocado, hoje, penso que não, mas um dia destes passo por lá para verificar.

 

1600-france (11)

 

Sim, pode ser que a aldeia se mantenha mais ou menos igual, mas uma coisa é certa, os putos das bicicletas que aparecem nesta última foto ficaram congelados numa imagem de há 10 anos, mas hoje já devem ser homens nos seus vinte e poucos anos. Pois é, a fotografia tem esta magia de congelar momentos, que parecem de hoje, de agora, mas o tempo é implacável e nunca para. Daí, também já entenderam que o presépio que fico atrás em imagem também não é de agora, aquele é o de 2012.

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:48
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 16 de Dezembro de 2017

Fornos - Chaves - Portugal

1600-fornos (12)

 

Ao nível de imagens, o post de hoje sobre a aldeia convidada, Fornos,  talvez resuma aquilo que se aprecia (ou eu aprecio/observo/me leva ao clique), ou seja, na abordagem de uma aldeia desconhecida ou quando pela primeira vez a abordamos, as primeiras impressões são da sua envolvência do meio onde ela está implantada e integrada, o que dela se vê e o que se vê dela, à distância.

 

1600-fornos (166)

 

Depois vem o conjunto da aldeia, do casario, de como ela se adapta ao terreno, se integra nele, como o usa e o que usa dele para erguer as suas construções.

 

1600-fornos (147)

 

Já dentro dela, vai-se apreciando aquilo que mais se destaca, que mais chama a atenção, o que mais e melhor a caracteriza.

 

1600-fornos (86)

 

Por fim os pormenores, o fator humano, o imaterial, as estórias, a História, os sabores e saberes, a vida da aldeia.

Simples, não é!? – Assim aqui resumido na brevidade de meia dúzia de palavras e quatro imagens, até parece que sim, e embora tudo que atrás disse não deixe de ser verdade, para se conhecer verdadeiramente uma aldeia, para ela nos surpreender e dela tirar o seu encanto,  é preciso muito mais…

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:15
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 9 de Dezembro de 2017

Fornelos - Chaves - Portugal

1600-fornelos (6)

 

Nesta nova ronda pelas aldeias do concelho de Chaves, hoje toca a vez a Fornelos, uma das nossas aldeias atravessadas pela Nacional 314, que liga Chaves a Murça com passagem por Carrazedo de Montenegro. Embora desclassificada como Estrada Nacional e sendo uma estrada secundária é uma das vias mais importantes do concelho de Chaves, a par das outras Estradas Nacionais, não fosse por ela que se faz a ligação a quase 1/3 das aldeias de Chaves, para além de ser uma das estradas da nossa rede viária do concelho mais interessantes de percorrer, embora com o devido cuidado, pois a sinuosidade e largura da estrada a isso recomenda.

 

1600-fornelos (42)

 

É também por esta estrada que se faz o principal acesso à Serra do Brunheiro e seu planalto e um dos dois acessos principais ao concelho de Valpaços, aliás a aldeia está no limite do concelho de Chaves, num dos pontos mais altos do concelho (920m),  localizada no alto do planalto onde a montanha de começa a desdobras paras as duas vertente, a do concelho de Chaves e a do concelho de Valpaços.

 

1600-fornelos (3)

 

Embora em fotografia a aldeia de Fornelos não passe por aqui muitas vezes, mesmo porque é uma aldeia pequena e maioritariamente com construções mais recentes, o que não vai muito de encontro às preferências deste blog, mais dedicado à antiga arquitetura rural transmontana. Ia dizendo que tem tido muitas imagens mas tem passado por aqui muitas vezes nas palavras de Gil Santo, s com as estórias e contos  que já há uma década vai deixando neste blog e nos seus livro, com mais um acabadinho de sair e que num dos próximos dias traremos aqui.

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 2 de Dezembro de 2017

Fernandinho - Chaves - Portugal

1600-fernandinho (78)

 

Nem que fosse e só pelas vistas que se alcançam desde Fernandinho, a nossa aldeia de hoje, já valia de pretexto para uma visita, mas Fernandinho não são só vistas, pois outros interesses detém na sua intimidade.

 

1600-fernandinho (7)

 

Com um curioso topónimo, é uma aldeia pequena, mas que tem tudo para ser uma das nossas aldeias tipicamente transmontana.

 

1600-fernandinho (138)

 

Curiosamente só pela terceira vez que fomos por lá é que a conseguimos descobrir em toda a sua essência, pois nas anteriores visitas, faltou-nos sempre o fator humano, fator sem o qual uma aldeia nunca fica completa, pois elas são feitas à imagem dos seus filhos. Pena, tal como a grande maioria das nossas aldeias, sofrer dessa maleita chamada despovoamento e envelhecimento da população.

 

1600-fernandinho (185)

 

Mas ainda há resistentes e quem lhes dê corda aos seus relógios, onde a terrinha (a nossa terrinha) é um  prolongamento do nosso lar, é lá onde estão as nossas ruas, as portas onde se bate para dar ou receber tudo que é necessário quando há necessidade de… nem que seja só a necessidade de ouvir ou ter de dar uma palavra amiga, como quem diz presente.

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 18:11
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 11 de Novembro de 2017

Escariz - Chaves - Portugal

1600-escariz (112)

 

O nosso destino de hoje é Escariz, uma aldeia que muitos conhecem por vê-la desde a estrada, lá na outra encosta da montanha, mas que poucos são os que já lá foram, isto no universo daqueles que passam na estrada desde onde a aldeia se avista. Já agora, a estrada, é a que liga o Peto de Lagarelhos a Vidago, com passagem por Loivos e Vila Verde de Oura.

 

1600-escariz (18)

 

Pois comigo também aconteceu o mesmo, muitos anos a vê-la desde a estrada até ao dia em que decidi descer e subir até ela, pois é mesmo assim, primeiro tem de descer-se até ao início do vale da ribeira de Oura e depois subir até à aldeia.

 

1600-escariz (15)-art

 

Um dia que nunca mais vou esquecer por um pequeno incidente sem incidentes, porque, tal como diria Torga, não por mim, que entrei lá cheio de boas intenções, mas por uma civilização de má-fé que nem ao menos lhes dá a simples proteção de as respeitar…

 

1600-escariz (136)-1

 

Quanto à aldeia, é tal e qual se vê da estrada, ou seja, pequena e arrumadinha num pedacinho da encosta da montanha, com alguma vida ainda, pelo menos quando lá fui, uma única vez, que embora parecendo que foi ontem, já lá vão nove anos, que para história de uma aldeia, pode parecer coisa pouca ou quase nada,  e se  assim foi durante muitas dezenas, talvez algumas centenas de anos, nos últimos 20 a 30 anos a história das aldeias tem sido escrita de maneira diferente, tudo por ter sido acrescentada mais uma palavra à sua história, uma palavra que faz toda a diferença e que dá pelo nome de DESPOVOAMENTO.

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 22:45
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 4 de Novembro de 2017

Eiras - Chaves - Portugal

1600-eiras-art

 

E nesta nova ronda pelas nossas aldeias de Chaves, hoje toca a vez às Eiras, uma das aldeias da periferia da cidade de Chaves, instalada à beirinha da veiga mas já nas faldas da Serra do Brunheiro, como quem sobre para S.Lourenço.

 

1600-eiras (303)

 

Embora as Eiras tenham alguns, até bastantes,  pontos de interesse que merecem uma visita, principalmente para quem gosta da nossa História, eu destacava quatro deles. Um bem visível para quem entra nas Eiras, pois está mesmo ao centro do seu principal largo/cruzamento. Claro que me refiro ao seu cruzeiro, pela sua singularidade e beleza, bem diferente dos habituais cruzeiros.

 

1600-eiras (267)

 

Os outros pontos de interesse não estão assim tão ao dispor das nossas vistas, é necessário ir até eles. Um é a sua igreja, numa localização recatada de enquadramento bem interessante. Outro é a calçada romana onde ainda se podem apreciar alguns troços em bom estado de conservação e que tão esquecidos têm sido nos nossos roteiros turísticos, a par do miradouro que fica ao lado. Por último, destacam-se as vistas que se alcançam desde alguns pontos das Eiras, principalmente se entrarmos um bocadinho pela serra adentro,

 

1600-eiras (120)

 

Estes pontos de interesse mencionados são para o turista comum, mas para nós, e este nós sou eu e outros como eu, há outros interesses, principalmente o das recordações de infância e primeiras adolescências, do tempo em que as Eiras pertenciam aos nossos domínios ou limites das nossas brincadeiras e outros afazeres, sobretudo a ver a imagem seguinte que penso ter sido tomada desde o Alto da Forca, já não recordo, mas recordo bem todos os cantinhos visíveis na imagem.

 

1600-eiras (300)

 

Pois na imagem que fica atrás faz-me regressar uns bons anos ao passado. Logo na base da foto, ao centro, está a casa onde nasci e a nova casa azul, construída no lugar da antiga que sempre se supôs dar nome ao bairro. à Direita, ainda na base da foto, está a torre sineira da igreja dos maristas, onde tinham uma quinta e onde ia ao leite que me ajudou a criar e que a Srª Emília mugia na hora, quase diretamente das tetas da vaca para a leiteira. Isto quando o fornecedor de leite na era da quinta dos Caetanos, do Sr. Manuel, este mesmo ao lado da casa azul, do outro lado da estrada. E do leite passamos para o vinho, pois na base da foto, pode-se ver ainda um bocadinho da Adega Cooperativa, que em tempo de vindimas fazia a delicia das crianças do bairro com o assalto que se faziam às dornas cheias de uvas carregadas ainda (muitas delas) em cima de carros de bois. Logo a seguir à base da foto vê-se o   verde dos campos cultivado do Prado, verde que se prolonga depois pela restante veiga. O casario que aprece em segundo plano são as Eiras, onde se ia fazer a aguardente com o bagaço, após as vindimas. Logo a seguir, o casario em terceiro plano que hoje em dia está ligado à Eira, é a aldeia do Castelo que se foi prolongando e entrando pela serra adentro, coisa dos últimos trinta anos, pois antes existiam os núcleos bem definidos.

 

1600-eiras (181)

 

Ainda na mesma foto das vistas gerais tomadas sobre a Casa Azul até ao Castelo, pode-se ver à direita das Eiras uma elevação com pinhal, que separava as Eiras da Quinta da Condeixa. Era então o meu monte preferido para ir “roubar” o pinheirinho de Natal e onde às vezes fazíamos incursões de descoberta da serra, isto logo a partir dos 6 anos de idade. Liberdades que nos tempos de hoje são impossíveis de, os putos de agora, gozarem, onde as suas liberdades de descobertas estão “limitadas” aos écrans dos computadores ou de um tablet/ipad, sem os sons, cheiros, calor ou frio da natureza, que,  diga-se a verdade, em muito contribuíram para a nossa formação, com a tal aprendizagem informal.  

 

1600-eiras (13)

 

Claro que muita mais coisa haveria para contar, mas além de não termos espaço para tantas estórias vividas, também não é aqui, num post dedicado às Eiras, que as podemos contar. Vão se contando ao longo da vida quando vêm a propósito de qualquer coisa e depois, são omentos nossos que vivemos sempre com uma emoção impossível de a transmitir aqui, reservados só a alguns que connosco os viveram.

 

E daqui, assim o espero, vamos até ao Barroso que amanhã estará cá com mais uma aldeia.

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 19:15
link do post | comentar | favorito (1)
|  O que é?
Sábado, 21 de Outubro de 2017

Dadim - Chaves - Portugal

1600-dadim (145)

 

Embora na minha formação a disciplina de geografia me tivesse acompanhado sempre até ao 12º ano, e fosse uma das que até gostava e daí até ter sido sempre um aluno razoável, a verdade é que nunca me questionei ou me lembro de ter abordado, pelo menos a fundo, a diferença que há entre uma montanha e uma serra. Daí ao longo da minha vida pensar que as serras são a elevações mais altas, reforçada por aquela que nos enfiavam logo na primária de a Serra da Estrela ser a serra mais alta de Portugal.

 

1600-dadim (143)

 

Com o tempo, vim a saber que a Serra da Estrela não é a mais alta de Portugal e que as montanhas, afinal, são mais altas que as serras, pelo menos a julgar pela definição em que serra é uma grande extensão de montanhas ligadas umas às outras, e montanha é um monte muito alto e extenso. Daí, quando ao longe avistamos (por exemplo) os pontos mais altos da Serra do Larouco, se calha, em vez de dizemos “ e ao fundo vemos a Serra do Larouco” deveríamos dizer “ e ao fundo vemos a montanha mais alta da Serra do Larouco”.

 

1600-dadim (48)

 

 

Ora bem, esta de ter começado com a definição de serras e montanhas tem a ver com a nossa aldeia de hoje – Dadim, tudo porque geralmente quando por cá algum pessoal se refere à montanha, está a referir-se a estas terras lá de cima, do planalto da castanheira, que abrange todas aquelas aldeias do planalto desde a Bolideira, Tronco, Travancas, Argemil, Dadim, Cimo de Vila da Castanheira, Sanfins, S.Cornélio e Roriz, penso que é tudo, pois a partir de aí já são terras inclinadas de além planalto. Claro que aqui fica de fora o planalto de Monforte, que embora seja o mesmo já fica do outro lado da estrada…  

 

1600-dadim-art

 

Seja como for, ainda a montanha ou a serra, estamos em terras altas, pelo menos para o concelho de Chaves em que o ponto mais alto ronda os 900 metros. Aqui no planalto, em Dadim, andamos a rondar os 855 metros, ou seja bem próximos do ponto mais alto do concelho.

Quanto às fotos, são algumas que escaparam às anteriores seleções para anteriores posts que este blog dedicou à aldeia, no entanto é uma aldeia à qual temos de ir por lá outra vez, pois sinceramente só fui lá uma única vez em recolha de imagens e isso já foi em 2008, e pelo que conheço da aldeia, sinto que me escaparam alguns olhares que merecem ser registados, tanto mais que recordo ter sido uma aldeia simpática na receção que nos fizeram há nove anos atrás. Fica a promessa para um deste dias voltarmos por lá.

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 23:50
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 16 de Setembro de 2017

Cimo de Vila da Castanheira - Chaves - Portugal

 

 

1600-cimo-vila (2)

 

E nesta nova ronda pelas nossas aldeias, hoje toca a vez a Cimo de Vila da Castanheira implantada em terras altas do concelho de Chaves a rondar os 800 metros de altitude, ainda no planalto na transição para o mar de montanhas das terras de Vinhais.

 

1600-cimo-vila (33)

 

Aldeia e freguesia que se justifica pela sua população e dimensões, dispersa por vários arruamentos vai-se estendendo até à freguesia e aldeia vizinha de Sanfins da Castanheira, não havendo separação física entre ambas o que, à primeira vista, poderá parecer ser uma única aldeia, mas são duas.

 

1600-cimo-vila (55)x

 

Estamos em terras da Castanheira onde o românico marca presença com a Igreja de S.João Baptista, com o antigo cemitério em anexo e uma pequena torre, aparentemente mais antiga, conjunto que aliado à sua localização lhe confere uma particular beleza.  Nem que fosse e só por esta Igreja Românica, já valia a pena ir de visita por estas terras.

 

1600-cimo-vila (94)

 

Quanto ao casario, hoje em dia, é um misto entre casario típico e tradicional das nossas aldeias, com as suas construções em granito de pedra solta geralmente com as escaleiras lançadas para a rua terminado numa varanda coberta e outras construções mais recentes, umas de meados do século passado onde o reboco exterior já marca presença ou ainda construções muito mais recentes ligadas ao boom da construção dos anos 70 e 80 também do século passado.

 

1600-cimo-vila (216)

 

A 23 quilómetros de Chaves, tem como Orago o S.João e uma das aldeias que embora também sofra da maleita do despovoamento, não é das que mais tem sofrido com isso e ainda hoje mantém uma população considerável para uma aldeia, mas bem longe dos áureos anos 60 em que chegou a atingir os 1159 habitantes, hoje reduzida a menos de metade deste número.

 

1600-cimo-vila (231)

 

É também uma das aldeias de passagem do nosso concelho, pois é através dela que se chega até Roriz ou até Sanfins da Castanheira, Stª Cruz da Castanheira, Parada e S. Gonçalo.

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 05:35
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 9 de Setembro de 2017

Cela - Chaves - Portugal

1600-cela (3)

 

A aldeia da Cela é o nosso destino de hoje. Antiga freguesia foi apanhada nas malhas daquela pessegada de unir freguesias, sendo hoje pertença da união das freguesias de Eiras, São Julião de Motenegro e Cela, freguesia esta que na prática vê o seu território estender-se desde a veiga de Chaves até ao concelho de Valpaços.

 

1600-cela (75)

 

Certo que o nosso mundo rural está cada vez mais despovoado pelos seus e desprezado pelos “outros” e se as coisas assim continuarem, e tudo indica que assim continuarão, num futuro próximo, o concelho de Chaves em termos populacionais, bem poderá ficar reduzido a duas freguesias – uma urbana de cidade e periferia e outra rural.

 

1600-cela (15)

 

Quanto à Cela é uma pequena aldeia implantada em plena Serra do Brunheiro escondida e recatada das vistas exteriores mas com excelentes vistas para a Veiga de Chaves e para a aldeia de S.Lourenço.

 

1600-cela (25)

 

Aldeia pequena mas uma das raras aldeias de Chaves que já há uns bons anos, dezenas, matem um Grupo Cultural e Etnográfico com um rancho folclórico e de cantares que nas suas atuações se faz sempre acompanhar de utensílios tradicionais utilizados ao longo dos tempos no mundo rural.

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 14:34
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 2 de Setembro de 2017

Castelo de Monforte - Chaves - Portugal

1600-castelo-monf (325)

 

Este espaço dos sábados tem sido dedicado às nossas aldeias, aos povoados existentes, mas temos de fazer sempre algumas exceções, e hoje é uma delas, pois Monforte já não é um povoado, mas dele ainda existem alguns vestígios e a Torre de Menagem do antigo povoado, para além de dar nome a uma pequena região dento do concelho de Chaves.

 

1600-XVI encontro (151)

Castelo de Monforte visto desde o Cambedo (ao fundo, ao centro, apenas uma silhueta)

 

Além das razões históricas para com todo o direito estar aqui hoje, há o marcar de uma presença que não passa despercebida e visível de grande parte do território do concelho de Chaves, tudo graças à sua localização estratégica, pensada outrora para defesa do nosso território.

 

1600-castelo-monf (318)

 

Importância que foi perdendo com o tempo e com a evolução das técnicas e táticas de guerra,  aliadas ao evoluir dos tempos e que hoje são apenas um testemunho dos povoados fortificados, onde alguns se mantiveram como povoado dentro e à volta do antigo castelo e outros não resistiram aos novos tempos, sendo completamente despovoados.

 

1600-castelo-monf (306)-1

 

Despovoamento esse que levou à degradação das fortalezas,  e abandono que levou à pilhagem ou reutilização dos materiais das antigas construções em novas construções de novos povoados próximos do antigo castelo, onde, em geral, só a construção mais forte e nobre se foi mantendo – a torre de menagem do castelo.

 

800-castelo-monf (201).jpg

 

Hoje em dia são locais apontados como de interesse turístico, alguns reconvertidos mesmo para utilização turística. No caso, o interesse turístico continua a existir, mas ao longo dos tempos tem sido ignorado e embora há umas poucas dezenas de anos o Município de Chaves, no mandato de Alexandre Chaves como Presidente da Câmara, tentasse dar alguma vida ao local, com a construção de uma zona de lazer e a recriação de alguns momentos medievais encenando um desfile medieval anual, foi pouco e de pouca dura, pois depressa tudo foi esquecido e hoje está dotado ao total abandono, incluindo o antigo guarda deste Monumento Nacional que zelava pela guarda daquilo que resta, após a sua reforma, jamais foi substituído.     

 

1600-castelo-monf (39).jpg

 

E temos pena que o melhor que temos do nosso património histórico antigo esteja assim abandonado e esquecido e que embora ainda suscite a alguma curiosidade e visitas de alguns interessados e que de alguns ilustres da literatura portuguesa fique assim registado (o sublinhado é meu) :

 

1600-castelo-monf (224).jpg

 

Castelo de Monforte, Chaves, 24 de Setembro de 1961

 

Rezam as crónicas que certo infante, de visita à antiga Vila de que resta apenas a fortaleza desmantelada onde me encontro encarrapitado, ficou altamente ofendido com o presente de alguns açafates de figos – única fruta abundante na região – que à chegada recebeu dos pobres vassalos. A tal ponto, que mandou amarrar a um poste o vereador responsável pela ideia do mimo, e o obrigou a servir de alvo dos lacaios do séquito, num tiroteio em que as balas eram os gravosos lampos da oferta. (…)

1600-castelo-monf (299)

 

E continua:

“(…) Falso ou verdadeiro, o episódio, que à leitura me pareceu repugnante, considerado aqui tem a sua justificação. Há certos destemperos que, embora se não desculpem, se compreendem. Quem me diz a mim que os desconchavo da alteza não foi apenas a expressão insolente dum grande amor magoado? Também eu sinto neste momento não sei que despeitada revolta, que surdo desespero. Do lado de lá da fronteira, Monterrey, altaneiro, majestoso, ufano das suas aladas torres, do seu palácio senhorial, da sua igreja românica, cofre de um retábulo de pedra de cegar a gente; deste, quatro paredes toscas de desilusão, que a hera aguenta de pé por devoção pátria. É, realmente, de um homem perder a paciência de vítima passiva do destino. Sempre pequenas muralhas de fraqueza e pobreza! Sempre um prato de figos ao fim de cada fome!

 

Miguel Torga, In Diário IX

1600-castelo-monf (273)

Vistas lançadas desde o Castelo de Monforte sobre o planalto

 

Ou ainda assim, quando se refere a este tipo de património:

 

(…) O que mais me dói na pátria é não haver correspondência no espírito dos portugueses entre o passado e o seu presente. Cada monumento que o acaso preservou inteiro ou mutilado – castelo, pelourinho, igreja, solar ou simples fontanário – é para todos nós uma sobrevivência insólita, que teima em durar e em que ninguém se reconhece. Olhamos os testemunhos da nossa identidade como trates velhos, sem préstimo, que apenas atravancam o quotidiano. Que memória individual ou colectiva se relembra nesta crónica ameada?

Miguel Torga, In Diário XIII

 

1600-castelo-monf (320)

 

Seja como for e mesmo assim abandonado e desprezado é um dos locais mais interessantes do nosso concelho, onde, nem que seja apenas uma ou duas vezes por ano vou por lá lançar e recolher uns olhares, nem que seja e apenas para fazer como Miguel Torga, mas no meu caso, não é pelos marcos de Portugal, mas pelo mesmíssimo Castelo de Monforte de Rio Livre, assim é que é:

 

1600-castelo-monf (289).jpg

 

Chaves, 5 de Setembro de 1984

 

Subida esforçada ao castelo de Monforte. De vez em quando é conveniente verificar se os marcos de Portugal estão no sítio.

Miguel Torga, In Diário XIV

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 18:55
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

.Fotos Fer.Ribeiro - Flickr

frproart's most interesting photos on Flickriver

.meu mail: blogchavesolhares@gmail.com

.Fevereiro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9



25
26
27
28


.pesquisar

 
blogs SAPO
ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

 

 

El Tiempo en Chaves

.Facebook

Fernando Ribeiro

Cria o teu cartão de visita Instagram

.subscrever feeds

.favorito

. Blog Chaves faz hoje 13 a...

. Solar da família Montalvã...

.posts recentes

. Maços - Chaves - Portugal

. Limãos - Chaves - Portuga...

. Lagarelhos - Chaves - Por...

. Izei - Chaves - Portugal

. Gondar - Chaves - Portuga...

. France - Chaves - Portuga...

. Fornos - Chaves - Portuga...

. Fornelos - Chaves - Portu...

. Fernandinho - Chaves - Po...

. Escariz - Chaves - Portug...

. Eiras - Chaves - Portugal

. Dadim - Chaves - Portugal

. Cimo de Vila da Castanhei...

. Cela - Chaves - Portugal

. Castelo de Monforte - Cha...

.Blog Chaves no Facebook

.Veja aqui o:

capa-livro-p-blog blog-logo

.Olhares de sempre

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Fevereiro 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

Add to Technorati Favorites