Terça-feira, 30 de Janeiro de 2018

A ponte romana de hoje, de há 50 anos e um pormenor com 109 anos e 39 dias...

1600-(46499)

 

Nos grupos do facebook barrosões tenho visto por lá umas fotos antigas das aldeias barrosãs, uma delas Viade de Baixo. Ontem entrei em contacto com um dos administradores do Grupo Viade de Baixo para me indicarem quem era o autor das fotos a fim de lhe pedir autorização para as utilizar num post deste blog. Acabei por saber o nome do fotógrafo que, afinal, se trata de um dos melhores fotógrafos portugueses do século XX, um Engº Técnico Agrário que se apaixonou pela fotografia e que nos anos 50/60 esteve a trabalhar em Montalegre como Engº Téc. Agrário. Este fotógrafo que dá pelo nome de Artur Pastor (1922-1999) fotografou todo o Portugal real, urbano e rural , do Norte a Sul de Portugal e ilhas. Estando em Montalegre nos anos 50/60 suspeitei que a objetiva da sua Rolleiflex também tivesse andado por Chaves a captar alguns momentos da cidade de então, e não me enganei. Chaves faz parte do seu espólio fotográfico que hoje é propriedade do Arquivo Municipal de Lisboa.

 

chaves-A-Pastor.jpg

Fotografia de Artur Pastor (anos 50/60)

 

Apreciei devidamente de Artur Pastor, da qual não apurei a data exata, anos 50/60 é o que diz na sua coleção de Trás-os-Montes. E sim, dá para verificar que a fotografia não é muito antinga e que quase tudo que é retratado pouco difere do que hoje existe, inclusive eu que pela certa sou mais novo que a foto, ainda me lembro daqueles candeeiros da Ponte Romana, mas há um pormenor nesta foto que me chamou a atenção e que veio confirmar sem qualquer dúvida aquilo que já há uns anos sabia. Trata-se da placa que assinala a cheia do Tâmega de 22 de dezembro de 1909, mais propriamente da sua localização. Para melhor entenderem aquilo a que me refiro, ampliei as duas fotos que vos deixo atrás na zona da referida placa e assinalei a vermelho as referências de duas janelas da construção (que na reconstrução de há uns anos atrás não foram alteradas) e da placa da cheia, antes e depois das obras.

 

1400-(46499)-1

 

Não é por nada, mas após as obras, a placa não ficou bem no mesmo sítio. Acredito que quem recolocou a placa tivesse a intenção de enaltecer a grandeza da cheia de dezembro de 2009, pois se o espanto da sua grandeza já era grande com a placa no devido sítio, isto acreditando que quem a colocou lá originalmente respeitou as marcas da cheia, se a placa subisse mais um metro, o pessoal espantar-se-ia muito mais. E confesso que eu fui um dos que se espantou quando a vi nesta nova localização, não pela grandeza da cheia, mas pelo atrevimento e pela mentira que agora lá está colocada.

 

600-chaves-A-Pastor.jpg

 

Mas tudo bem, desde que o pessoal saiba a verdade e haja provas de tal, como a foto de Artur Pastor que vos deixo ou mesmo o testemunho das fotos da época da referida cheia de 1909, não há grande mal, desde, claro, que o contar da história verdadeira se vá mantendo ao longo das gerações, ainda para mais que a estória é caricata. Mas bem melhor era que a placa regressasse ao seu devido sítio. Mas esta estória dá também para perceber que não devemos acreditar em tudo que vemos e em tudo que lemos na História, e Chaves tem alguns destes exemplos, e até bem mais graves que este da placa.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:25
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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2016

Chaves de ontem, Chaves de hoje

 

ontem-hoje

 

Muitas vezes insurjo-me aqui contra as “verdades” da História, e não é por mero acaso, mas simplesmente porque sei que a História é feita conforme quem a transcreve, ou seja, se houver dois historiadores a fazer a História de um mesmo acontecimento, pela certa que vamos ter duas versões da mesma história, mesmo que documentada e mesmo que aparentemente semelhantes, há sempre pormenores que fazem a diferença e alteram toda a verdade. Hoje, nas imagens que vos deixo, temos um bom exemplo de uma verdade (ou não) alterada por um pormenor. Se repararem bem nas duas primeiras imagens que a seguir vos deixo, há pequenas diferenças entre ambas, começando na data em que foram tomadas, pois a primeira é de 1965 e a segunda de há dois dias atrás.

 

1 - cheia-1.jpg

Foto 1 -  de 1965

 

2 - ontem-hoje (19)-1.jpg

Foto 2  -  de fevereiro de 2016

Entre ambas as datas das fotos anteriores, o edifício em questão sofreu obras de reconstrução e à vista salta logo uma pequena diferença entre ambas, mais propriamente nas três janelas superiores que na versão atual são mais pequenas. De resto mantem-se quase tudo igual, não fosse esta placa (foto nº3) que assinala a altura que alcançou a cheia do Rio Tâmega de 22 de dezembro de 1909.

 

3- 13271-2.jpgFoto 3  -  de fevereiro de 2016

 

A placa foi ampliada da seguinte foto (4), que é uma foto atual:

 

4 - 13271-1.jpg

 Foto 4  -  de fevereiro de 2016

 

Mas vejamos a placa no contexto da fachada do edifício (foto 5) que é a foto atual, a mesma que a foto 2 só que a placa está agora assinalada dentro dum círculo vermelho, entre traços vermelhos que correspondem à altura da janela do lado:

 

5 - ontem-hoje (19)-2.jpg

 Foto 5

 

Então agora, fazendo o mesmo exercício na foto de 1965, observem onde estava então a placa da cheia (foto 6).

 

6 - cheia-2.jpg

 Foto 6

 

Segundo uma estimativa minha, a placa após as últimas obras de reconstrução do edifício, foi colocada cerca de um (1) metro acima. Inocência ou falta de referências de que a recolocou!? – Poderia ter sido, mas penso que não, é mais a nossa velha mania de empolarmos os acontecimentos fazendo das coisas pequenas grandes coisas. E assim se vai enganando quem vê a placa e a observa com espanto. Penso eu que seria de bom tom repor a verdade recolocando a placa no seu devido sítio. Mas aqui surge-me uma dúvida e essa é a dúvida da verdade, pois quem me garante a mim que a primeira placa estava no seu devido sítio!? – Sendo como somos, é bem possível que a primeira placa já tivesse sido colocada um (1) metro acima da verdade, o que a ser verdade, a verdade de hoje está 2 metros acima da grande cheia de 22 de dezembro de 1909. Contudo, pela foto seguinte dessa cheia, pela diferença que a água leva até à parte superior do arco o à parte inferior da janela do outro edifício, facilmente se poderá repor a verdade verdadeira, ou não. Mas vejamos a foto:

 

ca (533).jpgCheia de 1909

 

Pois o “ou não” do parágrafo anterior é que sabemos que a foto é da cheia de 1909, no entanto não sabemos se foi tomada no dia em que a cheia atingiu a sua altura máxima, e daí voltamos à estaca zero e lá teremos que acreditar, ou não, em mais uma mentira da história. Mas também pode ser verdade. E isto faz-me sempre lembrar o caso do Silveira e do Pizarro nos acontecimentos das segundas invasões francesas em Chaves (tinha de dizer isto...).

 

Enfim, mas tudo isto são balelas minhas, pois como não sou historiador, tudo que por aqui deixo não vale de nada…

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:37
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