Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2016

4 - Chaves, era uma vez um comboio…

800-texas

 

O Texas do Corgo

 

Este texto deveria ser um poema, pois é na poesia que costumo chorar a dor, o amor, as paixões, as perdas, as saudades… mas sob revolta, nunca os consegui escrever.

 

cp0012.jpg

 CP0012 – Locomotiva: CP E205, Data: Não datado, Local: Chaves, Portugal, Slide 35mm

 

Desde sempre pensei que a Linha do Corgo se deveria chamar Linha do Tâmega, coisas minhas mas também da lógica das linhas ferroviárias estarem associadas à proximidade dos rios e de “correrem” ao longo da sua corrente, e daí, se o Rio Tâmega que nasce nas proximidades de Chaves desagua no Rio Douro, também a nossa linha que nascia junto ao Rio Tâmega, deveria assumir o seu nome ao desaguar na linha do Douro. Mas, repito, isso eram coisas minhas mas nunca lhe dei grande importância, pois a linha adotou o nome de outro rio ao qual também estou sentimentalmente ligado, quase desde que nasci - o Corgo - mais propriamente a Parada do Corgo, ali mesmo juntinho à nascente do rio, terra dos meus avós paternos e do meu pai e, é graças a essa aldeia que,

 

cp0138.jpg

  CP0138 – Locomotiva: Não identificada, Data: 1977, Local: Veiga de Vila Pouca de Aguiar, Portugal, Slide 35mm

 

também desde que nasci, comecei a ser um passageiro frequente do nosso comboio, o “Texas”, como carinhosamente o alcunhávamos. No entanto a minha primeira recordação do comboio remontará aí para os meus cinco anos de idade, precisamente quando no apeadeiro de Parada do Corgo comecei a ver ao fundo da reta de Zimão uma barulhenta bola de fumo negro e que, ainda por cima, apitava, e quanto mais se aproximava, o fumo aumentava, os barulhos tornavam-se mais intensos, os apitos mais fortes e estridentes até que uma montanha andante de ferro, com um nariz vermelho, estava ali, mesmo em cima de nós. Escusado será dizer, que lá no fundo nos meus cinco anitos, fiquei borradinho de medo, agarrado à saia da minha mãe.

 

1600-parada (215).jpg

 Apeadeiro de Parada do Corgo (ou Aguiar)

 

Com o tempo fui-me habituando àquele monstro amigo que me levava a visitar os meus avós e me trazia de regresso à casa de Chaves. Depois também foi através dele que vi pela primeira vez o mar e fui pela primeira vez à nossa praia (Póvoa de Varzim), tudo de comboio, depois paras as piscinas de Vidago e das Pedras Salgadas. Fui e vim da tropa de comboio, e já nos anos oitenta, quase até ao dia da sua morte, fazia viagens frequentes a Lisboa e se para lá ia de autocarro direto, o regresso fazia-o quase sempre na comodidade do comboio, e quer fosse de verão ou inverno, a Linha do Corgo, da Régua a Chaves, depois da regueifa e dos rebuçados de açúcar torrado, era feita na varanda do comboio, mas há uma viagem, a última, que nunca mais esquecerei, não por saber que era a última, pois não sabia então que passado pouco tempo, traiçoeira e irrefletidamente a linha iria ser encerrada, mas porque nessa viagem tive uma companhia inesperada à varanda, uma companhia que a família (mulher e filhos) tinha deixado na estação da Régua para apanhar o comboio para Chaves, uma companhia que eu há anos já admirava e da qual tinha saudades, sobretudo da sua sabedoria, do seu amor à poesia e do seu conversar. Era o meu antigo professor de português do Liceu, o Dr. José Henriques, que ainda antes do 25 de abril de 74, através da poesia e dentro das quatro paredes da sala de aulas nos falava da liberdade. Foi a minha última viagem na Linha do Corgo e a última conversa com o meu antigo professor, espaçada de silêncios, explicados pelo êxtase da apreciação da paisagem ou pela apanha e descarga de passageiros nas estações e apeadeiros.

 

cp0015.jpg

  CP0012 – Locomotiva: CP E209, Data: Não datado, Local: Não identificado, Portugal, Slide 35mm

 

Tenho saudades da Linha do Corgo, do comboio, de viajar à varanda e, só lamento, revoltado, que os de Lisboa nos o tivessem roubado, ou pior ainda, assassinado, sem o mínimo respeito pela sua história e pelas populações que servia.  

 

Fernando DC Ribeiro

 

 

In “Memórias de uma Linha – Linha do Corgo – Chaves”, Agosto de 2014

Edição Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura

 

Fotografias – Propriedade e direitos de autor de Humberto Ferreira (http:outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt)

Gentilmente cedidas para publicação neste post.

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:46
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Domingo, 9 de Maio de 2010

Em memória do velho texas e da linha do Corgo em Chaves - Portugal

 

 

.

A saudade e a memória andam quase sempre de braço dado, pois assim seja. Hoje é por aí que vou: Saudade e Memória de um comboio que carinhosamente lhe chamávamos Texas.


.

.


Quase desde bebé  e até que o velho Texas (já a diesel) deixou de existir retenho na memória largas dezenas, talvez centenas, de viagens que fiz por essa linha do corgo fora. Partidas desde Chaves até Parada do Corgo (terra do meu pai) e vice versam, eram frequentes, várias vezes por ano. Até à Régua (e vice-versa), entre algumas, retenho a grande viagem que fiz pela segunda vez com 7 anos de idade. Até Vila Real, algumas viagens semanais durante o tempo de tropa. Tantas, que o Texas quase fazia parte da minha vida das pequenas viagens deste Trás-os-Montes.


.

.


Conhecia de cor as passagens de nível sem guarda, com guarda, as travessias das estradas, onde metia água, onde descansava, onde metia e deixava gente… eu sei lá!


.

.


Foi durante poucos anos, já na sua morte anunciada, o meu despertar ou embalar do sono nas partidas das 5H30 (são da manhã as horas).

 

.

.


Alegrias e desgraças (também as houve) o Texas fazia parte da vida flaviense. Era o nosso Texas, final de linha, que trazia até nós gentes de fora, gentes de cá, militares, mercadorias e até malucos que diziam embarcarem no Porto tipo encomenda para desaguavam em Chaves.


.

.


Pouca-terra-pouca-terra, truz-truz seguido de apitos estridentes a fazer-se anunciar enquanto semeava faúlhas de fogo e fumo espesso por todo o lado, faziam do Texas as delícias de turistas e não só, de um acompanhar a paisagem à varanda e, descidas e subidas em todas as estações… Saudades e memórias de todo um Texas que durante anos a fio fez o transporte, delícias e ligação até (o então) nosso Portugal.


.

.


Ficou velho, velhote, ultrapassado, nem o diesel foi a sua salvação e à boa moda que hoje ainda se pratica, em vez de se modernizar e adaptar aos novos tempos, ditou-se a sua morte e aos poucos,  o encerramento da linha do Corgo. O seu carrasco tem nome e hoje até é Presidente da República que dá pelo nome de Aníbal Cavaco Silva, mas não é o único, pois também o poder local por essa linha do Corgo acima (ou abaixo) não mexeu uma palha para manter e fazer força para modernizar a linha e o comboio, aliado a outros lobbies (que os houve pela certa) dos transportes e transportadores por estrada. Com uma decisão de Lisboa, ainda por cima de Economista que até ensinava na universidades, acabou-se com aquele que está provado ser o melhor meio de transporte de pessoas e mercadorias. Começou aí o desprezo pelo interior  norte transmontano que se viria a repetir noutras linhas com o fecho sucessivo de vários troços até à morte final e noutros encerramentos vitais para o viver democraticamente em igualdade.


.

.


Hoje fala-se em TGV e, por muita crise que haja não se prescinde dele. Ilusões e a mania de parecer-mos e queremos ser grandes, mesmo que esteja provado que é para dar prejuízo e contribuir para a nossa desgraça, mas insiste-se no TGV, talvez para levar a Inês de Medeiros até Paris e outros políticos que tais pagos por todos nós, enquanto que o interior norte, desgraçado, já sem pérolas e anéis nos dedos, cada vez mais é saqueado nos recursos que temos (vêm aí as barragens para sugar e matar o Tâmega) enquanto esquecidos e desprezados em termos de saúde, ensino, cultura,  agricultura e sobretudo, futuro, mesmo que,  aqueles que nos deveriam defender em Lisboa, como a Srª Deputada flaviense (!?) e o Pavão de Castelões,  digam que tudo vai bem no reino da Tamagânia…. com a qual fazem inchar o seu ego e vão vivendo com os dividendos e mordomias do poder à custa dos papalvos da paróquia…


.

.


Pois hoje proponho-vos uma viagem não possível e sem qualquer partida ou regresso pela linha do Corgo acima/abaixo, ou o que resta dela, onde a custo ainda se consegue adivinhar ou rebuscar na memória que por aqui existiu um comboio, onde, com excepção para a estação de Curalha (Tâmega) que graças a um particular amante do Comboio preserva a sua memória, o comboio parece nunca ter existido e o que resta da sua memória está tristemente abandonado à espera que as intempéries acabem de vez com a memória do comboio no concelho de Chaves, nem para a preservação das antigas estações e apeadeiros há ou é demonstrado qualquer interesse. Dizem querer fazer da velha linha uma ciclovia como se a brincar com bicicletas de meia dúzia de adeptos se fizesse a memória de um comboio, quando, ainda é possível, senão termos de volta o comboio (bem  é possível, assim haja interesse e inteligência de Lisboa) pelo menos termos uma linha turística com o velho Texas a carvão de regresso, para fazer a delícia de muita gente. Imaginação e inteligência, pouca que seja, precisa-se!


.

.


Loivos, Oura, Salus, Vidago, Campilho,  Vilarinho das Paranheiras, Vilela do Tâmega (em Moure), Curalha (Tâmega), Fonte Nova e Chaves, um troço de linha que tanto custou a fazer (em tempo e dinheiro) para o Sr. Aníbal numa decisão leviana com desprezo pelas gentes do interior,  tomada comodamente em 1989 desde S.Bento, no palácio do poder em Lisboa dizer: Feche-se!

Nunca esqueço quem nos faz bem, mas também não esqueço que nos faz mal. Mas a seguir a ele (Anibal) outros lhe seguiriam os passos, o último, chama-se Sócrates, para dar mais que razão à bocarra de “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”, principalmente Trás-os-Montes…


.

.


Pois hoje em imagens, fica o que resta da nossa antiga linha do Corgo, os seus apeadeiros e estações (quase todos a caminho da ruína, nem a dignidade e memória do seu passado persiste), e à excepção da estação de Loivos, pois não sei nem nunca soube como lá chegar sem ser por comboio, uma estação, diga-se a verdade (pois tudo leva a crer tal) que foi construída graças a uma boa cunha, pois durante todo o meu tempo de utente da linha (praí 19 anos), o comboio fazia sempre a cerimónia de lá parar, mas nunca vi um único passageiro subir ou descer naquela paragem e, sempre mostrou o seu aspecto de abandono sem alma viva no edifício da estação. Coisas de cunhas, que os políticos tão bem conhecem para os da sua cor e que não são de hoje, pois sempre existiram, mas antes, estava instituída pelo alinhados ao regime, eram (digamos) legais, e hoje, embora oficialmente não exista e se repudie, quem não  tiver cartão do partido e não abanar a bandeirinha (seja qual for a cor), está tramado, é mais um a fazer número de percentagem no desemprego e do desespero.


.

.


Fiquem então com aquilo que resta da memória de um comboio que existiu na linha do Corgo e que tinha fim de linha em Chaves, na estação, onde hoje se faz cultura com rapazes da Venda Nova e concertinas. Não sei porquê, mas preferia o meu velho Texas à cultura que lá se pratica…


.

.


Para terminar. Sei que existe um Museu (armazém) do comboio, é certo, mas para uma cidade que gasta tanto com a imagem, festimagens e outros devaneios, um museu digno do comboio precisa-se, pois a grande maioria dos flavienses (já nem falo dos turistas) nem sequer sabem que existe um armazém do comboio.


.

.


É tudo por hoje, aproveito esta última imagem para enviar uma carta a quem queira entender ou saiba ler aquilo que por aqui se escreve  com votos que passem bem o que resta deste fim-de-semana, pois amanhã  há mais!


 

Nota: Hoje não tenho (tive) pachorra para aplicar a cena do novo acordo ortográfico, continuo à moda antiga que também é actual.

 

 

.

´
publicado por Fer.Ribeiro às 04:11
link do post | comentar | ver comentários (11) | favorito
|  O que é?
Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Mosaico da Freguesia de Curalha

 

.

 

Localização:

A 6 km de Chaves, localiza-se a Sudoeste da cidade junto à margem direita do Rio Tâmega, desenvolve-se ao longo da EN 103 e junto ao nó da A24 que adoptou o nome da freguesia, sendo hoje uma das principais portas de entrada da cidade para flavienses residentes, mais à frente explico o porquê.

 

Confrontações:

Confronta com as freguesias de Redondelo, Soutelo, Valdanta, S.Pedro de Agostém e Vilela do Tâmega, no entanto entre Curalha e estas duas últimas freguesias há o Rio Tâmega a separá-las.

 

Coordenadas: (Largo da Igreja)

41º 42’ 55.77”N

7º 31’ 26.34”W

 

Altitude:

Variável – entre os 350m e os 430m

 

Orago da freguesia:

Santo André

 

Área:

9,13 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):

– Estrada Nacional 103 ou A24.

 

.

 

 

.

 

 

Aldeias da freguesia:

            - Curalha (única aldeia da freguesia)

 

População Residente:

            Em 1864 – 283 hab.

            Em 1920 – 405 hab.

Em 1940 – 567 hab.

Em 1950 – 693 hab.

            Em 1960 – 681 hab.

            Em 1981 – 531 hab.

            Em 2001 – 518 hab.

 

Em termos populacionais é uma freguesia que contraria a tendência do despovoamento da maioria das freguesias do concelho, pois e embora nas últimas décadas os Censos demonstrem que tem perdido população em relação ao ano de 1950, a linha de tendência para Curalha indica-nos um aumento de população.

.

 

 

.

 

Principal actividade:

- Actualmente a agricultura com regadio, natural ou em estufas. Em tempos outras actividades existiram por Curalha, uma delas ligada à Estação dos Caminhos de Ferros e às mercadorias destinadas ao Barroso, outra, aliada ao Rio, aos moinhos e à moagem de cereais, existindo ainda (aparentemente em bom estado) os respectivos moinhos.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

São vários os pontos de interesse desta freguesia, começando por aquele que na minha opinião é o mais importante e interessante em termo das história, ou seja o Castro de Curalha cuja descrição poderão ver no post dedicado a Curalha, com link no final do post. Tão importante e interessante como esquecido e abandonado que está. É certo que nos últimos anos cuidaram-se os acessos até ao Castro, mas apenas isso, pois de resto o Castro está entregue a si próprio e sem qualquer informação no local que deixe aos visitantes o devido resumo histórico para fazer jus à sua importância.

 

O Museu do Comboio é outro dos seus pontos de interesse, embora não seja museu e até seja propriedade privada, mas é um autêntico museu onde o proprietário do espaço da antiga estação, não só recuperou e preserva o antigo edifício da estação, como mantém parte da linha e nela está a reconstituir um comboio completo, com a máquina a vapor, e as devidas carruagens de passageiros e de carga. Tudo isto feito com muito amor e custos que mantém bem viva uma recordação do passado. Um autêntico museu do comboio. Um bem haja para o proprietário em preservar assim importante a memória de outros tempos em que Chaves, o concelho e Curalha tinham comboio.

 

O núcleo e o casario da aldeia é outro dos pontos de interesse, mas para conhece-lo há que abandonar a estrada nacional e entrar nele. De interesse e também a nível de construções e obras de arte, são a ponte do antigo comboio sobre o Tâmega, se um só arco e em granito, bem como os antigos moinhos que bem poderiam fazer parte daquele museu vivo a que às vezes me refiro, do roteiro dos moleiros e dos moinhos, que sem dúvida seria um dos pontos de interesse e turísticos do concelho. Mas para isso era preciso que os verdadeiros xerifes da cidade tivessem ideias de interesse para o concelho e aperceberem-se que o nosso concelho é um concelho rural onde a sua ruralidade há muito que devia estar explorada, agro-turismo, penso que é assim que se chama, ou seja, agricultura + turismo, sem esquecer o grande aliado do termalismo que um dia até já se quis regional. Mas claro que isto é trabalho e de muitos anos, que não rende a curto prazo em resultados eleitorais…entretanto vai-se promovendo o despovoamento… e apostando no cavalo coxo e tão distraídos andam, que nem sequer se deram conta que por cá não há touradas e muto menos, corridas de cavalos.  Desculpas para Curalha por este devaneios ou desabafos, pois Curalha até é freguesia que nem merece recados, exceptuando o tema “Castro”, onde a Junta de Freguesia também deveria ter o seu orgulho e os seus interesses.


.

 

.

 

 

Linck para os posts neste blog dedicados à freguesia:

 

            - CURALHA

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:48
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

O Velho "texas" visto por Ajhammu0

 

.

 

Há dias lia no Boletim Municipal que todos os anos, milhares de visitantes passam pelos vários espaços museológicos da cidade e que em 2007, por exemplo, tinham passado pelo Museu de Arqueologia, Arte Sacra e Militar, mais de 40 mil visitantes. Não duvido dos números quanto ao Museu Militar e ao de Arqueologia, porque sou testemunha que muita gente os visita, já duvido quanto ao Museu de Arte Sacra, pois das várias vezes que lá fui, nunca encontrei ninguém a visitá-lo e, diga-se que também não perdem grande coisa, por tão pobre que se apresenta.

 

Continuava o mesmo boletim, aliás até era título, que o Museu Ferroviário superava as expectativas no número de visitas e que durante o ano recebeu perto de 2.000 visitas. Este sim, é um museu que vale a pena visitar e apenas recebeu esse número de visitas porque não está tão divulgado assim e, poderia receber muitas mais, milhares, talvez até atingir ou ultrapassar o número de visitas ao Castelo se, calro,  o Museu Ferroviário fosse um museu vivo, com a locomotiva a circular e a composição de carruagens cheia de turistas, pelo menos entre as nossas duas estâncias termais de Chaves e Vidago. É um sonho meu desde sempre,  termos por cá o Texas a circular na antiga via estreita, mesmo que a auto-estrada em Vilarinho das Paranheiras já tenha feito os seus estragos, mas mesmo assim ainda é possível.

 

.

 

.

 

Para iniciar esse museu vivo, a Câmara Municipal, suponho que em sintonia com a CP, poderia pelo menos ter uma composição completa do velho Texas, à vista de todos em espaço aberto. Digo composição completa, com uma locomotiva e pelo menos uma carruagem de 2ª classe, uma de 1ª classe e vagão de mercadorias descoberto e outro coberto, tal como circulou durante várias dezenas de anos na Linha do Corgo. Poderia muito bem ter sido integrado no espaço do Centro Cultural, como aliás ainda esteve previsto num dos estudos e não me venham com a treta de que é impossível ou complicado fazer um comboio completo e ao ar livre, pois um particular, a expensas próprias,  está a fazê-lo na antiga Estação de Curalha. Claro que por lá, para além do dinheiro,  há também muito amor investido no comboio e na estação que recuperou e preservou, preservando também assim a memória de passado. Amor que é coisa que por cá falta a muitos.  São apenas desabafos, mas realidades também, de um sonho que não é só meu, pois penso que a grande maioria dos flavienses tem saudades do comboio.

 

.

 

.

 

Lamentámos, e eu sou um deles, que Lisboa nos tem para aqui esquecidos com as suas políticas centralistas ou pior que isso, convida-nos a ir para o litoral e grandes centros. Lamentamos sim senhor, mas também ninguém se queixa e vamos vivendo conformados com as perdas, e recordem, que começaram precisamente com o a perda do comboio. Excepção para a luta da população pela manutenção das urgências no hospital, mas, pelo que consta no seu próprio seio, hospital em Chaves tem os dias contados, e até talvez seja melhor assim, pelo menos perdemos a ilusão de ter um Hospital que só faz de conta que o é. Mas há que ter esperança, pois ao que consta por aí no diz-que-diz, vai ser um flaviense (ou já o é) a ocupar a chefia da região norte da saúde. Pode ser que com ele tenhamos de regresso um Hospital a sério, mas o mais certo, é que diga “ámen!” às políticas de Lisboa e venha a ser um flaviense o seu carrasco. De e em políticos, tem que se esperar de tudo, principalmente o mal para as populações do interior.

 

Mas voltemos de novo ao comboio e aos olhares de hoje que mais uma vez os descobri no Flickr. São de autoria de Ajhammu0, é este o seu nick e fora isso, apenas sei que é um inglês de Lancaster e que passou por Chaves em finais de Setembro do ano passado, e que de cá, apenas tem na sua galeria fotos a antiga estação e as “máquinas” do museu ferroviário. Curiosa é a o título/legenda que deixa na foto da estação: “ Chaves, Portugal. The  Train Station but the trains no longer run, “a conspiracy” the táxi driver told us.”.

 

.


.

 

Não sei se é o caso do nosso convidado de hoje, mas há a nível mundial um turismo de qualidade que percorre milhares de quilómetros e continentes à procura de passeios nos velhos comboios com locomotiva a vapor. Aliás, ainda deve estar presente na memória de muitos utilizadores do nosso antigo Texas a carvão, os turistas que entravam na Régua, todos pipis, vestidinhos de cor clara e só saiam em Chaves, todos farruscos, porque entretanto pelo caminho tomavam a máquina de assalto. Farruscos, mas felizes. Esta felicidade ainda podia durar por aqui.

 

Entretanto vamo-nos contentando com o museu ferroviário, mas insisto em que poderíamos ter por cá um museu vivo e linha entre Chaves e Vidago ou pelo menos, um comboio completo e ao ar livre, e quem sabe se até poderiam por a máquina a funcionar, pelo menos para fumegar e apitar pi-pi!. Gente interessada não falta e, estou em crer, que até na CP poderá haver interessados em que tal aconteça, cabecinhas por lá não faltam, mas claro, terão de ser pensadoras!

 

Quanto ao nosso convidado de hoje, o Ajhammu0, deixo como de costume linck para a sua galeria do flickr, que andou por Portugal, e ao que se julga pelas fotografias, bem mais interessado em fazer turismo pelo nosso interior do que pelo litoral ou grandes centros (excepção para o Porto cidade), só em Lisboa é que não entendem isso.

 

Galeria de fotos de Ajhammu0 aqui: http://www.flickr.com/photos/thecolchesterkid/

 

 

Até amanhã!

´
publicado por fernando ribeiro às 03:11
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Quarta-feira, 16 de Maio de 2007

Chaves - Memórias futuras de um comboio - Parte 2

.

 

Desculpem-me insistir com o comboio, mas é só para vos deixar uma imagem de um dos exemplares de locomotiva ainda em Chaves e para completar a memória futura do comboio (também em Chaves). Ontem divaguei um bocadinho sobre o tema e falei-vos do Museu do Comboio, museu esse que merece também um apontamento.
 
Embora seja de louvar e um lugar a visitar, que pelo seu interesse e memória dos comboios em Chaves, recomendo e sempre recomendarei uma visita; embora sabendo que as locomotivas e peças expostas mantém o seu brilho de criar um brilhozinho nos olhos de quem os vê e principalmente de quem os viu a circular pelas linhas; embora sabendo que a gente que nos abre as suas portas são também apaixonados por comboios, não deixo aqui de fazer um reparo e muito simples – Este museu merecia mais publicidade, mais visibilidade e sobretudo condições mais dignas e, por último, merecia estar aberto todos os dias.
 
Acho eu, bá!
 
Até amanhã noutra memória de Chaves!
´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Terça-feira, 15 de Maio de 2007

Chaves - Memórias futuras de um comboio

Pare, escute e olhe

.

 

Pois está decidido, esta semana vou dedicar o blog à memória futura e a testemunhos do passado que hoje fazem memória.
 
Hoje fica um testemunho que faz memória, a de que houve um tempo em que existia comboio em Chaves, pelo menos na placa, abandonada e “enferrujada” pelos anos assim o reza:
 
ATENÇÃO AOS COMBOIOS
PARE, ESCUTE, OLHE
PROIBIDO O TRANSITO PELA LINHA
 
E eu sou testemunha de que é verdade, pois tive a felicidade de durante quase 20 anos fazer muitas viagens no velho Texas a carvão e no Texas-Diesel, embora seja o Texas-Carvão que deixa mais saudades.
 
Pois, para quem “não acredita” aqui fica o testemunho de que o comboio existiu mesmo em Chaves.
 
Já agora um pouco da história da linha do Corgo e do velho Texas.
 
Se olharmos à história das linhas ferroviárias facilmente compreenderemos a importância que tiveram nas primeiras grandes ligações do nosso país. Uma importância nas acessibilidades e na economia do país, quer com o transporte de passageiros, quer e principalmente no transporte de mercadorias. 
 
Em 28 de Outubro de 1856, desde a estação provisória de Stª Apolónia em Lisboa, saía o primeiro comboio em direcção ao Carregado. 37 quilómetros que demoraram “apenas” 60 minutos a percorrer. A partir de aí foi um lançar de linhas para ligar todo o país.
 
Quase 50 anos após o primeiro comboio em Portugal, mais precisamente em 15 de Maio de 1905, era inaugurado o primeiro troço entre a Régua e Vila Real. Nascia assim, em linha estreita, o primeiro troço da Linha do Corgo com início na Régua e término em Chaves. A construção desta linha foi faseada por vários anos. Em 1907 chegou às Pedras Salgadas. Em 20 de Março de 1910 fez a sua primeira chegada a Vidago. Em 20 de Junho de 1919 chegava a Vilela do Tâmega e só (finalmente) em 21 de Agosto de 1921 é que fez a viagem completa da Régua a Chaves.

Entre Vila Real e Chaves existiam 8 estações e 14 apeadeiros. Entre as duas cidades percorria 41 km e demorava 2H20, ou seja fazia o percurso a uma média de 17km/h.
 
Durante muitos anos foi o principal meio de transporte de passageiros e mercadorias de e para Chaves, e se com a melhoria dos transportes rodoviários e a criação das estradas nacionais o transporte de passageiros foi perdendo ao longo dos anos alguma importância, mantinha-a no transporte de mercadorias.
 
Ano após ano e com a melhoria dos transportes rodoviários (quer de vias, quer de máquinas) o comboio foi perdendo a sua importância e ia morrendo aos poucos. Havia duas soluções – melhorar e modernizar a linha ou fechá-la.
 
E a verdade seja dita, com o “consentimento” de todos e sem a oposição de ninguém, o Governo decidiu em finais de Dezembro de 1989 fechar definitivamente o troço da linha do corgo entre Vila Real e Chaves, em troca, dava-se preferência aos acessos rodoviários e aos IP’s.
 
Em 1990 a reciclagem já estava na moda e teria sido de bom tom, em vez de se ter abandonado por completo o troço de linha desactivado, deixando-a a saque de carris e de todo o património que ao poucos foi sendo roubado, ou vendido (no caso das estações e apeadeiros), dizia eu, teria sido de bom tom, manter o património e reciclar a linha para o turismo, pelo menos entre estâncias termais (Chaves – Vidago – Pedras Salgadas). Mas não, não houve nenhum iluminado que tivesse visto o potencial turístico desta linha, o que aliás até nem admira, enquanto o poder de decisão couber aos políticos.
 
Enfim, e de comboios restam-nos uma ou outra placa que ainda não foi roubada do Pare, Escute e Olhe e, um museu do comboio, que de tão fechado que está entre quatro paredes e com portas fechadas 6 dias por semana, quase ninguém sabe que existe

É por tudo (isto e daquilo) que o velho Texas deixou saudades, principalmente o Texas a carvão.
 
Pena é que os nossos políticos (locais e nacionais) a Comissão Regional de Turismo e outras entidades iluminadas não tivessem tido
 
ATENÇÃO AOS COMBOIOS
 
E que como sempre, quem decide nunca
 
PARE, ESCUTE, OLHE
 
Os verdadeiros interesses das pessoas e da nossa região e que tenham para sempre e irreversivelmente
 
PROÍBIDO O TRÂNSITO PELA LINHA.
 
 
Tenho pena, verdadeiramente muita pena,  mas da minha parte apenas vos posso trazer aqui uma placa que já fez e continuará a fazer memória futura de que um dia em Chaves houve comboio.
 
Até amanhã, com mais memórias futuras de Chaves.
 
 
 
´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:02
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?

.Fotos Fer.Ribeiro - Flickr

frproart's most interesting photos on Flickriver

.meu mail: blogchavesolhares@gmail.com

.Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9

15
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


.pesquisar

 
ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

 

 

El Tiempo en Chaves

.Facebook

Fernando Ribeiro

Cria o teu cartão de visita Instagram

.subscrever feeds

.favorito

. Solar da família Montalvã...

.posts recentes

. 4 - Chaves, era uma vez u...

. Em memória do velho texas...

. Mosaico da Freguesia de C...

. O Velho "texas" visto por...

. Chaves - Memórias futuras...

. Chaves - Memórias futuras...

blogs SAPO

.Blog Chaves no Facebook

.Veja aqui o:

capa-livro-p-blog blog-logo

.Olhares de sempre

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

Add to Technorati Favorites